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Pós-operatório e antibióticoterapia.

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Academic year: 2021

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(1)

*\._LL zíäzz 44¿É3

CC

0311 O

La

W.

fm

4 Põs¬oPERATõR1o E ANTLBIÕTIQOTERABIAMH

* Luiz Alherte Nune§‹

\.

* D0UC0rahdo da 12a, fase Curao'de Medicina

(2)

IzN«D1cE __.,_.__.-_-_..._.__ RESUMO . . . . . INTRODUÇÃO . . . . . . .... CASUÍSTICA.E MÉTODOS DISCUSSÃO ...Ç . . . . .. CONCLUSÕES . . . . . . . .. SUMMARY . . . . . .. REFERÊNCIAS . . . . .. I 5- ` o Q o o n ¡ Q Q n Q u o o Q n o 0 o o o u u a n o › n o - o o n Q 0 Q o Q o o Q o Q Q o o c o n ¢ no n n n u o u Q Q Q o n o ¡ Q Q o 0 o › | o o Q o c o Q | n u n I Q o c Q o c n a Q u o u o o | Q Q ao n Q Q n o u q n o n o o o o ¡ n n .4 . Paglna 4 5 . 9 26 30 31 32 Í 1 *l L › \ › L .fiz V.-.¬.-...››-z‹›~w»v›v.-vv-.»,-z «,... í \ F 0 l ,-z.»‹ s Í F r. v ? 1. i zu.-U .M z ._ -...._~ »‹.,-....¬...,....~..¬ ¬. e z F I

(3)

~.-`

s

RESUMQ

z

.Em estudo prospectivo realizado no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital de Caridade de Florianõpolis, foi analisado o

uso da antibioticoterapia no põs-operatõrio. '

4

Foram acompanhados diariamente, no pos-operatõrio ime-

diato, 175 pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos diver-

sos, em parede, cavidade abdominal e pescoço. Houve grande varia-

çao entre as entidades mõrbidas que motivaram as cirurgias. Es, -

tas, conforme critérios prë-estabelecidos, foram classificadas em

limpas, potencialmente contaminadas e contaminadas.

Dos 175 pacientes, 78 nao receberam antibiõtico profi-

lätico. No grupo tratado (97 casos) não foram notados efeitos co-

laterais importantes, decorrentes da antíbioticoterapia¿. Entre -

tanto, o número de complicaçoes infecciosas foi maior (l8,6%) nes

se grupo que naquele não tratado (1,3%). “ '

.'-r ' -V -

- .Distr1bu1dos os pacientes entre as tres classes

de ci-

rurgia, as complicaçoes foram analisadas comparativamente entre

cada um dqs grupos. ~

_ Em cirurgias limpas e mesmo em algumas potencialmente

contaminadas, conclui o estudo ser desnecessária ou até prejudi -

cial a antibioticoterapia profilãtica, que deve limitar-se a ca -

sos especiais. ' I Í E l ,. ...-_..-,fp za z ; i É I t › › 1 z¬ b

(4)

›`- |

_ .

' _

Desde que FLEMLNG (12), em 1929, por acaso descobriu

a penicilina , muitos avanços foram conseguidos na antibioticote

_ . . --

rapia.VUÍLLEMIN (28), em 1829, jã.havia criado o termo antibio- se, para caracterizar a forma pela qual um ser vivo destrõi ou- tro a fim de garantir sua propria sobrevivência. Em 1940-41 ,

CHAIN, FLOREY e cols. (8) obtiveram os_primeiros resultados com

o uso da penicilina em infecções experimentais e humanas. Ini -

cíava-se assim a era antibiõtica. ` '

A antibioticoterapia em cirurgia ë um dos assuntos mais estudados em medicina, mas ainda hoje se constitui numa si

tuaçao polemica, principalmente quando se refere a profilaxia .

Apesar do grande numero de publicacoes_sobre o tema, o uso de antibiõticos em pacientes cirúrgicos depende geralmente de cri-

' `

,^

tërios individuais, variãveis com a experiencia e preferência

pessoais, que muitas vezes_nao passam de impressoes sem qual -

quer justificativa científica, alëm do suave encorajamento es -

tabelecido pela propaganda.

_

I _ -

Frequentemeate,`a indicação do antibiótico obedece ã comodidade do cirurgiao, que se sente tranquilo pensando ter reparado eventuais falhas de assepsia ou esterilização. Os ar -

.-

gumentos de que a antibioticoterapia profilatica irã pelo menos trazer beneficio para o paciente, no sentido de protege-lo, não

pode ser aceito (21). Todo cirurgião provavelmente já teve al”-

.

À .

guma experiencia com reaçoes de hipersensibilidade, superinfec-

~ 1, _. _ › ' `,.

.,..' _ `, , '-

çao, comp icaçoes renais e outr3S, alem da propria ineficaciado

antimicrobiano. ' i

Em 1954, HOWE (13) admitia a contamínaçao de todasas

feridas operatõrias durante a cirurgia. O desenvo1vimento` ou não de infecção depende de muitos fatores entre os quais cita: a capacidade invasiva da bactéria, resistência do hospedeiro

,

número de germes inoculados, tipo de cirurgia, tecnica assëpti- ca, distúrbios fisiolãgicos, natureza dos tecidos. A dissemina-

çao de formas resistentes parece estar relacionada com o uso do

| \ I › E r \ › ë z Í i ë «__ ,...,,...,.. .v Í* s ë É É `› 1 X 4 1 › à z ‹ 3* › I

(5)

`

6

~›-¡

antibiõtico. Refere este autor o aumento significativo, em ter-

mos estatísticos, da incidência de infecção põs-operatõria, a despeito do uso profilãtico do antibiõtico. '

Em 1957, TACHDJIAN e COMPERE (25) avaliaram o trata-

~ - .-

mento profilätíco com antibiõticos em 3.000 operaçoes ortopedi-

cas limpas, usando-os em 1900 desses casos. Constataram que 2/3

dos casos tratados tiveram complicaçoes infecciosas, além do que 3, delas apresentaram complicaçoes diretas com o uso

_ da

\l

ON. ‹=\°

droga. Observaram ainda que esses casos apresentavam muito mais

dificuldade em se diagnosticar e tratar a infecção.

Em 1959 BARNES, PACE, TRUMP e ELLISON (4) analisaram

complicações infecciosas põs-operatõrias em 1007 doentes opera-

dos, e constataram que em 558 casos não tratados houve 9,8% de

infeccções, ao passo que nos 449 tratados houve 11 de compli

cações. Concluiram portanto a ineficãcia do uso profilãtíco des

U .b o\°

sa droga.

Em 1959, PULASKI (21) diz não ser partidãrio da qui-

mioprofilaxia antibiõtica, assinalando que diversos estudos fei

tos sobre este tema demonstraram que aumenta o número de infec-

ções põs-operatõrias quando ela ë usada e que, logo que foi

abandonada, este índice caiu para um nível inferior ao da era

prë-antimicrobiana. Registra ainda que os estafilococos sao os

germes mais comuns nas feridas operatõrias, e que bactérias re-

sistentes Se instalam na pele e ãrvore respiratõria mais fre -

quentemente nos pacientes tratados com antibiõticos.

`

Em 1963, JOHNSTONE (16) notou que nao houve aumen -

_, ..- 4

to de complicaçoes pos-operatorias nos pacientes submetidos ã cirurgias limpas e que não receberam antíbiõtico profilãtico .

Constatou que o maior número de infecções ocorreu no grupo tra-

tado profilaticamente, e atribuiu isso as formas resistentesque

apareceram com o uso do antibiõtico.

Em 1964, NOGUEIRA e CARDOSO (19) estudaram 211 casos

operados, usando antibioticoterapia profilãtica emtapenas 35_

casos. Evidenciaram maior nümero de complicações infecciosasnes

1 3 I r Í á â xi I ‹ L 1! _«4,.¬-v-›‹¬.~›.-».-z » ¬,....~ ‹....vuwq‹-›-.« .. .., . Y-.W › › z..-.› ¬z-W. › u š ›. Ê ‹ ú 4 1 › v › I 0

(6)

__

.7

0.- `

. 4

te grupo , e consideram ser o uso de antibiotico profilãtico des

-Z

necessãrio e até mesmo prejudicial. ` '

. ¬1-

Em 1972, FEKETY é MURPHY (11) assinalam O aumento

das infecções por germes Gram negativos e por fungos, devido ã

~ 4' . ^ V

. 4

açao continua e Seletiva da terapeutica antibiotica. Acentuam o

as

importante papel da resistencia do hospedeiro, que pode ser

reduzida diretamente por certos antibiõticos através da redu -

çao da fagocitose, ou pOr alteração da f10ra normal dO 0TgahíS-

IIIOÇ '

A

Em 1973, BURKE (7) diz que a resistencia dos teci -

dos contra as-bactérias depende fundamentalmente da resistën - cia natural do paciente e que esta diminui com a doença, anes-

... .z , _ A .-

tesia e agressao cirúrgica. Cita tres condiçoes onde se pode

usar a quimioprofilaxia antibiõtica,: a) Pacientes nos quais a

~ . êfl z . z ~

intervençao cirurgica inclui perigo de contaminaçao bacteriana

maciça; b) Pacientes com doenças que interferem na função

nor-A

mal de um ou mais mecanismos de resistencia; c) Pacientes nos quais a gravidade da intervençao cirúrgica elimina as defesas antibacterianas. '

Em 1975, BERNARD (5) acentua os perigos do uso im -

prõprio da antibioticoterapia quanto ã toxicidade, resistência

_. .ø ~

e super-infecçao. Alerta também aos_cirurgioes sobre os riscos

da displicência nas regras de antissepsia e técnica cirúrgica

. ,

induzida pelo uso.desenfreado dos antibiõticos.

Em 1980, BRACHMAN e cols (6) observaram que as in -

fecções cirúrgicas hospitalares são causadas na sua maioriazmr

germes Gram negativos. Estas infecções, neste estudo, acrescen taram em média 7,4 dias extras ao tempo de internaçao e um cus to de 1.100 dõlares a mais.

Com base no exposto acima, objetivamos mostrar,atra

vês da observação clínica de 175 doentes operados, a necessi -

dade de uma avaliação criteriosa, no que concerne ã terapêuti-

' 4 ê F Í \ ‹ _. .. ..._ -zzz.-, ,..-... ...._....-9 Y › É i, 0 ê ‹ E › 1 r 1 n › r n z 4 ‹

(7)

.Q `

ca antíbíotica. Acreditamos que

. ,

sar essa terapeutíca, desde que

de assepsia e antissepsía, pois a segundo plano sob pretexto de antíbíõtico.

r

U

3-

›`- `

se pode-em muitos casos_dispen sejam.respeítadas as tëcnicas estas nao podem ser Íelegadas 'uma proteçao'fornecída pelo

a : í é Ië ‹ .~¬~›.- w-‹›w‹w¬v‹z-..-.V5 «vz «uv--az-›-.‹‹-‹.~,‹ ¬.-.uz-,=-=-.z-wn,~‹¬..., -;›‹.¬_-w-- «- -.‹‹ ... _.. _...-._..-_,...«-~‹-›‹.-››› .- ¬'.»~.., ....,.-.

(8)

4-.›z_-¬.-...-›_-

« CASUISTICA E MÉTODOS'

. Utilizamos 175 pacientes, os quais foram submetidos

ã cirurgias dos mais variados_portes. Todos esses pacientes ermn

pertencentes ao serviço de cirurgia geral do Hospital de Cari -

dade de Florianõpolis, e foram operados pelo Professor Dr. Br -

nesto Francisco Damerau, cirurgião geral deste nosocõmio. O es-

tudo foi realizado no periodo de 17.05.78, data em que se ini -

ciou os registros do acompanhamento diãrio dos pacientes opera-

dos, e se estendeu até 27.09.78, portanto 4 meses e 10 dias de

observaçao, '

.

` '

'

A casuística ë composta de um grupo diversificado de

pacientes, no que`diz respeito ã idade, sexo, grupo etãrio e

entidade mõrbida apresentada, a qual era motivo da cirurgia ,

sendo comum apenas a indicação cirúrgica. Não houve predomínio

de sexo. A idade variou de 11 a 80 anos (Quadro I), com uma mê-

dia de 45,8 anos, sendo que 65,1% dos pacientes estavam com ida

de acima de 40 anos. - -,-,-z‹¬.., WA, `i \. › A Í í 1 I ? â I › É _.. .._. .`.-¬-_.-«vz-..›‹- -.=...z›«

(9)

' ' QUADRO.I Grupos Etãrios ' LO 5- ` IDADE "N9 de Casos % O _ 11 - 21 - 31 4 41 - 51 - 61 - 71 - 10 ¬ 20 V .16 30 22 40 23 50 . 41 60 - . _ 30 7_o 29 0 80 14 0 9,1 12,6 13,1 23,4 » 17,1 17,0 8,0 1 TOTAL : 175 ,l00,0 que predomi de 61 casos As entidades mõrbidas c

nãram na nossa amostra

, incluídas as hêrnias

pelas colecistítes calculosas com sos e nodul ares, com 16 casos. As

casos, isto ê, menos que a metade

om indicaçao cirúrgica formal foram as hërnias, num total hiatais com 6 casos, seguidas 30 casos e pelos bõcios difu-

demaís somadas alcançaram 69

do total (Quadro ÍI).

z -.H-. _,, ..._, i 1 Ê __... ...-....¬..._. -...¬-V.. 2 É I 1 E -...¬.~- ...-.. ..¬.¬--«z-.¬_.,..._.. .¬_.\ ..,. ..._ .-,¬--v › ›

(10)

_ A 11 QUADRO 11 Entidades Mõrbidas _ ENTIDADES N9 % Hêrnias - ó1 54,9 Colecistites calculosas _ 30 _l7,1

Bõcios difusos e nodulares' 16 9,1

¡-* I-*F-*|>-*F-*i-'I'-*P-*l\)l\JLNLNL/~lLN->U¬O\'~.OKOl\J GQCDF-'-ll*-'F-*i-*P-'i-*l\) ..~›~›.›...z.›...z O'\Ô\O'\¡'-*}'-'\1\1\`I\lU~l Câncer gãstrico 6,9 Úlcera duodenal ~ 5,1 Coledocolítíase 0 5,1 Cãncer de esôfago 3,4 Apendicite Í '^ 2,9 Doença de Hodgkin .- Abdome agudo» V « . A Cancer de mama ' Megaesõfago V Gastrite alcalina Mama ectõpica Tumor de colon - Melanoma (metãstase)' 0 Doença de Crohn Insulínoma Abscesso hepãtico _- . 0,6 Cisto pilonidal ' 0,6

Tumor de retroperítõneo H' Ogó

Empa1amento_pa 0,6

TOTAL 2 'l75V 100,0

ø _. ~ '

Quanto a tecnica asseptica e antissëptica, padroniza-

mos o seguinte : a equipe se escovava com escovas de nylon e sa-

bão e apõs mergulhava as mãos em solução de ãlcool iodado pre -

(11)

12

'b'

`

estava preparado, com a pele limpa. Apõs a anestesia era feita a antissepsia com Merthíolate 1; 10.000, deixando uma margem

de no mínimo 20 cmgde todos os pontos da incísao a ser feita-.

Os bordos da incisao eram protegidos por compressas ali fixa -

das, evitando ao mãximo o extravasamento de conteúdo gastrin -

testinal, bem como maceraçao excessiva de estruturas, nao dei- xando espaços mortos e realizando_apurada hemostasia.

'

Os fios utilizados foram_padronizados da seguinte

maneira : para anastomose, categute cromado "OOO"; para 0 pe -

ritõneo, categute cromado "O"§ para aponeurose, mersilene "00Ú;

e para a pele mononylon "000";

Utilizamos dreno de Penrose em todas as laparoto -

mías, com saida por contra abertura lateral nos flancos, em to das as cirurgias do pescoço e`em quase todas as hërnias ingui-

nais. . ,

Nao nos esquecemos de anotar a cirurgia imediatamen te anterior ã nossa, como tambêm.o tempo de cirurgia e a ínstru

mentadora, a qual era o ünico elemento variãvel do nosso esque

ma. ~

Realizãvamos um leucograma antes da cirurgia e

ou-A

tro 48 horas apõs a mesma. Usamos como parametros para detec -

~ ._ .-

çao de infecçao a contagem global de leucócitos, seguida da

contagem diferencial, valorizando elevações superiores z a

10.000 leucõcitos e_a ausência de eosinõfilos na lâmina, Utili

zamos também a determinação da velocidade de hemossedimentação

(VHS( em 153 casos, considerando alterados os valores acima de

10 mm na la; hora. Alguns casos foram perdidos nesse detalhe

por impossibilidade técnica. *

_

Anotãvamos diariamente a temperatura de 4/4 horas

de cada paciente e observãvamos a incisão e o estado geral do

paciente na hora da visita, quando realizãvamos o curativo. As

alterações que observãvamos eram diariamente anotadas em uma ficha protocolar idealizada por nõs.

Dos 175 casos operados prescrevemos antibiõticos pa

ra 97, e não os prescrevemos para 78 deles (Quadro III). '

V \ \ i K r . › 1 > É X I i Ê ...‹..~....f,-¬»¬ i 1 i \' š 1 › I 1 1 w

(12)

13

QUADRO III "

175 Operagoes_Reali2adas de 17.05.78 a 27409.78

Cirurgia com antibiõticoterapia ¬ 97 casos ... 55,4 %

Cirurgia sem antibiõticoterapia - 78 casos ...¬. 44,6 %

TOTAL E + 175 casos

- l00,0'%

Os critérios que levaram ã prescrição de antibiõti-

cos foram : natureza do Õrgão sede da lesão, o sofrimento do

õrgão pela patologia em si como no caso das hêrnias estrangula

das, o extravasamento do conteúdo gastrintestinal no campo ope

_

4 vw & nvV

ratorio, exagerada manipulaçao dos orgaos, tempo excessivo de

cirurgia, cirurgias realizadas em áreas anatomicamente sëpti -

cas, extensos descolamentos, presença de espaço morto exigido

~-

pela anatomia da regiao operada, patologias infectadas como no

caso das apendicites e locais de alojamento dos doentes opera?

dos como no caso-daqueles cujos leitos estavam em enfermarias

onde existiam outros doentes com ferimentos ãs vezes expostos.

Todos esses preceitos observados levaram~nos a caracterizar 3

Classes de cirurgias, conforme TAYLOR (27) : cirurgias limpas,

cirurgias potencialmente contaminadas e cirurgias contaminadas

(Quadro IV); ~

I

(13)

_ QUADRO Iv

Qlassifícaçao`dasiCirurgias

Classe de cirurgia Né %

Cirurgias-limpas ,

. -123

Cirurgias potencialmente contaminadas' 45 Cirurgias contaminadas V _ ' 70,3 25,7 4,0 TOTAL 175 100,0

Das cirurgias 1impas_utilizamos-antibiõtico naque -

las identificadas como : operaçoes demoradas, muito manipula -

das, em pacientes obesos, extenso descodamento de tecido adi -

poso e outros, estabelecendo convívio com os preceitos citados anteriormente. Esse grupo somou 49 casos, ou seja, 39,8% das

cirurgias limpas (Quadro V).

(14)

Çirurgias Limpas com Qso de Antibiõtico 4 ›.-¡ gUADRQ_y

19

Cirurgia Diagnõstíco_ N? % Herniorrafia Herniorrafia¿ Herníorrafia Herniorrafia Herniorrafia Herniorrafia. Herniorrafia lireoidectomia total ' Ressecçao de tumor retroperitoneal Mastectomia Excisao de tu axilar Vagotomia super- seletiva Esplenectomia Cardiomiotomia Heller _ ' Hërnia Hêrnia Hêrnia Hërnia Hërnia Hërnia Hërnia inguinal recidivada ' inguinal bilateral inguina1'estrangulada incisional ` umbilical - hiatal epigãstrica Bõcio difuso atõxico

Tumor cistico de retroperi -

tõneo

A

Cancer de mama 1 :

Melanoma e mama ectõpica

Úlcera Doença duodenal de Hodgkin Megaesofago 6,1 8,2 16,3 18,4 6,1 8,2 2,0 4,2 2,0 6,1 6,1 8,2 6,1 2,0 TOTAL » 49 ` 100,0

Nas cirurgias potencialmente contaminadas, onde exis- excessivo de cirurgia, pacientes caquëticos com baixas defesas ,

mais de duas anastomoses, utilizamos o antibiotico profilatica -

mente. Esse grupo era composto de 41 casos, que perfizeram 9l,l%

das cirurgias potencialmente contaminadas ( Quadro VI).

«I

tia extravasamento de conteúdo, excesso de manipulação, tempo

4 l l Y ã I z ! 'I I f -.

(15)

QUADRO VI

16

Cirurgias Potencialmente Contaminadas, com uso de

antibiõtico C Cirurgia ` Diagnostico - N9 % Colecistectomia + Herniorrafia hiatal Colecistectomia + Coledocostomia Colecistite + Hërnia de hiato Liitiase biliar + Coledociana `

Pancreatectomia sub~UfiHl Insulinoma Gastrectomia Colectomia Colectomia Gastroenteroanastomose Esofagectomia + esofa - gostomia Câncer gãstrico .Cancer de colon Doença de Crohn Câncer gãstrico Câncer de esôfago Laparotomia exploradora Abdome agudo .

Gastrostomia Esofagocolopastia ~ 'A ^ Cancer¡de esofago A ,.- A Cancer¶de esofago

Degastroenteroanastomose Gastrite alcalina

9. 22,0- 9 22,0 1. 2,4 _7.

'_17,1

2 4,9. 1 ~ 2,4 l 2,4 2 4,9 3 _ 7,3 1- ,z,_4 2 4,9 3 7,3' TOTAL ' 41 n 100,0

Nas cirurgias contaminadas, que somaram 7 casos, e

eram assim consideradas por apresentarem infecçao estabelecida

e presença de pus como caracteristica principal, utilizamos an-

tibiõtico em todos os casos (Quadro VII).

«ef

(16)

\ “ 17 -_-¡ QUADRO VII

Qírurgias Contamínadas, com uso de antibiõtico

Cirurgia '

.Diagnõstíco '

N° %

Apendiceçtomia _ Apendicite supurada 5 .71,4

Drenagem de absces¬ _ A_ _ ' so hepatíco ' Abscesso hepatíco 1 14,3 Excísao de cisto ' '

pilonidal « Cisto pilonidal

' 1 14,3 TQTAL A 7

'1oo,o

'

Nas cirurgias consideradas limpas, aque1as.em que não havia qualquer um daqueles critérios prë-estabelecidos, e que

foram, como as demais, realizadas dentro dos preceitos puros 'de

assepsia e antíssepsia; dispensamos o antibiótico profilãtico .

Essas somaram individualmente o maior número da nossa amostra ,

representando 60,2% das cirurgias limpas (Quadro VIII).

› š | Í 1 É 1 v. É í a › ›. E L I 2 2 L § 3 s 1 C

(17)

'ls- Õ" `

QUADRO VIII V

Cirurgias Limpas,sem uso de Antibiõticos

Diagndstíco .N° %

Cirurgia

Herniorrafia Hêrnia-inguinal recidivada 4 5,4

V

Herniorrafia. Hêrnia inguinal bilateral “

6 8,1

23,0 18,9

Herniorrafia Hërnia inguinal unilateral 17

Tireoidectomia Bõcio atõxico . 14

Vag°t9mía Super- Úlcera duodenal

seletiva ~ Laparatomía ex _ .Câncer gãstrico ` 2 2,7 ploradora _ __ c â' ' t ' »

Hâílàgmlo Omla Megaesofago, 2 2,7

Estadiamento ci-

rürgíco

5 6,8

4 f

Doença de Hodgkin 1 1,4

Herníorrafia Hërnia híatal z` 2,7

28,3

Colecistectomia Litiase biliar 21

TOTAL : ' '74 . 100,0 4 _ V _ '

Um grupo de cirurgias consideramos potencialmente con taminado por ter sido aberto o tubo gastrintestinal, com escasso extravasamento de conteúdo, ou por ser a doença bãsica uma neo -

plasia. No entantó, pelo tempo reduzido de cirurgia ou ainda por

ser o paciente higido, nao fizemos o antibiõtico profi1ãtico.Es-

ses somaram 4 casos na nossa amostra (Quadro IX), representando

8,9% das cirurgias potencialmente contaminadas.

› V ¡ E I 3 ..,__.,., ¬....~‹e.- .›~...,.1 ..›...¬,.,.a z š '_ fz zz é .i r...=.._.,;.. › I f x P i › z . É Ê 1 1 r L › L.

(18)

19

rw ¡_

-.QUADRO IX

Cirurgias potencialmente contaminadas, sem uso de

. 4

antibioticos '

Cirurgias Diagnõstico N? . %

A A

Gastrostomia Cancer de esofago l 25,0 4

Gastrectomia- Câncer gástrico 2 50,0

Fechamenço de Empalamento

1 25,0

colostomia ~

i ~

As complicaçoes observadas na nossa casuística foram divididas em grandes abscessos, pequenos abscessos e coleções se

rosas. Os grandes.abscessos foram considerados aqueles em i

que havia presença de grande quantidade de secreção purulenta, alte- rações locais importantes, manifestações gerais como febre, ca -

lafrios ou ainda alteraçoes laboratoriais, Os pequenos abscessos

se restringiam a pequena coleção purulenta,.resolvidÓ apõs dre -

nagem.

ç .

. Realizamos cultura e antibiograma.em apenas dois ca -

sos : um paciente com apendicite supurada e um em que houve le -

sao acidental do cõlon. ' `

n v 6 E Í I `r E › « Í i z é .. .rã ...,¬... Mw › M.-.,,.›.v tc

(19)

,_REsuLTADosp

No grupo de cirurgias limpas que recebeu antiõiõti-‹

cos, totalizando 49 casos, tivemos_4 complicações, representan

do 8 .do total (Quadro X).

' i Ê ' .. l\) °\o gUADRo,x

Complicações das Cirurgias Limpas, em uso de Antibiõticos

Cirurgia '

Diagnõstico *Complicações N?

Herniorrafia Hërnia incisional Secreçao serosa

. .

'

- abundante 1

Herniorrafia ' Hêrnia hiatal Pequeno abscesso l

Mastectomia '

Câncer de mama Pequeno abscesso l

ãâíãâgmiçtomia Megaesõfago Broncopneumonia l

TOTAL 2 4

'

As cirurgias limpas que nao utilizaram antibiõtico profilaticamente, compondo um grupo de 74 casos, não apresen -

(20)

~

21

.

" `

QUADRO XI '

Cirurgias Limpas sem complicaçoes, sem*o uso de antflfifiticos

Cirurgia Díagnõstico . Complicações n°

Herniorrafía Hêrnia incisional V

-A

4

Herniorrafia Hërnia inguinal bilateral .- 6

Herniorrafia Hërnia inguínal unilateral - r17

Herniorrafia“ Hërnia hiatal -› 2

Tireoidectomia` Bõcío atõxico _ - 14

Vag°t9mia super- Ulcera duodenal - . 5

seletiva -

' '

Laparotomia ex -‹ ~ - ` .

_

ploradora Cancer gastrico 2

- .- C d` " t ' ~ H:§lêgm1°v°m1a.p Megaesofago - 2 Estadiamento cí-

rürgico Doença de Hodgkin - 1

Colecistectomia zLítíase biliar - 21

_ 1

TOTAL : 74

O ._

No grupo de cirurgias potencialmente contaminadas que

nao recebeu a quimíoprofilaxia antibiõtica, composto de 4 casos,

tivemos apenas uma complicaçao infecciosa (Quadro XII).

1 1 Í Í E š. ‹ \ M › i ¬.. -W ..,¬..._.._... 9 1 É ¬ › š f

(21)

Complicaçoes das Cirurgias Potencialmente Contaminadas, 'QUADRO XII'

`

sem uso de antibiõtico

Cirurgia mtDiagn6stico- * Complícação n°

Fechamento de

cóloštomia _Empalamento Abscesso do ponto 1

«TOTAL :

V Dos 41 casos das cirurgias catalogadas como poten

~

cialmente contaminadas e que fizeram uso do antibiõtico, obti

vemos 10 complicações, que representaram 24,4% dessa catego _

ria ( Quadro XIII)

Complicaçoes das Cirurgias,Potencialmente Contaminadas, em

QUADRO XIII

uso de antibiõticos

Cirurgias Diagnõsticor Complicações n9

Colecistite + ' coledocostomia Colectomia Esofagectomia + esofagostomia Litiase biliar e coledociana Câncer de colon Câncer de esôfago

Laparotomiaexphnadora Abdome agudo Gastrostomia Esofagocoloplastia Degastroenteroanas- tomose Câncer gãstrico Câncer de esôfago Gastrite alcalina Pequeno abscesso Grande abscesso Pequeno abscesso Grande abscesso Pequeno abscesso Broncopneumonia Secreçao serosa abundante TOTAL : I

(22)

25

, Dos 7 casos de cirurgias contaminadas nas quais foi

utilizado antibiõtico constatamos 4 complicações, corresponden-

do a 57,1% do total (Quadro XIV), As demais cirurgias desse gru'

po, representadas por uma apendicite aguda, um abscesso hepati-

co e um cisto pilonidal scrococcigeo, não apresentaram compli ~

caçoes infecciosas. z ^. .

zQUADRO XIV `

~ `

Complicaçoes das Cirurgias Contaminadas, em uso de

‹ ..antíbiõticos'

' '

Cirurgia Diagnõstico Complicações N9

¿Apendicectomia Apendicite aguda .Grande abscesso 4

TOTAL t 4

, _ A diferença entre o número de complicaçoes ocorridas

nos casos com e sem uso de antibiõticos ë apresentada no quadro

XV.

--

AQUADRO XV '

.

Relação entre o Uso de Antibiõtico e Complicações

Procedimento N? Casos N?-Complicaçoes %

Cirurgias com antibiõtico 97 18 18,6

Cirurgias sem antibiõtico 78 1 1,3

i › \ L. v › * -fzz-n-....z1z. ..z.,-. ,¬ i 1 ¬ 1 \

(23)

_ 24-

›_- ‹

`

As complicações mais frequentes em nossa amostra re-

lacionavam-se com a ferida operatõria (Quadro XVI).

QUADROgXVI ¿Tipos de Complicações - Complicação N? % Grande abscesso ` 7 36,8- Pequeno abscesso 7 36,8 Broncopneumonía . 3 15,9

Secreção serosa abundante _ 2 10,5

- `

I r

TOTAL : 19 100,0'

‹ Os resultados do leucograma foram muito variáveis, ãs

~ _ __ _ A A O _ à __

vezes nao correspondendo ao quadro clinico decorrente.da com -

_. 4 .-

plicaçao. Porem, em todos os pacientes com complicaçoes houve

_.. ~ .ø A ~

reduçao ou ausencia dos eosinofilos na lamina. A exceçao foi

uma apendicite complicada com abundante secreçao purulenta pelo

dreno, em que no põs-operatório os leucõcitos diminuíram e os

eosinõfilos aumentaram;

-‹

Em alguns pacientes com complicaçao nao houve alte- ração da temperatura. Em outros, houve correspondência do qua- dro clínico com a elevação da temperatura. Nos pacientes _sem complicações notamos um aumento da temperatura no segundo dia

de põs-operatõrio, em torno de 37,5 - 38°C, de regressão espon

tänea. ` _ \ 3 › É i I 1 ‹' › b íâ - -v -‹‹ ‹-‹‹-‹ ›-z‹»-.¬-..«-.-»-.-..,›..‹- «..‹›.-..,.›.-‹z ._ _... _..-__ -z-z.-.-«--¬-...~....›,-.¬-.--z....-\..‹»-!-..z.f-zz--v ‹-›--9;"-,.. .~‹›--‹.‹~‹~›.-~‹-‹ -z.~

(24)

.

As culturas rea1izada$ indicaram Klebsiella no pa -

ciente com apendicite e E. coli no paciente em que houve le 4 sao acidental do cõlon. -

_

'

'

_ A mëdia do período de ínternaçao foi de 5,7 dias nos

casos sem.antibiõtico e de 8,9 dias nos casos com antibiõtico.

‹ ó O Í \ Ji M if. ¿z tá 3 â 2 `f ê › 1 ‹ \ I ê Ê É š g, í z.

(25)

u

,`.' .-

'DISCUSSÃO

Embora se execute todos os principios relativos ã assepsia e antissepsia com rigor, ë impossivel esperar que o processo cirúrgico mantenha-se completamente assêptico,pois a contaminação da ferida operatõria ë.a norma desde o momento'

em que a pele ë aberta (l3,l7,l8). Obedecer a estes princí -

pios permite que a reaçao do hospedeiro consiga controlar a presença de pequena quantidade‹de germes na ãrea exposta ao

meio ambiente pela incisão (ll).

O meio ambiente funciona como um dos maiores focos epidêmicos na contaminação cirúrgica, proporcionada pelo sis-

tema de ventilaçao e pela nasofaringe dos membros da equipe -

(3,26). Contribuem ainda o material de anestesia e o equipa ~

mento da sala, geralmente coloniiados por microorganismos

re-A

. O . -'. ._ .

sldentes que agridem com maior frequencia os pacientes trata-

dos com antibiõticos que aqueles nao tratados (3,l4,2l). Em nosso meio, porëm, avaliar o papel da contaminaçao ambiental

A ~

na genese da infecçao cirúrgica esbarra em dificuldades tëc -

nicas. .

-

. A _.

A incidencia de complicaçoes pôs-operatõrias varia conforme a categoria do hospital, tipo de pacientes, proces - sos cirúrgicos, ou seja, hospitais de grande porte, pacientes debilítados, idosos, e cirurgias de alto risco (14,l9).

Em nossa casuística, o emprego de antibiõticos para prevenir o aparecimento de infecçao em cirurgias limpas mos -

trou ser desaconselhãvel. A contaminação ambiental normalmente

ú 1 ,› › \: v % _. -.~.-._‹.,-,-...zf -zz~õ--s-.<...¬.e.-nz.-.-‹~«=4-= ê É .r z Q... .... ....zvz››~‹ ‹ i â É ._...‹...¬-...._..._...,...'_...¬...,_,.; ,..¬,.¬.¬....,.-.- ...,.z.... ....i¬‹‹ .,›.¿...-....-.›.~¬-- .,..,-_ «V › í

(26)

z *A 27- ,__ .. ` , _ _

existente parece ser insuficiente para produzir infecçao clí-

nica em pacientes com seus mecanismos de defesa integros (7 ,

19,21).

A

introdução em tais pacientes de antibiõticoterapia,

4-

principalmente de largo espectro, modifica a flora endogena e

abre "vãcuos biolõgicos", permitindo que germes saprõfitas se

tornem patogênicos e o surgimento de formas resistentes, com infecção subsequente (9,l9,Z2). Isto foi-confirmado pelo fato

_ › › ~ - ~

de nao termos nenhuma complicaçao no grupo que nao recebeu an

tibiõticos. r

Ao considerarmos uma cirurgia como potencialmente

contaminada, tal fato implica em-cuidadosa anãlise do pacien- te e das condiçoes cirúrgicas, indicando ou nao a necessidade

de profilaxia antibiõtica, Esta deve estar voltada para os germes mais provãveis (2l,23), por exemplo, dirigida para Gram negativos e anaerõbios quando,se manipula tubo gastrintesti -

nal. ~ "

Tem pouco valor a presença de germes na pele adja -

` _. - A

cente a incisao, ou o fato-de a cirurgia ser de urgencia. Os

. .-

fatores preponderantes para justificar o uso de antibiotico

profílätico sao a duraçao da cirurgia, zidade, estado geral e

imunológico do paciente e sua doença básica (15).

Em nossa amostra, das 10 complicaçoes obtidas neste grupo de pacientes, 5 ocorreram em doentes neoplãsicos, 4 -em

cirurgias muito prolongadas e 1 devido a lesão acidental de

cõlon durante a dissecçaofl Apesar do uso de antibiõtico profi lãtico nestes casos, não conseguimos reduziria taxa de compli

caçoes, que permaneceu acima da incidencia media de 10 - 20%

(15, 23,24). ' -

` i

A presença de infecçao clinicamente instalada torna obrigatõrio o emprego de antibiõtico, o qual deixa de ser pro filãtico (l8,20). Portanto, em cirurgias contaminadas, onde a

taxa de complicações ë alta, sua função ë reduzir ao maximo a

2 › i ‹ l .‹...›.~.‹.-»-V...-, -_-¬¬ --‹ .,,.‹.. ,--...z-,-.-...4...,z-...¬...«..,_..._ _. ,....,... z z › .__ ,...«_...

(27)

5. ¡

;

_, , .ú ,

infecçao, e deve ser escolhido conforme o agente.etio1ogiconmis

provãvel, sugerido pela clinica e/ou bacterioscopia, ou quan -

do possível pelo teste de sensibilidade (9,Íl). Em nossos pa -

cientes, a incidência de complicaçoes observadas nas cirurgias contaminadas coincide com a literatura (15).

A grande diferença observada em nosso estudo na in -

cidëncia de complicações entre o grupo que não recebeu antibiã ticos e-aquele que os recebeu nao ë um retrato fiel da reali -

dade. No grupo tratado com antibiotico estavam pacientes mais

debilitados, com idade mais avançada, entidades mõrbidas mais graves, cirurgias-de maior porte e cirurgias contaminadas, que

influiram negativamente no resultado final. Isto mostra que a

`

4 _.

cobertura antibiotica nao pode substituir as defesas naturais

do paciente (19). '

Entretanto, ALTEMBIER (1) afirma que o número de ín-- fecçoes da ferida operatõria ê maior naqueles pacientes com

~

~ 4

antibioticos que nos nao tratados com estas drogas, seja qual

for o tipo de paciente ou.a caracteristica da cirurgia. Refere

_. _.

ainda que a taxa de infecçao em diabeticos operados foi maior naqueles com antibiõticos. l

O '

. . .

_ No grupo das cirurgias limpas podemos observar uma

nítida desvantagem em se usar antibi6tico'profilãtico, estando

de acordo com a literatura (l6,19,2l). Evitar falhas técnicas, como espaços mortos, ãreas de necrose, ãreas isquêmicas, com extensa destruição de tecidos, sutura sob tensão, hematomas 'e

corpos estranhos ë mais importante para impedir a infecçao de

uma cirurgia limpa que o uso de antibiõticos (l6,l9,2l).

O õbito ocorrido foi de um paciente portador de me -

gaesõfago, caquëtico e desproteinizado, internado com depleção

hidroeletrolitica. Reequilibrado, foi submetido ã cardiomioto-

mia de Heller, indo a õbito no quarto dia de pôs-operatõrio do

vido a uma broncopneumonia.

ú v x | x ¡ \ .-..›.¬¬‹.~.- ...- A › Y 4 › ..._ - ~¬...«....»._...~._ â r ¡ I r I' »w.-.¬.-.›.¬-w--¬« z.-se .aew » ‹ ... ,... í ú É i 4

(28)

29

. Cultura e antibiograma foram realizados em apenas

dois casos por dificuldade na colheita do material. Permiti -

,ram, entretanto, que se instituisse tratamento específico,com

resoluçao mais rápida do problema, '

_

..O leucograma e o registro diário da temperatura fo-

A ~ ' ~

ram bons_párametr0S na âValíaÇ30 da gravidade da complicaçao, estabelecendo ou não a necessidade de cuidados gerais. Foram

uteis também como elementos de prognõstico nas.cirurgias con-

taminadas, com relação ã-queda do.nümero de leucõcitos _e da

temperatura e o aparecimento de eosinõfilos na lâmina, Os re- sultados do VHS, por sua inespecificidade, ínconstäncia e ca-

._ `

A

rãter tardio nao foram bons parametros para a análise das com

plicaçoes. .- '

'

.

-

_ A leve-elevaçao da temperatura encontrada no segun-

do dia de põs-operatõrio corresponde ã chamada febre de ori -

gem cirúrgica, devido ao hipermetabolismo e”ã agressão tecí -

dual, por incisoes extensas e/ou grandes descolamentos de te-

cidos (2,l5). ^

_ As complicações foram muito mais frequentes na fe

-A

rida operatõria, o que confirma a menor resistencia do tecido

A ~ `

celular subcutaneo em relaçao a cavidade peritoneal.

>O prolongamento do periodo de internaçao ocorrido no

grupo que usou antibiõtico deve ser atribuído também ãs carac- terísticas das cirurgias e dos pacientes, embora as complica -

goes das cirurgias limpas tenham contribuído para o fato. Tor-

na-se dificil, porëm, avaliar em que proporção isto ocorreu. Concluindo, podemos afirmar com certeza que o .ônus trazido pelo emprego dos antibiõticos nao se deve apenas ao

seu alto custo, mas também ãs internações prolongadas determi-

(29)

'~' .‹

ÍICÓNGLUSÓES ~

f 1. Antibioticoterapia está contra-indicada' em cí-

rurgias limpas. - ' . ` ` ` .- «

2; As regras de assepsia e antissepsia, a tecnica operatõria e.a resistência do paciente são os fatores A

mais importantes na prevençao de complicaçoes.

- ši A.£erida operatõria resiste menos ã infecção do -_» _...

-'

que outros drgaos; .

\ 0 › 1 r › f-9 Í i

(30)

~>-` n SUMMWRY rThe¬use of_prophy1actic'antibíotíçs-in.surgical procedures_was'eva1uated. _ _~` `

In a group of l75 operated patients, 78 were treated

without antibiotícs, and the remaining_group received prophy- lactíc antibiotics¿_Sevéral_kihds_of surgical procedures were performed§ The íneidence of infectious Complícation was lower

in the former group than the latter. A

_ ~

«The study shows that in clean operations-antíbíotíts

are contraíndiogted. ~ ' ' O 1 az ,-.«¬«‹-.§¬‹_›‹,--...-_-z.,-›..-_-9-«._.-,_-,\._..-_, _- ~ ~ í 5 ..._ ...¬. ...¬--...»›-,-z-.,__,`,_@ ,_.-..‹. É 1 - `,..¬.¬»,,...- .,..-, ¬...,,.,..._ -...,. ..._,... › 5 Í | 1 L*

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(34)

Tcc_ UFSC cc " 0031 Ex.l` N-Chflflh TCC UFSC CC 0031

Autor: Nunes, Luiz Albert*

Títule: Pós-operatório' e antibióticotera

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912312039 Az. zszáõs

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