CENTRAL EÓLICA OFFSHORE
– WINDFLOAT ATLANTIC
ESTUDO DE INCIDÊNCIAS AMBIENTAIS
Fase de Estudo Prévio
Vol. I – Resumo Não Técnico
CENTRAL EÓLICA OFFSHORE – WINDFLOAT ATLANTIC ESTUDO DE INCIDÊNCIAS AMBIENTAIS
Resumo Não Técnico
ÍNDICE SIMPLIFICADO
O que é o Resumo Não Técnico? ... 3
O que é o Estudo de Incidências Ambientais e porque foi elaborado para a Central Eólica? ... 3
Quem é o proponente? E quem é a entidade licenciadora? ... 4
Quais os objetivos do projeto? E como se justifica na área onde se insere? ... 5
Onde se localiza o projeto? E quais as suas características principais? ... 5
Foram consideradas alternativas ? ... 13
Quais as principais características da área de implantação da Central Eólica? ... 13
Qual será a evolução destas características da área, na ausência de projeto? ... 18
Quais os principais efeitos (impactes) do projeto? ... 19
Quais as principais medidas de mitigação dos impactes negativos? E quais as consequências da sua aplicação? ... 20
E foi proposta monitorização? ... 21
CENTRAL EÓLICA OFFSHORE – WINDFLOAT ATLANTIC ESTUDO DE INCIDÊNCIAS AMBIENTAIS
Resumo Não Técnico
O que é o Resumo Não Técnico?
O Resumo Não Técnico (RNT)* é um documento que integra o Estudo de Incidências Ambientais (EIncA), mas que é editado de forma autónoma, de forma a facilitar uma divulgação mais alargada, em particular durante a consulta pública.
* Na última página encontra-se uma lista de siglas.
O RNT resume, em linguagem corrente, as principais informações constantes do EIncA. Quem pretender aprofundar algum dos aspetos relativos ao estudo dos efeitos da Central Eólica Offshore – Windfloat Atlantic poderá consultar o EIncA que estará disponível, durante o período de consulta pública, na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) Norte e na Câmara Municipal de Viana do Castelo.
O termo “offshore”, incluído no nome do projeto, indica que esta central eólica se localiza no mar (a tradução da língua inglesa é “mar alto”).
Sítio internet: www.ccdr-n.pt Telefone: 226 086 300
Sítio internet: www.cm-viana-castelo.pt Telefone: 258 809 300
O que é o Estudo de Incidências Ambientais? E o que é o procedimento de Avaliação de Incidências Ambientais? E qual a relação da Central Eólica com este procedimento? E o que é a Decisão de Incidências Ambientais?
Determinadas categorias de projetos estão sujeitas ao procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), antes do seu licenciamento. A decisão de sujeitar um projeto a AIA depende das suas características e, no caso da Central Eólica Offshore, estas características estão abaixo dos limiares previstos na legislação. Assim sendo, a Central Eólica Offshore não está obrigatoriamente sujeita a AIA. No entanto, foi necessário esclarecer junto da entidade licenciadora (neste caso a Direção-Geral de Energia e Geologia – DGEG) se seria necessário sujeitar o projeto da Central Eólica Offshore a AIA. A DGEG, por sua vez, solicitou parecer à Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
A APA indicou no seu parecer que a implementação do projeto não causará impactes negativos significativos e, como tal, considera que não se justifica sujeitar a AIA o projeto da Central Eólica Offshore. Contudo, uma das componentes do projeto localiza-se em Reserva Ecológica Nacional (REN) e uma outra num Sítio de Importância Comunitária (SIC) da Rede Natura 2000, se bem que tangencialmente e em plena zona urbana. Como tal, é necessário proceder à Avaliação de Incidências Ambientais (AIncA) do projeto.
O procedimento de AIncA tem como objetivos apoiar a decisão sobre o licenciamento de um determinado projeto, tendo em conta os seus efeitos no
A REN corresponde a um conjunto de áreas que são objeto de proteção especial, pelo seu valor e sensibilidade ecológicos ou pela exposição e suscetibilidade perante riscos naturais. Para estas áreas estão definidas condicionantes à ocupação, uso e transformação do
Para informar o procedimento de AIncA, o proponente deve preparar um documento, designado como Estudo de Incidências Ambientais - EIncA, que inclua as seguintes informações:
− Principais condicionantes existentes na área do projeto;
− Principais efeitos ambientais e sociais que a instalação, exploração e desativação podem provocar;
− Medidas previstas para evitar ou reduzir os efeitos negativos e potenciar os efeitos positivos do projeto;
− Programas de controlo (monitorização) que permitam verificar a ocorrência dos efeitos e a eficácia das medidas preventivas ou minimizadoras.
O EIncA é constituído pelos seguintes três volumes:
− Resumo Não Técnico, que corresponde ao presente documento;
− Relatório, que corresponde ao volume no qual a informação sobre o projeto é analisada com maior detalhe;
− Anexos, que corresponde ao volume no qual se incluem elementos complementares considerados pertinentes para o total entendimento da análise do projeto.
O EIncA da Central Eólica Offshore – Windfloat Atlantic, em fase de estudo prévio, foi desenvolvido entre maio de 2014 e janeiro de 2015. Em julho e agosto de 2015 foi produzido um documento intitulado “Elementos Adicionais” e realizada uma revisão do Resumo Não Técnico, com vista a dar resposta ao pedido formulado pela CCDR Norte.
O EIncA é submetido à entidade licenciadora (DGEG) que, por sua vez, o envia para a Autoridade de EIncA, neste caso a CCDR Norte. Após a apreciação pela Autoridade de EIncA, o procedimento de AIncA termina com a emissão de uma Decisão de Incidências Ambientais (DIncA), que pode ser favorável, condicionalmente favorável ou desfavorável. A DIncA tem em conta a análise dos efeitos ambientais do projeto, os pareceres das entidades consultadas e os resultados da consulta pública realizada. O projeto apenas pode ser licenciado após a emissão de uma DIncA favorável ou favorável condicionada.
A Rede Natura 2000 é um conjunto de áreas de terreno, distribuídas pela Europa, nas quais se pretendem conservar a longo prazo os valores naturais da fauna e da flora mais ameaçados. Estas áreas podem chamar-se Sítios de Importância Comunitária ou Zonas de Proteção Especial e, cada uma delas tem um nome e um código associado. No caso do Sítio Litoral Norte, no qual se localiza o cabo submarino da Central Eólica, o código associado é o PTCON0017. Em Portugal continental existem 60 Sítios e 40 Zonas de Proteção Especial. A necessidade de proceder a AIncA quando um projeto elétrico se localiza em REN ou SIC está definida no n.º 1 do artigo 33º-R do Decreto-Lei n.º 215-B/2012, de 8 de outubro.
A legislação nacional, como os Decretos-Lei, pode ser consultada no sítio de internet www.dre.pt.
Quem é o proponente? E quem é a entidade licenciadora?
O proponente da Central Eólica Offshore – Windfloat Atlantic é a sociedade WindPlus, S.A. e a entidade licenciadora é a DGEG.
Quais os objetivos do projeto? E como se justifica na área onde se insere?
A Central Eólica Offshore – Windfloat Atlantic tem como objetivo a produção de eletricidade utilizando a energia eólica, transformada em eletricidade pelos aerogeradores localizados no mar.
Paralelamente, este projeto contribui para o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos por Portugal relativamente às emissões atmosféricas e no âmbito da Diretiva Comunitária das Fontes Renováveis de Energia (Diretiva 2009/28/CE, alterada pela Diretiva 2013/18/CE).
De referir ainda que se trata de um projeto pré-comercial (a meio caminho entre a investigação e a utilização comercial desta tecnologia), o qual está previsto ser apoiado por um programa das Comunidades Europeias (NER 300) e pelo Fundo Português do Carbono.
A localização marítima tem a vantagem de, em geral, apresentar menores conflitos e ter menos condicionantes ligadas à ocupação do território, bem como de utilizar condições de vento mais estáveis. Em Portugal, a produção offshore também tem a vantagem de estar mais próxima dos principais centros de consumo e das infraestruturas de transporte e distribuição de eletricidade. O recurso a plataformas flutuantes, em particular, distingue-se por permitir a utilização de águas de profundidade superior a 40 m e por implicar intervenções diminutas no fundo marinho, sem as consequências negativas normalmente associadas a projetos offshore.
A energia eólica é uma fonte de energia renovável. Outros exemplos de energias renováveis são as que têm origem no sol, na chuva, nas marés e na geotermia (calor proveniente do interior da terra).
A legislação comunitária pode ser consultada no sítio de internet eur-lex.europa.eu.
Onde se localiza o projeto? Quais as suas características principais? E qual é a sua programação temporal?
A Central Eólica Offshore – Windfloat Atlantic localiza-se no Oceano Atlântico, a cerca de dezoito quilómetros a oeste da cidade de Viana do Castelo (ver Figuras 1 e 2). Esta área está incluída nas doze milhas do Mar Territorial Português.
Nesta área está prevista a instalação de um número máximo de quatro aerogeradores em plataformas flutuantes, cuja energia produzida será conduzida a terra, através de um cabo elétrico submarino. Este cabo liga todos os aerogeradores entre si e estará parcialmente assente no fundo do mar e parcialmente enterrado ao longo da sua extensão.
O número de aerogeradores a instalar irá depender da potência de cada um, pretendendo-se que a Central Eólica atinja, no seu conjunto, 25 MW. A capacidade de produção anual de energia elétrica da Central Eólica estima-se em 74,5 GWh.
Central Eólica Offshore Windfloat Atlantic
Figura 1 – Localização da Central
Eólica Offshore em relação a Portugal Continental
Figura 2 - Localização da Central Eólica Offshore em relação à cidade de Viana do Castelo
Prevê-se que a transição para terra do cabo submarino ocorra no molhe Norte do Porto de Viana do Castelo, em território da antiga freguesia de Monserrate, atual União das Freguesias de Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela, concelho de Viana do Castelo.
A partir desta zona, será instalado um cabo elétrico subterrâneo ao longo da via pública, até chegar à atual Subestação de Monserrate, onde termina. Esta subestação localiza-se na Avenida do Atlântico, a norte dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ver Figura 3).
Figura 3 - Localização da Subestação de Monserrate, da Rede Nacional de Distribuição, existente junto aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (à
Os aerogeradores da central eólica são semelhantes aos utilizados em terra e de cor cinzenta-clara. Cada aerogerador é composto por uma torre, no topo da qual se localiza a nacelle (ou gôndola). A nacelle é um invólucro que contém o sistema que converte a energia cinética do movimento rotativo do rotor em energia elétrica. O rotor, cujo centro se encontra à mesma altura da nacelle, é composto por três pás, que rodam por ação do vento. O diâmetro do círculo formado pelas pás poderá chegar aos 164 m. A posição da nacelle é ajustável no plano horizontal, para que o rotor esteja orientado a favor do vento e o ângulo de ataque das pás também é regulável.
Cada um dos aerogeradores assenta numa plataforma triangular flutuante, parcialmente submersa e ancorada ao fundo do mar. Cada um dos lados desta plataforma triangular tem cerca de 53 m. Esta plataforma é constituída por três colunas verticais interligadas entre si e pintadas, por razões de segurança marítima, de cor amarela. Numa destas colunas localiza-se o aerogerador (ver Figura 4). A altura do aerogerador acima da plataforma flutuante pode atingir os 96 m.
A fixação da estrutura é garantida por três amarras fixas por âncoras (ver Figura 5, na qual se apresenta um exemplo de âncora, e Figura 2, na qual se esquematizam as linhas de amarração). Estas âncoras localizam-se a uma distância máxima de 750 m da plataforma, correspondendo a linha envolvente total das ancoragens e plataformas a um retângulo com as dimensões de 3,5 x 1,5 km (ver retângulo azul, em torno das plataformas, representado na Figura 2 como limite de implantação). Em torno deste retângulo será ainda necessário garantir uma faixa de segurança à navegação, de 0,5 km de largura (ver retângulo verde em torno das plataformas, representado na Figura 2 como área de proteção da Central Eólica).
Na zona de implantação e proteção da CEO-WA será interdita a pesca e a ancoragem. Dentro desta área será ainda estabelecida uma zona de não-acesso, que consistirá num conjunto de círculos de raio a determinar, centrados nos dispositivos.
Também o cabo elétrico submarino, instalado entre o primeiro aerogerador da central eólica e terra tem associada uma faixa de proteção. Esta corresponde a um retângulo com 16 x 1,0 km, conforme representado na Figura 2. Na zona de implantação (faixa com cerca de 500 m de largura, representada na Figura 2) e proteção do cabo submarino serão interditas todas as atividades que impliquem revolvimento do fundo – ancoragem e pesca de arrasto (esta só se desenvolve a uma distância à costa superior a 6 milhas).
A delimitação de todas as áreas de proteção será suportada através da sua representação nas cartas de
navegação e por avisos à
navega-ção.
Para além da ancoragem, a plataforma inclui ainda placas horizontais na base de cada uma das três colunas verticais. Estas placas, associadas a um sistema de lastro estático e dinâmico que permite a circulação de água entre as colunas, garantem a estabilidade e o equilíbrio de toda a estrutura.
Figura 4 - Vista da Plataforma (a amarelo) e do Aerogerador Offshore (a branco) Figura 5 - Âncora que permitirá a fixação da estrutura
ao fundo do mar Nas figuras 6 a 8 apresentam-se os esquemas do aerogerador e da respetiva
plataforma, incluindo as dimensões de cada componente. Na Figura 9 apresenta-se uma fotografia da plataforma na qual é percetível o tamanho da estrutura face à dimensão humana.
Figura 6 - Vista frontal do aerogerador colocado na plataforma
Figura 8 - Vista de cima (planta) do aerogerador colocado na plataforma (esquema com as dimensões apresentadas em metros)
Figura 9 - Aspeto da construção da plataforma flutuante, na qual se veem pessoas a circular,
o que permite ter uma noção da dimensão desta componente da central eólica A plataforma dispõe de instalações sanitárias, do tipo wc químico, com transporte
No presente projeto não há emissões diretas de poluentes atmosféricos, da água, dos sedimentos ou do solo, nem emissões de ruído, vibrações, luz ou outras radiações que sejam passíveis de serem consideradas relevantes. Também não se verifica qualquer concentração de pessoas, de veículos ou de embarcações devido à concretização do projeto.
A estrutura da plataforma flutuante foi projetada para se manter operacional por 25 anos. Para além disso, este tipo de plataforma adapta-se a qualquer tipo de aerogerador offshore e a estrutura, incluindo a montagem dos aerogeradores, é totalmente construída em terra, evitando assim difíceis e dispendiosos trabalhos em alto mar. Desta forma, a área afetada durante a fase de construção corresponde apenas à necessária para as manobras das embarcações de colocação das várias componentes da central no seu local.
Neste momento ainda se encontram a decorrer os processos de concurso para o fornecimento das plataformas flutuantes e dos aerogeradores. Assim, não é possível indicar de forma definitiva os locais de fabrico e montagem, bem como os métodos empregues, uma vez que os respetivos fornecedores ainda não estão escolhidos.
No entanto, prevê-se que a construção das peças metálicas das plataformas seja realizada entre o Douro e o Vouga. Posteriormente estas peças serão transportadas para o Estaleiro da Lisnave, em Setúbal, para serem montadas em doca seca. Prevê-se que esta fase seja realizada através de “construção soldada” e incluindo também o tratamento anticorrosivo das partes metálicas.
As plataformas serão depois rebocadas para o Porto de Sines. Para isso, prevê-se a utilização de dois rebocadores de alto mar mas o número final de embarcações será definido em conjunto com as autoridades marítimas locais. Estima-se que o tempo de reboque de cada plataforma seja de 24 horas, dependente das condições marítimas.
O Estaleiro da Lisnave é o único a nível nacional com um comprimento e profundidade suficientes para a construção e flutuação das platafor-mas. No entanto, para a colocação do aerogerador, a profundidade passa a não ser suficiente e é necessário deslocar as estruturas para o porto de Sines.
Dado que em Portugal não existe capacidade instalada que permita a produção de aerogeradores destinados a utilização em mar alto, o seu fornecimento e instalação será efetuado por um fabricante sediado na União Europeia (possivelmente na Dinamarca), sendo os diversos componentes (nacelle, pás, torre) transportados até ao porto de Sines.
Já no Porto de Sines, cada aerogerador será montado na respetiva plataforma e, a partir daqui, toda a estrutura será então rebocada para o local da Central Eólica, conforme apresentado na Figura 2 (ver página 6). Neste local já terão sido previamente colocadas as âncoras de amarração das plataformas e os cabos elétricos de transporte da energia produzida.
Prevê-se que a duração do reboque de cada plataforma, desde o Porto de Sines até ao local de instalação do projeto, seja de cerca de seis dias, dependendo das condições marítimas.
Uma vez chegado ao local de instalação da central eólica, os rebocadores manterão a plataforma no seu local final, utilizando um sistema de posicionamento dinâmico. As linhas de amarração, previamente instaladas no fundo marinho, serão puxadas para a plataforma, utilizando o guincho existente a bordo. Uma vez
conectadas as linhas de amarração, os rebocadores poderão regressar a Sines para rebocar a próxima plataforma ou serem desmobilizados. O barco de instalação das linhas de amarração poderá então conectar a primeira plataforma ao cabo elétrico para terra e instalar os cabos elétricos entre as diferentes plataformas.
Importa realçar que, apesar de na região de implantação do projeto existirem infraestruturas portuárias e de construção/reparação naval, não se torna viável a sua utilização, uma vez que as dimensões e profundidades disponíveis são manifestamente insuficientes. Para tornar estas infraestruturas portuárias e de construção/reparação naval aptas para servirem nessas tarefas, seria necessário um avultadíssimo investimento, o qual inviabilizaria totalmente o projeto em termos económicos e de prazos.
As condicionantes destas infraestru-turas portuárias e de construção/re-paração naval são a dimensão da doca seca, a profundidade da doca, o calado do canal de navegação, entre outros.
No entanto, apesar de não permitirem o fabrico e a assemblagem da estrutura flutuante, estes portos e restantes infraestruturas serão utilizados como base de apoio para as operações de instalação das amarrações e dos cabos elétricos submarinos, assim como para a operação e manutenção da futura central eólica offshore.
Para além do processo construtivo das plataformas e aerogeradores, este projeto contempla também a instalação do cabo elétrico submarino, que sai fora daquilo que constituem as operações habituais de construção de parque eólicos. Os métodos de instalação e de proteção do cabo serão escolhidos de acordo com os estudos realizados para a área, em termos de geologia, de condições do mar e da atmosfera e dos riscos decorrentes do tráfego marítimo e das técnicas de pesca utilizadas na área.
Para colocação do cabo, prevê-se que este seja estendido de acordo com o traçado escolhido em função dos dados da prospeção geológica, utilizando uma embarcação adequada para o efeito. Dado o comprimento do cabo (menos de 21 km), a instalação será feita numa única campanha (uso de embarcação com carrossel) para evitar a utilização de juntas/uniões offshore e assim minimizar os custos de instalação e otimizar o processo de desenrolamento.
De seguida, procede-se à proteção do cabo, realizada por meio do seu enterramento, na medida do possível. Assim, após o desenrolamento do cabo utilizar-se-á um sistema baseado na tecnologia do “jetting” que, pela utilização de jatos de água sob pressão, dá origem à abertura de uma vala com a largura e profundidade necessárias para que o cabo estendido se enterre, pelo seu próprio peso. Os sedimentos levantados durante o processo voltarão então ao fundo marinho, por ação da gravidade, e constituirão a cobertura do cabo.
Caso o fundo marinho seja constituído por material rochoso, o cabo será colocado sobre as rochas e o seu posicionamento permanente será garantido com o recurso à deposição, sobre ele mesmo, de inertes de granulometria adequada, à instalação de mosquetões fixos na rocha ou à instalação de “camas” de suporte
Na zona de transição do meio aquático para terra será efetuada uma perfuração horizontal do solo e posteriormente enfiado o cabo no furo criado. Desta forma será minimizada a intervenção no meio natural da linha de costa e ao mesmo tempo garantida uma proteção adequada para o cabo.
Já na fase de exploração, as operações de manutenção previstas dividem-se em duas grandes categorias: manutenção recorrente e grandes reparações. A primeira inclui todo o tipo de atividades de manutenção, preventiva, corretiva e de monitorização de condição, realizadas sem que seja necessário rebocar o conjunto plataforma-aerogerador do seu local de instalação. As grandes reparações incluem todo o tipo de atividades que, devido à sua natureza e dimensões de componentes envolvidos, requerem que o conjunto plataforma-aerogerador seja rebocado para um porto, onde será intervencionado.
Está também prevista a sinalização da central eólica para que seja visível por aeronaves (balizagem aeronáutica). Esta sinalização é composta por uma luz intensa colocada no topo de cada um dos aerogeradores. Durante o dia esta luz é branca e durante a noite é vermelha.
Prevê-se o início da construção do projeto a partir do segundo trimestre de 2017 e o início do seu funcionamento no terceiro trimestre de 2018. Os principais marcos temporais são os seguintes:
− execução da infraestrutura de ligação à rede: entre o 2º trimestre e o 3º trimestre de 2017;
− execução das plataformas e montagem dos aerogeradores: entre o 3º trimestre de 2016 e o 1º trimestre de 2018;
− colocação das unidades no local de funcionamento: entre o 2º e o 3º trimestres de 2018;
− comissionamento do equipamento: 3º trimestre de 2018; − início da produção de energia: 3º trimestre de 2018.
O projeto da Central Eólica Offshore, nas suas diversas fases, representa atualmente um vetor de crescimento e de geração de emprego em Portugal. No passado, a fase de protótipo (Windfloat) representou um investimento direto de 23 milhões de euros, envolvendo mais de 40 entidades nacionais de setores chave da economia e mais de 200 pessoas, das quais cerca de 180 com elevadas qualificações. Atualmente, este projeto representa um investimento excedendo 100 milhões de euros para a construção de três a quatro plataformas (25 MW) em Portugal, em que mais de metade dos fornecimentos diretos será realizada por empresas nacionais e poderão envolver mais de 500 pessoas com elevada qualificação.
O projeto permitirá também gerar receitas para o Estado, por via de impostos, num total na ordem dos 50 milhões de euros, durante os 25 anos de vida útil do mesmo. Prevê-se ainda que o valor acrescentado na economia possa vir a ser de mais longo prazo e referente à eventual criação de um nicho industrial que permita produzir e fornecer equipamentos aos projetos de energia eólica flutuante a desenvolver, seja em Portugal ou em outros locais na Europa.
Foram consideradas alternativas ?
Durante o desenvolvimento do projeto da Central Eólica Offshore – Windfloat Atlantic, foram sendo estudadas outras hipóteses de localização das suas várias componentes. No entanto, nenhuma destas hipóteses se traduziu em mais-valias técnicas, ambientais ou económicas, pelo que se optou por analisar detalhadamente apenas a hipótese de projeto que agora se apresenta.
Na escolha desta solução, foram tidos em conta as seguintes restrições e condicionantes:
− implantação do projeto dentro da linha das 12 milhas, delimitadora do Mar Territorial Português, embora suficientemente afastada da costa para evitar consequências negativas de ordem socioeconómica, paisagística e técnica;
− localização do projeto atendendo aos possíveis pontos de ligação da componente offshore à rede elétrica pública (terrestre), de modo a permitir escoar a energia produzida;
− afastamento das áreas com estatuto de proteção dos recursos naturais, nomeadamente Rede Natura 2000 e zonas marinhas de proteção especial;
− otimização do aproveitamento do recurso vento, cuja análise demonstrou ser tanto mais adequado quanto mais para norte e para oeste for a localização do projeto.
Para além disto, teve-se ainda em consideração que os ventos predominantes na área do projeto apresentam uma orientação norte-sul, em ambos os sentidos, pelo que, tecnicamente, os aerogeradores devem ser colocados na direção este-oeste. Desta forma, minimiza-se o espaçamento entre os aerogeradores, as perdas de energia por interferência entre eles e, em última análise, minimiza-se significativamente a área a abranger e eventualmente a condicionar pela central eólica.
Quais as principais características da área de implantação da Central Eólica?
A Central Eólica Offshore – Windfloat Atlantic utiliza a energia do vento para produzir eletricidade e, de facto, a orla costeira do Alto Minho é caracterizada por ventos relativamente fortes e constantes. Na área do projeto observa-se uma predominância de ventos norte, cuja velocidade, em episódios extremos, raramente ultrapassa os 100 km/h.
A área de implantação do projeto apresenta um fundo marinho rochoso, coberto por areias e lodos, razoavelmente plano, com uma inclinação bastante suave para oeste. Com o objetivo de ir obtendo um melhor conhecimento das características
Pelas características geológicas da área, poderiam ocorrer hidrocarbonetos (como, por exemplo, petróleo) na área do projeto. Contudo, os trabalhos de prospeção até agora desenvolvidos revelaram-se sempre pouco interessantes em termos do potencial económico da área e não existe qualquer área de concessão e licença para a pesquisa e exploração de hidrocarbonetos. De igual forma, não existem áreas concessionadas para prospeção, pesquisa ou exploração de inertes, nem locais de interesse para a conservação geológica, na zona do projeto. A qualidade da água do mar é, em geral, boa.
Também os sedimentos na zona não apresentam registos significativos de contaminação por poluentes.
As fontes de poluição na área marinha do projeto resumem-se ao eventual derrame acidental de óleo ou combustível proveniente da navegação de pequenas embarcações de pesca (local e costeira) e de recreio, bem como à descarga dos esgotos tratados de Viana do Castelo (emissário submarino).
A qualidade do ar na área do projeto é boa, tanto na sua componente marítima como na sua componente terrestre. São apenas de assinalar como fontes poluentes, na componente terrestre, o tráfego rodoviário e diversas atividades industriais, das quais se destaca a fábrica da Portucel. Esta não influencia diretamente a área do projeto, uma vez que se localiza a sudeste do mesmo e os ventos dominantes são de norte, ou seja, afastam os poluentes.
Da legislação associada à qualidade da água e dos sedimentos, destaca-se:
- o Decreto-Lei n.º 236/98, de 1 de agosto, que estabelece normas, critérios e objetivos de qualidade com a finalidade de proteger o meio aquático e melhorar a qualidade das águas em função dos seus principais usos;
- o Decreto-Lei n.º 506/99, de 20 de novembro, que fixa os objetivos de qualidade para determinadas subs-tâncias perigosas;
- o Decreto-Lei n.º 103/2010, de 24 de setembro, que estabelece as normas de qualidade ambiental no domínio da política da água; - a Portaria n.º 1450/2007, de 12 de
novembro, que classifica os materiais dragados de acordo com o seu grau de contaminação por poluentes.
No ambiente submarino, o ruído é dominado pela ação do vento na superfície, pela rebentação das ondas e pelo tráfego marítimo, principalmente embarcações de pesca e navios que circulam mais próximo da costa para aproximação ao Porto de Viana de Castelo e Póvoa de Varzim.
Relativamente à biodiversidade, a área da Central Eólica localiza-se numa das zonas mais ricas da costa ibérica em termos de fitoplâncton. Identificou-se também a presença de zooplâncton na área, cuja abundância vai reduzindo com a profundidade.
De acordo com dados de 2011, identificaram-se na área do projeto várias espécies de invertebrados e peixes, das quais se destacam o caranguejo pilado (Polybius
henslowi, ver Figura 10), o peixe-pau-lira (Callionymus lyra, ver Figura 11), a
sardinha (Sardina pilchardus), o biqueirão (Engraulis encrasicolus), a sarda (Scomber scombrus, ver Figura 12) e o carapau (Trachurus trachurus). Identificaram-se ainda algumas espécies de raias e de tubarões.
De um modo geral, a comunidade de peixes da área da Central Eólica parece ser genericamente idêntica à existente na região costeira norte de Portugal.
Salienta-se ainda a presença na área do projeto de espécies com valor comercial para a indústria pesqueira.
O fitoplâncton corresponde ao com-junto dos organismos aquáticos microscópicos que têm capacidade fotossintética e que vivem dispersos na coluna de água.
O zooplâncton corresponde ao conjunto dos organismos aquáticos que não têm capacidade fotossinté-tica e que vivem dispersos na coluna de água, apresentando pouca capacidade de locomoção (são, em grande parte, arrastados pelas correntes oceânicas ou pelas águas de um rio).
Figura 10 - Exemplo de um caranguejo pilado
Fonte: Javier Santiago, www.european-marine-life.org Figura 11 - Exemplo de um peixe-pau-lira Fonte: http://en.wikipedia.org
Figura 12 - Exemplo de uma sarda
Fonte: http://en.wikipedia.org Os cetáceos foram também estudados e identificaram-se duas espécies na
proximidade da Central Eólica: o golfinho-comum (Delphinus delphis, ver Figura 13) e o boto (Phocoena phocoena, ver Figura 14). O golfinho-comum é o cetáceo mais abundante e de mais ampla distribuição ao longo da costa de Portugal continental, enquanto que o boto se encontra ameaçado.
Os cetáceos correspondem a uma ordem de animais marinhos perten-centes, porém à classe dos mamífe-ros.
Figura 13 - Exemplo de um golfinho-comum
Fonte: http://en.wikipedia.org
Figura 14 - Exemplo de um boto
Fonte: http://en.wikipedia.org Uma característica importante dos cetáceos é a sua dependência do ambiente acústico. Uma vez que a capacidade de visão é limitada no meio marinho e o som se propaga facilmente, estes animais utilizam o som como mecanismo de interação e perceção do meio. Todos os cetáceos têm uma audição sensível e grande parte tem a capacidade de emitir sons. Estas características tornam os animais deste grupo vulneráveis a um potencial distúrbio provocado pelo ruído. Na área de implantação do cabo submarino, identificam-se também várias espécies de algas vermelhas e duas espécies de algas castanhas.
Quanto às aves, a área marinha parece ser utilizada para deslocação entre áreas de alimento e repouso ou em movimentos migratórios de passagem. No total foram identificadas 31 espécies na área de implementação do projeto e área adjacente (até cerca de 100 km2 em redor dos aerogeradores), das quais sete estão
classificadas como ameaçadas, de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal: cagarra (Calonectris diomedea), roquinho (Oceanodroma castro),
Figura 15 - Exemplo de uma pardela-balear
Fonte: http://en.wikipedia.org
Figura 16 - Exemplo de uma gaivina
Fonte: http://en.wikipedia.org
Figura 17 - Exemplo de um airo
Fonte: http://en.wikipedia.org Em relação aos morcegos, a análise realizada aponta para a reduzida
probabilidade da sua ocorrência na área.
Os morcegos alimentam-se de insetos, que caçam durante a noite. Algumas espécies capturam insetos em voo, outras no solo e em rochedos, paredes e plantas ou superfícies de águas calmas. A caça sobre o mar faz-se sobretudo quando a abundância de insetos é mais elevada, o que por sua vez acontece quando as condições meteorológicas e de mar são calmas.
As populações de morcegos estão desde os anos 60 do século XX em declínio e as 24 espécies existentes em Portugal continental são todas protegidas.
Os morcegos podem também sobrevoar o mar nas suas rotas migratórias, que são condicionadas sobretudo pela existência de vento. As condições meteorológicas favoráveis aos morcegos para sobrevoar o mar variam de espécie para espécie mas a maioria das espécies de morcegos que sobrevoam o mar só o faz quando a velocidade do vento é menor que 5 m/s. Esta velocidade corresponde, na maioria dos meses, à média das velocidades mínimas de vento previstas para a área da Central Eólica. Esta situação dificulta o estabelecimento do hábito dos morcegos se deslocarem para o alto mar, nesta área.
Para além disto, a distância da central eólica à costa (cerca de 18 km), a sua localização em mar aberto e ainda a orientação sul/norte ou norte/sul das migrações dos morcegos constituem uma conjugação de fatores de não propicia a que a área da Central Eólica faça parte de uma eventual rota migratória.
Por fim, as espécies de morcegos identificadas em Portugal continental são essencialmente classificadas como residentes e com hábitos de alimentação restritos a espaços em áreas terrestres, não havendo portanto indicação na bibliografia de que os morcegos efetuam deslocações em mar aberto para se alimentarem.
Importa ainda salientar que a implantação do cabo subterrâneo é compatível com as disposições do Plano Diretor Municipal e do Plano de Urbanização da Cidade de Viana do Castelo.
Outros requisitos a cumprir são as condicionantes (servidões e restrições de utilidade pública) identificadas na área, com as quais o projeto se deve compatibilizar, nomeadamente:
− o domínio público hídrico (águas costeiras e territoriais e respetivos leitos e margens);
− a REN;
O Plano Diretor Municipal é um documento de aplicação prática, no qual está definida a organização do território de determinado concelho. Para tal, no Plano Diretor Municipal são definidas classes de espaços às quais são associados determinados usos autorizados, especificando-se ainda as regras para estes usos
− a Rede Natura 2000 (Sítio de Importância Comunitária “Litoral Norte”), atravessada por um troço do cabo eléctrico de ligação à Subestação de Monserrate, que será enterrado ao longo de uma via existente e incluído numa conduta de passagem de infraestruturas;
− a Zona Especial de Proteção (ZEP) da Zona Arqueológica de Viana do Castelo;
− as linhas subterrâneas de alta tensão existentes.
Com vista a esta compatibilização, foram solicitados pareceres a diversas entidades e não se prevê o incumprimento de qualquer condicionante pelo projeto. Em termos socioeconómicos salienta-se a presença, em terra, de uma zona bastante ocupada por instalações industriais, em grande parte relacionadas com a atividade portuária e com a construção naval, salientando-se os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ver Figura 18), unidade das mais importantes do País no seu ramo, atualmente a atravessar uma situação de dificuldades económicas e de diminuição significativa da sua atividade.
Na zona de chegada do cabo submarino e de transição para o cabo subterrâneo não há acesso direto ao mar, embora haja um caminho com uso pedonal ao longo de todo o molhe.
Figura 18 - Vista geral da área dos
Estaleiros Navais de Viana do Castelo Fonte: olharvianadocastelo.blogspot.com Quanto à componente marítima, não foram identificadas utilizações específicas na
área do projeto relacionadas com atividades da defesa nacional nem com a navegação atlântica. Do mesmo modo, não foram aqui identificados usos, ou intenções de uso, relacionados com concessões de exploração de recursos marinhos ou dos fundos oceânicos. Contudo, a zona na qual se insere o projeto é utilizada na pesca industrial, sendo suscetível de interações com os Portos de Viana do Castelo, Póvoa de Varzim e Matosinhos.
A área da Central Eólica localiza-se a uma distância da costa fora da área de atividade da frota de pesca artesanal.
A fileira da economia do mar em Viana do Castelo pode considerar-se multidimensional e complexa, agregando o comércio marítimo, a pesca, a construção naval, o turismo e o recreio, a que a Central Eólica poderá juntar a produção de energia offshore.
Em termos de emprego, o setor terciário é predominante, mas sem se destacar significativamente em relação ao setor secundário; em contrapartida, o valor do emprego no setor primário é muito baixo, a um nível residual.
Saliente-se também que, em 2012, a população residente no concelho de Viana do Castelo representava cerca de 36% da população dos dez concelhos do Minho-Lima, sobretudo devido à importância da própria cidade de Viana. No entanto, a zona de Monserrate, mais antiga na cidade, tem vindo a perder população e a ficar mais envelhecida, afastando-se do maior dinamismo de outras zonas da cidade, que se encontram em expansão.
Setor primário: agricultura, pescas
e indústria extrativa
Setor secundário: indústria
trans-formadora, produção de energia e construção civil
Contudo, através da pesquisa efetuada não se identificaram projetos de investigação arqueológica nas áreas afetadas pelo projeto (zona industrial e portuária e leito marinho offshore).
Quanto ao património subaquático, identificaram-se na bibliografia e bases de dados consultadas 36 potenciais ocorrências, correspondendo 32 a naufrágios – entre os séculos XVII e XX – genericamente localizados em Viana do Castelo ou Barra do rio Lima e quatro a achados fortuitos de elementos náuticos, também sem localização precisa. Assim, os respetivos vestígios poderão ocorrer dentro da área a afetar pelo projeto.
Foi efetuada uma prospeção geofísica dos fundos da área da Central Eólica e do corredor do cabo submarino, com recurso a sonar. Foram identificados 15 “alvos” que podem corresponder a alterações nos sedimentos ou presença de blocos rochosos ou grupos de blocos ou de seixos. No entanto, os alvos poderão corresponder a património presente no leito marinho tendo em conta o potencial que a área apresenta e ainda o facto de um naufrágio poder ser detetado pela presença de lastro à superfície.
Em termos paisagísticos, conclui-se que não existe fácil visibilidade, a olho nu, sobre a área de implantação do projeto, que se localiza a cerca de 18 km da costa. Um dos eventuais fatores de risco na área é a presença de nevoeiro, que poderá agravar o risco de colisão de aves e embarcações com as estruturas. De acordo com os dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), entre os anos de 1952 e 1990, na estação meteorológica de Viana do Castelo foram registados em média 59 dias de nevoeiro por ano.
Outro fator que condiciona a estabilidade da estrutura é a presença e as características das ondas. De acordo com dados obtidos entre os anos de 1992 e de 2013, na área da Central Eólica as ondas têm, em média, uma altura relativamente elevada (cerca de 2 m) e ocorrem durante um período relativamente longo (cerca de 11 s). Já na área de ligação do projeto à rede elétrica pública a altura é inferior (1,9 m).
Quanto às marés, é expectável que o seu efeito se faça sentir de modo mais sensível na área do projeto do que o observado na zona portuária.
Também as correntes podem influenciar a estabilidade da estrutura. As correntes de maré no Alto Minho podem atingir, junto à costa (por exemplo, na embocadura dos rios), velocidades até 2 m/s, dependendo da fase da maré. No entanto, visto que a área do projeto é mais profunda (profundidades entre os 85 e os 100 m), as velocidades são significativamente menores, podendo não ultrapassar os 0,25 m/s.
A intensidade da corrente depende diretamente da amplitude da maré e inversamente da profundidade, ou seja, a intensidade da corrente aumenta com a amplitude da maré mas diminui com a profundidade.
Qual será a evolução destas características da área, na ausência de projeto?
Caso a Central Eólica não se concretize, a área do projeto que abrange o mar apresentará uma evolução condicionada maioritariamente por fatores de ordem natural e pela eventual pressão de concretização de projetos de aquacultura ou semelhantes ao da Central Eólica. Na componente terrestre do projeto, prevê-se a manutenção das condições atuais, com uma forte presença humana.
Prevê-se ainda que se acentuem as tendências positivas na zona, relacionadas com os segmentos de turismo, sobretudo as atividades de desporto náutico, e com a pesca, quer tradicional quer industrial.
Quais os principais efeitos (impactes) do projeto?
A concretização do projeto contribui para a redução das emissões de gases de efeito de estufa e, como tal, o estímulo da produção renovável offshore foi identificado como um impacte positivo significativo do projeto no âmbito da qualidade do ar e das alterações climáticas.
Para além disto, a presença das componentes marítimas pode provocar um efeito de recife artificial na área da Central Eólica, aumentando a disponibilidade de alimento e, consequentemente, a aproximação à área do projeto pelos cetáceos. Este impacte foi também identificado como positivo, podendo variar entre o significativo e o pouco significativo.
Por outro lado, a destruição do património subaquático presente na área do projeto, caso viesse a ocorrer, foi identificada como um impacte negativo que poderá variar entre significativo a muito significativo, dependendo da extensão da afetação e do valor do património potencialmente afetado.
Foram ainda identificados os seguintes impactes negativos, todos avaliados como pouco significativos, decorrentes da concretização do projeto:
− A criação de depressões em consequência da remoção das âncoras, na fase de desativação, originando situações de desequilíbrio do fundo marinho;
− A ocorrência de eventuais derrames de substâncias perigosas, como óleo ou combustível, originando a degradação da qualidade da água e dos sedimentos;
− A perturbação do fundo marinho, originando eventualmente a remoção, destruição ou perturbação das espécies aí localizadas, bem como a degradação da qualidade da água (aumento da turbidez e dos nutrientes);
− O aumento dos níveis de ruído e dos campos electromagnéticos, originando a perturbação das espécies da fauna;
− A colisão da avifauna e dos cetáceos, originando a perturbação das espécies;
− O aumento da disponibilidade de alimento e consequente aproximação à área do projeto pelas aves;
− A criação de efeito de barreira para as aves, originando a alteração da rota de voo ou uma desconexão entre unidades ecológicas como por exemplo entre áreas de reprodução, alimentação ou repouso;
− A interdição da prospeção de petróleo na área da central eólica e respetiva zona de proteção.
Quais as principais medidas de mitigação dos impactes negativos? E quais as consequências dessas medidas nos impactes anteriormente identificados?
No EIncA propõe-se um conjunto de medidas para evitar e minimizar os efeitos negativos decorrentes da instalação e exploração da Central Eólica. Para além disto, o projeto e os seus documentos associados incluem também procedimentos que garantem uma gestão ambiental adequada das várias fases do projeto.
De entre os documentos associados ao projeto destacam-se o programa de trabalhos para a instalação e funcionamento da Central Eólica, que inclui medidas de minimização de riscos, como a pintura das infraestruturas e a instalação de luzes sinalizadoras, a delimitação de áreas interditas à pesca e de restrição ou interdição à navegação. Para além deste, são também de destacar os Planos de Acompanhamento Ambiental da fase de construção e os Planos de Gestão de Resíduos, apresentados como anexos do EIncA..
Do conjunto destas medidas destacam-se as seguintes:
− Limitar a abertura da vala na colocação do cabo subterrâneo e reutilizar todo o material resultante para a cobertura do cabo instalado, preenchendo assim o espaço restante; se necessário, apenas o material sobrante deve ser levado a destino final devidamente autorizado; − Adotar procedimentos que minimizem a probabilidade de derrame
acidental de óleo ou combustível;
− Nas embarcações, prever material que permita, no mínimo, parar o derrame e conter a mancha de substância derramada na superfície da água;
− Limitar os trabalhos realizados no fundo marinho ao mínimo indispensável, para que a área de impacte seja reduzida tanto na zona de rocha afetada como na zona de sedimentos móveis, reduzindo ao mínimo o revolvimento e levantamento de sedimento marinho;
− Sempre que possível e de acordo com as normas vigentes, tomar medidas para que qualquer iluminação desnecessária seja reduzida, particularmente iluminação que seja proveniente das estruturas, de modo a reduzir o efeito de atração da iluminação para as aves migratórias;
− Notificar atempadamente as entidades de tutela da navegação marítima e aérea, quer civil quer militar, sobre os trabalhos e a localização final dos equipamentos;
− Divulgar amplamente os objetivos e as características do projeto, quer à população em geral, nomeadamente através dos seus órgãos autárquicos, quer particularmente às comunidades de pescadores localizadas mais próximo do projeto, bem assim como às associações de pesca industrial da Região Norte;
− Realizar o acompanhamento arqueológico da abertura das valas para instalação do cabo subterrâneo;
− Verificar, antes do início dos trabalhos, se os “alvos” detetados na cartografia do fundo marinho e localizados na área do projeto constituem elementos do património subaquático e, em caso afirmativo, ajustar o projeto de modo a evitar a afetação direta do património localizado;
− Caracterizar e conservar in situ os elementos patrimoniais localizados. Verifica-se que a aplicação destas duas últimas medidas altera o significado do impacte anteriormente apresentado da eventual destruição do património subaquático presente na área do projeto: com a aplicação destas medidas, este impacte passa a ser pouco significativo.
E foi proposta monitorização? A monitorização é a avaliação da
evolução de determinado parâmetro, o que permite o seu controlo periódico.
Propõem-se três programas de monitorização, todos relativos à biodiversidade: − Colonização por organismos marinhos da estrutura submersa, cujo
objetivo é avaliar os efeitos da presença das estruturas nas comunidades marinhas e a eventual presença de espécies exóticas; − Populações de aves, cujos objetivos são caracterizar os movimentos
das aves na área de implantação da central eólica e área adjacente e avaliar as interações entre as aves e as estruturas;
− Populações de cetáceos, cujos objetivos são caracterizar a abundância e a distribuição das espécies deste grupo e avaliar a utilização espacial e sazonal da área da Central Eólica.
Dada a reduzida probabilidade de ocorrência de morcegos na área da Central Eólica, considera-se não ser necessária a sua monitorização, que apenas será realizada se as autoridade competentes assim o determinarem.
Qual a conclusão que se retira da análise efetuada?
Foi identificado um impacte positivo significativo decorrente da concretização da Central Eólica. Este impacte corresponde ao estímulo da produção renovável offshore, com a redução de emissões de gases de efeito de estufa. Foram também identificados impactes negativos, todos avaliados como pouco significativos. O projeto evita, tanto quanto possível, a localização em áreas sensíveis ou condicionadas e é compatível com as orientações específicas para o território em que se insere.
É ainda proposto um conjunto de medidas para evitar e minimizar os efeitos negativos decorrentes do projeto, bem como três programas de monitorização. Considerando estes procedimentos, considera-se que a Central Eólica Offshore – Windfloat Atlantic não apresenta impactes negativos suscetíveis de comprometer a sua viabilidade, apresentando, por outro lado, importantes impactes positivos.
Lisboa, agosto de 2015
Júlio de Jesus, eng.º do ambiente,
OE 19972, membro profissional APAI n.º 1 OE 58574, membro profissional APAI n.º 140 Inês Lourenço, eng.ª do ambiente,
SIGLAS
AIA – Avaliação de Impacte Ambiental AIncA – Avaliação de Incidências de Ambientais APA – Agência Portuguesa do Ambiente
APAI – Associação Portuguesa de Avaliação de Impactes CCDR – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional DGEG – Direção-Geral de Energia e Geologia
DIncA – Decisão de Incidências Ambientais EIncA – Estudo de Incidências Ambientais IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera OE – Ordem dos Engenheiros
REN – Reserva Ecológica Nacional RNT – Resumo Não Técnico SIC – Sítio de Importância Comunitária ZEP – Zona Especial de Proteção