cENTRosocu)EcoNoNnco
DEPARTAMENTO
DE
SERVIÇO
SOCIAL
. - .'~
zu " '
SUBALTERNIDADE
FEMININA,
GESTAÇAO
DE
ALTO_
RISCO
E
MORTALIDADE MATERNA:
UM
TRIÂNGULO
'Aprovado Palo
DSS
Em.L0_./
/É
'
v@m~ã°
ñ.
apto. me Qprvitfl SOCIEI
PERvERso
~ ETrabalho de conclusão de curso apresentado
ao Departamento de Serviço Social da
v Universidade Federal de Santa Catarina,
como
exigência parcial para obtenção dotítulo de Assistente Social, pela acadêmica:
.i (`
Vera
Lúcia
de Souza
A
Deus pelodom
da vida e da inteligência, por ser presença constanteem
todosos momentos do
meu
existir, por terme
dado paciência ë sabedoria. suficientes paraconquistar mais esse ideal; muitas foram as horas
em
que fraquejeie quase desistigkmas‹^ E 0
. «, É
z~
creio que nestas horas
ELE
estava aomeu
lado. pObrigada, Senhor!'À
A
À
minha família, pelo apoio, carinho, incentivo e dedicação, pelos momentosz
9 ,Q'
dificeis, de dor, alegria e companheirismo compartilhados durante esta caminhada.
Aos meus amigos pela colaboração compreensão e carinho para comigo. V
À
Vera Nogueira, minha orientadora, que, através de seus conhecimentos,contribuiu significativamente, para a realizaçao deste trabalho. .
À
toda equipe da Matemidade Carmela Dutra, por ter permitido a realizaçãodessa experiência, através do estágio.
À
Você, não importa quenome
possua, mas que se fez presentecom uma
palavràde apoio,
um
som`so,um
olhar amigo, contn`buindo para o desenvolvimento destetrabalho.
- Introdução ...
._
1-
Mulher
eMatemidade:
Uma
História deDesafios
... ..2-
Resgatando
as Políticas Públicas deAtenção
àMatemidade
... _.3-
Comitê
Estadual de MortalidadeMaterna
em
Santa Catarina: Proposta Atual eSituação Identificada ... ... ..- ... ._
4-
A
Gestante de Alto Riscona
Matemidade
Carmela
Dutra ... _.- Considerações Finais ... ... _.
Introdução
A
leiturada
realidade ~-evidencia-se-*como
processo ¬fund-afnentalna
construçãodo
conhecimento,-~quan~to--à-Instituiçãoonde realizam-os-o-nos-so'está-gio,ou
seja, aMatemidade
Cannela
Dutra -MCD;
fonte -de referenciapara
-o presenteestudo. '
A
MCD
éuma
unidade descentralizada- junto à estrutura -da *Secretaria-deEstado
da Saúde
e subordinadaydiretamente;ao
Secretário edeEstado' da--Saúde.Passados 41 anos desde a sua fundação,
a
MCD
ampli-ouem
muito suasatividades, criando
novos
e relevantes serviços direcionadosà
saúde integralda
mulher e
do binômio
mãe-filho; continua,também,
'prestando atendimento àMunicípios vizinhos,
emsituações
dede saúde/doença;estandoou
não
relacionadascom
as fasesdo
ciclo.-gravídico-puerperal.O
setor deSewiço.Social
na
-MCD
foi 'implantadoem
l-96-6,com
(1)assistente social. _
*
Hoje,
a
diretriz básica--quefefundainentateo trabalho do- -Serviço Socialna
Instituição
é a concepção
-de saúde~-enquantoflserviço -ecomo
direitodo
usuário.Desta
forma, todo oz trabalho delineia-seno
pressupostoda
reflexão, jtmto aos¬
~
usuários, quanto aos seus direitos
na
-busca pda construçao 'da 'consciênciade
cidadania.
V
O
setor Serviço Social conta,atualmentegcom
quatro assistentes sociais,que
dividem o trabalho realizado
no
setor, de acordocom
as unidades existentesque
sãorespectivamente:
Unidade
I - Cesárea;Unidade
Il - Gestação de alto risco;Unidade HI
- Partononnal
-alojamento conjunto;~
Unidade
IV
- Partononnal
-*alojamento conjunto;
Unidade
V
- Cirurgias.'ginec~ológicas;-Unidade VII- (Anexo) Pequenas
cimrgias;Unidade
VIH
- Parto normal - alojamento conjtmto.Assim, cada profissional é responsável -por ~s~ua~(~s) unidade(s),
não
perdendo,no
entanto, anoção
global-da
MCD;~O
atendimento fàstusuárias -externas 'é realizadopor todos os profissionais.
Durante o período
em
que vivenciamos nosso estágiona
Maternidade,acompanhando
o atendimento prestado pelo setor-de
Serviço Social, priorizamosnosso estudo junto às pacientes
com
-gestaçãode
alto-risco., , »
. . /;"'.
“A
gestaçao eum
fenomeno fisiologico normal,portanto, a sua evolução se dá na maioria dos casos sem
intercorrências.
Mas
háuma
pequena parcela degestantes, que por ter algumas características ou por
sofrerem de alguma patologia, apresentam maiores
possibilidades de terem
uma
evolução desfavorável, querpara o feto, quer para a mãe. Esta parcela é a que
constitui o grupo chamado de -gestantes de alto-risco”
(Programa de Assistência Integral a Saúde da Mulher -
Gestação de Alto Risco, Brasília, 1991, p.6)
~ ~
Compreende
secomo
uma
fgestaçao -de alto risco, aquela -gestaçaoem
que
ocorre intercorrências que
possam
'comprometer -obinômio
mãe-filho.Os
fatores considerados de riscopodem
ser ~diversos, indordo biológicoou
clínico até os relacionados àassistência hà saúde, Todavia,
o
desenvolvimento seguro de urna gestação, vai depender, -em -grande parte,da
qualificação -do -atendimento -eassistência prestados à
mulher
no
seu período gestacional, inclumdo, essencialmente, a cobertura pré-natal,uma
vez-quesua
insuficiência -ou inexistênciapodem
acarretargraves problemas à gestação.
O
descasoem
relaçãoà
saúdeda
-mulher ~e, efetivamente,com
ea -assistênciamaterna é
um
forteexemplo
de
comoa
sociedade considera afmulher,que
-sempresofreu forte discriminação port-considerarem~na~-o *sexo frágil,
com
-obrigaçõesque
~consistiam, basicamente, -na submissao ao
sexo
oposto ena
maternidade.Embora
amulher
tenha lutado muito contra todo este preconceito,veremos, no
decorrer destetrabalho, que ele ainda prevalece,
mesmo
-queminimamente, na
sociedade brasileirae entre muitas famílias, principahnente entre>as"mulheres
das
classes populares, secom
as quais trabalhamos.Tendo
em
vista toda esta realidade referenciadae,também,
ea necessidadeque
aUnidade
apresentava quanto eauma
reflexãomais
sistemática,no
-que tange aosaspectos que contribuemeparaea
formação
de umagestação
de alto risco. realizamosuma
pesquisa
qualitativa,por
entendennosque
esta,além
de
valorizaros
aspectosqualitativos, proporciona
o
resgate 'de infonnações
que
possam
a contribuir,através
do
processo de reflexão,comatransformação
de muitas das problemáticasexperenciadas pelas gestantes. Foi
nosso
-intuito compreender,com
-maisdas mulheres intemadas nesta Unidade, analisando, assim, as questões
que
permeiam
este processo de*dificuldadesevivenciadas -pelasmesmas.
Diante de tais considerações os "objetivos
da
pesquisa ~consti~tuíram-senos
seguintes: ~
- Descrever o perfil sócio-econômi-core cultural
das
'pacientes internadasna
Unidade
de Gestação de Alto ~Risc~o;-
Conhecer
as causas maiscomuns
-de;Gestaç,ão'ede Alto Ri-sco -atendidas pelaMCD;
- Identificar
como
sedáo
acompanhamento
pré-natal dessasgestantes;- Resgatar junto às gestantes internadas -o ¬si~gni~fi~cado
desermãe;
- Identificar as dificuldades encontradas
no
contexto sócio-econômico ecultural frente à realização "dotratamento *da -Gestação de Alto Risco.
- Situar
o
contexto da4Saúde, ~evidenciandoas
políticasde
¬saúde`referentes àmulher.
Além
dos objetivosacima
indicados,esperamos que
este estudo,ao
aproftmdar o conhecimento sobre as 'necessidades e as propostas de atuação junto à
Gestação de Alto Risco, contribua para "aprimorar as ações conjunta dos
Doutorandas, Residentes,
Enfermagem,
Nutrição, especiahnente,o
Assistente Social.Esta pesquisa ocorreu
com
as pacientes internadasnaunidade
II -Gestação
de Alto Risco,
no
período de 15 dejunho
fa 15 -de julho de E1996; portantonum
espaço de
30
dias.Foi efetuada, desse
modo,
uma
entrevista -semi-estruturadacombinando
pergtmtas fechadas e abertas, *onde a entrevistada podia discorrer sobre o
tema
proposto. Utilizamos o
diálogocomo
modo
de
ampliaçãode
consciência -do universopesquisado e
do
pesquisador; -resultandoem
uma
trocamútua
'de saberes.E
após acoleta,
fizemos
a tabulação *dos-dados, -sendoos
mesmos
-analisados e interpretados.Além
das entrevistas,fizemos
estudo junto 'à fontes documentaisque
retratassem a situação da~Gestação-de Alto
Risco
e -da Mortalidade Materna.O
resultado obtido foi -ordenadoda
'seguinte forma:Na
primeira
partedo
nosso ¬-estudo, faremosumresgate
histórico dosdesafios vivenciados pelas mulheres,
-bem
fcomo, as -diversas variaçõessofridas pela representação
da
maternidade ao longo dos anos, até os dias-Na
segunda
parte, evidenciaremos a realidadedo
Sistemade Saúde
vigente
no
país, e, consequentemente, -as políticas públicasde
atenção
àmaternidade e a assistência integral 'à
saúde da
mulher. .No
terceiromomento,
nosdeteremos na
questãoda
mortalidadematerna
no
Estado fde Santa Catarina; citando oComitê
Estadualda
Mortalidade
Materna
-CEMMA
e-suas" -respectivas finalidades e objetivos, eo coeficiente
da
frequência-_ da-mesma
no
Estado.A
H
Na
quarta parte, enfatizarem-osa
importânciada
assistência pré-natal,referenciando, neste contexto, afgestante internada
na Unidade de
Alto risco daMCD,
bem
como
a situação das mulheresque
sãoencaminhadas
paraatendimento nesta Maternidade.
Para finalizar,
tecemos algumas
considerações conclusivas sobreo
estudoapresentado.
.
\
-
Os
estudos sobre a evolução histórica das sociedades retratamuma
tendênciade ignorar
ou
mesmo
de obscurecer o papelda
mulherno
contexto cultural,onde
évista
como
um
ser inferior e, portanto tratada marginalmente.Observa-se, inclusive,_que o vocabulário de várias' culturas é
acentuadamente
masculino; exaltando
omhomem como
decisório , formulador ea controladorde
normas
e regulamentos, e a mulher, relegadaà situação
de
maioria marginalno
silêncio ena
submissão.
O
tratamento à mulher, seu poder e papéisdesempenhados
variam muito decultura para cultura e
em
períodos diferentesna
história das tradições culturais.à
Nesse
enfoque foi queSimone
de Beauvoirafinnou:
z
ff “
Não
se nasce mulher, torna-se mulher.”“
O
masculino e o feminino sãocriações naturais e,
como
tal, sao comportamentos apreendidos através doprocesso de socialização que *condiciona diretamente
os sexos específicas e diversas” ( Alves apud Serafim,
1994)
Sendo
assim, e considerandoque
o papel e as tarefasdo
homem
eda mulher
são
compreendidos
de acordocom
os
padrões culturais próprios de cada sociedade,observa-se
que
otom
do
equal se reveste a maioria -dos trabalhos antropológicos, realizados até adécada
passada, -éde
-quase desinteresse pelafigura da
'mulher -relegada a
uma
posição secundáriana
sociedadecom
-atividade limitada aosNo
que tange à sexualidade, as mulheres'também
sofreram e sofremuma
discriminação mais íntima -e
ameaçadora,
ou
seja,aquela que
se fazno
estreitoterritório
do
seu corpo,uma
das leismais
antigas - eado
comando
do
homem
sobre asexualidade
da
mulher.Ao
corpo se aplicam as crenças, ~os'sentimentos -e os tabus referenciados pelasociedade,
na
qual, a cultura cria seus -contomos externos, instituindoos' lirnitespara
a mulher.
“O
sexo assume para a mulher função de dever, estassão transformadas então
em
máquinas de serviços ou objeto de cama e mesa” (Stuart apud Serafim,1994,p.17-18)
A
experiência negativaque
'amulher
relacionacom
o seu corpo,desempenha
um
papel ftmedainentalnadeterminaçãode sua
auto-estima, diretamenteatingida
no
momento
que «ela -intemaliza ~oseu
-valor-limitado afdoar-seapenas aos
outros.
Neste contexto
da
sexualidade eedos
papéis de gênero determinados para a/
mulher
na
sociedade, encontramosde
maneira muito forte, quasecomo
uma
verdadeabsoluta, a questão
da
Maternidade
como
um
“dom”
"natural e obrigatório àconstrução
da
feminilidade .''
“...
A
maternidade é ainda hoje,um
tema sagrado.Continua dificil questionar ~o amor materno, e a
mãe
\permanece
em
nosso inconsciente coletivo, identificada a'
MARIA,
símbolo do indefectível amor oblativo.” (Badinter, 1985, p.9)A
partir desta contextualização, pode-se constatarque
“amulher
nasce e éeducada
para sermãe”.
O
Amor
e aMaternidade que
'devem acompanha-la, estariaminscritos
na
natureza feminina.`
“
O
amor materno' foi portanto 'tempo concebido
em
" termos de instinto que acreditamos facilmente *que
tal
“
comportamento seja parte da natureza da mulher, seja
f qual for o tempo ou o meio que a cercam.
Aos
nossosolhos, toda mulher, ao se tomar mãe, encontra
em
si
mesma
todas as respostas -a sua -nova condição.”(rbió., p.2o).
Elizabeth Badinter,
em
sua pesquisa histórica sobre a maternidade, procuraesclarecer algiunas questões -que várias -e várias fgerações
vêm
se questionando,discutindo, e que, certamente *vem -sendo
alvo
'de grandes debates entre familias,educadores e pesquisadores.
Será
que
o amor
materno
e' instinto,uma
tendência
feminina
inata,ou
depende,em
grande
parte decomportamento
social,variável de
acordo
com
época--e oscostumes?
Segundo
Badinter (Ibid.,p.2l),háalgum
tempo, os 'conceitos 'de 'instinto ede
natureza
hmnana
perderam
\
-prestígio. Assim,o
instintomatemo
não
estáem
circulação.
Não
obstante, rejeitadoo
vocábulo, -restauma
'idéia bastante 'tenazde
Maternidade
que
apresenta notávelsemelhança
com
o
antigo conceito abandonado.Mesmo
reconhecendo
as atitudesmatemas
como
não
pertencentes aoquase geral o
que
possivelmente 'situa-secomo
herança genética.E
apesar dasintenções liberais,
vimos sempre
como
aberração'ou
“escândalo”, 'amãe
que
não
ama
o seu filho.Estamos
:sempre -prontos ~atudo
explicar ¬e justificar, ede
preferência, admitir o fato
em
sua~~bruta~lidade.No
-fundo de nósmesmos,
repugna--nos pensar que
amor
materno
não
-é indefec-tível; talvez,porque
nosrecusemos
'aquestionar o
amor
absoluto de nossamãe.
ç“
O
amormatemo
é apenas
um
sentimento humano.E
.
como
todo sentimento, e incerto, frágil -imperfeito.Contrariamente aos preconceitos ele talvez não esteja
profundamente inscrito na «natureza feminina.
Observando-se a evolução das atitudes maternas,
constata-se que o interesse e a -dedicação à¬~criança se
manifestam ou não se manifesta.
A
temura existe ou nãoexiste.
As
diferentes maneiras de expressar o amormatemo
vão do mais ao menos passando pelo nada ouquase nada.” (Ibid.,p. 22-23).
Tais aspectos se
expressam
nas variações sofridas pela representaçãoda
matemidade,
ao longo dos anos, até 'os dias atuais.›¬,.
É,
em
função das necessidades e dos valores dominantesde
uma
determinada sociedade, que se -determinam os papéis respectivos pai-mãe-Filho; e se
essa
mesma
sociedade valorizaou
-deprecia amatemidade,
*amulher
será,em
maior
~
ou
menor
escala,boa mae.
rg
Além
desses valores, delinei-a-~seum
«outro fator importante -na história 'd'/osobre
o
outro.Nesse
conflito entrehomem
e mulher, a criançadesempenha
um
papel essencial.No
séc. XV-II,o
poderiodo
'marido edo
paipredomina
emuito
sobre o amor.
A
razão era simples - ~toda~a sociedade repousavano
principioda
autoridade masculina.
O
amor
parecia ser muito débil "para que, sobre ele, se 'constr_uíss'ealguma
coisa.
Dessa
forma,não
causa espanto constatar - omodelo do
bom
amor
conjugal éaquele que
une
duas pessoas -domesmo
sexo.Marido
-emulher
devem
ser amigos, enão
amantes, anão
ser por -acidente-ou necessidade vital.O
periodoque
antecede- ea-metade~~do século XVIII, e' -muitomarcado
pelaausência
do
amor, enquanto valor familiare social,não que
elenão
existisse, todavianão ocupava
a posição,nem
a~impo1tânci~a~atualm~ente -a ele conferida.Contudo,
na
época, essa
imagem do
amor~dece1ta~forma 1negativa, -impediatquerele constituísse,
prioritariamente,
o
laço uniãodos
membrosda
familia.Em
-lugarda
ternura, éo
medo
quedomina
oâmago
de
'todas -relações familiares.A
menordes~obedi*ênciaao
pai
ou
ao substituto dele, recorre-seao
-açoi-te. ~Esta prática,por
-muito,tempo
foicomum
nas classes populares e burguesas. ~E Aé nesse clima,que temos
de situar aantiga atitude
matema
- violência e 'severidadeeram
o quinhãoda
esposa edo
filho.A
mãe
não
escapava a esses costumes.No
finaldo
século XVIII, oamor
matemo
aparececomo
mn
conceito novo.em
toda parte;mas
o que~é novo,-erfafexaltação idoamor
matemo
como
um
valor,ao
mesmo
tempo
natural e social, favorável ¬à-~espéci~e -eà
sociedade.Alguns mais
cínicos, verão nele, a longo prazo, valor mercantil. _
i
Igualmente nova, é a.-associação "das *duas palavras,
“amor”
se“matern0”,
que
significa,não
só apromoção
fdofsentimento,~como'tambémda
mulher
enquantomãe. Deslocando-se, insensivelrnenteçda-autoridade para -o am-or,~o~fo-co ideoló~gi'co
ilumina cada vez mais a
mãe,
-em "detrim-ento-d-o- paique
entrava,aos
poucos,na
obscuridade.
“O
novo
imperativo é, portantoça -sobrevivênciadas
crianças, poisaperda
delas, passa, agora, a interessar
ao
Estado,que
-procura salva-lasda
morte.Assim, o
importante já
não
é tantoo
segundo
períododa
infância (depois -dodesmame),
mas
a primeira etapada
vida, ea qualos
paissehaviam
habituadoa
negligenciar,o
que
era,não
obstante, omomento
-damaior
mortalidade” (Ibid, p. 146).Com
base nesse interesse, "era-necessárioconvencer
asmães
"ea se aplicanemàs tarefas esquecidas, para
que
-fosse-possível -operar -o salvamento das crianças.Mas
para persuadí-las a retomar os sentimentos
matemos
e a “darnovamente
0
seio”,foi preciso que vários moralistas, médicos, administradores e religiosos se
colocassem
em
campo
eexpusessem
seusargumentos
mais
sutis. Parte das *mulheresfoi sensível à
nova
exigência, isso devido amn
outro discursomais
sedutor -o
da
No
que
concerne à igualdade, pareceque
fa Filosofiada
'segundametade
do
século
XVIII
se antecipou ede
longe à prática-zcotidiana.É
Verdadefltambém,que
-elamilitou mais pela igualdade dos
homens
entre ~si,do
que
pela igualdade entreos
seres
hmnanos: o
Homem,
ea 'Mulher He nas ~Grianças.~Ainda
~-assim, tuna 'correnteigualitária e libertária atravessa
asociedade
no
-finalfdo século.Vê-se modificar
sacondição
do
pai,da mãe,
-ejmesmo
e-ada
*cri-ançano
sentido ~deuma
maior
homogeneidade.
`A
imagem
do
pai 'eseupoder
se -transforma -~o poderepatemo passa a
ser,
simplesmente, ajuda
momentânea
por
meioda
-qualse compensa
a
fragilidadeda
criança. -
Segtmdo
as idéias de Rjousseauapud
Badinter(~198~5, p.166)“ o conceito de paternidade não tem
lugar na natureza.
Mas
no estado social que e' ~o nosso, e-talvez o único quejamais tenha existido, o
homem
atribuiu-se funçõespaternais: a autoridade que acompanhava proteção ~-do
filho.” `
'
Embora
a condiçãoda
mulher
não
~tenhase
modificado
de
formasnotávelno
séc. XVIII, ada
esposamãe
progrediu.No
final deste século, eocomportamento
do
marido para
com
amulher
parece modifi-car-sena
teoria eina prática.Por
um
lado, 'anova
moda
do
casamento
por
amor,
transformaa esposa
em
companheira
querida;por outro, os
homens
responsáveisquerem
que as
mulheresdesempenhem
mnpapel
O
primeiro írrdicede
tunamudança
do
comportamento
'materno é,certamente, a vontade
nova
de--amamentar ela própria o filho; excluindo qualqueroutra pessoa.
Pouco
a pouco, -deitava raízes a-idéiade
que
os cuidadose
o
'carinhoda
mãe
eram
fatores msubstituíveisda
sobrevivência edo
confortodo
bebê.É
importantemencionar que
nem
todas as mulheres aderiam aoscostumes
da
~
nova mãe;
isto por razoes diferentes, urna das outras.Subsistem, então, grandes diferenças entre "as atitudes das
mães,
'quereagem
diferentemente,segundo sua
*classe -social. -Gs -recursoseconômicos
etambém,
asambições
das mulheres condicionam,amplamente,
-seucomportamento de
mãe.
Problema
e necessidadeparaumas,
imposiçãoou
opção
para outras -a
chegada
do
filho
na
família é, diferentemente, ~viv1*da~pelas mulheres.Errriquecida de
novos
deveres, -a maternidade adquiri- agora outro sentido;descobriu-se que a mãerdeveria igualmentefassegurar a- 'educação
dos
filhos e tertuna parte importante emu-suafonnação intelectual.
Tomou-se
consciênciade
que
~amãe
não tem
apenas
urnafimção
*“animal”,competmdo-lhe,
também,
eo *deverde
formarum~bom
cidadão,um
homem,
que
encontre o
melhor
lugar possívelna
sociedade.A
mãe
do
'séculoXX
arcarácom
uma
última responsabilidade --o inconsciente eos
desejosdos
filhos.Enclausurada
em
seupapel
demãe,
amulher
não
poderá evitá-losob pena
dificuldades para o trabalho feminino, -assim
como a
razão
do
desprezoou da
piedade pelas mulheres
que não
tinham filhos ~¬edo
'opróbrio daquelasquenão
os
queriam.
As
mulheres mais reconhecidas pela sociedadeeram
asque
manifestavam
com
alegria, o fato de ter filhos. Asfioutras,em
-grandenúmero,"não puderam,¬sem
angústia e culpa distanciar-se
do
novo papelque
*lhes-queriamimpore
tudo pormna
simples razão - tomara-se ro cuidado -de definir
a
“naturezafeminina”
de
talmodo,
que
ela implicasse todas as característicasde
-boamãe.
Assim, tentavam,da
'melhorfonna
possível, imitar omodelo
imposto, 'ou tentavam distanciar-se dele, apagandocaro por isso.
Acusadas
de
egoísmo;
de
maldade' e atéde
desequilibro, àquelaque
desafiava
a ideologia dominantesó
-restava assumir, maisou
menos
bem,
sua
“anormalidade
”,que
como
em
quase toda diferença, “é dificilde
se sobreviver.Hoje, já
não
estamos maisexatamente
nesta situação. *Certos indíciosparecem
anunciarque
uma
outra “revolução efamiliar”começou.
Dois
séculos' depoisdo Rousseaunismo,
o projeto desloca-se para fo lado'do
*pai,'nãopara
devolveràmãfe
a obscuridade,
mas
paramelhor
iluminar,pela
primeira vezem
'nossa história,opai
~
e a
mae
aomesmo
tempo. `“Em
dois séculos, aimagem
do
'paimodificou-se
deforma
considerável.No
século XVIII, ele era considerado
como
“0 'lugar-tenentede
Deus”
e
o
sucedâneo
Entretanto foi necessário esperar
o
*séculoXIX
parase
perceberque
opai
'de famíliapodia ser ignorante, falivel
e
malvado”
(Badinter, l985,p.288).Ao
contrárioda
mãe
má, que-não
-pertencea
neníhuma
classe social,o
mau
pai é considerado geralmente,
o
homem
pobre, o operário. É,também, o
homem
desprovido de educação,
que
não
sabe,por
exemplo,'inculcarnos
filhosos
valoresmorais e sociais, o pai do" futuro delinqüente.
No
séculoXIX,
o
Estado, “quese
-interessacada vez mais
'pela criança,vítima, delinqüente
ou
carente, -adquire -o -hábitode vigiar 'o pai.A
cada
carênciapatema
devidamente constatada, -oEstadose
propõe
'a substituiro
faltoso, criandonovas
instituições. VÉ
preciso, portanto, admitir,com
toda justiça,que o
homem
foi despojado desua paternidade .
Reconhecendo-o
somente
numa
funçãoeconômica,
distarrciaram-no
progressivamente,no
sentido literal e ~fiegurado,_de "seu filho. Assim, tudo pareceindicar,
em
nossa sociedade *regida -porhomens,
que
essa -privaçãonão
se 'realizousem
a aquiescência daprópria vítirna.Vimos
então,que
amãe
continuasendo
a
principal fontedoadora
de
amor
para
o
recém-nascido; éa
elaque
está reservado to prazerou
no fardode
assumir esseprimeiro corpo-a-corpo vital para dia criança.
Mas
pareceque
tudo 'isso está 'sendotodavia mostram, através
de
vários 'sinais,"quedesejam
compartilharcomo
marido o
amor
pelo filho e o sacn`ficio,eomose
estesnão
lhesfossem
inerentes. `1
Além
disso, as mulheres -estão mais sensíveisadualidade
'dospapéismaterno
e feminino. Fala-se muito
da
harmonia,da
'complementaridade semesmo
dos
beneficios desses papéis para >a ecriançagmasirarainente 'se
evocaram
nosproblemas
que
podem
suscitar para *a mulher.A
~~única ~-solução' sugerida para colocarum
ponto
final neste conflito de papéis ~é eliminar tunrdeles,
ouseja,
acabarcom
o
trabalhofeminino fora
do
lar.Em-
vão,pois
as mulheresfserecusam
'ua aceitar. E,cadavez
mais,
um
número
maior de -mulheres evita eo trabalho domésticoe a
atividadematema,
partindoparaa
vida “ativa*”._.Segtmdo Badinter (Ibid,p;346),
nem mesmo
os “duzentostanos'deideologiamatema
e o desenvolvimentodo
'processode
“responsabilização”da
mãe
modificaram
radicalmente as atitudes.E
~mesmo quando
trabalham,asmulheres do
século
XX
permanecem
'infini~tamente'mais*próximasdos
'filhose
preocupadas'com
eles
do que
as de outrora.Uma-
vez
mais, ~porém,~~~temos ra 'provade
que
'amaternidade
não
ésempre
-apreocupação
-primeira ¬e -instintiva
da
mulher;de
que
não
necessariamenteo
interesse "da -criança 'prevalece sobre o damãe,
'de que,quando
são libertadas das funçõeseconômicas,
mas
tem
“ambições pessoais, asque
não há comportamento
materno suficientemente 'unificadopara
"que sepossa
falar de instinto
ou
atitude maternaem
si”.Hoje
as mulheres reivindicam oe' direito absoluto *a “não” ter"fi'll1os”;"rej'eitama
“altemativa” e o “sacrificio” e estãonantes ~decididas“a
mudar
eo comiaortamentodos
homens.
Não
só, jánão
-desejam ter 'filhos *paramerecer
'o' títulode “mulher
realizada”,
como
exigem
para ~acei-tarproecnar, que--se pa1ti›lhem¬com“'elas todos osencargos
da
matemagem~~e"'da'educação_Contudo, ao percorrennos,
mesmo
~que~deforma
sintetizadaf, a"história dasatitudes
matemas,
nasce aiconvicção- de "que ~~o instinto materno,conforme
afinna
Badinter, é
mn
mito. NãoVeencontramosfnenhuma"conduta universale necessáriada
mãe,
e sim, contrariamente, econstatamos~a~grande~~Variabilidadeeede~seus sentimentosde acordo
com
sua cultura, 'ambições 'ou fiustrações.E
*contrariandoa
crençageneralizada
em
nossos dias, ¬0amor
materno
não
*-está eproftmdamente inscritona
natureza feminina. Ele
não
é inerente às mulheres.É
adicional.É
algoque
se adquire.Concluímos
portanto., -após “estas reflexões baseadas 'no *trabalho deElizabeth Badinter,
que
oamor
matemo,tal
como
osdemais
sentimentoshumanos,
sofre variações de acordo
com
as
alterações 'culturais 'e sociaisda
históriade cada
Finalizando, constatamos ~que~'a mulher, W*
enquanto 'mulher 'e tmãe,"vem,
ao
longo dos tempos, enfrentando- muitos 'obstácu1os,' no- entanto* estáeonseguindo,
de
forma
bastante satisfatória, ~-conquistar "o'~seu'-espaço, mostrar 'oe' seu ~ponteci*a'l, eadquirir o direito de optar por"-aqui1fo'~que' ~eonsifldera“s~er eo
mais
eonveiliente para si,2-
Resgatando
as Políticas. Públicasde
'atenção “aSaúde
da
mulher.
A
situação feminina, descrita.no
item
anterior, explica, "muitas vezes,o
descaso
com
as situaçõesde
desigualdade, injustiça "e "exclusão "que vitima asmulheres.
Na
áreada
saúde, esse fatoeverificado
deforma
ainda,mais
giave,‹pois a exclusão e os critériosde
sei~eção'~altamente 'discriminatórios atingemnão
somente as
mulheres,
mas
também
'a grande maioriada
população.Mais
de dois terços dapopulação
brasileiranão
'dispõede
renda
suficiente- ×
~
para ,assegurar o acesso “à condiçoes
de
vida “que *respeitemosmínimos
direitos 'dacidadania. Trinta e dois
milhões
-debrasileirospassam
fome,
são ¬milhões 'os'esses inexistentes nas sociedades mais justas.
As
'condiçõesde
saúdeda população
encontram-se entre as
mais
precárias.Em
outras palavras,o
modelo
econômíc~o~~dominanteno
~Brasil, nas últimasdécadas, apresenta
como
resultadouma
"desigualdade social'num
'quadro desalentador de recessão e~desemprego, ~que~c1ama~poruma"solução'urgente.Sabemos
portanto,que
'a realidade ~dasaúde
-no Brasil, nosfúltimos "anos, 'émuito precária, e
tem
*sido freqüentesnos
"jornais 'se revistas, 'manchetes 'relativas 'aprecariedade
do
atendimento -nas -matern1*dades,~~hospitai*s *do país. "Os 'problemaslevantados
vão
desde fa negliflgênciac»imperícia~~médicas,~até~as~questões estruturaisreferentes à organização
dos
serviçosde
saúde.O
desenvolvimento das políticasdesaúde
*tem
reveladoque
'oatendimentoàs necessidades
da
população- está mui-to *longede
“contarcom
ea coberturada
prestação dos serviços oferecidos.
A
antiga tendência dessas políticasde frestringiremtas flnecessidadesde
saúde
ao atendimento médico, e
tem
flesconsiderado* as “reais condiçõesde
“vidade
seususuários e reforçado o caráter~curati~vo
daatenção
à saúde.“E
istotem
contribuídopara relacionar a atenção
a
doença
-eda
possibilidadede
~sobrevivência”( 'Cohnapud
Souza, 1995, p. 58).
Dentro desta realidade,
a
populaçãotemprocurado
os serviçosde saúde
por
garantia de sua saúde. _ “A“~saúde, portanto, dificilmente
'é
percebida 'como
uma
questão de cidadania,
ea
concepção
que- predomina'não
'se ea'baseia
no âmbito
coletivo.” (Ibid, p.59).. "-9 ~que~'s'e~estabeleceu dentro
da
prestaçãode
'serviçode
saúde foi o acesso à saúde
como
direito de caráter contributivo.“Ao
longo dos tempos;~as~politieas -de *sa-úde eristalizaramurna 'concepçãode
direito. à esta bastante limitada:
O
*acessodesigualda
população àdasçsistênciatem
origem
na
inserção diferenciada dos ~trabalhadores~ rroflmercado de 'trabalho . A'"baseracional para esse fato' "repousa
na- concepção
do
-direitocomo
euinprivilégio
vinculado a contribuição 'Previdenciariame/ou^--seguros -
saúde
privados.Ftmdada
nesta
mesma
argumentação,~~estabelece=se»-ao divisão entrepopulação
assalariada enão
assalariada,sendoa
'última"orientada;para -oflsetor público efilarrtrópiico.Assim,
o
direito à saúde passara'~si~gnificar'~gratui-dade” (Colin&
'colsapud Nogueira, 1994,p.27).
Outra
concepção
de saúde eforjada:~n-oimaginárioda população
"é to direito 'àsaúde
como
acesso únicoe
exclusivo-eàfassistênciamédica,embora
de
eficiência cequalidade precárias
na
grandefmaiori-a das vezes.A
saúdeganha
espaço nas “discussões 'que '¬acontecem "nas ConferênciasNacionais, sendo a de
1986
muito esignificativa por várias razões, "destacando-seentre elas a alteração
da
'concepçãode
saúde.A
partir 'desse evento 'considerou-se“A
saúde não é conceito abstrato. Defini-se no contextohistórico de determinada 'sociedade e
num
'dadomomento do seu desenvolvimento, devendo ser
/conquistada pela população
em
suas- lutas -cotidianas (. . :)Em
seu sentido mais abrangente, a saúde é resultantedas condições
de
alimentação, habitação, educação,renda, meio-ambiente, trabalho, transporte,
emprego, lazer, liberdade, acesso e posse -de terra, e
acesso a serviços de saúde.
É
assim, antes de tudo, oresultado das fonnas de organização social da produção,
as quais
podem
gerar grandes desigualdades' nos .níveisde vida.” (Anais da 8” Conferência Nac. "de Saúde,
1987, p.382, apud Nogueira, "1'994,p.28).
A
ampliaçãodo
conceito' de' saúdeque
subsidia esta "“n0va'”concepção,
inclui .nos seus elementos, detenninantes,-'"as 'condições
de
alimentação, “edu'c'ação.(...) e
também
acesso aos serviçosde
'saúde;Dentro deste contexto,asaúde
assume,
a nível legal, a condição 'básica'de~'cidadania,"ondeté~~expre's's*ão*-de 'direitos' de“to“do's
os indivíduos e dever
do
Estado “garantia-la viapolíticas'econômicas“e"“sociaisque
assegurem
a proteçãoda
população “aos 'riscos “de 'adoecer se mmorrer, eno
estabelecimento de condições -que assegurem* 'acessoeu11ivers'al"e'e'igualitá1*io 'às"aç'ões
e aos serviços para a suapromoção,e"proteção ~e recuperação.
Em
conseqüência deste novo~~conceito,*'tomou=se"necess~ário ea 'constituiçãodeuma
concepção mais ampliada
sobre eo 'direito “à saúde,buscando
alternativasconcretas que respondam'às“'reai's necessidades' dapopulação.
Essa
construção inicia-secom
a
"Constituição Federal de 1988,com
eaencerra a dicotomia sistêmica até~'então vigente, priorizando' setor público
na
orientação,
condução
-eexecuçãodas
ações'e
serviçosde saúde:O
.passo seguinte foia
aprovaçãoda
"LeiOrgânica
'da'“Saúde*"(8.080/90 e8142/90),
na
qual sereafinnouo
direitodocidadão
-de receber atenção easaúde
re 'aobrigação
do
Estado -nofseu ~proviment~o.~~Nela'"estão definidos,com
clareza, asdiretrizes políticas
do
Sistemae os
"princípios fundamentais paraa
organizaçãodo
modelo
Assistencialque
se -pretende eqüitativo, ~des~centralizado,"participativo *eintegral.
V
Um
dos princípiosdo
SUS
-aeuniversalizaçãofdo' atendimento -*rompecom
atradicional distinção d~os~usu~án`os ventrefprevidênciários *eç"não-previdênciárioçs;
como
já vinha ocorrendo a partir
da
implantação ~das~açõesintegradasdesaúde.
Nos
anos seguintes 'àaprovação e
a
legalizaçãodo
sistema idealizado,assiste-se o esforço dos municípios,
nem
sempre
respaldados pelos respectivosEstados,
em
assumir,cada vez
mais,a
atençãoa
saúde
dos cidadãos; 'eltambém
'aparticipação crescente
da
populaçãona definição das
politicasde
'saúde eno
controle
da
aplicação dos recursosmunicipais aplicadosamesma.
Observa-se que,
com
oaumento
da
demanda
em
-cumprimento às diretrizesde universalidade
do
'acesso e equidadeno
atendimento, 'arede
'de serviçosdisponíveis,
em
larga extensão,tomou-se
incapazou
çinsuficientepara
prestarVimos
assim, após esta ~explanação"referente 'anossa
politica de saúde,que
não bastam
os avanços conceituaisda
'propostada
mesma,
ou
seja, 'doSUS;
énecessário que se estabeleçam estratégias
que
ressaltem "osinúmeros
'problemas' operacionais existentes. *O Brasil apresenta-se dicotômico;de
um
ladoa
precariedadedo
serviço público 'representada peloSUS,
de
outro, aosegmento
privado
com
as diferentesmodalidades
'de seguro - saúde, 'do 'qual 'anraioriada
população se encontra "excluída pela 'limitação
de
seus
'rendinreiitos' _ 'Os 'altosíndices de
modalidade
"e' 'morbidadematema
*e perinatalsão apenas as
repercussõesmais visíveis desse processo~de "destunariização “das” práticas "de saúde;
o
que se
verifica é
um
processo diferenciado ~~de~acessoa esses* ~serviços,rsegi'mdo'acondição
econômica
- deum
.ladoas
gestantesque peodemfifirranciara
suaassistência' pré-natale
o
parto através dos planosde saúde
>privadosr~~e;¬de~~outro,'ras'"que~ fi~cam'¬à'mercê' dosserviços públicos
com
'reduzidasvagas
elongas~'esperas~.A
assistência ao parto--é ea-manifestação-"mais-evidente rd-ee'c0m0"~a'sociedadeconsidera
a
mulher,amaternidade-efa
criança.A
organização dos serviços,os
'horários ode atendimento 'e' "as 'rotinasutilizadas se
dão
muitomais
em
funçãodas
necessidad,esdas
instituições 'ecomodidade
dos profissionaisdo
que
das
usuárias.São
'diversosos
'procedimentosinvasivos utilizados nas rotinas hospitalares,
que
nunca
foram, cientificamente,Todo
esse descasocom
a
assistência- materna,noperíodopréfe
perinatal éinaceitável,
quando sabemos
trque, "cerca~de"60~%"damoitalidadetinfantilno país 'édevida à causas ligadas- -à ~gestação~-e*~a'o ~pa1to,‹e ~os^altos' índices -~dte"'mo1talidade
matema
observadas ~no“Brasil ~o~ ~colocam~em«~-~compa11ha "dos "mais~'atrasadosdo
mundo.
Segtmdo
a Classificação In-ternaci-onal~d-e-Boenças - C1Dtna~fsua-~9a Revisão,define
morte materna "comora Ç* "morte ~d~e~'uma~~mulher^'durante "agestação, parto
ou
dentro de
42
dias após to término *da-gestação, independentemente "darlocalizaçãoou
duração
da
gravidez, rdevitdara-'rqualquer~"causa~relacionada'com
"ouagravada
pelagravidez,
ou
pormedidas
-tomada~s"com relação 'sào-elas;*poré1n "não“'devidasfà~ causasacidentais
ou
incidentais.”A
mortalidade i11clui,'-portanto,~nãor~s~ó»'as~mortes "resultantes *dereventosou
complicações diretamente trelacionadasWrcomtt “rat "~gravidez,
parto
re puerpério.(Obstétricas Diretas),
mas
também,
"aquelas "decorrentes"ifdercausast~-não=próprias *dociclo. gravídico-pueiperal, ~~que~~se~agravam~ou ~complicam'neste~período tdagestação
(Obstétricas Indiretas)-
A
108 Revisão daCID,
'que "entrou 'em "vigorem
'l'° *de Janeiro'de
'l996,introduz o conceito de "morte-materna"-tardia,
"definidatcomomoite
'damulher
por
causas obstétricas diretas 'ou indiretas, oconidas~~após~"os"4'2 'dias detpue1p'ério.'Essascomplicações
da
gravidez, parto 'e puerpe'rio, 'oque
'geravatambém
qsubmensuraçãoda
mortalidadematema,
'principalmentequando
se considera osavanços
“ocorridosna
Medicina, quepermitem
uma
maior
sobrevidada
mulher.O
óbitomaterno
é 0
dano
áesaúde
mais
-indesejável que'p0de*acontecer, jáque
nenhuma
espécie,"emuitomenos~a-eespécie-humana, pode
'correr “o” riscode
~
morte ao querer se perpetuar, -“~uma~vezque setrataa aqui -de ~funçao -biológica
essencial.
Segundo
estimativas morremyaproxiinadamente,5006
mulheresarcada
ano
no
Brasil, por ,problemas "ligados eàgravidez; parto- -ea ~puerp~ério'. ~~Estima-"se ainda,que
_ Y
98%
dessas mortes poderiam~ser ~evítadas;*ou«~-seja, -4-900 fmortesqenão *deveriam *estarocorrendo, se as condições-de-vida-dessasmulhereseeeos-sewiços*-odeatenção"à saúde
fossem
melhores.'
No
aspecto das causas, tomando'-o Brasil como“um"todo,-'ve1ifica=se'que
asToxemias, Hemorragias, Infecção 'qrpuerperal me ~~Abo1tamento, "nesta
ordem,
seconstiuim nas principais ¬"causas;' toda~s'~elas passíveis *de redução, 'mediante
"um
processo de reorganização daflassistência,principalmente,"se'concentrando esforços
na
captação precocede
gestantes,“aumento “da
"cobe1tura"^do 'Pré'-'natal paraultrapassar
80%
e melhoriada
qualidadede
"assistência *àgestanteq e'~àqparturi'ente,em
O
coeficiente de Mortalidade aMatema'~qu»e ~mede"oaris~co--~de»1una"mulherpor
uma
dessas causas, ~é -utilizadocomo
e~in-dicadorfln-aavaliação *da ~magn1`tu~dedo
problema
é calculado através -da *relação-entre ro'número
'de"fóbi1:os e-omatemosanumdetenninado local e periodo eo*totaldos~nascidos_=vivos nasmesma'-área"e"pe1*Íodo'.
O
resultado é normalmente--'multiplicado-por~l~();~()()()~-oufl l~~G0;~000
EX.:
Número
de óbitos matemos,num
determinado local e períodoX
lO0.0()O -Número
de nascidos vivos"no--mesmo*local¬e periodoAl:guns~fatores»
podem
distorcer ~-ofresultadodesse coeficienteao
se referirem à qualidade dos dados "utilizados;~tanto"~no“~numeradorcomo
ano~~denominad'or.“Em
relação ao numerador, "alémfd-o flsu'b=registro~-de a-óbitos, ao-~pro-blema -se 'a "sub-
notificação
da
morte "matema,"*ou'"sej»a ,"~o"'fatordo"~atestado~-~de“óbito “omitir 'oainformação de tratar;-fs~e-dae 'um~óbito¬ relacionado, “direta ou'-indiretamente,
"com
'ociclo gravídico puerperal. "Esse 'fato "faz ~~c»om"*¬qu"e 'a -imortalidade ¬m-aterna
apareça
fortemente subestimada. '
Essa
subnotificação Vdeacorre;~nãoe~~s*ó**d~os "óbitos 'sem~-assistênciafmédica,cujas declarações de ~'óbitos"*são "preenchidas ~~-nos"¬cartórios *de “'registro"civil, "sem
causa de Óbito,
mas
pri11cipalmente,"do preenchimento"incorretoodaa'declaraçãorpelomédico
atestante que, "na maioria»-dasavezes, 'desconhece 'aa'impo11;ânci'a'd'e'"infonnarno
atestado, que amulher
*estava 'grávidarnomomento
ada'm*orte“ou'"queamorte
se
Com
o
objetivo de diminuir a omissão das mortesmatemas,
foi implantadarecentemente
o
modelo
de declaração de óbito,que
incluium
espaço reservado paraidentificar
o
óbitoda
mulherem
idade fértil,mas
não
se garanteque
este passe a sercorretamente preenchido; é necessário, portanto, investir
em
treinamento dirigido aos responsáveis pelo preenchimentodo
mesmo.
›Algumas
pesquisas realizadas,permitem
estabelecer Luna correção parao
nurnerador
do
coeficiente de mortalidadematema
que
varia de acordocom
as regiões geográficasdo
Brasil. Para aRegião
Sul,o
fator de correção proposto seriaigual a 2,04,
ou
seja, antes de se calcularo
indicador,o
número
de óbitosmatemos
deve ser multiplicado por esse valor.
No
denominador,como
estimativada
população exposta ao risco, utiliza-seo
número
de nascidos vivos. Essenúmero
têm, ainda,como
fonte os registrosde
nascimentos nos cartórios,
o
que trazcomo
problemas,não
apenas a questãodo
sub-registro e registro tardio de nascimentos,
como também
a dificuldadede
seobter informação
em
tempo
oportuno, poisO
Instituto Brasileiro deGeografia
eEstatística -
IBGE
demora, amédia
de três anos, para tomá-las disponíveis aopúblico.
Esse problema
deverá sercontomado
assimque
o Sistemade
Informaçõessobre Nascidos-Vivos -
SINASC,
gerar informações confiáveis sobreo
número
denascidos-vivos, já que este sistema coleta informações diretamente nos Instituições
domiciliares.,
Mesmo
com
as limitações referentes à conceituação e cálculodo
coeficiente
da
mortalidadematema,
ele é consideradoum
dos indicadoresmais
sensíveis e importantes
da
qualidade dos serviços de atenção matemo-infantil;uma
vez
que
permite,não
sóuma
avaliação qualitativa dos serviços ,como
reflete,também,
a cobertura desses serviços, especialmentequando
associados ao indicadorde proporção de partos hospitalares e/ou assistidos por pessoal capacitado.
A
reduçãoda
mortalidade maternadepende
muitoda
capacidadedos
serviços de
promover
oacompanhamento
pré-natal,com
a identificaçãoda
gravidezde alto risco,
da
atençãodo
parto e ao puerpério, além, é lógico, de fatorescomo
condições de saúde e nutrição pré-existentes. '
A
análisedo comportamento do
coeficiente de mortalidadematema
serve desubsídio para
comprovação
desses fatores, devendo, por isso, ser utilizadacomo
instrtunento de qualquer plano de redução dessa mortalidade.
Como
jámencionamos,
os índices demorte
matema
no
Brasil apresentam-semuitas vezes superior aos países desenvolvidos -
o que
traduz as precárias condiçõesde sobrevivência
da
população, principalmente das mulheres, e,também, da
fragilidade dos serviços de saúde
na
resposta aos problemasnão
identificadosno
período gravídico-puerperal.
A
melhoria dessas condições éum
desafio
a ser superado, e para tanto, sematemas. Desta forma
necessitamos definir estratégias capazes de reduzirem amagnitude
desse problema.Considerando-se toda essa problemática,
o
Brasilcomprometeu-se
a reduzirseu coeficiente de mortalidade
matema
em 50%
atéo ano 2000
ie assinouo
PlanoRegional de
Redução
da
MortalidadeMatema
durante a 238 ConferênciaPanamericana
deSaúde
em
1990.O
Ministérioda
Saúde
já tinha essapreocupação
desde
1984, ecom
assessoria técnicada
Universidade Estadual deCampinas
-UNICAMP
elaborou oPrograma de
Assistência Integral àSaúde
da
Mulher
(PAISM)
cujo objetivo é a reduçãoda
morbi-mortalidadeda mulher
nas diversasfases
do
seu ciclo vital oque
representaum
“Modelo
assitencial” para saúde(Manual
dosComitês
de Mortalidade Matema,l994,p.07). 'Desde
1988,quando
foi realizadoo
seminário sobre “Intervenções ParaRedução
da
MortalidadeMatema
parao
Brasil e Países Africanos de LínguasPortuguesa”
o
Brasilvem
implantando osComitês
de Mortalidade Materna;primeiro pela realização de seminários macro-regionais e, posteriormente, pela
realização de treinamentos específicos
em
cada Estado, para a Implantaçãodo
Sistema
de
Vigilância Epidemiológicada
MortalidadeMatema.
Atualmente, existemno
Brasil treze Comitês, oficialmente implantados.Assim
reafirmando
seucompromisso
com
a reduçãoda
mortalidadematema, o
Ministérioda
Saúde,em
elaborou o
Manual
dos ~>Comitês~de “Mortalidade~Matema'"(CMM)
efpublicou 'assegumtes portarias:
“-
Concedendo
40%
zamais
“nospagamentos
de
~-consulta~'pré+natal,como
forma
de estimu1ar"es:ta~prática' médica;-
concedendo pagamentofde
-1-0%fa~maisfaos ihospitaiseclassificadoscomo Amigo
da
Criança,-~como"estí1nu1eo,~o1ientando~àsímães~sobre'*o~ ~
Cartao
da
Criança, incentivo-ao faleitamento ~materno,fdinan1iza~çaondasrotinas
do
hospital tantona
-pa1tefde'~~consultas~ obstétricascomo
de
pediatria, evitando o *quanto possível 'aficesariana *e
organizando
*osistema de referência para icomatcomunidade;
- instituindo
o
dia28
de
-maio-comoro
~-Dia¬Nacional
de
Redução
da
Mortalidade
Matema;
- criando a
Comissão
Nacional de MortalidadeMaterna
com
o
objetivo de manter Hatualizado "amplo diagrióstico
da
“situaçãoda
mortalidade materna no~Brasil,~enfocando todos' -osseus
múltiplos aspectos sociais, econômicos,-políticos,*jurídicos efloutrosque
ffacultemações específicas
na
solução. ;.-
propondo normas,
instrumento "legais e "princípios -éticos "queconcretizem as diretrizes 'Joás-ieas estabelecidas -ea n
partir
dos
Ministério
da
Saúde
*no
-prorcessoeede articulação 'se “integração
das
diferentes instituições»-e_ instâncias» envolvidas
na
questão;- oferecendo subsídios
para
~aperfei~çoam-ento~da -políticardoSetorde
Saúde
na
área de mortalidade-maternaeestabelecendo corelaçõesrcomos
Comitês
Estaduais, ~-Regionais ~Mu11icipai~s”; (~Pl-anodeAção
'para
Redução
da
Mortalidade~Matema¿
‹1-995;p ;06).Os
Comitês
.de .Morta1i'dade~~Matema“nos "E-stados`~~~ee~nos 'Municípiostomaram-se
a mais importanterchance --estratégi~ca'"para~'reduçãoda
'Morte Materna,forçando_.com isso caminh»os~para~~uma nova~po-líticaf-de' saúde¬que¬-s~e" inicia a 'nível
familiar e comunitário;~"que~~p~erpassa fa~~~-organização;-~~a'"-referência "ie ~a "contra-
-referência dos serviços'¬de~'saúde"(Postos'fde¬çS~aúde,'~Ambulatórios¿"Maternidadesre
Hospitais), .te dos -meiosfrde-~comunicação~~-de tmassa,
' ¬
'culminando~~pe1a' -melhor
formação
e acompanhamentodo-desempenhados.-profissionais.-da¬.Área»»zda›Saúde~eda
solidariedadehumana
“em todos
os níveis.Os
objetivos principais'de'u1n~e(~`;omitê*~de*Mo1teçMatema
"são~~guiar"as --ações,interpretar e informar os*dados-achadosfe,~~~avaliar*o~próprio sistema:-Na~'maio1ia dos