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Maria Helena de Moura Arias

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Academic year: 2021

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Editora da Universidade Estadual de Londrina Nádina Aparecida Moreno Nádina Aparecida Moreno Berenice Quinzani Jordão

A Eduel é afi liada à

Maria Helena de Moura Arias

Ângela Pereira Teixeira Victória Palma Edna Maria Vissoci Reiche

Efraim Rodrigues Gilmar Arruda

José Fernando Mangili Junior

Maria Helena de Moura Arias (Presidente) Maria Rita Zoéga Soares

Marta Dantas da Silva Pedro Paulo da Silva Ayrosa Rossana Lott Rodrigues Reitora

Vice-Reitora

Diretora Conselho Editorial

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Londrina

2012

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Catalogação elaborada pela Divisão de Processos Técnicos da Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina.

Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP)

Impresso no Brasil / Printed in Brazil Depósito Legal na Biblioteca Nacional 2012

Direitos reservados à

Editora da Universidade Estadual de Londrina Campus Universitário Caixa Postal 6001 86055-900 Londrina – PR Fone/Fax: 43 3371 4674 e -mail: [email protected] www.uel.br/editora

S237j Santos, Gisele Franco de Lima.

Jogos tradicionais e a Educação Física / Gisele Franco de Lima Santos. – Londrina : EDUEL, 2012.

198 p. : il. Inclui bibliografía. ISBN 978-85-7216-619-5

1. Jogos – Educação Física. 2. Educação física – Estudo e ensino. 3. Cultura – História. 4. Educação básica. 5. Formação de professores. 6.Jogos – História. I. Título.

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Sumário

Prefácio • 7 Introdução • 9

O jogo na história da civilização • 15 Jogo e educação • 33

Os jogos tradicionais nas aulas de educação física • 61

Os jogos tradicionais de tabuleiro: da antiguidade à modernidade • 131 Intervenção pedagógica nas aulas de educação física • 179

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Prefácio

Iniciaremos este prefácio apresentando nosso contentamento e alegria do quanto estamos honrados em fazê-lo. Queremos dizer com isso que, para nós, é lúdico participar desse momento importante para a Professora Gisele e para a área educacional.

O que leva uma pessoa, com tantas qualidades, principalmente acadêmicas, interessar-se pelo assunto jogo, a ponto de produzir uma obra colocando-o no centro de suas discussões? Uma pessoa que já há algum tempo tem no jogo fonte de preocupação acadêmica e compromisso educacional cidadão? Com certeza demonstra o prazer pela construção e pela participação no processo. Representa a busca constante pela autonomia, quer intelectual, quer sociocultural. Representa que o medo de errar não provoca omissão ou recusa para aceitar desafios. Representa ousadia. Gostar de viver perigosamente.

O jogo, como se pode observar neste livro, esteve e estará sempre presente em nossas relações. As relações que estabelecemos com ele e por meio dele demonstram que somos seres que jogamos o tempo todo. O jogo somos nós em plena operação, a qual é entendida como ação intencional, cuja natureza esta intrínseca nela mesma, nada querendo além de manifestar a humanidade que a nós é inerente. O jogo não se faz, ele é. Pelo fato de estar presente, culturalmente, no ontem, no hoje, a autora sustenta a tese de que no futuro ele também será destacado. Sua dimensão simbólica nos faz compreendê-lo como um dos elementos do nosso ser-estar-fazer-querer-sentir no mundo.

A apropriação do jogo pela sociedade e sua transmissão às gerações esta presente no livro como merecida e necessária.

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8 Jogos tradicionais e a educação física

Encontra-se, neste livro, a valorização do jogo, um forte argumento em seu favor quando pensado como elemento civilizador e educacional. Considerando-o desinteressado, organizado e altamente sério derruba, também, teses de que é apenas uma atividade improdutiva e infantilizada.

A autora argumenta que cabe à escola parcela de responsabilidade nessa tarefa de transmissão do jogo. Nesse processo, o jogo deve ser considerado integrante das dimensões educacionais e socializadoras nas práticas culturais. Também compete à escola a didatização desse elemento sociocultural, para que se conheça sua forma de jogar, favorecendo a construção de outras formas de operacionalização, entendimento e experiências, que, quando coletiva e significativamente vividas, transformam-se em momentos de desenvolvimento pessoal, social e intelectual, com atribuição de sentidos e significados.

Ao acentuar a responsabilidade e preocupação com o processo de escolarização do jogo, coloca em destaque sua área, a Educação Física, sem, entretanto, desconsiderar que outras áreas também estudam e tem o jogo como forma de produção-criação-reconstrução de saberes e com função educativa.

O livro ainda apresenta jogos que foram e são importantes na vida de muitos de nós e de outras pessoas. Resgata formas e jogos que havíamos esquecido, apresentando outros que somente agora conhecemos.

A preocupação da autora também se prolonga para a formação dos professores, ao apresentar sua experiência como docente pesquisadora, mostrando alguns exemplos de aulas, os quais, com certeza, fazem dela a pessoa e profissional que é hoje. Socializa o que sabe, demonstrando, suficientemente, que uma das principais características do professor-formador e educador é o desprendimento epistemológico. Boa leitura!!!

Ângela Pereira Teixeira Victoria Palma José Augusto Victoria Palma

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9 Introdução

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Este livro é o resultado de mais de 20 anos de experiência profissional, que incluem a Educação Física na Educação Básica, a formação inicial em Educação Física com ênfase na Educação, no mestrado em Educação e no doutorado em Educação.

Nesta obra tenho a oportunidade de apresentar duas temáticas que me motivam a continuar pesquisando e ensinando: a Educação Física e o Jogo. Na Educação Básica tive a oportunidade de incentivar a busca por uma Educação Física que atendesse aos objetivos educacionais vigentes e utilizar o jogo, tanto na perspectiva de recurso pedagógico, como conteúdo curricular. Por isso, o que está aqui descrito não é fruto de um sonho utópico, mas sim o relato de experiências bem-sucedidas no ensino público.

Na formação inicial, no curso de Licenciatura em Educação Física, tive possibilidade de ensinar sobre as bases teóricas e metodológicas do jogo, bem como sobre a perspectiva educacional deste no ambiente escolar. Ensinar o futuro professor de Educação Física em uma perspectiva não tradicional, apresentando o ensino ou a utilização do jogo dentro de uma visão mais realista de sala de aula, é uma tarefa complexa, mas, além de prazerosa, totalmente viável, comprovada em várias publicações no país. Uma demonstração deste processo pode ser observada nas produções científicas que estão presentes nas edições do Congresso Norte Paranaense de Educação Física Escolar (CONPEF), promovido pelo Departamento de Estudos do Movimento Humano da Universidade Estadual de Londrina, que em 2011 celebrou sua 5ª edição.

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12 Jogos tradicionais e a educação física

A experiência como pesquisadora proporcionou-me uma “viagem” pela história da civilização, na qual pude buscar respostas para inquietações sobre a origem do jogo e sua trajetória histórica pelo mundo atualmente. Primeiramente, a pesquisa foi realizada sobre o papel do jogo na educação da criança no início dos tempos modernos, para posteriormente destacar a transformação do jogo como reflexo do processo de civilização da humanidade, da antiguidade até os dias de hoje.

Estas experiências me levaram a inquietações sobre a possibilidade de elaborar uma obra, na qual os professores e os estudantes de Educação Física tivessem oportunidade de esclarecer suas dúvidas e buscar algumas respostas. Apesar de o conteúdo presente neste livro ser conhecido por muitas pessoas, não há uma obra atualizada que reúna tais conhecimentos.

Durante a leitura do livro, você irá se deparar com várias menções sobre Os Melhores Jogos do Mundo publicado em 1978. Esta obra faz parte de uma coleção, que hoje é encontrada completa apenas em empresas ou com pessoas que trabalham com coleções raras. Esta coleção, quando completa, é composta por 27 fascículos sobre os jogos por todo o mundo e um livro pequeno, que contém todas as regras dos diferentes tipos de jogos. Apresenta também uma caixa dividida em três partes contendo vários tabuleiros e peças de diversos jogos. Neste livro, estão reunidos vários jogos tradicionais, o qual apresenta sua origem, forma básica de jogo e imagens, tanto contemporâneas à época quanto obras de arte que representavam o jogo em diferentes períodos históricos.

Contudo, vários outros jogos que apresento neste aqui não estão contemplados no texto dos Melhores Jogos do Mundo, fato que nos levou a procurar outras fontes para pesquisa. Porém, ao pesquisar sobre jogos tradicionais, é comum nos depararmos com certa dificuldade em se encontrar fontes fidedignas que confirmem os dados sobre cada jogo tradicional, o que se torna um obstáculo para os professores de Educação Física e outros profissionais da área da Educação, que têm dificuldades, seja por falta de

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13 Introdução tempo, de qualificação ou de motivação, para realizar uma vasta pesquisa a fim de encontrar as informações que desejam.

Ao falar de jogo tradicional e relacioná-lo à Educação Física escolarizada, criamos uma oportunidade de analisar as mudanças que têm acontecido com a área nos últimos anos. Tais mudanças refletem a necessidade de que a Educação Física (escolar) construa uma identidade legítima diante da sociedade, de tal forma que seja compreendido o significado da disciplina na formação do cidadão, tanto no presente quanto no futuro. A falta de entendimento sobre o papel da disciplina de Educação Física na escola pode ser vista na aversão que um grande número de pessoas, fora da faixa etária da infância, apresenta ao perguntarmos sobre como eram ou são as suas aulas. A Educação Física precisa ser obrigatória no currículo escolar não por força de lei, mas pela compreensão de seu papel na educação.

No contexto desta, enquanto área de conhecimento e não área de atividade, o jogo tradicional é apresentado como parte integrante da história da humanidade e da cultura de nosso país. Dessa forma, o jogo tradicional é pensado como um conteúdo curricular, um conhecimento que deve ser ensinado aos estudantes, muito além da reprodução de ações motoras e habilidades. Precisamos ir além do fazer pelo fazer, contribuindo para que nossos alunos se detenham no saber fazer, evidenciando assim a compreensão do fenômeno, as suas diferenças culturais e a diversidade que cada aluno pode apresentar sobre este.

Nesse sentido, o jogo tradicional nas aulas de Educação Física deve ser valorizado na perspectiva de construção de conhecimento, de reelaboração, de levantamento e testagem de hipóteses que destacam a relação da abstração da ação com a sua realização. O aluno faz a ação e ao mesmo tempo pensa sobre ela. Assim, o professor torna-se fundamental neste processo, no qual as interações e intervenções são propiciadas a todo instante nas aulas de Educação Física.

Referências

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