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4.º TESTE DE AVALIAÇÃO VERSÃO A

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Academic year: 2021

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Português 9.º Ano 2014 /2015

4.

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VERSÃO

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RUPO

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EITURA

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ITERÁRIA E

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SCRITA

)

PARTE A

Lê o texto. Em caso de necessidade, consulta as notas e o vocabulário apresentados.

A costa do coral

Em tempos, a Península Ibérica foi uma ilha em latitudes mais próximas do equador. Em terra, reinavam os dinossauros. No mar, havia corais.

Antigamente, alguns pescadores, no Pontal da Carrapateira, costumavam entreter os turistas mais crédulos com uma lenda de monstros marinhos. Contavam eles que, em certos dias do ano, emergiam das águas desta aldeia no concelho de Aljezur monstros marinhos capazes de jorrar água até ao céu. A lenda 5

não é despicienda1. Terá sido inspirada pelas rotas de cetáceos2 que por aqui passavam há algumas

gerações e pelas arribas3 que delimitam a maioria das praias, repletas de fósseis que remetem para o

passado marinho da aldeia algarvia.

O geólogo alemão Stefan Rosendahl já aqui esteve dezenas de vezes. Chegou a Portugal em 1983 para concluir o doutoramento em ambientes coralíferos do Jurássico superior e nunca mais partiu. Docente de 10

Biónica4, possui uma narrativa já testada para ultrapassar a estranheza de muitos interlocutores quando lhes

conta que existiram corais na Carrapateira.

«Não pense nos recifes5 em forma de cúpula dos documentários. Aqui existia um tapete plano de corais»,

diz. «O nível da água era muito estável. Quando ele aumenta ou o fundo desce, os corais formam cúpulas. Aqui não sucedia isso. Os corais estariam sempre sob o nível da maré, em zonas com luminosidade, em 15

simbiose6 com as algas, que lhes forneciam energia e oxigénio», afirma o geólogo alemão.

As provas desse passado ainda existem. No topo das arribas, enterrados na areia fina ou incrustados na rocha, há milhares de fragmentos de coral. «No final do Jurássico, esta porção de terra estava em latitudes mais a sul, equivalentes às das atuais Caraíbas», explica Stefan Rosendahl. «Na Alemanha também havia corais. Já pensou nisso? Corais tropicais no norte da Alemanha? Toda esta região ficava mais perto do 20

equador do que hoje. As temperaturas do mar e da superfície eram superiores às atuais. No que hoje chamamos Carrapateira, existiria uma zona costeira tropical com uma planície de coral adjacente. As águas cristalinas e quentes estariam repletas de seres típicos dos mares tropicais», acrescenta. Pela região, deambulavam invertebrados, como as estrelas-do-mar, os ouriços-do-mar, as amêijoas ou os búzios, pequenos vertebrados e até grandes vertebrados, como os dinossauros.

25

A erosão tem feito ruir grandes blocos de rocha diretamente para o mar. Os corais voltam assim novamente para dentro de água, mas, desta vez, em «versão fóssil». Em pleno Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, vastas áreas do fundo marinho são hoje constituídas por grandes blocos de rocha.

Muito mudou desde então na Terra. A Ibéria deslocou-se para norte. O nível do mar subiu e desceu ao 30

longo destes milhões de anos. Os movimentos verticais das placas7 facilitaram a dispersão dos depósitos de

planícies de corais desde o topo da falésia até perto da linha de água.

Voltamos a olhar para a falésia. Ali estão, imóveis, alguns milhões de anos, ao alcance de uma curta escalada de dez minutos.

Luís Quinta, National Geographic, agosto de 2011 (texto adaptado) VOCABULÁRIO E NOTAS

1 despicienda – desprezável.

2 cetáceos – mamíferos adaptados ao meio aquático, de aspeto pisciforme, como as baleias. 3 arribas – zonas rochosas escarpadas e íngremes, na costa; falésias.

4 Biónica – ciência que estuda mecanismos biológicos, com vista ao desenvolvimento tecnológico e à aplicação industrial.

5 recifes – formações que resultam do crescimento de colónias de pólipos de corais.

6 simbiose – associação entre dois organismos de espécies diferentes, com benefício para ambos. 7 placas – placas tectónicas.

(2)

Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.

1. As afirmações apresentadas de (A) a (G) baseiam-se em informações do texto sobre a história da zona da

Carrapateira.

Escreve a sequência de letras que corresponde à ordem pela qual essas informações aparecem no texto. Começa a sequência pela letra (C).

(A) Os corais fossilizados nas rochas voltam ao mar, por efeito da erosão, a qual provoca a queda de

grandes blocos de rocha.

(B) Os fragmentos de coral que podem ser encontrados aos milhares no topo das arribas, na areia fina e nas

rochas são provas de ter existido uma zona costeira tropical.

(C) A Península Ibérica, no Jurássico superior, foi uma ilha com uma costa coralífera. (D) Os movimentos verticais das placas contribuíram para espalhar os vestígios de corais.

(E) Os corais que existiram no Jurássico superior não apresentavam a forma de cúpula a que normalmente

se associam estes organismos.

(F) As antigas rotas de cetáceos e as arribas repletas de fósseis terão inspirado uma lenda de monstros

marinhos.

(G) As estrelas-do-mar, os ouriços-do-mar, as amêijoas e os búzios são exemplos de seres que coexistiram

com os corais.

2. Seleciona, para responderes a cada item (2.1. a 2.4.), a única opção que permite obter uma afirmação

adequada ao sentido do texto.

Escreve o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

2.1. Pela leitura do texto, pode afirmar-se que

(A) as lendas de monstros marinhos contadas por pescadores se inspiravam nas rotas de cetáceos

provenientes das Caraíbas.

(B) os fósseis de corais das arribas da Carrapateira são de organismos contemporâneos dos dinossauros. (C) os blocos de rocha do fundo marinho do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina têm

fósseis de dinossauros.

(D) as regiões atualmente correspondentes à Península Ibérica e à Alemanha eram, no Jurássico superior,

uma única ilha.

2.2. A expressão «monstros marinhos capazes de jorrar água até ao céu» (linha 5) contém uma (A) antítese.

(B) comparação. (C) hipérbole. (D) personificação.

2.3. Com a sua «narrativa já testada» (linha 11), o geólogo alemão Stefan Rosendahl pretende (A) explicar convincentemente a existência de fósseis de corais.

(B) convencer os seus interlocutores da veracidade de lendas de cetáceos. (C) divulgar documentários científicos sobre a história do Jurássico superior. (D) colocar hipóteses relativamente à existência de dinossauros.

2.4. Na frase «Ali estão, imóveis, alguns milhões de anos, ao alcance de uma curta escalada de dez

minutos.» (linhas 33 e 34), destaca-se a

(A) imobilidade dos fósseis do Jurássico superior. (B) proximidade de vestígios de um passado longínquo. (C) rapidez com que é possível escalar as falésias. (D) transformação rápida por que passa a arriba fóssil.

3. Seleciona a opção que corresponde à única afirmação falsa, de acordo com o sentido do texto.

Escreve o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

(A) O pronome «eles» (linha 4) refere-se a «alguns pescadores». (B) O pronome «lhes» (linha 11) refere-se a «muitos interlocutores». (C) O pronome «ele» (linha 14) refere-se a «O nível da água».

(3)

PARTE B

Lê o texto. Em caso de necessidade, consulta as notas e o vocabulário apresentados.

Palácio do conde de Vidigueira. D. Vasco da Gama1, a condessa D. Maria de Ataíde, Luís de Camões, frei Manuel da Encarnação, aias, moços de câmara.

CONDE DE VIDIGUEIRA

(A quem um criado veio dar um recado em voz baixa)

Trá-lo cá. (Para a condessa.) Vem aí Luís Vaz de Camões saber a resposta à sua carta. (Para os outros.) 5

Não vos retireis, que o negócio é de pouca monta2 e nenhum segredo...

LUÍS DE CAMÕES

(À entrada)

Senhor conde... (Faz vénia, depois repete-a na direção da condessa.) Senhora condessa... CONDE DE VIDIGUEIRA

10

Entrai, senhor Luís Vaz.

LUÍS DE CAMÕES

Recebi o vosso recado, senhor conde. Vossa Mercê mandou-me chamar, aqui estou... Posso esperar que tenhais lido a minha carta e as oitavas que juntei?

CONDE DE VIDIGUEIRA 15

Li a carta e os mais papéis que vieram com ela. Dizei por claro o que pretendeis. LUÍS DE CAMÕES

Senhor conde, a carta pedia a vossa proteção para as oitavas que por cópia estão em vossas mãos e para as irmãs delas que em minha casa ficaram. Disse-vos que é uma obra composta sobre os feitos dos portugueses e a navegação para a Índia, em que esteve vosso avô como capitão-mor.

20

CONDE DE VIDIGUEIRA

Decerto não quereis contar-me a história da minha família. (Risos das aias.) LUÍS DE CAMÕES

Não poderia ser essa a minha intenção. Vossa Mercê mandou que por claro me explicasse. CONDE DE VIDIGUEIRA

25

Mas não para vos ouvir repetir a carta nem os versos. Abreviemos. LUÍS DE CAMÕES Espero a resposta de Vossa Mercê.

CONDE DE VIDIGUEIRA

Por escrito a receberíeis, mas em atenção à memória de meu avô e de meu pai, a quem sucedi nesta casa 30

da Vidigueira, mandei-vos chamar. Pedis proteção na vossa carta. Que proteção é a que esperais? LUÍS DE CAMÕES

A que for justa para a minha obra e digna da memória do vosso antepassado.

José Saramago, Que Farei com Este Livro?, Lisboa, Caminho, 1980 VOCABULÁRIO E NOTAS

1 D. Vasco da Gama – terceiro conde de Vidigueira, neto do navegador Vasco da Gama. 2 monta – importância.

Responde, de forma completa e bem estruturada, aos itens que se seguem.

4. Identifica as personagens referidas na indicação cénica «(Para os outros.)» (linha 5).

5. Indica a que se refere Luís de Camões com as expressões «oitavas» (linha 18) e «obra composta sobre os

feitos dos portugueses e a navegação para a Índia» (linhas 19 e 20). Justifica a tua resposta.

6. Relê as linhas 17 a 20.

(4)

7. Na sua quarta fala, o conde de Vidigueira afirma: «Decerto não quereis contar-me a história da minha

família.» (linha 22).

Explica estas palavras do conde, evidenciando a sua intenção ao proferi-las.

8. Lê o comentário seguinte.

Pela leitura das falas do conde de Vidigueira, percebe-se que ele não vai conceder a proteção pedida por Luís de Camões.

Apresenta dois argumentos a favor deste comentário, considerando as falas do conde ao longo do texto.

G

RUPO

II

(G

RAMÁTICA

)

Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações dadas.

1. Associa a cada função sintática da coluna A uma única frase da coluna B, de modo a identificares a

expressão sublinhada que corresponde a cada função sintática.

Escreve as letras e os números correspondentes. Utiliza cada letra e cada número apenas uma vez.

COLUNA A COLUNA B

(a) sujeito

(b) modificador restritivo do nome (c) predicado

(d) predicativo do sujeito (e) complemento direto

(1) Os espetadores consideraram esta peça inesquecível. (2) Apareceram muitos espetadores na estreia da peça. (3) Já venderam todos os bilhetes?

(4) Entrai, senhor Luís Vaz.

(5) Ainda hoje alguns aspetos da biografia de Camões

permanecem misteriosos.

(6) Todos os portugueses conhecem esta obra de Camões. (7) Camões é o autor de uma obra magnífica.

(8) Camões enviou uma carta pedindo-lhe proteção.

2. Completa cada uma das frases seguintes com a forma do verbo apresentado entre parênteses, no

tempo e no modo indicados.

Escreve a letra que identifica cada espaço, seguida da forma verbal correta.

Pretérito perfeito simples do indicativo: Os atores dessa peça __a_)_ (obter) grande reconhecimento do

público pelo seu trabalho.

Futuro simples do indicativo: A representação dessa peça __b_)_ (trazer) muito sucesso à companhia de

teatro.

Pretérito imperfeito do conjuntivo: Os atores esperaram que os espectadores __c_)_ (parar) de aplaudir. Futuro simples do conjuntivo: Se essa companhia de teatro __d_)_ (vir) a Portugal, quero assistir ao seu

espetáculo.

3. Classifica as orações sublinhadas nas frases seguintes e indica as funções sintáticas desempenhadas por

cada uma delas:

a) O livro que requisitei ontem tem uma capa azul.

b) Este livro, que tem a capa azul, é uma peça de teatro sobre Camões. c) O professor explicou que a história do livro era ficcional.

4. Classifica a forma verbal sublinhada na frase seguinte, indicando pessoa, número, tempo e modo.

Luís de Camões enviara uma carta ao conde de Vidigueira pedindo-lhe proteção.

5. Em cada um dos itens, seleciona a frase que contém a oração indicada. Escreve o número do item (5.1.

a 5.4.) e a letra que identifica a opção escolhida.

5.1. Qual das frases complexas seguintes contém uma oração subordinada concessiva?

a) Desde que haja bilhetes suficientes, podemos levar todos os alunos à estreia do espetáculo. b) Logo que haja bilhetes suficientes, podemos levar todos os alunos à estreia do espetáculo. c) Visto que o preço dos bilhetes é elevado, não posso assistir à estreia desse espetáculo. d) Ainda que o preço dos bilhetes seja elevado, não posso perder a estreia desse espetáculo.

(5)

VOCABULÁRIO E NOTAS:

1Estelífero Polo – céu cheio de estrelas. 2claro Assento – morada cheia de luz.

3Fados – destino.

4Assírios, Persas, Gregos e Romanos

grandes impérios da Antiguidade.

5troféus pendentes da vitória – os despojos

da batalha em que se alcançara a vitória e que ficavam pendurados nos ramos das árvores.

5.2. Qual das frases complexas seguintes contém uma oração subordinada consecutiva?

a) Poupei dinheiro durante dois meses para que pudéssemos assistir à estreia deste espetáculo. b) O preço dos bilhetes é tão elevado que poupei dinheiro durante dois meses.

c) A expetativa que rodeia este espetáculo justifica o elevado preço dos bilhetes. d) Ele afirmou que o preço dos bilhetes era exagerado.

5.3. Qual das frases complexas seguintes contém uma oração coordenada adversativa? a) Gostaria de assistir à estreia da peça, mas o preço dos bilhetes é demasiado elevado. b) Fui assistir à estreia desta peça e gostei muito do trabalho dos atores.

c) Como o preço dos bilhetes é elevado, não posso assistir à estreia desta peça. d) Se tivesse poupado, poderia assistir à estreia desta peça.

5.4. Qual das frases complexas seguintes contém uma oração subordinada temporal? a) Como poupei dinheiro, pude assistir à estreia desta peça.

b) Se não tivesse poupado dinheiro, não teria podido assistir à estreia desta peça. c) Espero que os bilhetes para a estreia desta peça não tenham esgotado.

d) Assim que tiver poupado dinheiro suficiente, comprarei os bilhetes para a estreia desta peça.

G

RUPO

III

(E

SCRITA

)

Lê as estrofes 24 e 25 do Canto I de Os Lusíadas a seguir transcritas. Em caso de necessidade, consulta as notas e o vocabulário apresentados.

“Eternos moradores do luzente,

Estelífero

1

Polo e claro Assento

2

:

Se do grande valor da forte gente

De Luso não perdeis o pensamento,

5 Deveis de ter sabido claramente

Como é dos Fados

3

grandes certo intento

Que por ela se esqueçam os humanos

De Assírios, Persas, Gregos e Romanos

4

.

Já lhe foi (bem o vistes) concedido,

10 Cum poder tão singelo e tão pequeno,

Tomar ao Mouro forte e guarnecido

Toda a terra que rega o Tejo ameno;

Pois contra o Castelhano tão temido

Sempre alcançou favor do Céu sereno.

15 Assim que sempre, enfim, com fama e glória,

Teve os troféus pendentes da vitória

5

.

Escreve um texto expositivo, com um mínimo de 80 e um máximo de 140 palavras, no qual explicites o conteúdo das estrofes 24 e 25.

O teu texto deve incluir uma parte introdutória, uma parte de desenvolvimento e uma parte de conclusão. Organiza a informação da forma que considerares mais pertinente, tratando os sete tópicos apresentados a seguir.

a) Indicação do episódio a que pertencem as estrofes.

b) Identificação da personagem que profere as palavras destas estâncias e das personagens a quem se dirige.

c) Referência à expressão que designa o herói de Os Lusíadas. d) Explicação do sentido dos versos 6 a 8.

e) Explicitação das vitórias alcançadas pelo povo português e referidas na estância 25. f) Indicação do recurso expressivo presente nos versos 10 e 11.

g) Justificação da importância da reunião a que se referem estas estrofes para a glorificação do herói de

Os Lusíadas.

Bom trabalho! 

Luís de Camões, Os Lusíadas (I,24 e 25),

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