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Vista do GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA:

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43 GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA: A PRESENÇA DO ENFERMEIRO

Amanda Moraes Nogueira Carla Letícia Zotelli Pinheiro Lopes Nathália Vieira Coelho Acadêmicas de Enfermagem pelas Faculdades Integradas Teresa D’ Ávila

Maria Joana de Lima Martins Enfermeira, Professora Titular das Faculdades Integradas Teresa D’ Ávila Mestranda em Educação pela Universidade Del Salvador (USAL) Buenos Aires

Valdinéa Luiz Hertel Enfermeira, Professora Titular das Faculdades Integradas Teresa D’Ávila Mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas

RESUMO

A gravidez na adolescência é considerada de risco por ser perigosa e inadequada. O organismo não está devidamente preparado para gerar um bebê, tanto por questões físicas, como emocionais. Na maioria das vezes afeta meninas de baixa renda com condições precárias de moradia e saúde. Nossos objetivos nesta pesquisa foram: verificar o que as adolescentes sabem sobre o trabalho do enfermeiro, identificar a presença do enfermeiro no pré - natal através da ótica delas e analisar a caracterização sócio demográfica das adolescentes. O presente estudo foi de abordagem quantitativa, exploratória e descritiva. Foi fundamentada na análise de coleta de dados por meio de cinco questionários aplicados, após autorização dos responsáveis e aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa das Faculdades Integradas Teresa D’ Ávila de Lorena – SP, em adolescentes na faixa etária de 13 a 17 anos que estavam no período gestacional. Elas eram estudantes de três escolas estaduais, localizadas em dois municípios do interior de São Paulo. Os resultados deste estudo mostram que as adolescentes possuíram expressiva adesão ao pré-natal, reconhecendo que o atendimento ministrado pelo enfermeiro foi de grande valia, mesmo que nem todas as informações tenham sido

(2)

44 passadas por este profissional. Este artigo contribuiu para entender o quanto o trabalho realizado pelo enfermeiro junto a adolescente gestante é essencial, pois colabora diretamente com a comunidade, uma vez que a gravidez precoce aumenta a cada dia, sendo assunto polêmico na saúde pública.

PALAVRAS CHAVES:

Gravidez na Adolescência, Saúde do Adolescente, Enfermagem Pediátrica.

ABSTRACT

Teenage pregnancy is considered a risky because it is dangerous and inappropriate. The body is not properly prepared for conceiving a child, body physical and emotional issues. Most often affects low-income girls with poor housing and health. Our objectives in this research were: check what teenagers know about the work of nurses, identify the presence of the nurse in prenatal care through sight of them and analyze the sociodemographic characteristics of the same.This study was a quantitative approach, exploratory and descriptive. Based on analysis of the data collection through a five questionnaires applied, after permission of the managements and approved by the Ethics and Research Committee of the International College of Teresa of Avila Lorena - SP, in teenagers aged 13-17 years who were in gestation. They were students of three state schools located in two municipalities in the state of São Paulo.The results of this study shows that adolescents had significant adherence to prenatal care, recognizing that the care given by nurses was of great value, even if not all the information was given by this professional.

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45 This article helped to understand how the work done by the nurse with the pregnant adolescent is essential, because it collaborates directly with the community, since the early pregnancy increases with each day being controversial issue in public health.

KEYWORDS:

Pregnancy during Adolescence, Teenager’s health, Pediatric Nursing

INTRODUÇÃO

A gravidez na adolescência é considerada de risco, por ser perigosa e inadequada, pois o organismo não está devidamente preparado para receber um bebê, tanto por questões físicas, como emocional, e afeta na maioria das vezes, meninas de baixa renda, com condições precárias de moradia e saúde.

Frente a essa situação, uma alternativa bastante procurada por elas é o aborto induzido, utilizando-se de meios escusos para essa prática ilegal. Por achar que não conseguirão apoio familiar, financeiro e o amparo do companheiro usam deste meio para se livrarem- dessa nova culpa.

Estima-se que, dos 19 milhões de abortos realizados anualmente no mundo, de 2 a 4 milhões ocorram com adolescentes (1).

A gravidez inicia-se quando um espermatozoide fecunda um óvulo, e após sucessivas divisões celulares o zigoto fixa-se na parede uterina. Após esse processo, inicia–se a gestação que dura em média de 40 a 42 semanas (nove meses) aproximadamente, podendo ter um ou mais fetos, como nas gestações gemelares (2).

A puberdade é uma etapa do desenvolvimento humano que compreende mudanças biológicas, o que para alguns caracteriza uma época conflituosa. E devem ser consideradas a transição da infância para idade adulta e todas as transformações rápidas que ocorrem neste período.

É uma fase em que surgem modificações corporais e sexuais. Esse desenvolvimento é percebido com o aumento dos seios, dos quadris, aparecimento de pelos e menstruação e se dá por fatores hormonais e de crescimento. Neste momento da vida, há uma procura por prazer, autoconhecimento e formação de personalidade, portanto, torna-se fácil a ocorrência de conflitos. Uma dessas conflagrações é o acontecimento de uma gravidez precoce (3).

(4)

46 A adolescência compreende o período entre 10 e 19 anos de idade, subdividido em adolescentes menores (de 10 a 14 anos) e adolescentes maiores (de 15 a 19 anos) (4). “A vida sexual dos adolescentes é uma realidade inegável, o que torna imprescindível sua conscientização e orientação, com a finalidade de serem evitadas gravidezes não planejadas. A falta de informações sobre métodos anticoncepcionais é um fator alarmante, pois o número de gravidez na adolescência, além de estar se elevando, traz muitas complicações que recairão não somente sobre os adolescentes, especialmente as mulheres, bem como em toda sociedade” (5).

Nesse estágio da vida uma gravidez pode ter proporções imensas, pois ao invés do equilíbrio, existe uma condição de crise e mudanças.

É uma época em que ocorre uma maior probabilidade de a adolescente sofrer danos no aspecto individual, que vêm com o aparecimento de limitações, responsabilidades, mudanças físicas e psicossociais.

Hoje em dia, considera-se a gravidez entre as adolescentes um problema de saúde pública, por ocorrerem com frequência em diversas classes sociais e entre diversificadas culturas e regiões do país e do mundo.

Quando a gestação ocorre na adolescência, o problema se potencializa. A situação da pobreza se soma à falta de estrutura emocional da jovem grávida, que muitas vezes não conta com o apoio do pai da criança ou da própria família. (6)

Neste sentido surge a pergunta: onde o adolescente busca orientação? Os adolescentes de uma forma geral buscam orientações com os amigos. Entre os homens essa frequência é maior, já as mulheres buscam orientação com suas mães, pais e outros familiares.

Há também a prevalência de conversas sobre sexo entre os adolescentes, na escola, com promotores de educação sexual entre adolescentes, que já haviam participado de ações educadoras.

Analisando o fato de que essas adolescentes não têm um local específico para buscarem informações sobre seu estado gestacional, muitas vezes alarmante, nota-se que o enfermeiro pode ser a chave essencial para assistir esse grupo tão peculiar, assegurando à gestante adolescente seu direito ao pré – natal e à diminuição de sua ansiedade, nesse momento delicado, bem como à detecção de agravos que podem levar ao risco de sua vida e do neonato.

(5)

47 Dentre as atribuições do enfermeiro, destaca-se a importância do acompanhamento no pré-natal, em que a finalidade será proporcionar à gestante o cuidado desde o início da gravidez até o puerpério, garantindo a humanização no processo parto-nascimento (7).

Segundo o Censo em um Município do Interior do Estado de São Paulo, no Vale do Paraíba, a proporção de gestantes sem acompanhamento no pré-natal em 2011 foi de 2,9%, sendo que 99,8% dos nascidos vivos tiveram seus partos acompanhados por profissionais capacitados. E o percentual de mães com faixa etária inferior a 20 anos foi de 18,3% no ano de 2009 (8).

OBJETIVOS

 Verificar o que as adolescentes sabem acerca do trabalho do enfermeiro.

 Identificar a presença do enfermeiro no pré-natal, através da ótica das adolescentes.

 Averiguar a caracterização sócio-demográfica das adolescentes.

MARCO CONCEITUAL

Gravidez

A gravidez é um estado que ocorre com a fecundação de um óvulo pelo espermatozoide. Esse processo gera um feto que fica alojado no útero, durante cerca de 9 meses, até o momento de nascer.

Este período acarreta inúmeras mudanças no organismo feminino, como o aumento de hormônios, a distensão uterina e as alterações metabólicas.

Há modificações em diversas partes do corpo, como por exemplo, os seios, que se tornam mais volumosos e com as auréolas escurecidas, e através das glândulas mamárias produzem o colostro materno, rico em anticorpos e vitamina A.

Na pele surgem o cloasma e a linha nigra abdominal; o coração e vasos sanguíneos aumentam a sua atividade, e consequentemente, ampliam a circulação.

(6)

48 Como o coração e o útero têm o seu volume aumentado, acabam exercendo uma compressão sobre o tórax, que faz com que a capacidade do pulmão de exercer sua função seja diminuída, o que é compensado pelo aumento da caixa torácica.

A idade gestacional é contada a partir do primeiro dia após a fecundação. Com a dificuldade encontrada em relação a este dado, é utilizado o método de contagem pela data da última menstruação (DUM). É necessário ainda confirmar esta informação por exames de ultrassonografia (11).

Adolescência

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a adolescência compreende o período entre 10 e 19 anos e, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, consideram o período de 10 a 18 anos.

Estima-se que haja no mundo 1 bilhão de pessoas vivenciando essa fase, o que soma 20% da população. No Brasil, são contabilizados 34 milhões, totalizando uma parcela de 21,84% da população total do país (12).

A adolescência é um período transicional entre a infância e a idade adulta, quando o desenvolvimento sexual torna-se crucial para o amadurecimento do indivíduo em direção à sua identidade como adulto e inserção social (13).

Aparecem profundas mudanças, destacadas principalmente pelo rápido crescimento, o aparecimento das características sexuais secundárias, o descobrimento da sexualidade, constituição da personalidade do individuo e adaptação ambiental e integração social (14).

Risco de gravidez na adolescência

Na adolescência, a gravidez tornou-se um problema de saúde pública, causando complicações obstétricas, que se podem manifestar na mãe e no recém-nascido, como problemas psicossociais e econômicos.

“Quanto à evolução da gestação, existem referências à maior incidência de anemia materna, doença hipertensiva específica da gravidez, desproporção céfalo-pélvica, infecção urinária, prematuridade, placenta prévia, baixo peso ao nascer, sofrimento fetal agudo intra-parto, complicações no parto (lesões no canal de parto e

(7)

49 hemorragias) e puerpério (endometrite, infecções, deiscência de incisões, dificuldade para amamentar, entre outros)” (14)

.

TRAJETÓRIA METODOLÓGICA

Esta parte da pesquisa engloba os aspectos relacionados com: o cenário do estudo, caracterização do local de estudo, delineamento metodológico, participantes, natureza da amostra e amostragem, instrumento de coleta de dados, estratégias de análise de dados, assim como os preceitos éticos da pesquisa.

Cenário do Estudo

Foram selecionadas para este estudo, duas cidades, ambas do interior de São Paulo, pela facilidade em encontrar adolescentes grávidas, que se encaixam no perfil proposto da pesquisa.

A primeira é um município brasileiro do Estado de São Paulo, na Mesorregião do Vale do Paraíba. Localiza-se a uma latitude 22º43’51 Sul e a uma longitude 45º07’29”. Oeste, estando a uma altitude de 524 metros. Sua população estimada em 1 de julho de 2005 era de 82.854 habitantes, e sua área que era de 470 km², passou a ser de 395,776 km² após a emancipação política de Canas-SP, seu último distrito. A densidade demográfica é de 211,4 hab/km² (15).

A cidade tem origem num povoado construído no final do século XVII, conhecida como Vila de Guaypacaré em 1705. Do ponto de vista administrativo, a freguesia foi criada em 1718 e o município em 1788. Lorena foi elevada à cidade em 1856 (15).

O segundo município tem seu nome de origem Tupi-Guaraní guará=garça, tinga=branca, eta=muito, que significa “Muitas Garças Brancas”. Dia 13 de junho de 1630, data dedicada ao Santo Padroeiro, marca a fundação da cidade, pela construção da capela "erguida em palha e parede de mão".

(8)

50 O século XX, que presencia o esgotamento das terras, enxerga também os novos focos econômicos: pecuária extensiva, industrialização e fomento comercial. Emerge uma "nova" comunidade, com a Escola de Especialistas de Aeronáutica, depois o campus da Unesp – Faculdade de Engenharia, o Senac e, mais recentemente, a FATEC – Faculdade de Tecnologia.

O desenvolvimento da cidade tem no Turismo uma de suas âncoras e, no século XXI, a religiosidade já manifestada na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, com sua água abençoada atraindo peregrinações, ganha o novo impulso da devoção a Frei Galvão, além dos templos religiosos que reúnem arquitetura, arte, beleza e fé, desde o século XVIII.

O Turismo também encontra no meio rural seus mais propícios meios, tanto pela exuberância da beleza das encostas da Mantiqueira, quanto pela vida rural que se expressa no caminho para o mar. No perímetro urbano, arquitetura e cultura, fundindo o passado e o presente, são os marcos que expressam a tradição e suas festas anuais que reverenciam sua própria história (16).

Caracterização do Local de Estudo

A Escola Estadual fica localizada em um município do interior de São Paulo, tem um amplo espaço de ensino para seus alunos desenvolverem no estudo, e no dia a dia de suas vidas, sendo assim bem direcionados para ter um futuro próspero. A escola estadual tem em média 103 funcionários para atenderem aos alunos de acordo com suas necessidades. (EEPMC, 2014)

Existem sanitários dentro do prédio da escola, ela possui uma cozinha para o preparo dos alimentos, laboratório de informática com todos os equipamentos necessários, laboratório de ciências para aulas de biologia e ciências, sala de leitura, quadra de esportes, sala da diretora, sala dos professores, porém não possui biblioteca para os alunos ,nem sala de atendimento para alunos especiais e nem portadores de alguma deficiência (17).

A escola possui rede de esgoto, saneamento básico e coleta de lixo periódico, não tem projeto para reciclagem de lixo, não tem parque infantil, não tem berçário, não tem sanitários adaptados para alunos com deficiência (17).

A Escola Estadual fica localizada em um município do interior paulista.

Em 1963, havia no bairro a Escola mista da Fazenda do Ipê. Por meio de decretos foi determinada a anexação desta Escola à Escola Fazenda, criando o grupo Escolar, para funcionar em prédio próprio. As aulas tiveram início em 17 de fevereiro

(9)

51 de 1964. No mesmo ano o patronímico da Escola foi oficializado, desta forma passa a ser denominado Grupo Escolar. Personalidade ilustre trabalhou como educador durante 54 anos, ocupando cargos de professor e diretor. Na época da II Guerra Mundial, foi nomeado Prefeito Municipal, exercendo a função com muita competência. O objetivo primordial da escola é possibilitar uma formação básica construída por princípios e valores éticos, morais e solidários que favoreçam a integração social (18).

A escola estadual tem como objetivo programar a educação por meio de palestras e teatros, assistidos pelos alunos. Tem um Blog (registro de rede) da escola onde a comunidade e os alunos enviam dúvidas, programações de eventos etc.

A escola estadual tem em media 67 funcionários para atender aos alunos de acordo com suas necessidades (18).

Existe Alimentação escolar, laboratório de informática, acesso à internet, cozinha para o preparo dos alimentos, sala de leitura, televisão, DVD, computadores, impressoras, quadra de esportes coberta, água filtrada, rede de esgoto, sala da diretora, sala dos professores, mas não possui laboratório de ciências, nem biblioteca , nem programa de reciclagem de lixo , nem parque infantil, nem berçário, nem dependência adequada para alunos com deficiência e sanitário, nem sala de atendimento educacional especializado (18).

Existem 12 computadores para uso dos alunos e 04 computadores para a parte administrativa da escola (18).

Escola estadual no município do Vale do Paraíba, possui alimentação escolar para os alunos, Laboratório de informática, Laboratório de ciências, Acesso à Internet, Internet Banda Larga, Biblioteca, Cozinha, Sala de leitura, Televisão, DVD, Computadores, Impressoras, Dependências adequadas a alunos com deficiência, Água filtrada, Água em rede pública, Sala de diretoria, Sala de professores, Esgoto em rede pública, Energia em rede pública, Coleta de lixo periódica, Sanitário dentro do prédio, Não Possui, Reciclagem de lixo, Parque Infantil, Berçário, Sanitário adequado a alunos com deficiência, Quadra de esporte coberta, Sala para atendimento educacional especializado (19).

Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos - Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos - Ensino Médio (19).

(10)

52 DELINEAMENTO METODOLÓGICO

Este trabalho trata-se de uma pesquisa de campo, exploratória a partir da perspectiva da abordagem descritiva e quantitativa.

Estudo quantitativo segundo Polit, D. F.; Beck, C. T.; Hungler, B. P. (20) é um conjunto de informações necessárias, tais como informação numérica que tem por consequência a mensuração formal e que é analisada com procedimentos estatísticos.

Os pesquisadores quantitativos estão mais próximos da prática positivista, usam o raciocínio dedutivo para gerar ideias que são testadas no mundo real.

Classificamos também a pesquisa de forma descritiva. Segundo Gil, A. C. (21): “As pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população, o fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis (...) Entre as pesquisas descritivas, salientam - se aquelas que têm por objetivo estudar as características de um grupo: sua distribuição por idade, sexo, procedência, nível de escolaridade, estado de saúde física e mental.” (p.42).

A pesquisa exploratória tem como objetivo oferecer maior familiaridade com o problema, a fim de torná-lo mais explicito e constituir hipóteses. Tem como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições. De acordo com Gil, A. C. (21), os principais itens que acercam esse tipo de pesquisa são: levantamento bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências praticas com o problema pesquisado; e análise de exemplos que “estimulem a compressão.”

PARTICIPANTES, NATUREZA DE AMOSTRA E AMOSTRAGEM

Os participantes da pesquisa que fizeram parte da população de interesse foram 05 adolescentes estudantes de escolas estaduais. O número de entrevistadas foi pequeno porque muitas estudantes grávidas não aceitaram fazer parte da pesquisa e responder ao questionário, devido a uma análise prévia da quantidade de alunas. Utilizamos questionários, contendo perguntas de múltipla escolha, nos meses de abril a julho de 2014, após a autorização do diretor técnico da instituição.

Segundo Gil, A. C.(21) a amostra é uma pequena parte dos elementos que compõem o universo, considerando um subgrupo da população. Para Polit, D. F.; Beck, C. T.; Hungler, B. P.(20) “em um estudo quantitativo, adequação de uma amostra é

(11)

53 investigada pelo critério de representatividade; isto é a qualidade da amostra se dá em função do quanto ela é típica ou representativa da população.” (p.53)

A amostra serão os questionários realizados com as adolescentes gestantes em escolas estaduais em dois municípios do interior de São Paulo.

Para Polit, D. F.; Beck, C. T.; Hungler, B. P. (20) amostragem é o processo de seleção de uma porção da população para representar a população inteira e define amostragem intencional a qual é baseada no pressuposto de que o conhecimento do pesquisador sobre a população pode ser usado para pinçar os casos a serem incluídos na amostra.

Critérios de Inclusão:

 Estudantes do sexo feminino do ensino fundamental e médio das escolas estaduais.

 Estarem matriculadas nas referidas escolas

 Estarem autorizadas pelos pais ou responsáveis para participarem da pesquisa

 Aceitarem participar da pesquisa  Estarem gestantes e serem adolescentes

 Assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Critérios de Exclusão

 Não estarem devidamente matriculadas nas referidas escolas  Não aceitarem participar da pesquisa

 Não estarem autorizadas pelos pais ou responsáveis para participarem da pesquisa

 Não estarem gestantes e não serem adolescentes

 Não assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA

O presente estudo seguiu os preceitos estabelecidos pela Resolução nº 466/12, de 12/12/2012, do Conselho Nacional de Saúde.

Os aspectos éticos da pesquisa foram resguardados em todos os momentos do estudo, ressaltando-se, como exposto anteriormente, que a coleta de dados foi iniciada após o consentimento do Diretor Técnico da instituição, sendo aprovado este projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa das Faculdades Integradas Teresa D`Ávila Lorena –

(12)

54 SP, com o número: 551.768. A pesquisa não terá riscos, pois serão utilizados os questionários para a coleta de dados.

O anonimato foi respeitado utilizando nos questionários a letra G que significa gestante, palavra a qual escolhemos para representar as adolescentes grávidas, seguida de numeração arábica, conforme a ordem em que este questionário é selecionado. Ex.: Gestante 1 – G1.

RESULTADOS

Neste capítulo, atendendo ao objetivo, iremos apresentar os resultados referentes à pesquisa. A amostra estudada foi composta por 05 questionários de adolescentes gestantes, estudantes de escolas estaduais. Os resultados serão divididos em dados sócios demográficos e tabelas.

Tabela 1– Dados sócios demográficos (idade e escolaridade) das adolescentes gestantes (n=5) estudantes das Escolas Estaduais P.M. C, P.L.C. P, D.F. L. Lorena, SP, 2014.

Frequência % Médi a DP Val. Mín. Val. Máx. Idade 15,20 1,30 13 16 Escolaridade

1° ano do Ensino médio 01 20 2° ano do Ensino médio 01 20 3° ano do Ensino médio 01 20 7° ano do Ensino Fundamental

II

01 20

Não informou 01 20

Fonte: Instrumento de Pesquisa

Constatamos que a idade média das entrevistadas foi de 15, a 20 anos e que 20% das estudantes estão cursando o 1º ano do ensino médio, 20% está no 2º ano do ensino

(13)

55 médio, 20% está no 3º ano do Ensino médio, 20% no 7º ano do Ensino Fundamental II, somente uma entrevistada não informou.

Tabela 2 – Dados de informações (Pré – Natal) das adolescentes gestantes (n=5) estudantes das Escolas Estaduais P.M. C, P.L.C.P, D.F.L . Lorena, SP, 2014.

Frequência Percentagem Já iniciou/ fez o pré-natal

Sim 05 100

Não 00 00

Consultas realizadas de pré-natal

De 1 a 2 consultas 02 40

De 2 a 5 consultas 01 20

De 5 a 7 consultas 00 00

De 7 a 9 consultas 02 40

Acompanhamento com enfermeiro durante o pré-natal

Sim 03 60

Não 02 40

Atendimento dado pelo enfermeiro

Bom 05 100

Regular 00 00

Ruim 00 00

Recebeu informações sobre o curativo do umbigo do bebê

Sim 02 40

Não 03 60

Pessoa que informou sobre o curativo do umbigo do bebê

(14)

56 Enfermeira 00 00 Médico 01 20 Mãe 01 20 Avó 00 00 Amiga 00 00 Professora 00 00

Recebeu informações sobre a amamentação

Sim 05 100

Não 00 00

Pessoa informou sobre a amamentação

Enfermeira 01 20

Médico 01 20

Mãe 02 40

Enfermeira, médico e mãe 01 20

Toma ou tomou ácido fólico

Sim 05 100

Não 00 00

Toma ou tomou sulfato ferroso

Sim 05 100

Não 00 00

Tomou as vacinas recomendadas para a gravidez

Sim 04 80

Não, pois as vacinas estavam em dia 01 20 Vacinas tomadas na gravidez

(15)

57 Realizou os exames de sangue pedidos no pré-natal

Sim 05 100

Não 00 00

Realizou o exame de ultrassom

Sim 05 100

Não 00 00

Quantidade de ultrassom realizado

Um 02 40

Dois 02 40

Quatro 01 20

Fonte: Instrumento de Pesquisa

Averiguou-se que 100% das estudantes já haviam iniciado seu Pré – Natal, sendo que 40% delas realizaram de 1 a 2 consultas e 40% de 7 a 9 consultas.

Acompanhadas pelo enfermeiro durante o pré-natal foram 60%, e 100% consideraram o atendimento dado pelo enfermeiro, como Bom.

Observou-se que 60% das entrevistadas não receberam informações sobre o curativo do umbigo do bebê, 20% delas receberam a informação do médico e as outras 20% da mãe. Com relação ao enfermeiro nenhuma das estudantes recebeu informações sobre o curativo do umbigo do bebê.

Evidenciou-se que 100% das participantes receberam informação sobre aleitamento materno, 40% as informações foram dadas pela mãe, 20% pelo enfermeiro, 20% médico e outros 20% por todos eles.

Verificou-se que 100% das estudantes fazem uso de ácido fólico, 100% de Sulfato ferroso, 80% tomaram as vacinas recomendadas para a gravidez, 80% tomaram tétano e Hepatite B, 100% realizaram os exames de sangue pedidos no pré – natal, 100% realizaram exame de ultrassom, considerando que 40% fizeram 1 exame de ultrassom e 40% fizeram 2 exames de ultrassom.

(16)

58 DISCUSSÃO

Ao analisarmos os dados sócios demográficos, constatamos que a idade média das entrevistadas é de 15,20 anos. Em um estudo realizado em um hospital universitário da cidade do Rio de Janeiro, constatou-se que “A idade mínima apresentada pelo grupo das 81 gestantes estudadas foi 13 anos e a máxima de 19 anos. A média das idades foi de 16,6 anos (com um erro padrão para a média de 0,14 anos); a mediana encontrada foi de 17 anos e a moda para esta amostra foi de 18 anos” (24).

Com relação à escolaridade 20% das estudantes, estão cursando o 1º ano do ensino médio, 20% estão no 2º ano do ensino médio, 20% estão no 3º ano do Ensino médio, 20% no 7º ano do Ensino Fundamental II, somente uma entrevistada não informou, o que nos leva a observar que a maioria está cursando o ensino médio, portanto possuem pouco conhecimento sobre sexualidade preventiva. Em uma pesquisa realizada em uma comunidade da cidade do Recife – PE, observou –se que “A baixa escolaridade e baixa renda as tornam mais vulneráveis a uma gestação precoce, visto que a escola tem um papel preventivo importante, pois através dela são transmitidas informações sobre o corpo e também sobre métodos preventivos de gravidez” (25).

Quanto ao pré-natal 100% das participantes iniciaram o tratamento, “Sabe-se que esta adesão ao pré-natal se dá de maneira diferenciada entre as adolescentes, o que inclui o cumprimento das condutas de diagnóstico, de terapêutica ou mesmo o comparecimento sistemático às consultas agendadas. Vale lembrar que adesão é um conceito amplo, dependente dos aspectos sociais, econômicos, psicológicos do indivíduo em acompanhamento, dos relacionados à doença (quando este é portador de uma patologia) e das ações propostas para promoção, prevenção e reabilitação” (24).

Quanto ao número de consultas, 40% das estudantes realizaram de 1 a 2 consultas e outras 40% de 7 a 9 consultas. Segundo informações do Ministério da Saúde “O Ministério da Saúde preconiza vários indicadores de processos para a avaliação da atenção ao pré-natal e ao puerpério. Entre eles, está que a gestante deverá realizar no mínimo de 6 consultas durante o pré-natal, e caso seja possível, uma aconteça no 1º trimestre, duas no 2º trimestre e três no último trimestre” (26).

No que se refere ao acompanhamento do enfermeiro, 60% das participantes foram acompanhadas e 100% delas classificaram o atendimento do enfermeiro como bom, o que nos leva a perceber que a presença do enfermeiro é fundamental na

(17)

59 realização do pré-natal, “Os profissionais de saúde durante as consultas de pré-natal devem explorar a oportunidade de interagir com essas gestantes enfatizando a importância da realização do pré-natal, tornando-as integrantes ativas desse processo”

(27)

.

Quanto ao curativo do umbigo do bebê, 60% das estudantes não receberam orientações, 20% foram orientadas pelo médico e outras 20% pela mãe. Com isso, notamos que recai sobre a mãe da adolescente orientar e realizar os primeiros cuidados com o bebê, Linhares, E.; Silva, L., Rodrigues V.; Araújo, R. (28) afirmam que:

“O cuidado ao coto umbilical, pelas puérperas, é um ato que encontra respaldo na historicidade familiar, refletido na sua maneira de cuidar e envolve os saberes culturais adquiridos intergeracionalmente, com maior influência dos membros familiares mais próximos.”

Quanto à amamentação 100% receberam informações, sendo que 40% foram informadas pela mãe, 20% do enfermeiro, 20% do médico. Apesar de a maioria das entrevistadas terem sido informadas por suas mães, consideramos que em nossos resultados 20% das estudantes foram orientadas pelo enfermeiro. “O enfermeiro deve estar qualificado para iniciar a sensibilização dos pais para a prática do aleitamento materno, desde o pré-natal”.

Dessa forma, acredita-se que tanto a gestante, quanto o seu parceiro terão oportunidades para exercerem a tomada de decisão sobre o tipo de método que adotarão para alimentar seu bebê, pois se sabe que a escolha por amamentar fundamenta-se na troca de conhecimentos” (29).

Ao analisar nossos resultados constatamos que 100% das estudantes fazem uso de sulfato ferroso. Em um estudo realizado na cidade de Fortaleza-CE, Caminha, N., et. al. (30) relatam:

“A prescrição de sulfato ferroso apresentou-se satisfatória, abrangendo 190 (96,9%) gestantes. Resultado importante, pois a suplementação de ferro é indispensável para a prevenção/tratamento da anemia fisiológica e/ou ferropriva na gestação, e repõe as reservas de ferro materno, preparando a mulher para as perdas sanguíneas do parto e puerpério.”

(18)

60 Já 80% tomaram as vacinas recomendadas para a gravidez, sendo que 80% tomaram a vacina antitetânica e a vacina de hepatite B. Notou-se que “Neste estudo, 161 (82,1%) puérperas receberam a imunização necessária durante o pré-natal” (30). E 100% realizaram os exames de sangue. Sobre isso o artigo ainda relata “O MS preconiza a realização de uma rotina mínima de exames laboratoriais, com solicitação na primeira consulta dos exames laboratoriais: Tipagem de sangue, Hematimetria, Veneral Disease Research Laboratory (VDRL), Sumário de Urina (URINA tipo I), Glicemia de Jejum, sorologia para HIV 1 e 2.

Os quatro últimos testes devem ser repetidos próximo à trigésima semana, juntamente com a sorologia para a Hepatite B. As sorologias para toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus devem ser incluídas sempre que disponíveis” (30)

Com relação ao ácido fólico 100% afirmaram ter tomado, já em relação ao exame de Ultrassonografia 100% afirmaram terem realizado, sendo que 40% fizeram 1 utrassom e 40% fizeram 2 ultrassons. Em um estudo realizado na cidade de Sobral-CE configura –se a importância da medicação e dos exames de rotina: “O pré-natal é o "período anterior ao nascimento da criança, em que um conjunto de ações é aplicado à saúde individual e coletiva das mulheres grávidas. Nesse período, as mulheres devem ser acompanhadas a partir da gestação, de forma que lhes seja possível, quando necessário, realizar exames clínico-laboratoriais, receber orientação e tomar medicação profilática e/ou vacinas” (31).

CONCLUSÃO

Com a realização dessa pesquisa foi possível considerar os objetivos que eram: verificar o que as adolescentes sabiam acerca do trabalho do enfermeiro, identificar a presença do enfermeiro no pré-natal através da ótica das adolescentes e averiguar a caracterização sócio-demográfico das adolescentes. Constatou-se que a média de idade é de 15,20 e que 20% das estudantes estão cursando o 1º ano do ensino médio, 20% está no 2º ano do ensino médio, 20% está no 3º ano do Ensino médio, 20% no 7º ano do Ensino Fundamental II, apenas uma não informou; 100% das adolescentes iniciaram o pré-natal e 40% realizaram 1 a 2 consultas e outros 40% de 7 a 9 consultas; 60% tiveram acompanhamento do enfermeiro e 100% foram atendidas pelo enfermeiro; 60% receberam informações sobre o curativo do umbigo do bebê, sendo que 20% das participantes receberam a informação do médico e outras 20% da mãe. Em relação à amamentação, 100% das entrevistadas foram informadas, 40% receberam essa

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61 informação da mãe. Sobre o ácido fólico 100% fizeram uso, 100% tomaram sulfato ferroso, 80% foram devidamente vacinadas, sendo 80% vacinadas contra o tétano e hepatite B, 100% realizaram os exames de sangue pedidos no pré-natal e por fim 100% realizaram ultrassonografia, sendo 40% 1 ultrassom e outros 40% 2 ultrassons.

Os resultados deste estudo mostram que as adolescentes possuíram expressiva adesão ao pré-natal, reconhecendo que o atendimento ministrado pelo enfermeiro foi de grande valia, mesmo que nem todas as informações tenham sido passadas por este profissional e nem reconheceram a presença do enfermeiro durante este processo.

Este trabalho contribuiu para que se possa observar o quanto o trabalho realizado pelo enfermeiro junto à adolescente gestante é essencial, colaborando com a sociedade, haja vista que a gravidez precoce ainda é assunto polêmico na saúde pública e aumenta a cada dia mais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para nós, a realização desta pesquisa foi muito interessante, pois se trata de um dos assuntos altamente comum na sociedade em que vivemos, e nos possibilitou conhecer o universo das jovens que se tornam mães durante a adolescência.

Conhecer a realidade de vida dessas meninas nos fez refletir sobre as ações que podem ser desenvolvidas para prevenirem a gravidez precoce e também para orientarem a gestante inexperiente com relação aos cuidados durante o pré-natal e com o recém-nascido sob sua responsabilidade.

Ao executarmos este estudo, encontramos dificuldades para coleta de dados, sendo que em uma das escolas não encontramos estudantes grávidas que ainda frequentavam a escola, pois em razão da gestação, as jovens deixaram de ir às aulas. Outra situação a que nos deparamos foi que algumas estudantes se negaram a participar da pesquisa, tornando escasso o número de amostras coletadas para o trabalho. Apesar dessas situações ocorridas, fomos bem recebidas em todas as escolas, o que nos possibilitou empregar o questionário com êxito e de acordo com os princípios propostos pela nossa pesquisa.

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62 Ao iniciarmos a análise dos dados, tivemos dificuldade em expor nossos dados na tabela, mas em seguida obtivemos colaboração de uma profissional gabaritada no assunto.

De acordo com os resultados adquiridos com a efetivação dessa pesquisa, notamos a importância da realização de uma nova pesquisa sobre este mesmo assunto, que possibilite uma continuidade do estudo iniciado e que seja voltada à assistência do enfermeiro na gravidez na adolescência, visto que encontramos resultados evidentes que o enfermeiro se fez presente durante o período gravídico das jovens entrevistadas e foi indispensável no decorrer do pré-natal.

Durante a pesquisa, surgiram algumas intercorrências; uma delas foi o fato das jovens não estarem frequentando as aulas com certa assiduidade, por se encontrarem no início da gestação, quando geralmente há ocorrência de episódios frequentes de mal estar, e também no final, por já se acharem próximas do parto.

Houve também a situação das jovens se recusarem a participar do estudo, por necessidade do anonimato e, pelo fato de algumas ainda não terem informado aos seus responsáveis.

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Responsável pela Submissão Amanda Moraes Nogueira Email: [email protected]

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