EQUIPE DO PROJETO CONSOLIDASISAN
CEARÁ
Coordenação Geral
Universidade Estadual do Ceará
Coordenação Operacional Derlange Belizário Diniz
Coordenação Acadêmica Maria Marlene Marques Ávila
Assessoria
Márcia Andréia Barros Moura Fé
Parceiros CONSEA
Francisca Malvinier Macedo Helena Selma Azevedo
Parceiros CAISAN
Regina Ângela Sales Praciano Tereza Cristina do Vale Canabrava
Bolsistas
Gestão operacional
Mailim Stévia Abreu de Azevedo Roberto Sérgio Barbosa dos Santos
Apoio à gestão operacional Amanda Dayane Barros da Silva Castro
Francisco Claudemir Barbosa da Silva
Gestão acadêmica
Naila Saskia Melo Andrade Letícia Albuquerque Araújo
Apoio à formação em segurança alimentar e nutricional
Antônia Joelma Braga da Silva
Articulação sociedade civil e poder público
Tatiane Elpídio da Silva
Planejamento e execução das oficinas
Francisca Orisvânia Barreto
Elaboração do software John Herbert Marques do Nascimento
Desenvolvimento de material educativo
Italo Wesley Oliveira Aguiar
Revisão gramatical
Francisca Malvinier Macedo
Apoio administrativo
Anair Conceição de Menezes Jucá
PIAUÍ
Coordenação acadêmica Universidade Federal do Piauí Marize Melo dos Santos
Ivonete Moura Campelo
Parceiros CONSEA Janice Araújo Lustosa
Norma Sueli Marques da Costa Alberto
Parceiros CAISAN
Débora Lidiane Castro de Moura Maria Alice Silva do Nascimento Ana Diva Soares de Macêdo Rosângela Maria Sobrinho Sousa
Bolsistas
Apoio à formação em segurança alimentar e nutricional
Claudiane Batista de Sousa Elyudienne Andressa Silva Alves
Articulação sociedade civil e poder público
Mísia Joyner de Sousa Dias Monteiro
Jairo Galvão de Araújo
Planejamento e execução das oficinas
Victor Alves de Oliveira
Apoio à mobilização e à produção de material pedagógico
Lídia Raquel de Sousa Rocha Maria Gabriela Sousa Pires
MARANHÃO
Coordenação acadêmica
Universidade Federal do Maranhão Maria Tereza Borges Araújo Frota
Parceiros CONSEA
Maria da Conceição de Almeida Ferreira
Reinaldo Santos Avelar Eurico Fernandes da Silva
Parceiros CAISAN Lourvidia Caldas Serrão
Edilene Abreu Corrêa Sampaio Maria José Pereira Costa Kleber Gomes
Bolsistas
Apoio à formação em segurança alimentar e nutricional
Nayara Rafaelle Correa Silva
Articulação sociedade civil e poder público
Miercio Roberth Lopes Martins
Planejamento e execução das oficinas
Nádia Caroline de Moura Matias
Apoio à mobilização e à produção de material pedagógico
Stephany Araújo Ruiz Glenda Pereira Costa Silva
Formando a Teia da Segurança Alimentar e Nutricional:
o relato da experiência do Projeto ConsolidaSisan
ORGANIZADORES Maria Marlene Marques Ávila
Nutricionista. Doutora em Saúde Coletiva. Docente do Curso de Nutrição e dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Nutrição e Saúde e Ensino na
Saúde da Universidade Estadual do Ceará. Coordenadora acadêmica do Projeto ConsolidaSisan.
Márcia Andréia Barros Moura Fé
Nutricionista. Doutora em Saúde Coletiva. Docente do Curso de Nutrição da Universidade Estadual do Ceará. Assessora técnica do Projeto ConsolidaSisan.
Naila Saskia Melo Andrade
Zootecnista. Mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento, doutoranda em Ciência, Biotecnologia e Saúde pela Fiocruz Ceará e bolsista de gestão acadêmica do Projeto
ConsolidaSisan na Universidade Estadual do Ceará.
Francisca Orisvânia Barreto
Economista Doméstica. Especialista em Segurança Alimentar e Nutricional pela Universidade Estadual do Ceará. Agente de Monitoramento do Programa Nacional de
Alimentação Escolar. Bolsista de planejamento e execução das oficinas de formação do Projeto ConsolidaSisan no Ceará.
Italo Wesley Oliveira Aguiar
Nutricionista. Mestrando em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará.
Colaborador na equipe técnica do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Fortaleza. Bolsista de desenvolvimento de material educativo do Projeto
ConsolidaSisan no Ceará. Antônia Joelma Braga da Silva
Assistente Social. Especialista em Gestão Social pelo Centro Universitário Fametro.
Técnica da Secretaria da Proteção Social, Justiça Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos / Câmara de Segurança Alimentar e Nutricional – Ceará. Bolsista de apoio à
formação em Segurança Alimentar e Nutricional do Projeto ConsolidaSisan no Ceará.
Tatiane Elpídio da Silva
Pedagoga. Especialista em Gestão Social e Educação Inclusiva. Técnica da Secretaria de Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos e da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional – Ceará. Bolsista de articulação da
sociedade civil e poder público do Projeto ConsolidaSisan no Ceará.
Formando a Teia da Segurança Alimentar e Nutricional: o relato da experiência do Projeto ConsolidaSisan
Este livro é produto do “Projeto Consolidação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão - ConsolidaSisan” financiado pelo Edital de chamamento público MDS/SESAN no.
01/2013.
Apoio: Universidade Estadual do Ceará – Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde.
Capa: Italo Wesley Oliveira Aguiar
DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)
Formando a teia da segurança alimentar e nutricional : o relato da experiência do Projeto ConsolidaSisan / Organizadores Maria Marlene Marques Ávila ... [et al.]. - ltabuna, BA: A5 editora, 2020.
138p., ; 29,7 cm Inclui bibliografia.
ISBN: 978-65-00-00169-3
1. Segurança alimentar. 2. Nutrição. I. Ávila, Maria Marlene Marques. lI. Moura Fé, Marcia Andreia Barros. IlI. Andrade, Naila Saskia Melo. IV. Barreto, Francisca Orisvania. V. Título.
CDU 613.2
Bibliotecária responsável: Tatiana de Oliveira Bourscheidt - CRB 10/2012
COLABORADORES
Antônia Joelma Braga da Silva
Assistente Social. Especialista em Gestão Social pelo Centro Universitário Fametro. Técnica da Secretaria da Proteção Social, Justiça Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos / Câmara de Segurança Alimentar e Nutricional – Ceará.
Bolsista de apoio à formação em Segurança Alimentar e Nutricional do Projeto ConsolidaSisan no Ceará.
Claudiane Batista de Sousa
Nutricionista. Mestranda em Alimentos e Nutrição pela Universidade Federal do Piauí. Bolsista de apoio à formação do Projeto ConsolidaSisan no Piauí.
Débora Lidiane Castro de Moura
Nutricionista pela Universidade Federal do Piauí. Assessora Técnica e representante da CAISAN–PI no Projeto ConsolidaSisan.
Francisca Malvinier Macedo
Técnica em Economia Doméstica. Bibliotecária. Diretora Adjunta do Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria. Presidenta do CONSEA-CE. Cofundadora do Fórum Cearense de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional.
Representante do CONSEA-CE no Projeto ConsolidaSisan.
Francisca Orisvânia Barreto
Economista Doméstica. Especialista em Segurança Alimentar e Nutricional pela pela Universidade Estadual do Ceará. Agente de Monitoramento do Programa Nacional de Alimentação Escolar. Bolsista para planejamento e execução das oficinas de formação do Projeto ConsolidaSisan no Ceará.
Italo Wesley Oliveira Aguiar
Nutricionista. Mestrando em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará.
Colaborador na equipe técnica do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Fortaleza. Bolsista de desenvolvimento de material educativo do Projeto ConsolidaSisan no Ceará.
Ivonete Moura Campelo
Nutricionista. Mestre. Professora assistente do Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Piauí - Campus Universitário Ministro Petrônio Portella.
Apoiadora Acadêmica do Projeto ConsolidaSisan no Piauí.
Janice Araújo Lustosa
Tecnóloga em Alimentos e Médica Veterinária. Mestre em Alimentos e Nutrição pela Universidade Federal do Piauí. Presidente e representante do CONSEA-PI no Projeto ConsolidaSisan.
John Herbert Marques do Nascimento
Graduado em Redes de Computadores pela Faculdade de Tecnologia do Nordeste. Pós-graduando em Administração e Segurança em Redes de Computadores. Coordenador de Tecnologia da Informação na Coordenadoria Especial de Participação Social da Prefeitura Municipal de Fortaleza e
desenvolvedor do sistema de eleição dos Agentes de Cidadania de Fortaleza.
Bolsista para elaboração do sistema on-line do acompanhamento de Segurança Alimentar e Nutricional do Projeto ConsolidaSisan.
Márcia Andréia Barros Moura Fé
Nutricionista. Doutora em Saúde Coletiva. Docente do Curso de Nutrição da Universidade Estadual do Ceará. Assessora técnica do Projeto ConsolidaSisan.
Maria Marlene Marques Ávila
Nutricionista. Doutora em Saúde Coletiva. Docente do Curso de Nutrição e dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Nutrição e Saúde e Ensino na Saúde da Universidade Estadual do Ceará. Coordenadora acadêmica geral do Projeto ConsolidaSisan.
Maria Tereza Borges Frota
Nutricionista. Especialista em Saúde Pública e em Nutrição em Saúde Pública (FIOCRUZ). Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal do Maranhão. Doutora em Nutrição em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo. Professora Adjunta do Departamento de Ciências Fisiológicas da Universidade Federal do Maranhão. Coordenadora acadêmica do Projeto ConsolidaSisan no Maranhão.
Marize Melo dos Santos
Nutricionista, Doutora. Professora titular do Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Piauí - Campus Universitário Ministro Petrônio Portella.
Coordenadora Acadêmica do Projeto ConsolidaSisan no Piauí.
Mísia Joyner de Sousa Dias Monteiro
Nutricionista. Mestranda em Ciências e Saúde pela Universidade Federal do Piauí. Bolsista de articulação da sociedade civil e poder público do Projeto ConsolidaSisan no Piauí.
Naila Saskia Melo Andrade
Zootecnista. Mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento, doutoranda em Ciência, Biotecnologia e Saúde pela Fiocruz Ceará e bolsista de gestão acadêmica do Projeto ConsolidaSisan na Universidade Estadual do Ceará.
Nayara Rafaelle Corrêa Silva
Nutricionista. Pós-graduada em nutrição clínica e funcional e fitoterapia pela Faculdade LABORO. Pós-graduanda em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Única de Ipatinga. Pesquisadora em segurança alimentar e nutricional. Bolsista de apoio à formação em Segurança Alimentar e Nutricional do Projeto ConsolidaSisan no Maranhão.
Regina Ângela Sales Praciano
Assistente Social. Mestre em Gestão e Planejamento de Políticas Públicas.
Orientadora da Célula de Segurança Alimentar e Nutricional da Secretaria de Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humano do Ceará.
Secretária executiva e representante da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional do Ceará no Projeto ConsolidaSisan.
Stephany Araújo Ruiz
Nutricionista pela Universidade Federal do Maranhão. Pesquisadora no Núcleo de Imunologia Básica e Aplicada – UFMA. Presidente da Liga Acadêmica Nutrição em Políticas Públicas LANPOP/UFMA. Bolsista de Apoio à mobilização e produção de material pedagógico do Projeto ConsolidaSisan no Maranhão.
Tatiane Elpídio da Silva
Pedagoga. Especialista em Gestão Social e Educação Inclusiva. Técnica da Secretaria de Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos e da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional – Ceará. Bolsista de articulação da sociedade civil e poder público do Projeto ConsolidaSisan no Ceará.
Victor Alves de Oliveira
Nutricionista. Mestre em Ciências e Saúde pela Universidade Federal do Piauí.
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Alimentos e Nutrição pela Universidade Federal do Piauí. Bolsista para planejamento e execução das oficinas de formação do Projeto ConsolidaSisan no Piauí.
Esse livro é dedicado a todas as pessoas que cotidianamente tecem a teia e a trama
que dão forma ao tecido da justiça social.
APRESENTAÇÃO
No Brasil, o conceito de Segurança Alimentar e Nutricional surgiu em um contexto no qual as doenças carenciais, principalmente a desnutrição, se destacavam no cenário epidemiológico, consequência da extrema desigualdade social. A ampla participação social foi fundamental para a construção de agendas, que propiciaram a criação de leis, planos e estruturas com vistas à implantação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) para integrar e articular políticas e programas com vistas à garantia do direito humano à alimentação adequada em um cenário onde a insegurança alimentar se caracteriza pelas carências, mostrando a persistência das desigualdades sociais, e pelas doenças decorrentes do sobrepeso e obesidade, demarcando um cenário onde urge a ação pública eficaz na promoção da alimentação adequada e saudável para toda a população.
A segurança alimentar e nutricional representa um eixo estratégico no desenvolvimento e objetivos das políticas públicas nacionais fundamentadas no princípio da soberania alimentar e nutricional e no direito humano à alimentação.
A aprovação da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional em 2006 estabeleceu as bases para a construção e funcionamento do SISAN. A consolidação desse sistema nacional requer o funcionamento das estruturas básicas que o compõem na União, estados e municípios: conselhos e câmaras intersetoriais de segurança alimentar e nutricional, as conferências, a lei orgânica e a política que a regulamenta, o plano de segurança alimentar e nutricional.
O “Projeto Consolidação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão - ConsolidaSisan” contribuiu para o fortalecimento do SISAN nestes três estados, por meio das diversas ações abordadas neste livro.
Motivados, por um lado, pela vivência no projeto que se mostrou um campo fértil de aprendizado sobre a segurança alimentar e nutricional nas perspectivas política e social, e por outro, pelos descaminhos tomados na atual conjuntura política, resolvemos compartilhar nossa experiência, por crermos que precisamos nos fortalecer mostrando que sim, é possível tecer juntos saberes e
práticas que ajudam a manter nossas conquistas e a alicerçar a certeza de que passaremos por estes tempos sombrios.
Boa leitura!
LISTA DE SIGLAS
AcompanhaSisan Sistema para Acompanhamento da Implantação do SISAN nos Municípios
CadÚnico Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal
CAISAN Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional
CEST Faculdade Santa Terezinha
CNSAN Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
CONAB Companhia Nacional de Abastecimento
CONSEA Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional ConsolidaSisan Projeto Consolidação do Sistema Nacional de
Segurança Alimentar e Nutricional
CPCE Comissão de Presidentes de Conselhos Estaduais CSAN Célula de Segurança Alimentar e Nutricional
CT Comitê Técnico
DATASUS Departamento de Informática do SUS DHAA Direito Humano à Alimentação Adequada DUSAEF Diretoria da Unidade de Segurança Alimentar e
Erradicação da Fome
EAN Educação Alimentar e Nutricional
EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária FAMEM Federação dos Municípios do Estado do Maranhão FAO Organização das Nações Unidas para a Alimentação e
a Agricultura
FIOCRUZ Fundação Oswaldo Cruz
FMSA Fórum Maranhense de Segurança Alimentar FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FUNAI Fundação Nacional do Índio
FUNECE Fundação Universidade Estadual do Ceará
Fundação CEPRO Fundação Centro de Pesquisas Econômicas e Sociais do Piauí
GT Grupo de Trabalho
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IES Instituição de Ensino Superior
IFMA Instituto Federal do Maranhão
INCRA Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INSAN Insegurança Alimentar e Nutricional
IPECE Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará LDO Lei de Diretrizes Orçamentárias
LOA Lei Orçamentária Anual
LOSAN Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional MapaSAN Mapeamento de Segurança Alimentar e Nutricional MDS Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à
Fome
NURESAN Núcleo de Estudos em Segurança Alimentar Nutricional PAA Programa de Aquisição de Alimentos
PESAN Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Piauí
PLANESAN Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Maranhão
PLANSAN Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional PLANSAN-CE Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do
Ceará
PNAD Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PNAE Programa Nacional de Alimentação Escolar
PNSAN Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
PPA Plano Plurianual
PSAN Política de Segurança Alimentar e Nutricional SAF Secretaria de Estado de Agricultura Familiar SAGI Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação SAN Segurança Alimentar e Nutricional
SASAN Secretaria Adjunta de Segurança Alimentar e Nutricional
SASC Secretaria de Estado da Assistência Social e Cidadania SDA Secretaria de Desenvolvimento Agrário
SEDES Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Agricultura Familiar
SEDPOP Secretaria dos Direitos Humanos e Participação Popular SEDUC Secretaria de Estado de Educação
SEIR Secretaria de Estado Extraordinária de Igualdade Racial SEMTCAS Secretaria Municipal de Trabalho, Cidadania e
Assistencial Social de Teresina SEPLAN Secretaria Estadual de Planejamento SES Secretaria de Estado da Saúde
SESAN Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
SICONV Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse do Direito Federal
SISAN Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional SISPLANSAN Sistema de Monitoramento do Plano Nacional de
Segurança Alimentar e Nutricional
SISVAN Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional SPS Secretaria de Proteção Social, Justiça, Cidadania,
Mulheres e Direitos Humanos
STDS Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social SUAS Sistema Único da Assistência Social
SUS Sistema Único de Saúde
TI Tecnologia da Informação
UECE Universidade Estadual do Ceará UESPI Universidade Estadual do Piauí UFC Universidade Federal do Ceará UFMA Universidade Federal do Maranhão UFPI Universidade Federal do Piauí VIS DATA Visualizador de Dados Sociais
SUMÁRIO
PARTE I O PROJETO DE CONSOLIDAÇÃO DO SISTEMA DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL NOS
ESTADOS DO CEARÁ, PIAUÍ E MARANHÃO... 20 Capítulo 1 A Sistematização da Experiência do Projeto
ConsolidaSisan
Márcia Andréia Barros Moura Fé, Maria Marlene Marques Ávila, Naila Saskia Melo Andrade, Francisca Orisvania
Barreto... 22 Capítulo 2 Contribuições do Projeto ConsolidaSisan para o
Fortalecimento do SISAN nos Estados do Ceará, Maranhão e Piauí
Regina Ângela Sales Praciano, Francisca Malvinier
Macedo... 42 PARTE II DIAGNÓSTICO DO SISAN E A ELABORAÇÃO DO
PLANO DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL NOS ESTADOS... 52 Capítulo 3 Componentes do SISAN no Ceará
Antônia Joelma Braga da Silva, Francisca Orisvania Barreto, Naila Saskia Melo Andrade, Tatiane Elpídio da Silva... 54 Capítulo 4 Componentes do SISAN no Maranhão
Nayara Rafaelle Corrêa Silva, Stephany Araujo Ruiz, Maria Tereza Borges Frota... 64 Capítulo 5 Componentes do SISAN no Piauí
Claudiane Sousa, Débora Moura, Janice Lustosa, Mísia Monteiro, Victor Oliveira, Ivonete Moura Campelo, Marize
Melo dos Santos... 72 PARTE III AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO DO PLANO DE
SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL... 82 Capítulo 6 Monitoramento das Ações de Segurança Alimentar e
Nutricional
Italo Wesley Oliveira Aguiar, Antônia Joelma Braga Silva, John Herbert Marques do Nascimento, Tatiane Elpídio da
Silva... 84
Capítulo 7 O Componente da Avaliação dos Planos de Segurança Alimentar e Nutricional
Maria Marlene Marques Ávila, Márcia Andréia Barros Moura
Fé, Italo Wesley Oliveira Aguiar... 106 Referências ... 128
20
PARTE I
O PROJETO DE CONSOLIDAÇÃO DO SISTEMA DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL NOS ESTADOS DO CEARÁ, PIAUÍ E
MARANHÃO
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22
Capítulo 1
A SISTEMATIZAÇÃO DA EXPERIÊNCIA DO PROJETO CONSOLIDASISAN
Márcia Andréia Barros Moura Fé Maria Marlene Marques Ávila Naila Saskia Melo Andrade Francisca Orisvania Barrreto
...sem sequer poder negar a desesperança como algo concreto e sem desconhecer as razões históricas, econômicas e sociais que a explicam, não entendo a existência humana e a necessária luta para fazê-la melhor, sem esperança e sem sonho.
(Paulo Freire – Patrono da educação brasileira) PASSOS PARA A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
A produção do conhecimento baseada na sistematização da experiência do projeto Consolidação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (ConsolidaSisan), tem como referência as etapas sugeridas pelo autor Holiday (2006), e está assim organizada:
1) O ponto de partida – o relato se baseia em nossa vivência no ConsolidaSisan, a qual encontra-se registrada em relatórios de atividades realizadas e de execução físico-financeiro, nas atas das reuniões da equipe e nos registros fotográficos. Além disso foram realizados três grupos focais, um por estado e um círculo de cultura com a equipe do Ceará que objetivaram retomar a experiência vivida e gerar subsídios para identificar as contribuições do projeto no fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN).
2) Os objetivos – em que explicitamos as razões para esta sistematização, delimitamos seu objeto e definimos um eixo de sistematização;
3) A recuperação do processo vivido – a reconstrução da história do ConsolidaSisan;
4) A reflexão de fundo – que consta da análise crítica da vivência;
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5) Os pontos de chegada – em que abordaremos os desafios encontrados durante o percurso, e as conclusões práticas decorrentes do aprendizado com a experiência, bem como as contribuições do projeto para o fortalecimento do SISAN.
Esta sistematização baseia-se numa concepção metodológica dialética “que entende a realidade histórico-social como uma totalidade, como processo histórico: a realidade é, ao mesmo tempo, una, mutante e contraditória porque é histórica; porque é produto da atividade transformadora, criadora dos seres humanos” (HOLLIDAY, 2006, p. 8).
OBJETIVOS E DEFINIÇÃO DO EIXO DE SISTEMATIZAÇÃO
A decisão de sistematizar essa experiência foi considerada como forma de, para além do registro, fazermos uma reflexão coletiva sobre a realização das atividades previstas e realizadas no ConsolidaSisan entre os anos de 2014-2019 e quais foram as implicações para o fortalecimento do SISAN nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão.
A EXPERIÊNCIA EM FOCO
Em 2013, o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), atualmente, Ministério da Cidadania, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SESAN), lançou o edital de chamamento público MDS/SESAN nº 01/2013, visando selecionar instituições públicas de ensino superior estadual e/ou federal para realização de projetos voltados ao fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) nos estados, distrito federal e municípios.
Tal iniciativa foi estratégica, no sentido de contribuir para a consecução de alguns objetivos e metas do Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PLANSAN) 2012-2015, entres estas: “promover a adesão dos 26 Estados da Nação, o Distrito Federal e 60% dos municípios no SISAN” e institucionalizar o SISAN em todo Território Nacional, bem como seus mecanismos de gestão, no sentido de “promover ações de formação/capacitação sobre conceitos, princípios, marco legal, instrumentos e
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mecanismos de gestão do SISAN, implementação da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PNSAN) e realização do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA)” (BRASIL, 2013).
Em nível nacional, o Programa de Segurança Alimentar e Nutricional compôs o Plano Plurianual (PPA) do período 2012–2015, que contemplou entre seus objetivos a realização de ações de promoção da institucionalização e fortalecimento da gestão do SISAN, bem como o apoio a elaboração de planos estaduais e municipais de segurança alimentar e nutricional. Dessa forma, a referida Chamada Pública se deu no âmbito do Programa Temático - 2069:
Segurança Alimentar Nutricional, na Ação – 8624: Apoio à Implantação e Gestão do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (BRASIL, 2011).
Pelas normas da chamada pública os projetos apresentados deveriam contemplar mais de um estado (conforme os grupos de estados constantes do edital que cobriam todos os estados e o distrito federal) e contar com o conhecimento do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) e da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN) do estado sede da universidade proponente. O lote de estados em que a Universidade Estadual do Ceará (UECE) propôs era composto pelo Ceará, Piauí e Maranhão.
O incentivo para a UECE elaborar um projeto para concorrer à chamada pública partiu da CAISAN-CE, na pessoa de sua secretária executiva, que assim se expressa em relação ao fato:
A gente convidou a UECE, provocou mesmo, sensibilizou, namorou, paquerou, até que realmente a UECE topou de colocar a proposta para frente, se habilitou para o projeto [...] (Círculo de Cultura, UECE, 1/11/2017).
A partir do convite feito por esta, se formou um grupo de três professoras do Curso de Nutrição, duas professoras da Universidade Federal do Ceará (UFC) e a secretária executiva da CAISAN, dessa forma, o projeto
“Consolidação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão” (ConsolidaSisan) foi uma construção coletiva, que além dos integrantes já citados, contou com a contribuição de um assessor técnico da Secretaria do Trabalho e
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Desenvolvimento Social (STDS) atualmente Secretaria de Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS), principalmente na elaboração de uma das metas, a que trata da construção de um software de monitoramento da implantação do SISAN nos municípios, denominado AcompanhaSisan. No decorrer do projeto, houve a perda de parceria com a UFC, por motivo de aposentadoria das professoras que participaram do projeto até o ano de 2016.
Dada a exigência da chamada pública do projeto ser proposto pela universidade, a coordenação do mesmo ficou sob a responsabilidade de duas professoras, assim, contou com uma coordenação acadêmica e uma operacional, sendo esta última representada pela professora que submeteu a proposta.
Conforme a chamada pública, após apresentadas, as propostas passavam por uma etapa de seleção, depois de selecionadas se dava início ao processo de habilitação concluído com a formalização do convênio com o MDS.
Durante o processo habilitação o projeto passou por uma fase de ajustes, momento em que contamos com a colaboração de um técnico do MDS e integraram-se à equipe na UECE mais uma professora como assessora da coordenação operacional e a presidente do CONSEA-CE. O projeto foi formalizado por meio do Convênio MDS/UECE publicado no DOU nº 8 de 13 de janeiro de 2015 (BRASIL, 2015).
Após a etapa de habilitação, houve um encontro das universidades selecionadas em Brasília, da qual participaram a secretária executiva da CAISAN-CE e a coordenadora acadêmica do ConsolidaSisan. Esta foi a primeira oportunidade de conversar presencialmente com representantes dos CONSEA e CAISAN dos estados do Piauí e Maranhão, pois anteriormente, durante a fase de elaboração do projeto, essa articulação foi tentada, mas não logrou êxito.
Contudo, ainda durante a fase de elaboração foi realizado contato com os Cursos de Nutrição das universidades federais do Piauí e Maranhão e identificadas em cada uma das professoras que se interessaram pelo projeto, já contando, portanto, desde aí, com essa articulação entre as universidades.
A participação da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) no projeto ocorreu a partir da instituição de parceria com a FUNECE/UECE, por intermédio de instrumento de
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cooperação acadêmica e científica entre as suas respectivas áreas de atuação, visando o desenvolvimento do referido projeto nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde da UECE e dos Departamentos de Nutrição de ambas universidades e, sendo previstas a realização de atividades relacionadas à Segurança Alimentar e Nutricional, o que favoreceria o intercâmbio entre profissionais e acadêmicos nas áreas de interesse comum, voltadas para o ensino, pesquisa e extensão, assinado pelos gestores das respectivas Instituições de Ensino Superior (IES).
As Universidades concordaram em desenvolver o projeto, visando:
a) Realizar pesquisas no campo da Segurança Alimentar e Nutricional, elaboração e divulgação de trabalhos científicos em eventos da área e afins;
b) Realizar oficinas, os encontros de planejamento e avaliação das atividades;
c) O fortalecimento do SISAN nos três Estados.
Em março de 2015, foi realizado o primeiro seminário, em Fortaleza-CE, envolvendo representações do Maranhão, Piauí e Ceará, visando a apresentação do Projeto ConsolidaSisan e do plano de trabalho.
Na oportunidade, foi discutido e acordado, entre as universidades parceiras, a realização de uma pesquisa em SAN, em cada estado, durante a V Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, que será apresentada posteriormente. Em dezembro de 2015 e fevereiro de 2016 realizamos o segundo e terceiro seminário nos Estados do Maranhão e Piauí respectivamente, com o objetivo de apresentar o projeto para os demais parceiros nos estados e o quadro situacional da SAN, para posterior construção do diagnóstico do SISAN. É válido ressaltar que no Maranhão houve a socialização dos resultados preliminares da pesquisa realizada pela UFPI sobre o perfil dos delegados da V Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional.
Ainda em 2016, conforme previsto no Projeto ConsolidaSisan, foram selecionados e contratados bolsistas de apoio às atividades do projeto, os quais foram incorporados às equipes de cada estado. Assim, as atividades do projeto, foram planejadas e realizadas de forma participativa
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entres as três equipes, sendo a equipe do Ceará responsável pela coordenação geral.
O termo consolidação do título do projeto foi escolhido na perspectiva de que este propõe fortalecer o SISAN dos estados do Ceará, Piauí e Maranhão, ou seja:
[...] consolida está no sentido de ajudar saber, fortalecer o sistema de segurança alimentar e nutricional dos estados Piauí, Ceará e Maranhão, é a consolidação e o fortalecimento desse sistema nesses estados (Assessora do ConsolidaSisan, Círculo de Cultura, UECE, 1/11/2017).
Esta fala se justifica porque o SISAN, instituído em 2006 pela Lei 11.346 e regulamentada pelo Decreto 7.272/2010, que instituiu a PNSAN (BRASIL,2010), em 2013 quando foi lançada a chamada pública, estava iniciando um processo de implantação. De forma geral, os estados e municípios estavam se inteirando sobre o processo de adesão ao SISAN, visando a implantação da PNSAN, sobressaindo então, a necessidade da elaboração dos planos de SAN nos níveis estadual e municipal, tendo como principal finalidade promover o DHAA.
Na busca desse fortalecimento o projeto propôs como objetivo geral contribuir para a consolidação do SISAN nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão, tal contribuição se concretizou principalmente por meio da capacitação dos atores implicados no SISAN – gestores, conselheiros, técnicos das CAISAN e CONSEA dos estados e municípios – para a elaboração dos planos de SAN e monitoramento de suas metas.
Os objetivos e ações do ConsolidaSisan se constituem no eixo desta sistematização. O primeiro objetivo foi assessorar gestores públicos das Câmaras ou Instâncias Governamentais de Gestão Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN) e atores da sociedade civil, vinculados aos CONSEA estaduais para elaboração e/ou revisão dos Planos Estaduais de Segurança Alimentar e Nutricional. Para sua consecução realizou-se um diagnóstico situacional dos planos estaduais e dos componentes de SISAN por meio de três seminários (um por estado) para diagnóstico dos PLANSAN e dos componentes do SISAN e três oficinas, também uma por estado, para elaboração/revisão dos planos estaduais de SAN.
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O segundo objetivo visou desenvolver e implantar um sistema online para acompanhamento da implantação dos componentes do SISAN nos municípios do Ceará, Piauí e Maranhão. Para tanto, realizou-se a elaboração do software, o desenvolvimento do banco de dados e a capacitação dos atores locais para sua utilização.
O terceiro objetivo contemplou a capacitação de gestores públicos, conselheiros e representantes da sociedade civil no âmbito municipal para incentivar a elaboração e/ou revisão dos planos municipais de Segurança Alimentar e Nutricional, visando a efetivação da adesão ao SISAN. Sua realização envolveu três oficinas, uma por estado, para elaboração/revisão dos planos municipais de SAN.
O quarto objetivo foi assessorar os CONSEA e as CAISAN nos estados e municípios no desenvolvimento e implantação de metodologias, mecanismos institucionais e ferramentas para o monitoramento e avaliação dos PLANSAN, no âmbito dos sistemas estaduais e municipais de SAN. Para sua efetivação, foram realizados mapeamento dos modelos, ferramentas e mecanismos institucionais e de tecnologia de informação existentes para monitoramento e avaliação dos PLANSAN nos municípios dos estados do CE, PI e MA; capacitação de gestores e conselheiros nos três estados para o desenvolvimento e implantação das ferramentas de monitoramento e avaliação dos PLANSAN e da Política de SAN nos municípios; elaboração e distribuição de material educativo para os CONSEA e CAISAN estaduais e municipais nos três estados e estruturação de um núcleo de produção técnico-científica de referência regional na área de SAN.
Com esta sistematização esperamos refletir criticamente sobre o processo vivido, no âmbito da execução operacional, bem como racionalizar os problemas e dificuldades enfrentadas neste percurso, propor caminhos de superação e também realçar os êxitos obtidos. Na perspectiva acadêmico, a sistematização poderá contribuir para refletir criticamente sobre as potencialidades e desafios encontrados durante a experiência de fortalecimento do SISAN nos estados parceiros.
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O PROCESSO VIVIDO
Na fase de habilitação da UECE junto ao MDS, os parceiros nos três estados foram convidados a participar de uma reunião em Fortaleza, com o objetivo de contextualizar e discutir o projeto coletivamente, e esclarecer os papéis dos diferentes atores. Participaram integrantes da equipe local (CAISAN, CONSEA e UECE) e a professora representante da Universidade Federal do Maranhão, que custeou sua viagem. Ressaltamos que a ausência dos demais parceiros do Maranhão e Piauí, se justificou pela inexistência de recursos financeiros para custear seus deslocamentos à Fortaleza.
Após a realização dessa reunião, o primeiro seminário foi realizado em março de 2015 na UECE e contou com a presença dos representantes da universidade, CONSEA e CAISAN de cada estado, e de um representante do MDS. Essa atividade teve como objetivos: contextualizar a situação em que se deu a elaboração e apresentação da proposta pela UECE; apresentar o projeto e detalhar o planejamento orçamentário; sensibilizar os parceiros a se comprometerem com a execução do projeto, esclarecer o papel de cada um e sua importância para a consolidação do SISAN nos estados.
Esse seminário foi essencial para estabelecer o bom relacionamento entre as equipes dos três estados e dirimir dúvidas relacionadas a execução do projeto. O principal encaminhamento deste encontro foi o planejamento do seminário a ser realizado no Maranhão para apresentação do diagnóstico do SISAN.
Importante destacar que neste primeiro seminário, devido a uma série de entraves burocráticos, o MDS ainda não havia autorizado o uso do recurso financeiro, apesar disso os parceiros concordaram em participar, disponibilizando seus próprios recursos financeiros ou com ajuda de custo do CONSEA e CAISAN de seus estados.
O segundo seminário ocorreu em São Luís-MA, em dezembro de 2015.
Nele foi apresentado o diagnóstico situacional dos componentes do SISAN no Ceará, Piauí e Maranhão; a exposição sobre a pesquisa de participação social na V Conferência Estadual de SAN nos estados do Piauí e Ceará, realizadas como atividade paralela ao projeto; a definição dos requisitos essenciais para seleção dos bolsistas das equipes locais.
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Além dos parceiros do Projeto ConsolidaSisan, estiveram presentes conselheiros do CONSEA - MA e integrantes da CAISAN-MA, representantes da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Agricultura Familiar (SEDES) e Secretaria Adjunta de Segurança Alimentar e Nutricional do Maranhão (SASAN), além de algumas representações políticas do estado.
O diagnóstico dos componentes do SISAN nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão realizado pelo projeto, levantou as informações sobre os marcos regulatórios e sobre os Planos de SAN, inclusive os processos de construção, estrutura, desafios e principalmente, observou-se as deliberações das conferências, como elemento fundante a ser contemplado nos planos, bem como sua vinculação ao PPA do governo estadual e por fim, trazendo a oportunidade para que pesquisadores, gestores e representantes da sociedade civil avaliassem de forma coletiva o quadro apresentado e levantassem propostas sobre o que poderia ser melhorado. Ressaltamos que no Ceará já estava em execução o segundo PLANSAN (2016-2019), no Maranhão o primeiro PLANESAN (2012-2015) estava em andamento e o no Piauí o primeiro plano estava em fase de elaboração.
Neste contexto, foi necessário abordar no seminário em Teresina o processo de revisão do primeiro PLANSAN-CE e apresentar a experiência das etapas de elaboração dos planos do Piauí e Maranhão. Essa atividade ocorreu em setembro de 2016 e dele participaram as três equipes, às quais já haviam se incorporado os bolsistas; conselheiros e integrantes do CONSEA e CAISAN-PI e duas técnicas do MDS que expuseram sobre a sua experiência na elaboração, revisão e monitoramento do PLANSAN nacional. Além disso, foi realizada avaliação das etapas cumpridas e planejamento das próximas oficinas.
Paralelamente, um bolsista foi selecionado para desenvolvimento do software. Sua primeira tarefa foi criar a página do ConsolidaSisan, abrigada no sítio da UECE, como forma de publicizar e dar transparência às atividades do projeto. Um aspecto discutido quanto ao objetivo da criação do software, foi a continuidade da sua operacionalização após o término do projeto, o que depende unicamente da decisão de cada estado.
A etapa seguinte foi a realização de oficinas com o objetivo de capacitar gestores públicos, conselheiros e representantes da sociedade civil no âmbito municipal para incentivar a elaboração dos Planos Municipais de
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Segurança Alimentar e Nutricional - PLANSAN, visando o fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN. Foi uma etapa em que se contou com as contribuições dos participantes e a troca de experiências, trazendo para o debate os avanços e as dificuldades dos municípios na implementação da agenda de segurança alimentar e nutricional.
O planejamento metodológico foi conduzido pela bolsista de planejamento e execução de oficinas do Ceará com a participação da equipe, após a elaboração inicial a proposta foi encaminhada às equipes do Piauí e Maranhão para sugestões e só então foi finalizada. O critério de inclusão dos municípios foi a adesão ao SISAN (concluída ou em processo), a sensibilização e mobilização dos municípios foi realizada pela CAISAN - CE com apoio do CONSEA-CE.
As oficinas realizadas com carga horária de 16 horas abordaram os seguintes temas: Segurança Alimentar e Nutricional (conceitos: SAN, SISAN, Plano e PNSAN); Apresentação do Diagnóstico do SISAN nos três Estados (Panorama da situação de cada município convidado); Experiência do Estado e de municípios na elaboração dos Planos de Segurança Alimentar e Nutricional;
Exposição sobre as diretrizes da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional; Experiência municipal de funcionamento da CAISAN e de execução de programas, projetos e ações de SAN.
Em dezembro de 2017, foi realizada na UECE a primeira oficina com municípios cearenses e os parceiros dos três estados. Deveriam participar 33 municípios, porém apenas 16 enviaram representantes, integrantes dos CONSEA e CAISAN, quais sejam: Cariús, Caucaia, Crateús, Fortaleza, Ipueiras, Itapipoca, Lavras da Mangabeira, Maracanaú, Martinópolis, Monsenhor Tabosa, Novo Oriente, Pacatuba, Palhano, Paracuru, Piquet Carneiro e São Luís do Curu, totalizando 51 participantes (UECE, 2018).
Como encaminhamento dessa oficina, foi solicitada a construção de um Plano de Providências para elaboração dos Planos Municipais de SAN. Essa atividade buscou contribuir com os municípios em processo de adesão ao SISAN, no fortalecimento dos marcos regulatórios e com a CAISAN Ceará no assessoramento realizado junto aos municípios.
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Ao finalizarmos essa oficina, as equipes do Ceará, Piauí e Maranhão se reuniram para avaliar a oficina realizada e ver se precisava de ajustes para ser executadas nos outros dois Estados.
A segunda oficina foi realizada em abril de 2018, na sede da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB/PI), sob a condução da equipe no Piauí, com o auxílio das equipes do Maranhão e Ceará, além de órgãos parceiros como CAISAN/Secretaria de Ação Social e Cidadania, CONSEA, UFPI e CONAB/PI.
Deveriam participar 26 municípios piauienses, porém apenas 15 enviaram representantes, integrantes dos CONSEA e CAISAN: Teresina, São Domingos, Água Branca, Curralinhos, Júlio Borges, Acauã, Pimenteiras, Piripiri, Passagem Franca, Olho D'água, Itainópolis, Sebastião Leal, Santo Antônio dos Milagres, Brasileira e São Lourenço, totalizando 58 participantes (UECE, 2018).
A terceira oficina foi realizada no Maranhão em maio de 2018.
Estiveram presentes 30 municípios: Lagoa do Mato, Itapecuru Mirim, Maracaçumé, São Luís, São Mateus, São Raimundo das Mangabeiras, Pastos Bons, Paço do Lumiar, Fernando Falcão, Nova Iorque, Raposa, Buriti Bravo, Santa Helena, São José de Ribamar, Estreito, São Pedro dos Crentes, Barra do Corda, Marajá do Sena, Codó, Tufilândia, São Domingos do Maranhão, Pio XII, Viana, Grajaú, Santa Filomena, Lima Campos, Imperatriz, Afonso Cunha, Matões do Norte e Jenipapo dos Vieiras, totalizando 100 participantes (UECE, 2018).
Na execução do plano de SAN, dado o seu caráter intersetorial, uma questão desafiadora é o monitoramento, isto exige ampla e sólida articulação entre as diversas áreas administrativas nos níveis estadual e municipal. Assim, dando seguimento ao projeto, a oficina de monitoramento foi realizada nos três estados, para assessorar os CONSEA e as CAISAN estaduais e municípios no desenvolvimento e implantação de metodologias, mecanismos institucionais e ferramentas para o monitoramento e avaliação dos PLANSAN, no âmbito dos sistemas estaduais e municipais de SAN.
A oficina com duração de 16 horas pautou-se na elaboração e proposição de metodologias de monitoramento das ações de SAN;
aperfeiçoamento dos instrumentos já existentes; construção de matriz de
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indicadores e o próprio fortalecimento da ação intersetorial dentro da política estadual e municipal de SAN.
Foram planejadas conjuntamente com as equipes de cada estado, e novamente convidados todos os municípios adesos ou em processo de adesão ao SISAN. Os temas abordados foram: o que é monitoramento, a sua importância para o acompanhamento das ações, projetos e programas de SAN e como monitorar as ações de SAN; identificação das ações de SAN nos municípios e possíveis estratégias de monitoramento; a experiência de monitoramento do PLANSAN Nacional; monitoramento de ações, projetos e programas de SAN em âmbito estadual; a experiência de acompanhamento de ações, projetos e programas em âmbito local; a experiência da construção de uma matriz de indicadores para o monitoramento do PLANSAN Municipal e software de Monitoramento do SISAN.
Importante ressaltar que o monitoramento foi uma temática relativamente nova para a equipe executora do ConsolidaSisan, e o aprofundamento necessário para subsidiar a capacitação proposta no projeto envolveu a produção de uma dissertação, cujo objeto de estudo foi a elaboração de uma matriz de indicadores com potencial para nortear o monitoramento dos planos municipais (LIMA NETA, 2016) e ainda um estudo em nível de iniciação científica, cujas atividades se relacionaram à elaboração da referida matriz.
A primeira oficina de monitoramento foi realizada em Fortaleza, Ceará, no mês de setembro de 2018, dela participaram 110 representantes de 24 municípios cearenses: Alcântaras, Arneiroz, Cariré, Cariús, Caucaia, Cruz, Fortaleza, Icó, Iguatu, Ipueiras, Itapipoca, Maracanaú, Milhã, Novo Oriente, Pacatuba, Palhano, Paracuru, Parambu, Piquet Carneiro, Russas, Salitre, São Gonçalo do Amarante, São João do Jaguaribe e Tamboril (UECE, 2019).
A segunda oficina ocorreu em São Luís, Maranhão, em dezembro de 2018. Estiveram presentes 61 representantes de 19 municípios maranhenses:
Cândido Mendes, Santa Helena, Davinópolis, Colinas, São José de Ribamar, Santa Inês, Paço do Lumiar, Buriti Bravo, São Raimundo das Mangabeiras, São Luís Gonzaga, Itapecuru-Mirim, Santa Luzia, São João do Soter, Estreito, Bom Jesus das Selvas, Marajá do Sena, Grajaú, Viana e Pastos Bons (UECE, 2019).
A terceira oficina foi em Teresina, Piauí, também em dezembro de 2018, contou com 55 representantes de nove municípios piauienses: Júlio
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Borges, Teresina, Sebastião Leal, Água Branca, Corrente, Olho D'água, São Lourenço, Passagem Franca, Brasileira, e 03 maranhenses: Parnarama, Paço do Lumiar e Caxias (UECE, 2019).
Outra ação desta etapa, foi a estruturação do espaço físico e equipamentos do Núcleo de Referência Regional em SAN e a elaboração do material pedagógico composto por uma cartilha ilustrada sobre o SISAN, a ser distribuída nos municípios do Ceará, Piauí e Maranhão como material de apoio na criação e consolidação do SISAN em nível municipal, e o livro “Formando a teia da Segurança Alimentar e Nutricional: o relato da experiência do Projeto ConsolidaSisan” por meio do qual compartilhamos os saberes obtidos e aperfeiçoados nesses cinco anos de implementação de projeto.
O Núcleo de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional, localizado no Mestrado de Nutrição e Saúde - UECE, realizará atividades de pesquisa e formação na área de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional e do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável, congregando pesquisadores e estudantes de diversas áreas do conhecimento e instituições nacionais e estrangeiras, oferecendo subsídios para atuação dos CONSEA e CAISAN, além de oferecer suporte à formação da rede regional de pesquisadores em soberania e segurança alimentar e nutricional.
A REFLEXÃO DE FUNDO
A experiência do ConsolidaSisan revelou o retrato do SISAN nos estados e municípios envolvidos, e possibilitou ampliar a compreensão sobre potencialidades e desafios na implementação da agenda de SAN nas esferas estaduais e municipais. O projeto trouxe de forma didática e participativa a discussão e análise da necessidade de fortalecimento do SISAN.
Identificamos como potencialidades o compartilhamento de saberes, a importância do PLANSAN e seu monitoramento na consecução do DHAA, as relações de parceria estabelecidas entre as instituições e a força da ação conjunta na defesa desse direito e da Soberania Alimentar.
Dentre os desafios destacamos: oficinas com reduzido número de participantes, devido à falta de previsão de recursos financeiros para custear o deslocamento dos representantes dos municípios para as cidades onde ocorriam
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as atividades de formação. Este desafio mostra uma falha no planejamento, que deveria ter previsto a realização das oficinas nos municípios, o que certamente possibilitaria maior participação e envolvimento com os atores locais. Outro aspecto importante foi a forma de mobilização realizada por meio de ofício via e- mail seguido de contato telefônico, subestimando o uso das redes sociais.
Outro desafio se relaciona aos vários entraves burocráticos, tais como: obrigatoriedade dos processos licitatórios, chamadas públicas para a vinculação dos bolsistas, alterações necessárias no Plano de Trabalho, que não poderiam ser previstas a priori que paralisavam o Sistema de Convênios (SICONV) e repercutiam diretamente na liberação de recursos financeiros causando o atraso no cronograma previsto; a falta de feedback das avaliações de processo realizadas pelo órgão financiador.
A coordenação geral do projeto buscou sempre compartilhar com as coordenações do Piauí e Maranhão todas as intercorrências que resultaram em atrasos na realização atividades. O ideal seria o encontro presencial periódico das três equipes, o que era inviável do ponto de vista financeiro. Para superação deste desafio a estratégia foi o uso de videoconferência sistematicamente.
Também há que se destacar o desafio relacionado ao fortalecimento do SISAN nos municípios, a lição aprendida nos mostrou que não é bastante ter projetos de capacitação/qualificação dos atores locais. Nas oficinas foram ressaltados que a falta de compromisso dos gestores e o desconhecimento sobre a política de SAN, os parcos recursos para os programas e ações que concretizam a política, a desarticulação dos programas e políticas de SAN, a ausência de dados para a construção do PLANSAN (planejamento, execução, monitoramento e avaliação), a falta de capacitação continuada na temática para representantes do poder público e da sociedade civil, o fortalecimento da participação e do controle social, a necessidade de ampliar parcerias buscando a intersetorialidade são obstáculos que precisam ser ultrapassados para a implementação/consolidação desse sistema.
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OS PONTOS DE CHEGADA
Vivenciar o Projeto ConsolidaSisan nos desafiou a trabalhar de forma conjunta visando os mesmos objetivos, cada equipe em situações específicas de seus estados. Dessa forma, cada uma teve por vezes, de lançar mão de diferentes estratégias de enfrentamento das dificuldades surgidas, embora os ganhos nos três estados tenham sido semelhantes.
Em relação aos ganhos a experiência proporcionou:
a) Maior capacitação dos atores envolvidos na elaboração e revisão dos planos, bem como a qualificação para o monitoramento dos mesmos, tema muito incipiente nas equipes dos três estados;
b) Favoreceu a articulação e a troca de experiências entre estados e municípios, o que repercutiu em maior integração e fortalecimento entre CONSEA e CAISAN;
c) Ampliou o conhecimento do cenário estadual da segurança alimentar e nutricional e as necessidades reais dos municípios;
d) Apoiou os municípios no processo de consolidação do SISAN, do qual faz parte a elaboração/revisão dos planos municipais e seu monitoramento ressaltando que a participação dos municípios propiciou aos atores locais maior conhecimento sobre a PNSAN e compreensão sobre a importância da segurança alimentar e nutricional motivando a busca e o questionamento da execução da política de SAN no município;
e) Realçou a importância da formação continuada em SAN para o acompanhamento da PNSAN;
f) Viabilizou a formação de pesquisadores por meio do desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao ConsolidaSisan em nível de graduação, mestrado e doutorado;
g) Evidenciou a necessidade de ampliar a abordagem de SAN nos cursos de graduação em nutrição.
Quanto aos desafios, a vivência no ConsolidaSisan ressaltou que o parco financiamento para a execução da PNSAN nos estados e municípios é reflexo da falta de prioridade dessa política no nível federal e de compromisso do poder público nas três esferas, comprometendo a promoção do DHAA e da
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soberania e segurança alimentar e nutricional, o que associado à desarticulação entre CONSEA e CAISAN estadual / municipal resulta no enfraquecimento dessa política social.
As dificuldades enfrentadas para execução do projeto foram a necessidade de pessoal qualificado para operacionalizar o Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse do Direito Federal (SICONV); a diferença entre as normas de administração orçamentária e financeira da administração pública federal e estadual; o excesso de burocracia para alterações no Plano de Trabalho aprovado. Num projeto com as características do ConsolidaSisan os reajustes são esperados e deles dependem a regularidade das ações, porém a necessidade de alterar o plano de trabalho significava parar o SICONV, o que por sua vez atrasava a realização das atividades.
A parceria Universidades/CONSEA/CAISAN teve um grande potencial para a construção de conhecimentos e aprendizagens, ilustrada no quadro a seguir:
Quadro 1 – Estudos motivados pelas ações do Projeto ConsolidaSisan Pesquisas pontuais
Participação Social na V Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Ceará
A participação de sujeitos sociais na V Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Piauí
Dissertações/Teses/Iniciação Cientifica
Monitoramento do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional no Ceará, Piauí e Maranhão (Iniciação Científica)
Participação Social na Política de Segurança Alimentar e Nutricional em Fortaleza, Ceará (Dissertação)
Consolidação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional no estado do Maranhão: desafios e conquistas do cenário sociopolítico
(Dissertação)
Monitoramento e avaliação da Política de Segurança Alimentar e Nutricional:
proposta de uma matriz de indicadores no município de Maracanaú, Ceará (Dissertação)
Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional – Ceará e a Formulação da Política Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Tese)
Trabalhos apresentados em eventos
Formação e percepção sobre participação social de delegados da V Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Ceará Percepção dos delegados da V Conferência Estadual de SAN sobre sua contribuição na promoção da segurança alimentar e nutricional no Ceará
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A V Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Ceará:
Organização e participação social em Foco
Segmentos e espaços sociais representados na V Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Ceará
Conferências de Segurança Alimentar e Nutricional como Espaço de Formação Caracterização da participação dos conselheiros, estadual e municipais, e o seu papel no Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Piauí)
Elaboração de matriz de indicadores voltada a políticas municipais de Segurança Alimentar e Nutricional
Monitoramento do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional:
sistematização de experiência
Desenvolvimento e implementação de um canal de comunicação para acompanhamento da efetivação do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) nos munícipios dos estados do Ceará, Piauí e Maranhão Análise do II Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Ceará Indicadores de monitoramento e avaliação da política de segurança alimentar e nutricional a nível municipal
Elaboração de matriz de indicadores de saúde e nutrição voltados à política municipal de segurança alimentar e nutricional em Fortaleza-Ce
Contribuições para as ações de Segurança Alimentar e Nutricional de
delegados da 5ª Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Ceará
Diagnóstico dos componentes do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão
Construção do I Seminário Internacional de Soberania e Segurança Alimentar dos Países de Língua Lusófona na Universidade Estadual do Ceará
Produção Técnica
Manual de Orientações Básicas para Monitoramento de Planos de Segurança Alimentar e Nutricional
Cartilha “Passo a passo da construção do SISAN no município”
Livro “Formando a teia da segurança alimentar e nutricional: o relato da experiência do Projeto ConsolidaSisan”
Publicações em periódicos
Percepção de atores da Política de Segurança Alimentar e Nutricional sobre participação social
Fonte: Autoria própria.
Estes trabalhos ajudaram a conhecer e compreender aspectos específicos da implantação do SISAN, bem como necessidades formativas dos atores sociais implicados com a PNSAN. Foram importantes para manter a comunicação entre as equipes nos três estados, sua motivação e ânimo.
Os resultados dos estudos sobre participação e controle social apontaram que os CONSEA ainda são um espaço frágil de confronto entre sociedade civil e poder público, principalmente porque grande parte dos
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conselheiros têm uma visão limitada sobre o conceito de SAN e da dimensão da alimentação enquanto direito social (ARAUJO, 2015). Neste contexto, para que a sociedade civil intervenha efetivamente na política de SAN é de suma importância fortalecer o papel do conselheiro enquanto representante de seus segmentos como estratégia de fortalecimento da participação social, cuja qualificação é fator decisivo na sensibilização dos gestores quanto à essencialidade da política de segurança alimentar e nutricional, o que pode repercutir na consolidação do SISAN nos estados e municípios (MUNIZ et al.,2017; MOURA FÉ, 2018).
Para essa qualificação, é necessário instituir formação continuada para os conselheiros sobre a política de segurança alimentar e nutricional como o caminho para o cumprimento do direito à alimentação, o ciclo das políticas públicas cultura política, que são alguns dos conhecimentos fundamentais para qualificar a sua participação na elaboração da política e do plano de segurança alimentar e nutricional nos estados e municípios. Compreendemos ser essa uma estratégia potente para ampliar as práticas de participação e fortalecer os valores democráticos (MOURA FÉ, 2018).
Os estudos evidenciaram ainda, a necessidade de fortalecer a articulação sociedade civil e poder público, principalmente para a criação dos marcos legais e garantia da continuidade das ações articuladas, para que de fato a intersetorialidade esteja presente no financiamento, e para tal é essencial a participação da sociedade civil no planejamento orçamentário, ponto sensível dos planos de SAN, que além disso requerem dos governos federal e estadual o apoio técnico para as etapas de planejamento, implantação e acompanhamento da execução (MOURA FÉ, 2018; MUNIZ, 2014).
Também é essencial que seja estimulado o diálogo entre os representantes e representados, de tal modo que estes de fato representem os interesses de suas bases e sejam o elo entre estas e os espaços decisórios, nos quais a voz dos movimentos sociais e dos segmentos da população historicamente silenciados precisam ser ouvidas (AMORIM, 2014).
A divulgação sobre a segurança alimentar e nutricional tem papel de destaque na sua visibilidade enquanto política pública, sendo portanto fundamental a maior divulgação das atividades e demandas dos conselhos de SAN nos diversos ambientes: comunitários, acadêmicos, político e até mesmo
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empresarial, para que as demandas sejam mais bem equalizadas e o conselho possa exercer seu verdadeiro papel na política de SAN (AMORIM, 2014).
Os estudos realizados sinalizam pistas para novas pesquisas focando nos desafios relacionados à garantia orçamentária, intersetorialidade, monitoramento e avaliação, considerados nós críticos para a efetividade dos planos de SAN nos estados (MOURA FÉ, 2018).
Por fim, outro produto do ConsolidaSisan que guarda relação direta com a construção de conhecimentos foi a estruturação do Núcleo de Referência Regional em SAN, que se constitui em espaço de fomento de estudos e qualificação na temática, com o potencial de contribuir na formação de uma rede regional de pesquisadores, dando continuidade às parcerias estabelecidas no ConsolidaSisan e buscando agregar pesquisadores de demais estados do Nordeste.
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Capítulo 2
CONTRIBUIÇÕES DO PROJETO CONSOLIDASISAN PARA O
FORTALECIMENTO DO SISAN NOS ESTADOS DO CEARÁ, MARANHÃO E PIAUÍ
Regina Ângela Sales Praciano Francisca Malvinier Macedo
Dê instrumentos, mexa na estrutura, e o homem transformará a realidade adversa a que está submetido.
(Josué de Castro) CENÁRIO PARA CONCEPÇÃO DO PROJETO CONSOLIDASISAN
O Brasil alcançou no período de 2003 a 2014, resultados positivos na tarefa de diminuir os números da fome e da miséria que envergonhavam a sua história, desde longínquas épocas. Isso foi possibilitado através da implementação de políticas de transferência de renda, de investimentos em políticas sociais, do apoio à agricultura familiar (BRASIL, 2010; IBGE, 2010, 2015).
A promulgação da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN), de nº 11.346, de 15 de setembro de 2006, criou o Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) e tem como componentes, a Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CNSAN), o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN), os órgãos e entidades de segurança alimentar e nutricional e as instituições privadas, com ou sem fins lucrativos , que respeitem os critérios, princípios e diretrizes do SISAN (BRASIL, 2006).
O resultado do conjunto dessas políticas, agregadas às diferentes ações de inclusão também implementadas pelo poder público e a criação de uma rede de proteção social abrangente, levaram a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), uma das agências das Nações Unidas que trabalha na erradicação da fome e combate à pobreza a declarar o Brasil