Michel Foucault (1926-1984)
https://jorgesapia.wordpress.com
MICHEL FOUCAULT
Doença mental e psicologia ( 1954-62) Loucura e desrazão.
História da loucura na idade clássica (1961) Nascimento da clínica (1963)
Vigiar e Punir. Petrópolis: Ed. Vozes, 1975.
Microfísica do Poder. Rio de Janeiro. Ed.Graal, 4ª ed.
1984.
“Mostrar às pessoas que elas são muito mais livres do que pensam, que elas tomam por verdadeiro, por evidentes, certos temas fabricados em um momento particular da história, e que essa pretensa evidência pode ser criticada e destruída.”
(Michel Foucault
• https://youtu.be/Xkn31sjh4To
• https://www.cartacapital.com.br/blogs/outras-palavras/para-compreender-michael- foucault-9711.html
• Agradeço pela indicação aos alunos Luiz Fernando Candeias Daniel Athayde
Ana Karolina
Michel Foucault
Estudou o poder, a
subjetividade e a epistemologia
das ciências humanas.
Contemporâneo de Gilles
Deleuze
de Claude Lévi- Strauss, Jacques Lacan e de LouisAlthusser
Seguido pelos
contemporâneos:
• Judith Butler (Feminista) e Slavoj Zizek.
No século XX a filosofia política foi desafiada a responder a questões colocadas por diversos acontecimentos:
Conflitos armados – 1ª 2ª guerra Crescente violência política
Metodologias de controle e extermínio (campos de concentração e de extermínio)
Assassinatos indiretos causados pela gestão burocrática da economia e da vida das
pessoas.
As experiências totalitárias
utilizaram
mecanismos e procedimentos da racionalidade política
moderna.
Orientados pelos conhecimentos técnicos e
científicos
implementados para o controle, exclusão e ao
descaso pelos não coberto pela
seguridade social.
Saberes jurídicos, médicos, militares contribuíram com mecanismo de controle, de exclusão e de eliminação.
O poder na modernidade é realizado por várias instituições e muitos conhecimento e saberes presentes nas grandes instituições e nos pequenos acontecimento e relações interpessoais.
Há uma tecnologia que surge em meados do século XVIII, e que tem por alvo a regulação da população.
Foucault denomina de biopolítica da espécie humana.
Slide produzido pelos alunos do campus Barra
Luiz Fernando Candeias Daniel Athayde Ana Karolina
O século XIX apresenta uma ruptura com a filosofia clássica.
Inaugura uma nova epistemologia
Essa nova episteme é uma nova forma de se perceber e pensar. Inaugura o homem como objeto do saber
(FOUCAULT, 1987; 1999).
Na episteme moderna, o homem nasce num duplo
movimento, compondo um ser empírico e transcendental.
Empírico no sentido de se dar ao conhecimento, de se
permitir enquanto um objeto de estudo, experimentado e analisado como tal.
Transcendental no sentido de ser aquele que produz o conhecimento sobre si próprio através de um movimento de afastamento do seu objeto para ser o sujeito que detém este saber.
O Homem é uma criação recente
A ideia do homem como sujeito começa
no século XVII
Sujeito humano autônomo, que se auto concebe como
fundamento de toda a realidade e
que acredita ter a capacidade de
explicar e transformá-la.
Como sujeito se revela o sujeito
e se revela sujeito.
O sujeito
da modernidade está sujeito, ou
seja,
assujeitado.
Interesse pela compreensão da história
Procura escrever uma história da verdade
destacando os laços que esta mantém como o campo social e político, tanto pelas condições de possibilidade quanto pelos efeitos que produz.
Vai no sentido inverso da pretensão positivista de fundar um saber em um solo estável e
seguro.
Interesse pela maneira com que, através da
história, aparecem e desaparecem as fases
sucessivas do que denominamos “a “ verdade.
Na história da loucura
Reconstitui os passos pelos quais a loucura foi percebida na cultura ocidental.
Na Idade Média o louco é considerado
portador de um sinal sagrado, beneficiário de uma eleição divina, e por isso, livre e tolerado
Na modernidade caracterizada por um estado centralizador e livre da tutela da Igreja, o
louco se torna um fator de desordem social.
O que ele descobriu de tão original?
Na história da loucura enfatizou
a
descontinuidade, tanto das teorias
sobre a loucura, quanto das práticas que dizem respeito ao
louco.
Até a Revolução Francesa não
existia a categoria de
doença mental.
Na História da Loucura percebe
que conceitualmente era
impossível falar de doença mental antes do século XIX,
antes de Pinel e do Esquirol, criadores
da psiquiatria.
Redefinição da loucura
Só na
modernidade a loucura será redefinida como
“doença Mental”
pela instituição médica.
Antes de ser doença mental, a loucura era apenas
doença.
E como doença estava integrada
num tipo específico de racionalidade própria da época
clássica
Essa racionalidade entendia não ser
necessário uma medicina especial, na
medida em que não existia uma diferença
entre o físico e o mental que
caracterizariam dois tipos de doenças.
(Roberto Machado)
Segundo tipo de ruptura: A história da loucura estabelece uma ruptura importante:
Antes da RF, antes de Pinel e Esquirol não havia hospital psiquiátrico, não existia hospício. O que foi chamado de Hospital geral (1556) é um marco de lidar, não com a loucura, mas com o louco.
A grande internação (século XVII—época do
Descartes) não é uma instituição médica, mas uma entidade assistencial.
É a ordem 3 da repressão (situada entre a polícia e a justiça). É entidade repressiva, com o a exclusão de indivíduos considerados perigosos porque associais.
Na modernidade é o médico que tem o poderde diagnosticar a loucura.
Desrazão o desatino.
O hóspede da Grande internação é formado
pela população dos outros.
Engloba aqueles que serão considerados
desviados.
Os 1º internados representam
fenômenos relacionados à transgressão da
sexualidade:
portadores de doenças venéreas adquiridas fora da instituição familiar, e caracterizados como
desrazoados.
2º os sodomitas.
(homossexual é uma criação
recente) A
homossexualidade é um conceito
nascido na medicina.
São alvo do confinamento a sexualidade, a libertinagem e a desordem do coração.
Propõe a categoria
de desordem
do coração
A magia, a feitiçaria e a
alquimia, correspondem
a essa categoria.
Outra categoria:
o libertino, Sade, foi um dos sujeitos mais celebres dessa
população.
São alvo da internação os delitos contra a sexualidade, a libertinagem e da
desordem do coração, e uma quarta
categoria, o louco, que na época clássica
representam um perigo à moralidade,
postos que são destituídos de razão e
precisam ser excluídos da sociedade.
JERÔNIMO BOSCH “A CURA DA LOUCURA”
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O nascimento do hospital
As disciplinas
O nascimento do hospital psiquiátrico
• (...) o internamento não foi [...] uma prática médica, o rito de exclusão ao qual ele procede não se abre sobre um espaço de conhecimento positivo e foi preciso à França esperar a grande circular de 1785 para que uma ordem médica penetrasse no internamento, e (...) para que se coloque a questão de saber se cada internado é louco ou não.
• Até Haslam e Pinel, não haverá (...) experiência médica
nascida do asilo ou no asilo; o saber da loucura tomará lugar em um corpus de conhecimentos médicos no qual ele figura como um capítulo dentre outros, sem que nada indique o modo de existência particular do louco no mundo, nem o sentido de sua exclusão” (H.L, p.189).
A DISCIPLINA, ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
•
1) Arte de distribuição espacial dos indivíduos.
•
A disciplina é, antes de tudo, a análise do espaço.
•
É a individualização pelo espaço, a inserção dos corpos em um espaço individualizado,
classificatório, combinatório.
•
2) exerce seu controle, não sobre o resultado de uma ação, mas sobre seu desenvolvimento.
•
Se desenvolve uma arte do corpo humano, um controle dos movimentos.
•
3) é uma técnica de poder que implica uma
vigilância perpétua e constante dos indivíduos.
As disciplinas são técnicas de ordenação das multiplicidades humanas segundo 3 critérios:
Tornar o exercício do poder o menos custoso possível (economicamente e politicamente - discreto, gera pouca resistência).
Levar os efeitos do poder social a seu máximo de intensidade e tão longe quanto possível, sem fracasso, nem lacuna.
Ligar o crescimento econômico do poder e o rendimento dos aparelhos no interior dos quais se exerce (aumentar a docilidade e a utilidade).
• “A disciplina é o processo técnico unitário pelo qual a força do corpo é com o mínimo ônus reduzida como força ´política` e maximizada como força útil.
• O crescimento de uma economia capitalista [apelou ao poder disciplinar], cujas fórmulas gerais, cujos processos de submissão das forças e dos corpos, cuja
´anatomia política’ (...), podem ser postos em funcionamento através de regimes políticos, de aparelhos ou de instituições muito diversas. “
• https://www.youtube.com/watch?v=9mVVa-4f3ZE
• The Wall
O NASCIMENTO DO HOSPITAL
O Hospital
• Individualização: Indivíduo como Objeto
• O indivíduo emerge como objeto do saber e da prática médicos.
Disciplinarização do espaço médico.
• pelo fato de se poder isolar cada indivíduo
• colocá-lo num leito, prescrever um regime, etc.,
Pelas descrições funcionais se chega a uma disciplina individualizante.
• Individualização que será transladada para outras instituições.
• Exército (fuzil). Escola, Fábrica
SOCIEDADES DISCIPLINARES: O PODER
Sociedades compostas por instituições nas quais o poder se exerce mediante o confinamento dos corpos no espaço.
O poder Tradicionalmente se encontrava no estado.
Revela os mecanismos e
dispositivos institucionais que
exercem o poder
.O Panoptismo
Modelo Compacto do Dispositivo Disciplinar (p. 174)
Características do confinamento: espaço fixo, fechado, recortado, vigiado em todos os pontos.
Controle minucioso dos movimentos dos indivíduos e registro detalhado dos acontecimentos.
Cada indivíduo é constantemente encaminhado e distribuído entre os
localizado, vivos, os doentes e os mortos.
Vantagens do Panóptico
Poder invisível e inverificável.
Dispositivo que automatiza e desindividualiza o poder - pouco importa quem observa ou porque observa.
A sujeição real nasce mecanicamente de uma relação fictícia. Não é necessário o uso da força para obrigar o condenado ao bom comportamento.
O panóptico é polivalente em sua aplicações:
• 1)Serve para corrigir os prisioneiros;
• 2) Serve para cuidar dos doentes;
• 3) Serve para instruir estudantes;
• 4) Serve guardar loucos;
• 5) Serve para fiscalizar os operários e fazer
trabalhar os ociosos.
Mapeamentos Século XIX:
Desenvolvimento de mapas temáticos
Mapas de
alfabetização Criminalidade Geológicos
Etnográficos Doenças
Natalidade
Pobreza Fotografia para
mapear as estrelas
Ordem, poder e produtividade
Em Instintos e Instituições Deleuze afirma que
•A diferencia entre os homens e os
animais é a inexistência, nos primeiros, de um padrão de comportamento.
• Os seres humanos substituem o padrão
instintivo pela invenção das instituições
que intermedeiam as relações entre os
homens.
Socialização
É o processo pelo qual o indivíduo é ensinado a conhecer a sociedade e aprender a cultura, a estrutura e as
instituições dessa sociedade, assim como o papel que ele desempenha nela.
Tornar-se socializado é “tornar-se” a sociedade, fazê-la parte de nós, internaliza-la. Cada organização em que ingressamos ou formamos estabelece procedimentos para fazer com que os novos membros aprendam os padrões e assegurar que tudo funcione bem.
A socialização cria as qualidades que nos tornam plenamente humanos.