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Gonança corporativa: de seus princípios e práticas ao setor público brasileiro

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Academic year: 2018

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FACULDADE DE DIREITO GRADUAÇÃO EM DIREITO

IVINA SAMPAIO BRAGA

GOVERNANÇA CORPORATIVA: APLICABILIDADE DE SEUS PRINCÍPIOS E PRÁTICAS AO SETOR PÚBLICO BRASILEIRO

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GOVERNANÇA CORPORATIVA: APLICABILIDADE DE SEUS PRINCÍPIOS E PRÁTICAS AO SETOR PÚBLICO BRASILEIRO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Programa de Graduação em Direito da Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial à obtenção do título de bacharel em Direito. Áreas de concentração: Direito Empresarial e Direito Administrativo.

Orientador: Prof. Dr. William Paiva Marques Júnior

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GOVERNANÇA CORPORATIVA: APLICABILIDADE DE SEUS PRINCÍPIOS E PRÁTICAS AO SETOR PÚBLICO BRASILEIRO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Programa de Graduação em Direito da Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial à obtenção do título de bacharel em Direito. Áreas de concentração: Direito Empresarial e Direito Administrativo.

Aprovada em: 16/12/2016.

BANCA EXAMINADORA

________________________________________ Prof. Dr. William Paiva Marques Júnior (Orientador)

Universidade Federal do Ceará (UFC) _________________________________________

Prof.ª Dr. Raquel Cavalcanti Ramos Machado Universidade Federal do Ceará (UFC) _________________________________________

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Universidade Federal do Ceará Biblioteca Universitária

Gerada automaticamente pelo módulo Catalog, mediante os dados fornecidos pelo(a) autor(a)

S1g SAMPAIO BRAGA, IVINA.

Governança corporativa: aplicabilidade de seus princípios e práticas ao setor público brasileiro. / IVINA SAMPAIO BRAGA. – 2016.

86 f.: il. color.

Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – Universidade Federal do Ceará, Faculdade de Direito, Curso de Direito, Fortaleza, 2016.

Orientação: Prof. Dr. WILLIAM PAIVA MARQUES JÚNIOR.

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A Deus, por fazer deste mundo um maravilhoso e extraordinário sistema de pesos e contrapesos. Todos os meus agradecimentos decorrem de uma premissa básica: Deus em sua infinita bondade e sabedoria nos colocou em um fantástico mundo de pesos e contrapesos, o que significa que toda a dor e sofrimento pelo qual todo ser humano passa é compensada por pequenos ou grandes milagres no decorrer de sua vida.

Esta pretensiosa linha de pensamento surgiu quando escutei em um filme, dirigido por Hayao Miyazaki, a seguinte frase: “life is suffering.It is hard.The World is cursed.But still you find reasons to keep living”.Desse modo, gostaria de ao menos tentar agradecer a alguns dos meus maravilhosos motivos, os quais me fazem perceber todos os dias o quanto eu anseio pela vida por mais difícil que ela se apresente em alguns dias.

Aos meus pais, Neto e Rosa, por lutarem todos os dias pela minha felicidade e a dos meus irmãos, por fazerem sacrifícios impensáveis, por acreditarem mais do que deveriam nas minhas capacidades e, principalmente, pelo amor incondicional que me dispensam mesmo que muitas vezes eu não o mereça.

Aos meus irmãos, Davi e Vivian, por me ensinarem o quão precioso é o amor fraternal, o qual é inexplicavelmente baseado em brigas, piadas, sorrisos e competições pelo último pedaço de qualquer coisa.

À Mel por ser a cadela mais especial de todo o mundo, por ser a minha fonte de sorrisos automáticos gerados simplesmente por sua presença, por inexplicavelmente sentir a minha tristeza e consolá-la e por unir, ainda mais, os outros amados membros da minha família à sua volta.

Às minhas amigas Amanda e Monique por terem se tornado os contrapesos de um dos maiores pesos que tive que levantar na vida, dificuldade de manter amizades em razão de

bullying e outras penosas experiências, por terem me feito perceber o quanto os laços de amizade que formamos na vida fazem parte da lista dos incontáveis pequenos milagres.

Aos meus amigos Lia, Roberta, Carol, Katherine, Camila, Joana, Isabela, Déborah, Fiama e Cleantony por igualmente me fazerem crer na amizade e iluminarem os meus dias.

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acha bom”.

Novamente ao meu orientador William Marques, ao professor João Luís e à Professora Raquel Ramos Machado por terem se tornado os meus exemplos favoritos de como o serviço público brasileiro pode contar com os mais admiráveis servidores e, principalmente, com os mais fantásticos professores.

Aos que me orientaram nos estágios que fiz o longo da graduação, Dra. Edna, Dr. Anaílton, Dra. Roberta, Dr. Leandro, Dr. Holanda, Dr. Afonso, Dr. Seledon, Thiago, Rita, Clene e Reviângela por terem contribuído de modo essencial para meu crescimento profissional e por me renderem não apenas bons ensinamentos como também boas lembranças.

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público exige competência e conduta ética dos gestores em relação à transparência, prestação de contas e responsabilização(accountability).

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A possibilidade de aplicação dos princípios e boas práticas da governança corporativa ao setor público brasileiro afigura-se como uma temática pertinente capaz de contribuir consideravelmente para o aumento da eficácia da máquina estatal. Assim, o primeiro e o segundo capítulo analisam o conceito de governança corporativa bem como a evolução histórica deste termo, demonstrando, inclusive, a notória repercussão social que boas ou más práticas de governança ensejaram ao longo da história e como os primórdios da governança corporativa podem ser vislumbrados desde os primeiros modelos empresariais. Frise-se que o histórico evolutivo das companhias de capital aberto é realizado para demonstrar que o aumento de complexidade dos tipos de empresa acarretaram problemas gerenciais diversificados que necessitaram de soluções de governança igualmente diferenciadas. Além disso, são analisados três marcos históricos essenciais para o estudo da governança corporativa, quais sejam o ativismo de Robert Monks, o Relatório Cadbury e os princípios fixados e atualizados pela OCDE. Por sua vez, o terceiro capítulo busca transpor e adaptar os conceitos analisados para a realidade brasileira, mais precisamente, para o âmbito do setor público brasileiro. A finalidade deste estudo consiste na ideia de que o grau de qualidade do serviço público brasileiro pode ser significativamente maximizado pela transposição de práticas e princípios gerenciais típicos do ambiente corporativo, os quais guardam clara compatibilidade jurídica com os objetivos e princípios da Administração Pública. Desse modo, a análise referenciada se deu pelo estudo de trabalhos acadêmicos diversos efetivados por pesquisadores brasileiros e estrangeiros de múltiplas áreas como Direito, Administração, Economia e mesmo Engenharia; pesquisas realizadas por órgãos públicos brasileiros com o Tribunal de Contas da União(TCU) e órgãos públicos estrangeiros como a Australian National Audit Office(ANAO). Além disso, foram realizadas ponderações sobre uma iniciativa concreta que ocorreu em nosso país, a qual buscou aplicar os princípios e as boas práticas de governança corporativa ao setor público brasileiro e que se denominou como o projeto choque de gestão do Estado de Minas Gerais.

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The possibility of applying the principles and good practices of corporate governance to the Brazilian public sector appears as a pertinent theme capable of contributing considerably to the increase of the efficiency of the state. Therefore, the first and second chapters analyze the concept of corporate governance as well as the historical evolution of this term, demonstrating even the notorious social repercussions that good or bad governance practices have had throughout history and how the beginnings of corporate governance can be noticed from the earliest business models. It is necessary to emphasize that he evolutionary history of publicly traded companies is carried out to demonstrate that the increased complexity of business models has led to diversified managerial problems that required equally differentiated governance solutions. In addition, three key historical milestones are studied with the objective of really understand corporate governance, which are Robert Monks' activism, the Cadbury Report and the principles set and updated by the OECD.In turn, the third chapter seeks to transpose and adapt the concepts analyzed for the Brazilian reality, more precisely, to the ambit of the Brazilian public sector. The purpose of this study is the idea that the degree of quality of the Brazilian public service can be significantly maximized by the transposition of practices and management principles typical of the corporate environment, which maintain clear legal compatibility with the objectives and principles of Public Administration. In this way, the referenced analysis was based on the study of several academic works carried out by Brazilian and foreign researchers from multiple areas such as Law, Administration, Economics and even Engineering; Surveys conducted by Brazilian public agencies like Federal Audit Office and foreign public agencies such as the Australian National Audit Office (ANAO). In addition, we studied a concrete initiative in our country that sought to apply the principles and good practices of corporate governance to the Brazilian public sector as seen in the management shock project of the State of Minas Gerais.

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Figura 1 − Fluxograma acerca da influência das boas práticas de governança corporativa no desenvolvimento econômico...

33

Figura 2 − Os “barões ladrões”... 43 Figura 3 – Principais Secções da Lei Sarbanes-Oxley... 53 Figura 4 –Interesses imperfeitamente assimétricos de contribuintes e gestores do

Estado... 62

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ANAO Australian National Audit Office

CEO Diretor Executivo

EUA Estados Unidos da América

G20 Grupo dos 20

IBCG Instituto Brasileiro de Governança Corporativa IBOVESPA Índice da Bolsa de Valores de São Paulo

NPM Nova Gestão Pública

OCDE Organização para Cooperação e Desenvolvimento

OSCIPs Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público

SEC Securites and Exchange Commission

SOEs Corporate Governance Guidelines for State-Owned Enterprises

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1 INTRODUÇÃO …... 14

2 GOVERNANÇA CORPORATIVA: DEFINIÇÃO, PRINCÍPIOS E PRINCIPAIS PRÁTICAS... 18 2.1 Definição de governança corporativa …... 18

2.2 Objetivos da governança corporativa... 20

2.3 Os fundamentos jurídicos da governança corporativa …... 22

2.4 Princípios fundamentais da governança corporativa... 23

2.4.1 Princípio da transparência... 24

2.4.2 Princípio da equidade... 25

2.4.3 Princípio da prestação de contas... 26

2.4.4 Princípio da responsabilidade corporativa... 27

2.5 Principais práticas de governança corporativa... 29

2.6 Efeitos da governança corporativa sob o desenvolvimento econômico …... 31

3 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA GOVERNANÇA CORPORATIVA …... 35

3.1 Origem e desenvolvimento das companhias de capital aberto... 35

3.1.1 As companhias licenciadas de comércio: segundo marco evolutivo essencial... 36 3.1.2 Surgimento do modelo contemporâneo de sociedades anônimas... 40

3.1.3 Disseminação das companhias de grande porte... 41

3.1.4 A dispersão do capital social... 43

3.1.5 Escândalos empresariais associados a práticas ineficientes de governança corporativa... 45 3.2 Histórico evolutivo da governança corporativa... 46 3.2.1 Marco inicial da governança corporativa: o ativismo pioneiro de Robert

Monks... 46

3.2.2 Principal marco do atual modelo de governança corporativa: o Relatório Cadbury...

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Cooperação e Desenvolvimento Econômico(OCDE)... 3.3 Os grandes marcos evolutivos da governança corporativa no século XXI e

suas atuais tendências... 51

3.3.1 A lei Sarbanes-Oxley... 52 3.3.2 A crise financeira iniciada em 2008... 54 3.3.3 Tendências evolutivas da governança corporativa: aplicação em empresas

familiares e no setor público... 56

4 APLICABILIDADE DOS PRINCÍPIOS E BOAS PRÁTICAS DA GOVERNANÇA CORPORATIVA AO SETOR PÚBLICO …...

58

4.1 Conceito de governança pública... 58 4.1.1 Diferenciação entre governabilidade e governança... 59 4.1.2 Nova Gestão Pública: conceituação e diferenciação entre esta e a governança

corporativa... 60

4.1.3 Peculiaridades da governança pública... 61 4.2 Compatibilidade jurídica dos princípios e práticas da governança corporativa

com os princípios da Administração Pública... 63

4.2.1 Compatibilidade entre o princípio da transparência e o princípio da publicidade da Administração Pública...

64

4.2.2 O princípio da prestação responsável de contas(accountability) como mecanismo da efetivação dos princípios da legalidade e da moralidade administrativa...

66

4.2.3 As boas práticas de governança corporativa que propiciam o princípio da impessoalidade...

67

4.2.4 A implementação do princípio da eficiência como fim último da transposição de boas práticas de governança corporativa ao setor público...

68

4.3 Elementos que constituem uma boa governança pública... 69 4.3.1 A liderança como elemento de boa governança pública... 69 4.3.2 A essencial presença da integridade na governança pública... 70 4.3.3 O compromisso como imprescindível para a maximização da eficiência

estatal …... 71

4.3.4 A integração como elemento primordial de

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empresas estatais brasileiras... 4.4.1 Principais falhas de governança observadas nas estatais brasileiras... 73 4.4.2 As diretrizes de governança corporativa nas empresas estatais fixadas pela

OCDE... 74

4.4.3 Dicotomia existente entre o real interesse das sociedades de economia mista: interesse público ou valor empresarial...

75

4.5 O e-government como novo mecanismo de governança no setor público... 76 4.6 Projeto choque de gestão de Minas Gerais: iniciativa pioneira de transposição

dos princípios da governança corporativa ao setor público brasileiro... 78

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS... 80

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1 INTRODUÇÃO

Com o fito de demonstrar a aplicabilidade da governança corporativa ao setor público brasileiro, divide-se o estudo em questão em três pontos essenciais, os quais são: conceituação do termo governança corporativa bem como de seus princípios e principais práticas, evolução histórico evolutiva do termo conceituado e, por fim, demonstração de que a governança corporativa não apenas é aplicável à Administração Pública como também afigura-se como valioso mecanismo de efetivação dos objetivos e princípios desta.

A governança corporativa consiste em uma série de princípios e mecanismos que visam à maximização da rentabilidade empresarial bem como a manutenção do valor de determinada empresa. Assevere-se que mesmo antes de ser conceituada pela primeira vez no início da década de 1990, esta já se encontrava presente, de forma mais atenuada, nos mais antigos modelos de sociedades empresárias.

Frise-se que a busca por modelos gerenciais mais eficientes começa a ocorrer de modo mais intenso a partir do surgimento e evolução das sociedades de capital aberto, uma vez que estas, por sua acentuada maior complexidade, demandam soluções diferenciadas de governança.

Desse modo, a análise histórica da governança corporativa deve ocorrer de forma concomitante ao estudo do histórico evolutivo das companhias de capital aberto, conforme abordado no terceiro capítulo deste trabalho, visto que as falhas que se apresentaram nos modelos gerenciais dessas empresas incutiram a ideia de que se necessitava estabelecer quais seriam os padrões inerentes a um bom modelo de gestão empresarial.

Um dos principais problemas da gestão empresarial moderna surgiu com o fenômeno da separação entre propriedade e controle, o qual pode ser conceituado pelo fato de que os proprietários de uma empresa não mais a gerenciam diretamente tendo em vista que essa atribuição é delegada a executivos responsáveis pela efetivação de uma gestão mais especializada.

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presente entre os interesses dos acionistas e os dos executivos, visto que o padrão de gerenciamento efetivado pelos últimos pode ser prejudicado em razão da tomada de decisões que visam aos seus próprios interesses e não aos interesses da empresa.

Assim, verifica-se que o aludido antagonismo causou, ao longo da história, sérias problemáticas no âmbito financeiro mundial em razão do fato de que inúmeras empresas, as quais afiguravam-se como essenciais para o desenvolvimento econômico de certos países, não lograram êxito em se manter no mercado em face de problemas graves de governança relacionados, muitas vezes, à divulgação de informações não condizentes com a realidade e por manobras gerenciais imprudentes tomadas em benefício de determinados grupos de acionistas e de certos executivos, mas não visando o melhor interesse da empresa.

Por conseguinte, a ausência de boas práticas de governança corporativa causou um retrocesso significativo no desenvolvimento econômico mundial, o que propulsionou países como a Inglaterra, primeiro país a elaborar um relatório acerca de como a governança corporativa se apresentava em seu território, a editar o primeiro código de boas práticas de governança corporativa com o fito de resgatar a confiança de que seus investidores outrora detinham.

Dessa forma, inúmeros outros países seguiram esta tendência, inclusive o Brasil com o Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa elaborado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa(IBCG), visando igualmente atrair investidores e estabelecer princípios e práticas característicos de uma gestão empresarial eficiente.

As principais premissas de governança corporativa que foram amplamente recepcionadas pelos códigos de boas práticas de diversos países consistem na busca da efetivação dos princípios da prestação responsável de contas, transparência, responsabilização e tratamento equitativo dos acionistas.

Logo, diante da observação dos aspectos positivos gerados pela governança corporativa no âmbito empresarial surgiu a proposta de se aplicar as máximas desta ao setor público, haja vista que a aplicação referenciada se afigura como uma das tendências evolutivas da governança corporativa.

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marcado pela excessiva burocratização da máquina estatal, empresas públicas notoriamente mau administradas e um serviço público que, no geral, está longe de corresponder à justa expectativa da população.

O objetivo principal desta análise consiste na busca de mecanismos de governança que, se aplicados e devidamente adaptados ao setor público brasileiro, são capazes de modificar o precário cenário vivenciado pela população, a qual contribui com valores expressivos e recebe em troca serviços de má qualidade ou notoriamente insuficientes para as demandas que deveriam ser supridas por um Estado Democrático de Direito.

É válido asseverar que a discussão presente é plenamente passível de ser analisada sob os seus aspectos jurídicos diante do fato, por exemplo, que é possível vislumbrar claras orientações de governança corporativa no âmbito da legislação empresarial brasileira, como por exemplo, em dispositivos presentes na Lei das SAs(Lei nº 6.404/1796).

Ademais, as práticas de governança corporativa, para que possam ser aplicadas, devem compatibilizar-se com os princípios que regem a Administração Pública, os quais são os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, pessoalidade e eficiência, dispostos no “caput” do artigo 37 da Constituição Federal de 1988.

O estudo referenciado utiliza como referencial teórico trabalhos acadêmicos efetivados por pesquisadores de diversas áreas para que sejam demonstrados os benefícios que podem advir da aplicação de boas práticas de governança não apenas sob o aspecto teórico jurídico, mas igualmente sob o viés prático.

Outro meio utilizado para esclarecer a possibilidade desta aplicação consiste igualmente na análise de uma iniciativa neste sentido, como o projeto choque de gestão que ocorreu em Minas Gerais no ano de 2003 que demonstra quais pontos podem ser considerados como bem-sucedidos, quais aspectos devem ser reformulados e quais as falhas e acertos que caracterizaram essa iniciativa.

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órgãos públicos brasileiros como o TCU, órgãos estrangeiros como a Australian National Audit Office(ANAO) e organizações internacionais como a OCDE.

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2 GOVERNANÇA CORPORATIVA: DEFINIÇÃO, PRINCÍPIOS E PRINCIPAIS PRÁTICAS

A conceituação de governança corporativa apenas surgiu na década de 1990 e, de acordo Andrade e Rossetti(2009) é conceituada por quatro diferentes grupos, os quais a vislumbram respectivamente como: guardiã de direitos, sistema de relações, estrutura de poder e sistema normativo.

O primeiro grupo caracteriza a governança corporativa como guardiã de direitos, o que significa que a governança teria como papel principal fornecer instrumentos aptos a atenuar ou dirimir os conflitos que ocorrem entre os acionistas majoritários e os minoritários e entre os acionistas e os membros da diretoria executiva de modo a assegurar a todos a fruição plena dos seus direitos.

Por sua vez, outro grupo acredita que governança corporativa deve consistir em um eficiente sistema de relações que devem ser orientados para o melhor interesse da empresa, ou seja, a governança deve ser capaz de estabelecer mecanismos de harmonização entre as relações presentes entre os acionistas, conselhos de administração, executivos e partes interessadas de forma a assegurar o retorno dos investimentos.

O terceiro grupo classifica a governança corporativa como uma estrutura de poder, o que expressa que esta, basicamente, consiste no conjunto de mecanismos pelos quais as companhias são dirigidas e controladas.

O quarto grupo caracteriza a governança corporativa como um sistema normativo, visto que esta implantaria um sistema de valores socialmente aceitos no âmbito corporativo por meio, por exemplo, de estatutos legais e termos contratuais que consistiriam em mecanismos normativos capazes de prover um adequado monitoramento de uma empresa bem como maximizar a sua eficiência.

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Todavia, não optou-se pelo termo, “governo das empresas”, sugerido por alguns estudiosos brasileiros em razão da maior disseminação e consolidação do termo governança corporativa no âmbito de estudos da área.

2.1 Definição de governança corporativa

A análise conceitual é feita com base em definição elaborada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa(IBGC, online):

Governança corporativa é o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre proprietários, Conselhos de Administração, Diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de governança corporativa convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para sua longevidade.

Por conseguinte, a leitura desta definição permite conceber que a governança corporativa, fundamentalmente, é um sistema que visa à manutenção do valor de determinada empresa.

Explicite-se melhor, o valor de uma empresa consiste não apenas em sua capacidade de gerar receitas e lucros, mas igualmente na primordial necessidade de manter-se saudável ao longo do tempo e de apresentar-se como competitiva em meio a múltiplas e insperadas mudanças que ocorrem no âmbito dos negócios.

Dessa forma, em linhas gerais, a governança corporativa consiste na maneira pela qual sociedades empresárias são dirigidas, ou seja, igualmente pode ser definida como o conjunto de práticas que asseguram que determinada empresa alcance os melhores resultados possíveis.

Ocorre que a busca por esses resultados não depende de fatores puramente intelectivos como uma simples relação de causa e consequência, haja vista que o gerenciamento de uma empresa também está relacionado ao âmbito relacional desta como, por exemplo, os indivíduos que dela fazem parte como aduz Alexandre di Miceli (2015, p.03):

O que chamamos de governança corporativa diz respeito à maneira pela qual as sociedades são dirigidas e controladas, incluindo suas regras explícitas e tácitas, com destaque para o relacionamento entre seus principais personagens: diretoria, conselho de administração e acionistas. Trata-se de um tema que exige uma abordagem multidisciplinar, englobando áreas como ética empresarial, gestão, liderança, psicologia social, direito, economia, finanças e contabilidade, entre outras.

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manutenção do valor da empresa ocorra em face do esforço conjunto de todos aqueles que fazem parte desta.

Frise-se que esse objetivo não possui mera repercussão no âmbito interno de determinada empresa, mas também em seu âmbito externo tendo em vista que a aplicação de princípios diretivos de governança como transparência e sustentabilidade possuem extensão social considerável e desejável.

É importante asseverar que a referida repercussão no âmbito social não decorre de qualquer assistencialismo das grandes corporações, haja vista que múltiplas práticas de governança corporativa se compatibilizam com os ideais da governança pública como assevera Artur Fontes de Andrade(2013) em sua obra “governança corporativa nas empresas estatais”:

Observe-se que o desenvolvimento humano sustentável buscado pelas boas práticas de governança corporativa não se constitui em assistencialismo e tampouco em bondade das corporações, visto que, como já realçado, apesar de tais ações trazerem benefícios à sociedade, essas medidas de gestão tem como principal objetivo aumentar o valor da sociedade e facilitar seu acesso ao capital.

Assim, vislumbra-se que conceito de governança corporativa, primordialmente, consiste no conjunto de práticas que visam à potencialização da eficiência do gerenciamento empresarial a partir da aplicação de princípios, como a transparência, prestação de contas, equidade e responsabilidade corporativa.

Desse modo, o estudo desse conceito é efetivado com o fito de comprovar que uma série de princípios e práticas inerentes à governança corporativa são plenamente aplicáveis à gestão pública.

2.2 Objetivos da governança corporativa

A governança corporativa possui como objetivo último a efetivação de mecanismos que estendam o valor de uma empresa da forma mais eficiente possível.

Não obstante, a consecução desse objetivo depende do alcance de outras metas, as quais podem ser classificadas como metas internas à empresa ou externas à empresa, segundo classificação elaborada por Alexandre di Miceli.(2015)

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as decisões sejam substancialmente mais voltadas para o melhor interesse, a longo prazo, de determinada organização empresarial.

Acentue-se, inclusive, que a implementação da referida democratização igualmente possibilita que certa empresa se torne mais atraente para aplicação de eventuais investimentos tendo em vista que é preferível investir em uma organização em que as decisões são tomadas prioritariamente em face do melhor interesse da empresa do que em razão de interesses particulares.

Outro importante objetivo interno à empresa consiste na necessidade da minimização de possíveis resultados negativos provenientes de deslizes efetuados por executivos ou colaboradores, logo, a disseminação do controle societário é uma das medidas que são capazes de promover essa meta, visto que a organização fica menos suscetível de ser prejudicada por erros que apenas se verificam pela ausência de fiscalização mútua daqueles que fazem parte dos mais altos e restritos cargos executivos.

Por sua vez, os objetivos externos à empresa englobam, por exemplo, a necessidade de se assegurar tratamento isonômico aos acionistas. A busca de maior equidade se relaciona diretamente com o objetivo interno relativo a democratização do processo decisório, contudo, não se restringe apenas a esse aspecto, tendo em vista que o estímulo à participação destes em relação ao gerenciamento empresarial influencia positivamente na respectiva imagem da empresa frente a investidores.

Outro aspecto relativo a meta aludida é relacionado ao fato de que a busca pela equidade entre os acionistas garante a esses um papel mais ativo no gerenciamento empresarial e, assim, minimiza a possibilidade de falhas internas.

Desse modo, um maior número de acionistas passa a contribuir para a efetivação de alguns princípios de governança como a exigibilidade de prestação de contas e transparência, os quais devem ser incansavelmente exigidos do conselho de administração e do conselho executivo.

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âmbito corporativo.

Contudo, esse aspecto é abordado em capítulo próprio que versa acerca da evolução histórica da governança corporativa e demonstra quais eventos históricos desencadearam a necessidade de um maior estudo e aplicação das boas práticas de governança.

Todavia, adianta-se que a transparência aludida não é aplicada de modo a revelar informações que prejudiquem a corporação frente a suas concorrentes, mas sim prestadas com o único e exclusivo interesse de formar uma boa e desejável imagem empresarial no meio negocial e mesmo social.

Além dos objetivos referidos, igualmente se caracteriza como objetivo essencial da governança corporativa a busca pela obediência às leis(compliance), ou seja, as empresas devem seguir rigorosamente suas regras internas bem como a legislação do local em que atuam como forma de assegurarem bons resultados e uma boa imagem frente aos seus

stakeholders1.

Por conseguinte, segundo Simone Rocha (2007) os objetivos principais da governança corporativa podem ser encarados como a busca pela aplicação dos princípios da equidade e transparência(disclosure), responsabilidade pelos resultados(accountability) e obediência às leis do país(compliance).

Desse modo, vislumbra-se que os objetivos da governança, apesar de voltados para o propósito último de maximização do retorno empresarial ao longo do tempo, também geram repercussões no âmbito social, os quais podem se afigurar como extremamente positivas e desejáveis harmonizando-se, assim, os interesses de uma empresa com os interesses sociais.

2.3 Os fundamentos jurídicos da governança corporativa

A governança corporativa em si não constitui instituto eminentemente jurídico em razão da ausência de tratamento específico em nosso ordenamento pátrio e sua patente origem verificada na teoria econômica da empresa.

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Não obstante, a empresa em si representa instituto que possui natureza jurídica clara, logo, a governança corporativa se relaciona diretamente a institutos jurídicos como a função social da propriedade, função social da empresa e a responsabilidade social que advém destas.

Acentue-se que o princípio da função social da empresa decorre diretamente do princípio da função social da propriedade, como esclarece João Luís Nogueira Matias(2008, p.15):

A função social da empresa, no direito nacional, é corolário da função nacional da propriedade, imperativo que decorre da ordem jurídica de mercado, moldada pelo princípio da solidariedade, o que exclui o exercício da atividade empresarial sem as ponderações que dela decorrem.

Logo, o princípio da função social da empresa, apesar de não ser expressamente previsto pelo Texto Constitucional, possui clara origem na aplicação conjunta dos princípios da solidariedade e da função social da propriedade no âmbito empresarial.

Frise-se que o princípio da função social da empresa de fato decorre do princípio social da propriedade e do princípio da solidariedade constitucional, contudo apresenta-se como diferenciado em face da sua aplicação específica à propriedade empresarial.

A assertiva realizada se baseia no fato de que os princípios se afiguram como verdadeira forma de integração do direito, uma vez que possibilitam o alcance de soluções jurídicas que não se encontram expressamente previstas em quaisquer textos legais, mas sim em certos valores fundamentais devidamente positivados.

Assim, vislumbra-se que o princípio da função social da empresa é aplicado ao direito empresarial com o fito de assegurar que determinadas normas jurídicas sejam interpretadas de modo a melhor propiciar o desenvolvimento social a partir da atividade empresarial.

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Por conseguinte, a clara ligação das práticas e princípios da governança ao princípio da função social da empresa permite-se antever claro indício da aplicabilidade desta ao setor público.

2.4 Princípios fundamentais da governança corporativa

Outro ponto de essencial importância para a melhor compreensão da temática abordada consiste na análise dos denominados princípios fundamentais da governança corporativa. Conforme explicitado, a governança corporativa consiste em uma série de práticas que possuem como finalidade última a maximização dos resultados empresariais bem como a manutenção de seu valor.

Dessa forma, os princípios fundamentais da governança corporativa consistem em preceitos fundamentais que se afiguram como essenciais para o alcance dos objetivos referidos, logo, as boas práticas de governança corporativa são assim consideradas com base em seu potencial de efetivar o mandamento contido em determinado princípio.

É válido acrescentar que múltiplos autores e organizações elaboraram pesquisas acerca do tema e fixaram quais seriam os princípios fundamentais de governança, contudo adotar-se-ia, como marco referencial, os princípios da governança corporativa definidos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Os princípios aludidos podem ser resumidos em quatro princípios fundamentais, os quais consistem no princípio da transparência, princípio da equidade, princípio de prestação de contas(accontability) e o princípio da responsabilidade corporativa.

Frise-se que os aludidos princípios definidos pela OCDE foram devidamente incorporados ao Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa, editado pela IBCG, desse modo, vislumbra-se que essa classificação possui premente importância para análise da governança corporativa no cenário brasileiro, o que aborda-se em tópico próprio.

2.4.1 Princípio da transparência

O princípio da transparência é intrinsecamente relacionado à necessidade de construção da credibilidade de determinada corporação frente a seus acionistas, investidores e

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Dessa forma, a efetivação desse princípio se dá pela adoção de práticas que permitam aos respectivos interessados tomarem conhecimento de informações essenciais relativas à empresa, a qual possui o dever de repassá-las tendo em vista o interesse direto de alguns desses grupos e a aludida necessidade de formação de um juízo de credibilidade em seu favor.

A essencialidade das informações em questão se baseia no fato de que os grupos aludidos, muitas vezes, são diretamente afetados por eventuais erros de gestão de uma companhia, visto que determinadas aplicações realizadas podem resultar em prejuízos consideráveis.(LISOT,2012)

Por conseguinte, a concretização do princípio da transparência se apresenta como verdadeira ferramenta apta não só a constituir uma boa imagem de uma empresa frente a seus investidores, mas também como modo de harmonizar o aspecto especulatório intrínseco ao mundo dos negócios.

A afirmação realizada se baseia na premissa de que a prestação de informações claras e verdadeiras ensejam a condução dos investimentos às empresas com melhores resultados e que efetivam boas práticas de governança.

Acentue-se que não apenas informações de ordem financeira englobam-se na efetivação do princípio em tela tendo em vista que múltiplos dados concernentes a certa atividade empresarial podem ser de interesse de uma série de grupos sociais.

Assim, o princípio da transparência não só representa o viés de busca de confiabilidade frente a determinados setores como também consiste em maneira de possibilitar o acompanhamento efetivo de determinada empresa por todo o grupo social que pode ser afetado por suas atividades.

2.4.2 Princípio da equidade

Por sua vez, o princípio da equidade (fairness), ao ser aplicado em sede de governança corporativa, consiste em tratar isonomicamente todos os acionistas de determinada corporação.

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sede empresarial, garantindo, assim, que os pontos de vista de diferentes acionistas sejam devidamente considerados.

Neste sentido, o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa(2012) assim conceitua o princípio da equidade: “caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico de todos os sócios e demais partes interessadas(stakeholders), levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas.

É válido acrescentar que o princípio em questão contribuí indiscutivelmente para a manutenção do valor de uma empresa, visto que propicia menor ingerência dos interesses particulares sob os verdadeiros objetivos da corporação.

Explique-se melhor, é patente, principalmente em países caracterizados pela ampla concentração do controle acionário, como no caso do Brasil, que determinados grupos tomam decisões voltadas para seus próprios interesses e não para o melhor interesse da empresa.

Desse modo, observa-se que objetivos pessoais podem influir negativamente no desenvolvimento de uma corporação ao se impedir, por exemplo, a efetivação de práticas necessárias, mas que vão de encontro aos objetivos de determinados grupos.

Logo, a aplicação concreta do princípio da equidade permite que as decisões sejam tomadas prioritariamente em face do melhor interesse da empresa e não em favor de um grupo restrito de acionistas, impedindo, assim, que tais grupos apliquem práticas contrárias à manutenção do valor da corporação e em favor dos seus próprios interesses.

Ressalte-se que o princípio, ora discutido, igualmente possibilita a formação de um juízo de confiabilidade em torno das empresas, haja vista que é preferível investir capital em empresas que apresentem a maior possibilidade de manterem o seu valor e, desse modo, retornarem o montante aplicado.

2.4.3 Princípio da prestação responsável de contas (accountability).

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p.4): “Vontade dos administradores de apresentar os resultados de sua gestão e os elementos que fundamentam as principais decisões tomadas, bem como de assumir a responsabilidade pelas ações e omissões ocorridas durante seus mandatos.”

A definição transcrita permite se vislumbrar que o princípio, ora analisado, trata-se de verdadeira premissa necessária para a maximização dos resultados de determinada empresa, uma vez que funciona como ferramenta apta a possibilitar um maior controle das decisões tomadas pelos respectivos administradores.

Desse modo, a efetivação do princípio em questão auxilia todos os acionistas e interessados a efetivamente fiscalizarem as ações dos gestores e, assim, exigirem melhores resultados e questionarem determinadas práticas.

Acentue-se que a maximização desse processo fiscalizatório não apenas propicia melhores resultados do ponto de vista operacional como também é capaz de inibir determinadas condutas danosas à corporação, como práticas de corrupção e de repasse de informações contábeis inautênticas.

Por conseguinte, vislumbra-se que o princípio da prestação de contas é diretamente relacionado ao princípio da transparência, visto que a efetivação da prestação de contas possibilita a investigação das informações que deverão ser repassadas a todos os acionistas e colaboradores da empresa.

Por fim, outo aspecto relativo à prestação de contas consiste na responsabilização dos gestores acerca dos seus atos, ou seja, a efetivação do princípio em tela permite que ações que prejudiquem a empresa sejam devidamente conhecidas e que os causadores desses danos sejam devidamente responsabilizados pelos seus atos.

Além disso, a devida responsabilização daqueles que contribuem negativamente para a gestão de determinada empresa igualmente é capaz influir positivamente no desempenho destes, haja vista que a possibilidade de eventual sanção propicia que eventuais decisões sejam tomadas com o maior nível de precaução e pesquisa possível.

2.4.4 Princípio da responsabilidade corporativa

(32)

do princípio jurídico da função social da empresa, conforme se explicita adiante.

Em primeiro lugar, é interessante que se analise a definição proposta pela IBCG por meio de seu já referido Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa(2016, online):

Os agentes devem zelar pela viabilidade econômico-financeira das organizações, reduzir as externalidades negativas de seus negócios e suas operações e aumentar as positivas, levando em consideração, no seu modelo de negócios, os diversos capitais (financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, ambiental, reputacional etc).

Dessa forma, as empresas não devem sacrificar indiscriminadamente quaisquer aspectos externos para promover os interesses de curto de prazo de determinada corporação sob pena de, em última instância, estarem sacrificando os próprios meios de sustentabilidade da companhia.

Essa assertiva se baseia no fato de que o reconhecimento empresarial acerca dos direitos de seus colaboradores acarretam benefícios notórios à empresa como bem explicita Altair Lisot(2012,p.35):

[…] a governança corporativa deve ainda reconhecer o direito das partes interessadas, a fim de estimular a livre e ativa cooperação entre estas e a organização. Isso garante a geração de riqueza, continuidade no fornecimento de produtos e na prestação de serviços, estabilidade de empregos e a sustentabilidade de empreendimentos. Um dos aspectos primordiais da governança corporativa é estimular a participação de todos os interessados, garantindo assim um fluxo constante de capital e de informação e constituindo um valioso recurso na formação de empresas lucrativas e competitivas. Por tal motivo, as partes interessadas têm seus direitos preservados, além de ter acesso a informações necessárias para o cumprimento de suas responsabilidades.

Diante do exposto, o princípio da responsabilidade corporativa não é aplicado somente em face de uma proposição ética concernente aos efeitos da atividade empresarial no meio social, mas igualmente se afigura como uma verdadeira necessidade para a manutenção do valor da empresa.

A referida necessidade se baseia na possibilidade de que certos efeitos externos podem não prejudicar certa empresa a curto prazo, todavia, certamente surtirão efeitos futuros que podem minar irreversivelmente sua rentabilidade. A consequência em questão ocorre, por exemplo, quando uma corporação prescinde de um recurso natural esgotável e não efetiva quaisquer práticas que assegurem a sustentabilidade desse tipo de negócio.

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mantenha-se competitiva e possua maior facilidade de acesso ao capital.

Ademais, a efetivação do princípio analisado também representa verdadeiro mecanismo de formação de uma boa reputação empresarial. É válido ressaltar que a referida boa reputação empresarial no âmbito social representa benefício incalculável para múltiplas empresas.

A afirmação realizada acima consiste no fato de que o processo corrente de globalização permite que o fluxo de informações se espalhe de modo extraordinariamente ágil, logo, uma falha empresarial no que concerne a princípios éticos e práticas de bom tom social se disseminam facilmente em torno de inúmeros grupos de interesse de certa empresa.

Observa-se que o princípio da responsabilidade corporativa não representa apenas um meio apto a ensejar melhorias sociais a partir da atividade empresarial, mas também de assegurar a esta a sustentabilidade de suas atividades e sua credibilidade frente a diversos grupos sociais de seu interesse, como investidores, colaboradores e clientes.

2.5 Principais práticas de governança corporativa.

É válido explicitar que não existe um rol taxativo explicitando quais são as principais práticas de governança corporativa, visto que sistemas econômicos diversos pleiteiam soluções diversas de governança.

Todavia, as principais práticas de governança podem ser classificadas como aquelas que decorrem diretamente da aplicação dos princípios fundamentais da governança corporativa (transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa) ou como práticas que atenuam alguns dos problemas mais recorrentes no âmbito das corporações.

Os três problemas mais recorrentes referidos consistem no conflito de interesses na cúpula de determinada empresa, limitações técnicas individuais e vieses cognitivos, segundo classificação de Alexandre di Micelli.(2015)

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medidas desinteressantes para a empresa e que prejudicam sua geração de valor

Desse modo, práticas como a formação de um conselho de administração independente podem auxiliar significativamente a mitigar esse aspecto recorrente no meio empresarial tendo em vista que um conselho ativo e bem informado é capaz de fiscalizar a atuação dos executivos e propiciar que as decisões tomadas beneficiem, em primeiro plano, a empresa em si e não apenas determinados grupos restritos que dela fazem parte.

Outro medida de governança interessante é relativa à busca de alinhamento entre os interesses executivos com os interesses da empresa,o que pode ser efetivado a partir de um sistema de incentivos que poderá contribuir para o maior comprometimento destes junto à suas respectivas empresas.

Ressalta-se que a própria legislação brasileira, na Lei nº 6404/76, possui regramento específico que busca, em última instância, a mitigação do conflito de interesses já que restringe o número de ações preferenciais que podem ser emitidas sem direito a voto, ou com restrições para o exercício desse direito, no limite máximo de 50% das ações emitidas.2

Outro dispositivo presente na lei referenciada que busca proteger os sócios minoritários e, assim, propiciar maior equidade no âmbito de uma companhia consiste no artigo 254-A, o qual estabelece o tag along que, em resumo, garante que seja dada a oportunidade que os sócios minoritários deixem determinada sociedade cujo controle foi alieanado a terceiro que até então não fazia parte desta sociedade e que deve, obrigatoriamente, efetivar uma oferta pública de compra das ações dos acionistas minoritários de até o dobro do valor do preço pago pelas ações dos controladores.

Não obstante, o valor máximo de até o dobro do valor das ações dos acionistas majoritários é dispensado apenas para ações de empresas listadas no Novo Mercado, as quais são as que apresentam melhores níveis de governança corporativa no país, caso contrário o valor legalmente previsto consiste em 80 por cento do valor das ações alienadas pelos controladores.

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Assim, a busca por um processo decisório mais equitativo em conjunção com medidas que assegurem a fiscalização recíproca entre diversos setores de uma empresa e alinhamento dos interesses dos administradores como os interesses da companhia consistem em exemplos acerca do que consistem boas práticas de governança corporativa.

Por sua vez, a problemática empresarial relacionada à limitação técnica dos tomadores de decisão consiste no fato de que boas decisões são formadas a partir de conhecimentos de áreas diferenciadas, logo, por mais preparados que alguns profissionais lotados nos mais altos cargos executivos possam ser, ainda assim, essa preparação não é suficiente para que sempre boas decisões sejam tomadas em favor da empresa.

Uma boa prática de governança que ameniza significativamente esse aspecto consiste na formação de um conselho de administração com membros que possuem conhecimentos em áreas diversas, maximizando, dessa forma, as chances de que determinada decisão favoreça variados aspectos de uma companhia.

Outro obstáculo enfrentado corriqueiramente por grandes gestores empresariais se refere aos denominados vieses cognitivos que constituem-se em tendências psicológicas observadas em grandes grupos executivos que, em razão de tendências subjetivas internas, podem seguir determinada linha de gestão, a qual nem sempre é a apropriada para o alcance do melhor interesse da empresa.

Assim, a efetivação de medidas de governança corporativa que visem minimizar a concentração acionária e a incrementar a participatividade de todos os acionistas se afiguram como um meio de impedir que certa empresa siga exclusivamente o padrão psicológico dos seus principais administradores.

Além disso, a existência e aperfeiçoamento do já referido conselho de administração independente igualmente se mostra como prática coerente para a correção dessa problemática em razão da variedade de linhas de gestão observada em um conselho formado por profissionais heterogêneos e bem preparados.

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Ademais, nenhuma boa prática de governança corporativa é imposta à qualquer empresa, uma vez que o contexto observado em cada companhia é o que vai ditar quais as práticas de governança serão aplicadas para a resolução dos respectivos problemas observados.

2.6 Efeitos da governança corporativa sob desenvolvimento econômico.

Um assunto de essencial importância, no que se refere ao tema ora abordado, consiste nos diversos impactos que a governança corporativa propicia não apenas sob o ponto de visa interno das companhias, mas também sob a perspectiva macroeconômica.

Isso ocorre em vista da influência fundamental que a atividade empresarial como um todo exerce sob o desenvolvimento econômico de todos os países e este efeito é maximizado pelo atual processo de integração do mercado de capitais, o que significa que a efetivação de boas as práticas de governança corporativa é capaz de afetar a economia à nível global.

Para correta visualização do que se explicitou, imagine-se que determinado mercado aplica boas práticas de governança corporativa com sucesso, propiciando, assim, um ambiente empresarial sadio capaz de atrair um volume significativo de investimentos privados.

A primeira consequência da realização da premissa em questão consiste no aumento da produção proporcionado, desse modo, o incremento do número de empregos e consequentemente maior desenvolvimento econômico que ocorrerá em face de um maior consumo.

É necessário igualmente frisar que os investimentos em questão, cada vez mais, estão partindo de pessoas físicas, logo, as referidas boas práticas de governança corporativa, ao resguardarem adequadamente o investidor, igualmente contribuem para o desenvolvimento do setor bancário que se afigura como o principal intermediário entre o capital de pessoas físicas e as empresas.

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que não crescem sozinhas, visto que seu desenvolvimento também auxilia o crescimento do setor bancário e fortalece, em última instância, o mercado financeiro.

É válido salientar que a implementação de práticas ineficientes de governança engendram o caminho exatamente oposto, haja vista que a ausência de empresas que inspirem confiança em seus potenciais investidores por múltiplas razões como falta de democratização do processo decisório, ausência de transparência, prestação de contas inexistente e exiguidade de práticas de responsabilidade corporativa causam impactos macroeconômicos notórios.

Os impactos referidos ocorrem em face do fato de que o mercado financeiro basicamente se apoia na credibilidade, ou seja, o atual cenário econômico só se desenvolve de um modo saudável com base na confiança de que as empresas em que se investe serão produtivas e gerarão um retorno, dessa forma, a inexistência dessa confiabilidade desencadeia um verdadeiro efeito domino em que efeitos negativos verificados em um setor se espalham aos outros setores.

Isto resume de modo extremamente sucinto a cadeia de acontecimentos que precedem uma grande crise econômica, visto que em todas as crises que já ocorreram são marcadas pela presença de múltiplas práticas ineficientes de governança e pela ausência de boas práticas.

Não obstante, é interessante esclarecer que não se trata de uma conclusão tão simples, uma vez que, conforme já explicitado, não existe um rol bem definido do que se considera como boas práticas de governança, logo, estas mudam de acordo com o contexto econômico observado.

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Figura 1.0-Fluxograma acerca da influência das boas práticas de governança corporativa no desenvolvimento econômico

Elementos Maior complementares

desenvolvimento

Fonte: Alexandre di Micelli, governança corporativa no Brasil e no mundo, 2015, p.09

Porém, é necessário frisar que a implementação de boas práticas de governança igualmente geram custos, os quais devem ser devidamente estudados para que se comece, gradualmente, a se aplicar as medidas pertinentes a cada realidade empresarial, sem contudo, engendrar prejuízos significativos nas receitas de determinada corporação.

Sistema bancário Mercado de capitais Boas práticas de governança

Proteção Efetiva dos investidores

Mercados Financeiros mais

desenvolvidos Maior desenvolvimento

(39)

3 DA EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA GOVERNANÇA CORPORATIVA

O termo governança corporativa possui origem em países de cultura anglo-saxã e data, aproximadamente, da década de 1990. O vocábulo em questão foi inicialmente conceituado como o conjunto de medidas gerenciais aptas a harmonizar o relacionamento de agentes empresários, como acionistas controladores, acionistas minoritários e administradores.(GARCIA, 2005)

Não obstante, é necessário destacar que a governança corporativa possui seus primórdios em um espaço temporal anterior ao aludido, uma vez que o final da década de 1990 apenas foi marcado pela conceituação deste fenômeno empresarial, o qual já ocorria desde o surgimento das primeiras companhias abertas.

Desse modo, o estudo histórico evolutivo da governança corporativa deve ocorrer de modo paralelo à análise das origens e desenvolvimento das companhias de capital aberto, haja vista que o aumento de complexidade característico das operações destas, ensejou, a necessidade de aplicação de medidas que maximizassem a eficiência empresarial e harmonizassem o relacionamento dos que fazem parte de determinada companhia.

Outro aspecto que deve ser esclarecido consiste no fato de que o estudo histórico evolutivo das companhias de capital aberto é realizado sob o enfoque dos múltiplos problemas de governança enfrentados por estas, como forma de destacar a importância da presença da governança corporativa no contexto empresarial global.

3.1 Origem e desenvolvimento das companhias de capital aberto

Para Ribeiro (2006) as societas romanas se afiguram como os primórdios dos contratos sociais do modo como se apresentam atualmente, visto que, historicamente, formaram uma das primeiras iniciativas de capitalismo de propriedade coletiva.

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negócios(magister) que era eleito pelos demais socius.(MICELLI, 2015).

Segundo Andrade e Rossetti(2009) outra raiz remota das sociedades anônimas atuais consiste nas corporações de artes e ofícios, as quais existiram durante boa parte da Idade Média.

A ligação deste tipo de associação com as atuais companhias de capital aberto se baseia no fato de que as corporações de ofício apresentaram algumas características próprias de sociedades empresárias, como aduz Andrade e Rossetti (2009, p.41):

As corporações de artes e ofícios e as companhias licenciadas de comércio são, assim, as raízes remotas do sistema de sociedade anônima: conglomeravam recursos, eram instituições de desenvolvimento de mercados, promoviam a acumulação e distribuíam resultados.[…]elas também atuaram como promotoras dos princípios da associação, da regulação e da proporcionalidade entre recursos e retornos

Além disso, outro ponto que possibilita a ligação das antigas corporações de arte e ofício as companhias de capital aberto é relativo a utilização do termo corporação como sinônimo de companhia, o que apenas demonstra que as corporações de ofício podem ser consideradas como uma das raízes das sociedades anônimas do modo como se apresentam hoje.(Andrade e Rossetti, 2009)

Por conseguinte, observa-se que as corporações de ofício representam simultaneamente um marco histórico essencial para o surgimento das sociedades anônimas e, consequentemente, para o histórico evolutivo da própria governança corporativa tendo em vista que o surgimento dessas corporações engendraram a imprescindibilidade de se iniciar certo gerenciamento, por mais simples que este possa ter se configurado, no período histórico em questão.

3.1.1 As companhias licenciadas de comércio: segundo marco evolutivo essencial

Outro marco histórico de essencial importância para a evolução das sociedades anônimas e da governança corporativa consiste no surgimento das companhias licenciadas de comércio, destacando-se a companhia holandesa das Índias Orientais, a companhia dos Mares do Sul e a companhia do Mississípi.

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Em síntese, a referida companhia funcionava do seguinte modo: o capital necessário para as expedições realizadas era fornecido pelo Estado holandês em conjunção com alguns comerciantes que detinham interesse nos resultados das jornadas realizadas até as Índias Orientais.

Explicite-se que a participação estatal, por boa parte do tempo de existência da companhia, garantia a esta uma natureza dúplice tendo em vista que a VOC contava com o capital privado, mas também detinha múltiplas prerrogativas estatais.3

Não obstante, o que caracterizou a companhia das Índias Orientais como uma das primeiras sociedades anônimas consiste em seu Estatuto social pioneiro, o qual previa inicialmente uma ingerência estatal quase absoluta, todavia a pressão dos investidores reduziu esse controle gradativamente e possibilitou o surgimento de uma das características principais das sociedades por ações, qual seja a sua duração ilimitada e a responsabilidade limitada de seus acionistas.(MICELLI, 2015).

No que concerne ao modelo de governança da companhia referenciada, este se baseava na existência de uma diretoria composta por 76 acionistas diretores(bewindhebbers) e estes exerciam suas funções de modo vitalício com o fito de que seu comprometimento frente a companhia fosse assegurado.

Ademais, 17 dos bewindhebbers eram eleitos para gerenciarem as operações diárias e a companhia também contava com um gouverner generaal, o qual manejava as operações comerciais que ocorriam na Ásia.(MICELLI, 2015).

Igualmente se observa que o modelo de governança adotado era centrado na maximização dos resultados da companhia bem como pela existência de um sistema de prestação de contas rigoroso, as quais ainda se apresentam como boas práticas de governança. (ANDRADE E ROSSETTI, 2009).

Contudo, é necessário esclarecer que a concentração de múltiplas funções em torno de poucos acionistas e a ausência de direito de voto dos acionistas minoritários acarretaram sérios problemas de governança, uma vez que inúmeras vezes as decisões

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comerciais se davam mais em razão de aspectos políticos do que propriamente em favor dos interesses da companhia.

Os problemas de governança citados podem ser claramente relacionados aos motivos que acarretaram a falência da VOC, visto que esta não logrou êxito em conseguir competir com os produtos vendidos pelas colônias americanas e sofreu com sérios problemas concernentes a fraudes perpetradas por indivíduos que possuíam cargos de alta gestão, o que lhe rendeu o acrônimo VOC (vergaan op corruptive) significando em holandês “pereceu por corrupção”.(MICELLI, 2015).

Por sua vez, a Companhia dos Mares do Sul foi fundada pelo advogado James Blunt, o qual em função de suas conexões políticas conseguiu que sua companhia detivesse o monopólio das transações que ocorriam entre a Inglaterra e as colônias espanholas existentes na América, além disso, detinha empreendimentos em toda a Oceania e sul do Pacífico. (SALOMÃO,2016).

Explicite-se que esta companhia é de fundamental importância histórica, visto que representou uma dos primeiros fenômenos conhecidos como “bolhas financeiras”.O aludido é referente ao fato de que, em um primeiro momento, uma série de investidores aplicaram vultosas quantias nesta companhia, mesmo antes do início de suas atividades, em face da grande expectativa de lucro referente a venda de exóticos produtos americanos.

Desse modo, o preço das ações da Companhia dos Mares do Sul cresceu de modo desproporcional ao seu verdadeiro valor de mercado levando, inclusive, a disseminação de mais empreendimentos similares, porém, muitos desses negócios eram de natureza fraudulenta e foram utilizados para enganar pessoas simples, as quais acreditavam na possível rentabilidade de um empreendimento que “prometia engordar elefantes” ou obter lucros com um empreendimento com “um certo propósito determinado a ser revelado em seu devido tempo”.(SALOMÃO,2016).

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Assim, em resposta ao referenciado, foi publicado o Buble act que consistiu na reforma legislativa responsável pela imposição de que novas sociedades por ações só poderiam ser abertas diante da obtenção de uma carta patente real ou ato do parlamento, desse modo, essa reforma restringiu consideravelmente a abertura de novas companhias por cerca de um século.(MICELLI,2015).

Outro fato importante concernente à Companhia dos Mares do Sul é que a patente ausência de transparência desta frente aos seus investidores resultou em ulterior crise financeira na Inglaterra, visto que uma série de aristocratas perderam uma grande soma de dinheiro pela ausência de retorno expressivo e também pela posterior falência da companhia.

Neste sentido, não apenas a Companhia dos Mares do Sul se afigura como um grande exemplo de como a falta de transparência pode causar crises financeiras, mas também a Companhia do Mississípi se apresenta como um marco histórico igualmente apreciável por ser considerada como a primeira bolha financeira existente.

A referida companhia, era de propriedade de John Law, cuja trajetória de vida foi marcada por múltiplas reviravoltas tendo em vista que seu contato inicial com seu particionador, o duque de Orleans, regente do jovem Luís XV, se deu após sua fuga da Escócia que foi motivada por um assassinato cometido contra um rival amoroso.(MICELLI, 2015)

Dessa forma, John Law, utilizando-se de suas conexões, foi o primeiro empreendedor autorizado na frança a fundar um banco que emitia papel-moeda e, posteriormente, este também adquiriu a companhia do Mississípi conhecida igualmente como

Compagnie d'Occident.

Logo, o proprietário da Companhia do Mississípi buscou valorizar as ações desta com base na questionável previsão de que seria encontrada uma quantidade extraordinária de ouro e prata na colônia francesa da Louisiana.

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Todavia, não foram encontrados quaisquer produtos lucrativos na colônia da Louisiana, ensejando, a queda brusca de receitas em face da desvalorização rápida dos títulos emitidos.

A quebra da companhia não apenas gerou prejuízos sociais de expressão extraordinária como também desestabilizou o mercado financeiro francês levando, por conseguinte, o governo a proibir a abertura de novas sociedades anônimas por quase um século.

Desse modo, conclui-se que o histórico evolutivo das sociedades anônimas, desde os seus primórdios, foi acompanhado por uma série de problemas de governança e que essas falhas de governança acarretaram repercussões negativas bruscas no âmbito financeiro e social.

3.1.2 Surgimento do modelo contemporâneo de sociedades anônimas

O modelo jurídico das atuais sociedades anônimas começou a ser efetivamente delineado após a revogação do Buble Act em 1825.Explicite-se que a revogação desta lei levou cerca de cento e cinco anos para ocorrer em razão da péssima imagem que os primeiros protótipos de companhias abertas possuíam no meio intelectual e mesmo social.

Não obstante, a Revolução Industrial que possuiu como origem a Inglaterra vitoriana começou a mudar o cenário explicitado em função da maior existência de negócios de grande porte, os quais necessitavam de uma estrutura gerencial mais complexa para que efetivamente se desenvolvessem e expandissem.

Por conseguinte, as tendências aludidas foram observadas por uma comissão parlamentar inglesa que no ano de 1844, aprovou a lei Joint Stock Companies Act, a qual permitia que a formação de companhias se desse por simples incorporação.(MICELLI, 2015).

Frise-se que o interesse governamental em editar a Joint Stock Companies Act

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No entanto, a lei em questão não limitava a responsabilidade dos sócios, o que só veio a se tornar realidade e se caracterizar como uma das principais características das companhias abertas no ano de 1855 com o Limited Liability Act.

É válido frisar que a responsabilidade referenciada, inicialmente, só ocorria diante da presença de, no mínimo, 25 sócios, o que ilustra que o modelo jurídico atual, no que concerne as especifidades relacionadas as atuais companhias abertas, formou-se de maneira gradual.

Dessa forma, as principais caraterísticas das sociedades anônimas modernas foram moldadas a partir da Revolução Industrial que propiciou o surgimento de novos tipos de negócios e impulsionou mudanças no tratamento legislativo relativo as companhias de capital aberto.

3.1.3 Disseminação das companhias abertas de grande porte

O modelo jurídico moderno de sociedades anônimas se originou na Inglaterra e neste país alcançou níveis significativos de desenvolvimento, contudo, múltiplas outras nações como os Estados Unidos da América (EUA) se destacaram no que se refere à intensa disseminação do modelo explicitado.

Nos EUA, em um primeiro momento, as companhias eram regulamentadas pelas leis dos Estados Federados nos quais, respectivamente, localizavam-se, e estes prezavam, majoritariamente, pela adoção de leis que maximizassem o bem-estar social.

Entretanto, as companhias abertas nos EUA se desenvolveram e disseminaram de forma notória, uma vez que contavam com um mercado consumidor receptivo e com meios eficientes de captação de capitais.

Desse modo, múltiplos grandes empresários passaram a pressionar as cortes jurisdicionais americanas com o intuito de flexibilizar as normas que versavam sobre a regulamentação das sociedades anônimas. Algumas das flexibilizações referidas são referenciadas por Alexandre di Micelli(2015):

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Figura 1.0-Fluxograma acerca da influência das boas práticas de governança corporativa no desenvolvimento econômico                                                                                                         Elementos
Tabela 1 – Aumento progressivo do número de acionistas em empresas americanas.
Figura 3.0-principais secções da Lei Sarbanes-Oxley.
Gráfico 1-Evolução da quantidade de acórdãos do TCU que usam o termo governança.
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