• Nenhum resultado encontrado

Braz. j. . vol.83 número6

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Braz. j. . vol.83 número6"

Copied!
6
0
0

Texto

(1)

BrazJOtorhinolaryngol.2017;83(6):677---682

www.bjorl.org

Brazilian

Journal

of

OTORHINOLARYNGOLOGY

ARTIGO

ORIGINAL

Nasal

polyposis

in

cystic

fibrosis:

follow-up

of

children

and

adolescents

for

a

3-year

period

Silke

Anna

Theresa

Weber

a,∗

,

Renata

Mizusaki

Iyomasa

a

,

Camila

de

Castro

Corrêa

a

,

Wellington

Novais

Mafra

Florentino

a

e

Giesela

Fleischer

Ferrari

b

aUniversidadeEstadualPaulista‘‘JúliodeMesquitaFilho’’,FaculdadedeMedicinadeBotucatu,DepartamentodeOftalmologia,

OtorrinolaringologiaeCirurgiadeCabec¸aePescoc¸o,Botucatu,SP,Brasil

bUniversidadeEstadualPaulista‘‘JúliodeMesquitaFilho’’,FaculdadedeMedicinadeBotucatu,DepartamentodePediatria,

Botucatu,SP,Brasil

Recebidoem21defevereirode2016;aceitoem16desetembrode2016 DisponívelnaInternetem20dejunhode2017

KEYWORDS

Polyposis; Cysticfibrosis; Diagnosis; Endoscopy; Therapy

Abstract

Introduction:Nasalpolyposisisoftenfoundinpatientswithcysticfibrosis.

Objective: Toassesstheincidenceofnasalpolyposis,theresponsetomedicaltreatment, recur-renceandtheneedfor surgicalinterventioninchildren andadolescentswith cysticfibrosis duringathree-yearfollow-up.

Methods:Clinicalsymptoms(pulmonary,pancreaticinsufficiency,malnutrition,nasal obstruc-tion),twopositivesweatchloridetests,andgenotypefindingsin23patientswithcysticfibrosis wereanalyzed.Allpatientsunderwentnasalendoscopyevery12monthsfromJanuary2005to December2007,toassessthepresenceandgradeofNasalPolyps.Nasalpolyposis,when pre-sent,weretreatedwithtopicalcorticosteroidsfor6---12months,withprogressbeingevaluated withinthe3yearsoffollow-up.

Results:Inthefirstevaluation,nasalpolyposiswasdiagnosedin30.43%ofpatients(3bilateral and4unilateral),recurrentpneumoniain82.6%,pancreaticinsufficiencyin87%,and malnu-tritionin74%.Thepresenceofnasalpolyposiswasnotassociatedwithchloridevaluesinthe sweat,genotype,clinicalsignsofseverityofcysticfibrosis,ornasalsymptoms.Inthethree-year periodoffollowup,13patients(56.52%)hadatleastoneeventofpolyposis,withtheyoungest beingdiagnosedat32monthsofage.Onlyonepatientunderwentsurgery(polypectomy),and therewasonediagnosisofnasopharyngealcarcinoma.

DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2016.09.005 夽

Comocitaresteartigo:WeberSA,IyomasaRM,CorrêaCC,FlorentinoWN,FerrariGF.Nasalpolyposisincysticfibrosis:follow-upof childrenandadolescentsfora3-yearperiod.BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:677---82.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](S.A.Weber).

ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.

(2)

Conclusion:The study showed a highincidence ofnasal polyposis. Monitoring through rou-tineendoscopy inpatients with cysticfibrosis, even in theabsence of nasal symptoms, is highlyrecommended.The therapywithtopical corticosteroidsachievedgoodresults.Thus, aninteractionbetweenpediatriciansandotolaryngologistsisnecessary.

© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY license (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

PALAVRAS-CHAVE

Polipose; Fibrosecística; Diagnóstico; Endoscopia; Terapia

Poliposenasalemfibrosecística:seguimentoemcrianc¸aseadolescentesduranteum períodode3anos

Resumo

Introduc¸ão:Apoliposenasaléfrequentementeencontradaempacientesportadoresdefibrose cística.

Objetivo:Avaliaraincidênciadepoliposenasal,arespostaaotratamentoclínico,arecorrência eanecessidadedeintervenc¸ãocirúrgicaemcrianc¸aseadolescentescomfibrosecísticadurante umseguimentode3anos.

Método: Os sintomas clínicos (pulmonar, insuficiência pancreática, desnutric¸ão, obstruc¸ão nasal),duaspesquisasdecloronosuorpositivasegenótipode23pacientescomfibrosecística foramdescritos.Todosospacientesforamsubmetidosàendoscopianasalacada12mesesde janeirode2005adezembrode2007, paraavaliac¸ãodepresenc¸aegrau depoliposenasal. Apoliposenasal,quandopresente,foitratadacomcorticosteroidetópicode6a12mesese avaliadaaevoluc¸ãonos3anosdeseguimento.

Resultados: Naprimeiraavaliac¸ão,apoliposenasalfoidiagnosticadaem30,43%dospacientes (trêsbilateraisequatrounilaterais),pneumoniarecorrenteem82,6%,insuficiênciapancreática em87%eadesnutric¸ãoem74%.Apresenc¸adepoliposenasalnãoseassociouaosvaloresdecloro nosuor,genótipo,sinaisclínicosdegravidadedafibrosecísticaousintomasnasais.Nostrês anosdeseguimento,13pacientes(56,52%)apresentarampelomenosumeventodepolipose, omaisjovem foidiagnosticado aos32meses. Apenasum paciente foisubmetido àcirurgia (polipectomia)ehouveumdiagnósticodecarcinomadanasofaringe.

Conclusão:Oestudomostroualtaincidênciadepoliposenasal.Oacompanhamentopormeio deexamesendoscópicosderotinaempacientesfibrocisticos,mesmonaausênciadesintomas nasais,éaltamenterecomendado.Aterapiacomcorticoidetópicomostroubonsresultados. Assim,faz-senecessáriaainterac¸ãoentrepediatraseotorrinolaringologistas.

© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este ´e um artigo Open Access sob uma licenc¸a CC BY (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

Introduc

¸ão

Afibrosecística(FC)éumadoenc¸adeheranc¸aautossômica

recessivaque atingeasglândulas exócrinas, envolve

múl-tiplosórgãos eevolui deformacrônica e progressiva.Éa

doenc¸a genética letalmais comum na etnia branca, com

médiadefrequênciade1:2.000nascidosvivos1,2.NoBrasil, estudosrevelaramumaincidênciade1:9.500nascidosvivos noParaná,31:8.700emSantaCatarina4e1:10.000emMinas Gerais.5

Asinfecc¸õesrespiratóriascomfalênciarespiratóriafinal sãoaprincipalcausadeóbitoempacientescomFC.Todavia, amortalidadetemsidoreduzidanosúltimosanos,devidoao diagnósticomaisprecoce,àmaioratenc¸ãonaprofilaxiadas infecc¸õesrecorrentesdeviasaéreas eao melhorcontrole depacientesemservic¸osespecializados.1,2

O diagnóstico de FC é baseado em critérios clínicos e

laboratoriais:históriafamiliarpositivaparaFC,insuficiência

pancreática/suficientepancreático,doenc¸a pulmonar

obs-trutiva supurativa crônica e dois exames de cloro no

suor elevados (> 60 mEq/L) e/ou detecc¸ão de mutac¸ões genéticasdescritasnaFC. Outrosdadosclínicosque suge-rem a doenc¸a são: íleo meconial e/ou atresia intestinal,

desidratac¸ão hiponatrêmica, edema e hipoalbuminemia,

panrrinossinusite crônica, polipose nasal (PN), volvo,

intussepc¸ão, bronquiectasias de etiologia desconhecida e azospermia.6,7

O comprometimento de vias aéreas superiores (VAS),

como rinossinusite recorrente, rinitee/ou PN, ocorre em

maisde90%dospacientes.8---16AincidênciadePN,em par-ticular, temsidorelatadaem6a 48%dospacientes,17,18é

sintomática em 4% dos pacientes por ocasiãodo

diagnós-ticodeFC.8,10,11,19Aliteraturaestimaque14%dospacientes necessitarãodetratamentocirúrgicodaPN.8,10,11,19

Até hoje, a fisiopatologia da PN ainda é pouco

(3)

Three-yearfollow-upofnasalpolyposiswithcysticfibrosis 679

possívelcausadaPN,masaprevalênciadeatopiaem paci-entescomFCnãoémaiordoquenapopulac¸ãogeral.22

Apartirdedadosdeliteraturae doestudo feito previ-amenteem nossoservic¸o,23 observou-sea necessidadede

uma melhor caracterizac¸ão da evoluc¸ão do

comprometi-mentodeVASnessespacientes.

Dessaforma,oobjetivodopresenteestudo foiavaliar,

em médioprazo, aincidência dePN, arespostaao

trata-mentoclínico,arecorrênciaeanecessidadedeintervenc¸ão

cirúrgicaem crianc¸as e adolescentes com FC durante um

seguimentodetrêsanos.

Casuística

e

método

OestudodecoorteprospectivofoiaprovadopeloComitêde ÉticaemPesquisadainstituic¸ãoenvolvidanapresente pes-quisa.Ospais/cuidadoreseascrianc¸asmaioresde10anos

assinaramotermodeconsentimentolivreeesclarecido.

A amostrainicialfoi compostapor23pacientes (20do

sexomasculino), entreumanoe nove mesese 22 anose

oito meses, em acompanhamento no Centro de

Referên-cia de Fibrose Cística da Pneumopediatria da instituic¸ão

envolvida. Dados epidemiológicos (idade, gênero) e

sin-tomas clínicos de FC foram obtidos, tais como íleo

meconial,desnutric¸ão,insuficiência pancreática, pneumo-niarecorrentee/ououtrossintomasrespiratórios,alémda confirmac¸ão de FC pela análise cloro no suor7 e estudos genéticos.Todosospacientesforaminvestigadosemrelac¸ão àsqueixasdeobstruc¸ãonasal,respirac¸ãooral,asmae

rinos-sinusiteesubmetidosaendoscopianasalacada12meses,

durantetrêsanos.Asnasofibroscopiasforamfeitassob

anes-tesia tópica com lidocaína spray sem vasoconstritor. Em

crianc¸as menoresdetrês anosfoiusadoo nasofibroscópio pediátrico flexível(Karl Storz,diâmetrode2,4mm)e nas demaisoendoscópionasalrígido(KarlStorz,30◦,diâmetro

de2,4ou4mm).

Apresenc¸aouausênciadepóliposfoidescrita,deacordo comaclassificac¸ãosugeridaporLundeKennedy,24emGrau0 ---ausênciadepólipo;GrauI---póliponomeatomédio;Grau II --- pólipo quepassa aconcha média; eGrau III ---pólipo

quepreenchetodaacavidadenasal.Duranteaendoscopia,

foramavaliadaspresenc¸aecordesecrec¸ãoeoaspectoda mucosanasal(colorac¸ão,edemaedegenerac¸ão).

OspacientescomdiagnósticodePNforamsubmetidosa

tratamentocomcorticosteroidetópiconasalporseismeses ereavaliadospormeiodeendoscopiaapósesseperíodo.Em casodepersistência dapolipose, ospacienteseram avali-adospara possívelprogramac¸ão cirúrgica,com tomografia

computadorizadadeseiosparanasais.

Na análiseestatística,os dadosdemográficos e de

sin-tomas foram descritos como média e desvio padrão. A

associac¸ão entreapresenc¸adepóliposeidade,sexo, sin-tomasclínicosemutac¸õesgenéticasfoiavaliadapormeio dotesteexatodeFisherefoiconsideradocomosignificante p<0,05.

Resultados

Odiagnóstico deFCfoiconfirmadoem todosospacientes

comotestedesuor.Mutac¸õesgenéticas,comousodepainel quecontinha12mutac¸ões,foraminvestigadasemtodosos

Figura1 ImagemdaendoscopiadeumpólipoGrauIna cavi-dadenasal direita do paciente n◦ 12 (P, pólipo; CM, concha médianasal).

pacientes,emoitodelesforamdetectadasasmutac¸ões:

F508/outro;trêsF508/F508;umF508/G542X;um

G542X/outro;eumR1162X/R1162Xeemnove pacientesa

mutac¸ãonãopôdeserdeterminada.Proporc¸ãosignificativa depacientes apresentou manifestac¸ões clínicas, inclusive

pneumoniasrecorrentes(82,6%), insuficiência pancreática

(87%),desnutric¸ão(74%)eíleomeconial(13%).

As queixasrespiratóriasrelatadasnoiníciodapesquisa

foramasmaem35%dospacientes,rinossinusitesem22%e

predominânciaderespirac¸ãooralem22%.

Na primeira avaliac¸ão por endoscopia nasal, pólipos

nasaisforamencontradosemsetepacientes(30,43%).

Des-ses, três apresentaram PN bilateral e quatro unilateral,

Grau I em três pacientes, Grau II em um e Grau III em

três.Nenhumaassociac¸ãofoiencontradaentrePN,gênero, idade, gravidade clínica ou mutac¸ão genética.A figura 1

exemplificaaavaliac¸ãoendoscópica(tabela1).

Durante os três anos de seguimento, 13 pacientes

(56,52%) experimentaram pelo menos um evento de PN,

omaisjovem foi diagnosticadoaos 32meses. Apresenc¸a

depoliposenasalmanteve-sesemassociac¸ãocomsintomas nasaiscomoobstruc¸ãonasal,rinorreiaourespirac¸ãooral.Na últimaavaliac¸ãoendoscópica,seispacientesapresentaram polipose.Emtodosospacientesoestadiamentodapolipose foideGrauI,evidencioumelhoriadagravidade(p<0,05).

AcondutaparaaPNfoicorticosteroidetópiconasalna

dose habitual, 57,14% dos pacientes responderam ao

tra-tamento clínico já na avaliac¸ão subsequente, apenas um

pacientecom PNbilateral GrauIII nãoapresentou

melho-ria satisfatória, indicou-se assim a cirurgia endoscópica

nasal.Nessestrêsanos,doispacientesforamaóbitoeum desenvolveucarcinomadenasofaringe,foisubmetidoa

qui-mioterapia e radioterapia com boa resposta. Os achados

referentesaostrêsanosdeacompanhamentoestão

dispos-tosnatabela2.

Discussão

OseguimentodepacientesportadoresdeFCemumcentro

(4)

W

eber

SA

et

al.

Tabela1 Resultadosdaendoscopiadospacientescomfibrosecísticaepoliposenasalnaavaliac¸ãoinicialeprimeiro,segundoeterceiroanosdeacompanhamento

Pac Gênero Idade Avaliac¸ãoinicial Avaliac¸ão1◦anode acompanhamento

Avaliac¸ão2◦anode acompanhamento

Avaliac¸ão3◦anode acompanhamento

Conduta

01 F 3a8m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose

02 M 8a7m POLIPOSE(D-GrauIII/E -GrauIII)

Polipose(D-GrauIII/E -GrauII)

Sempolipose (pós-cirurgia)

Sempolipose Cirurgiadefinidano2◦ anodeacompanhamento

03 M 6ae4 Sempolipose Sempolipose Óbito

---04 M 16ae4m Sempolipose Polipose(E-GrauI) Sempolipose Polipose(E-GrauI) Corticosteroidetópico nasal

05 M 2a4m Sempolipose Sempolipose Polipose(D-GgrauI/E

-GrauII)

Polipose(D-GrauII) Corticosteroidetópico nasal

06 M 2a9m Sempolipose Polipose(D-GrauI) Polipose(D-GrauI) Polipose(D-GrauI) Corticosteroidetópico nasal

07 M 16a2m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose

08 M 3a9m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose

09 M 5a1m Sempolipose Sempolipose Polipose(D-GrauI) Polipose(E-GrauII) Corticosteroidetópico nasal

10 M 3a1m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose

11 M 4a7m Sempolipose Polipose(D-GrauI) Polipose(D-GrauI) Polipose(D-GrauI/E -GrauI)

Corticosteroidetópico nasal

12 M 8a6m Polipose(D-GrauII) Sempolipose Sempolipose Sempolipose Corticosteroidetópico

nasal

13 M 3a9m Sempolipose Polipose(E-GrauI) Polipose(E-GrauI) Sempolipose Corticosteroidetópico nasal

14 M 11a7m Polipose(E-GrauI) Sempolipose Sempolipose Óbito Corticosteroidetópico

nasal 15 M 6a3m Polipose(D-GrauII/E

-GrauIII)

Sempolipose Sempolipose Sempolipose Corticosteroidetópico

nasal

16 F 8a10m Polipose(D-GrauI) Polipose(E-GrauI) Sempolipose Polipose(E-GrauI) Corticosteroidetópico nasal

17 M 11a7m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose

18 M 22a8m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose

19 M 3a3m Polipose(D-GrauIII/E -GrauIII)

Sempolipose Sempolipose Sempolipose Corticosteroidetópico

nasal

20 M 5a4m Polipose(E-GrauI) CA CA Sempolipose Corticosteroidetópico

nasal+quimioterapiae radioterapia

21 M 14a11m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose

22 F 13ae8m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose

23 M 14a0m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose

(5)

Three-yearfollow-upofnasalpolyposiswithcysticfibrosis 681

Tabela2 Comparac¸ãoentremenoridade compoliposenasal,número depacientescompoliposenasal,graudapolipose, unilateralidade,presenc¸adeindicac¸õescirúrgicasecomplicac¸õesnaavaliac¸ãoinicial eprimeiro,segundoeterceiroanosde acompanhamento

Avaliac¸ãoinicial 1◦anodeacompanhamento 2anode acompanhamento

3◦anode acompanhamento

N◦comPN 7 6 5 6

PN-GrauI(%) 3(42,86%) 5(83,33%) 4(80%) 4(66,67%)

PN-GrauII(%) 1(14,28%) 0(0%) 1(20%) 2(33,33%)

PN-GrauIII(%) 3(42,86%) 1(16,67%) 0(0%) 0(0%)

Unilateralidade 4 5 4 5

Cirurgia 0 1 0 0

Complicac¸ões 0 Carcinomadenasofaringe 1óbito 1óbito

(%),porcentagem;N◦,númerodepacientes;PN,poliposenasal.

intercorrências e complicac¸õese possibilidade detomada dedecisõesporequipemultidisciplinarpresentenoservic¸o. Ospacientesavaliadosnopresenteestudoapresentaram manifestac¸õesclínicasclássicasdeFC,comoíleo-mecônio, insuficiência pancreática, desnutric¸ãoe pneumonia recor-rente. Todostiveram sua confirmac¸ão diagnóstica susten-tadaporduasdosagensdecloroanormaisnosuor,conforme métodopadrãoquealiteraturarespalda.7

Quanto aoresultado dadetecc¸ãodasmutac¸ões

genéti-cas, em 52,17% seevidenciou a mutac¸ãoF508, também

presenteemelevadaporcentagemdepacientescomFCno

Brasil,apesardamiscigenac¸ãodenossapopulac¸ão, oque corrobora a literatura, que identifica a associac¸ão dessa

mutac¸ão com a FC.19 Ressalte-se que não foi observada

correlac¸ãoentreapresenc¸aougravidadedePNeo genó-tipo.

Naliteratura,PNtemsidorelatadacomumaincidência

de6a48%empacientescomFC.10,11,25Nesteestudo,a

inci-dênciafoide30,43%, maiordoque aapresentadaem um

estudonacional,quetrazaincidênciade15,2%nascrianc¸as

com média de 9,5 anos.26 Além disso, ao acompanhar os

pacientesdeFCem umseguimento detrêsanos,houveo

diagnósticodePNemumacrianc¸adedoisanoseoitomeses, fatonãoobservadonaliteratura,quedescreveaocorrência dePNnãoantesdoscincoanos.27

Mesmo com a populac¸ão deste estudo

predominante-mente composta por crianc¸as, houve uma incidência alta

dePN,hajavistaquedos13casos,12eramcrianc¸as

(meno-res doque 12 anos) e apenas umera adolescente, de 16

anos.AliteraturatrazaincidênciadaPNemcrianc¸asde5 e15,2%.26,28

Houve incidência de rinossinusites e respirac¸ão

oral em 22% dos pacientes, similar ao encontrado na

literatura.9,10,18,29 A presenc¸a de PN nãose correlacionou comobstruc¸ãoousecrec¸ãonasal.18

Entre os pacientescom PN, três apresentaram a

pato-logia na avaliac¸ão inicial (42,86%); cincono primeiro ano

deacompanhamento(83,33%),quatronosegundo(80%),e

quatronoterceiro(66,67%)apresentarampólipospequenos,

Grau I,destacou-se a importância do exame endoscópico

rotineiro.11Essesdadossuperamaporcentagemencontrada naliteratura,de68%deidentificac¸ãodepólipospequenos.18

Houvenecessidadedoprocedimentocirúrgicoemapenas

umpaciente(4,35%),semrecidivanosdoisanos subsequen-tes,aliteraturaestimaematé20%anecessidadedecirurgia

empacientescomPN8,9,11 aolongodavida.Em virtudedo relatoderecidivasdepóliposcomnecessidadecirúrgicaem 28,57a58%,30,31éimprescindívelacontinuidadede

acom-panhamentodessespacientes.

Emrelac¸ãoaousodecorticoidetópico,observou-seque 57,14%dospacientesresponderamsatisfatoriamenteao

tra-tamento clínico inicial, na avaliac¸ão subsequente houve

completa involuc¸ão da PN, o que se assemelha ao dado

de que há melhoria em 56% dos pacientes com PN por

meiodaterapia comcorticoidetópico.8 Paraa populac¸ão

portadora de FC, não há dados de avaliac¸ão que

rela-temaevoluc¸ão dosPNcom tratamentoclínicoporlongos

períodos.

Acreditamosqueoprotocolopropostoporessegrupode

pesquisa deacompanhamento endoscópicoanual de

paci-entes de FC, somado ao tratamento clínico, pode estar

relacionadoà baixa necessidadedeindicac¸ão cirúrgica.A

FCéumadoenc¸agenéticacomum,grave, masquandohá

diagnósticoetratamentoprecocesdiminuem-seas

comor-bidadesemelhora-seaqualidadedevidadessesindivíduos.

Onúmerorestritodepacientes desteestudolevou a uma

dificuldadenaanáliseestatística,ressalta-seaimportância dequeoutroscentrosdereferênciadefibrosecística

tam-bémsigamesseprotocoloe publiquem seusresultados no

meiocientífico.

Conclusão

A incidência de polipose nasal em pacientes com fibrose

císticaé alta, mesmo entrecrianc¸as, e não está relacio-nadacomagravidadeclínicadadoenc¸aousintomatologia nasal.Aendoscopianasalanualrotineirapermiteo diagnós-ticoprecocedopóliponasalemfaseinicial(poliposeGrau I),alémdaindicac¸ão do tratamento clínicocom controle satisfatóriodo quadro. Portanto,a interac¸ão entre pneu-mopediatraseotorrinolaringologistastorna-sefundamental

para diagnóstico, indicac¸ão de tratamento e seguimento

dessespacientes.

Financiamento

Fundac¸ão de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo

(6)

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Referências

1.CysticFibrosisFoundation.Clinicalpracticeguidelinesforcystic fibrosis.Atlanta:CysticFibrosisFoundation;1997.

2.RatjenF,DöringG.Cysticfibrosis.Lancet.2003;361:681---9. 3.SantosGPC,DomingosMT,WittogEO,RiediCA,RosórioNA.

Pro-gramade triagemneonatalpara fibrosecísticano estadodo Paraná:avaliac¸ãoapós30mesesdesuaimplantac¸ão.JPediatr. 2005;81:240---4.

4.Honório LFO, Ludwig Neto N, Barbosa E, Perin N, Gastaldi LA, Ferreira JE, et al. Avaliac¸ão da triagem neonatal para fibrosecísticanoEstado deSantaCatarina.JBrasPneumol. 2006;32:S1.

5.ReisF,MeloSO,VergaraAA.Programadetriagemneonatalpara fibrosecísticadeMinasGerais(PETN-FC):aspectosclínicose laboratoriais.JBrasPneumol.2006;32:S1.

6.RosensteinBJ,CuttingGR. Thediagnosis ofcysticfibrosis:a consensusstatement.JPediatr.1998;132:589---95.

7.Gibson LEG,Cooke RE.Testfor concentrationofeletrolytes insweatincysticfibrosisofthepancreasutilizingpilocarpin iontophoresis.Pediatrics.1959;23:545---9.

8.CeperoR,SmithRJH,CathinFI,BresslerKL,FurutaGT,Sandesa KC.CysticFibrosis---anotolaryngologicperspective. Otolaryn-golHeadNeckSurg.1987;97:356---60.

9.PiltcherOB,ZucattoAE,RosaDD,PreisslerLC,HentschelEL, PaixãoLQ.Rinossinusitenafibrosecística.RevBras Otorrinola-ringol.1997;63:469---78.

10.BastasakisJG, El-NaggarAK.Cysticfibrosisand thesinonasal tract.AnnOtolRhinolLaryngol.1996;105:329---30.

11.RamseyB,RichardsonMA.Impactofsinusitisincysticfibrosis. JAllergyClinImmunol.1992;90:547---52.

12.Graf PM. Rhinitis medicamentosa. Clin Allergy Immunol. 2007;19:295---304.

13.HadfieldPJ,Rowe-JonesJM,MackayIS.Aprospectivetreatment trialofnasal polyps inadultswithcysticfibrosis. Rhinology. 2000;38:63---5.

14.CeperoR,SmithRJ,CatlinFI,BresslerKL,FurutaGT,Shandera KC.Cysticfibrosisanotolaryngologicperspective.Otolaryngol HeadNeckSurg.1987;97:356---60.

15.Morris P, Leach A. Antibiotics for persistent nasal discharge (rhinosinusitis)inchildren.CochraneDatabaseSystRev.2002. CD001094.

16.VidelerWJ,vanDrunenCM,ReitsmaJB,FokkensWJ.Nebulized bacitracin/colimycin:atreatmentoptioninrecalcitrant chro-nicrhi-nosinusitiswithStaphylococcusaureus?Adouble-blind,

randomized,placebo-controlled,cross-overpilotstudy. Rhino-logy.2008;46:92---8.

17.Schwachman H, Kulczyckii LL, Mueller HL, Flake CJ. Nasal polyposis in patients with cystic fibrosis. Pediatrics. 1962;30:389---401.

18.HenrikssonG,HestrinKM,KarpatiF,WikstroemAC,StiernaP, HjelteL.Nasalpolypsincysticfibrosis.Chest.2002;121:40---7. 19.KingdomTT,LeeKC,FirsimmonsSC,CroppGJ.Clinical charac-teristicsand genotypeanalysisofpatientswithcysticfibrosis and nasalpolyposisrequiring surgery. ArchOtolaryngol Head NeckSurg.1996;122:1209---13.

20.Konstan MW, Schluchter MD, Xue W, Davis PB. Clinical use ofibuprofen is associated with slowerFEV1 decline in chil-drenwithcysticfibrosis.AmJRespirCritCareMed.2007;176: 1084---9.

21.LindstromDR,ConleySF,SplaingardML,GershanWM. Ibupro-fen therapy and nasal polyposisin cysticfibrosispatients. J Otolaryngol.2007;36:309---14.

22.RamseyB,RichardsonM.Impactofsinusitisincysticfibrosis.J AllergyClinImmunol.1992;90:547---52.

23.WeberSAT,FerrariGF.Incidênciaeevoluc¸ãodapoliposenasal emcrianc¸aseadolescentescomfibrosecística.RevBras Otor-rinolaringol.2008;74:16---20.

24.JohanssonL,AkerlundA,HolmbergK,MelenI,StierneP,Bende M.Evaluationofmethodsforendoscopicstagingofnasal poly-posis.ActaOtolaryngol.2000;120:72---6.

25.CimminoM, CavaliereM, NordoneM, PlantulliA, OreficeA, EspositoV,etal.Clinicalcharacteristicsandgenotypeanalysis ofpatientswithcysticfibrosisand nasalpolyposis.Clin Oto-laryngol.2003;28:125---32.

26.ThoméDC,TomikowaSO,RomanoF,PaderaF,AddeFV,Voegels RL,etal.Manifestac¸õesnasossinusaisempacientescomfibrose cística(FC).JBrasPneumol.2006;32:5.

27.SternR,BoatT,WoodR,LeRoyW,DoershukC.Treatmentand prognosis of nasal polyps in cystic fibrosis. Am J Dis Child. 1982;136:1067---70.

28.SchmittEJ,NeavilleW,PougdeeT.Prevalenceofcystic fibro-sisinchildrenwhopresentwithnasalpolyposis.JAllergyClin Immunol.2005;115:516.

29.ShapiroED,MilmoeGJ,WaldER,RodnanJB,BowenA. Bacteri-ologyofthemaxillarysinusesinpatientswithcysticfibrosis.J InterDis.1982;146:589---93.

30.YungMW,GouldJ,UptonGJ.Nasalpolyposisinchildrenwith cysticfibrosis: a long-term follow-upstudy. Ann OtolRhinol Laryngol.2002;111:1081---6.

Imagem

Figura 1 Imagem da endoscopia de um pólipo Grau I na cavi- cavi-dade nasal direita do paciente n ◦ 12 (P, pólipo; CM, concha média nasal).
Tabela 1 Resultados da endoscopia dos pacientes com fibrose cística e polipose nasal na avaliac ¸ão inicial e primeiro, segundo e terceiro anos de acompanhamento Pac Gênero Idade Avaliac ¸ão inicial Avaliac ¸ão 1 ◦ ano de
Tabela 2 Comparac ¸ão entre menor idade com polipose nasal, número de pacientes com polipose nasal, grau da polipose, unilateralidade, presenc ¸a de indicac ¸ões cirúrgicas e complicac ¸ões na avaliac ¸ão inicial e primeiro, segundo e terceiro anos de acom

Referências

Documentos relacionados

Os interessados em adquirir quaisquer dos animais inscritos nos páreos de claiming deverão comparecer à sala da Diretoria Geral de Turfe, localizada no 4º andar da Arquibancada

2.1. Disposições em matéria de acompanhamento e prestação de informações Especificar a periodicidade e as condições. A presente decisão será aplicada pela Comissão e

Este trabalho teve como objetivo determinar as propriedades físicas (ângulos e coeficientes de atrito estático e dinâmico com a parede, ângulo de repouso, ângulo de atrito

Os principais objectivos definidos foram a observação e realização dos procedimentos nas diferentes vertentes de atividade do cirurgião, aplicação correta da terminologia cirúrgica,

Costa (2001) aduz que o Balanced Scorecard pode ser sumariado como um relatório único, contendo medidas de desempenho financeiro e não- financeiro nas quatro perspectivas de

- como se deu a relação com os outro níveis de atenção - como foram as aulas do Einstein e oficinas realizadas - a mudança do nome do projeto teve algum significado. -

A utiliza¸c˜ ao de apenas dois parˆ ametros de origem eletrˆ onica, associados aos orbitais de fronteira (cuja importˆ ancia para a intera¸c˜ ao entre mol´ eculas est´ a

5 “A Teoria Pura do Direito é uma teoria do Direito positivo – do Direito positivo em geral, não de uma ordem jurídica especial” (KELSEN, Teoria pura do direito, p..