BrazJOtorhinolaryngol.2017;83(6):677---682
www.bjorl.org
Brazilian
Journal
of
OTORHINOLARYNGOLOGY
ARTIGO
ORIGINAL
Nasal
polyposis
in
cystic
fibrosis:
follow-up
of
children
and
adolescents
for
a
3-year
period
夽
Silke
Anna
Theresa
Weber
a,∗,
Renata
Mizusaki
Iyomasa
a,
Camila
de
Castro
Corrêa
a,
Wellington
Novais
Mafra
Florentino
ae
Giesela
Fleischer
Ferrari
baUniversidadeEstadualPaulista‘‘JúliodeMesquitaFilho’’,FaculdadedeMedicinadeBotucatu,DepartamentodeOftalmologia,
OtorrinolaringologiaeCirurgiadeCabec¸aePescoc¸o,Botucatu,SP,Brasil
bUniversidadeEstadualPaulista‘‘JúliodeMesquitaFilho’’,FaculdadedeMedicinadeBotucatu,DepartamentodePediatria,
Botucatu,SP,Brasil
Recebidoem21defevereirode2016;aceitoem16desetembrode2016 DisponívelnaInternetem20dejunhode2017
KEYWORDS
Polyposis; Cysticfibrosis; Diagnosis; Endoscopy; Therapy
Abstract
Introduction:Nasalpolyposisisoftenfoundinpatientswithcysticfibrosis.
Objective: Toassesstheincidenceofnasalpolyposis,theresponsetomedicaltreatment, recur-renceandtheneedfor surgicalinterventioninchildren andadolescentswith cysticfibrosis duringathree-yearfollow-up.
Methods:Clinicalsymptoms(pulmonary,pancreaticinsufficiency,malnutrition,nasal obstruc-tion),twopositivesweatchloridetests,andgenotypefindingsin23patientswithcysticfibrosis wereanalyzed.Allpatientsunderwentnasalendoscopyevery12monthsfromJanuary2005to December2007,toassessthepresenceandgradeofNasalPolyps.Nasalpolyposis,when pre-sent,weretreatedwithtopicalcorticosteroidsfor6---12months,withprogressbeingevaluated withinthe3yearsoffollow-up.
Results:Inthefirstevaluation,nasalpolyposiswasdiagnosedin30.43%ofpatients(3bilateral and4unilateral),recurrentpneumoniain82.6%,pancreaticinsufficiencyin87%,and malnu-tritionin74%.Thepresenceofnasalpolyposiswasnotassociatedwithchloridevaluesinthe sweat,genotype,clinicalsignsofseverityofcysticfibrosis,ornasalsymptoms.Inthethree-year periodoffollowup,13patients(56.52%)hadatleastoneeventofpolyposis,withtheyoungest beingdiagnosedat32monthsofage.Onlyonepatientunderwentsurgery(polypectomy),and therewasonediagnosisofnasopharyngealcarcinoma.
DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2016.09.005 夽
Comocitaresteartigo:WeberSA,IyomasaRM,CorrêaCC,FlorentinoWN,FerrariGF.Nasalpolyposisincysticfibrosis:follow-upof childrenandadolescentsfora3-yearperiod.BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:677---82.
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](S.A.Weber).
ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.
Conclusion:The study showed a highincidence ofnasal polyposis. Monitoring through rou-tineendoscopy inpatients with cysticfibrosis, even in theabsence of nasal symptoms, is highlyrecommended.The therapywithtopical corticosteroidsachievedgoodresults.Thus, aninteractionbetweenpediatriciansandotolaryngologistsisnecessary.
© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY license (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
PALAVRAS-CHAVE
Polipose; Fibrosecística; Diagnóstico; Endoscopia; Terapia
Poliposenasalemfibrosecística:seguimentoemcrianc¸aseadolescentesduranteum períodode3anos
Resumo
Introduc¸ão:Apoliposenasaléfrequentementeencontradaempacientesportadoresdefibrose cística.
Objetivo:Avaliaraincidênciadepoliposenasal,arespostaaotratamentoclínico,arecorrência eanecessidadedeintervenc¸ãocirúrgicaemcrianc¸aseadolescentescomfibrosecísticadurante umseguimentode3anos.
Método: Os sintomas clínicos (pulmonar, insuficiência pancreática, desnutric¸ão, obstruc¸ão nasal),duaspesquisasdecloronosuorpositivasegenótipode23pacientescomfibrosecística foramdescritos.Todosospacientesforamsubmetidosàendoscopianasalacada12mesesde janeirode2005adezembrode2007, paraavaliac¸ãodepresenc¸aegrau depoliposenasal. Apoliposenasal,quandopresente,foitratadacomcorticosteroidetópicode6a12mesese avaliadaaevoluc¸ãonos3anosdeseguimento.
Resultados: Naprimeiraavaliac¸ão,apoliposenasalfoidiagnosticadaem30,43%dospacientes (trêsbilateraisequatrounilaterais),pneumoniarecorrenteem82,6%,insuficiênciapancreática em87%eadesnutric¸ãoem74%.Apresenc¸adepoliposenasalnãoseassociouaosvaloresdecloro nosuor,genótipo,sinaisclínicosdegravidadedafibrosecísticaousintomasnasais.Nostrês anosdeseguimento,13pacientes(56,52%)apresentarampelomenosumeventodepolipose, omaisjovem foidiagnosticado aos32meses. Apenasum paciente foisubmetido àcirurgia (polipectomia)ehouveumdiagnósticodecarcinomadanasofaringe.
Conclusão:Oestudomostroualtaincidênciadepoliposenasal.Oacompanhamentopormeio deexamesendoscópicosderotinaempacientesfibrocisticos,mesmonaausênciadesintomas nasais,éaltamenterecomendado.Aterapiacomcorticoidetópicomostroubonsresultados. Assim,faz-senecessáriaainterac¸ãoentrepediatraseotorrinolaringologistas.
© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este ´e um artigo Open Access sob uma licenc¸a CC BY (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
Introduc
¸ão
Afibrosecística(FC)éumadoenc¸adeheranc¸aautossômica
recessivaque atingeasglândulas exócrinas, envolve
múl-tiplosórgãos eevolui deformacrônica e progressiva.Éa
doenc¸a genética letalmais comum na etnia branca, com
médiadefrequênciade1:2.000nascidosvivos1,2.NoBrasil, estudosrevelaramumaincidênciade1:9.500nascidosvivos noParaná,31:8.700emSantaCatarina4e1:10.000emMinas Gerais.5
Asinfecc¸õesrespiratóriascomfalênciarespiratóriafinal sãoaprincipalcausadeóbitoempacientescomFC.Todavia, amortalidadetemsidoreduzidanosúltimosanos,devidoao diagnósticomaisprecoce,àmaioratenc¸ãonaprofilaxiadas infecc¸õesrecorrentesdeviasaéreas eao melhorcontrole depacientesemservic¸osespecializados.1,2
O diagnóstico de FC é baseado em critérios clínicos e
laboratoriais:históriafamiliarpositivaparaFC,insuficiência
pancreática/suficientepancreático,doenc¸a pulmonar
obs-trutiva supurativa crônica e dois exames de cloro no
suor elevados (> 60 mEq/L) e/ou detecc¸ão de mutac¸ões genéticasdescritasnaFC. Outrosdadosclínicosque suge-rem a doenc¸a são: íleo meconial e/ou atresia intestinal,
desidratac¸ão hiponatrêmica, edema e hipoalbuminemia,
panrrinossinusite crônica, polipose nasal (PN), volvo,
intussepc¸ão, bronquiectasias de etiologia desconhecida e azospermia.6,7
O comprometimento de vias aéreas superiores (VAS),
como rinossinusite recorrente, rinitee/ou PN, ocorre em
maisde90%dospacientes.8---16AincidênciadePN,em par-ticular, temsidorelatadaem6a 48%dospacientes,17,18é
sintomática em 4% dos pacientes por ocasiãodo
diagnós-ticodeFC.8,10,11,19Aliteraturaestimaque14%dospacientes necessitarãodetratamentocirúrgicodaPN.8,10,11,19
Até hoje, a fisiopatologia da PN ainda é pouco
Three-yearfollow-upofnasalpolyposiswithcysticfibrosis 679
possívelcausadaPN,masaprevalênciadeatopiaem paci-entescomFCnãoémaiordoquenapopulac¸ãogeral.22
Apartirdedadosdeliteraturae doestudo feito previ-amenteem nossoservic¸o,23 observou-sea necessidadede
uma melhor caracterizac¸ão da evoluc¸ão do
comprometi-mentodeVASnessespacientes.
Dessaforma,oobjetivodopresenteestudo foiavaliar,
em médioprazo, aincidência dePN, arespostaao
trata-mentoclínico,arecorrênciaeanecessidadedeintervenc¸ão
cirúrgicaem crianc¸as e adolescentes com FC durante um
seguimentodetrêsanos.
Casuística
e
método
OestudodecoorteprospectivofoiaprovadopeloComitêde ÉticaemPesquisadainstituic¸ãoenvolvidanapresente pes-quisa.Ospais/cuidadoreseascrianc¸asmaioresde10anos
assinaramotermodeconsentimentolivreeesclarecido.
A amostrainicialfoi compostapor23pacientes (20do
sexomasculino), entreumanoe nove mesese 22 anose
oito meses, em acompanhamento no Centro de
Referên-cia de Fibrose Cística da Pneumopediatria da instituic¸ão
envolvida. Dados epidemiológicos (idade, gênero) e
sin-tomas clínicos de FC foram obtidos, tais como íleo
meconial,desnutric¸ão,insuficiência pancreática, pneumo-niarecorrentee/ououtrossintomasrespiratórios,alémda confirmac¸ão de FC pela análise cloro no suor7 e estudos genéticos.Todosospacientesforaminvestigadosemrelac¸ão àsqueixasdeobstruc¸ãonasal,respirac¸ãooral,asmae
rinos-sinusiteesubmetidosaendoscopianasalacada12meses,
durantetrêsanos.Asnasofibroscopiasforamfeitassob
anes-tesia tópica com lidocaína spray sem vasoconstritor. Em
crianc¸as menoresdetrês anosfoiusadoo nasofibroscópio pediátrico flexível(Karl Storz,diâmetrode2,4mm)e nas demaisoendoscópionasalrígido(KarlStorz,30◦,diâmetro
de2,4ou4mm).
Apresenc¸aouausênciadepóliposfoidescrita,deacordo comaclassificac¸ãosugeridaporLundeKennedy,24emGrau0 ---ausênciadepólipo;GrauI---póliponomeatomédio;Grau II --- pólipo quepassa aconcha média; eGrau III ---pólipo
quepreenchetodaacavidadenasal.Duranteaendoscopia,
foramavaliadaspresenc¸aecordesecrec¸ãoeoaspectoda mucosanasal(colorac¸ão,edemaedegenerac¸ão).
OspacientescomdiagnósticodePNforamsubmetidosa
tratamentocomcorticosteroidetópiconasalporseismeses ereavaliadospormeiodeendoscopiaapósesseperíodo.Em casodepersistência dapolipose, ospacienteseram avali-adospara possívelprogramac¸ão cirúrgica,com tomografia
computadorizadadeseiosparanasais.
Na análiseestatística,os dadosdemográficos e de
sin-tomas foram descritos como média e desvio padrão. A
associac¸ão entreapresenc¸adepóliposeidade,sexo, sin-tomasclínicosemutac¸õesgenéticasfoiavaliadapormeio dotesteexatodeFisherefoiconsideradocomosignificante p<0,05.
Resultados
Odiagnóstico deFCfoiconfirmadoem todosospacientes
comotestedesuor.Mutac¸õesgenéticas,comousodepainel quecontinha12mutac¸ões,foraminvestigadasemtodosos
Figura1 ImagemdaendoscopiadeumpólipoGrauIna cavi-dadenasal direita do paciente n◦ 12 (P, pólipo; CM, concha médianasal).
pacientes,emoitodelesforamdetectadasasmutac¸ões:
F508/outro;trêsF508/F508;umF508/G542X;um
G542X/outro;eumR1162X/R1162Xeemnove pacientesa
mutac¸ãonãopôdeserdeterminada.Proporc¸ãosignificativa depacientes apresentou manifestac¸ões clínicas, inclusive
pneumoniasrecorrentes(82,6%), insuficiência pancreática
(87%),desnutric¸ão(74%)eíleomeconial(13%).
As queixasrespiratóriasrelatadasnoiníciodapesquisa
foramasmaem35%dospacientes,rinossinusitesem22%e
predominânciaderespirac¸ãooralem22%.
Na primeira avaliac¸ão por endoscopia nasal, pólipos
nasaisforamencontradosemsetepacientes(30,43%).
Des-ses, três apresentaram PN bilateral e quatro unilateral,
Grau I em três pacientes, Grau II em um e Grau III em
três.Nenhumaassociac¸ãofoiencontradaentrePN,gênero, idade, gravidade clínica ou mutac¸ão genética.A figura 1
exemplificaaavaliac¸ãoendoscópica(tabela1).
Durante os três anos de seguimento, 13 pacientes
(56,52%) experimentaram pelo menos um evento de PN,
omaisjovem foi diagnosticadoaos 32meses. Apresenc¸a
depoliposenasalmanteve-sesemassociac¸ãocomsintomas nasaiscomoobstruc¸ãonasal,rinorreiaourespirac¸ãooral.Na últimaavaliac¸ãoendoscópica,seispacientesapresentaram polipose.Emtodosospacientesoestadiamentodapolipose foideGrauI,evidencioumelhoriadagravidade(p<0,05).
AcondutaparaaPNfoicorticosteroidetópiconasalna
dose habitual, 57,14% dos pacientes responderam ao
tra-tamento clínico já na avaliac¸ão subsequente, apenas um
pacientecom PNbilateral GrauIII nãoapresentou
melho-ria satisfatória, indicou-se assim a cirurgia endoscópica
nasal.Nessestrêsanos,doispacientesforamaóbitoeum desenvolveucarcinomadenasofaringe,foisubmetidoa
qui-mioterapia e radioterapia com boa resposta. Os achados
referentesaostrêsanosdeacompanhamentoestão
dispos-tosnatabela2.
Discussão
OseguimentodepacientesportadoresdeFCemumcentro
W
eber
SA
et
al.
Tabela1 Resultadosdaendoscopiadospacientescomfibrosecísticaepoliposenasalnaavaliac¸ãoinicialeprimeiro,segundoeterceiroanosdeacompanhamento
Pac Gênero Idade Avaliac¸ãoinicial Avaliac¸ão1◦anode acompanhamento
Avaliac¸ão2◦anode acompanhamento
Avaliac¸ão3◦anode acompanhamento
Conduta
01 F 3a8m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose
02 M 8a7m POLIPOSE(D-GrauIII/E -GrauIII)
Polipose(D-GrauIII/E -GrauII)
Sempolipose (pós-cirurgia)
Sempolipose Cirurgiadefinidano2◦ anodeacompanhamento
03 M 6ae4 Sempolipose Sempolipose Óbito
---04 M 16ae4m Sempolipose Polipose(E-GrauI) Sempolipose Polipose(E-GrauI) Corticosteroidetópico nasal
05 M 2a4m Sempolipose Sempolipose Polipose(D-GgrauI/E
-GrauII)
Polipose(D-GrauII) Corticosteroidetópico nasal
06 M 2a9m Sempolipose Polipose(D-GrauI) Polipose(D-GrauI) Polipose(D-GrauI) Corticosteroidetópico nasal
07 M 16a2m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose
08 M 3a9m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose
09 M 5a1m Sempolipose Sempolipose Polipose(D-GrauI) Polipose(E-GrauII) Corticosteroidetópico nasal
10 M 3a1m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose
11 M 4a7m Sempolipose Polipose(D-GrauI) Polipose(D-GrauI) Polipose(D-GrauI/E -GrauI)
Corticosteroidetópico nasal
12 M 8a6m Polipose(D-GrauII) Sempolipose Sempolipose Sempolipose Corticosteroidetópico
nasal
13 M 3a9m Sempolipose Polipose(E-GrauI) Polipose(E-GrauI) Sempolipose Corticosteroidetópico nasal
14 M 11a7m Polipose(E-GrauI) Sempolipose Sempolipose Óbito Corticosteroidetópico
nasal 15 M 6a3m Polipose(D-GrauII/E
-GrauIII)
Sempolipose Sempolipose Sempolipose Corticosteroidetópico
nasal
16 F 8a10m Polipose(D-GrauI) Polipose(E-GrauI) Sempolipose Polipose(E-GrauI) Corticosteroidetópico nasal
17 M 11a7m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose
18 M 22a8m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose
19 M 3a3m Polipose(D-GrauIII/E -GrauIII)
Sempolipose Sempolipose Sempolipose Corticosteroidetópico
nasal
20 M 5a4m Polipose(E-GrauI) CA CA Sempolipose Corticosteroidetópico
nasal+quimioterapiae radioterapia
21 M 14a11m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose
22 F 13ae8m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose
23 M 14a0m Sempolipose Sempolipose Sempolipose Sempolipose
Three-yearfollow-upofnasalpolyposiswithcysticfibrosis 681
Tabela2 Comparac¸ãoentremenoridade compoliposenasal,número depacientescompoliposenasal,graudapolipose, unilateralidade,presenc¸adeindicac¸õescirúrgicasecomplicac¸õesnaavaliac¸ãoinicial eprimeiro,segundoeterceiroanosde acompanhamento
Avaliac¸ãoinicial 1◦anodeacompanhamento 2◦anode acompanhamento
3◦anode acompanhamento
N◦comPN 7 6 5 6
PN-GrauI(%) 3(42,86%) 5(83,33%) 4(80%) 4(66,67%)
PN-GrauII(%) 1(14,28%) 0(0%) 1(20%) 2(33,33%)
PN-GrauIII(%) 3(42,86%) 1(16,67%) 0(0%) 0(0%)
Unilateralidade 4 5 4 5
Cirurgia 0 1 0 0
Complicac¸ões 0 Carcinomadenasofaringe 1óbito 1óbito
(%),porcentagem;N◦,númerodepacientes;PN,poliposenasal.
intercorrências e complicac¸õese possibilidade detomada dedecisõesporequipemultidisciplinarpresentenoservic¸o. Ospacientesavaliadosnopresenteestudoapresentaram manifestac¸õesclínicasclássicasdeFC,comoíleo-mecônio, insuficiência pancreática, desnutric¸ãoe pneumonia recor-rente. Todostiveram sua confirmac¸ão diagnóstica susten-tadaporduasdosagensdecloroanormaisnosuor,conforme métodopadrãoquealiteraturarespalda.7
Quanto aoresultado dadetecc¸ãodasmutac¸ões
genéti-cas, em 52,17% seevidenciou a mutac¸ãoF508, também
presenteemelevadaporcentagemdepacientescomFCno
Brasil,apesardamiscigenac¸ãodenossapopulac¸ão, oque corrobora a literatura, que identifica a associac¸ão dessa
mutac¸ão com a FC.19 Ressalte-se que não foi observada
correlac¸ãoentreapresenc¸aougravidadedePNeo genó-tipo.
Naliteratura,PNtemsidorelatadacomumaincidência
de6a48%empacientescomFC.10,11,25Nesteestudo,a
inci-dênciafoide30,43%, maiordoque aapresentadaem um
estudonacional,quetrazaincidênciade15,2%nascrianc¸as
com média de 9,5 anos.26 Além disso, ao acompanhar os
pacientesdeFCem umseguimento detrêsanos,houveo
diagnósticodePNemumacrianc¸adedoisanoseoitomeses, fatonãoobservadonaliteratura,quedescreveaocorrência dePNnãoantesdoscincoanos.27
Mesmo com a populac¸ão deste estudo
predominante-mente composta por crianc¸as, houve uma incidência alta
dePN,hajavistaquedos13casos,12eramcrianc¸as
(meno-res doque 12 anos) e apenas umera adolescente, de 16
anos.AliteraturatrazaincidênciadaPNemcrianc¸asde5 e15,2%.26,28
Houve incidência de rinossinusites e respirac¸ão
oral em 22% dos pacientes, similar ao encontrado na
literatura.9,10,18,29 A presenc¸a de PN nãose correlacionou comobstruc¸ãoousecrec¸ãonasal.18
Entre os pacientescom PN, três apresentaram a
pato-logia na avaliac¸ão inicial (42,86%); cincono primeiro ano
deacompanhamento(83,33%),quatronosegundo(80%),e
quatronoterceiro(66,67%)apresentarampólipospequenos,
Grau I,destacou-se a importância do exame endoscópico
rotineiro.11Essesdadossuperamaporcentagemencontrada naliteratura,de68%deidentificac¸ãodepólipospequenos.18
Houvenecessidadedoprocedimentocirúrgicoemapenas
umpaciente(4,35%),semrecidivanosdoisanos subsequen-tes,aliteraturaestimaematé20%anecessidadedecirurgia
empacientescomPN8,9,11 aolongodavida.Em virtudedo relatoderecidivasdepóliposcomnecessidadecirúrgicaem 28,57a58%,30,31éimprescindívelacontinuidadede
acom-panhamentodessespacientes.
Emrelac¸ãoaousodecorticoidetópico,observou-seque 57,14%dospacientesresponderamsatisfatoriamenteao
tra-tamento clínico inicial, na avaliac¸ão subsequente houve
completa involuc¸ão da PN, o que se assemelha ao dado
de que há melhoria em 56% dos pacientes com PN por
meiodaterapia comcorticoidetópico.8 Paraa populac¸ão
portadora de FC, não há dados de avaliac¸ão que
rela-temaevoluc¸ão dosPNcom tratamentoclínicoporlongos
períodos.
Acreditamosqueoprotocolopropostoporessegrupode
pesquisa deacompanhamento endoscópicoanual de
paci-entes de FC, somado ao tratamento clínico, pode estar
relacionadoà baixa necessidadedeindicac¸ão cirúrgica.A
FCéumadoenc¸agenéticacomum,grave, masquandohá
diagnósticoetratamentoprecocesdiminuem-seas
comor-bidadesemelhora-seaqualidadedevidadessesindivíduos.
Onúmerorestritodepacientes desteestudolevou a uma
dificuldadenaanáliseestatística,ressalta-seaimportância dequeoutroscentrosdereferênciadefibrosecística
tam-bémsigamesseprotocoloe publiquem seusresultados no
meiocientífico.
Conclusão
A incidência de polipose nasal em pacientes com fibrose
císticaé alta, mesmo entrecrianc¸as, e não está relacio-nadacomagravidadeclínicadadoenc¸aousintomatologia nasal.Aendoscopianasalanualrotineirapermiteo diagnós-ticoprecocedopóliponasalemfaseinicial(poliposeGrau I),alémdaindicac¸ão do tratamento clínicocom controle satisfatóriodo quadro. Portanto,a interac¸ão entre pneu-mopediatraseotorrinolaringologistastorna-sefundamental
para diagnóstico, indicac¸ão de tratamento e seguimento
dessespacientes.
Financiamento
Fundac¸ão de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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