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VOWELS IN NON-FINAL POST-TONIC CONTEXT IN VARIETIES OF PORTUGUESE: THEORETICAL QUESTIONS

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QUESTIONS

VOGAIS EM CONTEXTO POSTÔNICO NÃO FINAL

EM VARIEDADES DO PORTUGUÊS: QUESTÕES

TEÓRICAS

Alessandra DE PAULA

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Silvia Figueiredo BRANDÃO

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/CNPq/FAPERJ)

RESUMO

das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de Lisboa, para retratar, respectivamente, os processos de alteamento e cancelamento e esboçar uma interpretação teórica sobre o quadro

ABSTRACT

(2)

KEYWORDS

Introdução

O sistema vocálico do Português é constituído por sete vogais – / /– que só ocorrem plenamente em contexto tônico. Nas demais depender do maior ou menor grau de atonicidade da sílaba. Um dos

/ e / /– a depender da

sistema para três vogais /

europeia, ao longo dos séculos, o alteamento se implementou em todo ],

variáveis ainda atestados nas vogais do Português do Brasil (doravante Neste artigo, tem-se dois objetivos principais: (i) analisar, com base nos princípios teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista,

(3)

– respectivamente o alteamento e o cancelamento – que se observam o vocalismo postônico medial em português, tomando como base os

sobre o vocalismo do PB e do PE.

Para tanto, no item 1, apresenta-se uma síntese de estudos sobre o vocalismo nas duas variedades, e, em particular, no âmbito das vogais médias no contexto em pauta. No item 2, indicam-se os procedimentos metodológicos que nortearam as análises (2.1) para, nos itens 2.2 e 2.3,

1. O vocalismo postônico medial em Português

duas variedades.

No PE, simultaneamente ao alteamento, atua também um processo de

(4)

1.1 A assimetria no Português do Brasil

Antes de recentes estudos sociolinguísticos sobre o vocalismo

Câmara Jr. (1970) tomou por base a variedade culta carioca da década

em corpora

cér bro, indíg na e vésp ra estranhamento ou ser estigmatizadas.

Bisol (2003) discute o caráter assimétrico do quadro mattosiano,

(5)

PB.

Conta-se apenas com estudos que tratam das vogais postônicas no âmbito dos dialetos dos estados do Sul (Vieira, 1994, 2002, 2009), de

] na c ]l ]ra, ab ]ra), que embora pouco comum em português, estaria relacionado à excepcionalidade das proparoxítonas.

No Estado do Rio de Janeiro, conta-se com os estudos de De Paula

sugerida por Bisol para o quadro de três elementos /i a u/.

Os resultados encontrados demonstram divergência no

motivada, em especial, por um aspecto social, o nível de escolaridade. corpus APERJ (Atlas Etnolinguístico dos Pescadores do Estado do Rio de Janeiro,

(6)

e o corpus

/e/ – e o que se observou no corpus PEUL (Programa de Estudos da Linguagem, representativo de cariocas com cinco a nove anos de

exposto na tabela a seguir.

TABELA 1: Fator condicionador do alteamento da vogal média anterior postônica medial em corpora

(NURC e APERJ).

Variável escolaridade – Corpora NURC e APERJ

Fator Oco % P. R.

Ensino Superior 19/87 21,8% 0.052

Até o Primário 229/245 93,5% 0.737

Input: 0.836 Fonte: DE PAULA (2010:102).

(7)

Concluiu-se que o sistema vocálico átono mais simples, /i a u/, é o

da recolha dos corpora

vogais altas. Assim, os resultados encontrados para os corpora corpora

análises com base em dados eliciados do Projeto Concordância RJ e PEUL 2000, recolhidos no início dos anos 2000.

1.2 A aparente regularidade no Português Europeu

sobre o vocalismo do PE contemporâneo – principalmente porque

(8)

exemplos que congregam, no mesmo rol, proparoxítonas e paroxítonas. No atual estágio do PE está estabilizado o alteamento dessas vogais concentra principalmente no contexto pretônico), ao lado de produtivo processo de apagamento.

contemporâneo, que o vocalismo átono dessa variedade apresenta grande , i,

Português Europeu Português Brasileiro ]

ö ]

europeu standard

(9)

cárcere ],

célere ], ], álamo

] (p. 202) – demonstram que sua proposta também se estende a c

, ( - para o português de , ( ), ,

] em Portugal.

amplamente as vogais pré-acentuadas e menos as pós-acentuadas. Para especialmente diante de determinadas consoantes, e nenhum comentário sistema. Ele assinala, para o século XX, variantes com graus de abertura postônico diante de l e r (Aníbal, açúcar), além do

-r (açúcares). Já as vogais médias abertas, indicadas por Viana r (éter, júnior), no século XIX permanecem , u] (éteres, júniores). Nas palavras do autor: , o], que éter, júnior), concorrem éteres, júniores), onde, generalizando-se rapidamente, tendem a suplantá-los” (Barbosa, 1988: 361). Assim,

(10)

, ] ,

XIX, como se comenta a seguir. proparoxítonas célere, cérebro,

sér bro, sérb ro , ]

] indica

ou redução singular

> plural em c dávèr > cadáv res (p. 72) e abdóm n > abdóm nes (p. 73). Para a vogal posterior, há apenas um exemplo eventual como os anteriores, cómmodo

, , o

e e o, o que demonstra que o autor

derivaram de sílabas travadas por /R/ ou /N/ (cadáver, abdómen), outros

ainda variavam com as vogais altas a ponto de serem escolhidas para a

, , ] muito recentemente.

e como “a mais variável das vogaes” (p. 70) e lhe atribua treze valores é, até altos, i) enquanto o

(11)

Descrever e compreender o vocalismo átono do Português Europeu

] na cidade de Lisboa. A metodologia de estudo aplicada pelas autoras demonstra

11% das vogais do corpus

mostram os menos intensos e menos longos entre as vogais orais. As autoras acreditam ter levantado, com esses resultados, um indício

(12)

2. Análise do contexto postônico medial nas falas do

Rio de Janeiro e de Lisboa (século XXI)

2.1 Procedimentos metodológicos

Português (doravante Concordância), disponível em www.

ensino superior completo). Na análise levaram-se em conta entrevistas entre 2008 e 2010 e relativas apenas às áreas metropolitanas do Rio de Janeiro e de Lisboa, num total de 72, 36 por variedade e 18 por localidade: respectivamente, a cidade do Rio de Janeiro – representada pelos bairros

(13)

2.2.1 A fala do Rio de Janeiro no Corpus Concordância

As entrevistas dos corpora

apresentaram 318 ocorrências de proparoxítonas com vogal média

04 casos de época ] e 01 de árvore : ]. Destaca-se que a lexemas quanto de ocorrências.

Sobre os resultados do corpus Concordância RJ, observa-se,

conjuntamente os dados de ambas as localidades.

TABELA 2: Índices da variação da vogal média anterior postônica medial por localidade ( Concordância RJ)

Corpus Concordância RJ – Vogal /e/

Alteam. Manut. Apag.

Copacabana 15/33 15/33 03/33 45,5% 45,5% 9% 14/30 15/30 01/30 46,7% 50% 3,3% Total 29/63 30/63 04/63 46% 47,6% 6,4%

(14)

medial por localidade ( Concordância RJ) Corpus Concordância RJ – Vogal /o/

Alteam. Manut. Apag..

Copacabana 113/120 1/120 6/120 94,2% 0,8% 5% 126/135 3/135 6/135 93,3% 2,2% 4,4% Total 239/255 4/255 12/255 93,7% 1,6% 4,7%

Enquanto a média posterior se realizou majoritariamente como alta, equilibrada com a alta, mantendo-se em 29 ocorrências (46%) e

reduzindo-] somados aos de apagamento (6,4%),

de vogais médias postônicas mediais

( Concordância RJ)

Corpus Concordância RJ

Alteam. Manut. Apag..

Vogal /e/ 29/63 30/63 04/63 46% 47,6% 6,4% Ex. m ] ] ] Vogal /o/ 239/255 04/255 12/255 93,7% 1,6% 4,7% Ex. ] ] ]

(15)

mencionados, merecer ser analisada em separado. Por isso, procede-se corpus.

nível de escolaridade ( Concordância RJ)

Variável Escolaridade – Corpus Concordância RJ Fatores Alteam. Manut. Apag.

Vogal /e/ Fundamental 03/06 0/06 03/06 50% 0% 50% Médio 05/15 09/15 01/15 33,3% 60% 6,7% Superior 21/42 21/42 0/42 50% 50% 0% Vogal /o/ Fundamental 73/78 0/78 05/78 93,6 0% 6,4 Médio 62/65 01/65 02/65 95,4% 1,5% 3,1% Superior 104/112 03/112 05/112 92,9% 2,7% 4,5%

As ocorrências de vogais médias aumentam com o nível de

um pouco menos a vogal anterior /e/ do que aqueles com Ensino

corpora

Como visto, quanto a /e/, o processo de alteamento demonstra ser nos anos 2000.

(16)

2.2.2 A fala de Lisboa no Corpus Concordância

Os dados levantados em 36 entrevistas representativas do PE

corpora levantados. 1. corpora levantados alta e o apagamento. social. 1

(17)

A Tabela 6, abaixo, congrega os dados das duas localidades

produtividade do seu cancelamento. Os percentuais de cancelamento corpus, chegando a superar em produtividade a

TABELA 6: Índices da variação de <e> e <o> postônicos mediais (Corpus Concordância Lisboa)

Corpus Concordância Lisboa

Alta Média Cancelamento Total

32 0 47 79 40,5% 0% 59,5 100% Ex: ] ] 16 0 15 31 51,6% 0% 48,4% 100% Ex: ] ] corpus

(18)

TABELA 7: Índices da variação

(Corpus Concordância Oeiras) Corpus Concordância – Oeiras

Alta Média Cancelamento

41% 16/39 0/39 23/39 0% 59% Ex. ] ] 47% 08/17 0/17 09/17 0% 53% Ex. ] ] de 40% e 50%, respectivamente.

Na amostra levantada em Cacém, o comportamento das vogais

TABELA 8: Índices da variação corpus Concordância Cacém

Corpus Concordância Cacém

Alta Média Cancelamento

16/40 0/40 24/40 40% 0% 60% Exemplo ] ] 08/14 0/14 06/14 57,1% 0% 42,9% Exemplo ] ]

(19)

] e 24 de ø2) é praticamente idêntico ao encontrado em Oeiras ]/ 06 oco de ø) e Oeiras (08

2.2.3 Considerações sobre as amostras

Os percentuais das amostras do Concordância levantadas no

permanência da vogal média anterior.

persistência de /e/, cujo comportamento permanece consideravelmente

se um condicionamento lexical e idiossincrático no comportamento de 2 Ø indica cancelamento.

(20)

social. É o que se discute detalhadamente em De Paula (2015).

contexto postônico medial. O apagamento nas amostras do PE apresenta vogais. Isso demonstra uma aparente simetria no comportamento de corpora selecionados e está de acordo com o que prevê a

dados e restrita em representatividade social – demonstram características

vocalismo átono do PE como a interpretar algumas características do vocalismo do PB no contexto átono estudado.

3. Discussão teórica

(21)

o que mais recentemente passou a integrar o vocalismo do PE e, da

alguns, ou, segundo outra proposta, se já apresenta o status

na Fonologia Lexical. Para os autores, a qualidade das vogais do PE eles, ocorre com menor intensidade no PB (p. 19) – explicando que a

(22)

PE, no caso / /. A proposta é baseada na evidência de que “(...) in all languages there is at least one segment, usually a vowel, that behaves

, ], segmentos Vowels i e - -+ + + + + + + em branco).

Eles demonstram que o vocalismo átono apresenta dois graus de

, , ] (p. 20). , ] tônicos (“selo”: l l ’ ]), , ’

(23)

] mirar ’ ] dúvida ] ] morar ’ ] pérola ] ] murar ’ ] báculo ] ] pagar ’ ] ágape ] ] pegar ’ ] cérebro ] , , , , , , , ], , , ] , , ], respectivamente.

A alternância acentuada > não acentuada, segundo Mateus (1990), está

regras gerais de derivação das vogais átonas

aos segmentos subjacentes, ou – neste caso, às vogais do

regras de elevação (p. 328) que ]. Mateus as resume, assim, na regra (26), que também prevê a

(24)

Fonte: Mateus (1990: 329).

É o que, segundo a autora, acontece principalmente com as vogais

(25)

] é um elemento que contextual em alguns casos.

inquestionáveis os pares de palavras que, partilhando a mesma raiz,

autor como: c/ /go > c ]gueira m/e/do > m ]droso, que demonstram que ], quando em que as vogais anteriores também variam quanto ao acento e à

am/e/mos, am/e/is / am ], am ]s.

que, de, te, se, lhe ] átono, nom ]. Ele admite a

] ser associado a /e/ e / / também nesses contextos,

teórico do PEC3

cal 3 Português Europeu Continental.

(26)

] é epentético ou /, de outros casos em que ele é a / subjacente: os já citados clíticos átonos e nomes

/ em sílabas inacentuadas, mas outras vezes equivale /u/ro > rinho.

pertenceria à estrutura subjacente. Em primeiro lugar, ele é exigido pela caso dos monossílabos: de

parte ] x parto ] e

de ] x da

] x

]: quente

, schwa.

Veloso situa esses casos na categoria s-schwa (stable schwa) proposta por Oostendorp (1998, apud

] epentético (epenthetic schwa ou e-schwa

vocálica (vowel reduction-schwa ou r-schwa) – pertence à estrutura subjacente. O s-schwa

Veloso baseia-se na Fonologia dos Elementos para explicar o PE. Segundo essa proposta, as vogais /i, a, u/, os conhecidos vértices do

(27)

presentes em todas as línguas. Eles equivalem, teoricamente, a três

As vogais / , /,

pelas vogais em contexto átono, equivaleriam à perda gradual ou total dos elementos {I, A, U}. O segmento / / resulta da perda total de abertura, palatalidade e labialidade, sendo por isso um elemento não marcado, ou vogal vazia

3.2 Sobre o Português do Brasil

] no

âmbito das sílabas átonas.

(28)

]. Já no Brasil, persiste o processo

dessas vogais, como já ocorria no português quinhentista, embora com

estudado.

como núm ro

Esses dois aspectos relacionam-se com características das sílabas

proparoxítono no português é a causa da inexistência de pares mínimos médias nessa sílaba é, provavelmente, uma consequência da estreita

(29)

todos os resultados estatísticos encontrados.

Bisol (2003), já mencionada, também se apoia na Teoria

estruturado em camadas organizadas hierarquicamente, cada uma 3]. Ele será positivo ou negativo de acordo com a natureza da vogal

Segundo Clements, as línguas românicas apresentam um registro de 3 vogais, um registro de 5 e um registro de 7, sendo os dois primeiros a seguir.

QUADRO 2: O vocalismo românico(Clements, 1991)

abertura i/u e/o / a

aberto 1 - - - +

aberto 2 - + + +

aberto 3 - - + +

Fonte: BISOL (2003: 276).

(30)

Entretanto, com base

Janeiro indicam uma produtiva resistência das vogais médias anteriores

inclusive os que se apresentaram neste artigo, especialmente para os que tiveram pouco contato com a escola (no máximo o 2º

do Rio de Janeiro, desde a década de 1980 até os dias atuais.

(31)

aqui demonstrada,

os dados demonstraram que, diversas vezes, características individuais

em De Paula

médias e altas observada no âmbito de /e/ está relacionada ao nível individual. Ou seja, mesmo em um grupo que privilegia a variante comportamento geral, optando sempre, ou quase sempre, pela variante conservadora – a vogal média. É o caso de alguns pescadores do corpus corpus Concordância-RJ. Igualmente, já se encontram nos anos 2000 indivíduos com um comportamento extremamente

Os dados gerais dos anos 2000, aqui apresentados, indicam que as

(32)

S

assimetria e, nesse caso, tende a regularizar-se em três elementos /i a devem a características da cavidade oral, aqui já indicadas.

pode ser conjugada com os resultados da pesquisa realizada no Estado

realizado por De Paula (2015) d

grau de percepção de uma variante e seu valor social: segundo elas, quanto menos percebida é uma

corpora sociolinguísticos

a nenhum condicionamento social ou linguístico considerado. Apenas na década de 1970 observou-se um resquício das vogais médias posteriores, anos 2000, até mesmo eles reduziram categoricamente a vogal posterior.

(33)

por Câmara Jr., deve-se considerar, mais uma vez, que o contraste no Paula já constatou situações de extrema atenção ao discurso nas quais

do discurso e de alguns comportamentos idiossincráticos que redundam

corpora

brasileira.

realizada, que o alteamento das vogais médias átonas se encontra

Português no Brasil. Em Portugal, isso se comprova plenamente, pois o nos demais contextos átonos, desde o século XVIII, em que também já

índices de apagamento que ocorreram na amostra aqui considerada. No Brasil, atesta-se a persistência de variantes conservadoras no nível

(34)

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