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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 820.696 - RJ (2006/0033903-4)

RELATOR

: MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA

RECORRENTE

: CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DO

RIO DE JANEIRO - CRC/RJ

ADVOGADO

: GUIDO ANTÔNIO SUCENA MACIEL E OUTRO(S)

RECORRIDO

: DAISE DOS SANTOS PARREIRA

ADVOGADO

: ROGÉRIO VINHAES ASSUMPÇÃO

EMENTA

ADMINISTRATIVO.

RECURSO

ESPECIAL.

CONSELHO

REGIONAL

DE

CONTABILIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. NATUREZA JURÍDICA.

AUTARQUIA FEDERAL. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. SERVIDORA.

REGIME JURÍDICO ESTATUTÁRIO. DEMISSÃO. AUSÊNCIA DO REGULAR

PROCESSO

ADMINISTRATIVO.

DIREITO

À

REINTEGRAÇÃO.

RECURSO

CONHECIDO E IMPROVIDO.

1. Os conselhos de fiscalização profissional possuem natureza jurídica de autarquia, sujeitando-se,

portanto, ao regime jurídico de direito público. Precedentes do STF e do STJ.

2. Até a promulgação da Constituição Federal de 1988, era possível, nos termos do Decreto-Lei

968/69, a contratação de servidores, pelos conselhos de fiscalização profissional, tanto pelo

regime estatutário quanto pelo celetista, situação alterada pelo art. 39, caput , em sua redação

original.

3. Para regulamentar o disposto na Constituição, o legislador inseriu na Lei 8.112/90 o art. 253, §

1º, pelo qual os funcionários celetistas das autarquias federais passaram a ser servidores

estatutários, não mais sendo admitida a contratação em regime privado, situação que perdurou

até a edição da Emenda Constitucional 19/98 e da Lei 9.649/98.

4. No julgamento da ADI 1.717/DF, o Supremo Tribunal Federal reafirmou a natureza jurídica de

direito público dos conselhos fiscalizadores, ao declarar a inconstitucionalidade do art. 53 da Lei

9.649/98, com exceção do § 3º, cujo exame restou prejudicado pela superveniente Emenda

Constitucional 19, de 4 de junho de 1998, que extinguiu a obrigatoriedade do Regime Jurídico

Único.

5. Em 2 de agosto de 2007, porém, o Supremo Tribunal Federal deferiu parcialmente medida

liminar na ADI 2.135/DF, com efeitos ex nunc , para suspender a vigência do art. 39, caput , da

Constituição Federal, com a redação atribuída pela referida emenda constitucional. Com essa

decisão, subsiste, para a administração pública direta, autárquica e fundacional, a obrigatoriedade

de adoção do regime jurídico único, ressalvadas as situações consolidadas na vigência da

legislação editada nos termos da emenda declarada suspensa.

6. No caso, a recorrida foi contratada pelo Conselho de Contabilidade em 7 de fevereiro de 1980,

tendo sido demitida em 27 de fevereiro de 1998 (fl. 140), antes, portanto, da edição da Emenda

Constitucional 19/98, sem a observância das regras estatutárias então em vigor, motivo por que

faz jus à reintegração pleiteada. Precedentes do STJ em casos análogos.

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Superior Tribunal de Justiça

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas,

acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade,

conhecer do recurso, mas lhe negar provimento. Os Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho,

Jorge Mussi e Laurita Vaz votaram com o Sr. Ministro Relator.

Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Felix Fischer.

Brasília (DF), 02 de setembro de 2008(data do julgamento)

MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA

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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 820.696 - RJ (2006/0033903-4)

RELATOR

: MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA

RECORRENTE

: CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DO

RIO DE JANEIRO - CRC/RJ

ADVOGADO

: GUIDO ANTÔNIO SUCENA MACIEL E OUTRO(S)

RECORRIDO

: DAISE DOS SANTOS PARREIRA

ADVOGADO

: ROGÉRIO VINHAES ASSUMPÇÃO

RELATÓRIO

MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA:

Trata-se de recurso especial interposto pelo CONSELHO REGIONAL DE

CONTABILIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – CRC/RJ com fundamento no art.

105, III, "a" e "c", da Constituição Federal.

Insurge-se o recorrente contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal

da 2ª Região assim ementado (fl. 142):

ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE. REGIME JURÍDICO ÚNICO. - DEMISSÃO SEM JUSTA CAUSA. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. SEGURANÇA CONCEDIDA.

- Vê-se que, a estabilidade conferida pelo art. 19 do ADCT/88, beneficiou a apelante, eis que estava em exercício na data da promulgação da Carta Política de 1988, desde 1980, cumprindo, portanto, o requisito de 5 anos.

- Ademais, a demissão, da impetrante, in casu, ocorreu em janeiro de 1998, quando os servidores das referidas autarquias encontravam-se regidos pelo Regime Jurídico Único, instituído pela Lei nº 8.112/90, e nesta qualidade – servidor público civil de autarquia em regime especial – não poderia ser demitida sem que lhe fosse assegurado, em processo administrativo regular, o exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório.

-Recurso provido.Sentença reformada, segurança concedida.

Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 167/172).

Sustenta o recorrente ofensa ao art. 535, II, do CPC, ao argumento de que o

Tribunal a quo, mesmo provocado mediante embargos declaratórios, manteve-se omisso acerca

de questões essenciais à solução da controvérsia.

Alega, ainda, além de divergência jurisprudencial, ofensa ao art. 243 da Lei

8.112/90, sob o fundamento, em síntese, de que os empregados das autarquias corporativas não

estão sujeitos ao regime jurídico estatutário, mas sim à legislação trabalhista, motivo pelo qual a

recorrida não faz jus à reintegração determinada pelo acórdão impugnado.

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Superior Tribunal de Justiça

O Ministério Público Federal, por meio de parecer exarado pelo

Subprocurador-Geral da República JOSÉ FLAUBERT MACHADO ARAÚJO, opinou pelo

conhecimento parcial do recurso e, nessa extensão, pelo improvimento (fls. 286/294).

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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 820.696 - RJ (2006/0033903-4)

EMENTA

ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. CONSELHO REGIONAL

DE CONTABILIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.

NATUREZA

JURÍDICA.

AUTARQUIA

FEDERAL.

PESSOA

JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. SERVIDORA. REGIME

JURÍDICO ESTATUTÁRIO. DEMISSÃO. AUSÊNCIA DO REGULAR

PROCESSO ADMINISTRATIVO. DIREITO À REINTEGRAÇÃO.

RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.

1. Os conselhos de fiscalização profissional possuem natureza jurídica de

autarquia, sujeitando-se, portanto, ao regime jurídico de direito público.

Precedentes do STF e do STJ.

2. Até a promulgação da Constituição Federal de 1988, era possível, nos

termos do Decreto-Lei 968/69, a contratação de servidores, pelos conselhos

de fiscalização profissional, tanto pelo regime estatutário quanto pelo

celetista, situação alterada pelo art. 39, caput , em sua redação original.

3. Para regulamentar o disposto na Constituição, o legislador inseriu na Lei

8.112/90 o art. 253, § 1º, pelo qual os funcionários celetistas das autarquias

federais passaram a ser servidores estatutários, não mais sendo admitida a

contratação em regime privado, situação que perdurou até a edição da

Emenda Constitucional 19/98 e da Lei 9.649/98.

4. No julgamento da ADI 1.717/DF, o Supremo Tribunal Federal reafirmou a

natureza jurídica de direito público dos conselhos fiscalizadores, ao declarar

a inconstitucionalidade do art. 53 da Lei 9.649/98, com exceção do § 3º, cujo

exame restou prejudicado pela superveniente Emenda Constitucional 19, de

4 de junho de 1998, que extinguiu a obrigatoriedade do Regime Jurídico

Único.

5. Em 2 de agosto de 2007, porém, o Supremo Tribunal Federal deferiu

parcialmente medida liminar na ADI 2.135/DF, com efeitos ex nunc , para

suspender a vigência do art. 39, caput , da Constituição Federal, com a

redação atribuída pela referida emenda constitucional. Com essa decisão,

subsiste, para a administração pública direta, autárquica e fundacional, a

obrigatoriedade de adoção do regime jurídico único, ressalvadas as situações

consolidadas na vigência da legislação editada nos termos da emenda

declarada suspensa.

6. No caso, a recorrida foi contratada pelo Conselho de Contabilidade em 7

de fevereiro de 1980, tendo sido demitida em 27 de fevereiro de 1998 (fl.

140), antes, portanto, da edição da Emenda Constitucional 19/98, sem a

observância das regras estatutárias então em vigor, motivo por que faz jus à

reintegração pleiteada. Precedentes do STJ em casos análogos.

8. Recurso especial conhecido e improvido.

VOTO

MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA (Relator):

Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual obscuridade,

contradição ou omissão existentes na decisão recorrida. Não há omissão quando o Tribunal de

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Superior Tribunal de Justiça

origem pronuncia-se de forma clara e precisa sobre a questão posta nos autos, assentando-se em

fundamentos suficientes para embasar a decisão. Ademais, o magistrado não está obrigado a

rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte. Nesse sentido: REsp 739.711/MG, Rel. Min.

LUIZ FUX, Primeira Turma, DJ 14/12/06.

Na hipótese, as razões que levaram o Tribunal a quo a conceder a ordem

encontram-se devidamente fundamentadas no acórdão impugnado. Assim, não verifico a alegada

ofensa ao art. 535, II, do CPC.

No mais, prequestionada a matéria, passo ao exame do mérito do recurso

especial.

A solução da controvérsia parte da premissa, já assentada pela jurisprudência do

Superior Tribunal de Justiça, de que os conselhos de fiscalização profissional possuem natureza

jurídica de autarquia, sujeitando-se, portanto, ao regime jurídico de direito público. Confiram-se, a

propósito, os seguintes precedentes:

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. AUTARQUIA FEDERAL. COMPETÊNCIA. JUSTIÇA FEDERAL. DECADÊNCIA. TERMO A QUO. LESÃO AO DIREITO. IMPETRANTE. OMISSÃO. JULGADO A QUO. IMPOSSIBILIDADE DE AVERIGUAÇÃO. NÃO-INDICAÇÃO DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. RAZÕES RECURSO ESPECIAL.

I - Por se tratarem os conselhos de fiscalização de profissão de

autarquias federais, a competência para o processamento e julgamento da

presente lide é da Justiça Federal, com esteio no art. 109, I, da CF.

... ...

IV - Agravo regimental improvido."

(AgRg no REsp 479.025/DF, Rel.

Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJ 20/10/03; sem grifo no

original)

ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL. CONSELHOS PROFISSIONAIS. PROCESSOS DISCIPLINAR E ÉTICO. COMPETÊNCIA DO CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. CLASSIFICAÇÃO COMO ENTIDADE AUTÁRQUICA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL PROCESSAR E JULGAR (ART. 109, I E IV, DA CF/88). JURISPRUDÊNCIA DO STJ. PRECEDENTES.

- O Superior Tribunal de Justiça entende que os Conselhos

Regionais de fiscalização do exercício profissional têm natureza jurídica de autarquia federal e, como tal, atraem a competência da Justiça Federal

nos feitos de que participem. (CF/88, Art. 109, IV).

(AgRg no REsp

314.237/DF, Rel. Min. HUMBERTO GOMES DE BARROS, Primeira

Turma, DJ 9/6/03; sem grifo no original)

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Superior Tribunal de Justiça

FARMÁCIA DO DISTRITO FEDERAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL.

I - Os Conselhos Regionais de Farmácia têm a natureza jurídica de

autarquias federais, competindo, por isso, à Justiça Federal apreciar

mandados de segurança ajuizados contra o seu presidente.

II - Conflito de que se conhece a fim de declarar-se a competência do MM. Juízo Federal, suscitado."

(CC 19.402/DF, Rel. Min. ANTÔNIO DE

PÁDUA RIBEIRO, Primeira Seção. DJ 26/6/97; sem grifo no original)

Nesse mesmo sentido é a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal:

Mandado de segurança. - Os Conselhos Regionais de Medicina, como

sucede com o Conselho Federal, são autarquias federais sujeitas à

prestação de contas ao Tribunal de Contas da União por força do disposto no inciso II do artigo 71 da atual Constituição. - Improcedência das alegações de ilegalidade quanto à imposição, pelo TCU, de multa e de afastamento temporário do exercício da Presidência ao Presidente do Conselho Regional de Medicina em causa. Mandado de segurança indeferido.

(MS 22.643/SC, Rel.

Min. MOREIRA ALVES, Tribunal Pleno, DJ 4/12/98; sem grifo no

original)

Até a promulgação da Constituição Federal de 1988, era possível, nos termos do

Decreto-Lei 968/69, a contratação de servidores, pelos conselhos de fiscalização profissional,

tanto pelo regime estatutário quanto pelo celetista, situação alterada pelo art. 39, caput , em sua

redação original. Confira-se:

Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas.

Para regulamentar o disposto nesse artigo, o legislador inseriu na Lei 8.112/90 o

seguinte dispositivo:

Art. 243. Ficam submetidos ao regime jurídico instituído por esta lei, na qualidade de servidores públicos, os servidores dos Poderes da União, dos ex-Territórios, das autarquias, inclusive as em regime especial, e das fundações públicas, regidos pela Lei n.º 1.711, de 28 de outubro de 1952 - Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União, ou pela Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 5.452, de 1º de maio de 1943, exceto os contratados por prazo determinado, cujos contratos não poderão ser prorrogados após o vencimento do prazo de prorrogação.

§ 1º Os empregos ocupados pelos servidores incluídos no regime instituído por esta Lei ficam transformados em cargos, na data de sua publicação.

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Superior Tribunal de Justiça

Nesse contexto, os funcionários celetistas das autarquias federais passaram a ser

servidores estatutários, não mais sendo admitida a contratação em regime privado.

Com a edição da Lei 9.649, de 27 de maio de 1998, o legislador, buscando afastar

a sujeição das autarquias corporativas ao regime jurídico de direito público, disciplinou nos

seguintes termos a matéria:

Art. 58. Os serviços de fiscalização de profissões regulamentadas serão exercidos em caráter privado, por delegação do poder público, mediante autorização legislativa.

§ 1o A organização, a estrutura e o funcionamento dos conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas serão disciplinados mediante decisão do plenário do conselho federal da respectiva profissão, garantindo-se que na composição deste estejam representados todos seus conselhos regionais.

§ 2o Os conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas, dotados de personalidade jurídica de direito privado, não manterão com os órgãos da Administração Pública qualquer vínculo funcional ou hierárquico.

§ 3o Os empregados dos conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas são regidos pela legislação trabalhista, sendo vedada qualquer forma de transposição, transferência ou deslocamento para o quadro da Administração Pública direta ou indireta.

§ 4o Os conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas são autorizados a fixar, cobrar e executar as contribuições anuais devidas por pessoas físicas ou jurídicas, bem como preços de serviços e multas, que constituirão receitas próprias, considerando-se título executivo extrajudicial a certidão relativa aos créditos decorrentes.

§ 5o O controle das atividades financeiras e administrativas dos conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas será realizado pelos seus órgãos internos, devendo os conselhos regionais prestar contas, anualmente, ao conselho federal da respectiva profissão, e estes aos conselhos regionais.

§ 6o Os conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas, por constituírem serviço público, gozam de imunidade tributária total em relação aos seus bens, rendas e serviços.

§ 7o Os conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas promoverão, até 30 de junho de 1998, a adaptação de seus estatutos e regimentos ao estabelecido neste artigo.

§ 8o Compete à Justiça Federal a apreciação das controvérsias que envolvam os conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas, quando no exercício dos serviços a eles delegados, conforme disposto no caput.

§ 9o O disposto neste artigo não se aplica à entidade de que trata a Lei n.º 8.906, de 4 de julho de 1994.

No julgamento da ADI 1.717/DF, contudo, o Supremo Tribunal Federal reafirmou

a natureza jurídica de direito público dos conselhos fiscalizadores, ao declarar a

inconstitucionalidade desses dispositivos, com exceção do § 3º, cujo exame restou prejudicado

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Superior Tribunal de Justiça

pela superveniente Emenda Constitucional 19, de 4 de junho de 1998, que extinguiu a

obrigatoriedade do Regime Jurídico Único.

Assim, após a edição da Emenda Constitucional 19/98, passou a prevalecer a

regra contida no art. 58, § 3º, da Lei 9.649/98, que determina a sujeição dos empregados dos

conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas à legislação trabalhista.

Em 2 de agosto de 2007, porém, o Supremo Tribunal Federal deferiu parcialmente

medida liminar na ADI 2.135/DF para suspender a vigência do art. 39, caput , da Constituição

Federal, com a redação atribuída pela referida emenda constitucional, conforme noticiado no

Informativo 474 daquela Corte, verbis :

Emenda Constitucional 19, de 1998 - 9

Em conclusão de julgamento, o Tribunal deferiu parcialmente medida liminar em ação direta ajuizada pelo Partido dos Trabalhadores - PT, pelo Partido Democrático Trabalhista - PDT, pelo Partido Comunista do Brasil - PC do B, e pelo Partido Socialista do Brasil - PSB, para suspender a vigência do art. 39, caput, da Constituição Federal, com a redação que lhe foi dada pela Emenda Constitucional 19/98 (“A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes.”), mantida sua redação original, que dispõe sobre a instituição do regime jurídico único dos servidores públicos — v. Informativos 243, 249, 274 e 420. Entendeu-se caracterizada a aparente violação ao § 2º do art. 60 da CF (“A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.”), uma vez que o Plenário da Câmara dos Deputados mantivera, em primeiro turno, a redação original do caput do art. 39, e a comissão especial, incumbida de dar nova redação à proposta de emenda constitucional, suprimira o dispositivo, colocando, em seu lugar, a norma relativa ao § 2º, que havia sido aprovada em primeiro turno. Esclareceu-se que a decisão terá efeitos ex nunc, subsistindo a legislação editada nos termos da emenda declarada suspensa. Vencidos os Ministros Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa e Nelson Jobim, que indeferiam a liminar.

ADI 2135 MC/DF, rel. orig. Min. Néri da Silveira, rel. p/ o acórdão Min. Ellen Gracie, 2.8.2006. (ADI-2135)

Com essa decisão, subsiste, para a administração pública direta, autárquica e

fundacional, a obrigatoriedade de adoção do regime jurídico único, ressalvadas as situações

consolidadas na vigência da legislação editada nos termos da emenda declarada suspensa.

No caso, a recorrida foi contratada pelo Conselho de Contabilidade em 7 de

fevereiro de 1980, tendo sido demitida em 27 de fevereiro de 1998 (fl. 140) sem a observância

das regras estatutárias em vigor.

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Superior Tribunal de Justiça

Merece ser mantido, portanto o entendimento firmado pelo acórdão recorrido no

sentido de que "o ato de dispensa imotivada, com pagamento de todas as verbas previstas na

legislação trabalhista é irregular, vez que impunha-se observar, por parte do Conselho Regional

de Contabilidade, a instauração de regular processo administrativo, onde fosse assegurado à

servidora pública civil o direito à ampla defesa e ao contraditório, para a demissão" (fl. 141).

Confiram-se, em casos análogos, os seguintes precedentes desta Corte:

RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA ARQUITETURA E AGRONOMIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - CREA/RJ. NATUREZA JURÍDICA. AUTARQUIA FEDERAL. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. REGIME JURÍDICO.

1. Após o julgamento da ADIn n.º 1.717/DF, ficou reafirmada pela Suprema Corte a natureza jurídica de direito público dos serviços de fiscalização de profissões regulamentadas, restando imaculada, ainda, sua inserção dentre as autarquias.

2. O regime jurídico aplicável aos funcionários dos conselhos de fiscalização profissional, no âmbito federal, por força do art. 1.º do Decreto-lei n.º 968, de 13 de outubro de 1969, era, como regra, o celetista, até o advento da Lei n.º 8.112, de 11 de novembro de 1990 que, pelo seu art. 243, regulamentando o art. 39 da Constituição Federal (redação originária), instituiu o Regime Jurídico Único, no caso, sendo escolhido o estatutário. Essa situação perdurou até o advento da Emenda Constitucional n.º 19, de 04 de junho de 1998, que deu nova redação ao art. 39 da Carta Magna, extinguindo a obrigatoriedade de um regime único, passando a prevalecer a regra especial insculpida no § 3.º do art. 58 da Lei n.º Lei n.º 9.649/98 – mantido incólume pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento da ADIn n.º 1.717/DF –, que prevê o regime celetista.

3. Na hipótese em apreço, o Recorrente foi admitido pelo Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia do Estado do Rio de Janeiro – CREA/RJ em 25/01/1978, tendo sido demitido em 21/05/1997, sem observância das regras estatutárias então vigentes. Desse modo, há de ser reconhecido o seu direito à almejada reintegração.

4. Recurso especial conhecido e provido.

(REsp 400.553/RJ, Rel. Min. LAURITA VAZ, Quinta Turma, DJ

14/5/07)

RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - CREA/RJ. NATUREZA JURÍDICA. AUTARQUIA FEDERAL. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. REGIME JURÍDICO. NECESSIDADE DE COTEJO COM AS LEIS DE REGÊNCIA EM CADA PERÍODO. RECORRENTE CONTRATADO, SOB O REGIME CELETISTA, EM 22/06/1982 E DEMITIDO EM 21/05/1997, SEM OBSERVÂNCIA DAS REGRAS ESTATUTÁRIAS ENTÃO VIGENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO.

1. O Regime Jurídico aplicável aos funcionários dos Conselhos de Fiscalização Profissional, no âmbito federal, por força do art. 1.º do

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Superior Tribunal de Justiça

Decreto-Lei n.º 968, de 13 de outubro de 1969, era, como regra, o celetista, até o advento da Lei n.º 8.112, de 11 de novembro de 1990 que, pelo seu art. 243, regulamentando o art. 39 da Constituição Federal (redação originária), instituiu o Regime Jurídico Único. Essa situação perdurou até o advento da Emenda Constitucional n.º 19, de 04 de junho de 1998, que deu nova redação ao art. 39 da Carta Magna, extinguindo a obrigatoriedade de um Regime Único, passando a prevalecer a regra especial insculpida no § 3.º do art. 58 da Lei n.º Lei n.º 9.649/98 – mantido incólume pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento da ADIn n.º 1.717/DF –, que prevê o regime celetista. (Precedente da Quinta Turma, REsp nº 647327/RJ).

2. In casu, o Recorrente foi admitido pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Rio de Janeiro – CREA/RJ em 22/06/1982, tendo sido demitido em 21/05/1997, sem observância das regras estatutárias então vigentes. Desse modo, há de ser reconhecido o seu direito à almejada reintegração.

3. Recurso conhecido e provido, para reformar o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de primeiro grau, que concedeu a ordem para reconhecer o direito líquido e certo do recorrente à reintegração ao cargo.

(REsp 333.064/RJ, Rel. Min. JANE SILVA, Desembargadora

convocada do TJMG, Quinta Turma, DJ 8/10/07)

Ante o exposto, conheço do recurso especial e nego-lhe provimento.

É o voto.

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Superior Tribunal de Justiça

CERTIDÃO DE JULGAMENTO QUINTA TURMA

Número Registro: 2006/0033903-4 REsp 820696 / RJ

Números Origem: 9800049436 9902017665

PAUTA: 02/09/2008 JULGADO: 02/09/2008

Relator

Exmo. Sr. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA Presidente da Sessão

Exmo. Sr. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO Subprocurador-Geral da República

Exmo. Sr. Dr. ALCIDES MARTINS Secretário

Bel. LAURO ROCHA REIS

AUTUAÇÃO

RECORRENTE : CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DO RIO DE

JANEIRO - CRC/RJ

ADVOGADO : GUIDO ANTÔNIO SUCENA MACIEL E OUTRO(S)

RECORRIDO : DAISE DOS SANTOS PARREIRA

ADVOGADO : ROGÉRIO VINHAES ASSUMPÇÃO

ASSUNTO: Administrativo - Servidor Público Civil - Reintegração

CERTIDÃO

Certifico que a egrégia QUINTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

"A Turma, por unanimidade, conheceu do recurso, mas lhe negou provimento."

Os Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho, Jorge Mussi e Laurita Vaz votaram com o Sr. Ministro Relator.

Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Felix Fischer. Brasília, 02 de setembro de 2008

LAURO ROCHA REIS Secretário

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