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ACÓRDÃO GERADO NO PGD-CARF PROCESSO /

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  592  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 

CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11543.000904/2003­75  Recurso nº         Especial do Procurador  Acórdão nº  9101­002.494  –  1ª Turma   Sessão de  23 de novembro de 2016  Matéria  PERDCOMP  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA.   

ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA 

Ano­calendário: 2003 

COMPENSAÇÃO.  INCORPORAÇÃO.  DIREITO  CREDITÓRIO  DA  INCORPORADA. 

DÉBITOS DA INCORPORADORA.  

Os efeitos da extinção da pessoa jurídica por incorporação, retroagem à data  da  deliberação  dos  membros  da  sociedade,  ainda  que  as  providências  de  baixa da inscrição da empresa incorporada junto ao sistema CNPJ da RFB,  venham a ser tomadas posteriormente. Assim, deve ser reconhecido como da  incorporadora, créditos antes pertencentes à incorporada, tendo em conta que  os  efeitos  jurídicos  da  incorporação  passam  a  ser  reconhecidos  a  partir  da  assinatura  da  Assembléia  Geral  Extraordinária  que  deliberou  pela  incorporação. 

RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.  

Inexiste  reconhecimento  implícito  de  direito  creditório  quando  a apreciação  da compensação restringe­se a aspectos atinentes à possibilidade do pedido.  A  homologação  da  compensação  ou  deferimento  do  pedido  de  restituição,  uma  vez  superado  o  aspecto  prejudicial,  depende  da  análise  da  existência,  suficiência  e  disponibilidade  do  crédito  pela  autoridade  administrativa  que  jurisdiciona a contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício      

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(assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo ­ Relatora   

Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira  Valadão  (Presidente  em  Exercício),  Adriana  Gomes  Rêgo,  Cristiane  Silva  Costa,  André  Mendes  de  Moura,  Luís  Flávio  Neto,  Rafael  Vidal  De  Araújo,  Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio  e  Demetrius  Nichele  Macei  (suplente  convocado).  Ausente,  justificadamente,  o  Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. 

Relatório

 

A  FAZENDA  NACIONAL  recorre  a  este  Colegiado,  por  meio  do  Recurso  Especial de fls. 401 e ss, do volume 3 digitalizado, contra o Acórdão nº 101­96.320 (fls. 382 e  ss do volume 2 digitalizado) que, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário  interposto  pela  pessoa  jurídica  XEROX  COMÉRCIO  E  INDÚSTRIA  LTDA.,  em  face  da  decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS, que indeferiu a manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  interessada  contra  o  despacho  decisório  que  não  reconheceu  o  direito  creditório  e  não  homologou  as  compensações  pleiteadas  nos  autos.  Transcreve­se a ementa do acórdão recorrido: 

IRPJ  ­  COMPENSAÇÃO  DE  TRIBUTOS  ­  CRÉDITOS  DE  PESSOA  JURÍDICA  EXTINTA  POR  INCORPORAÇÃO  ­  Cabível  a  compensação  de  tributos  administrados  pela  SRF,  decorrentes  de  operação  de  incorporação,  após  atendidos  os  trâmites  previstos  nas  normas  legais  vigentes  (art.  227  da  Lei  das S/A e arts. 1117 e 1118 do Novo Código Civil). 

O Recurso interposto tem por fundamento decisão não unânime, contrária à  lei  ou  à  evidência  de  provas,  como  previa,  à  época,  o  art.  7º,  I,  do  Regimento  Interno  da  Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007. 

Aduz a recorrente que, para que a sociedade incorporada deixe de existir, a  extinção regular dessa somente pode ocorrer quando tal situação for levada a registro público,  igualmente,  não  bastando  a  vontade  dos  sócios,  expressada  em  Assembléia  Geral  Extraordinária, principalmente em se tratando de sociedades empresárias. 

Salienta  ser  necessário  o  arquivamento  e  a  extinção  da  pessoa  jurídica  incorporada para que a incorporação possa produzir todos os efeitos legais decorrentes, dentre  estes, usufruir de créditos tributários da incorporada. Sem a consumação final, com o registro  público  colocando  uma  “pá  de  cal”  na  existência  da  empresa  incorporada,  não  há  como  se  aproveitar dos créditos desta, e isso porque, para terceiros, a empresa incorporada ainda existe,  eis que ativa no Registro da Junta Comercial. 

Aponta  que  não  se  pode  fechar  os  olhos  para  a  existência  jurídica  de  duas  empresas, com dois CNPJs distintos, muito embora já aprovada a incorporação e que somente  devem  ser  considerados  débitos  próprios,  débitos  de  uma  única  empresa,  com  uma  única  inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). 

Acrescenta  ser  vedada  a  compensação  de  prejuízos  fiscais  nos  casos  de  incorporação, pois tal prática seria verdadeira evasão fiscal, vedação essa expressa no art. 33, 

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do  Decreto­lei  nº  2.341/87,  base  legal  do  art.  504  do  RIR/94,  e  que  ignorar  tal  preceito  normativo seria declarar sua inconstitucionalidade, o que é vedado pela Súmula nº 2 do 1º C.C. 

Ao final pede pela reforma integral do acórdão. 

Pelo  Despacho  Presi  nº  101­220/2008,  o  Recurso  Especial  foi  admitido  (fl.  411, do volume 3 digitalizado). 

Cientificada,  a  pessoa  jurídica  XEROX  COMÉRCIO  E  INDÚSTRIA  LTDA.,  apresentou  Contrarrazões  (fls.  435  e  ss  do  volume  3  digitalizado),  pugnando  inicialmente,  pelo  não  conhecimento  do  Recurso  Especial  da  PFN  por  falta  de  prequestionamento  da  matéria  relativa  à  vedação  de  compensação  de  prejuízos  fiscais  de  empresa incorporada pela incorporadora. 

Aponta,  ainda,  que  o  recurso  contra  decisão  não  unânime  somente  tem  cabimento em relação à parte não unânime da decisão, seguindo a mesma lógica dos embargos  infringentes, ressaltando que, dos cinco Conselheiros presentes no julgamento, apenas um deles  (Dr.  Alexandre  Andrade  Lima  da  Fonte  Filho)  votou  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso voluntário, por entender que o mais prudente seria suspender o andamento do feito até  que  fossem  concluídos  os  procedimentos  necessários  para  a  baixa  do  CNPJ  da  XBRA,  não  tendo havido dúvida quanto a questão de que os créditos utilizados na compensação seriam da  própria  recorrida;  havendo  apenas  discordância  com  o  pronto  retorno  dos  autos  à  primeira  instância ­ o que na prática poderia até ser entendido como provimento parcial. 

Observa  que,  sob  a  escusa  de  que  a  votação  não  foi  unânime,  não  pode  a  recorrente aumentar o escopo de seu recurso especial e pretender adentrar na discussão sobre a  titularidade dos créditos utilizados na compensação, sobre a qual não houve divergência entre  os Conselheiros do colegiado. 

Quanto ao mérito, destaca que as compensações não foram homologadas tão­ somente  pelo  fato  de,  à  época  da  sua  apresentação,  o  status  do  CNPJ  da  XBRA  ainda  estar  ativo,  não  obstante  terem  sido  juntados  no  presente  processo  administrativo  todos  os  documentos  que demonstram  a  regularidade da  incorporação,  além  da certeza  e liquidez  dos  créditos utilizados. 

Afirma  que,  por  definição  legal,  todos  os  créditos  tributários  existentes  em  nome  da  XBRA  já  passaram  a  ser  de  responsabilidade  da  Recorrida  no  momento  da  incorporação, de acordo com o artigo 1.115 e 1.122 do CC e, inclusive, o próprio artigo 132 do  CTN, e que o erário federal não ficou um momento sequer desamparado. 

Defende  que  a  extinção  da  empresa  XBRA,  de  acordo  com  a  legislação  aplicável,  ocorreu  automaticamente  com  a  aprovação  da  incorporação  na  assembléia  geral  extraordinária  realizada  em  15/03/2003

 

e  que  se  a  sociedade  incorporada  foi  extinta  e  não  existe mais, não havendo porque impedir que a sociedade incorporadora utilize os seus créditos  para compensar com os seus próprios débitos, sob a escusa de que seriam créditos de terceiros 

Salienta que a própria legislação tributária também reconhece que a extinção  da sociedade incorporada ocorre na data da assinatura da ata de assembléia pertinente (e não da  data da  baixa  no  CNPJ),  indicando  a  esse  respeito  a redação  do  §  1°  do  artigo  1º  da  Lei  n°  9.430/1996 e os §§ 20 e 22 (inciso I) da Instrução Normativa da SRF n° 200/2002, em vigor à  época da incorporação, e ainda, a Solução de Consulta nº 83/2001, da 7ª RF. 

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Ao  final,  enumera  vários  pedidos  que  podem  ser  resumidos  em  um  único:  manutenção do acórdão recorrido que determinou o retorno dos autos à primeira instância para  apreciação do mérito da homologação da compensação.  É o relatório.   

Voto       

  Conselheira Adriana Gomes Rêgo ­ Relatora  A PFN foi cientificada do Acórdão nº 101­96.320, em 08/01/2008 (fl. 398 do  volume  2  digitalizado)  e  apresentou  o  Recurso  Especial,  em  21/0/2008,  como  demonstra  o  carimbo de protocolo à fl. 401 do volume 3 digitalizado, portanto, tempestivamente. Observo  que, à época do aviamento da peça recursal, vigorava o Regimento Interno da Câmara Superior  de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, que admitia a apresentação de  Recurso Especial privativamente pela PFN, contra decisão do colegiado a quo, não unânime,  proferida contrariamente à lei e/ou à evidência de provas.  No presente caso, têm­se que a decisão foi não unânime, já que a votação se  deu por maioria, e a recorrente apontou contrariedade aos artigos 45 e 985 do CC e 227, § 3º da  Lei das S/As. 

Observo,  também,  que  não  é  requisito  regimental  para  conhecimento  dessa  espécie de recurso, que a matéria recorrida tenha sido prequestionada. Tal pressuposto se dá,  apenas, em relação ao Recurso Especial apresentado pelo contribuinte, já que a PFN somente  vem  a  atuar  no  processo,  quando  há  julgamento  proferido  pelo  colegiado  do  CARF  ou  do  antigo  Conselho  de  Contribuintes,  não  sendo­lhe  possibilitado  participar  do  contencioso  administrativo fiscal até esse momento. 

Em  relação  à  alegação  de que  apenas  o  Cons.  Alexandre  Andrade  Lima  da  Fonte Filho votou no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, “por entender que o 

mais  prudente  seria  suspender  o  andamento  do  feito  até  que  fossem  concluídos  os  procedimentos  necessários  para  a  baixa  do  CNPJ  da  XBRA”,  cumpre  destacar  que  essa 

informação  não  consta  do  acórdão.  Apenas  consta  que  ele  votava  no  sentido  de  negar  provimento ao recurso. Como a matéria discutida no recurso voluntário era a possibilidade ou  não de se homologar esta compensação, depreendo que a decisão foi não unânime em relação a  esse aspecto, que é o que será discutido no presente processo.  Assim, os requisitos para aviamento do Recurso Especial foram preenchidos,  razão pela qual dele tomo conhecimento.  Feitas estas considerações, passo ao exame do mérito. 

Esclareça­se  que  a  pessoa  jurídica  interessada  apresentou  pedido  de  compensação de débitos próprios da contribuição para o financiamento da seguridade social ­  COFINS, referentes aos períodos de apuração de outubro e novembro de 2001, indicando como  direito creditório o saldo negativo de IRPJ do ano­calendário de 2002, no valor total corrigido 

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de  R$  2.390.962,47,  que  teria  sido  apurado  pela  pessoa  jurídica  Xerox  do  Brasil  Ltda.,  incorporada pela pessoa jurídica interessada XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. 

O  órgão  de  origem  negou  o  pleito  afirmando  que,  apesar  de  terem  sido  apresentados  elementos  que  comprovam  a  incorporação,  como  o  protocolo  de  incorporação  registrado  na  Junta  Comercial  do  Estado  do  Espírito  Santo,  localidade  da  empresa  incorporadora,  não  fora  apresentado  o  registro  da  incorporação  junto  à  Junta  Comercial  do  Estado do Rio de Janeiro, de localidade da incorporada, tampouco fora providenciada a baixa  do  CNPJ  da  incorporada,  que  permanecia  ativo.  Nessas  condições,  havendo  dois  (2)  CNPJ  ativos  nos  sistemas  internos  da RFB,  considerou  que  a  interessada  apresentou  um  pedido  de  compensação com créditos de terceiros, situação vedada pela legislação de regência. 

O  colegiado  a  quo,  ao  julgar  o  Recurso  Voluntário  apresentado  pela  interessada, entendeu que as formalidades legais necessárias à caracterização da incorporação,  com  a  produção  de  seus  efeitos  jurídicos,  foram  atendidas  e,  assim,  superou  o  fundamento  atribuído à Turma Julgadora de 1ª Instância para o indeferimento do pleito, que consistia em  considerar  o  crédito  como  de  terceiro,  pela  ausência  de  baixa  do  CNPJ  da  incorporada  nos  sistemas internos da RFB, afirmando que isso seria mera formalidade que não prejudicava os  efeitos  legais  da  incorporação.  Determinou,  assim,  que  os  autos  retornassem  à  repartição  de  origem para apreciação do mérito da compensação. 

Com  efeito,  a  razão  da  não  homologação  das  compensações,  constante  do  Despacho  Decisório  nº  11543.000904/2003­75,  fundamentado  no  Parecer  SEORT  nº  1814/2004 (fls. 159 e ss do volume 1 digitalizado) foi resumidamente a seguinte: 

[...] 

Posteriormente,  em  consulta  ao  sistema  SRF  CNPJ,  à  fl.  157,  verificou­se  que  a  situação  cadastral  da  empresa  XEROX  DO  BRASIL LTDA, CNPJ 29.213.386/0001­00, continua ativa.  De  acordo  com  o  disposto  no  art.  40  da  Instrução  Normativa  SRF  n°  460/2004,  é  expressamente  vedada  a  compensação  de  débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições  administrados pela SRF, com créditos de terceiros. 

Por  fim,  mister  se  faz  ressaltar  que  incumbe  a  interessada  comprovar a existência e a exatidão dos seus créditos tributários  a compensar. Não cabe à Secretaria da Receita Federal o ônus  da prova quando se trata de solicitação de reconhecimentos de  créditos para fins de compensação de tributos e contribuições.  Destarte,  considerando  que  é  expressamente  vedada  a  compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos  e  contribuições  administrados  pela  SRF,  com  créditos  de  terceiros,  é  de  meu  parecer  que  não  deverá  ser  homologada  a  declaração  de  compensação  pretendida  pela  contribuinte,  devendo  se  dar  prosseguimento  à  cobrança  dos  débitos,  nos  termos da IN SRF n° 460/2004, e do art. 74 da Lei 9.430/96 (§§  7° a 11, incluídos pela Lei n° 10.833/2003). 

À consideração superior (...). 

Nesse  mesmo  sentido  caminhou  a  decisão  da  5ª  Turma  da  DRJ  no  Rio  de  Janeiro/RJO, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, como  se verifica dos seguintes trechos extraídos do voto (fls. 315 e ss do volume 2 digitalizado): 

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[...] 

9.1.  A  DRF/Vitória  concluiu  por  não  reconhecer  o  crédito  alegado  pelo interessado  e,  conseqüentemente, .não homologou  a  compensação,  sob  o  fundamento  de  que  seria  vedada  a  compensação  utilizando  créditos  de  terceiros,  uma  vez  que  a  situação  junto  ao  CNPJ  da  empresa  Xerox  do  Brasil  Ltda.,  incorporada pelo interessado, continua com o status de "ativa".  [...] 

9.5. Portanto, um dos documentos necessários para se proceder  à baixa da pessoa jurídica incorporada junto ao CNPJ é o ato  extintivo  devidamente  registrado  no  órgão  competente.  Sem  tal  documento não é efetivada a baixa no CNPJ. 

[...] 

9.10.  Assim,  enquanto  não  providenciados  os  devidos  registros  na Junta Comercial e efetivada a baixa no CNPJ, não há como  se  homologar  a  compensação  declarada,  já  que  nos  assentamentos  da  Secretaria  da  Receita  Federal  a  empresa  extinta  "Xerox  do  Brasil  Ltda."  continua  com  o  status  de  ativa  junto  ao  CNPJ,  segundo  o  extrato  que  juntei  à  fl.  314.  Em  relação  ao  interessado  a  empresa  incorporada  continua  sendo  um  terceiro,  enquanto  não  efetivados  os  devidos  registros  de  baixa da mesma. 

9.11. Por todo o exposto, entendo que deve ser obedecido o art.  40 da In SRF n° 460/2004, que veda a compensação de débitos  do  sujeito  passivo  utilizando  créditos  de  terceiros. 

Conseqüentemente,  voto  pela  não  homologação  da 

compensação.  É o meu voto. 

É  fato  que  a  interessada  apresentou  todos  os  demais  elementos  legais  e  jurídicos  necessários  a  dar  ao  ato  da  incorporação  os  efeitos  jurídicos  pleiteados.  Isso  foi  reconhecido  pela  unidade  de  origem,  como  se  pode  notar  dos  seguintes  trechos  do  parecer  SEORT que fundamentou o Despacho Decisório (fls. 159 e ss do volume 1 digitalizado): 

[...] 

Vale  mencionar  que  a  contribuinte  firmou,  em  10/01/2003,  o  protocolo de que trata o Art. 224 da Lei 6.404/76, indicando o  número,  espécie  e  classe  das  ações;  indicou  que  as  variações  monetárias  posteriores  integrariam  o  resultado  da  empresa  incorporadora; optou pela avaliação do patrimônio líquido pelo  valor  contábil  apurado  com  base  no  balanço  apurado  em  01/03/2003,  em  atenção  ao  disposto  no  Art.  21  da  Lei  n°  9.249/95;  e  submeteu  à  aprovação  das  Assembléias  Gerais,  procedendo ao registro de todos os atos na Junta Comercial do  Estado  do  Espírito  Santo  sob  número  030143888,  conforme  documento  de  fls.  67/69.  Não  se  verificou  o  registro  na  Junta  Comercial do Estado do Rio de Janeiro. 

Em consonância ao regramento do Art. 227 da Lei 6.404/76, foi  preparado  o  Laudo  de  Avaliação  do  Patrimônio  Líquido  do  XEROX DO BRASIL por peritos contratados que corroboraram  os  valores  apurados  no  balanço  de  01/03/2003,  atestando  sua 

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avaliação  "de  acordo  com  os  princípios  de  contabilidade 

emanados da legislação societária", às fls.80/86. 

Nos  termos  da  legislação  societária  aplicável,  Art.  227  da  Lei  6.404/76,  a  incorporação é a  operação  pela  qual  uma  ou  mais  sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos  os direitos e obrigações. 

Oportuno  se  torna  dizer  que  a  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  referente  ao  evento  incorporação  entregue,  em  04/04/2003,  em  cumprimento  à  alínea  (a),  do  inciso  I,  do  primeiro  parágrafo  do  Art.  24,  da  Instrução  Normativa  n°  200/2002,  correspondente  ao  período  transcorrido durante o ano­calendário de ocorrência do evento,  com  base  no  balanço  levantado  em  02/01/2003,  apresentou  algumas  discrepâncias  nos  valores  constantes  do  Ativo  e  do  Passivo, entretanto sem reflexo no Patrimônio Líquido apurado  e confirmado pelo Laudo de Avaliação, às fls. 80/86 e 149/155.  Ressalte­se o conteúdo do item 4 do Protocolo de Incorporação  de fls. 78. 

Tendo em vista a necessidade de complementação da instrução  processual  no  que  concerne  a  novas  informações  e  à  coleta  de  elementos  comprobatórios,  foi  lavrado  Termo  de  Intimação,  às  fls.  53/60,  nos  termos  dos  Arts.  927  e  928  do  Decreto  n°  3.000/99,  solicitando  informações  sobre  a  incorporação,  apresentação de comprovantes de retenção na­fonte,­ dos­DARF  ção  nos  casos  em  que  a  empresa  incorporadora  figurou  como  fonte  pagadora,  dos  demonstrativos,  do  Livro  de  Apuração  do  Lucro Real — LALUR, do Livro Razão, entre outros elementos;  tendo  o  Procurador,  devidamente  identificado,  com  poderes  de  representação  de  acordo  com  o  Mandato,  tomado  ciência  em  05/08/2004, às fls. 60 e 63. 

[...] 

Em  atendimento  ao  Termo  de  Intimação,  a  contribuinte,  mediante  termo  de  entrega,  às  fls.  64/65,  apresentou  cópias  simples  dos  DARF,  demonstrativos  das  fontes  pagadoras  e  respectivos  impostos  retidos,  originais  e  cópias  do  Livro  de  Apuração do Lucro Real ­ LALUR ­ atinente ao ano­calendário  de  2002,  declaração  concernente  à  utilização  do  crédito  pleiteado, originais e cópias do Livro Diário Geral e a indicação  de pessoas com poderes para prestar esclarecimentos. 

[...] 

Urge  frisar  que  no  Termo  de  Intimação  foram  solicitados  os  documentos pertinentes à incorporação devidamente registrados  no órgão competente e a solicitação de cancelamento do CNPJ  da empresa Xerox do Brasil Ltda junto à unidade cadastradora  da SRF competente. Ainda foi informada a situação de cadastro  CNPJ  ativo  para  empresa  incorporada,  à  fl.  155.  Em  sua  resposta, a contribuinte, especificamente no item 1, entregou os  documentos registrados somente na Junta Comercial do Espírito  Santo e se omitiu no que concerne à regularização da situação  cadastral do CNPJ, à fl. 64. 

(8)

Da mesma forma, reconheceu o colegiado a quo (fls. 391 e ss do volume 2  digitalizado): 

[...] 

Efetivamente,  consta  dos  autos  todas  as  providências  legais  e  societárias  relativas  à  incorporação  da  empresa  "Xerox  do  Brasil  Ltda."  conforme  Assembléia  Geral  Extraordinária  realizada  em  15.03.2003,  onde  consta  a  ratificação  dos  termos  do  protocolo,  bem  como  a  aprovação  do  laudo  de  avaliação  elaborados,  conforme  se  depreende  da  norma  de  regência  prevista  no  artigo  1.116  a  1.118  do  Novo  Código  Civil  e  no  artigo 227 da Lei das Sociedades Anônimas, verbis 

[...] 

Nesse  mesmo  sentido,  a  empresa  "Xerox  do  Brasil  Ltda."  realizou  AGE  em  15.03.2003  e  também  ratificou  os  termos  do  protocolo e da justificativa, tendo aprovado o laudo de avaliação  e,  por  fim,  declarou­se  extinta,  concluindo  o  processo  de  sua  incorporação  pela  recorrente.  Também  foi  apresentada,  em  28.04.2003,  a  DIPJ  específica,  para  o  encerramento  das  atividades,  com  as  informações  correspondentes  ao  período  de  janeiro  a  março  de  2003.  Acrescente­se  a  isso  que  não  houve  qualquer manifestação em contrário por parte do Fisco. 

Consta  também  dos  autos  o  balanço  de  encerramento  das  atividades  da  Xerox  do  Brasil  Ltda.,  bem  como  a  individualização dos bens que foram vertidos para o patrimônio  da incorporadora, estando aí incluídos os impostos a recuperar  que fazem parte do presente processo. 

[...] 

Tem­se, assim, que o fundamento para o indeferimento do pleito, tanto pelo  órgão  de  jurisdição  da  interessada,  quanto  pela  Turma  Julgadora  de  1ª  Instância,  foi  a  não  apresentação do arquivamento dos documentos de incorporação na Junta Comercial do Rio de  Janeiro  o  que,  por  conseqüência,  impedia  a  baixa  do  CNPJ  da  incorporada  dos  sistemas  da  RFB. Assim, o direito creditório da incorporada foi considerado crédito de terceiros, em razão  do CNPJ ativo da incorporada. 

Essa  necessidade  de  arquivamento  da  incorporação  na  Junta  Comercial  do  Rio de Janeiro, onde se localizava a sede da incorporada, foi também invocada pela PFN em  suas razões recursais (fls. 405 e ss do volume 3 digitalizado):  

[...] Sem a consumação final, com o registro público colocando  uma  pá  de  cal  na  existência  da  empresa  incorporada,  não  há  como  se  aproveitar  dos  créditos  desta,  e  isto  por  uma  razão  muito  simples:  para  terceiros,  a  empresa  incorporada  ainda  existe, eis que ativa no Registro da Junta Comercial. 

[...] 

Ora,  a  própria  contribuinte  confessa  que  (fl.  332/335),  para  adequar a situação de direito à de fato, vem tomando todas as  providências  (ainda  não  concluídas)  para  arquivar  os  documentos pertinentes nas Juntas Comerciais onde a empresa  extinta 'Xerox do Brasil Ltda' possuía estabelecimento, além de 

(9)

efetuar a baixa no CNPJ. Confessou também que, não efetuou a 

baixa no CNPJ porque o pedido de arquivamento definitivo dos  documentos  da  incorporação  tem  caído  em  exigência  na  Junta  Comercial do Estado do Rio de Janeiro. 

O que não se pode fazer é fechar os olhos para a irregularidade  apontada:  a  existência  jurídica  de  duas  empresas,  com  dois 

CNPJs distintos, muito embora já aprovada a incorporação. 

[...] 

Ora  somente  devem  ser  considerados  débitos  próprios,  débitos  de  uma  única  empresa,  com  uma  única  inscrição  no  Cadastro  Nacional  de  Pessoas  Jurídicas  (CNPJ),  impedindo,  portanto,  empresas  sob  mesma  administração  de  compensarem  seus  tributos  entre  si.  Entender  de  forma  diversa  significa  ignorar  todos  os  preceitos  jurídicos  que  regulam  e  relevam  a  importância dos atos concernentes ao Registro Público. 

Ocorre  que  esse  óbice  não  existe  mais.  O  CNPJ  da  incorporada,  Xerox  do  Brasil,  já  foi  definitivamente  baixado  nos  sistemas  internos  da  RFB.  Em  14/09/2016,  a  recorrente apresentou a petição de e­fls. 589/592, informando que a própria RFB providenciou  a  baixa  no  CNPJ  da  incorporada,  Xerox  do  Brasil,  com  efeitos  retroativos  ao  mês  de  01.03.2003. 

De fato, a fim de verificar a veracidade da informação, consultando o sistema  COMPROT, localizei o processo de nº 10569.000318/2011­80, formalizado para providenciar  a baixa de ofício do CNPJ da incorporada Xerox do Brasil.  

O  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  admite  a  possibilidade  de  conhecimento  de  prova  trazida  após  a  apresentação  da  impugnação,  desde  que  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente (art. 16, § 4º, "b"). 

Este é o caso. A baixa definitiva do CNPJ da empresa incorporada deu­se por  procedimento de oficio da RFB, em momento posterior à apresentação da impugnação e refere­ se a fato superveniente. 

Assim,  a  pendência  nos  sistemas  internos  da  RFB  acerca  do  CNPJ  da  incorporada Xerox do Brasil, que impedia o deferimento da compensação, não mais existe.  

Como bem ressaltou a Turma Julgadora de 1ª Instância, os efeitos da extinção  da  pessoa  jurídica  por  incorporação,  retroagem  à  data  da  deliberação  dos  membros  da  sociedade,  ainda  que  as  providências  de  baixa  da  inscrição  da  empresa  incorporada  junto  ao  sistema CNPJ da RFB, venham a ser tomadas posteriormente. É o que dispunha, à época, a IN  SRF nº 200, de 2002: 

IN SRF nº 200, de 2002 

Dispõe sobre o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).  Art.  24.  O  pedido  de  cancelamento  de  inscrição  no  CNPJ,  por  extinção  da  pessoa  jurídica  ou  de  qualquer  de  seus  estabelecimentos, será único e simultâneo para todos os órgãos  convenentes a que estiver sujeito. 

(10)

§ 20. O cancelamento da inscrição no CNPJ produzirá efeitos a  partir da data da extinção da pessoa jurídica. 

§ 21. Não serão exigidas as declarações referidas no item 1 da  alínea  "c"  do  inciso  I  do  art.  48,  relativamente  a  período  posterior à data da extinção da pessoa jurídica. 

§ 22. Considera­se data de extinção, a data: 

I  ­  de  deliberação  entre  seus  membros,  nos  casos  de 

incorporação, fusão e cisão total; 

II ­ da sentença de encerramento, no caso de falência; 

III  ­  da  publicação,  no  Diário  Oficial  da  União,  do  ato  de  encerramento da liquidação, no caso de liquidação extrajudicial  promovida pelo Banco Central em instituições financeiras;  IV  ­  de  expiração  do  prazo  estipulado  no  contrato,  no  caso  de  extinção de sociedades com data prevista no contrato social;  V ­ do registro de ato extintivo no órgão competente, nos demais  casos; 

VI  ­  do  arquivamento  da  decisão  de  cancelamento  de  registro  pela Junta Comercial, com base no art. 60 da Lei no 8.934, de  18 de novembro de 1994. 

No  caso,  a  deliberação  dos  membros  da  sociedade  se  deu  em  15/03/2003,  com  a assinatura  da ata  da assembléia  geral  extraordinária.  Assim,  os  efeitos  da  extinção  da  incorporada Xerox do Brasil são verificados a partir dessa data. 

Nessas  condições  entendo  que,  não  havendo  mais  o  óbice  formal  para  que  sejam  reconhecidos  os  efeitos  jurídicos  da  incorporação  da  empresa  Xerox  do  Brasil,  pela  XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., não há mais por que argüir que se trataria de  declaração  de  compensação  de  créditos  de  terceiros,  mas  sim  de  créditos  próprios  da  interessada. 

Observo que o único fundamento para a não homologação das compensações  foi a impossibilidade de aproveitamento de créditos de "terceiros". Mas, como dito, este óbice  não mais existe. Contudo, isto não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A  autoridade  administrativa  do  órgão  de  jurisdição  da  interessada  centrou  sua  decisão,  exclusivamente,  na  possibilidade  do  pedido,  e  assim  não  analisou  a  efetiva  existência  do  crédito.  Superada  esta  questão,  necessário  se  faz  a  apreciação  do  mérito  pela  autoridade  administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. 

Quanto ao segundo argumento apresentado pela recorrente, o de que haveria  vedação legal expressa impedindo o aproveitamento de prejuízos fiscais experimentados pela  incorporada,  para  a  compensação  na  incorporadora,  entendo  que  o  assunto  é  totalmente  alienígena à situação fática tratada nestes autos, que versa sobre Declaração de Compensação  de débitos próprios, com créditos próprios ­ já que não mais considerados de terceiros, e não de  compensação  de  prejuízos  fiscais.  É  inadmissível,  por  meio  de  analogia,  tentar  criar  uma  vedação  que  a  lei  não  estabelece  porque,  ainda  que  se  tratasse  de  compensação  de  débitos  próprios com crédito de terceiros, já existe na legislação de regência dispositivo específico que  veda esse tipo de compensação, mas que, no presente caso, como visto, não se aplica. 

(11)

Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso  Especial da PFN, e mantenho a decisão do colegiado a quo que propôs o encaminhamento dos  autos ao órgão de origem para apreciação do mérito da compensação.  É como voto.    (assinado digitalmente)   Adriana Gomes Rêgo       

      

   

      

     

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