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Sheila Siqueira Camargo

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Academic year: 2021

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DE PROFESSOR A GESTOR: O EXERCÍCIO DA INTERDISCIPLINARIDADE NA CONSTRUÇÃO DE UM GESTOR

CAMARGO, Sheila Siqueira Mestranda Orientadora: Profa. Dra.Regina Lucia Giffoni L. De Brito Profa. Dra. Ivani Catarina Fazenda Colaboradora Resumo

PROBLEMAS A SEREM ANALISADOS: Qual seria a possível colaboração aos estudos sobre os fundamentos interdisciplinares para o aprimoramento da prática do gestor iniciante? Quais seriam os possíveis saberes necessários que precisam ser contemplados nos cursos de formação continuada para gestores, afim de atender as atuais dimensões da gestão?

Palavras-chave: Gestão, Interdisciplinaridade.

“O homem se efetiva falando, se faz exprimindo-se. É um ser que age, que se comporta, que se relaciona, que dialoga, mas que espera”.

(FAZENDA, Ivani. Interdisciplinaridade: qual o sentido?. 2ª Ed. São Paulo: Paulus, 206, p. 39)

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INTRODUÇÃO

No ano de 2006 conclui um curso de Pós-Graduação em Gestão Escolar, impulsionada pela necessidade de obter habilitação na área, embora jamais tenha desejado abandonar o cargo de Professora de Ensino Básico, ao qual tenho orgulho de me dedicar já há dezessete anos, alfabetizando crianças nas duas séries iniciais.

Durante a realização de meus estudos, voltados à pesquisa sobre gestores iniciantes, muitos dos conceitos por mim pré concebidos, sofreram profundas transformações. Comecei a observar as atitudes de minha diretora com mais critério, bem como sua maneira de vivenciar o poder e a influência dessa vivência sobre o corpo docente e os demais segmentos profissionais da escola, inclusive sobre as próprias crianças. Essas observações servem de subsídios para a elaboração dos dados que precisam ser coletados com as gestoras em estudo.

Essa vivência, somada à vasta experiência em alfabetização possibilita a reflexão sobre a importância do papel do gestor nas relações humanas dentro de uma instituição de ensino (trabalho em equipe frente à realização de projetos pedagógicos, trocas de experiências e formação continuada, bem como na criação de um ambiente escolar agradável que ofereça meios para o desenvolvimento de um contexto favorável à construção de competências profissionais e conhecimentos necessários a todo professor cuja pilastra mestra seja seu compromisso com as aprendizagens efetivas e duradouras e não com as dificuldades que as impossibilitam.

O papel do gestor de uma escola pública é de suma importância e responsabilidade, pois além de administrar um patrimônio público, que traz consigo vidas em formação, tem todo um Projeto Político Pedagógico que necessita acompanhar as diversas transformações nas políticas educacionais das últimas duas décadas, contribuindo com a descentralização dos processos políticos administrativos e com a democratização da Escola Pública, a fim de obter sua autonomia. Compartilho do pensamento do Nóvoa (1997, p.22), quando diz que o grande desafio da reforma educativa consiste em não mais restringir o professor à reciclagem, mas sim qualificá-lo para desempenhar novas funções como administrar e gerir uma escola; ser um orientador escolar e profissional; educar adultos e etc.

A essa idéia acrescento ainda o papel do gestor. Mais do que propiciar condições favoráveis para o desenvolvimento das aprendizagens necessita participar efetivamente

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da gestão da sala de aula, juntamente com a coordenação, se interando, no ponto de vista didático, das questões gerais que permeiam o processo da aquisição de habilidades e competências que estruturam o conhecimento efetivo do ser humano como: atendimento das diversidades na classe, construção da autonomia intelectual dos aprendizes; interação e cooperação; disponibilidade para a aprendizagem, seleção de materiais adequados ao desenvolvimento do trabalho organização racional do tempo e espaço entre outros.

É pertinente salientar que o gestor é antes de tudo e na sua essência um professor, daí encontramos o termo “professor-gestor”, um profissional completo derrubando aqueles conceitos antigos de que o professor é aquele que ensina conteúdos, sem envolvimento, não levando em conta o ambiente nem o fator histórico, psicológico e social dos alunos.

O professor-gestor influencia muito no processo escolar e tem consciência da importância de suas atitudes, por esse motivo precisa ser competente, pois é peça importante de uma engrenagem chamada Educação.

Gestores recém nomeados ao cargo e propostas Interdisciplinares para a formação continuada e o exercício de seus fundamentos na prática da gestão educacional fazem uma possível combinação perfeita para a realização feste trabalho de Pesquisa.

PROBLEMAS A SEREM ANALISADOS:

• Qual seria a possível colaboração aos estudos sobre os fundamentos interdisciplinares para o aprimoramento da prática do gestor iniciante?

• Quais seriam os possíveis saberes necessários que precisam ser contemplados nos cursos de formação continuada para gestores, afim de atender as atuais dimensões da gestão?

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OBJETIVO

- Fundamentar teoricamente a ascensão do cargo de Professor ao de Gestor Educacional.

- Informar professor que pleiteiam um cargo de gestor educacional de escola pública, sobre as dificuldades encontradas no início dessa carreira.

- Fundamentar teoricamente a relação entre o exercício dos princípios Interdisciplinares realizados pelos gestores iniciantes e o êxito na aprendizagem escolar.

- Identificar as competências interdisciplinares que precisam ser contempladas nos cursos de formação continuada para gestores, afim de supri-los nas diversas dimensões de sua profissão.

“Um olhar interdisciplinarmente atento recupera a magia das práticas, a essência de seus movimentos, mas, sobretudo induz-nos a outras superações, ou mesmo reformulações.”

(FAZENDA, Ivani Catarina. Didática e Interdisciplinaridade, 10 edição, Papirus, 2005. Capinas, SP, página 13).

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JUSTIFICATIVA

No Diário Oficial do Estado de São Paulo, volume 117, número 157. São Paulo, Terça-feira, 21 de agosto de 2007, foi publicada a nova agenda para a Educação Pública, criada pela Secretaria da Educação de São Paulo, tendo como objetivo definir dez metas, priorizando a melhoria das condições de aprendizagem para estudantes e de trabalho para professores no período entre os anos de 2007 a 2010, destacando como prioridade absoluta a melhoria da qualidade das aprendizagens e promoção de maior equidade da educação básica articulando as ações políticas entre o Estado de São Paulo e seus municípios, entre outros fatores contidos no documento oficial, mas que não são pertinentes neste momento para estudos. Este novo plano pretende alfabetizar todas as crianças com 8 anos de idade e melhorar a qualidade e a influência do ensino na Rede Pública Estadual.

Nas avaliações nacionais, de acordo com os resultados do SAEB (Sistema de Avaliação do Ensino Básico) de 2005, a média da rede estadual de São Paulo em Língua Portuguesa na quarta série foi de 178 quando o nível básico esperado é 200.

No que se refere a alfabetização, tema cujo fenômeno educativo conheço com prioridade, são muitos os estudos desenvolvidos, principalmente como modo de enfrentar o fracasso escolar nas séries iniciais do Ensino Fundamental.

Segundo o Programa de Formação de Professores Alfabetizadores, iniciado em 2003, sob a supervisão pedagógica de Telma Weisz, com o intuito de preparar os professores didaticamente e metodologicamente para a prática da alfabetização, aponta o fracasso escolar ao despreparo técnico do professor em identificar o avanço da aprendizagem em seus alunos e a falta de habilidade para trabalhar com as dificuldades apresentadas pelas crianças menos favorecidas economicamente.

A partir daí os problemas de aprendizagem vão sendo arrastados às séries subseqüentes e acumulando-se mediante a necessidade de novas aquisições intelectuais, que, utilizam como sub extrato as aprendizagens já adquiridas e sedimentadas nas séries anteriores tornando-se uma verdadeira “bola de neve” prestes a desencadear uma catastrófica avalanche.

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A autora Silvia M. Gasparian Colello1 em sua obra diz que os professores muitos dos quais bem intencionados, ainda patinam num mar de novas propostas mal compreendidas, caminhando ao lado de rancorosas concepções de ensino que, pela força da tradição, da insegurança e da ignorância, representam verdadeiros entraves, para aqueles que sonham com um ensino de qualidade, porém diz também2 que a prática pedagógica é um desafio a ser enfrentado individual e coletivamente pelos educadores à luz das novas descobertas, de uma melhor compreensão a respeito da criança, e dos processos cognitivos envolvidos na conquista da língua escrita, além de promover: redução de 50% das taxas de reprovação da 8ª série e do Ensino Médio. Implantação de programas de recuperação de aprendizagens nas séries finais de todos os ciclos de aprendizagem; aumento de 10% nos índices de desempenho do ensino fundamental e médio nas avaliações nacionais e estaduais; além de implantar programas de formação continuada de professores com foco nos resultados das avaliações externas; estrutura de apoio à formação e ao trabalho de professores coordenadores e supervisores de ensino para reforçar o monitoramente das escolas e apoiar o trabalho de professores em sala de aula e por fim programa de capacitação dos dirigentes de ensino e diretores de escolas com foco na eficiência da gestão administrativa e pedagógica do sistema, além de outras medidas contidas no documento oficial, mas que neste momento não se apresentam como pertinentes para o transcorrer do presente trabalho de pesquisa.

O professor é considerado o único na escola capaz de proporcionar aos aprendizes uma aprendizagem de qualidade.

Qual será o papel do gestor nesse processo?

É o que mais desejo responder através de minhas pesquisas.

Percebo cada vez mais a necessidade de uma gestão de qualidade, pois as relações dentro do sistema educacional acabam por serem feitas no cotidiano dos diferentes estilos de gestão autocrata portanto autoritária, gestão participativa, portanto democrática e esses registram a identidade assumida pela escola. Os cursos para formação continuada de gestores estão ainda engatinhando. Há muito ainda o que se estudar sobre essa figura, que é vista nas escolas como a “autoridade maior”.

Segundo Sennett (2001: p.30), autoridade é “alguém que tem força e a usa para guiar os outros disciplinando-os e modificando seu modo de agir, através da referência a

1 COLLELO, Silvia M. Gasparian . Alfabetização em Questão. 2004, pg. 09 2 COLLELO, Silvia M. Gasparian. Alfabetização em Questão. 2004, pg. 10

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um patrão superior”. Será que é esse o modelo ideal de gestor para as Instituições de Educação Escolar? (Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n.º 9394, 1996, art. 21).

Analisando a Proposta Curricular elaborada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo em 2007 é possível notar o fortalecimento do papel dos gestores educacionais na liderança do processo de implantação do sistema de gestão e incentivos à melhoria da aprendizagem. Foram estabelecidas ações de caráter geral e específico; Dentre as de caráter geral se encontra a formação do Trio-Gestor, composta por supervisores, professores coordenadores da Oficina Pedagógica (PCOPS), diretores de escola. Cabe ao Trio-Gestor a efetiva participação no avanço dos alunos, garantindo condições necessárias ao trabalho dos docentes, professores-coordenadores e à aprendizagem dos alunos, aumentando também a responsabilidade pedagógica do gestor frente ao desempenho competente de sua escola. Agregado a este fator, vem surgindo de maneira robusta a idéia de se construir um projeto interdisciplinar na escola, contemplando o que diz a Legislação Nacional de n.º 9394/1996 nos artigos 2º, 3º e 4º da Resolução CNI 2 e 3 de 1998 que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Básica.

A busca da construção de uma Proposta Curricular Interdisciplinar afere ao gestor o dever de apontar os caminhos que garantam tal realização, através de um esforço consciente e uma postura profissional que garanta a permanente construção do saber em sala de aula, voltada para o aprender a aprender.

A Proposta Curricular3 indica uma postura interdisciplinar na especialidade das disciplinas, incorporando uma atitude do grupo das disciplinas em realizar um trabalho conjunto que desenvolva a competência cognitiva e a consciência ética e política do aluno com base no estudo dos conhecimentos de cada disciplina. Para tanto os gestores são considerados fundamentais a nível de divulgação e implantação dos princípios interdisciplinares em suas escolas, porém é possível perceber que a nível da Oficina Pedagógica Leste I esta concepção interdisciplinar ainda não está sendo incorporada às orientações técnicas, pelo fato de que a equipe técnica responsável, os PCOPS, não estarem familiarizados com essa concepção, pois ela até o presente momento, não tem sido vivenciada em sua concretude, tanto a nível de Oficina Pedagógica, como a nível de Unidade Escolar.

3 Caderno do Gestor: gestão do currículo na escola/ Secretaria da Educação; Coordenação, Maria Inês

Fini, Elaboração, Lino de Macedo, Maria Eliza Fini, Zuleika de Felice Murrie. São Paulo: SEE, 2008, v.3. il.

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“A busca por soluções dos problemas da escola é de responsabilidade dos gestores. Se a escola pensa e age de determinada forma, a gestão é responsável por isso e não seus professores e funcionários, alunos e comunidade externa” (item 2, p. 21 do Caderno do gestor).

METODOLOGIA

A pesquisa realizada é de caráter qualitativo com pesquisa bibliográfica.

A metodologia a ser aplicada nesse estudo consistirá em pesquisa de campo realizada em cinco Escolas de Ensino Fundamental, pertencentes à Diretoria de Ensino Leste I.

Serão feitas entrevistas com gestores iniciantes, mediante a prévia autorização, coletando informações sobre seu entendimento a respeito do processo de ensino-aprendizagem realizado em sua escola, suas maiores dificuldades no exercício da profissão e seu conhecimento e interesse sobre as práticas interdisciplinares:

• Suas considerações sobre a qualidade dos cursos de formação continuada para gestores, assim como as orientações técnicas oferecidas pela Oficina Pedagógica.

• Solicitar auxílios dos supervisores e se possível acompanhá-los em suas visitas nas escolas escolhidas.

• Participar dos encontros de gestores na oficina pedagógica, bem como das orientações técnicas aos seus coordenadores Pedagógicos.

• Registrar e catalogar as informações obtidas.

• Entrevistas com os Coordernadores Pedagógicos e Professores das Escolas escolhidas.

• Procurar envolver os sujeitos pesquisados em encontros, cujo objetivo será desenvolver estudos de grupo focal.

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Tendo em mãos a obra: “Interdisciplinaridade, qual o sentido? de Ivani Fazenda e o Dicionário Básico de Filosofia de Hilton Jupiassú e Danilo Marcondes, ousei em esboçar uma poesia com aroma transdisciplinar:

Homem e Transcendência

Conta nas sagradas escrituras

Como surgiu a mais complexa das criaturas Cuja inspiração transcendeu o amor.

Do barro moldada

E com um sopro sublime acordada

Pra ser a imagem e semelhança do Criador. Com a representação plástica

o Ser Supremo teve sucesso, porém, embora complexo, contendo alma em sua essência nada com Ele se assemelha. Sua obra que era

para transcender o esplendor é capaz de causar

destruição e dor.

A alma concedida, tinha a função de se opor ao corpo, transcender... trazendo consigo os princípios da sensibilidade e pensamento Distinguindo cada elemento

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de qualquer outro material inerte, maquinal, não espiritual.

Emerge o Homem, gênero humano, pertencente a humanidade Ser criativo, racional, com personalidade

Também egoísta, individualista.

Embora coletivo, se sente uno e superior a coletividade Possui ideal civilizatório

e uma tradicional normatividade. Será que continua sendo humano,

mesmo quando não age com humanidade? Ou animal selvagem, sem generosidade? São muitos os mistérios

que circundam a existência humana. Enquanto Homem, dotado de razão,

Tal existência é metafísica, ontológica, imanente... Gera Cultura e História

Enquanto Homem, dotado de intuição e visão mística... É transcendental,

Utiliza o conhecimento e o transforma em consciência. Transcendente então é alguém superior

que se encontra além dos domínios da ciência, É infinito, singular

É a pura transcendência.

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CONCLUSÃO

Embora este trabalho de pesquisa esteja em andamento e portanto, ainda distante das vias de conclusão, posso afirmar que a Esperança é seu fio condutor.

Segundo o pensamento do Professor Paulo Freire em “Pedagogia da Esperança” (15ª. Ed. Paz e Terra, São Paulo, 2008): “O que move um ser ético é saber que sendo a educação, por sua própria natureza, diretiva e política, sem negar aos educandos seus sonhos ou utopias, respeitando-os”, tenho a convicção de que através de meus estudos e das orientações da Professora Doutora Regina Giffoni, de quem tenho a satisfação de ser aprendiz e orientanda, serei capaz de defender esta dissertação com seriedade, rigorosidade, mas de maneira apaixonada, procurando pensar certo com humildade, boniteza e ética, oferecendo-a àqueles que procuram refletir sobre suas práticas, reorganizando-as de forma a obter novas atitudes educacionais contextualizadas com a realidade vivenciada e de maneira positiva.

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