[carta
ao
leitor]
Revolu
ão
digital
J
queuraquefalam doaliberdadeassuntosempredesdefoiosumpensadores
temaexplorado
gregos atéemhoje, passando,
todasas erasdaclaro,
humanidade? Podemospela Revolução
Francesaencontrar textosedemaisRevoluções
Burguesas
que,já naquele
tempo, transformaram liberdadeem umtemadesgastado,
apesar dasuaincontestável
importância.
Atualmente,
osprincipais
assuntosrelacionadosaliberdadesãoabordadosdeformarecorrente- eaté exaustiva -porquemsepropõe
arefletirarespeito
dotemaecostumamgravitar
emtornodequestões
comocensura,imprensa,
liberdade de
expressão,
movimentossociais,visitas apresídios,
direito de irevireoutrascoisasdasquais
já
estamoscarecasde saber.
Tais assuntos
já foram,
inclusive,
abordados por estejornal
em seus 25 anos deexistência,
de formaindiscutivelmente
elogiável,
namaioriadoscasos,sobaorientação
do Professor(Helton)
RicardoBarreto, umantigo
editor-chefe do
jornal
quepossui
bastante facilidadeemproporpautascontundentesesupervisionar
suaexecução
demodoanão cairno
lugar
comumou,aomenos,fazercomqueacoisatragapelo alguma
inovação.
Na hora deoptarporfazeruma
edição
temáticasobreliberdade,
tínhamos receiodeproduzir
umaedição
cuja
leituranãovalesse apena, sobrea
qual podia-se
pensar "Nossa! Essas matérias temtanto a ver com o Zero quejá
foram todas feitas!"
Adotamos,
então,asugestão
doprofessor
ClóvisGeyer
- derestringir
atemáticada liberdadeà idéia de liberdadedigital
dainformação,
focando aedição
em matérias sobre avançostecnológicos
dacomputação
e da internet. Oresultado foia
elaboração
dematériasque, mesmonãofugindo
dalinha editorial do Zero, aindanãotinham sidopublicadas
aqui
e,emalguns
casos,trazeminformações
difíceisde acharemqualquer
outrolugar.
Foraisso,ostemasrelativosà
tecnologia
emcomputação
e nainternet,quando
associadosàidéia de liberdade- enãodeconsumo ou
aquisição
-, além deserem novos,têmumaimportância
maiordoqueoespaço quetheécedidonamídia.
Conseguem
darcontadasmudanças pelas
quais
passamos desdeque usávamos - olhaque não faz tanto
tempo
-disquete?
Oudo que mudou de 1991 pracá,
com aWeb?Ou desdeas décadasde30e40, quando
estavamdesenvolvendoos
primeiros
computadores?
É
estranho pensar quehápoucomais de 16anos ainda não existiaaWorldWideWeb,
interfacehipertextual
que transformou aInternet-aquela
rede decomputadores
interconectadosquetrocavadados desdeadécada de 70- emumaferramentade
comunicação
extremamentepoderosa,
revolucionáriaapontode reduziromundoaalgo parecido
com a aldeiaglobal imaginada pelo
filósofo canadense Marshall McLuhan no início dos anos 60. As distânciasdiminuíram;
atrocadeinformações pela
Webé maisrápida,
fácilebarata doqueemqualquer
outromeio anterioreelanão
depende
deoutrosmeiofísicos além doscomputadores
edos satélitesecabosqueosinterligam.
Toda essa
informação jogada
na Rede se acumulou tanto que acabou constituído um banco de dados deproporções absurdas,
algo
como a Biblioteca de Babelimaginada pelo
escritorargentino Jorge
LuísBorges
-uma
biblioteca universal que conteria todo o conhecimento humano. A Web é o mais perto que
chegamos
disso: umainfinidade de
páginas,
textos e links onde épossível
achar referências a quase tudo. Boa partedesse material estádisponível
degraça parao acessodequalquer
usuário que tenha umaconexão e umbom usodepalavras-chave
nocampode busca do
Google.
Os avanços das áreasde
computação
também mudaram anossavida,
influenciando a nossarotina,trabalho,
eprodução
culturale asopções
de lazerpelas
quais
optamos.Porisso, nos
esforçamos
emreunirinformações
quedessem contade discutir liberdade tendoemvista asnovaspossibilidades
a nossadisposição.
Todo o processo deprodução
dessejornal foi,
inclusive,
feito com aajuda
dos Softwares Livres GIMP, para aedição
deimagens,
eScribus,
para adiagramação;
além dosprogramas deCódigo
AbertoOpen
OfficeeBrOfficeparaaedição
dostextos.ZERO
EDIÇÃO
Diego Ribas, Diogo Honorato, Ingrid Santos, AgecomFOTOGRAFIAUFSCeGoogleImagensINFORMAÇÕES
IMPRESSÃO:Diário Catarinense...
MelhorPeçaGráfica JéssicaLipinski,PaulaReverbel,Rafaela Bift
AGRADECIMENTOS CIRCULAÇÃO
Nacional
I,II,III, IVeXI
ANOXXV
-EDiÇÃO
ESPECIAL Cêra,Renan DissenhaFagundes,Sabrina DISTRIBUiÇÃO:Gratuita
Set Universitário I PUC-RS
DEZEMBRO2007 Carozzi,
TadeuSposito ClóvisGeyer TIRAGEM:5.000
1988, 89, 90, 91,92e98
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA
EDITORAÇÃO
PROGRAMAS UTILIZADOS TELEFONES...
CATARINA-UFSC
FECHAMENTO: 05 DEDEZEMBRO
AndréFaust,DiegoRibas,ClaudiaMussi, Scribus, Gimpe, BrOffice, OpenOftice, +55(48)3721.6599
3° melhor DomitilaBecker,PaulaReverbel,Renan GoogleDocs,GhostScript,Inkspace 3721.9490
Jornal-laboratóriodoBrasil
REDAÇÃO
DO JORNALDissenhaFagundes 3721.3215
EXPOCOM1994
PROFESSOR COORDENADOR FAX: 3721.9490
CURSODEJORNALISMO REPORTAGEM LucioBaggio
...
UFSC- CCE- JORDiegoRibas,ElaineManini,LuizaFerreira, NAINTERNET Trindade
-Florianópolis
PaulaReverbel,RenanDissenhaFagundes MONITORIA SITE: www.zero.ufsc.br MelhorJornal-laboratório IPrêmioFocaCEP 88040-900 Lucas Neumann CIRCULAÇÃO:[email protected]
Sind.dosJornalistas deSC,2000
02
ZERO
DEZEMBRO- 2007[kill
bill
(gates)]
Liberdade
para
os
softwares
Liberação
do
Código
Fonte
permite
ao
usuário
refinar
e
customizar
os
programas de
acordo
com suas
necessidades
Em
1997,umusuáriodosistema
operacional
Linuxabriuumaja
nelado
jogo
XBillparaver doquesetratava.No
irúcio,
odesenho dojo
goapresentouvários
computadores
e-analisandoos
logos
emcadaumadastelas- ficava subentendida
umavarieda
de de sistemas ou programas rodando nas
máquinas.
Aseguir, surgiu,
caminhando
pela
tela,
afigura
deumhomenzinho
branco,
de cabeloloiro,
usando óculos dearoarredondado. Elecarrega vaalgo
queseparecia
comquatroquadrados coloridos e parou na frente de umdosmicros,Seráqueestavamexen
doem
alguma
coisa?Passadosalguns
segundos,
voltou acaminhar,
e ficou claro que elepretendia
sairda telacarregando,
ao invés do que tinhaquando
chegou,
osistema queestavanaquele
pri
meiro
computador, representado
porum
logo.
E, natela desteprimeiro
ITÚ cro,seviaagoraosquatroquadrados
coloridos,
semelhantes ao desenho deuma
janela.
Mais homenzinhos foramaparecendo,
ecadaumsedirigia
a umamáquina.
O
jogador,
então,entendeuoqueestavaacontecendo: "Elevai colocarWin
dowsem tudo! Nããããooooooo!" Passou aclicarcom o mouse emcimadasmini
aturasdo
empresário
BillGates, que foram8e
despedaçando
violentamenteempocinhas
desangue,de modoaproteger os programas e sistemas. No site doXBill,
ojogo
édescrito daseguinte
maneira:"Mais
popular
queQuake!
Vocêéumadministrador e
alguém
está tentando destruirseuscomputadores.
Oshomenzi nhos correndopela
telaestãotentando infectarseuscomputadores
com oWing
dows
[TM],
umvírusespertamentedisfarçado,
de modoa seassemelharcom umpopular
sistemaoperacional".
Entre as características do Win
dows que fazemcomqueele
seja
alvode sátirascomo essaestãoa suaqua
lidade técnica
-questionada
porvários
programadores
eprofissionais
daárea de
computação
- e ofatode ele adotar um modelo decódigo
fecha do. Ouseja,
ocódigo
fonte(source
codeeminglês),
quecontém as instruções
do software em umalingua
gem de
programação,
não édisponibilizado
aousuário.Apenas
ocódigo
binárioou oarquivo
executávelédistribuído,
fazendo comqueseja
impossível
realizaralterações
do programaparafinalidades
práticas.
Asvantagensde
disponibilizar
ocódigofonte- enãosóo
arquivo
executável - incluemapossibilidade
decooperação
paraaumentarourefinarosprogramas,parainovar,para custonúzarde acordo
com as
necessidades,
para acharbugs
eparafazer com quea
disseminação
despyuare
seja
maisdifícil. Issosemfalardautilidadequeaanálise desses
códigos
tem para
programadores
que queremampliar
seusconhecimentos.Nasdécadas de50, 60e70,era nor
malqueosindivíduosqueusavam com
putadores
gozassem de tais vantagens,afinal,
todosqueriam
ocrescimentoedesenvolvimento daárea. Masnofim dos anos 70eirúcio da década
seguinte,
acomplexidade
dossoftwares fezcomqueeles
adquirissem
umacaracterísticadesegredo
comercialeváriasempresaspassaram a proteger seus investimentos
através das leis de
direitos autorais
edistribuir ape nas o
código
binário de um
programa. Um
nova
iorquino
chamado Richard Stall
man,
cuja
antiga
paixão
mor-parti
cipar
do grupo dedança
folk deHar-to; de estudar como o programa
funcionae
adaptá-lo
paraas suasnecessidades;
de redistribuircópias,
de modo que você possaajudar
ao seupróximo;
de
aperfeiçoar
o programae liberar os seusaperfeiçoamentos,
de modoquetodaacomunídadesebeneficie. Oacesso ao
código
fonteéumpré-requisito
paraduas dessas liberdades. Além
disso,
ohacker também escreveu uma
licença
deSoftware- aGPL
(General
PublicLicense).
Estalicença,
além de estabelecerastais quatro
liberdades, sendo,
portanto,uma
licença
de Software livre, étam-pelas
atividades de hacker que
desempenhava
des dequeseformounoensinomédio,
começouaFundação
Softwarelivre
(FSF
deFreeScfiuare
Poundation)
em1985.Ele
rejeitava
aidéia de estabelecer acordos de
não-divulgação,
que oproibiriam
de difundiroscódigos
fonte em que trabalhava.Já
eraperceptível
queo caradefendiaolivreacesso aoscó
digos
há urn tempo, como ficou claroem urn
episódio
dequando
trabalhavanoLaboratório de Ciências da
Computa
ção
doMIT(Massachusetts
Instituteof
bas
seja
maior.Comofoia mesmapes soa que escreveu a GPL e definiuSoftwarelivre,aspessoastendema con
fundirasduascoisas,acreditandoqueto
das as
licenças
de FreeSoftware
sãocomo aGPLequeasde
Código
Abertosãoasmais
pernússivas.
Osdois
tipos
de programas- livree
aberto- também
sediferem dos
freeua
res,programas
gratuitos
paraosusuári oscujos
códigos
não sãodisponibilizados.
Hátambém ossoftwa resde domíniopúblico,
emqueoautorrenuncia totalmente aos direitos
auto-o Gnu,do
projeto
GNUe opingüim
Tux, doLinux, símbolos desoftwares livreso
jogador,
então,
entendeu
o
que
estava
acontecendo:
IIEle
vai colocar
Windows
em
tudo!
Nããããooooooo!
nTechnology).
Decifrou todasassenhase asenviouaos seususuários para provarqueosistema de senhas
atrapalhava
ocompartilhamento
dos programas,aoin vés deaumentar asegurança. Atéhoje,
se recusa a usar ossoftwaresproprietári
os-aqueles
emqueacópia
emodificação
docódigo
fontesãopodadas
porseudono.
Stallman tambémcrioua
definição
deSoftwarelivre
(Free
Software),
que écalcadaemquatroliberdades: deexecu
taroprograma, para
qualquer
propósi-bémuma
licença copyl4f,
pois
fazcomqueosdireitos permaneçam
disponíveis
em versões modificadas do programa.Ou
seja,
assimcomo umprograma licenciado
peia
GPL élivre, o seu derivadotambém é.Porisso,uma
licença
deGPL nãopermite
que o autorde modificações
de umprograma possafazer tudoque
quiser
com a suaversãodo trabalho, principalmente,
fecharocódigo.
Existem
licenças
de Software livre maisliberais,
quepermitem
que usuáriofecheocódigo
da suaversãoalteradadoprograma.Em
relação
aestas,aGPLacaba
restringindo
maisasop-ções
dos usuáriosem nomedacoletividade.
Também háas
licenças
deCódigo
Aberto(Open
Source),
muito semelhantes às de Softwarelivre. Em
geral,
uma mesmalicença
que édeumti potambémédooutro.Umca so que é apenas deCódigo
Aberto éaReciprocal
PublicLicense(RPL),
ouli cençaRecíproca
de Softwareemportugês,
que firma que asmudanças
implantadas
devem serpublicadas.
Não éSoftwarelivrepois
aescolha de distribuirou nãoaversãoalteradanão édo usuárioautordas
mudanças.
Apesar
de uma mesmalicença
de Softwarelivre,emgrande
partedoscasos, também ser
Código
Aberto,
é co mum que pessoas se enganem,acreditando que a
diferença
entream-rais,nãotendomaiscomoescolheruma
licença
ououtra.Umdosmaiores
exemplos
dousodelicenças
nemlivresouabertaséoriundodaAT&T,amaior
provedora
deserviços
de
telefonia,
serviços
wirelessedeInternetDSLdos Estados Unidos.Adivisão de
pesquisa
da empresa, chamada BellLabs,
ou Laboratórios Bell em português,
foiresponsável
por muitasdescobertas
importantes,
como o transistor-invenção
que apenas tomoupossível
aexistência do
rádio,
docelular,
docompu tadoredeoutrosdispositivos
eletrônicos.Outra coisadesenvolvida
pela
Bell Labs foiosistemaoperacional
Unix,lançado
nos anos70.
Surgiu,
então,urnademan da das comunidades deFreeSoftware
eOpen
Source porumsistemaoperacio
nalcomo- tãohom
quanto
-oUnixe
cujo
código
estivessedisponível.
Em84,
Stallman,
com aambição
de criarumsistema
operacional
totalmente
livre,
criouoProjeto
GNU. Ono me doprojeto
foi baseado em váriasreferências,
inclusiveumaà músicaTheGnu,
deumadupla
britânica quesededi cava acanções CÓITÚCas,
compostapelo
atorecantorMichael Flanderse
pelo
pia
nistae
compositor
DonaldSwann. Amú sicaé sobreomamíferoGnu.Alémdessapiada,
o nomedoprojeto
étambémumacrónimorecursivo,
jargão
da área deCiências da
Computação
que se refere a umasigla
emqueaprimeira
letra abreviaa
própria sigla.
Nessesentido,
GNUsig
nifica GNU's Not Unix,
(GNU
não éUnix). É
o acrónimorecursivomaisfamosoque existeedeixa claraa
intenção
do Stallman de criarumsistema tecni
camentetãohomquantooUnix,
porém
com umalicença
queprolifere
asquatroliberdades.
Na
corrida,
também estavaogrupode
pesquisas
emcomputação
de Berkeley,
com seusistemalicenciadopela
BSD-Berkeley
Software
Distribution,
adistribuição
da Universidade da Califórnia - umcasodelicença
maispernússiva
de Software livre. Um processo da AT&TcontraaUniversidadeatrasouadíssemi
nação
dasuaversãolivre doUnix.Enquanto
isso,osesforços
de quemestava envolvido com o
Projeto
GNUrendeu diversosprogramas equaseum
sistema
operacional
inteiro,
com a exceção
deumhom kernel.Okernel-apalavra
significa
centro eminglês
- é o núcleo do sistemaoperacional
que ge rencia os recursos relacionados aohardware. Okernel oficial do GNUestá lentamente sendo desenvolvido até
hoje.
Duranteodesenvolvimento doPro
jeto,
um estudante finlandês chamadoLinusTorvaidscursavamestradoemCi
ênciasda
Computação
naIlníversídadede Helsinki. O nome do estudante era uma
homenagem
aonobel dequímica
Linus
Pauling,
embora Torvaldsinsistisse queera uma
homenagem
aopersonagem Linus datira Charlie Broum e
Snoopy,
escritaedesenhadapelo
cartunista Charles
Schulz,
tãopopular
que foi transformadaemdesenho animado.Linus
-o
estudante,
nãoopersonagem- desenvolveu
o Linux kernel aos 22
anose, porisso,recebeudiversas home
nagensereconhecimento de todososti pos' O filme Senha:
Sowrdftsh
contémum personagem finlandês que era o
maior hackerde todos os tempose se
chamava Ax! Torvalds. Linusrecebeu o
statusde doutor honorárioemduasLUÚ
versidadese foi eleito
pela
revistaTimeumdos heróis revolucionários das últi
mas6décadas.
Hoje,
tem37anos.Depois
queoLinuxkernel ficou disponível,
passou aser ohospedeiro
maiscomum dos softwares do
projeto
deStallman,
completando
aidéia de fazer um sistema inteirocomlicenças
livres. O Linux kernelé,
portanto, uma partepequena- emuito
importante
- dosistema.Porisso,a
Fundação
Softwarelivre defende que o nome do sistema
operacional
inteiroseja
GNU Linux.As empresas dedicadas aosSoftwa
reslivres,como aRedHat InC.e aCa
nonical Ltd.
ganham
dinheiro através dadistribuição
de softwares acompe nhada deserviços
comoassistência técnica, treinamento ou
customízação
deprogramas.
PorPaula Reverbel
DEZEMBRO
[entrevista
-Alexandre
Oliva]
Combale
ao
aprisionamento
tecnológico
"Evangelizador"
defende
que
aspecto
social do
Software
Livre deve
prevalecer
sobre
questões
técnicas
e
econômicas
C
o-fundadorda FreeScftuare
FoundationLatin America(FSFIA)
- Funda
ção
SoftwareLivreAméricaLatina,emportuguês
- Alexandre Olivaéatualmente um dos quatro conselheiros
responsáveis pela
ações
eposições
daentidade,
que visapromovero uso edesenvolvimento do SoftwareLivre.Talobjetivo
pode
serresumidoàdefesa dos direitos dedesenvolver,
usar, redistribuiremodificar software- astaisquatro
liberdades,
comosãoconhecidasentreoshackers.Oconcepção
deSoftwareLivrefoi introduzida porRichardStallman,
fundador daFreeSoftwa
reFoundation. Olivase considera
"evangelizador"
do conceitoe contribui com oProjeto
GNUdesdeametade da década denoventa."Aceitar
as
restrições
impostas
sobre
osoftware
que não
é
livre,
ou
através
deles,
é
jogar
contra
a
sociedade"
Zero: A FSFIAafirma quepretende participar
einfluirnosprocessosdetomada dedecisãoqueafetemoSoftwarelivre. Comofazemissona
prática?
Alexandre Oliva:Temosumarede decontatos,existem muitaspessoas que
já
entenderama
importância
do SoftwareLivreedorespeito
às liberdades dosusuátios,
nãosóna
questão
prática
individual- vocêconseguir
resolverseuspróprios
problemas
- masem
questões
de nívelsocial,
éticoemoral.Erntermosdepolíticas públicas,
da soberania dopaís,
dapossibilidade
de desenvolvimentotecnológico
eeconômico. Háumcrescentenúmero de pessoasqueentendemessesprocessose se
propõem
atrabalhar para. defenderessas
idéias,
com asquais
buscamosestaremcontato.Eàmedida que elastêmpoder de
decisão,
poder
deatuação
einfluência,
buscamos oferecersuporte praessaspessoas; àsvezesofereceruma
lição,
oferecerargumentosque nãoforamconsiderados,
perspectivas
quenãoforamoferecidas,
atuandojunto
aopúblico,
para queessaspesso astenhamumareíerêncíaIssoéimportante
eajuda
essaspessoasamostrarem,orapara.seus
superiores,
orapara.seuspares,queexisteumademandanasociedade,
queépreciso
olharpara.determinadosaspectos,que àsvezesnãodápara.simplesmente
olharexemplos
ouexigências
quevenham defora- ou mesmo que venham de dentro dopaís,
masdefora deumgoverno,por
exemplo
- eimaginar
queessesinteresses sãoosmaisimportantes.
Precisamospensarnasociedadee naspessoas enãosóeminteresseseconômicosque sãocontrátios àsociedade.
sar
ninguémlá,
opaís
acabasofrendooefeito dadistribuição
gratuita
doWindows,
que aspessoascopiam
ecompartilham
impunemente.
NaAméricaLatina,oBrasil,
eudiria,
ocupa
injustamente
umaposição
dereferência.Nãodesmerecendoosmuitosesforços
que existem-quenós
aplaudimos
ecitamossempre quepossível-;
vemos,pelo
menos naesferapública,
umposicionamento
maisambíguo
aqui
do queemoutrospaíses.
Anossa
organização
irmã FreeSoftware FundationEurope
tematuadocommuitaforça.
nocombate àspatentesdesoftwareque são aceitasem
alguns
dospaíses
daEuropa.
Elatem
conseguido
evitarapropagação
dessesesforços
lá,
assimcomo oBrasile aArgenti
naconseguiram
evitaraspatentesde softwarenaAméricaLatina,queosEstadosUnidos buscavamtrazeratravésda Alca.Na
Índia,
onde também háumaFreeSoftware
Fundation,
existemalguns
estadosque têm tido muitaforça.
naadoção
de SoftwareLivre e nabusca das
liberdades,
emgrande
partepela
atuação
danossairmãindiana.Não
consigo
dizeraposição
do Brasilnesseranking,
mas eugostaria
que fosse bemmaior,apesardetudoquesefaz.
Z: O quediferenciaa
agenda
da FSFIA deoutrosprojetos?
AO: Há muitos
projetos
queatuamnosentido dedifundiroSoftwarelivreeissoéótimo,
masnão éomaisimportante.
NomomentoemquevocêdifundeoSoftwareLi vre,oferece-ocomo umaalternativa,
oque não émau.Masoque nósentendemos équeoSoftwarenão-Livreéumaameaça. àsociedade.Ossoftwaresque
proíbem
aspes soasdecompartilharem,
deseremsolidárias,
deajudarem
umas asoutras,proíbem
adifusão da
cultura,
sãoumaameaça.a nossasociedade.Damesmamaneira.quequando você vêuma
propaganda
na'IVou umfilme,
vaiaocinemaoucompraumOVO,ali dizquecompartilhar
é crime.Quando
isso passaa serensinado àscrianças
nasescolas,
vira.uma
lavagem
cerebralperigosíssima.
Antes ensinavampara. levarobrinquedo
oulanche pra escolae
compartilhar
com ht�//Wv.w�icunicampb,/-otivai osamigos.
Isso geraumhom comportamentosocial.Noestado deSão
Pau-Z: Ogoverno do
presidente
Luladiscutiumaisaquestão
do SoftwareLivredoquequalquer
outrogovernoanterior. O quemudouna
política
deSoftwa relivrenosúltimosanos?AO:Mudou bastantee,ao mesmotempo,mudoumui
topouco.Tem
aparecido
muito mais espaçodoquetinhaantesparaaspessoas quedefendemasidéias de liberdade
atuarem. O governo até
coloca,
em determinados casos, queexisteessapolítica pública
deSoftwareLivreehá demonstrações
de queissoacontece-comoprogramasdein
clusão
digital
baseados em Software Livre, iniciativas deadoção
deSoftwareLivreemdiversos bancoseórgãos pú
blicos,
empresas de desenvolvimentodesoftwareeprocessamentode dados doGovernoFederalede
alguns
governos estaduais emunicipais,
não só utilizando SoftwareLivre,masdesenvolvendo-o.
É
possível
verissonaCelepar,
noParaná,
e,recentemente,naprefeitura
deFortaleza.Em muitos casos, aindafaltaum
posicionamento'
absolutamente clamemrelação
ànãoaceitação
docomprometimento
daliberdadeeda soberania do
país.
Porexemplo,
o caso dacompra de 44
millicenças
de Office da Microsoftpela
ReceitaFederal.Issoé absolutamenteindefensável. OTribunal deContasdaUnião
publicou
umrelatórioquemostraqueas
desculpas
queaReceitaFederal deupragastar40 milhões dereais sãocompleta
mentedescabidase aReceitaFederalcontinuatentandogastaresse
dinheiro,
aoinvésdeusar uma
solução
de SoftwareLivre. Afalta deumposicionamento
claro doGovernoe uma
atuação
muito clara.nosentido de combatereevitaracontinuação
doaprisiona
mento- ou ocrescimentodo
aprisionamento
tecnológico
queexistehoje
- éindpien
te, ainda dámuito espaço paracorrupção,
para.politicagens
que acabam traindoasociedadebrasileira..
lo passou um convênio do governo
estadualcom aMicrosoft praensinar
nasescolas que
compartilhar
éfeio,
éerrado,
é crime. Comoéquefica.a cabeça.
dacriança
quando
você diz"nãopode ajudar
seuamigo,
nãopode
serlegal
com seuamigo",
porqueé maisimportante
asseguraro lucro deumintermediário,
quenemrepassaodi nheiropara.oautor, doquefomentarumasociedade
cooperativa.
Esse problema social
precisa
sercombatido,
enãosóoferecendooSoftwareLivreco mo
alternativa,
masajudando
aspes soas a entenderem que aceitar asrestrições impostas
sobre o softwareque não é
livre,
ouatravésdeles,
éjo
garcontra.asociedade.No momentoque você aceita uma
restrição
comoessa,eainda pagapor
ela,
nãoestásódandoumtirono seu
próprio pé,
estádestruindoa
solidariedade,
destruindo asociedade,
dandoforça.,
dinheiro,
re-curso para quem quer destruiressesvalores.Sevocê dá
força.
aalguém
quecerceiaaliberdade de todomundo,
nãoestáagindo
só dentrodasualiberdade,
está invadindoadooutro.Talvezotrabalhomaisimportante
daFSFIA,que poucagenteda área desoftwarefaz,
éolharpara.essaquestãodopontodevistasocial.Nãodopontodevista
técnico,
oudopontodevistaeconômico,masdopontodevistada
sociedade,
de valoresmorais.Alexandre Olivaéco-fundador fa FSFLAetrabalhaemferramentas dedesenvolvimento, todas Livres
Z: Como oBrasil se situainternacionahnenteem
relação
àslicenças
deSoftwareLivreeà
promoção
dasquatroliberdades?Em queaspectosopaís
estámaisadiantadooudefasadose
comparado
aoutrospaíses?
AO:Curiosamente,apesarde tudoisso queeu
levantei,
de todainsatisfação,
oBrasiléum
país
citadopor muitosoutrosque têmseimportado
com essasquestões.
Elenãotemum
posicionamento
tãoclarocomo,porexemplo,
oEquador,
aVenezuela,
comoalguns
governantesnoPerutêm buscado. Cuba éumpaís
quetemmuito espaço paraliberdade do
software,
mas,como aMicrosoftnãovende software láenãopode
proces-Z: OsitedaFSFIAdizqueas
licenças livres,
GPL(General
PublicLicense)
eLGPL
(Lesser
General PublicLicense),
têm sidoobjeto
deataquesemtodo mundo.E que tais ataquesse baseiam fundamentalmentenadivulgação
deinformações errôneas,
quegeramtemoresedúvidas sobresuaaplicação.
Que
informações
errôneasessesataquestransmitem? Por que sãoequivocadas?
AO: Existembasicamente duas frentesde
oposição
aGPL. Umavemdepessoas quenãoentenderamo
propósito
dalicença,
que não é sórespeitar,
masdefenderasquatroliberdades do usuário.Existem
computadores hoje
que sãovendidoscomSoftwareLivre que nãoémaislivre,
software sub-GPL.As pessoasrecebemosoftware,
masnãoconseguem gozardasliberdades porqueo
computador
nãopermite.
Existemcomputadores
quesão,por
exemplo,
telefonescelulares,
videocassetesdigitais, programados
prafazerumacoisaeque sóofornecedorconseguealterar.Esse
tipo
derestrição
normalmenteéII
Propriedade
intelectual
é
um
termo
que
não
faz
o
menor
sentido.
Se
eu
te
dou
uma
idéia,
eu
não fico
com
uma
idéia
a
menos"
DEZEMBRO
-2007
ZER
05[entrevista
-Alexandre
Oliva]
Z:Em queaLGPLémais
permissiva
queaprimeira
licença
escrita por Richard Stalhnan?
Que
necessidademotivouasuacriação?
AO: Não sei
qual
foiaprimeira licença
escrita por ele. Seique,antesdeexistiraGNUGPL,eleescreveuoutras
licenças
que nãoeramgerais
(aplicáveis
aqualquer
programa),
massimespecíficas
paraoGNU EmacseparaoGCC(GNU
Compiler
Collection).
AGPLfoiageneralização
dessaslicenças,
estabelecendoque oprogramasobela
licenciado,
equalquer
versãoderivadadele,
sópoderia
serdistribuído sobosmes-implementado
paraimpedir
ousuáriodefazer determinadascoisas.É
usadopara implementação
deGestãoDigital
deRestrições (DRM).
A GPLbuscadefenderasquatroliberdades,
entreelasaliberdade de modificarosoftwareparaque elefaça
oquevocêquiser.
Quando
apareceuumaprovisão
naterceira versãodaGPLquetratadesseassunto,
algumas
pessoasseopuseram porque elasestãopreocupadas
com aparticipação
das empresas que vendemesses
dispositivos
nodesenvolvimentodo softwarequeeles liberam,
nãocomaliberdade. Comoessatécnica é usadaprimariamente
paraimple
mentaraGestão
Digital
deRestrições,
ede fatoaGPL versãotrêstemumacláusula quetrata
especificamente
das leis que foramprojetadas
para darforça legal
àDRM,algu
maspessoas acharam quea
licença proibia
DRM,equeisso estariaferindoumaoutraliberdade
fundamental,
adevocêimplementar
o quequiser
nosoftware.MasaGPLnãofazisso,você
pode implementar
DRMquando
vocêquiser,
oque nãopode
éimpe
dirasoutraspessoasdemodificaremo
software,
oquesignifica
que elaspodem
desfa zer oquevocêfez.Seelasnãopuderem,
entãoosoftwarenão élivre.Aoutralinhadeataquenão vai
especificamente
contraaGPL,mascontratodaaidéia de software livre.Oataqueébaseadonaidéia depatentesdesoftware.Basicamen
teumapatentedesse
tipo
nãodeveriaseraceitanoBrasil.Alei depatentesbrasileiraexplicitamente proíbe
isso. MasoInstitutoNacional dePropriedade Industrial,
que éodepósito
depatentesnoBrasil,
aceitaeconcedeessetipo
depatentesregularmente.
Ago
ra,se umdiaaleimudar,
entãoaspatentesjá
concedidas,
que nãodeveriamtersido,
passama
permitir
queseudonoimpeça
qualquer
outrapessoadeimplementar
aidéiadescrita
naquela
patente. Issoé umtremendoproblema
porque acomputação
temmuitasidéiasrelativamenteóbviasquevemsendo submetidasaescritórios depatentes e
aprovadas.
Issoespecialmente
nosEstadosUnidos,
queéaterraemqueaspatentesdesoftware foram concebidas
pela
primeira
vez.ExisteumaempresachamadaMicrosoft,
não seisevocê
já
ouviufalar[risos],
umdosseusfundadores,
umtal de BillGates,em1991,
publicou
umafrasequeficoumuitofamosa dizendomaisoumenosquese asempresas tivessem
percebido
o que elaspoderiam
conseguir
através depatentes desoftware elasteriam
começado
muitosanosatrásapatenteartudoehoje
aindústria de informáticaestariacompletamente estagnada.
É,
eleéumvisionário[risosl,
porque infelizmenteasempresas
perceberam
otamanhodoestragoquepoderiam
fazerehoje
aspatentesdesoftwaresão
usadas,
nãocomo ummecanismodefomentooudesenvolvimento,mascomo ummecanismode
impedimento
àcompetição.
Z: As
licenças
doProjeto
GNUpodem
serconsideradasummétodopráti
coparacombaterosdireitos depropriedade
intelectualnaárea dacomputação?
AO:
Propriedade
intelectualéumtermoque nãofazo menorsentido.Aidéia depropriedade
tema ver com umaexclusividade,
porexemplo,
sevocêmedáumpão,
eutenhoumpão
amaisevocêtemumpão
amenos,apropriedade
sobreopão
decidequem denósdoistemo
pão.
Vocêaplicar
issoaoimaterial,
aointangível,
nãofazo menorsentido!Seeutedouumaidéia,eunãoficocom umaidéiaa menos.TomasJefferson
diziaquesevocêacendeumavela usandoachama deoutravela,
quemtinhaavelaacesanão
perdeu
nada.Nãofaz sentido falarempropriedade
sobrecoisasintangíveis. Especialmente
hoje,
queumaidéia expressaemmeiodigital pode
ser copiada
instantaneamentepraticamente
semcusto. Usampropriedade
intelectualpra confundirasleis de direitoautoral,
depatentes,desoftwares,
demarca,de desenhoindustrial,
desegredo comercial,
ousegredo
industrial.Direitoautoral é sobreaexpressão da
idéia,
você tem que ter visto ooriginal
para cometer umainfração.
Naspatentesvocê
pode
estarinfringido
semnemsaber queapatenteexiste. Nãodáparapensarclaramentea
respeito
doassuntoconfundindo idéiastãodiferentes.As
licenças
doprojeto
GNU sãode direito autoral. Estãobaseadasnofato de que asleis de direto autoralconcedemaotitular deumaobraa
prerrogativa
de decidir quempode
modificar aobra,
quem
pode
distribuir,
de que maneira, dadasalgumas
restrições,
porqueo titular nãotem direito de controlar tudo. Então,alicença
nãocombateodireitoautoral,
elaousa,oquechamamos de
copyleft,
queéumresgatedopropósito original
de direito autoral.O direito autoralser vepara beneficiarasociedade,
aumentandoonúmero deobras
disponíveis,
oferecendo às pessoas ummonopólio
temporário
sobreasobrasqueelascriam para quetenhamincentivo para criar maise,
depois,
terminadooperíodo
demonopólio,
aobra fieadisponível
para todos.Supondo
agora que estamosfalandode patentes: Num certosentidotalvez,
aGPL,
nomomentoemque estabelece quenãosepode
restringir
osdireitos dousuáriodemodificaro
software,
dedistribuir,
além dasrestrições
derespeitar
tambémasliber dades dos outros, estádefatoseposicionando
contraaspatentesde software. Elaatuacontra,masnão consegueanularaspatentesde software porque
depende
deumapes soaaceitarostermosde licenciamento deumsoftwareespecífico
para quealicença
seaplique àquela
pessoaouàquela
empresa.110
computador
para
usuário
final
enfrenta
ainda
o
preconceito,
o
medo
e
as
dificuldades
de
rniqração"
mostermose
condições,
semrestrições
adicionais.Nãohavia necessidade decriaraLGPL. Oqueamotivouforamrazões
práticas.
Seabiblioteca base dosistema estivessesobaGNU
GPL,
nenhum programa baseado nela
poderia
serdistribuído sobtermosde licenciamento diferentes.Comojá
exis tia um corpo relativamentegrande
de Software Livre sob outraslicenças
incompatíveis
com aGNUGPL(Berkeley Software
Distribution,
TeX),
queoprojeto
GNU
gostaria
depoder
utilizarem seusistemaoperacional,
fazia sentidocriarumalicençaque
permitisse
adistribuição
de programas combinadoscom abibliotecaprin
cipal
dosistema.É
isso quefazaLGPL.O
código
licenciado sobLGPL,normalmenteumabiblioteca,
éLivreecopyleft,
ouseja,
qualquer
versãomodificada dele sópode
serdistribuída sobosmesmostermos e
condições,
e asliberdadessãoparteintegrante
einseparável
docódigo.
Masé concedidapermissão
adicional para distribuir programas derivados da biblioteca soboutrostermos,desde queessestermos
permitam
aousuáriogozardas liberdadessobreo
código
da biblioteca incluídonoprograma.Z: Osdireitosdos usuários defendidos
pela
FSF,
calcados nasquatro liberdades
-desenvolver,
usar,redistribuiremodificar todoosoftware-soa
também como
deveres,
casocontrárioosusuários teriama alternativa dedistribuirumsoftware livre alteradosemfornecero
código fonte,
porexemplo
-comoéocasodas
licenças
decódigo
aberto. Por que,então,
são chamados de liberdades? Referem-seaosdireitosdacoletividade?
AO: Existeumaconfusãoquelevamuitaspessoasa creremque
licenças
de código abertosão
significativamente
diferentes delicenças
desoftwarelivre,
isso não éverdade. Sóemumníve! de detalhemuitofino.Temgentequeacha que SoftwareLivre ésóGPL,issotambémnãoéverdade.SoftwareLivre
sígníâca
softwarequerespeita
asquatroliberdades.
Significa
softwarequequando
vocêrecebe,
sabequepode
estudáloe
adaptá-lo
para que elefaça
oquevocêquiser,
pode compartilhar
oudistribuirosoftware para quem você
quiser,
quando
quiser,
dojeito
querecebeuoupode
melho rar osoftwareedistribuiressasmodificações. Agora,
nãotem absolutamente nadacontrárioà idéia de
respeito
àsquatroliberdadesemdizerquevocêpode desrespeitar
asliberdades dos outros,não existenadanadefinição
desoftwarelivrequediga
quepara vocêteressaliberdadevocêtambémtemque
respeitar
aliberdade dosoutros.Issonãofazpartedo que
significa
SoftwareLivre, Issofaz partedoqueaGPL,queéumadasmuitas
licenças
desoftwarelivre,
faz.ComotantoaGPLquantoadefinição
de SoftwareLivrevêm damesma
fonte,
aspessoas tendemaconfundirasduascoisas. Eosdefensores doCódigo
Abertosevalem dessa confusãopratentarpromoverasuaidéiacomomaisflexível.
Z: Eutinhaa
impressão
dequesevocê modificasse umsoftwarelivreeresolvesse
distribuí-lo,
você tinha que distribuircomosendoumsoftware li vretambém.Essa visãoéequivocada?
AO: Essa visãoéuma
generalização inapropriada.
Existemlicenças
de software livrequetêmessa
característica,
sãoaschamadaslicenças
copyleft,
queusam alei dedireito autoral para
exigir
orespeito
àliberdade de outros,noquedizrespeito
àquele
mesmo
software,
eexistemaslicenças
quesão maispennissivas,
quepermitem
odesrespeito
aliberdadesdeterceiros,equesevalem daintegridade
moral dapessoaquevai distribuir para
garantir
que as liberdadessejam
preservadas,
ou depressões
econômicas,
temváriasoutrasabordagens
parajustificar
essapermissividade.
Agora,
porexemplo,
aGPL étantoumalicença
de SoftwareLivrequantoumadeCódigo
Aberto. Alicença
do MIT(Massacbusetts
Instituteof Teclmology),
alicença
BSB
original,
a BSB modificada - extremamentepermissivas
-são
licenças
de SoftwareLivreesãolicenças
deCódigo
Aberto.Asdiferenças
dedeflníção
entreoqueéSoftwarelivree
Código
Abertosão muitopequenas,e asduascomportamtodaaga madelicenças,
desdeasmaispermissivas
atéasdecopyleft
mais
forte.Têmasquevão
exigir
orespeito
aliberdades dosoutros,etêmasquevãodizer "vocêpode
fazeroquebem entender".
Z: Nesse caso, caberiaentrarna
diferença
entreumalicença
desoftware livree umadecódigo
aberto?AO: Sim. Em
geral,
umalicença
deSoftwareLivreé tambémumalicença
de Código
Aberto,
evice-versa.Existeumalicença,
naverdadeumameiadúzia delicenças,
mas voumeconcentrarem umaque caracterizabema
diferença.
Chama-seLicença
Recíproca
deSoftware.É
umalicença
queestabelece quesevocêmodificaosoftware,
é
obrigado
apublicar
essamodificação.
AGPL nãofazisso,ela dizquesevocê decidedistribuiro
software,
entãotemqueofereceras mesmasliberdades.O queaLicençaRecíproca
diz équesevocêmodifica,
temquedistribuirosoftware,
temquepublicar
a
modificação
- vocênãoé livreparadecidirsequer distribuirounão. Essa
obrigação
ferea sualiberdade.Épor isso queeubrinco que,assimcomo o
copyright
sígníííca
todososdireitos
reservados,
copyleft
é paratodososdireitospreservados.
AidéiadeSoftwareLivre nãoestabelece
obrigações,
mesmo aGPL,queéumali cençacopyleft
bastanteforte.Tanto quenuncaninguém
foiprocessado
porviolação
daGPL. Isso nãofaz sentido.O quevocê viola éodireito autoral.Z:Aindanãoficoutotalmente claraa
diferença
entreosoftwarelivree ocódigo aberto,
no caso aGPL éosdois.AO: A GPLéuma