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Zero, 2007, ano 25, n. esp., dez.

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(1)
(2)

[carta

ao

leitor]

Revolu

ão

digital

J

queuraquefalam doaliberdadeassuntosempredesdefoiosum

pensadores

tema

explorado

gregos atéem

hoje, passando,

todasas erasda

claro,

humanidade? Podemos

pela Revolução

Francesaencontrar textosedemais

Revoluções

Burguesas

que,

já naquele

tempo, transformaram liberdadeem umtema

desgastado,

apesar dasua

incontestável

importância.

Atualmente,

os

principais

assuntosrelacionadosaliberdadesãoabordadosdeformarecorrente- eaté exaustiva -porquemse

propõe

arefletira

respeito

dotemaecostumam

gravitar

emtornode

questões

comocensura,

imprensa,

liberdade de

expressão,

movimentossociais,visitas a

presídios,

direito de irevireoutrascoisasdas

quais

estamos

carecasde saber.

Tais assuntos

já foram,

inclusive,

abordados por este

jornal

em seus 25 anos de

existência,

de forma

indiscutivelmente

elogiável,

namaioriadoscasos,soba

orientação

do Professor

(Helton)

RicardoBarreto, um

antigo

editor-chefe do

jornal

que

possui

bastante facilidadeemproporpautascontundentese

supervisionar

sua

execução

de

modoanão cairno

lugar

comumou,aomenos,fazercomqueacoisatraga

pelo alguma

inovação.

Na hora deoptarporfazeruma

edição

temáticasobre

liberdade,

tínhamos receiode

produzir

uma

edição

cuja

leituranãovalesse apena, sobrea

qual podia-se

pensar "Nossa! Essas matérias temtanto a ver com o Zero que

foram todas feitas!"

Adotamos,

então,a

sugestão

do

professor

Clóvis

Geyer

- de

restringir

atemáticada liberdadeà idéia de liberdade

digital

da

informação,

focando a

edição

em matérias sobre avanços

tecnológicos

da

computação

e da internet. O

resultado foia

elaboração

dematériasque, mesmonão

fugindo

dalinha editorial do Zero, aindanãotinham sido

publicadas

aqui

e,em

alguns

casos,trazem

informações

difíceisde acharem

qualquer

outro

lugar.

Foraisso,ostemasrelativosà

tecnologia

em

computação

e nainternet,

quando

associadosàidéia de liberdade- e

nãodeconsumo ou

aquisição

-, além deserem novos,têmuma

importância

maiordoqueoespaço quetheécedido

namídia.

Conseguem

darcontadas

mudanças pelas

quais

passamos desdeque usávamos - olha

que não faz tanto

tempo

-disquete?

Oudo que mudou de 1991 pra

cá,

com aWeb?Ou desdeas décadasde30e

40, quando

estavam

desenvolvendoos

primeiros

computadores?

É

estranho pensar quepoucomais de 16anos ainda não existiaaWorldWide

Web,

interface

hipertextual

que transformou aInternet

-aquela

rede de

computadores

interconectadosquetrocavadados desdeadécada de 70- em

umaferramentade

comunicação

extremamente

poderosa,

revolucionáriaapontode reduziromundoa

algo parecido

com a aldeia

global imaginada pelo

filósofo canadense Marshall McLuhan no início dos anos 60. As distâncias

diminuíram;

atrocade

informações pela

Webé mais

rápida,

fácilebarata doqueem

qualquer

outromeio anteriore

elanão

depende

deoutrosmeiofísicos além dos

computadores

edos satélitesecabosqueos

interligam.

Toda essa

informação jogada

na Rede se acumulou tanto que acabou constituído um banco de dados de

proporções absurdas,

algo

como a Biblioteca de Babel

imaginada pelo

escritor

argentino Jorge

Luís

Borges

-uma

biblioteca universal que conteria todo o conhecimento humano. A Web é o mais perto que

chegamos

disso: uma

infinidade de

páginas,

textos e links onde é

possível

achar referências a quase tudo. Boa partedesse material está

disponível

degraça parao acessode

qualquer

usuário que tenha umaconexão e umbom usode

palavras-chave

no

campode busca do

Google.

Os avanços das áreasde

computação

também mudaram anossa

vida,

influenciando a nossarotina,

trabalho,

e

produção

culturale as

opções

de lazer

pelas

quais

optamos.

Porisso, nos

esforçamos

emreunir

informações

quedessem contade discutir liberdade tendoemvista asnovas

possibilidades

a nossa

disposição.

Todo o processo de

produção

desse

jornal foi,

inclusive,

feito com a

ajuda

dos Softwares Livres GIMP, para a

edição

de

imagens,

e

Scribus,

para a

diagramação;

além dosprogramas de

Código

Aberto

Open

OfficeeBrOfficeparaa

edição

dostextos.

ZERO

EDIÇÃO

Diego Ribas, Diogo Honorato, Ingrid Santos, AgecomFOTOGRAFIAUFSCeGoogleImagens

INFORMAÇÕES

IMPRESSÃO:Diário Catarinense

...

MelhorPeçaGráfica JéssicaLipinski,PaulaReverbel,Rafaela Bift

AGRADECIMENTOS CIRCULAÇÃO

Nacional

I,II,III, IVeXI

ANOXXV

-EDiÇÃO

ESPECIAL Cêra,

Renan DissenhaFagundes,Sabrina DISTRIBUiÇÃO:Gratuita

Set Universitário I PUC-RS

DEZEMBRO2007 Carozzi,

TadeuSposito ClóvisGeyer TIRAGEM:5.000

1988, 89, 90, 91,92e98

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA

EDITORAÇÃO

PROGRAMAS UTILIZADOS TELEFONES

...

CATARINA

-UFSC

FECHAMENTO: 05 DEDEZEMBRO

AndréFaust,DiegoRibas,ClaudiaMussi, Scribus, Gimpe, BrOffice, OpenOftice, +55(48)3721.6599

3° melhor DomitilaBecker,PaulaReverbel,Renan GoogleDocs,GhostScript,Inkspace 3721.9490

Jornal-laboratóriodoBrasil

REDAÇÃO

DO JORNAL

DissenhaFagundes 3721.3215

EXPOCOM1994

PROFESSOR COORDENADOR FAX: 3721.9490

CURSODEJORNALISMO REPORTAGEM LucioBaggio

...

UFSC- CCE- JOR

DiegoRibas,ElaineManini,LuizaFerreira, NAINTERNET Trindade

-Florianópolis

PaulaReverbel,RenanDissenhaFagundes MONITORIA SITE: www.zero.ufsc.br MelhorJornal-laboratório IPrêmioFoca

CEP 88040-900 Lucas Neumann CIRCULAÇÃO:[email protected]

Sind.dosJornalistas deSC,2000

02

ZERO

DEZEMBRO- 2007

(3)

[kill

bill

(gates)]

Liberdade

para

os

softwares

Liberação

do

Código

Fonte

permite

ao

usuário

refinar

e

customizar

os

programas de

acordo

com suas

necessidades

Em

1997,

umusuáriodosistema

operacional

Linuxabriuuma

ja­

nelado

jogo

XBillparaver do

quesetratava.No

irúcio,

odesenho do

jo­

goapresentouvários

computadores

e

-analisandoos

logos

emcadaumadaste­

las- ficava subentendida

umavarieda­

de de sistemas ou programas rodando nas

máquinas.

A

seguir, surgiu,

cami­

nhando

pela

tela,

a

figura

deumhomen­

zinho

branco,

de cabelo

loiro,

usando óculos dearoarredondado. Elecarrega­ va

algo

quese

parecia

comquatroqua­

drados coloridos e parou na frente de umdosmicros,Seráqueestavamexen­

doem

alguma

coisa?Passados

alguns

se­

gundos,

voltou a

caminhar,

e ficou claro que ele

pretendia

sairda telacarre­

gando,

ao invés do que tinha

quando

chegou,

osistema queestava

naquele

pri­

meiro

computador, representado

por

um

logo.

E, natela deste

primeiro

ITÚ­ cro,seviaagoraosquatro

quadrados

co­

loridos,

semelhantes ao desenho de

uma

janela.

Mais homenzinhos foram

aparecendo,

ecadaumse

dirigia

a uma

máquina.

O

jogador,

então,entendeuoquees­

tavaacontecendo: "Elevai colocarWin­

dowsem tudo! Nããããooooooo!" Passou aclicarcom o mouse emcimadasmini­

aturasdo

empresário

BillGates, que fo­

ram8e

despedaçando

violentamenteem

pocinhas

desangue,de modoaproteger os programas e sistemas. No site do

XBill,

o

jogo

édescrito da

seguinte

manei­

ra:"Mais

popular

que

Quake!

Vocêéum

administrador e

alguém

está tentando destruirseus

computadores.

Oshomenzi­ nhos correndo

pela

telaestãotentando infectarseus

computadores

com o

Wing­

dows

[TM],

umvírusespertamentedis­

farçado,

de modoa seassemelharcom um

popular

sistema

operacional".

Entre as características do Win­

dows que fazemcomqueele

seja

alvo

de sátirascomo essaestãoa suaqua­

lidade técnica

-questionada

porvári­

os

programadores

e

profissionais

da

área de

computação

- e ofatode ele adotar um modelo de

código

fecha­ do. Ou

seja,

o

código

fonte

(source

codeem

inglês),

quecontém as ins­

truções

do software em uma

lingua­

gem de

programação,

não é

disponibilizado

aousuário.

Apenas

ocó­

digo

binárioou o

arquivo

executávelé

distribuído,

fazendo comque

seja

im­

possível

realizar

alterações

do progra­

maparafinalidades

práticas.

Asvantagensde

disponibilizar

ocódi­

gofonte- enãosóo

arquivo

executável - incluema

possibilidade

de

cooperação

paraaumentarourefinarosprogramas,

parainovar,para custonúzarde acordo

com as

necessidades,

para achar

bugs

e

parafazer com quea

disseminação

de

spyuare

seja

maisdifícil. Issosemfalar

dautilidadequeaanálise desses

códigos

tem para

programadores

que querem

ampliar

seusconhecimentos.

Nasdécadas de50, 60e70,era nor­

malqueosindivíduosqueusavam com­

putadores

gozassem de tais vantagens,

afinal,

todos

queriam

ocrescimentoede­

senvolvimento daárea. Masnofim dos anos 70eirúcio da década

seguinte,

a

complexidade

dossoftwares fezcomque

eles

adquirissem

umacaracterísticadese­

gredo

comercialeváriasempresaspassa­

ram a proteger seus investimentos

através das leis de

direitos autorais

edistribuir ape­ nas o

código

bi­

nário de um

programa. Um

nova

iorquino

cha­

mado Richard Stall­

man,

cuja

antiga

paixão

mor

-parti­

cipar

do grupo de

dança

folk de

Har-to; de estudar como o programa

funcionae

adaptá-lo

paraas suasnecessi­

dades;

de redistribuir

cópias,

de modo que você possa

ajudar

ao seu

próximo;

de

aperfeiçoar

o programae liberar os seus

aperfeiçoamentos,

de modoqueto­

daacomunídadesebeneficie. Oacesso ao

código

fonteéum

pré-requisito

para

duas dessas liberdades. Além

disso,

ohac­

ker também escreveu uma

licença

de

Software- aGPL

(General

PublicLicen­

se).

Esta

licença,

além de estabeleceras

tais quatro

liberdades, sendo,

portanto,

uma

licença

de Software livre, é

tam-pelas

atividades de hac­

ker que

desempenhava

des­ dequeseformounoensino

médio,

começoua

Fundação

Softwareli­

vre

(FSF

deFree

Scfiuare

Poundation)

em1985.Ele

rejeitava

aidéia de estabele­

cer acordos de

não-divulgação,

que o

proibiriam

de difundiros

códigos

fonte em que trabalhava.

era

perceptível

queo caradefendiaolivreacesso aoscó­

digos

há urn tempo, como ficou claro

em urn

episódio

de

quando

trabalhava

noLaboratório de Ciências da

Computa­

ção

doMIT

(Massachusetts

Institute

of

bas

seja

maior.Comofoia mesmapes­ soa que escreveu a GPL e definiu

Softwarelivre,aspessoastendema con­

fundirasduascoisas,acreditandoqueto­

das as

licenças

de Free

Software

são

como aGPLequeasde

Código

Aberto

sãoasmais

pernússivas.

Osdois

tipos

de programas- livre

e

aberto- também

sediferem dos

freeua­

res,programas

gratuitos

paraosusuári­ os

cujos

códigos

não são

disponibilizados.

Hátambém ossoftwa­ resde domínio

público,

emqueoautor

renuncia totalmente aos direitos

auto-o Gnu,do

projeto

GNUe o

pingüim

Tux, doLinux, símbolos desoftwares livres

o

jogador,

então,

entendeu

o

que

estava

acontecendo:

II

Ele

vai colocar

Windows

em

tudo!

Nããããooooooo!

n

Technology).

Decifrou todasassenhase asenviouaos seususuários para provar

queosistema de senhas

atrapalhava

o

compartilhamento

dos programas,aoin­ vés deaumentar asegurança. Até

hoje,

se recusa a usar ossoftwares

proprietári­

os

-aqueles

emquea

cópia

emodifica­

ção

do

código

fontesão

podadas

porseu

dono.

Stallman tambémcrioua

definição

deSoftwarelivre

(Free

Software),

que é

calcadaemquatroliberdades: deexecu­

taroprograma, para

qualquer

propósi-bémuma

licença copyl4f,

pois

fazcom

queosdireitos permaneçam

disponíveis

em versões modificadas do programa.

Ou

seja,

assimcomo umprograma licen­

ciado

peia

GPL élivre, o seu derivado

também é.Porisso,uma

licença

deGPL não

permite

que o autorde modifica­

ções

de umprograma possafazer tudo

que

quiser

com a suaversãodo traba­

lho, principalmente,

fecharo

código.

Existem

licenças

de Software livre mais

liberais,

que

permitem

que usuáriofecheo

código

da suaversãoalteradadoprogra­

ma.Em

relação

aestas,aGPL

acaba

restringindo

maisas

op-ções

dos usuáriosem nomeda

coletividade.

Também háas

licenças

de

Código

Aberto

(Open

Source),

muito semelhantes às de Softwarelivre. Em

geral,

uma mesma

licença

que édeumti­ potambémédooutro.Umca­ so que é apenas de

Código

Aberto éa

Reciprocal

PublicLicense

(RPL),

ouli­ cença

Recíproca

de Softwareemportu­

gês,

que firma que as

mudanças

implantadas

devem ser

publicadas.

Não éSoftwarelivre

pois

aescolha de distri­

buirou nãoaversãoalteradanão édo usuárioautordas

mudanças.

Apesar

de uma mesma

licença

de Softwarelivre,em

grande

partedosca­

sos, também ser

Código

Aberto,

é co­ mum que pessoas se enganem,

acreditando que a

diferença

entre

am-rais,nãotendomaiscomoescolheruma

licença

ououtra.

Umdosmaiores

exemplos

dousode

licenças

nemlivresouabertaséoriundo

daAT&T,amaior

provedora

de

serviços

de

telefonia,

serviços

wirelessedeInter­

netDSLdos Estados Unidos.Adivisão de

pesquisa

da empresa, chamada Bell

Labs,

ou Laboratórios Bell em portu­

guês,

foi

responsável

por muitasdescober­

tas

importantes,

como o transistor

-invenção

que apenas tomou

possível

a

existência do

rádio,

do

celular,

docompu­ tadoredeoutros

dispositivos

eletrônicos.

Outra coisadesenvolvida

pela

Bell Labs foiosistema

operacional

Unix,

lançado

nos anos70.

Surgiu,

então,urnademan­ da das comunidades deFree

Software

e

Open

Source porumsistema

operacio­

nalcomo- tãohom

quanto

-oUnixe

cujo

código

estivesse

disponível.

Em

84,

Stallman,

com a

ambição

de criarumsistema

operacional

total­

mente

livre,

criouo

Projeto

GNU. Ono­ me do

projeto

foi baseado em várias

referências,

inclusiveumaà músicaThe

Gnu,

deuma

dupla

britânica quesededi­ cava a

canções CÓITÚCas,

composta

pelo

atorecantorMichael Flanderse

pelo

pia­

nistae

compositor

DonaldSwann. Amú­ sicaé sobreomamíferoGnu.Alémdessa

piada,

o nomedo

projeto

étambémum

acrónimorecursivo,

jargão

da área deCi­

ências da

Computação

que se refere a uma

sigla

emquea

primeira

letra abre­

viaa

própria sigla.

Nesse

sentido,

GNU

sig­

nifica GNU's Not Unix,

(GNU

não é

Unix). É

o acrónimorecursivomaisfa­

mosoque existeedeixa claraa

intenção

do Stallman de criarumsistema tecni­

camentetãohomquantooUnix,

porém

com uma

licença

que

prolifere

asqua­

troliberdades.

Na

corrida,

também estavaogrupo

de

pesquisas

em

computação

de Berke­

ley,

com seusistemalicenciado

pela

BSD

-Berkeley

Software

Distribution,

adis­

tribuição

da Universidade da Califórnia - umcasode

licença

mais

pernússiva

de Software livre. Um processo da AT&T

contraaUniversidadeatrasouadíssemi­

nação

dasuaversãolivre doUnix.

Enquanto

isso,os

esforços

de quem

estava envolvido com o

Projeto

GNU

rendeu diversosprogramas equaseum

sistema

operacional

inteiro,

com a exce­

ção

deumhom kernel.Okernel-apa­

lavra

significa

centro em

inglês

- é o núcleo do sistema

operacional

que ge­ rencia os recursos relacionados ao

hardware. Okernel oficial do GNUestá lentamente sendo desenvolvido até

hoje.

Duranteodesenvolvimento doPro­

jeto,

um estudante finlandês chamado

LinusTorvaidscursavamestradoemCi­

ênciasda

Computação

naIlníversídade

de Helsinki. O nome do estudante era uma

homenagem

aonobel de

química

Linus

Pauling,

embora Torvaldsinsistis­

se queera uma

homenagem

aoperso­

nagem Linus datira Charlie Broum e

Snoopy,

escritaedesenhada

pelo

cartu­

nista Charles

Schulz,

tão

popular

que foi transformadaemdesenho animado.

Linus

-o

estudante,

nãoopersonagem

- desenvolveu

o Linux kernel aos 22

anose, porisso,recebeudiversas home­

nagensereconhecimento de todososti­ pos' O filme Senha:

Sowrdftsh

contém

um personagem finlandês que era o

maior hackerde todos os tempose se

chamava Ax! Torvalds. Linusrecebeu o

statusde doutor honorárioemduasLUÚ­

versidadese foi eleito

pela

revistaTime

umdos heróis revolucionários das últi­

mas6décadas.

Hoje,

tem37anos.

Depois

queoLinuxkernel ficou dis­

ponível,

passou aser o

hospedeiro

mais

comum dos softwares do

projeto

de

Stallman,

completando

aidéia de fazer um sistema inteirocom

licenças

livres. O Linux kernel

é,

portanto, uma parte

pequena- emuito

importante

- dosis­

tema.Porisso,a

Fundação

Softwareli­

vre defende que o nome do sistema

operacional

inteiro

seja

GNU Linux.

As empresas dedicadas aosSoftwa­

reslivres,como aRedHat InC.e aCa­

nonical Ltd.

ganham

dinheiro através da

distribuição

de softwares acompe­ nhada de

serviços

comoassistência téc­

nica, treinamento ou

customízação

de

programas.

PorPaula Reverbel

DEZEMBRO

(4)

[entrevista

-

Alexandre

Oliva]

Combale

ao

aprisionamento

tecnológico

"Evangelizador"

defende

que

aspecto

social do

Software

Livre deve

prevalecer

sobre

questões

técnicas

e

econômicas

C

o-fundadorda Free

Scftuare

FoundationLatin America

(FSFIA)

- Funda­

ção

SoftwareLivreAméricaLatina,em

português

- Alexandre Olivaéatual­

mente um dos quatro conselheiros

responsáveis pela

ações

e

posições

da

entidade,

que visapromovero uso edesenvolvimento do SoftwareLivre.Tal

objetivo

pode

serresumidoàdefesa dos direitos de

desenvolver,

usar, redistribuiremodificar software- astais

quatro

liberdades,

comosãoconhecidasentreoshackers.Oconcep­

ção

deSoftwareLivrefoi introduzida porRichard

Stallman,

fundador daFree

Softwa­

reFoundation. Olivase considera

"evangelizador"

do conceitoe contribui com o

Projeto

GNUdesdeametade da década denoventa.

"Aceitar

as

restrições

impostas

sobre

osoftware

que não

é

livre,

ou

através

deles,

é

jogar

contra

a

sociedade"

Zero: A FSFIAafirma que

pretende participar

einfluirnosprocessosdeto­

mada dedecisãoqueafetemoSoftwarelivre. Comofazemissona

prática?

Alexandre Oliva:Temosumarede decontatos,existem muitaspessoas que

enten­

derama

importância

do SoftwareLivreedo

respeito

às liberdades dos

usuátios,

nãosó

na

questão

prática

individual- você

conseguir

resolverseus

próprios

problemas

- mas

em

questões

de nível

social,

éticoemoral.Erntermosde

políticas públicas,

da soberania do

país,

da

possibilidade

de desenvolvimento

tecnológico

eeconômico. Háumcrescente

número de pessoasqueentendemessesprocessose se

propõem

atrabalhar para. defen­

deressas

idéias,

com as

quais

buscamosestaremcontato.Eàmedida que elastêmpo­

der de

decisão,

poder

de

atuação

e

influência,

buscamos oferecersuporte praessas

pessoas; àsvezesofereceruma

lição,

oferecerargumentosque nãoforam

considerados,

perspectivas

quenãoforam

oferecidas,

atuando

junto

ao

público,

para queessaspesso­ astenhamumareíerêncíaIssoé

importante

e

ajuda

essaspessoasamostrarem,ora

para.seus

superiores,

orapara.seuspares,queexisteumademandana

sociedade,

queé

preciso

olharpara.determinadosaspectos,que àsvezesnãodápara.

simplesmente

olhar

exemplos

ou

exigências

quevenham defora- ou mesmo que venham de dentro do

país,

masdefora deumgoverno,

por

exemplo

- e

imaginar

queessesinteresses sãoosmais

importantes.

Precisamospensarnasociedadee naspessoas enãosóeminteresseseconômicosque sãocontrátios àso­

ciedade.

sar

ninguémlá,

o

país

acabasofrendooefeito da

distribuição

gratuita

do

Windows,

que aspessoas

copiam

e

compartilham

impunemente.

NaAméricaLatina,o

Brasil,

eu

diria,

ocupa

injustamente

uma

posição

dereferência.Nãodesmerecendoosmuitos

esforços

que existem

-quenós

aplaudimos

ecitamossempre que

possível-;

vemos,

pelo

menos naesfera

pública,

um

posicionamento

mais

ambíguo

aqui

do queemoutros

países.

A

nossa

organização

irmã FreeSoftware Fundation

Europe

tematuadocommuita

força.

nocombate àspatentesdesoftwareque são aceitasem

alguns

dos

países

da

Europa.

Ela

tem

conseguido

evitara

propagação

desses

esforços

lá,

assimcomo oBrasile a

Argenti­

na

conseguiram

evitaraspatentesde softwarenaAméricaLatina,queosEstadosUni­

dos buscavamtrazeratravésda Alca.Na

Índia,

onde também háumaFree

Software

Fundation,

existem

alguns

estadosque têm tido muita

força.

na

adoção

de SoftwareLi­

vre e nabusca das

liberdades,

em

grande

parte

pela

atuação

danossairmãindiana.

Não

consigo

dizera

posição

do Brasilnesse

ranking,

mas eu

gostaria

que fosse bem

maior,apesardetudoquesefaz.

Z: O quediferenciaa

agenda

da FSFIA deoutros

projetos?

AO: Há muitos

projetos

queatuamnosentido dedifundiroSoftwarelivreeissoé

ótimo,

masnão éomais

importante.

NomomentoemquevocêdifundeoSoftwareLi­ vre,oferece-ocomo uma

alternativa,

oque não émau.Masoque nósentendemos é

queoSoftwarenão-Livreéumaameaça. àsociedade.Ossoftwaresque

proíbem

aspes­ soasde

compartilharem,

deserem

solidárias,

de

ajudarem

umas asoutras,

proíbem

a

difusão da

cultura,

sãoumaameaça.a nossasociedade.Damesmamaneira.quequan­

do você vêuma

propaganda

na'IVou um

filme,

vaiaocinemaoucompraumOVO,ali dizque

compartilhar

é crime.

Quando

isso passaa serensinado às

crianças

nas

escolas,

vira.uma

lavagem

cerebral

perigosíssima.

Antes ensinavampara. levaro

brinquedo

ou

lanche pra escolae

compartilhar

com ht�//Wv.w�icunicampb,/-otivai os

amigos.

Isso geraumhom compor­

tamentosocial.Noestado deSão

Pau-Z: Ogoverno do

presidente

Luladiscutiumaisa

questão

do SoftwareLivredoque

qualquer

outrogo­

vernoanterior. O quemudouna

política

deSoftwa­ relivrenosúltimosanos?

AO:Mudou bastantee,ao mesmotempo,mudoumui­

topouco.Tem

aparecido

muito mais espaçodoquetinha

antesparaaspessoas quedefendemasidéias de liberdade

atuarem. O governo até

coloca,

em determinados casos, queexisteessa

política pública

deSoftwareLivreehá de­

monstrações

de queissoacontece

-comoprogramasdein­

clusão

digital

baseados em Software Livre, iniciativas de

adoção

deSoftwareLivreemdiversos bancose

órgãos pú­

blicos,

empresas de desenvolvimentodesoftwareeprocessa­

mentode dados doGovernoFederalede

alguns

governos estaduais e

municipais,

não só utilizando SoftwareLivre,

masdesenvolvendo-o.

É

possível

verissona

Celepar,

noPa­

raná,

e,recentemente,na

prefeitura

deFortaleza.Em mui­

tos casos, aindafaltaum

posicionamento'

absolutamente clamem

relação

ànão

aceitação

do

comprometimento

da

liberdadeeda soberania do

país.

Por

exemplo,

o caso da

compra de 44

millicenças

de Office da Microsoft

pela

ReceitaFederal.Issoé absoluta­

menteindefensável. OTribunal deContasdaUnião

publicou

umrelatórioquemostra

queas

desculpas

queaReceitaFederal deupragastar40 milhões dereais são

completa­

mentedescabidase aReceitaFederalcontinuatentandogastaresse

dinheiro,

aoinvés

deusar uma

solução

de SoftwareLivre. Afalta deum

posicionamento

claro doGoverno

e uma

atuação

muito clara.nosentido de combatereevitara

continuação

do

aprisiona­

mento- ou ocrescimentodo

aprisionamento

tecnológico

queexiste

hoje

- é

indpien­

te, ainda dámuito espaço para

corrupção,

para.

politicagens

que acabam traindoa

sociedadebrasileira..

lo passou um convênio do governo

estadualcom aMicrosoft praensinar

nasescolas que

compartilhar

é

feio,

é

errado,

é crime. Comoéquefica.a ca­

beça.

da

criança

quando

você diz"não

pode ajudar

seu

amigo,

não

pode

ser

legal

com seu

amigo",

porqueé mais

importante

asseguraro lucro deum

intermediário,

quenemrepassaodi­ nheiropara.oautor, doquefomentar

umasociedade

cooperativa.

Esse pro­

blema social

precisa

ser

combatido,

e

nãosóoferecendooSoftwareLivreco­ mo

alternativa,

mas

ajudando

aspes­ soas a entenderem que aceitar as

restrições impostas

sobre o software

que não é

livre,

ouatravés

deles,

é

jo­

garcontra.asociedade.No momento

que você aceita uma

restrição

como

essa,eainda pagapor

ela,

nãoestásó

dandoumtirono seu

próprio pé,

está

destruindoa

solidariedade,

destruindo a

sociedade,

dando

força.,

dinheiro,

re-curso para quem quer destruiresses

valores.Sevocê dá

força.

a

alguém

quecerceiaaliberdade de todo

mundo,

nãoestá

agindo

só dentrodasua

liberdade,

está invadindoadooutro.Talvezotrabalhomais

importante

daFSFIA,que poucagenteda área desoftware

faz,

éolharpara.essaques­

tãodopontodevistasocial.Nãodopontodevista

técnico,

oudopontodevistaeconô­

mico,masdopontodevistada

sociedade,

de valoresmorais.

Alexandre Olivaéco-fundador fa FSFLAetrabalhaemferramentas dedesenvolvimento, todas Livres

Z: Como oBrasil se situainternacionahnenteem

relação

às

licenças

de

SoftwareLivreeà

promoção

dasquatroliberdades?Em queaspectoso

país

es­

támaisadiantadooudefasadose

comparado

aoutros

países?

AO:Curiosamente,apesarde tudoisso queeu

levantei,

de toda

insatisfação,

oBrasil

éum

país

citadopor muitosoutrosque têmse

importado

com essas

questões.

Elenão

temum

posicionamento

tãoclarocomo,por

exemplo,

o

Equador,

a

Venezuela,

como

alguns

governantesnoPerutêm buscado. Cuba éum

país

quetemmuito espaço para

liberdade do

software,

mas,como aMicrosoftnãovende software láenão

pode

proces-Z: OsitedaFSFIAdizqueas

licenças livres,

GPL

(General

Public

License)

eLGPL

(Lesser

General Public

License),

têm sido

objeto

deataquesemtodo mundo.E que tais ataquesse baseiam fundamentalmentena

divulgação

de

informações errôneas,

quegeramtemoresedúvidas sobresua

aplicação.

Que

informações

errôneasessesataquestransmitem? Por que são

equivocadas?

AO: Existembasicamente duas frentesde

oposição

aGPL. Umavemdepessoas que

nãoentenderamo

propósito

da

licença,

que não é só

respeitar,

masdefenderasquatro

liberdades do usuário.Existem

computadores hoje

que sãovendidoscomSoftwareLivre que nãoémais

livre,

software sub-GPL.As pessoasrecebemo

software,

masnãoconse­

guem gozardasliberdades porqueo

computador

não

permite.

Existem

computadores

quesão,por

exemplo,

telefones

celulares,

videocassetes

digitais, programados

prafazer

umacoisaeque sóofornecedorconseguealterar.Esse

tipo

de

restrição

normalmenteé

(5)

II

Propriedade

intelectual

é

um

termo

que

não

faz

o

menor

sentido.

Se

eu

te

dou

uma

idéia,

eu

não fico

com

uma

idéia

a

menos"

DEZEMBRO

-2007

ZER

05

[entrevista

-

Alexandre

Oliva]

Z:Em queaLGPLémais

permissiva

quea

primeira

licença

escrita por Ri­

chard Stalhnan?

Que

necessidademotivouasua

criação?

AO: Não sei

qual

foia

primeira licença

escrita por ele. Seique,antesdeexistira

GNUGPL,eleescreveuoutras

licenças

que nãoeram

gerais

(aplicáveis

a

qualquer

pro­

grama),

massim

específicas

paraoGNU EmacseparaoGCC

(GNU

Compiler

Collec­

tion).

AGPLfoia

generalização

dessas

licenças,

estabelecendoque oprogramasob

ela

licenciado,

e

qualquer

versãoderivada

dele,

poderia

serdistribuído sobos

mes-implementado

para

impedir

ousuáriodefazer determinadascoisas.

É

usadopara im­

plementação

deGestão

Digital

de

Restrições (DRM).

A GPLbuscadefenderasquatroli­

berdades,

entreelasaliberdade de modificarosoftwareparaque ele

faça

oquevocê

quiser.

Quando

apareceuuma

provisão

naterceira versãodaGPLquetratadesseas­

sunto,

algumas

pessoasseopuseram porque elasestão

preocupadas

com a

participação

das empresas que vendemesses

dispositivos

nodesenvolvimentodo softwarequeeles li­

beram,

nãocomaliberdade. Comoessatécnica é usada

primariamente

para

imple­

mentaraGestão

Digital

de

Restrições,

ede fatoaGPL versãotrêstemumacláusula que

trata

especificamente

das leis que foram

projetadas

para dar

força legal

àDRM,

algu­

maspessoas acharam quea

licença proibia

DRM,equeisso estariaferindoumaoutra

liberdade

fundamental,

adevocê

implementar

o que

quiser

nosoftware.MasaGPL

nãofazisso,você

pode implementar

DRM

quando

você

quiser,

oque não

pode

é

impe­

dirasoutraspessoasdemodificaremo

software,

oque

significa

que elas

podem

desfa­ zer oquevocêfez.Seelasnão

puderem,

entãoosoftwarenão élivre.

Aoutralinhadeataquenão vai

especificamente

contraaGPL,mascontratodaa

idéia de software livre.Oataqueébaseadonaidéia depatentesdesoftware.Basicamen­

teumapatentedesse

tipo

nãodeveriaseraceitanoBrasil.Alei depatentesbrasileiraex­

plicitamente proíbe

isso. MasoInstitutoNacional de

Propriedade Industrial,

que éo

depósito

depatentesno

Brasil,

aceitaeconcedeesse

tipo

depatentes

regularmente.

Ago­

ra,se umdiaalei

mudar,

entãoaspatentes

concedidas,

que nãodeveriamter

sido,

passama

permitir

queseudono

impeça

qualquer

outrapessoade

implementar

aidéia

descrita

naquela

patente. Issoé umtremendo

problema

porque a

computação

tem

muitasidéiasrelativamenteóbviasquevemsendo submetidasaescritórios depatentes e

aprovadas.

Isso

especialmente

nosEstados

Unidos,

queéaterraemqueaspatentesde

software foram concebidas

pela

primeira

vez.Existeumaempresachamada

Microsoft,

não seisevocê

ouviufalar

[risos],

umdosseus

fundadores,

umtal de BillGates,em

1991,

publicou

umafrasequeficoumuitofamosa dizendomaisoumenosquese as

empresas tivessem

percebido

o que elas

poderiam

conseguir

através depatentes de

software elasteriam

começado

muitosanosatrásapatenteartudoe

hoje

aindústria de informáticaestaria

completamente estagnada.

É,

eleéumvisionário

[risosl,

porque in­

felizmenteasempresas

perceberam

otamanhodoestragoque

poderiam

fazere

hoje

as

patentesdesoftwaresão

usadas,

nãocomo ummecanismodefomentooudesenvolvi­

mento,mascomo ummecanismode

impedimento

à

competição.

Z: As

licenças

do

Projeto

GNU

podem

serconsideradasummétodo

práti­

coparacombaterosdireitos de

propriedade

intelectualnaárea dacomputa­

ção?

AO:

Propriedade

intelectualéumtermoque nãofazo menorsentido.Aidéia de

propriedade

tema ver com uma

exclusividade,

por

exemplo,

sevocêmedáum

pão,

eutenhoum

pão

amaisevocêtemum

pão

amenos,a

propriedade

sobreo

pão

deci­

dequem denósdoistemo

pão.

Você

aplicar

issoao

imaterial,

ao

intangível,

nãofazo menorsentido!Seeutedouumaidéia,eunãoficocom umaidéiaa menos.Tomas

Jefferson

diziaquesevocêacendeumavela usandoachama deoutra

vela,

quemti­

nhaavelaacesanão

perdeu

nada.Nãofaz sentido falarem

propriedade

sobrecoisas

intangíveis. Especialmente

hoje,

queumaidéia expressaemmeio

digital pode

ser co­

piada

instantaneamente

praticamente

semcusto. Usam

propriedade

intelectualpra confundirasleis de direito

autoral,

depatentes,de

softwares,

demarca,de desenhoin­

dustrial,

de

segredo comercial,

ou

segredo

industrial.Direitoautoral é sobreaexpres­

são da

idéia,

você tem que ter visto o

original

para cometer uma

infração.

Nas

patentesvocê

pode

estar

infringido

semnemsaber queapatenteexiste. Nãodápara

pensarclaramentea

respeito

doassuntoconfundindo idéiastãodiferentes.

As

licenças

do

projeto

GNU sãode direito autoral. Estãobaseadasnofato de que asleis de direto autoralconcedemaotitular deumaobra

a

prerrogativa

de decidir quem

pode

modificar a

obra,

quem

pode

distribuir,

de que maneira, dadas

algumas

restrições,

porqueo titular nãotem direito de controlar tudo. Então,a

licença

nãocombateodireito

autoral,

ela

ousa,oquechamamos de

copyleft,

queéumresgatedo

propósito original

de direito autoral.O direito autoralser­ vepara beneficiara

sociedade,

aumentandoonúmero de

obras

disponíveis,

oferecendo às pessoas um

monopólio

temporário

sobreasobrasqueelascriam para quetenhamincentivo para criar mais

e,

depois,

terminadoo

período

de

monopólio,

aobra fiea

disponível

para todos.

Supondo

agora que estamosfalandode patentes: Num certosentido

talvez,

a

GPL,

nomomentoemque estabelece quenãose

pode

restringir

osdireitos dousuário

demodificaro

software,

de

distribuir,

além das

restrições

de

respeitar

tambémasliber­ dades dos outros, estádefatose

posicionando

contraaspatentesde software. Elaatua

contra,masnão consegueanularaspatentesde software porque

depende

deumapes­ soaaceitarostermosde licenciamento deumsoftware

específico

para quea

licença

se

aplique àquela

pessoaou

àquela

empresa.

110

computador

para

usuário

final

enfrenta

ainda

o

preconceito,

o

medo

e

as

dificuldades

de

rniqração"

mostermose

condições,

sem

restrições

adicionais.Nãohavia necessidade decriara

LGPL. Oqueamotivouforamrazões

práticas.

Seabiblioteca base dosistema estivessesobaGNU

GPL,

nenhum programa base­

ado nela

poderia

serdistribuído sobtermosde licenciamento diferentes.Como

exis­ tia um corpo relativamente

grande

de Software Livre sob outras

licenças

incompatíveis

com aGNUGPL

(Berkeley Software

Distribution,

TeX),

queo

projeto

GNU

gostaria

de

poder

utilizarem seusistema

operacional,

fazia sentidocriarumali­

cençaque

permitisse

a

distribuição

de programas combinadoscom abiblioteca

prin­

cipal

dosistema.

É

isso quefazaLGPL.

O

código

licenciado sobLGPL,normalmenteuma

biblioteca,

éLivree

copyleft,

ou

seja,

qualquer

versãomodificada dele só

pode

serdistribuída sobosmesmoster­

mos e

condições,

e asliberdadessãoparte

integrante

e

inseparável

do

código.

Masé concedida

permissão

adicional para distribuir programas derivados da biblioteca sob

outrostermos,desde queessestermos

permitam

aousuáriogozardas liberdadesso­

breo

código

da biblioteca incluídonoprograma.

Z: Osdireitosdos usuários defendidos

pela

FSF,

calcados nasquatro li­

berdades

-desenvolver,

usar,redistribuiremodificar todoosoftware

-soa

também como

deveres,

casocontrárioosusuários teriama alternativa de

distribuirumsoftware livre alteradosemfornecero

código fonte,

porexem­

plo

-comoéocasodas

licenças

de

código

aberto. Por que,

então,

são cha­

mados de liberdades? Referem-seaosdireitosdacoletividade?

AO: Existeumaconfusãoquelevamuitaspessoasa creremque

licenças

de códi­

go abertosão

significativamente

diferentes de

licenças

desoftware

livre,

isso não éver­

dade. Sóemumníve! de detalhemuitofino.Temgentequeacha que SoftwareLivre ésóGPL,issotambémnãoéverdade.SoftwareLivre

sígníâca

softwareque

respeita

as

quatroliberdades.

Significa

softwareque

quando

você

recebe,

sabeque

pode

estudá­

loe

adaptá-lo

para que ele

faça

oquevocê

quiser,

pode compartilhar

oudistribuiro

software para quem você

quiser,

quando

quiser,

do

jeito

querecebeuou

pode

melho­ rar osoftwareedistribuiressas

modificações. Agora,

nãotem absolutamente nada

contrárioà idéia de

respeito

àsquatroliberdadesemdizerquevocê

pode desrespeitar

asliberdades dos outros,não existenadana

definição

desoftwarelivreque

diga

que

para vocêteressaliberdadevocêtambémtemque

respeitar

aliberdade dosoutros.Is­

sonãofazpartedo que

significa

SoftwareLivre, Issofaz partedoqueaGPL,queé

umadasmuitas

licenças

desoftware

livre,

faz.ComotantoaGPLquantoa

definição

de SoftwareLivrevêm damesma

fonte,

aspessoas tendemaconfundirasduascoisas. Eosdefensores do

Código

Abertosevalem dessa confusãopratentarpromoverasua

idéiacomomaisflexível.

Z: Eutinhaa

impressão

dequesevocê modificasse umsoftwarelivree

resolvesse

distribuí-lo,

você tinha que distribuircomosendoumsoftware li­ vretambém.Essa visãoé

equivocada?

AO: Essa visãoéuma

generalização inapropriada.

Existem

licenças

de software li­

vrequetêmessa

característica,

sãoaschamadas

licenças

copyleft,

queusam alei de

direito autoral para

exigir

o

respeito

àliberdade de outros,noquediz

respeito

àquele

mesmo

software,

eexistemas

licenças

quesão mais

pennissivas,

que

permitem

odes­

respeito

aliberdadesdeterceiros,equesevalem da

integridade

moral dapessoaque

vai distribuir para

garantir

que as liberdades

sejam

preservadas,

ou de

pressões

econômicas,

temváriasoutras

abordagens

para

justificar

essa

permissividade.

Agora,

por

exemplo,

aGPL étantouma

licença

de SoftwareLivrequantoumade

Código

Aberto. A

licença

do MIT

(Massacbusetts

Institute

of Teclmology),

a

licença

BSB

original,

a BSB modificada - extremamente

permissivas

-são

licenças

de SoftwareLivreesão

licenças

de

Código

Aberto.As

diferenças

de

deflníção

entreoque

éSoftwarelivree

Código

Abertosão muitopequenas,e asduascomportamtodaaga­ made

licenças,

desdeasmais

permissivas

atéasde

copyleft

mais

forte.Têmasque

vão

exigir

o

respeito

aliberdades dosoutros,etêmasquevãodizer "você

pode

fazero

quebem entender".

Z: Nesse caso, caberiaentrarna

diferença

entreuma

licença

desoftware livree umade

código

aberto?

AO: Sim. Em

geral,

uma

licença

deSoftwareLivreé tambémuma

licença

de Có­

digo

Aberto,

evice-versa.Existeuma

licença,

naverdadeumameiadúzia de

licenças,

mas voumeconcentrarem umaque caracterizabema

diferença.

Chama-se

Licença

Recíproca

deSoftware.

É

uma

licença

queestabelece quesevocêmodificao

software,

é

obrigado

a

publicar

essa

modificação.

AGPL nãofazisso,ela dizquesevocê decide

distribuiro

software,

entãotemqueofereceras mesmasliberdades.O queaLicença

Recíproca

diz équesevocê

modifica,

temquedistribuiro

software,

temque

publicar

a

modificação

- vocênãoé livre

paradecidirsequer distribuirounão. Essa

obrigação

ferea sualiberdade.Épor isso queeubrinco que,assimcomo o

copyright

sígníííca

todososdireitos

reservados,

copyleft

é paratodososdireitos

preservados.

AidéiadeSoftwareLivre nãoestabelece

obrigações,

mesmo aGPL,queéumali­ cença

copyleft

bastanteforte.Tanto quenunca

ninguém

foi

processado

por

violação

daGPL. Isso nãofaz sentido.O quevocê viola éodireito autoral.

Z:Aindanãoficoutotalmente claraa

diferença

entreosoftwarelivree o

código aberto,

no caso aGPL éosdois.

AO: A GPLéuma

licença

que nãomostranenhuma

diferença.

Uma quemostraé

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