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FACULDADE ALFA UNIPAC CURSO: PSICOLOGIA ANDRESSA ALMEIDA ROCHA

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FACULDADE ALFA UNIPAC CURSO: PSICOLOGIA

ANDRESSA ALMEIDA ROCHA

A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO ESCOLAR NA PREVENÇÃO DO BULLYING: UM ESTUDO ACERCA DA VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

TEÓFILO OTONI/MG 2020

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A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO ESCOLAR NA PREVENÇÃO DO BULLYING: UM ESTUDO ACERCA DA VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

Artigo Científico apresentado ao curso de Graduação em Psicologia da Faculdade Presidente Antônio Carlos – ALFA UNIPAC como requisito parcial para obtenção do Titúlo de Bacharel em Psicologia.

Orientador: Isabel Corrêa Pacheco

Aprovada em / /

BANCA EXAMINADORA

Isabel Corrêa Pacheco

Faculdade AlfaUnipac de Teófilo Otoni

Paula Lins Khoury

Faculdade AlfaUnipac de Teófilo Otoni

Roberta Almeida Eliote

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A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO ESCOLAR NA PREVENÇÃO DO BULLYING: UM ESTUDO ACERCA DA VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

Andressa Almeida Rocha

Discente do 10º período do curso de Psicologia AlfaUnipacTeófilo Otoni – Brasil. E- mail: [email protected].

Isabel Corrêa Pacheco

Psicóloga, Mestre,Especialista em Saúde Mental e Psicanálise, Especialista em Psicologia Hospitalar e Gestão da Clinica em Saúde, Docente da AlfaUnipac TeófiloOtoni – Brasil. E-mail: [email protected].

RESUMO

O presente artigo científico aborda a atuação do psicólogo escolar na prevenção da violência sistemática conhecida como bullying, que ocorre dentro dos centros educacionais.A metodologia utilizada na construção do artigo trata-se de pesquisa bibliográfica de cunho descritivo e a abordagem qualitativa, com base em livros, artigos científicos e periódicos entre os anos de 2010 á 2020. Apresenta como objetivo geral expor a atuação do psicólogo escolar na prevenção do bullying, uma vez que tal conduta é considerada um fenômeno complexo que traz consigo diversas consequências para o desenvolvimento biopsicossocial de suas vítimas. Diante disso o artigo trabalhou com os seguintes objetivos específicos: descrever as consequências do bullying para suas vítimas, definir a prática do bullying exemplificando suas formas e sujeitos, e elucidar o papel da família e da escola no enfrentamento desse comportamento. O artigo propõe ainda, evidenciar a importância do psicólogo escolar e de suas práticas preventivas e intervencionistas voltadas para a tutoria de alunos e controle das mais diversas situações que são encontradas no ambiente escolar. Por fim, em seu derradeiro tópico, este artigo promove a conscientização sobre os mais diversos problemas que acometem as crianças e adolescentes em seu período de desenvolvimento, assim como a reflexão sobre as dificuldades da atuação do psicólogo diante dos grupos que compõem o ambiente escolar como um todo, reconhecendo, para tanto, as carências, os pontos positivos e negativos da profissão e o que poderia ser feito para que tal profissão possuísse um investimento e também um reconhecimento maior.

Palavras-Chave: Psicologia Escola; Bullying; Violência Escolar.

THE ACTION OF THE SCHOOL PSYCHOLOGIST IN THE PREVENTION OF BULLYING: A STUDY ABOUT VIOLENCE IN SCHOOL

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ABSTRACT

This scientific article addresses the role of the school psychologist in the prevention of systematic violence known as bullying, which occurs within educational centers. The methodology used in the construction of the article is descriptive bibliographic research and the qualitative approach, based on books, scientific articles and periodicals between 2010 and 2020. Its general objective is to expose the role of the school psychologist in the prevention of bullying, since such conduct is considered a complex phenomenon that brings with it several consequences for the biopsychosocial development of their victims. Therefore, the article worked with the following specific objectives: to describe the consequences of bullying for its victims, to define the practice of bullying by exemplifying its forms and subjects, and to elucidate the role of the family and the school in facing this behavior. The article also proposes to highlight the importance of the school psychologist and his preventive and interventionist practices aimed at tutoring students and controlling the most diverse situations that are encountered in the school environment. Finally, in its final topic, this article promotes awareness about the most diverse problems that affect children and adolescents in their development period, as well as the reflection on the difficulties of the psychologist's performance in the groups that make up the school environment as a whole, recognizing, therefore, the needs, the positive and negative points of the profession and what could be done so that such profession would have an investment and also a greater recognition.

Keywords: School Psychology; Bullying; School Violence.

1. Introdução

Este artigo científico discorre sobre a atuação do psicólogo escolar na prevenção contra o bullying, sendo este uma forma de intimidação sistemática que ocorre dentro dos centros educacionais, considerada de acordo com Fante (2012) uma forma de violência que envolve ações de cunho repetitivo e intencional, sendo elas psicológicas e/ou físicas, que se direcionam a uma vítima ou a um grupo específico.

Dito isso, ressalta-se que esse tipo de violência acarreta consequências devastadoras e na maioria das vezes irreversíveis, prejudicando assim, o desenvolvimento biopsicossocial de suas vítimas. Por esse motivo é imprescindível que a identificação do bullying seja precoce, para que todas as medidas interventivas sejam imediatamente aplicadas, visando proteger a integridade das vítimas.

Diante da realidade apresentada, justifica-se a escolha do tema para demonstrar a importância do papel do psicólogo nas escolas, uma vez que tal

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profissional é o mais preparado para investigar como ocorrem as múltiplas relações que se configuram no ambiente escolar, agindo como um autor de mudanças, compreendendo as causas, que atrapalham o bom convívio dos alunos, podendo assim construir um ambiente onde prevaleça a empatia e o respeito mútuo.

Através dessa argumentação, tornou-se possível determinar a seguinte questão norteadora para este artigo: Como o psicólogo escolar pode atuar na prevenção contra o bullying?

O artigo traz como objetivo geral: evidenciar a atuação do psicólogo na prevenção do bullying nas escolas e como objetivos específicos: descrever as consequências do bullying para suas vítimas, definir a prática do bullying categorizando suas formas/personagens, além de relatar o papel da família e da escola no enfrentamento desse comportamento.

Tem-se como expectativa que o artigo consiga retratar a atuação do psicólogo como imprescindível nas escolas, na prevenção da violência sistemática alcançando ainda, as famílias das crianças e adolescentes. Pretende-se também mostrar o papel fundamental das famílias no enfrentamento ao bullying. Dessa forma, espera- se que esta pesquisa seja de grande valia para o mundo acadêmico e para as futuras gerações de estudantes de psicologia que se interessem pelo tema, fazendo com que o assunto seja divulgado e discutido por pessoas leigas, acarretando assim numa maior conscientização sobre o fenômeno.

O artigo apresentará no decorrer do texto um breve histórico da psicologia escolar e a inserção do psicólogo na mesma, abordando o bullying no contexto educacional, em seguida descreverá o papel da família em conjunto com a escola no enfretamento ao bullying. E finalmente a atuação do psicólogo escolar para a prevenção do bullying.

2. Metodologia

A construção metodológica deste artigo pode ser classificada quanto aos fins como descritiva e qualitativa. Quanto aos meios como bibliográfica, uma vez que foram utilizados livros, artigos científicos e periódicos entre os anos de 2010 a 2020. O presente trabalho teve como descritores as palavras: bullying, escola, violência, psicologia escolar. Utilizou também de diversos estudos de autores da área, tais como: Fante (2012), Silva (2015), Marinho-Araújo (2014), Lopes Neto (2011), Guzzo

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(2012), Patto (2015), entre outros estudiosos que elaboraram trabalhos pertinentes ao assunto.

3. Revisão de Literatura

Um Breve Histórico da Psicologia Escolar

A Psicologia nasceu na Europa durante o século XIX, sendo compreendida inicialmente como um estudo empírico, vindo a conquistar seu caráter científico através de Wilhelm Wundt, fundador do primeiro laboratório de psicologia experimental na Universidade de Leipzig na Alemanha. Sua elevação ao status científico ganhou notoriedade por toda a Europa, despertando assim o interesse de jovens alunos, que ansiavam por estudar e trabalhar a nova ciência ao lado de Wundt (SCHULTZ, D; SCHULTZ, S., 2019).

Nesse contexto, de acordo com Goulart (2015) a Alemanha foi o berço da psicometria, tendo em vista que no laboratório de Leipzig, formaram-se toda uma geração de psicólogos, que por sua vez desenvolveram centenas de trabalhos experimentais, refutando diversos pontos de vista estabelecidos por Wundt, criando inclusive as primeiras bases para a criação da Psicologia Escolar.

Ao final do século XIX, os trabalhos experimentais desenvolvidos em Leipzig, deram respaldo para a criação de varias áreas, inclusive a própria Psicologia Escolar, criada para ser aplicada dentro de instituições educacionais, com o objetivo de analisar o comportamento e a intelectualidade de alunos tidos como problemáticos, buscando assim a origem do problema. Tais estudos propiciaram os fundamentos necessários para a criação dos primeiros testes de Quociente de Inteligência (Q.I).

Nesse sentido Almeida (2012, p.77-90) elucida que, inicialmente Psicologia Escolar era utilizada para:

[...] a aplicação de testes psicológicos, com o predomínio de um modelo clínico de atuação do psicólogo escolar voltado para o diagnóstico e “cura” dos problemas de aprendizagem apresentados pelos alunos, cuja ênfase situava-se nos fatores subjacentes ao indivíduo em detrimento das causas ligadas aos fatores institucionais, sociais e pedagógicos.

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Enquanto boa parte dos especialistas da Europa se empenhavam em avaliar a intelectualidade das crianças através dos ditos testes de Q.I, nos Estados Unidos o psicólogo americano Stanley Hall se esforçava para desenvolver pesquisas na área, o que resultou na criação de instituições direcionadas ao estudo da criança em idade escolar em diversos países, contribuindo no fortalecimento e reconhecimento da psicologia escolar.

Seguindo a mesma linha de pesquisa de Hall, o especialista em aprendizagem infantil, Lightner R. Witmer, criou a primeira clínica psicológica da Universidade da Pensilvânia em 1896, sendo esta destinada ao tratamento de crianças e adolescentes que possuíam dificuldades de aprendizagem ou comportamentais. Witmer acreditava que os fatores exteriores à escola influenciavam diretamente nos distúrbios psicológicos que acometiam as crianças, portanto se o ambiente e as relações sociais do indivíduo fossem melhorados a melhora psicológica e comportamental também ocorreria (PFROMM NETO, 2011).

Contudo, ainda que os esforços tenham sido grandes, tanto em países da Europa, quanto nos EUA, à inserção da psicologia nas escolas sempre fora um tabu no Brasil, haja vista que a incorporação desta às escolas fora ocorrer apenas por intermédio dos psiquiatras Arthur Ramos e Durval Marcondes, que foram designados para aplicar o programa de Higienização Mental nas escolas (GARCIA, 2014).

Esse programa foi o primeiro método derivado da Psicologia Escolar europeia a ser aplicado nas escolas brasileiras, sendo utilizado através de ações profiláticas, que buscavam identificar, estudar e “endireitar” as crianças que possuíam algum distúrbio psicológico ou desajustamento infantil. “Essas ações se davam através de psicoclínicas, clínicas ortofrênicas, clínicas de orientação ou clínicas de higiene mental infantil, propriamente dita. Elas serviam diretamente à rede escolar através da produção de diagnósticos precoces sobre possíveis casos de distúrbios de aprendizagem” (PATTO, 2015, p. 68).

As instituições que adotavam o programa de higienização mental eram integradas por equipes multidisciplinares compostas por psiquiatras, professores, médicos, assistentes sociais e psicólogos. Essas instituições funcionavam através de clínicas, que realizavam exames, testes psicológicos e pedagógicos que verificavam as aptidões, o estado físico e possíveis desequilíbrios emocionais das crianças, bem como o estado de suas funções fisiológicas.

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No entanto, o que se percebe é que a psicologia escolar realmente se destacou no Brasil por sua prática de natureza remediativa em relação às dificuldades de desenvolvimento e aprendizagem infantil, vez que priorizava o modelo clínico no exercício do psicólogo escolar adjunto às circunstancias educacionais. De acordo com Guzzo (2010) a aplicação do modelo clínico, combinado com os esforços dos psicólogos da época elevou a psicologia ao patamar de profissão, sendo devidamente institucionalizada e regulamentada no ano de 1962.

Marinho-Araújo & Barbosa (2010) salientam que após esse fato, entre a década de 80-90, houve a concepção da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE). Possuindo esta um papel muito importante para a psicologia escolar no Brasil, sendo estabelecido como um espaço para o agrupamento de profissionais interessados e atuantes na área, definindo a partir desse momento as reais necessidades e dificuldades que os psicólogos escolares enfrentavam, apoiando ações que pudessem caracterizar progresso e desenvolvimento para a área aprimorando os serviços psicológicos à população educacional.

4. O Fenômeno Bullying

Durante a década de 1970 as retaliações escolares praticadas por alguns alunos ficaram conhecidas como bullying, uma palavra de origem inglesa, que traduzida para o português significa valentão ou tirano. Conforme Fante (2012) é uma forma de violência, que ocorre dentro das escolas e se configura por atos de agressão, como discriminar, humilhar, colocar apelidos pejorativos que se caracterizam principalmente por serem repetitivos e intencionais, sem motivos aparentes, e sempre direcionados a um aluno ou a um grupo específico, exibindo um desequilíbrio de poder que dificulta a defesa da vítima.

Firmando tal entendimento Fante (2012, p. 28-29) define a prática do bullying como:

[...]um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra outro (s), causando dor, angustia e sofrimento. Insultos, intimidações,

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apelidos cruéis, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos levando-os à exclusão, além de danos físicos, morais e materiais [...].

As primeiras pesquisas segundo Carneiro (2018) sobre o fenômeno bullying foram realizadas pelo psicólogo Dan Olweus da Universidade de Berger na Noruega, que propôs desenvolver regras claras contra sua prática nas escolas para alcançar a conscientização ativa por parte dos professores e pais, com o objetivo de conter o problema e promover apoio e proteção às crianças vitimadas.

As regras desenvolvidas por Olweus se baseavam em três critérios específicos que deveriam ser seguidos e observados, sendo eles: analisar ações agressivas e deliberadas contra um único individuo ou um grupo específico de forma prolongada; observar comportamentos sem motivação aparente para que ocorram os ataques; e averiguar se há uma relação assimétrica de poder que impeça a defesa da vítima. Tais critérios foram e são utilizados até hoje na individualização da pratica do bullying.

Essa individualização serve justamente para auxiliar na distinção entre outras eventuais condutas similares que possam vir a ocorrer como, por exemplo, incidentes e gozações ou relações de brincadeiras inofensivas entre iguais, próprias do processo de amadurecimento do indivíduo enquanto criança e adolescente.

No entanto, apesar dos critérios propostos por Olweus terem sido de grande valia para a classe infanto-juvenil naquela época, apenas em 1982 o governo norueguês voltou sua atenção ao dito fenômeno, após o suicídio de três crianças com idades entre 10 e 14 anos, possivelmente acometidas pelas práticas de tortura psicológica e maus tratos a que eram sujeitados por seus colegas de escola. Após esses fatos as autoridades norueguesas compelidas pela população executaram em escala nacional a campanha antibullying nas escolas, que atingiu proporções mundiais (FANTE, 2012).

Todavia, como já mencionado anteriormente, diferentemente da tendência mundial da década de 80/90, no Brasil tais medidas só foram tomadas no ano de 2015, com a criação da Lei nº 13.185 que instituiu o programa de combate à intimidação sistemática (bullying) em todo o território nacional, essa lei trouxe consigo a devida atenção ao tema ante os holofotes jurídicos e educacionais de todo

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o país, definindo de uma vez por todas o bullying como uma conduta criminosa a ser evitada (BRASIL, 2015).

Esse dispositivo jurídico foi pensado e elaborado com o objetivo de distinguir a prática do bullying das demais condutas similares que possam vir a ocorrer dentro do ambiente escolar e consequentemente obsta-la, evitando incidentes maiores e mais prejudiciais à classe estudantil. Além disso, a lei propiciou ainda, que os pais se preocupassem mais com o bem-estar de seus filhos, participando cada vez mais ativamente de suas vidas dentro e fora das escolas.

4.1 Bullying: Tipos e Sujeitos

O bullying escolar é um tipo de violência que é praticada no interior dos centros educacionais públicos e privados de maneiras variadas e por ambos os sexos. De acordo com Silva (2015) existem cinco tipos de agressões derivadas da prática do bullying, sendo as mais recorrentes o bullying direto e o indireto. Na agressão direta a vítima sofre violência física e subtração ou destruição de seus pertences, tal tipo é comumente praticado por indivíduos do sexo masculino. Em contrapartida na agressão indireta, a vítima sofre violência moral como, por exemplo, apelidos pejorativos e difamatórios, esse tipo é usualmente praticado por indivíduos do sexo feminino.

Silva (2015) vai além e aduz que os outros três tipos se dividem em bullying psicológico, sexual e cyberbullying. No tipo psicológico, a vítima sofre chantagens emocionais, perseguições e chantagens. No tipo sexual o agressor comete assédios e insinuações com conotações sexuais. Por fim, há ainda o cyberbullying, que é praticado por meio de ferramentas tecnológicas como computadores e celulares, através de mensagens e imagens ofensivas, assim como fotos pessoais das vítimas que são enviados e/ou divulgados em redes sociais.

Destaca-se que, para se configurar a prática do bullying é necessário que haja dois sujeitos principais, a vítima e o agressor, podendo haver ainda, a presença de um terceiro (espectador), sendo este um sujeito facultativo que apenas assiste a toda a situação sem esboçar nenhuma reação ou interferência. Essa inércia por parte de terceiros durante a prática do bullying ocorre devido ao temor de ser a próxima vítima do agressor, pois mesmo não sofrendo a violência diretamente acabam sendo psicologicamente atingidos, numa espécie de efeito cascata.

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Ademais, cumpre salientar que os principais sujeitos do tipo se diferenciam por suas características individuais, a vítima, por exemplo, comumente dispõe de poucas habilidades sociais, se identificando como uma pessoa tímida, insegura, submissa e de aspecto frágil, que não consegue se impor perante o agressor, por outro lado o agressor é o indivíduo que se caracteriza por possuir pouca ou nenhuma empatia em relação aos demais colegas, agindo geralmente sozinho ou em grupo, demonstrando a urgente necessidade de se sentir dominante subjugando os demais.

4.2 Causas e Consequências

Lopes Neto (2011) explica que o indivíduo que pratica o bullying, o faz por inúmeros fatores, por exemplo, questões econômicas sociais e culturais envolvendo a família, os amigos e o ambiente ao qual o individuo está inserido, assim como distúrbios psicológicos e aspectos inerentes à própria personalidade dos agressores. Seguindo a mesma linha de raciocínio, Beane (2010) afirma que o bullying ocorre por motivos como carência afetiva, falta de limites ao modo de afirmação do

poder dos pais sobre os filhos e por consequência de práticas consideradas educativas como, por exemplo, castigos abusivos, o que torna a conduta do agressor um mero reflexo de eventuais práticas observadas e sofridas no seio familiar.

Assim sendo, compreende-se que o bullying é uma espécie de comportamento extremamente complexo e multifacetado, que se manifesta de formas diferentes em cada indivíduo, dependendo, para tanto, de suas características individuais, experiências pessoais e sua predisposição genética. Todos esses fatos se inter-relacionam, não se definindo como um único fator causal, sendo expressados pelo agressor através da prática do bullying, ocasionando assim de forma coletiva inúmeros prejuízos aos envolvidos na situação, especialmente às vítimas.

As consequências do bullying sob as vítimas manifestam-se a médio e longo prazo, segundo Vaccari (2012) os efeitos danosos dependem da capacidade de resiliência das vítimas, no entanto na maioria dos casos manifestam-se como dificuldade de aprendizagem, evasão e fobia escolar, distúrbios alimentares, baixa autoestima, ansiedade generalizada, depressão, automutilação e em situações

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extremas o autoextermínio. Esses danos podem permanecer até mesmo na fase adulta onde o indivíduo externará dificuldades na criação de relações interpessoais, tanto no trabalho, quanto na interação com novas pessoas, assim como na constituição de sua própria família.

5. A Importância da Família e o Papel da Escola no Enfrentamento ao Bullying

A família é considerada em todas as sociedades como o primeiro núcleo social na vida de um ser humano, nele lhe é internalizado crenças, princípios morais e valores culturais, que formam a personalidade do individuo. Essa formação, construída no seio familiar possui extrema influência sobre o comportamento e a interação social das crianças, que se encontram em processo de aprendizagem.

O núcleo familiar apesar de ser muito importante, divide espaço com o ambiente escolar, que é visto como o segundo mais importante na construção de relações interpessoais, pois é nele que a maioria das crianças se encontram inseridas. Segundo Petrucci et al. (2016), além da função educativa, a escola propicia às crianças as interações entre pares, o aprendizado de habilidades pró- sociais importantes como a empatia, a solidariedade e a amizade, entre outros, atuando como um espaço de socialização, colaborando para o desenvolvimento individual das crianças e para a vida em sociedade.

Com a entrada na escola, a criança passa a transitar entre dois microssistemas - família e escola - que, por sua articulação e interdependência, constituem um sistema mais amplo, [...] aescola constitui um espaço essencialmente interativo e reconhecidamente relevante para o desenvolvimento interpessoal da criança (DEL PRETTE A;DEL PRETTE, Z. 2013, p. 62).

É importante salientar ainda que no decorrer dos anos o núcleo familiar fora modificado, podendo ser configurado de diversas formas e não apenas pela tradicional família, composta por pai, mãe e filhos. Atualmente há alguns grupos principais, que são reconhecidos, tanto juridicamente, quanto socialmente como família, sendo eles a família monoparental, formada por apenas um dos pais em conjunto com os filhos; a família homoafetiva, que é constituída por pessoas do

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mesmo sexo e; a família anaparental, que se distingue das outras, devido à ausência dos pais, sendo formada por parentes que não possuem ligação direta como, por exemplo, tias, avós, sobrinhos, etc, (NETO et al., 2016).

Conforme Fante (2012) o contexto familiar é de suma importância para as vítimas do bullying, visto que,a grande maioria das crianças não relata aos pais o que sofrem na escola por medo ou constrangimento. Por esse motivo, os pais devem sempre estar atentos às mudanças de comportamento dos filhos, estimulando vias de comunicação abertas, para identificar potenciais situações de bullying, a que elas estejam sendo expostas na escola, promovendo assim mecanismos que ajudem a enfrentar a violência de forma pacífica e inteligente, possibilitando o fim do ciclo de agressões e abusos.

Em consonância a essas situações a escola é corresponsável pelos comportamentos e práticas agressivas ocorridas em seus interiores, devendo, portanto, trabalhar em prol da prevenção, através de reuniões com os pais e familiares para que os mesmos participem da vida estudantil de seus filhos. Devendo os professores proporcionarem em sala de aula, debates construtivos sobre o tema para que os alunos se conscientizem e aprendam que a prática do bullying é errada e que todos os colegas merecem ser tratados com respeito e igualdade.

6. A Atuação do Psicólogo Escolar na Prevenção do Bullying

A atuação do psicólogo escolar como já mencionado no início desta pesquisa, era voltada às atividades de caráter clínico, sendo focadas na identificação de alunos com distúrbios de aprendizagem, conduta e personalidade. No entanto, conforme Maluf (2011) nos dias atuais o psicólogo escolar tem se comprometido cada vez mais com a dimensão social que envolve o ambiente escolar, tendo sua atuação se tornado sistêmica de caráter intervencionista e preventiva, colaborando nos aspectos cognitivos, físicos e psicossociais de toda a comunidade escolar.

Na perspectiva preventiva, o psicólogo devidamente vinculado ao quadro de funcionários da instituição deve buscar realizar o mapeamento da mesma, objetivando com isso de acordo com Marinho-Araújo & Almeida (2014) conhecer a realidade da escola, suas características sociais, culturais e psicológicas além das relações estabelecidas entre a família, aluno e a comunidade. Podendo assim, saber

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dos conflitos existentes e as possíveis divergências institucionais que podem estar causando o problema.

A partir do reconhecimento desse ambiente institucional, o psicólogo poderá criar espaços de escuta psicológica, a fim de ressignificar as relações interpessoais na escola, conscientizar e transformar práticas existentes que estejam impedindo a consolidação de uma realidade saudável, propícia ao aprendizado e ao desenvolvimento dessas relações humanas.

Ainda dentro do caráter preventivo de sua atuação, deve o psicólogo escolar colaborar com atividades coletivas da escola, instrumentalizando os professores através de estudos e capacitações, contribuindo assim na formação social dos próprios docentes e colocando-os como coparticipantes no trabalho de reestruturação social e prevenção da violência sistemática dentro da escola.

Essas atividades coletivas se baseiam no geral em rodas de conversas no formato de grupos operativos e informativos. Esses grupos visam promover um processo de aprendizagem, mesclando práticas de saúde que unem o cuidar e o pensar, buscando fazer com que os alunos envolvidos se conscientizem de suas capacidades e potencialidades individuais como ser humano.

Essa atuação junto ao corpo de docentes é fundamental para que aprendam a solucionar os eventuais conflitos do cotidiano escolar de maneira dialogada e reflexiva, possibilitando assim, uma melhoria na convivência e no estabelecimento de relações mais saudáveis entre os alunos, auxiliando até mesmo no contato destes com seus familiares em ambiente exterior ao escolar.

Este tipo de atuação torna o psicólogo um profissional apto para realizar todo um trabalho psicossocial dentro das escolas, promovendo ainda, segundo Marinho- Araújo & Almeida (2014) debates e reflexões objetivando a abordagem de temas como: uso de técnicas para o desenvolvimento da comunicação, construção de um ambiente onde prevaleça a empatia e o respeito mútuo, assim como a análise e identificação de aspectos prejudiciais existentes nas relações, que estejam contribuindo para a manutenção das praticas de bullying.

Já em um posicionamento de caráter interventivo, deve o psicólogo escolar abordar nas escolas o trabalho de mediação e construção de regras institucionais que visem impedir que atos de violência, assédio e vandalismo sejam praticados. Nessa perspectiva, o psicólogo irá atingir diretamente questões relacionadas ao

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fortalecimento dos vínculos nas relações interpessoais, ensinando aos alunos que há limites sociais que precisam e devem ser respeitados.

O psicólogo durante o processo de construção de regras, que incluam os alunos, poderá dar suporte direto aos professores e gestores, contribuindo assim, na sua elaboração. Essas normas não estão somente relacionadas ao âmbito pedagógico, mas também voltadas para a organização, manutenção das relações sociais entre os alunos, professores, escola e família dinamicamente.

De acordo com Abramovay et al. (2012) quando os alunos se tornam ativos nesse processo normativo e social dentro das escolas, a tendência é que eles comecem a assumir essas regras como suas e inconscientemente passam a se esforçar para cumpri-las. Tal normatização não só propicia um ambiente saudável entre os alunos, como também promove o desenvolvimento de indivíduos capacitados para enfrentarem as futuras adversidades da vida adulta.

Além disso, ao perceber que os professores e demais gestores estão valorizando suas opiniões e atitudes, os alunos podem estabelecer uma relação de respeito não somente pelas regras que foram fomentadas, como também pelas pessoas que participaram desse processo de construção, o que contribuirá em um espaço educacional que respeite as diferenças e que seja mais humanizado.

7. Considerações Finais

Durante a elaboração deste artigo, buscou-se analisar historicamente a evolução da atuação do psicólogo na seara escolar, tendo como diretório para tais feitos grandes estudiosos da área, que são conhecidos no mundo todo como patronos da Psicologia Escolar. Fora feita ainda uma pesquisa bibliográfica sobre a introdução dessa área da psicologia no Brasil e as dificuldades que foram encontradas até a sua concretização.

A revisão histórica proporcionou também a criação de um trabalho com um olhar mais técnico sobre a atuação do psicólogo escolar para com crianças que possuem algum tipo de transtorno, uma vez que através dela foi possível perceber a evolução das técnicas e tratamentos psicológicos infantis, o que proporcionou aos psicólogos uma maior facilidade na identificação dos reais problemas sociais existentes entre os indivíduos dentro do ambiente escolar, principalmente na

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identificação e individualização das condutas de bullying, assim como seus tipos e os sujeitos que fazem parte do círculo de violência.

Em seguida fora elencado o tópico matriz dessa obra científica, sendo ele o papel do psicólogo. Como já bem elucidado no decorrer da pesquisa, o psicólogo fora gradativamente instituído como uma ferramenta essencial dentro das escolas, no Brasil em especial tal atuação é recentíssima, porém de suma importância, uma vez que o psicólogo tem sua atuação voltada para ações preventivas e intervencionistas que atuam diretamente na melhora das relações sociais estabelecidas dentro da escola sejam elas entre a família o aluno e a instituição educacional.

Entretanto, faz-se necessário salienta que o psicólogo não age sozinho, dentro das instituições escolares é possível ainda que ele trabalhe instrumentalizando professores através de capacitações e estudos, para que os mesmos saibam lidar com as diversas situações que permeiam o contexto escolar o que contribuirá de maneira significativa para a prevenção e conscientização da violência escolar.

Em resumo a inserção do psicólogo escolar nas instituições brasileiras ainda é muito prematura em razão da histórica desvalorização da educação no país. A implementação de um psicólogo no âmbito educacional é por muitas vezes, vista como uma despesa a mais e não como um investimento. Dessa maneira, os desafios do psicólogo escolar acabam indo além do desenvolvimento de um ambiente educacional que valorize o ser humano, devendo os profissionais da área adentrarem em questões sociais e políticas, visando a conquista definitiva de novos espaços para a consolidação da identidade do profissional da psicologia escolar.

REFERÊNCIAS

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