ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA E ECONÔMICA
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Resulta, assim, a soma das penas em 07 (sete) anos, 02 (dois) meses e 27 (vinte e sete) dias de reclusão e 284 (duzentos e oitenta e quatro) dias-multa.
Regime de cumprimento da pena:
Verificando as cláusulas do acordo de colaboração premiada celebrado entre o Ministério Público e o réu Pedro Jamil Nadaf (fls. 7179), fixo-lhe o regime inicial semiaberto, com uso de tomozeleira eletrônica, devendo se recolher durante a semana, no período compreendido entre as 23h e as 06h, e durante os finais de semana e feriados no período compreendido entre as 18h às 06h.
c) Marcel Souza de Cursi:
A culpabilidade é elevada por tratar-se o condenado de pessoa que demonstrou ter muita desenvoltura com a prática de ilícitos desta espécie. Assim como seu líder Silval Barbosa e seu comparsa Pedro Nadaf, Marcel foi um dos grandes articuladores dos esquemas ilícitos examinados nestes autos. Utilizava-se de sua expertise em assuntos tributários para agir em desfavor da Administração Pública e em fav r da organização criminosa e de seus interesses pessoais. Embo não ‘nh sido eleito por voto popular, ocupou cargo relevante no Gover o il al Ba,fbosa,
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mas também desviou-se de suas nobres funções para se dedicar reiteradamente a práticas delituosas, em detrimento da imagem da Administração Pública e do patrimônio da vitima João Batista. Embora não tenha se beneficiado diretamente de grande parte da propina paga por João Batista, há provas de que foi o mentor intelectual da prática da concussão,
91 porquanto sugeriu a concessão do beneficio em troca da renúncia ao crédito tributário, bem como recebeu pelo menos R$ 15.000,00 neste caso. Ainda que alegue que o dinheiro se destinava a pagamento de honorários, tal conduta também lhe seria defesa, porquanto ocupava cargo público e, nesta qualidade, não poderia agir em desfavor da Administração. Beneficiou-se, assim, diretamente do dinheiro havido como pagamento de propina, revelando dolo intenso no seu agir. Como elemento que ocupava cargo público relevante na ocasião, viabilizou suas ações se valendo do aparato da própria máquina estatal para assegurar a estrutura, o funcionamento, a lucratividade e a perpetuação da organização, o que é ainda mais grave, se
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1comparado à organização que se utiliza de seus próprios meios para delinquir. Não há antecedentes criminais. A conduta social é desfavorável. Assim como o condenado Silval da Cunha Barbosa e Pedro Nadaf, Marcel de Cursi gozava de grande prestigio especialmente junto a seus pares na Secretaria de Fazenda e também junto à sociedade mato-grossense. Ocupou a titularidade da Secretaria de Fazenda, cargo estrategicamente relevante para os fins pretendidos pela organização. Porém, apesar de tamanha responsabilidade social, optou por agir/era a moralidade Administrativa e o patrimônio da vitima João osa que por sua vez foi beneficiado com incentivo fiscal em desf o de
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Mato Grosso, ou seja, ainda que indiretamente, recebeu propina que poderia ter se destinado ao pagamento de impostos. A prática dos ilícitos de organização criminosa e concussão comprometeu sua honra e sua imagem pública. Durante anos trabalhou contra a sociedade e a favor apenas de seus interesses pessoais e dos interesses da organização criminosa, embora servidor concursado e estável. Não teve qualquer escrúpulo em sugerir que as empresas de João Batista fossem beneficiadas pelo PRODEIC, exigindo, contudo, a renúncia ao crédito fiscal que o mesmo possuía, agindo como se erário público lhe pertencesse. Não há relatórios psicossociais a autorizarem a valoração de sua personalidade, porém, durante a instrução processual e especialmente em seus interrogatórios buscou de várias formas induzir o juízo a erro, o que indica que tem poder de persuasão e o utiliza, aliado a seu conhecimento técnico, de forma desleal, em seu exclusivo favor. Os motivos que levaram o condenado a dedicar-se intensamente à
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atividade criminosa são também condenáveis. Toda a atividade criminosa aqui tratada teve como finalidade o enriquecimento, pura e simplesmente.As circunstâncias em que se deram os atos de formação de organização criminosa, quando assim como os demais utilizou-se da máquina estatal para trabalhar a seu favor, da concussão, da qual foi o executor indireto, praticada impiedosamente, aproveitando-se do temor que João Batista Rosa tinha de perder o beneficio concedido, quando já havia desistido do crédito a que julgava ter direito são também perturbadoras da ordem Pública/ revelam enorme desprezo pelos padrões morais e éticos mínimos para qualquer sociedade. Prejudicou um sem-número de pessoas, e favir d seu enriquecimento pessoal. A organização criminosa perd
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mesmo após o final do mandato de Silval Barbosa quando Pedro Nadaf novamente exigiu dinheiro de João Batista, o qual beneficiou Marcel de Cursi, mesmo decorridos vários meses do término da gestão. Negativas são também as consequências dos crimes. Ainda que não se tenha elementos suficientes para afirmar que o comportamento deste condenado e de seus comparsas seja o responsável pela excepcional crise econômica vivenciada por este Estado, não há dúvidas que pelo menos dois milhões e meio de reais estariam gerando riqueza, por meio das empresas lesadas, ou estariam nos cofres públicos, destinados a prestar serviços essenciais à sociedade mato-grossense. Finalmente, o comportamento de João Batista Rosa não interfere na dosimetria. Não há nos autos qualquer prova de que tenha ele contribuído de qualquer forma para a consecução dos delitos. Assim, considerando a ocorrência de tantas circunstâncias judiciais, preponderantemente negativas em face de Marcel de Cursi, fixo para:
a) Crime tipificado no art. 2°., caput e §§ 3°. e 4°., II da Lei 12.850/13 (organização criminosa) - pena-base: 04 (quatro) anos e 06 (seis) meses de reclusão e 280 (duzentos e oitenta) dias-multa, fixando cada dia-multa em um terço do salário mínimo, aqui considerando a condição financeira do condenado.
Considerando a causa de aumento de pena prevista no § 4°. do mesmo dispositivo, sendo o condenado servidor público de carr ira do Estado de Mato Grosso há vários anos, quando se associe . os dem s para a prática dos delitos, aumento a reprimenda em 1/2, res • o .ssim a pena
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definitiva para o crime de organização criminosa de 06 (seis) anos e 09 (nove) meses de reclusão e 420 (quatrocentos e vinte dias-multa).
Crime tipificado no art. 316 do CP (concussão) — pena-base: 04 (quatro) anos de reclusão e 100 (cem dias-multa), fixando cada dia-multa em um terço do salário mínimo, aqui considerando a condição financeira do condenado. Torno-a assim definitiva, à falta de modificadoras.
Considerando a causa de aumento de pena prevista no artigo 327 § 2°. do Código Penal, aumento-a em 1/3, resultando fixada definitivamente em 05 (cinco) anos e 04 (quatro) meses de reclusão e 133 (cento e trinta e três) dias-multa.
Resulta, assim, a soma das penas em 12 (doze) anos e 01 (um) mês de reclusão e 553 (quinhentos e cinquenta e três) dias-multa.
Regime de cumprimento da pena:
Diante do disposto no parágrafo 2°, alínea "a" e parágrafo 3°, ambos do artigo 33 do Código Penal, o regime inicial de cumprimento da pena será o fechado.
Francisco de Andrade Lima Filho: