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TERMO DE AUDIÊNCIA SENTENÇA. Vistos, etc.

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Academic year: 2021

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TERMO DE AUDIÊNCIA

Aos vinte e um (21) dias do mês de junho (06) do ano de dois mil e onze (2011), às 17h51min., na sala de audiências da 3ª Vara do Trabalho de Itajaí (SC), presente o Excelentíssimo Juiz do Trabalho, FABRÍCIO ZANATTA, foram apregoadas as partes: SINDICATO DOS DESPACHANTES ADUANEIROS DO ESTADO DE SANTA CATARINA - SINDAESC, Autor, e SINDICATO DOS DESPACHANTES ADUANEIROS DO PARANÁ E SANTA CATARINA, Réu, para a audiência de leitura e publicação de sentença. Ausentes partes e patronos.

SENTENÇA Vistos, etc.

SINDICATO DOS DESPACHANTES ADUANEIROS DO ESTADO DE SANTA CATARINA - SINDAESC, qualificado na inicial, ajuizou ação trabalhista contra SINDICATO DOS DESPACHANTES ADUANEIROS DO PARANÁ E SANTA CATARINA-SINDPRSC, também qualificado, e expondo as causas de pedir (fls. 04/23) postulou o descrito nos itens “a” a “d” da petição inicial. Deram à causa do valor de R$ 30.000,00. Juntou documentos.

Deferido o pedido de antecipação de tutela (fls. 163/165)

Na contestação o Réu argui preliminar de conexão e de ilegitimidade de parte; no mérito defendeu a improcedência dos pedidos. Juntou documentos.

Por força da ratificação da antecipação de tutela o sindicato Réu promoveu alteração na sua denominação, passando a ser SINDICATO DOS DESPACHANTES ADUANEIROS DO ESTADO DO PARANÁ – SDAPR.

Encerrada a instrução processual. Razões finais remissivas. Propostas conciliatórias rejeitadas.

É o relatório.

FUNDAMENTAÇÃO

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Sobre essa preliminar já houve manifestação do Juízo em fls. 177 e 278, no sentido de rejeitá-la, decisão confirmada pelo TRT da 12ª Região no MS 3212-10, tanto na liminar quanto no mérito, fls. 735/744.

O SINDPRSC alegou a existência de conexão com da Ação Declaratória de Nulidade de Registro Sindical(01920-2009-020-10-00-1) tornando prevento o Juízo da 20ª Vara do Trabalho de Brasília-DF(TRT da 10ª Região).

Naquela AT se discute a validade do registro sindical concedido ao SINDAESC.

Nos termos do art. 105 do CPC, “havendo conexão ou continência, o

juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente”.

Observa que “ o art. 105 deixa ao juiz certa margem de

discricionariedade na avaliação da intensidade da conexão, na gravidade resultante da contradição de julgados, e até, na determinação da oportunidade da reunião dos processos(...) Nesse sentido: STJ-4ªT., Resp 5.270-SP, rel. Min. Sálvio de Figueiredo, j. 11.2.92,(...)DJU 16.3.92, p. 3.100; Ajuris 87/569”.

' Havendo conexão, pode o juiz ordenar a reunião de processos que

correm em separado. Tratando-se de competência relativa, deixa a lei ao juiz discrição de apreciação(RTJ 104/700 e STF-RT 569/216)” (in nota ao art. 105 do CPC, da obra de Theotônio Negrão e José Roberto F. Gouvêa).

O escopo da norma relativa à conexão é evitar decisões contraditórias, tanto que permite ao Magistrado a reunião das ações propostas em separado a fim de que sejam decididas simultaneamente.

Como já delineado, o art. 105 do CPC deixa ao juiz certa margem de discricionariedade na avaliação da intensidade da conexão, na gravidade resultante da contradição de julgados e até mesmo na determinação da oportunidade da reunião dos processos.

A antecipação de tutela de fls. 163/165 foi concedida com fundamento na validade do registro sindical obtido pelo SINDAESC. Embora essa validade esteja sendo questionada perante o Juízo da 20ª Vara do Trabalho de Brasília, não há até o presente momento, decisão liminar ou final cuja eficácia suspenda, cancele ou anule o registro, que permanece válido, portanto, para irradiar todos os seus efeitos de direito.

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Quanto à reunião de autos, ela é desnecessária, devendo apenas ser respeitada a eficácia das decisões levadas a efeito na AT 1920-20 para evitar decisões contraditórias.

ILEGITIMIDADE ATIVA

O Sindicato Réu entende haver ilegitimidade do Sindicato Autor, aduzindo que o registro foi obtido pelo SDAASC, enquanto que a ação foi ajuizada pelo SINDAESC.

Sem razão, contudo.

Pelos documentos de fls. 28, 39 e seguintes, bem como de fl. 679, constata-se ter havido alteração estatutária para retirar da representatividade do Sindicato Autor a categoria dos ajudantes aduaneiros, passando a ser denominado de SINDAESC, mantido o mesmo CNPJ.

Tramita perante o MTE procedimento tendente ao registro desta alteração(fl. 679).

Com isso, o Sindicato Autor possui legitimidade para figurar no polo ativo deste processo.

Preliminar rejeitada.

REPRESENTATIVIDADE SINDICAL

Trata-se de ação cominatória de obrigação de não-fazer c/c perdas e danos e pedido de antecipação de tutela movida pelo SINDAESC contra o SINDPRSC, na qual o primeiro se diz legítimo representante da categoria dos despachantes aduaneiros e ajudantes aduaneiros do Estado de Santa Catarina, representação esta que, segundo alega, vem sofrendo intervenção por parte do Sindicato Réu, requerendo a concessão de medida judicial que o impeça de praticar atos sindicais neste Estado.

O pedido de antecipação de tutela foi deferido conforme decisão de fls. 163/164. Embora o Sindicato Réu tenha requerido em várias oportunidade a reconside-ração, ao ponto de impetrar Mandado de Segurança, a decisão que antecipou a tutela con-tinua mantida, sendo confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região em de-cisão liminar e também no mérito, como se observa das decisões de fls. e fls,, respectiva-mente.

Importante esclarecer que na AT 4400-2007 movida pelo SIN-DPRSC contra o SINDAESC, que tramitou nesta mesma 3ª VT, o pedido foi julgado

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proce-dente para determinar que o SINDAESC se abstivesse de praticar aos próprios de entidade sindical e exercer as prerrogativas inerentes às entidades sindicais até a obtenção do regis-tro sindical, fl. 88, decisão esta já transitada em julgado.

A concessão do registro sindical pelo SINDAESC foi obtida con-forme a decisão do Chefe de Gabinete do Ministério do Trabalho e Emprego que determi-nou ainda a exclusão dos Despachantes Aduaneiros e Ajudantes Aduaneiros no Estado de Santa Catarina da representação do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros dos Estados do Paraná e Santa Catarina, decisão publicada no DOU na data de 04.08.2008, fl. 115.

A nota técnica da Secretaria de Relações do Trabalho, fl. 117 e se-guintes determinou o arquivamento da impugnação administrativa apresentada no MTE pelo SINDPRSC.

Nos autos do Mandado de Segurança 01078-2008-013-10-00-9, em trâmite perante a 13ª Vara do Trabalho de Brasília, em que o requerido discutiu novamente a questão da representatividade sindical, foi determinada a extinção do processo sem reso-lução do mérito.

Observa-se que o Sindicato Autor obteve o Registro Sindical confor-me os procediconfor-mentos da Portaria 186/2008.

Quanto ao registro sindical, estabelece a Súmula 677 do Supremo Tribunal Federal:

“REGISTRO DAS ENTIDADES SINDICAIS – PRINCÍPIO DA UNI-CIDADE – MINISTÉRIO DO TRABALHO. Até que venha lei a dis-por a respeito, incumbe ao Ministério do Trabalho proceder ao re-gistro das entidades sindicais e zelar pela observância do princípio da unicidade.”

E o Princípio da Unicidade Sindical vem consagrado no art. 8º, II, da Constituição Federal/1988:

“ É vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômi-ca, na mesma base territorial que será definida pelos trabalhadores ou empregados interessados, não podendo ser inferior à área de um Município.”

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Esse princípio foi observado na constituição do Sindicato Autor, por desmembramento de base territorial, tanto que recebeu do MTE o respectivo registro sindi-cal. Contudo, esse mesmo princípio vem sendo violado pelo Sindicato Réu na medida em que pratica atos sindicais na base territorial que não mais lhe pertence, como ficou compro-vado nos autos.

Na própria AT 1920/2009 que tramita na 20ª VT de Brasília(fls. 758 e seguintes), onde se questiona a validade do registro sindical do SINDAESC, não se en-controu óbice à formação de um novo sindicato, como se observa da transcrição abaixo:

“Assim, a lógica que se extrai do referido entendimento é no sentido de se permitir, inclusive enquanto expressão da liberdade e democracia sindicais, a criação de sindicatos observando-se a especialização de segmentos laborais e patronais.

'Considerando a referida compreensão, não haveria como afastar a legitimidade do fracionamento promovido pelos membros da categoria que atuam exclusi-vamente no Estado de Santa Catarina. Ou seja, considerando o cenário jurisprudencial atual, entendo que não há como afastar a legitimidade da iniciativa de criação de entidade sindical pelos catarinenses membros da categoria”.

A mesma decisão entendeu, contudo, haver vício de natureza mate-rial no registro concedido ao SINDAESC, que comprometeria sua condição de entidade sin-dical:

“No entanto, considero que há um problema grave quanto ao reco-nhecimento do segundo reclamado enquanto entidade sindical .Trata-se da reunião de dois segmentos incompatíveis, ou seja, despachantes e ajudantes aduaneiros”.

Segundo essa decisão, pelos respeitáveis fundamentos nela deli-neados, seria como agregar num mesmo sindicato a representativade das categorias eco-nômica e profissional, o que se tornaria inviável

Dessa forma, na Sentença proferida nos autos da AT 1920/2009 o pedido foi julgado procedente para desconstituir o ato administrativo por meio do qual foi estabelecido o registro sindical do SINDICATO DOS DESPACHANTES E AJUDANTES ADUANEIROS DO ESTADO DE SANTA CATARINA.

A Sentença foi complementada pela decisão dos Embargos de De-claração interpostos, que não modificou substancialmente o julgado( fls. 760/761).

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Assim, conforme os fundamentos das referidas decisões, a mesma entidade sindical não poderia representar categorias distintas e de interesses diferencia-dos, como os despachantes e ajudantes aduaneiros.

No entendimento particular deste Juízo o problema por ser resolvido com a alteração estatutária promovida pelo SINDAEASC, no sentido de excluir da sua re-presentatividade a categoria dos ajudantes aduaneiros.

Em consonância com a Portaria 186/2008 pode ser requerida altera-ção em relaaltera-ção à denominaaltera-ção, categoria ou base territorial. Com isso, não haveria neces-sidade de constituição de um novo sindicato pelos despachantes aduaneiros, bastando a alteração.

Perante o registro civil de pessoas jurídicas de Itajaí, a alteração já foi levada a efeito, como se comprova pelos documentos de fls. 28, 39 e seguinte, 62 e 675.

No MTE ao pedido de alteração estatutária foi protocolado em 01.07.2010(fl. 679), onde ainda está tramitando, conforme extrato de fls. 58/759.

Com essa alteração ficaria superado o único óbice relativo à con-cessão do registro sindical.

Todavia, como referido anteriormente, trata-se de entendimento particular do Juízo, que não pode se sobrepor à decisão da AT 1020-2009, uma vez que a discussão quanto à validade do registro sindical é feita naquela ação, onde qual já foi pro-ferida Sentença de mérito, julgando pela desconstituição do registro.

Ocorre que dita decisão somente terá efeito após o seu trânsito em julgado, como restou consignado na sua parte final, fl. 733:

“Determino que os efeitos desta sentença sejam operados ape-nas após o trânsito em julgado desta decisão.”

Destarte, enquanto não modificada pela instância superior e até o seu trânsito em julgado, o registro sindical concedido ao SINDAESC continua válido para todos os fins de direito, inclusive para a pretensão trazida nestes autos, onde o Sindicato Autor reclama a não-intervenção do sindicato do Paraná na base territorial de Santa Catari-na.

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PERDAS E DANOS

Pretende o Sindicato Autor que o Réu devolva as contribuições so-bre o valor mensal dos honorários recebidos pelos despachantes aduaneiros por intermé-dio do próprio Sindicato, devidamente atualizadas desde a data da retenção, acrescidas de juros legais a partir de 07.08.08 até a data da efetiva suspensão, a ser apurado em liquida-ção de sentença, nos termos da perícia contábil requerida.

Tendo em vista a incerteza jurídica estabelecida sobre os despa-chantes aduaneiros, acerca de qual o Sindicato seria o seu representante no Estado de Santa Catarina, sobretudo em razão da AT 1920 da 20ª VT de Brasília, considera-se que o somente a partir da publicação desta decisão é possível exigir que as contribuições ou re-colhimentos efetuados pelo Sindicato Réu sejam revertidas para o Sindicato Autor.

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

Nos termos do art. 5º da Instrução Normativa n. 27/2005 do TST, que dispõe sobre normas procedimentais aplicáveis ao processo do trabalho em decorrência da ampliação da competência da Justiça do Trabalho pela EC n. 45/2004:

“Exceto nas lides decorrentes da relação de emprego, os honorários advocatícios são devidos pela mera sucumbência.”

Assim, em conformidade com o art. 20, caput e par. 3º, do CPC, condena-se o Sindicato Réu ao pagamento de honorários advocatícios fixados em 15% sobre o valor da causa.

DISPOSITIVO

DIANTE DO EXPOSTO o Juiz da 3ª Vara do Trabalho de Itajaí DECIDE, rejeitar as preliminares de conexão e ilegitimidade de parte; e no mérito, confirmando a decisão que antecipou os efeitos da tutela(fls. 163/165 e 693), decide julgar PROCEDENTES EM PARTE os pedidos para que o SINDICATO DOS DESPACHANTES ADUANEIROS DO ESTADO DO PARANÁ - SDAPR:

a) se abstenha de praticar atos sindicais como representante da categoria dos Despachantes Aduaneiros do Estado de Santa Catarina, tais como utilizar outdoors, placas publicitárias e outras forma de publicidade ou propaganda com dizeres alusivos à representação da categoria dos Despachantes Aduaneiros no Estado de Santa

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Catarina, bem como receber contribuições e demais recolhimento oriundos das atividades da categoria neste Estado de Santa Catarina, às quais pertençam à legitimidade do SINDICATO DOS DESPACHANTES ADUANEIROS DO ESTADO DE SANTA CATARINA, sob pena diária de R$ 5.000,00 até o limite de R$ 150.000,00, a partir da publicação desta decisão;

b) efetue o repasse para o SINDICATO DOS DESPACHANTES ADUANEIROS DO ESTADO DE SANTA CATARINA, de toda e qualquer contribuição ou recolhimento que tenha feito de despachantes aduaneiros na base territorial de Santa Catarina, a partir da data da publicação desta Sentença, sob pena de pagamento de indenização por quantia equivalente, incluindo juros e correção monetária, em valores apurados na fase de liquidação de Sentença.

c) efetue o pagamento dos honorários advocatícios de 15% sobre o valor da causa.

A presente decisão mantém os seus efeitos enquanto permanecer juridicamente válido o registro sindical do SINDAESC, discutido na AT 1920/2009 da 20ª VT de Brasília.

Custas processuais no importe de R$ 600,00, calculadas sobre R$ 30.000,00, valor da causa, pelo Sindicato Réu.

Intimem-se as partes.

Fabrício Zanatta Juiz do Trabalho Substituto

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