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DECISÕES COMENTADAS RELEVANTES PARA EMPRESAS

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Academic year: 2021

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DECISÕES COMENTADAS

RELEVANTES PARA EMPRESAS

Profª. Dra. Danielle Riegermann

Mestre e Doutora em Direito

Profª de Direito do Trabalho e Processo do Trabalho Advogada Trabalhista

(2)

TRABALHADOR MENTE EM AÇÃO E

TEM DECISÃO FAVORÁVEL ANULADA

Trabalhador que mente em processo induzindo juiz a erro provoca a anulação da decisão que lhe favorável. A decisão é do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo).

Um ex-empregado da Florema Mão de Obra de Construções entrou com processo na 65ª Vara do Trabalho de São Paulo, pedindo horas extras, além de verbas trabalhistas. Em depoimentos, o trabalhador e uma testemunha relataram que, diariamente, ele excedia a jornada “mas não marcava no cartão”, além de trabalhar aos sábados.

(3)

A primeira instância não acolheu os argumentos. O trabalhador recorreu ao TRT paulista e, amparados na prova testemunhal, os

juízes da 9ª Turma determinaram o pagamento das horas extras.

Em outro processo trabalhista, contra a mesma empresa, o

ex-empregado foi depor como testemunha. Na audiência, disse que

cumpria jornada normal de trabalho e recebia remuneração pelos sábados trabalhados.

De posse do depoimento, a empresa entrou com Ação Rescisória no TRT de São Paulo, sustentando que 9ª Turma “foi dolosamente induzida a erro”. A decisão foi unânime. Os juízes anularam acórdão A sentença da 65ª Vara do Trabalho foi restabelecida e, em novo julgamento do Recurso Ordinário do ex-empregado, foi negado o direito do trabalhador às horas extras.

(4)

EX-GERENTE TERÁ DE RESSARCIR

VALORES PAGOS POR CERVEJARIA A

VÍTIMAS DE ASSÉDIO

A 8ª Turma do TST rejeitou apelo de um ex-gerente de vendas

da Cervejaria Petrópolis de Pernambuco Ltda., que pretendia

rediscutir, decisão que o condenou a ressarcir a empresa dos

valores pagos a subordinados vítimas de assédio moral

praticado por ele. A condenação é decorrente de uma ação de

regresso, que visa obrigar o efetivo responsável pelo dano à

reparação da importância despendida.

(5)

A cervejaria, sediada em Recife (PE), contratou o gerente de

vendas em abril de 2014 e o dispensou em janeiro de 2015. O

assédio moral praticado por ele no período, por meio de

ameaças de demissão pelo não atingimento de metas, foi

comprovado em vários processos, levando à condenação da

empregadora ao pagamento de indenizações por dano moral.

Na ação de regresso, a Petrópolis sustentou que, da mesma

forma que é responsável pelos prejuízos causados por seus

empregados na execução do contrato de trabalho, a empresa

também pode buscar ressarcimento por ter arcado com a

indenização desses prejuízos.

(6)

MOTORISTA NÃO CONSEGUE

PERICULOSIDADE POR

ACOMPANHAR ABASTECIMENTO

A 7ª Turma do TST indeferiu, por unanimidade, o adicional de

periculosidade pretendido por um motorista da Auto Viação

Catarinense,

de

Joinville

(SC),

que

acompanhava

o

abastecimento do ônibus,

realizado por outra pessoa. De

acordo com a jurisprudência do TST, a parcela não é devida ao

empregado que apenas acompanha o procedimento.

(7)

Na RT, o motorista sustentou que acompanhava o abastecimento três dias por semana, por cerca de 25 minutos a cada procedimento. Pleiteava o pagamento do adicional com o argumento de que trabalhava em área de risco em razão da proximidade com inflamáveis líquidos dentro da bacia de segurança, em um raio de 7,5 metros do bico de abastecimento de óleo diesel.

A empresa, em sua defesa, disse que o empregado tinha como única função a de motorista e que suas atividades não caracterizavam perigo. Segundo a Catarinense, o motorista não tinha obrigação de acompanhar o abastecimento, pois a atividade era exercida por manobristas, dentro do pátio, e por frentistas em postos de combustível.

(8)

O pedido foi julgado improcedente pelo juízo da 5ª VT de Joinville, mas a parcela foi deferida pelo TRT da 12ª Região (SC).

O relator do recurso de revista da empresa, ministro Renato de Lacerda Paiva, explicou que o TST, ao enfrentar a questão, concluiu que o adicional de periculosidade não é devido ao empregado que apenas acompanha o abastecimento de veículo, pois essa situação não configura contato direto com inflamáveis em condições de risco acentuado, conforme exigido no artigo 193 da CLT e na NR16.

(9)

A Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve o indeferimento do reconhecimento do direito à estabilidade por gravidez de uma vendedora da Maricota Laços e Flores Ltda., loja de roupas e acessórios infantis de Uberaba (MG), registrada com o nome de CS – Confecções e Comércio Ltda. A trabalhadora, que pediu demissão por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp sem saber que estava grávida, tentava rediscutir o caso no TST por meio de agravo, mas o apelo foi rejeitado pelo colegiado.

VENDEDORA QUE PEDIU DEMISSÃO

POR WHATSAPP SEM SABER DE

GRAVIDEZ NÃO TEM DIREITO À

ESTABILIDADE

(10)

FISCALIZAÇÃO DE EMPREGADOS POR

MEIO DE CÂMERAS

A 1ª Turma do TST isentou a empresa gaúcha Liq Corp S.A. da obrigação de desativar e retirar as câmeras de vigilância instaladas no interior das suas dependências e afastou o pagamento de indenização por dano moral coletivo. Para a Turma, o monitoramento no ambiente de trabalho, sem qualquer notícia a respeito de excessos, como a utilização de câmeras espiãs ou a instalação em recintos destinados ao repouso ou que pudessem expor a intimidade dos empregados, como banheiros ou vestiários, insere-se no poder fiscalizatório do empregador.

(11)

A empresa foi condenada no primeiro grau ao pagamento de

indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 5 milhões e

a desativar os equipamentos nos locais onde não existisse a possibilidade de acesso por terceiros invasores. O TRT da 4ª Região (RS) manteve a condenação, por entender que a empresa havia praticado ato ilícito.

No recurso de revista, a Liq Corp sustentou que o monitoramento ambiental era feito com o conhecimento do trabalhador e sem que houvesse qualquer abuso pela existência de câmeras em locais impróprios. A empresa argumentou que presta serviços de teleatendimento e lida com dados pessoais e sigilosos de milhões de pessoas, clientes de bancos, empresas de telefonia, operadoras de TV a cabo, de cartões de crédito e de planos de saúde, entre outros. Por isso, considera razoável a utilização de meios apropriados e lícitos para evitar danos.

(12)

Para o relator, o procedimento empresarial não ocasiona significativo

constrangimento aos empregados nem revela tratamento abusivo do empregador, uma vez que o monitoramento é feito indistintamente.

Dessa forma, não afeta valores e interesses coletivos fundamentais de ordem moral. “O caso dos autos difere de casos reiteradamente analisados pelo TST em que se reconhece a ofensa à dignidade dos empregados diante da instalação de câmeras em vestiários e banheiros, pela possível exposição de partes do corpo dos empregados”, concluiu.

Referências

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