25 a 28 de novembro de 2014 – Câmpus de Palmas
Página 1
PROSPECÇÃO BIOMONITORADA DE EXTRATOS E COMPOSTOS DE
PLANTAS NATIVAS DO TOCANTINS - UM ESTUDO MULTIDISCIPLINAR
VISANDO DESCOBERTA DE NOVAS SUBSTÂNCIAS BIOATIVAS
Gilberto Conceição Amorim 1; Talal Suleiman Mahmoud2
1Aluno do Curso de Licenciatura em Química; Campus de Araguaína; e-mail: [email protected]
“PIBIC/CNPq/AF”
2Orientador(a) do Curso de Licenciatura em Química; Campus de Araguaína; e-mail: [email protected]
RESUMO
Buscou neste trabalho auxiliar na implantação de programa de estudos sistematizados do potencial genético das espécies vegetais do Tocantins, incluindo a bioprospecção fitoquímica direcionada. Através de consulta prévia da população local das espécies com atividades biológicas, após realizou-se levantamento bibliográfico das espécies mais citadas: Mucuíba (Virola sebifera Aubl.); Buriti (Mauritia flexuosa Mart.); Copaíba (Copaífera langsdorffi Desf.); Bacuri (Scheelea phalerata Mart.); Pequi (Caryocar brasiliense Cambess.); Babaçu (Orbignya phalerata Mart.); Andiroba (Carapa
guianensis Aubl.); Cupuaçu (Theobroma grandiflorum Wild. Ex. Spreng); Cacau (Theobroma cacao L.); Mutamba (Guazuma ulmifolia Lamarck). A espécie O. phalerata que é uma palmeira da família
Arecaceae, não cultivada e originária do Brasil foi analisado quimicamente os componentes contidos no óleo, comercializado na Feira Central de Araguaína. Amostra foi preparada e derivatizanda para análise por Cromatografia Gasosa acoplada em Espectrômetro de Massas. Depois de obtidos os espectros de massas, os componentes individuais foram identificados pela comparação com a base de dados espectrais de massa do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia. Identificou-se 9 componentes químicos, incluindo as percentagens relativas, sendo eles decanoato de metila (2,31%), 2,4-dimetil-2-penteno (0,89%), dodecanoato de metila (52,92%), di-terc-butil metil fenol (0,13%), e tetradecanoato de metila (17,33%), hexadecanoato de metila (8,53%), octadecanoato de metila (3,18%), 9(Z)-octadecenoato de metila (12,41%) e 8,11(ZZ)-octadecadienoato de metila (2,30%). Chamou a atenção o componente identificando como di-terc-butil metil fenol que é um composto orgânico lipossolúvel com características, antioxidante, utilizado como aditivo alimentar, conservante em cosméticos e remédios, presente na amostra. Indicando possível contaminação, podendo esta ser oriunda do frasco fornecido pelo vendedor.
25 a 28 de novembro de 2014 – Câmpus de Palmas
Página 2
INTRODUÇÃO
As plantas são consideradas fontes inesgotáveis de metabólitos secundários. Atualmente são conhecidas mais 200.000 substâncias, sendo que este número representa em torno de 10 % do total dos possíveis metabólitos existentes na natureza (WINK, 1988; CROTEAU et al., 2000; DIXON et al., 2003), suas estruturas moleculares, funções e usos foram pouco exploradas. Estas substâncias geralmente, não fazem parte do metabolismo básico, entretanto são essenciais para a planta, interagindo na mediação planta-inseto, planta-planta e planta-microorganismo, atuando em aspectos tais como cor e fragrância das flores, paladar e coloração dos alimentos, além de resistência contra pragas e doenças (DIXON, 2001).
Outra grande contribuição do estudo químico de plantas está relacionado com investigações taxonômicas. A variedade de espécies da flora brasileira acarreta dificuldades na correta classificação das espécies vegetais em função da variedade morfológica e suas semelhanças. Os estudos morfológicos aliados aos estudos químicos desenvolvidos por pesquisadores da área de produtos naturais auxiliariam na resolução de alguns problemas de classificação. A multidisciplinaridade é uma necessidade para uma pesquisa científica de qualidade e confiabilidade (CORDELL, 1995).
Estima-se que uma grande quantidade de espécies de plantas brasileiras com algum estudo químico ou biológico possua um potencial econômico para a identificação e exploração de novos fármacos (CORDELL, 1995).
Dentro deste quadro, a implantação do programa de estudos sistematizados do potencial genético das espécies vegetais do Tocantins, incluindo a bioprospecção fitoquímica e bioquímica, bem como a recuperação de áreas antropizadas e criação de bancos de germoplasma, além de outras ações voltadas para a preservação desse patrimônio vem cobrir uma lacuna nesta área de pesquisa no Estado do Tocantins.
MATERIAL E MÉTODOS
Realizou consulta prévia da população das espécies com atividades biológicas, relatadas pelos entrevistados. Após realizou-se levantamento bibliográfico das espécies relatadas nas entrevistas através do portal de periódico Capes.
Foram adquiridos óleos dos vegetais mais citado nas consulta prévia na feira central de Araguaína - TO. Sendo seguido da preparação dos óleos essenciais por derivatização. Cada amostra
25 a 28 de novembro de 2014 – Câmpus de Palmas
Página 3
foi derivatizada retirando-se 100,0 mg de cada amostra do vegetal e inseridos em um tubo de ensaio após solubilizou sob aquecimento com 4mL de solução (0,5N) de NaOH/Metanol. Após a dissolução completa, o tubo foi resfriado rapidamente em água corrente, em seguida adicionado 5 mL da mistura esterificante, o tubo foi tampado e aquecido por 5 minutos em banho-maria e em seguida resfriado. Depois de esterificados adicionou-se 4 mL de solução saturada de cloreto de sódio e agitou-se vigorosamente por aproximadamente 30 segundos, os ésteres metílicos foram extraídos com hexano (5 mL) colocados diretamente no tubo, a fase superior foi coletada e enviado para análises por CG-EM na UFMS, em um aparelho Shimadzu QP-5050A, com coluna capilar de DB-1 (dimetil-polisiloxano)
com 30 m de comprimento e 0,25 mm de diâmetro interno; gás de arraste: Hélio (1 mL min-1); modo
de injeção 1 μL; split ratio 1:21; temperatura programada: 120-240 ºC a 2 ºC min-1
e, depois, 240 ºC
por 15 min-1, temperatura do injetor: 240 ºC; operado a 70 eV.
Com os resultados em mãos foi realizado o tratamento desta analise através do programa GCMSsolution.
Componentes individuais foram identificados pela comparação de seus respectivos espectros de massa (MS) com a base de dados espectrais de massa do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), bem como pela análise do fragmentograma obtido para cada componente.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após consultas junto a população local, as espécies mais citadas em sua utilização como alguma atividade biológica foram: 1-Mucuíba (Virola sebifera Aubl.); 2- Buriti (Mauritia flexuosa
Mart.); 3-Copaíba (Copaífera langsdorffi Desf.); 4- Bacuri (Scheelea phalerata Mart.); 5- Pequi
(Caryocar brasiliense Cambess.); 6-Babaçu (Orbignya phalerata Mart.); 7 Andiroba (Carapa
guianensis Aubl.); 8-Cupuaçu (Theobroma grandiflorum Wild. Ex. Spreng); 9- Cacau (Theobroma cacao L.); 10- Mutamba (Guazuma ulmifolia Lamarck).
Inicialmente foi realizado o levantamento bibliográfico para verificação de conceitos químicos, substâncias já identificadas no material a ser estudado, além disso, a revisão bibliográfica nos informa as técnicas mais cabíveis para o processo físico-químico de analise. Podemos dizer que tivemos como objetivo central estudar a composição química de algumas plantas presentes no cerrado.
25 a 28 de novembro de 2014 – Câmpus de Palmas
Página 4
Torna-se necessário dissertarmos que tivemos como resultado nessa primeira parte do projeto de pesquisa, somente informações a respeito de onde deveremos começar os nossos estudos, isso só é possível graças ao levantamento bibliográfico.
No presente momento apenas realizou-se a análise do óleo de O. phalerata . O estudo levou a identificação de nove componentes químicos (Figura 1), incluindo as percentagens relativas (Tabela 1), sendo eles decanoato de metila (2,31%), 2,4-dimetil-2-penteno (0,89%), dodecanoato de metila (52,92%), di-terc-butil metil fenol (0,13%), e tetradecanoato de metila (17,33%), hexadecanoato de metila (8,53%), octadecanoato de metila (3,18%), 9(Z)-octadecenoato de metila (12,41%) e 8,11(ZZ)-octadecadienoato de metila (2,30%).
Tabela 1. Componentes obtidos do óleo de Orbinya sp.
Substância Tempo de retenção (min) Percentagem (%)
Decanoato de metila 6.527 2,31
2,4-dimetil-2-penteno 7.727 0,89
Dodecanoato de metila 11.145 52,92
Di-terc-butil metil fenol 13.993 0,13
Tetradecanoato de metila 16.820 17,33 Hexadecanoato de metila 22.727 8,53 Octadecanoato de metila 28.437 3,18 9(Z)-octadecenoato de metila 28.930 12,41 8,11(ZZ)-octadecadienoato de metila 30.159 2,3 Total 100 Figura 1. Cromatogramas total obtidos do óleo de Orbinya sp
25 a 28 de novembro de 2014 – Câmpus de Palmas
Página 5
A primeira parte de nosso processo de pesquisa era buscar informações a respeito das inúmeras espécies do cerrado brasileiro que iremos trabalhar de modo geral esse levantamento nos proporcionou inúmeros benefícios, entre esses está à maneira correta de recolhimento das nossas amostras no ambiente natural.
Na análise os principais constituintes detectados de Orbinya sp por CG-EM foram: dodecanoato de metila (52,92%) e tetradecanoato de metila (17,33%). O componente identificando como di-terc-butil metil fenol (0,13%) é um composto orgânico lipossolúvel com características antioxidantes utilizadas como aditivo alimentar, conservante em cosméticos, remédios e combustível. Indicando que a amostra apesar de ser. a mesma encontrava-se contaminada com tal componente podendo esta contaminação ser oriunda do frasco fornecido pelo vendedor. Análises posteriores estão sendo realizadas.
LITERATURA CITADA
CORDELL, G. A. Natural products as medicinal and biological agents: potentiating the resources of the rain forest. In: SEID, P. R.; GOTTLIEB, O. R.; KAPLAN, A. C. (Ed.). Chemistry of Amazon. Washington: American Chemical Society, 1995. v. 588, cap. 2, p. 8-18.
CROTEAU, R; KUTCHA, T. M.; LEWIS, N. G. 2000. Natural products (secondary metabolites). In: Buchanan, B.; Gruíssem, W.; Jones R. Biochemistry & Molecular biology of Plants 4: 1250-1317. DIXON, R. A. Natural products and plant disease resistance. 2001. Nature 411: 843-847.
DIXON, R. A.; STRACK, D. Phytochemistry meets genome analysis, and beyond. 2003.
Phytochemistry 62: 815-816
WINK, M. Plant breeding: importance of plant secondary metabolites for protection against pathogens and herbivores. 1988. Theoretical and Applied Genetics 75: 225-233.
AGRADECIMENTOS
O presente trabalho foi realizado com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq – Brasil.