UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
FISCALIZAÇÃO DE CONTRATO DE SERVIÇOS DE
ENGENHARIA EM ÓRGÃO PÚBLICO
Por: Henrique de Marca Neto
Orientador
Professora Ana Cláudia Morrissy Machado
Rio de Janeiro 2010
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
FISCALIZAÇÃO DE CONTRATO DE SERVIÇOS DE
ENGENHARIA EM ÓRGÃO PÚBLICO
Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Engenharia da Produção
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus, que está presente em todos os momentos da minha vida, e a todos os meus professores do curso de Engenharia da Produção , especialmente à professora Ana Cláudia Morrissy Machado , minha orientadora na execução desta monografia
DEDICATÓRIA
Dedico essa monografia a minha esposa Maria do Carmo, aos meus filhos Tatiana, Henrique e Frederico e especialmente à minha mãe Mafalda que foi a minha primeira professora na escola da vida
RESUMO
O presente estudo visa focar as atribuições do fiscal de contrato na área de construção de navios militares da Marinha do Brasil exercidas por funcionários públicos da carreira de Tecnologia Militar. Esta pesquisa se torna relevante pois os servidores desta carreira são engenheiros e técnicos da área tecnológica e em sua maioria não possuem conhecimento na área jurídica e administrativa por não fazerem parte de suas formações acadêmicas, sentindo, com isso, grande dificuldade quando são designados para fiscalizar um contrato e também por não deterem conhecimentos sobre o processo de contratação na Administração Pública. A solução proposta para o problema consiste em criar a figura do gestor para cada contrato dando apoio jurídico e administrativo, implantação de cursos regulares para formação de fiscal, limitar o número de contratos por fiscal, e criação de um manual de fiscalização para nortear os servidores nesta importante função.
METODOLOGIA
A metodologia utilizada para a elaboração desta monografia foi através de pesquisas bibliográficas pertinentes ao tema, utilizando consultas em livros, leis federais, instruções normativas do governo federal e da Marinha e regimentos internos do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 08
CAPÍTULO I - O Processo de contratação na Administração Pública 12
CAPÍTULO II - Atribuições do Fiscal de Contrato 25
CAPÍTULO III – Proposta para capacitação do Fiscal 33
CONCLUSÃO 40
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 41
ÍNDICE 43
FOLHA DE AVALIAÇÃO 45
INTRODUÇÃO
Nem sempre o Estado possui meios e recursos humanos ou tecnológicos suficientes para satisfazer aos interesses coletivos. Nesses casos, a realização de suas finalidades principais exige a colaboração de terceiros. A Administração estabelece relações jurídicas com particulares, as quais têm por objeto, entre outros, a realização de obras, a prestação de serviços e o fornecimento de bens de diversas naturezas. A formalização dessas relações se concretiza por meio de celebração de contratos denominados Contratos Administrativos.
Atualmente cresce a necessidade de contratação de terceiros devido a grande quantidade de serviços de engenharia a serem realizadas contra a escassez de mão de obra para executá-las devido a diversos fatores, dentre outros, aposentadoria, perda de pessoal especializado para o mercado de trabalho e reposição lenta do quadro de funcionários que são feitas através de concursos públicos cujos os processos de realizações são demorados.
A Administração Pública possui prerrogativas que a coloca em posição de superioridade em relação ao Contratado, pois, se assim não fosse, não haveria distinção entre o Regime Jurídico dos Contratos Públicos e Regime dos demais contratos. Assim é que os Contratos Administrativos admitem a inclusão´por parte de Administração, de cláusulas contratuais denominadas “cláusulas exorbitantes”, que seriam repudiadas em uma relação contratual de natureza privada. .O estatuto de Licitações e Contratos Administrativos assegura à Administração Contratante, as seguintes prerrogativas:
- modificar, unilateralmente, as cláusulas regulamentares do Contrato, para melhor adequação às finalidades de interesse público, respeitando o direito do Contratado;
- denunciar ou rescindir unilateralmente o contrato nas hipóteses nele previstas ou especificadas na legislação e/ou no instrumento convocatório;
- aplicar as sanções previstas na Lei, no instrumento convocatório e no Contrato, pelo descumprimento das obrigações nas formas pactuadas ou propostas; e
- fiscalizar a execução do Contrato.
A prerrogativa de fiscalização dos Contratos Administrativos é de vital importância para a perfeita execução contratual porque a adequada fiscalização serve de amparo às alterações contratuais, subsidiando a tomada de decisão por parte da Administração Pública, que deverá ser motivada e justificada.
Tanto a Administração quanto o contratado devem cumprir fielmente as regras contratuais e as normas legais. O não cumprimento dessas disposições, total ou parcial, pode levar à rescisão do contrato, respondendo o culpado pelas conseqüências.
Portanto, é dever da Administração acompanhar e fiscalizar a execução do contrato, para verificar o cumprimento das disposições técnicas e administrativas acordadas, e para isto são designados fiscais que podem ser servidores da própria Administração ou contratados para esse fim.
Para atuar de maneira pró-ativa, o fiscal de contrato deve deter conhecimentos sobre a visão sistêmica do processo de Contratação na Administração Pública, envolvendo todas as etapas: planejamento, o processo licitatório, a fiscalização e o gerenciamento do contrato, observando as fases da despesa pública (empenho, liquidação e pagamento) e, o resultado positivo para a Instituição. Em suma, para que a fiscalização de um contrato seja eficaz, o fiscal deve preencher os seguintes pré-requisitos:
- saber como se desenvolve o processo licitatório;
- conhecer a elaboração dos projeto básicos e executivos e dos Instrumentos Convocatórios;
- conhecer a legislação básica e complementar que regula o processo licitatório;
- saber como se sucedem as diferentes etapas da contratação; - saber como se elabora o contrato e quais são suas cláusulas básicas;
- saber quais são as cláusulas essenciais para o bom gerenciamento do contrato;
- saber como organizar e manter organizado o processo referente a um contrato;
- saber acompanhar a vigência do contrato, saldo de empenho e como processar o pagamento; e
- conhecer os fatores importantes para o acompanhamento da execução do contrato.
-Mesmo que todas estas fases não sejam de responsabilidade do fiscal de contrato, devem ser conhecidas por ele , principalmente para que ele possa atuar em colaboração com as demais áreas responsáveis, trabalhando em equipe.
O tema desta monografia é apresentar as atribuições do servidor público como fiscal, em contratos de serviços de engenharia na área de construção naval no âmbito do Comando da Marinha exercidos por engenheiros e técnicos da carreira de Tecnologia Militar.
Este estudo é de fundamental importância pois a maioria destes servidores não está preparado para exercer a fiscalização de contratos quando designado para esta função pelo fato de desconhecer sua atribuição no processo que envolve um contrato tanto na fase de licitação quanto na fase de execução onde sua atuação é fundamental.
Para atingir o objetivo deste estudo, este trabalho será apresentado em três capítulos: o capítulo I abordará o processo de contratação na
Administração Pública, o capítulo II apresentará as atribuições do Fiscal de Contrato e o capítulo III proporá ações para capacitar o servidor na função de fiscal.
CAPÍTULO I
O PROCESSO DE CONTRATAÇÃO NA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
O processo de contratação em Órgão Público pode ser dividido em três fases: planejamento das compras, licitação ou contratação direta e execução do contrato.
1.1 – Planejamento das Compras
O planejamento das compras governamentais é função essencial, obrigatório, além de também ser um dever jurídico da Administração Pública. O Órgão Público tem o dever de manejar os recursos públicos de forma mais eficaz e eficiente possível. Esse dever só pode ser cumprido com planejamento efetivo que determina, com qualidade, o que e como fazer com os recursos disponíveis utilizando-se os seguintes instrumentos: Plano Plurianual (PPA) e o Orçamento Anual.
1.1.1 – Plano Plurianual
O Plano Plurianual é um instrumento de planejamento, execução e controle, de caráter permanente, que define, orienta e acompanha as ações a serem empreendidas nos diversos escalões da Administração Pública,para um período de cinco anos, relacionadas à administração orçamentária, de modo a atender às necessidades com o máximo dos recursos disponíveis tendo os seguintes propósitos:
a) tornar eficaz a administração do Órgão Público, contribuindo para o cumprimento de sua missão;
b) condicionar processos e meios que visem à consecção de metas compatíveis com a missão do Órgão e da política governamental vigente;
c) harmonizar o planejamento econômico-financeiro desenvolvido no Órgão com os Planos e Programas do Governo;
d) possibilitar a integração de recursos, a economia de meios e a efetividade nas aplicações; e
e) propiciar continuidade administrativa, em todos os escalões da Administração, no que tange ao emprego dos recursos disponíveis.
No caso específico deste trabalho, Órgão Público ou Administração Pública é uma Organização Militar Prestadora de Serviços (OMPS) no âmbito do Comando da Marinha. São os seguintes documentos que uma OMPS deve se basear para elaborar o seu planejamento:
- Programa de Reaparelhamento da Marinha (PRM); - Programa Geral de Manutenção (PROGEM); - Plano Plurianual da Marinha e do Governo; - Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO); - Orçamento Geral da União(OGU); e - Outros Planos e Programas Navais.
O Planejamento Plurianual de uma OMPS é composto das seguintes partes: Contextos e seus Programas, Proposta de Projeto, Orçamento Anual e Cronograma de Trabalho do Orçamento Plurianual.
Contextos e seus Programas reúnem as informações e considerações a respeito das necessidades por área de atuação e orientam as ações nos diversos programas, para a realização das diversas atividades naquelas áreas. O conjunto de Contextos expressa as necessidades gerais da OMPS a médio prazo, em consonância com os objetivos estratégicos e visão de futuro da instituição e indica nas Propostas de Projetos agrupadas nos diversos programas, os cronogramas de execução em vários exercícios e contém, portanto, informações de um planejamento plurianual.
Proposta de Projeto é um conjunto de ações preestabelecidas, definidas e quantificadas no que tange o propósito, necessidade, oportunidade , enquadramento, características, detalhes de execução, meta física, tempo de realização previsto e custo provável.
O Cronograma de Trabalho do Orçamento Plurianual é o documento que estabelece as datas limites para a elaboração, revisão, atualização, publicação distribuição e divulgação de documentos, bem como das reuniões e outros eventos, indicando, também, os responsáveis pelo seu cumprimento.
1.1.2 - Orçamento Anual
O Orçamento Anual é um conjunto dos Projetos dos diversos Contextos aos quais tenham sidos dotados recursos financeiros no exercício, ou seja, o Orçamento Anual é uma “fatia” do Plano Plurianual correspondente a um exercício financeiro. A proposta do Orçamento Anual para um determinado exercício é elaborada ao final do ano anterior, com base nas informações prestadas pelos setores internos e nas prioridades atribuídas pela Direção das OMPS. Cada vez mais as OMPS se deparam com o aumento das necessidades e a diminuição dos recursos financeiros disponíveis, daí a importância do estabelecimento das prioridades, a luz do binômio Necessidades X Missão.
È importante frisar que, uma vez aprovado o Orçamento Anual e distribuído o crédito nos respectivos Projetos, os gerentes poderão iniciar suas execuções, se limitando ao valor distribuído. Vale ressaltar que podem ocorrer alterações no Orçamento Anual propostas pelos gerentes dos Projetos no decorrer de seu período de execução e que deverão ser aprovadas. Estas alterações englobam as modificações de valores ou metas físicas e a inclusão de novas Propostas de Projeto ou parcelas de Propostas.
É de fundamental importância que haja o controle do Orçamento Anual cujo objetivo é acompanhar as metas estabelecidas nas Propostas de Projeto em execução, proporcionando a correção de desvios em tempo hábil e permitindo a otimização do emprego dos recursos disponíveis no ano a que se refere. Este controle implica no acompanhamento físico e financeiro dos Projetos, exercidos pelos respectivos gerentes, valendo-se de informações fornecidas pelos fiscais de contratos. O acompanhamento físico consiste no controle da realização física dos Projetos identificando as condições de cada parcela detalhada, seus desvios entre o planejado e o executado, permitindo a identificação de anormalidades ocorridas, a reprogramação de parcelas e quaisquer outras medidas necessárias a regularização da execução dos mesmos. Consiste no acompanhamento da execução orçamentária dos Projetos através dos controles dos créditos.
1.2 - Licitação
Licitação é o procedimento administrativo formal isonômico em que a Administração Pública convoca, mediante condições estabelecidas em ato próprio, empresas interessadas na apresentação de propostas para o oferecimento de bens e serviços visando selecionar a proposta mais vantajosa.
O artigo 37 da Constituição Federal de 1988, elenca os princípios que norteiam as Licitações Públicas inerentes à Administração Pública que são: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
As Licitações Públicas também são norteadas por princípios conforme elencados no artigo 3° da Lei 8.666/93 – Normas Gerais sobre Licitações e Contratos Administrativos (Lei das Licitações): legalidade, impessoalidade, moralidade e probidade administrativa, igualdade, publicidade, , vinculação ao instrumento convocatório e julgamento objetivo.
- Impessoalidade – é o princípio que impõe o tratamento igualitário aos licitantes bem como a idéia de que os agentes públicos devem ter uma atuação neutra;
- Moralidade e Probidade Administrativa – é o princípio que impõe a administração não apenas uma atuação legal, mas também moral, ou seja, caracterizada pela obediência à ética;
- Igualdade – este princípio prevê o dever de se dar oportunidade de participar da licitação, quaisquer interessados que podem oferecer as indispensáveis condições de garantia;
- Publicidade – assegura a fiscalização, pelos interessados na licitação, dos princípios da igualdade, da competição, assim como dos demais princípios, sob pena de nulidade da mesma;
- Eficiência – significa que, toda ação administrativa tem que ser de bom atendimento, rapidez, urbanidade, segurança, transparente neutro e sem burocracia, sempre visando à qualidade;
- Vinculação ao Instrumento Convocatório – este princípio encontra-se disposto no artigo 41 da Lei das Licitações; “A Administração não pode descumprir as normas e condições do edital, ao que se acha estritamente vinculada”. O edital, nesse caso, torna-se lei entre as partes; e
- Julgamento Objetivo – este princípio exige que os critérios de apreciação venham prefixados, de modo objetivo, no edital, de tal maneira que a comissão de julgamento reduza ao mínimo possível seu subjetivismo.
-1.2.1 - Modalidades de Licitação
Modalidade de licitação é a forma específica de conduzir o procedimento licitatório, a partir de critérios definidos no artigo 22 da Lei das Licitações. O valor estimado para contratação é o principal fator para escolha da modalidade de licitação.. As modalidades de licitação são: Concorrência, Tomadas de Preços, Convite, Pregão, Concurso e Leilão. Para os serviços de engenharia, objeto de estudo deste trabalho, são escolhidas as seguintes modalidades e seus respectivos limites de valores:
Convite – até R$ 150.000,00
Tomada de Preços - de R$ 150.000,00 até R$ 1.500.000,00 Concorrência – acima de R$ 1.500.000,00
Pregão – utilizado para qualquer que seja o valor da contratação
Estes valores foram retirados da tabela de limites de licitação estabelecido na Lei n° 9.648 de 27 de maio de 1998.
Convite é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3 (três) pela Unidade Administrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais cadastrados na correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedência de até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação das propostas.
Tomada de Preços é a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento da proposta, observada a necessária qualificação.
Concorrência é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto.
O Pregão destina-se a aquisição de bens e serviços comuns, assim entendidos aqueles cujos padrões de desempenho e qualidades possam ser objetivamente definidos pelo edital, através de especificações usuais de mercado. Esta modalidade não se leva em conta o vulto do contrato, mas sim as características dos bens ou serviços, que devem ser comuns. Vale ressaltar que atualmente a Administração Pública tem utilizado o Pregão Eletrônico, que é o procedimento licitatório que utiliza os meios de comunicação à distância,
onde os diversos atos formais são praticados seguindo as regras comuns, aplicáveis a toda e qualquer licitação. A peculiaridade do pregão eletrônico é a ausência física do pregoeiro, de sua equipe e dos representantes dos licitantes em um mesmo local. As manifestações de vontade dos licitantes são transmitidas por via eletrônica.
1.2.2 – Projeto Básico
A lei das licitações determina que todas as obras e serviços somente poderão ser licitados e contratados quando houver Projeto Básico (PB), previamente aprovado pela autoridade competente e disponível para exame de todos os interessados em participar do processo licitatório. É aplicado para as contratações nas modalidades Concorrência, Tomada de Preços, Convite, Concurso e Leilão.
Projeto Básico é, em linhas gerais, um conjunto de elementos necessários e suficientes, com o nível de precisão adequado, para caracterizar obra ou serviço, objeto da futura contratação elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos preliminares, que assegurem a viabilidade técnica e o adequado tratamento ambiental do empreendimento, e que possibilite a avaliação dos custos e a definição dos métodos e do prazo de execução, devendo conter os elementos discriminados no artigo 6 da Lei das Licitações a seguir transcritas:
a) desenvolvimento da solução escolhida, de forma a fornecer visão global da obra e identificar todos os seus elementos constitutivos com clareza;
b) soluções técnicas globais e localizadas, suficientemente detalhadas, de forma a minimizar a necessidade de reformulação ou de variantes durante as fases de elaboração do projeto executivo e da realização das obras e montagem;
c) identificação dos tipos de serviços a executar e de materiais e equipamentos a incorporar, bem como suas especificações que assegurem os
melhores resultados para o empreendimento, sem frustrar o caráter competitivo para a sua execução;
d) informações que possibilitem o estudo e a dedução de métodos constitutivos, instalações provisórias e condições organizacionais para a obra sem frustrar o caráter competitivo para a sua execução;
e) subsídios para montagem do plano de licitação e gestão da obra, compreendendo a sua programação, a estratégia de suprimentos, as normas de fiscalização e outros dados necessários a cada caso; e
f) orçamento detalhado do custo geral da obra, fundado em quantitativos de serviços e fornecimentos propriamente avaliados.
O Projeto Básico deve conter o esboço da obra ou do serviço que se deseja contratar, devendo ser constituído com todas as informações e elementos necessários à fiel execução do objeto, garantindo, sobretudo, a competição dos licitantes em condição de igualdade, a saber:
a) especificação detalhada e abrangente do objeto a ser contratado; b) especificação dos materiais a incorporar;
c) metodologia da execução;
d) horários e localização para a execução da obrigação; e) cronogramas de execução e de pagamento;
f) normas de segurança, fiscalização e aceitação do objeto;
g) custos estimados, demonstrados por planilhas detalhadas contendo pesquisa do mercado;
h) prazos de execução parciais e total e, se for o caso, o cronograma físico financeiro, atribuindo, a cada parcela de execução, um prazo para entrega e um valor justo, correspondente ao custo estimado do evento;
i) estabelecer se haverá ou não necessidade de garantia financeira e, em especial, sempre que o objeto for executado nas instalações da contratada e houver desembolsos parciais deverá ser exigida uma garantia financeira no valor total do bem ou, a medida que os eventos do cronograma forem sendo faturados, deverá ser apresentada garantia proporcional ao somatório do
desembolso realizado´que será liberada após o cumprimento total das obrigações pela contratada; e
j) todas as demais recomendações necessárias à execução do objeto.
Elaborar um projeto básico requer que sejam levados em consideração os seguintes requisitos, constantes do artigo 12 da Lei das Licitações:
a) segurança;
b) funcionalidade e adequação ao interesse público; c) economia na execução, conservação e operação;
d) possibilidade de emprego de mão-de-obra, materiais, tecnologia e matérias primas existentes no local para execução, conservação e operação, sem prejuízo da durabilidade da obra ou do serviço;
e) adoção das normas técnicas, de saúde e de segurança do trabalho adequadas; e
f) impacto ambiental.
A lei das licitações em seu artigo 6° define o conceito de “Obra” e se “Serviço” transcritas a seguir: “Obra”¨é toda construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação realizada por execução direta, pela Administração, ou indireta, por Terceiros, e “Serviço” é toda atividade prestada à Administração, para atendimento de suas necessidades ou de seus administrados, tais como: demolição, montagem, operação, conservação, reparação, manutenção, transporte, locação de bens, publicidade, seguro ou trabalhos técnico-profissionais.
1.2.3 – Termo de Referência
O inciso II do artigo 8°, do Decreto n° 3.555, de agosto de 2000, “Aprova o Regulamento para a Modalidade de Licitação Denominada Pregão para Aquisição de Bens e Serviços Comuns”, determina que, na licitação na modalidade Pregão, faz-se imprescindível o Termo de Referência (TR), sem
exceções, previamente aprovado pela autoridade competente e disponível para exame de todos os interessados em participar de procedimento licitatório.
Elaborar um Termo de Referência requer que sejam levados em consideração os mesmos requisitos do Projeto Básico, por analogia ao disposto no artigo 12 da Lei das Licitações:
a) segurança;
b) funcionalidade e adequação ao interesse público; c) economia na execução, conservação e operação;
d) possibilidade de emprego de mão-de-obra, materiais, tecnologia e matérias primas existentes no local para execução, conservação e operação, sem prejuízo da durabilidade da obra ou do serviço;
e) adoção das normas técnicas, de saúde e de segurança do trabalho adequadas; e
f) impacto ambiental.
Em suma, o Termo de Referência e o Projeto Básico,devem conter as mesmas informações sendo que o TR é utilizado na modalidade Pregão, enquanto o PB é aplicado nas demais modalidades.
1.3 – Contratação Direta
O princípio básico e geral da Lei das Licitações é de que a Administração Pública tem o dever de licitar sempre que se desejar contratar terceiros, objetivando a realização de obras, serviços, compras, alienações, concessões, permissões e locações. Porém, a própria Lei das Licitações prevê exceções, nos seus artigos 17, 24 e 25, denominadas Dispensabilidade e Inexigibilidade de Licitação.
Desta forma, a obrigação de licitar deve ser interpretada extensivamente como uma regra geral, enquanto as exceções – dispensabilidade ou inexigibilidade – ensejam interpretações restritivas, com regras específicas.
Dispensabilidade é a qualidade daquilo que é dispensado, ou seja, desobrigado. Assim, quando a norma legal indica que é “dispensável a licitação”, não quer dizer que não se deva realizá-la, mas sim que fica a Administração dispensada ou desobrigada de instaurar o processo de licitação, caso seja conveniente ao interesse público. Em outras palavras: a Dispensabilidade de Licitação verifica-se em situação em que, embora viável a competição entre particulares, a licitação afigura-se, objetivamente, inconveniente ao interesse público, já que envolve uma relação de custo benefício, que deve ser equilibrada. Segundo Justen Filho (2004), “o problema não é realizar a licitação, mas repetir uma licitação que já foi processada regularmente, sem que despertasse o interesse dos particulares. Há uma presunção de inutilidade(...). Haveria desperdício não só de tempo mas também de recursos públicos(...)”. A dispensabilidade de licitação deve restringir-se aos casos previstos no artigo 24 da Lei das Licitações, que é exaustivo, ou seja, o rol ali elencado jamais poderá ser ampliado.
A licitação é inexigível quando não é possível estabelecer uma competição entre eventuais interessados, isto porque a Administração quer um determinado bem ou serviço que, em prevalecendo o interesse público, justificadamente, somente pode ser adquirido se contratadas determinadas pessoas físicas ou jurídicas. A Lei das Licitações, em seu artigo 25, descreve as hipóteses exemplificativas de inexigibilidade, podendo ocorrer outras hipóteses ali não expressamente previstas. Assim admitem-se outros casos de inexigibilidade desde que comprovada a impossibilidade de seleção de proposta mais vantajosa, por inviabilidade de competição, eis que ´só será cabível a execução do objeto por uma única contratada.
Di Pietro (2000), em seu livro de Direito Administrativo define claramente a diferença entre a dispensabilidade e inexigibilidade. Segundo a autora a diferença básica entre as duas hipóteses está no fato de que na dispensabilidade, há possibilidade de competição que justifique a licitação; de modo que a Lei faculta a dispensa, que fica inserida na competência discricionária da Administração. Nos casos de inexigibilidade, não há possibilidade de competição, porque só existe um objeto ou uma pessoa que atenda às necessidades da Administração; a licitação é, portanto, inviável.
A Lei das Licitações, no parágrafo único do seu artigo 26, determina que as contratações enquadráveis em Dispensabilidade ou Inexigibilidade de Licitação devam ser realizadas por intermédio de processos administrativos próprios. Processo Administrativo é a denominação genérica dada ao conjunto de atos formais, devidamente autuados, protocolados e numerados, destinados à obtenção de uma decisão administrativa. Esses processos devem conter, na ordem cronológica, os seguintes documentos:
a) Requisição de material ou de Serviços de Terceiros;
b) Projeto Básico, no caso de requisição de obras ou serviços; c) original das propostas e dos documentos que as instruírem;
d) Termos de Justificativa de Dispensabilidade ou Inexigibilidade de Licitação;
e) comprovação de vantajosidade da contratação, quando se tratar de Dispensabilidade de Licitação;
f) Declaração de Exclusividade da futura contratada, quando tratar-se de Inexigibilidade;
g) documentação comprobatória da regularidade fiscal e previdenciária, que poderá ser por meio da juntada do Registro válido no SICAF ( Sistema de Cadastro de Fornecedores);
h) pareceres jurídicos e técnicos sobre a contratação pretendida; i) despachos de aprovação,ratificação, homologação e adjudicação; j) comprovantes de publicação no Diário Oficial da União (DOU); e
k) cópia do Acordo Administrativo (Contrato).
Vale ressaltar que a elaboração do Projeto Básico é igualmente mandatório nos casos de obras e serviços tanto de Dispensa ou Inexigibilidade quanto na Licitação.
CAPÍTULO I I
ATRIBUIÇÕES DO FISCAL DE CONTRATO
2.1 – Introdução
Visando à seleção da proposta mais vantajosa para a Administração Pública e assegurar a ampla participação de concorrentes, em igualdade de condições, surge a Licitação regulada pela Lei n° 8663/93 – Lei das Licitações – que estabelece a obrigatoriedade do Poder Público promover o procedimento licitatório para compras, serviços, alienações, concessões, permissões e locações da Administração Pública quando contratadas com terceiros.
Por outro lado, em razão do princípio da legalidade, onde a Administração Pública deve agir em estrita conformidade com a Lei, e sendo a Licitação um procedimento vinculado, uma vez fixadas por Lei, ao Administrador só cabe observá-las rigorosamente, agindo com moralidade, impessoalidade e probidade administrativa, além da lealdade ao interesse público, pois de outro modo poderá sofrer sansões de ordem civis, administrativas e penais.
É a própria Lei n° 8666/93, em seu artigo 67, quem prevê a designação de um representante da Administração para acompanhar e fiscalizar a execução do objeto inicialmente licitado, nomeado “Fiscal de Contratos Administrativos” (Fiscal de Contrato), que age como se fosse os “olhos “ da Administração Pública, na medida em que seus atos servem de base para o controle interno e, conseqüentemente, para o controle externo. O Fiscal de Contrato é a única pessoa credenciada pela Administração para prestar quaisquer informações ou esclarecimentos de qualquer natureza e tratar de assuntos técnicos ou administrativos. Motta (2002) ressalta “que a gestão contratual ganha dimensão, pois se exige eficácia por parte do administrador. È portanto, inaceitável o contratado omisso e relapso, e a atitude do contratante
que por tolerância ou negligência, deixe aplicar sanções devidas(...) A Administração contratante não poderá renunciar aos deveres que a Lei impõe”. Para que o Fiscal de Contrato exerça com eficácia a fiscalização, é imprescindível que ele tenha pleno conhecimento de sua atribuições que serão descritas a seguir.
2.2 – Ações que precedem o Certame Licitatório
2.2.1 – Documentos elaborados pelo Fiscal
Para abertura do Processo Licitatório, são exigidos os seguintes documentos que devem ser elaborados pelo Fiscal:
a) Projeto Básico, já abordado no capítulo anterior. Vale ressaltar que é necessária sua aprovação, por ato formal e motivado da autoridade competente, a qual deverá avaliá-lo e verificar sua adequação às exigências legais e ao interesse público. A autoridade ao aprovar o Projeto Básico, responsabiliza-se pelo juízo de legalidade e de conveniência adotado. È competente para aprová-lo a autoridade imediatamente superior àquela que o elaborou.
b) Subsídios para análise de Acordo Administrativo contendo os seguintes tópicos: objeto do contrato, qualificação requerida, necessidade geradora da solicitação, responsável pela fiscalização, fundamentação legal e os recursos financeiros. Este documento é submetido à aprovação do Diretor da OMPS;
c) Plano de Trabalho cujos tópicos são: propósito, justificativa da necessidade dos serviços de engenharia e a relação entre a demanda prevista e a quantidade de serviço a ser contratado onde o fiscal expõe os motivos da não utilização dos próprios meios do órgão, optando pela contratação de terceiros. Este documento também é submetido à aprovação do Diretor da OMPS; e
d) Justificativa Técnica, onde é apresentado o propósito, a especificação do serviço e o enquadramento legal. Quando houver necessidade de preferenciar uma determinada marca por motivo de padronização ou uma determinada empresa para a realização de um determinado serviço, nos casos de dispensa de licitação de que tratam os incisos IX e XIX do artigo 24, da Lei 8.666/93, deverá ser elaborada uma Justificativa Técnica adequada, demonstrando tal necessidade e deverão ser observados as diretrizes do Conselho Financeiro e Administrativo da Marinha. No caso de Inexigibilidade de Licitação deverá ser anexada à Justificativa Técnica a Declaração de Exclusividade da empresa, nos termos do artigo 25, inciso I, da Lei 8.666/93.
2.2.2 – Controle dos demais documentos
O Processo Licitatório também exige os seguintes documentos elaborados pelos órgãos internos das OMPS em que o Fiscal deve ter total conhecimento dos seus conteúdos, acompanhando não só suas emissões quanto aos prazos que deverão ser emitidas e tramitadas:
a) Parecer Interno do Chefe do Departamento e Controle Orçamentário cujo propósito é indicar o recurso para a despesa do contrato nos termos do artigo 7° e artigo 14° da Lei 8666/93, descrevendo seu objeto, seu valor estimado e indicando também a Conta Interna de Crédito (CIC) onde o recurso estará disponível;
b) Portaria do Diretor da OMPS designando pessoal para constituir a Comissão Permanente de Licitação (COPEL) conforme o parágrafo 4°, artigo 51 da Lei das Licitações composto de um presidente e três membros e seus respectivos suplentes;
c) Portaria do diretor da OMPS designando o Ordenador de Despesa; d) Autorização de Abertura do Processo de Licitação, assinado pelo Ordenador de Despesa, indicando os recursos orçamentários para as despesas, nos termos do caput do artigo 38 da Lei das Licitações. Neste
documento o Ordenador atribui um número ao Processo, define a modalidade e o tipo da licitação, o objeto e o custo estimado;
e) Minuta do Edital de Licitação, elaborada pela Comissão Permanente de Licitação. Este documento é enviado para a Assessoria Jurídica da Diretoria Geral do Material da Marinha (DGMM) para análise e aprovação; e
f) Edital de Licitação, elaborado pela COPEL. De acordo com o artigo 40 da Lei 8.666/93, o Edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor - no caso deste trabalho, repartição é a Marinha e o setor, uma OMPS -, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e da proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte:
I) objeto da licitação;
II) prazo e condições para assinatura ou retirada dos instrumentos, para execução do contrato e para entrega do objeto da licitação;
III) sanções para o caso de inadimplemento;
IV) local onde poderá ser examinado e adquirido o projeto básico;
V) se há projeto executivo disponível na data de publicação do edital e o local onde possa ser examinado e adquirido;
VI) condições para participação na licitação e forma de apresentação das propostas;
VII) critério para julgamento, com disposições claras e parâmetros objetivos;
VIII) locais, horários e códigos de acesso dos meios de comunicação à distância em que serão fornecidos elementos, informações e esclarecimentos relativos à licitação e as condições para atendimento das obrigações necessárias ao cumprimento de seu objeto;
IX) condições equivalentes de pagamento entre empresas brasileiras e estrangeiras, no caso de licitações internacionais;
X) critérios de aceitabilidade dos preços unitários e global, conforme o caso, vedada a fixação de preços mínimos, critérios estatísticos ou faixas de variação em relação a preços de referência;
XI) critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela;
XII) limites para pagamento de instalação e mobilização para execução de obras ou serviços que serão obrigatoriamente previstos em separado das demais parcelas, etapas ou tarefas;
XIII) condições de pagamento, prevendo:
- prazo de pagamento não superior a trinta dias, contando a partir da data final do período de adimplemento de cada parcela;
- cronograma de desembolso máximo por período, em conformidade com a disponibilidade de recursos financeiros;
- critério de atualização financeira dos valores pagos, desde a data final do período de adimplemento de cada parcela até a data do efetivo pagamento;
- compensações financeiras e penalizações, por eventuais atrasos, e descontos, por eventuais antecipações de pagamentos; e
- exigência de seguros, quando for o caso;
XIII) instruções e normas para os recursos previstos nesta Lei; XIV) condições de recebimento do objeto de licitação; e
XV) outras indicações específicas ou peculiares da licitação.
2.3 – Ações que precedem a execução do Contrato
a) inteirar-se, em detalhe, de todas as cláusulas e condições do instrumento contratual e de seus anexos: Projeto Básico, Proposta de planilha de preços da Contratada, e Cronograma Físico-Financeiro;
b) verificar, junto a Comissão Permanente de Licitação, se houve algum fato superveniente, que modifique as condições contratuais (prazos de execução, vigência e especificação do objeto, etc);
c) convocar a Contratada para reunião a ser conduzida pelo setor de Segurança e Engenharia do Trabalho, sobre medidas preventivas contra acidentes e tomar conhecimento dos procedimentos de segurança denominadas “Regras de Segurança para Firmas Contratadas” elaboradas pelas OMPS.
d) como as OMPS´são unidades da Marinha, portanto áreas de segurança nacional, o fiscal deverá providenciar documentação interna junto à Divisão de Segurança da Unidade via Coordenadoria de Inteligência, para entrada de pessoal e de veículo da Contratada cumprindo os procedimentos determinados por seta Divisão; e
e) liberação de áreas para instalação de canteiro de obras ou serviços e “containers”, devendo cumprir o seguinte procedimento:
- solicitar ao setor da OMPS que cuida do patrimônio da Unidade normalmente denominado “Prefeitura” a definição das áreas;
- solicitar, à Contratada, a relação detalhada de todo material existente no interior dos “containers”;
- inspecionar junto com o representante da Divisão de Segurança, a entrada e saída de “containers” da Unidade e de todo o material existente nos mesmos, comparando com a listagem fornecida pela Contratada;
- notificar a Contratada de que todos os “containers” deverão ser pintados de branco, para diferenciar com os “containers” da Unidade que são pintados de cinza, e deverão ser identificados com os seguintes dados: nome da Empresa Contratada, número do Contrato, responsável pela fiscalização e o prazo de execução da obra ou serviço; e
- verificar se os “containers” que tenham dependências sanitárias possuem vasos sanitários químicos, sem esgoto para o exterior;
2.4– Ações decorrentes do período de execução do Contrato
a) exercer o controle da qualidade técnica das obras ou serviços, dentro dos padrões estabelecidos no Projeto Básico;
b) cuidar para que a Contratada utilize procedimentos seguros e mantenha seu pessoal devidamente protegido, de forma a evitar acidentes ou incidentes;
c) prever, com antecedência necessária para o cumprimento do disposto nos artigos 57 e 65 da Lei 8.666/93, as mudanças contratuais relativas a acréscimos, supressões, prazos, sujeitos ou não a elaboração de Termo Aditivo(TA);
d) conhecer, com pleno domínio, os prazos parciais e total do Cronograma Físico-Financeiro constantes do Projeto Básico, bem como os itens de obras ou serviços da planilha de preços, afim de identificar, previamente, a necessidade de aprovação das mudanças citadas no item anterior;
e) cumprir o estabelecido pela Lei 8.666/93, todas as vezes que ocorrer atraso que seja reconhecido como “justa causa” pela fiscalização,
f) certificar os Títulos de Crédito (TC). É importante orientar a Contratada, que os TC deverão dar entrada nas Secretarias Gerais das OMPS para serem protocoladas a fim de seguirem os trâmites legais até o seu pagamento. Em nenhuma hipótese o fiscal deve certificar o TC que não esteja devidamente protocolado. Se o serviço estiver concluído, certificar o TC, informando a data real de conclusão e a data contratual. Se o serviço não puder ser certificado, devolver o TC para a Contratada através da Secretaria Geral com uma exposição clara dos motivos que impediram a certificação;
g) exigir da Contratada o comprovante de quitação do INSS(GRPS) dos funcionários empregados na execução do objeto, que deverá ser apresentado junto com a folha de pagamento e do comprovante de recolhimento do FGTS (Certificado de Regularidade da Situação –CRS), ambos referente ao mês anterior TC. Sem estes comprovantes o fiscal não deve certificar o TC independente se o serviço estiver concluído;
h) assegurar o preenchimento correto do Registro de Ocorrência (RO) ou documento que o substitua , quando este for previsto no Contrato;
i) comunicar de maneira formal e imediatamente ao Departamento de Aquisições e ao setor responsável pelas Requisições, as ocorrências que
impeçam a execução do objeto do Contrato ou que venham a causar atrasos passíveis de aplicação de multa ou rescisão do Contrato;
j) solicitar a presença imediata dos responsáveis pela Contratada, sempre que seu preposto ou subcontratado se mostrar incapaz de solucionar qualquer tipo de problema, para que se chegue à melhor solução para a Administração;
k) aceitar somente eventos de obras ou serviços, após os mesmos terem sido efetivamente concluídos pois, caso não proceda desta maneira, poderá responder, subsidiariamente com a Contratada, por todas as conseqüências advindas de tal decisão;
l) rejeitar – no todo ou em parte – obra ou serviço executado em desacordo com o Contrato; e
m) exigir, à luz dos instrumentos previstos no Contrato, que a Contratada repare, corrija, remova, reconstrua ou substitua as suas expensas – no todo ou em parte – o objeto do Contrato em que se verificarem, vícios, defeitos ou incorreções resultantes da execução ou de materiais empregados, fazendo constar tal ato no Registro de Ocorrência, quando aplicável.
CAPÍTULO I I I
PROPOSTA PARA CAPACITAÇÃO DO FISCAL
3.1 – Introdução
O presente capitulo pretende apresentar propostas para capacitação do servidor público da carreira de Tecnologia Militar na função de fiscal de contrato de serviços de engenharia aplicados a construção naval no âmbito do Comando da Marinha.
Os servidores desta carreira são engenheiros e técnicos da área tecnológica e em sua maioria não possuem conhecimento na área administrativa por não fazer parte de sua formação acadêmica sentindo grande dificuldade nesta questão na fiscalização de um contrato. Portanto a solução para este problema seria a separação das funções de gestão e fiscalização sugerido por Pércio (2008), em seu trabalho “Plano geral de gestão e fiscalização de contratos – Rotinas e Procedimentos “ transcritas a seguir.
3.2 – Separação das atribuições do Fiscal e do Gestor
Ao gestor delega-se o acompanhamento formal nos aspectos administrativos, procedimentais e contábeis, e ao fiscal, detentor de conhecimentos técnicos na área do objeto, o acompanhamento e fiscalização da execução in loco. Essa metodologia pode ser usada a critério da Administração, conforme suas necessidades reais e concretas.
Gestor e fiscal devem em conjunto, recíproca e harmoniosamente , desenvolver um ciclo que se inicia na assinatura do contrato e finaliza com o pagamento ao contratado, após o recebimento definitivo do objeto. Pércio sugere a seguinte divisão de atribuições:
FISCAL:
Acompanhamento in loco da execução; Avaliação Técnica da execução;
Apontamento de faltas cometidas pelo contratado; Determinação de correção e readequação;
Verificação de cumprimento material e formal do contrato; Instrução do processo referente a modificações contratuais; Instrução do processo para a prorrogação de prazos;
Instrução do processo para aplicação de penalidades; Instrução do processo para rescisão contratual;
Realizações de medições e solicitações de pagamentos; Atuação no recebimento do objeto; e
Elaboração de relatórios, a serem enviados ao gestor para análise e posterior anexação ao processo.
GESTOR:
Parte gerencial e administração/contábil do contrato;
Análise dos relatórios e solicitações dos fiscais, referentes a modificações, prorrogações, faltas cometidas pelo contratado, com indicação de penalidade cabível e da necessidade ou não de rescisão contratual, com abertura do contraditório e da ampla defesa, e posterior encaminhamento à autoridade competente para decidir/autorizar o ato;
Solicitação de parecer jurídico ou técnico nas situações acima, quando necessário;
Análise e manifestação sobre os relatórios dos fiscais e documentos constantes do processo, relacionados a recebimento e pagamento;
Liberação dos pagamentos, de acordo com o relatório dos fiscais; Retenção dos pagamentos, de acordo com o relatório dos fiscais; e Realização de procedimentos para cobrança de multas e execução de garantia.
3.3 – Proposta para capacitação do fiscal
–
Indicação de Fiscal e Gestor para cada contratoAtualmente, o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, a maior OMPS, nomeia ´somente um servidor para fiscalizar e gerenciar o contrato, gerando dificuldades para este funcionário exercer esta função conforme comentado acima. A proposta é nomear um fiscal e um gestor para cada contrato com a divisão de atribuições apresentadas no item 3.2;
– Rotinas e procedimentos
Para que o fiscal cumpra suas atribuições satisfatoriamente, Pércio, sugere os seguintes rotinas e procedimentos:
a) Boletim de Fiscalização (BF)
O Fiscal deve passar em visita ao local da execução da obra ou serviço, avaliando as condições de sua execução e anotando em registro próprio, que pode ser chamado de Boletim de Fiscalização. Tais documentos devem ser arquivados no local da execução, sob responsabilidade do fiscal, que integrarão posteriormente os autos do processo de contratação.
BOLETIM DE FISCALIZAÇÃO (BF)
BF nº Contrato nº Data: !) Rotina (por onde andou, com quem conversou, o que vistoriou): 2) Situação da execução:
3) Faltas apuradas:
4) Justificativas preliminares da Contratada: 5) Determinação do Fiscal:
Assinatura do Fiscal:
b) Notificação de Infração Contratual (NIC)
Ao constatar infração contratual, o Fiscal deverá expedir a NIC ao contatado, determinando as providências para a readequação e prazo para
respectivo cumprimento ou apresentação das justificativas. Corrigindo o problema, a questão se resolverá no âmbito da fiscalização , podendo ter o seguinte modelo:
NOTIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO CONTRATUAL (NIC) NIC nº Contrato nº Data: 1) Infração cometida:
2) Determinação do fiscal:
3) Indicação da penalidade prevista no Edital para falta cometida: Assinatura do Fiscal:
Assinatura do representante da Contratada:
c) Auto de Infração Contratual (AIC)
Não havendo atendimento às determinações do Fiscal, ou as justificativas apresentadas pela Contratada não sejam satisfatórias, será lavrado o Auto de Infração Contratual (AIC), com cópia ao preposto da Contratada. Este documento será enviado ao Gestor do contrato contendo as considerações do Fiscal sobre a situação da execução, as justificativas preliminares da Contratada e também a avaliação técnica das conseqüências lesivas da conduta da Contratada para execução do objeto.
AUTO DE INFRAÇÃO CONTRATUAL (AIC)
AIC nº Contrato nº Data: 1) Infração cometida:
2) Considerações do fiscal: 3) Avaliação técnica:
Assinatura do Fiscal:
Assinatura do representante da Contratada:
d) Relatórios Periódicos de Acompanhamento (RPA)
Em periodicidade a ser definida pela Administração, cabe elaborar um relatório informando a situação contratual daquele período a as providências eventualmente adotadas. O objetivo é a remessa do documento ao Gestor do contrato para ciência da situação vigente e eventual apontamento. Pode ser
estabelecido prazo que coincida com o cronograma físico-financeiro, caso em que o RPA e o Relatório de Medição e Solicitação de Pagamento poderão se fundir em um só.
RELATÓRIO PERIÓDICO DE ACOMPANHAMENTO (RPA) RPA nº Contrato nº Objeto: Fiscal: Gestor:: Data:
Avaliação Técnica sobre a execução Assinatura do Fiscal:
e) Relatório de Medição e Solicitação de Pagamento (RMSP)
O Fiscal deve elaborar, de acordo com o cronograma físico-financeiro, o relatório contendo as medições da obra ou serviço, os quais instruirão a solicitação de pagamento. Este documento deve informar a situação da obra ou serviço em quantidade executada, e o grau de qualidade. Seu conteúdo pode ser incluído no RPA se a periodicidade for a mesma.
RELATÓRIO DE MEDIÇAO E SOLICITAÇÃO DE PAGAMENTO (RMSP) RMSP nº Contrato nº Objeto: Fiscal: Gestor:: Data: 1)Situação da Obra/Serviço:
2)Grau de satisfação da execução: 3)Observações:
f) Requisição de Modificações Contratuais (RMC) e instrução do processo
Ao surgir, no decorrer da execução do contrato, a necessidade de modificar o projeto ou especificações do objeto, bem como quantidades do mesmo, o Fiscal deverá encaminhar o expediente (RMC) ao Gestor, devidamente fundamentado para as necessárias providências.
RELATÓRIO DE MODIFICAÇÃO CONTRATUAL (RMC) RMC nº Contrato nº Data: Fiscal:
Gestor::
1) Situação vigente (objeto contratual):
2) Fato superveniente que enseja a modificação: 3) Natureza da modificação e quantidades envolvidas: Assinatura do Fiscal:
– Limitação da quantidade de contratos por Fiscal
A fiscalização de um contrato não é a atividade principal desses servidores, que ocupam cargos de grande responsabilidade cuja a carga de trabalho exige dedicação integral. Muitos destes profissionais são fiscais de vários contratos com graus de complexidades diversos e conseqüentemente sujeito a falhas na fiscalização. Diante dos fatos, a limitação da quantidade de contratos por funcionário para sua fiscalização seria uma medida a ser adotada pela Administração;
– Criação de um manual de instruções para os Fiscais de Contrato
Este Manual teria como propósito orientar todos os Fiscais visando ao aumento de eficiência na fiscalização técnica e administrativa. Seu conteúdo teria basicamente as atribuições dos fiscais apresentadas no capítulo anterior e mostrando as rotinas e procedimentos sugeridas no item “Rotinas e procedimentos”, visando também uma padronização nas documentações apresentadas pelos Fiscais.
– Implantação de cursos regulares para formação de Fiscais
Estes cursos teriam não só a finalidade de apresentar as atribuições do Fiscal como também promover debates entre os servidores que exerceram e exercem esta função onde seriam apresentados suas principais dificuldades e principalmente, sugestões de aprimoramento para melhoria da fiscalização
.
CONCLUSÃO
A Administração Pública tem o dever de acompanhar e fiscalizar a execução do contrato, para verificar o cumprimento das disposições técnicas e administrativas acordadas.
A fiscalização do contrato visa assegurar a efetiva realização do serviço contratado pelo Estado, e portanto a Administração deve manter durante a sua execução, profissional habilitado, com experiência técnica necessária para acompanhar e controlar o serviço que está sendo executado.
Para atuar de maneira eficaz, o fiscal de contrato deve deter conhecimentos sobre a visão sistêmica do processo de Contratação na Administração Pública, envolvendo todas as etapas: planejamento, o processo licitatório, a fiscalização e o gerenciamento do contrato, observando as fases da despesa pública (empenho, liquidação e pagamento) e, o resultado positivo para a Instituição.
Em princípio, o Estado não será responsável pelos danos provocados por atos da Contratada, mas a existência de defeitos na fiscalização pode torná-lo responsável perante terceiros ou mesmo isentar a Contratada da responsabilidade. Nessa hipótese, haverá necessidade de ser demonstrada a culpa.
Este trabalho visou demonstrar a importância de uma fiscalização eficaz para a execução de um contrato como também propiciar uma visão do grau de complexidade do processo de contratação de um serviço pela Administração Pública, desde seu planejamento até a sua conclusão.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
JUSTEM FILHO, Marçal. Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. São Paulo: Dialética, 2004
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. São Paulo: Editora Atlas, 2000
MOTA, Carlos Pinto Coelho. Eficácia nas licitações e contratos. Belo Horizonte: Del Rey, 2002
PÉRCIO, Gabriela Verona. Plano Geral de Gestão e Fiscalização de Contrato – Rotinas e Procedimentos Escola Superior de Advocacia – ESA/PR, 2008
Constituição da República Federativa do Brasil. Serie Legislação Brasileira, Editora Saraiva, 1988.
Lei n° 8.666 – Normas Gerais sobre Licitações e Contratos Administrativos (Lei das Licitações) – de 21 de junho de 1993.
Lei n°9.648 – Altera o artigo 23 da Lei n° 8.666/93, atualizando os limites de valores para cada modalidade de licitação - de 27 de maio de 1988
Lei n° 10.250 – Institui Modalidade de Licitação Denominada Pregão para Aquisição de Bens e Serviços – de 17 de junho de 2002.
Decreto n° 3.555 – Aprova o Regulamento para Modalidade de Licitação Denominada Pregão para Aquisição de Bens e Serviços – de 08 de agosto de 2000.
Portaria n° 241 da Marinha do Brasil – Diretrizes do COFAMAR para Enquadramento nos casos de Dispensa de Licitação, e de Inexigibilidade de Licitação – de 25 de setembro de 2001.
Instrução Normativa n° 02 de 1988 do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão – Disciplina a contratação de serviços por Órgãos Públicos – de 30 de abril de 2008.
Ordem Interna do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (ORDINAM-ORG-005) – Orçamento Plurianual – 1999
Ordem Interna do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (ORDINAM-MAT-005) – Normas para elaboração do Projeto Básico – 2005
Ordem Interna do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (ORDINAM-MAT-018B) – Processo Administrativo de Dispensa ou de Inexigibilidade de Licitação – 2005.
Ordem Interna do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (ORDINAM-MAT-020) – Fiscalização de Acordos e Atos Administrativos - 2004
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTOS 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO IO Processo de Contratação na Administração Pública 12 1.1 – Planejamento das Compras
1.1.1- Plano Plurianual 12 1.1.2- Orçamento Anual 14 1.2 – Licitação 15 1.2.1 – Modalidades de Licitação 16 1.2.2 – Projeto Básico 18 1.2.3 – Termo de Referência 20 1.3 – Contratação Direta 21 CAPÍTULO II
Atribuições do Fiscal de Contrato 25
2.1 – Introdução 25
2.2 – Ações que precedem o certame licitatório 26 2.2.1 – Documentos elaborados pelo Fiscal 26
2.2.2 – Controle dos demais documentos 27
2.3 – Ações que precedem a execução do Contrato 29 2.4 – Ações decorrentes do período de execução de Contrato 30
CAPÍTULO III
Proposta para capacitação do Fiscal 33
3.1 – Introdução 33
3.2 – Separação das atribuições do Fiscal e do Gestor 33 3.3 – Proposta para capacitação do Fiscal 35
CONCLUSÃO 40
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 41
ÍNDICE 43
FOLHA DE AVALIAÇÃO
Nome da Instituição: Universidade Cândido Mendes – Instituto a Vez do Mestre
Título da Monografia: Fiscalização de Contrato de Serviços de Engenharia em Órgão Público
Autor: Henrique de Marca Neto
Data da entrega: