O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 2 ÍNDICE
1. Introdução 5
2. Glossário de termos 7
3. Antecedentes do meio ambiente em Moçambique 9
3.1 A Constituição 9
3.2 Legislação Ambiental 9
4. A obtenção duma Licença Ambiental 11
4.1 Tipos de Licenças 11
4.2 Procedimentos para a Obtenção duma Licença 12
4.2.1 Etapas do Licenciamento Ambiental 12
4.2.1.1 Licenciamento de actividades de Categoria A 16 4.2.1.2 Licenciamento de actividades de Categoria B 16 4.2.1.3 Licenciamento de actividades de Categoria C 17
4.2.2 Validade, Cancelamento e Revogação 18
4.2.3 Taxas 19
4.2.4 FAQs (Perguntas Frequentes) 19
4.3 Estudos de Impacto Ambiental 21
4.3.1 EPDA 21
4.3.2 TdR 21
4.3.3 EIA 22
4.3.4 EAS 25
4.3.5 FAQs 26
4.4 Processo de Participação Pública 27
4.4.1 Consulta Pública – responsabilidade do requerente 27
4.4.2 Consulta Pública – responsabilidade do MICOA 28
4.4.3 FAQs 29
4.5 Auditorias Ambientais 30
4.5.1 FAQs 31
4.6 Infracções Legais e Danos Ambientais 32
4.7 Formas Especiais de Licenciamento Ambiental 33
4.7.1 Terra 33
4.7.2 Água 34
4.7.3 Gestão dos Recursos Naturais, Áreas Protegidas e Património 35
4.7.4 Exploração Mineira 37
4.7.5 Efluentes e Emissões 40
4.7.6 Pescas 40
4.7.7 Pesticidas 41
4.8 Licenciamento de Consultores Ambientais 41
4.9 Lista de Controlo 43 4.9.1 Pré-avaliação 43 4.9.2 Actividades de Categoria A 44 4.9.3 Actividades de Categoria B 45 4.9.4 Actividades de Categoria C 46 5. Anexos 47
Anexo 5.1 Categorias de AIA Anexo 5.2 Ficha da AIA
Anexo 5.3 Lista da Legislação Ambiental e da Legislação Sectorial com Implicações Ambientais
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 3
6.1 Actividades de Categoria A 55
6.2 Actividades de Categoria B 55
6.3 Actividades de Categoria C 56
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 4 Prefácio
A Direcção Provincial para a Coordenação da Acção Ambiental de Sofala, tem no rol das suas atribuições o licenciamento ambiental de actividades, como uma medida para a promoção de boas práticas e benignas ao ambiente assim como para a promoção do desenvolvimento sustentável no geral.
O licenciamento ambiental à luz da legislação ambiental em vigor é principalmente regido pela lei do ambiente (Lei 20/97, de 1 de Outubro), pelo Regulamento sobre o processo de Avaliação do Impacto Ambiental (Decreto 45/2004, de 29 de Setembro) e diversa legislação específica.
A divulgação dos mecanismos práticos do licenciamento ambiental afigura-se extremamente importante para o estabelecimento de novos empreendimentos e/ou a regularização dos já existentes, por constituir uma oportunidade impar de participação do empreendedor na preservação do ambiente e na promoção da produção cada vez mais limpa.
São vários os problemas ambientais com que a província de Sofala se debate, sendo de destacar a poluição nas suas diversa formas, a descarga de efluentes líquidos em lugares e locais impróprios, a gestão inadequada de resíduos sólidos, a prática de acções que promovem a erosão de solos, a prevalência de queimadas descontroladas, o inadequado saneamento do meio, entre outros. A minimização destes problemas é possível, bastando para tal que cada um de nós assuma um papel preponderante de agente da conservação do ambiente.
A preservação do ambiente deve constituir um dos pontos cimeiros na agenda de todo Empresariado e da sociedade civil em geral de forma a se promover o desenvolvimento sustentável na nossa província.
A ACIS, liderando uma troika de parceiros, tem vindo a envidar esforços no apoio ao Empresariado através da divulgação de legislação pertinente ao exercício da actividade empresarial, no âmbito da iniciativa denominada o quadro legal, o que é de saudar e encorajar a sua continuidade.
Na presente edição, é abordado o quadro legal para o licenciamento ambiental em Moçambique, fruto da conjugação de esforços com vista a se levar ao conhecimento do Empresariado, o necessário para uma convivência sã com o ambiente e preservação da natureza.
A esperança com a publicação da presente edição é que o Empresariado encontre neste livro o essencial para o licenciamento ambiental em Moçambique e a legislação conexa. Os comentários e sugestões sobre a presente edição são bem vindos para o melhoramento das edições futuras sobre o licenciamento ambiental em Moçambique. Beira, Junho de 2009
Maurício Xerinda
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 5
1 INTRODUÇÃO
Este livro é um duma série que visa apoiar os investidores em empreendimentos económicos em Moçambique. Ele baseia-se na ideia que investidores bem informados poderão mais facilmente agir em conformidade com a lei, e na convicção que o direito é o melhor garante da propriedade e do desenvolvimento ordeiro e sustentável.
A série foi produzida em conjunto por algumas instituições, incluindo a GIZ Pro-Econ (Ambiente Propício para o Desenvolvimento Económico Sustentável), a GIZ PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural), o Projecto GERENA (Gestão de Recursos Naturais), o CFJJ (Centro de Formação Jurídica e Judiciária), a SAL e Caldeira Advogados Lda. e a ACIS. Pela combinação da experiência destas instituições, esperamos oferecer conselhos claros e práticos aos investidores devidamente enraizados na lei. Este livro é dirigido em primeiro lugar aos investidores mas é também uma ferramenta para as comunidades locais e para aqueles que com elas trabalham, e mais ainda para aqueles do sector público que promovem o desenvolvimento económico em Moçambique. Contudo, o livro não pode ser tudo para todos. Muita coisa de boa qualidade já foi escrita sobre questões ambientais em Moçambique e aproveitámo-nos disso para a nossa pesquisa. Para aqueles que estão interessados em saber mais sobre este assunto complexo, elaborámos uma curta mas de certa maneira abrangente, bibliografia dos textos que achámos de utilidade.
Na medida em que fomos elaborando o livro, houve momentos de desacordo em relação ao que seria o procedimento “correcto”. Aprofundando esta questão, chegámos à conclusão que é assim porque em alguns casos os assuntos são tratados de forma diferente em diferentes partes do país. Enquanto as fontes da legislação que regulam a maioria dos procedimentos se encontram uniformizadas a nível nacional, a interpretação local pode variar. Estas diferenças raramente são de grande importância, mas, porque este livro é um manual para vários fins, achámos importante observá-las. Por isso, tomámos os procedimentos como são seguidos na Província de Sofala como referência e, quando tivemos conhecimento, tomámos nota de quaisquer diferenças na forma de lidar com os procedimentos em outras partes do país.
O livro faz referência a alguns requisitos legais adicionais, tal como os requisitos para a constituição duma empresa em sociedade comercial e para a aquisição do direito do uso e aproveitamento de terra. Estes são assuntos complexos por si só e cada um deles é o assunto dum livro nesta série. Optámos por não dar um tratamento detalhado a estas questões aqui mas recomendamos o leitor que consulte os outros títulos desta série. Neste contexto, na versão do livro na língua inglesa surgiu a questão da escolha do uso de termos em inglês ou em português. Optámos por introduzir ambos os termos em conjunto e depois usar o termo em português. Apesar disto puder inicialmente parecer inconveniente para aqueles que não estão familiarizados com o português, achamos que, em última análise, isto irá ajudar os leitores falantes de inglês a familiarizarem-se com a terminologia básica do licenciamento ambiental em Moçambique. Um glossário dos termos usados em português encontra-se incluído.
Poderão fazer o download dos outros livrinhos da série do site da Internet da ACIS,
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 6
Procurámos ser precisos, mas é possível que tenhamos feito alguns erros, e sem dúvida cometemos algumas omissões. Por outro lado, a lei e a administração pública são assuntos dinâmicos, e é muito provável que num futuro próximo, alguma lei ou regulamento descrito aqui seja alterado. Esperamos corrigir os erros e suprir as omissões numa próxima edição. Então, informe-nos por favor sobre quaisquer que você encontre. Entretanto, a natureza detalhada da matéria bem como a prudência comum obrigam-nos a declinar qualquer responsabilidade para estes erros ou omissões. Em casos de dúvida, aconselhamos os leitores a procurarem aconselhamento jurídico.
Esperamos que você ache de utilidade este livro e os outros da série. Moçambique é um país maravilhoso e, como empreendedor que cria riqueza e emprego, você tem um papel importante a desempenhar na sua construção. O nosso papel é ajudá-lo a desempenhar o seu. Força!
Os direitos de autor deste livro pertencem em conjunto à GIZ, GERENA e ACIS. Se você fizer citações do livro faça, por favor, referência à fonte. Todos os direitos são reservados.
Uma observação sobre as notas de rodapé: Este livro não foi concebido para juristas, e embora estejamos esperançados que também venha a ser de utilidade para eles, consideramos que as notas de rodapé, quando incluídas, deveriam ser facilmente acessíveis ao leitor comum sem formação jurídica. Por isso, démos a citação formal de partes de legislação no texto onde aparecem pela primeira vez. Referências subsequentes usam o “nome” da legislação, por exemplo a Lei do Ambiente, Regulamento Ambiental etc.
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 7
2 GLOSSÁRIO DE TERMOS
Em baixo apresentamos uma lista de alguns dos termos que o leitor irá encontrar durante o processo de licenciamento ambiental. Os termos definidos são apresentados em negrito.
AA Auditoria Ambiental. Uma auditoria ambiental.
AIA Avaliação de Impacto Ambiental. É o conjunto completo de procedimentos a
partir da apresentação da informação inicial sobre uma actividade proposta para uma pré-avaliação até a emissão duma licença ambiental.
Alvará Licença para uma empresa poder fazer negócios ou operar.
ARA Administração Regional de Águas. O órgão responsável pela emissão de licenças
do uso de água.
Assinatura Reconhecida
A assinatura num documento comparada com a assinatura num documento de identidade e carimbado como estando conforme, pelo Notário.
Balcão
Único Lugar de atendimento único e abrangente. Estas entidades foram criadas nascapitais provinciais. Até agora eles recebem os pedidos de licenças para licenças comerciais e industriais e para autorizações de importação e exportação, se bem que ao abrigo de novos regulamentos o seu papel será alargado para passar a cobrir outros procedimentos nos processos da constituição e registo de sociedades comerciais, possivelmente incluindo a recepção de documentos relacionados com a
AIA. Boletim da
Republica O boletim oficial do Governo de Moçambique, no qual as leis e regulamentos, bem como os estatutos das empresas, devem ser publicados.
Certidão de Registo Comercial
Certidão do registo comercial duma empresa, às vezes chamada de certidão comercial.
Cópia
autenticada Cópia dum documento comparado com o original e carimbado como estando conforme pelo Notário.
DPCA Direcção Provincial para a Coordenação da Acção Ambiental. Representação
provincial do MICOA.
DUAT Direito de Uso e Aproveitamento de Terra. Título para o uso e aproveitamento
de terra ou título de uso de terra.
EAS Estudo Ambiental Simplificado. É um estudo de impacto ambiental simplificado
que pode ser exigido como parte da AIA.
EIA Estudo de Impacto Ambiental. Um estudo de impacto ambiental que pode ser
exigido como parte da AIA.
EPDA Estudo de Pré-Viabilidade e Definição do Âmbito. Um estudo prévio que pode
ser exigido como parte da AIA.
MICOA Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental. O Ministério que
superintende a área do meio ambiente.
Notário Os Serviços de Notariado, responsáveis pela elaboração de escrituras públicas (incluindo para a constituição de empresas em sociedade comercial), a validação oficial de alguns outros actos legais, e a reconhecimento de assinaturas e autenticação de documentos, entre outras funções. Em Maputo, há uma série de escritórios destes serviços distribuídos pela cidade.
NUIT Número Único de Identificação Tributária, ou número de registo tributário. Por vezes refere-se também ao NUIT como o número de registo do IVA. O NUIT deve ser claramente impresso em todas as facturas e recibos, devendo também
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 8
aparecer em quaisquer facturas e recibos emitidos na contabilidade da empresa. Os
NUIT’s também referem aos números pessoais de identificação tributária de
pessoas singulares.
Perito
Ambiental Um especialista ambiental que pode ser nomeado pelo MICOA para realizar uma AA. PI&A’s Partes Interessadas e Afectadas. São entidades ou indivíduos interessados e
afectados, convidados a contribuir nas fases da consulta pública da AIA.
Técnico de
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 9
3 ANTECEDENTES DO MEIO AMBIENTE EM MOÇAMBIQUE 3.1 ACONSTITUIÇÃO
Um conjunto de textos legislativos e de políticas dão o contexto legal e os antecedentes do sistema de licenciamento ambiental em Moçambique. Estes textos incluem a Constituição da República de 2004 e a Política Nacional do Ambiente. Outras áreas de legislação com impacto no licenciamento ambiental incluem aquelas relacionadas com a terra e com o uso da água, e o património nacional. Em sectores específicos como, por exemplo, a indústria mineira e as pescas, deve tomar-se em conta a legislação sectorial. Na medida em que o desenvolvimento e o investimento aumentam em Moçambique, a pressão sobre o ambiente também aumenta e os investidores devem estar conscientes da possibilidade de se promulgar legislação ambiental específica para o seu sector. Como sempre, em caso de dúvida recomendamos o leitor a procurar aconselhamento jurídico. A Constituição de Moçambique estabelece o direito de viver num ambiente equilibrado e o dever de o defender.1 O Estado e as autoridades locais são obrigados a adoptar
políticas de defesa do ambiente e a garantir a utilização responsável dos recursos naturais.2 Para garantir o direito a um ambiente favorável enquanto se reconhece a
necessidade dum desenvolvimento sustentável, o Estado deve adoptar políticas que previnem e controlam a poluição e a erosão, integrar os objectivos ambientais nas políticas sectoriais e promover a integração dos valores do ambiente nas suas políticas e programas educacionais.
O Estado é também obrigado pela Constituição a garantir a utilização sustentável dos recursos naturais e a estabilidade ecológica das gerações vindouras e a promover o ordenamento territorial com vista a uma correcta localização das actividades e a sua contribuição para um desenvolvimento socioeconómico equilibrado.3
A Constituição de 2004 também cria a obrigação das comunidades defenderem o ambiente4 e admite a acção popular na defesa do ambiente.5
3.2 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
O Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental (MICOA) é a instituição governamental responsável por garantir a conservação e utilização sustentável dos recursos naturais, a coordenação das actividades ambientais e o licenciamento ambiental. As Direcções Provinciais para a Coordenação da Acção Ambiental (DPCA) e em alguns casos as Direcções Distritais para a Coordenação da Acção Ambiental (DDCA) são os representantes locais do MICOA.
Em 1995, a Política Nacional do Ambiente (Resolução No 5/95, de 3 de Agosto) foi
aprovada como instrumento de base para o desenvolvimento sustentável em Moçambique, tendo como metas básicas a erradicação da pobreza, melhoria da qualidade de vida e a redução dos danos ambientais.6 A Política requer que o Governo inclua uma
1
Constituição da República de Moçambique, 2004, Artigo 90, número 1
2
Constituição, Artigo 90, número 2 e Artigo 117, número 1
3
Constituição, Artigo 117, número 2
4 Constituição, Artigo 45, alínea f) 5
Constituição, Artigo 81, número 2, alínea b)
6
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 10
componente ambiental em todos os planos de desenvolvimento7 e dê uma indicação
clara ao legislador da importância de questões ambientais.
A Política admite a possibilidade de o Governo estabelecer incentivos para estimular o sector privado a participar na gestão ambiental.8 Também requer que o Governo trabalhe
com as comunidades locais para criar uma melhor compreensão dos padrões da utilização dos recursos, os métodos e costumes tradicionais de gestão,9 e prevê que o
Governo irá reforçar a capacidade das comunidades em conhecer e aplicar regras e princípios de gestão dos recursos naturais.10 A Política considera a criação de condições
legais e capacidade institucional para permitir a descentralização da gestão comunitária dos recursos naturais,11 com o fim de erradicar a pobreza.
Em 1997 aprovou-se a Lei do Ambiente (Lei 20/97, de 1 de Outubro). Esta Lei regula o uso e a gestão do ambiente com a intenção de promover o desenvolvimento sustentável. A Lei contém uma série de definições e estabelece princípios baseados no direito Constitucional a um ambiente favorável. Estes princípios incluem:
o princípio do uso e gestão racionais dos recursos naturais;
o princípio do reconhecimento e valorização dos conhecimentos e tradições comunitárias;
o princípio da gestão ambiental baseada em sistemas preventivos;
o princípio da gestão integrada;
o princípio da participação dos cidadãos; e
o princípio de responsabilidade.
Todos estes princípios inspiram o processo do licenciamento ambiental.
A Lei do Ambiente proíbe a poluição.12 As actividades que aceleram a erosão, a
desertificação, desflorestamento ou qualquer outra forma de degradação do ambiente são também proibidas.13 A Lei também proíbe a importação de resíduos ou lixos perigosos,
salvo o que vier estabelecido em legislação específica.14
A Lei do Ambiente também estipula que o Governo deve estabelecer padrões de qualidade ambiental.15 Estes padrões são definidos como sendo os níveis admissíveis de
poluição prescritos por lei.16 O Regulamento sobre os Padrões de Qualidade Ambiental
foi aprovado em Junho de 200417 e regula a qualidade da atmosfera, da água e do solo
para fins industriais. Este regulamento estabelece padrões de qualidade ambiental e de emissão de efluentes.18
7
Política Nacional do Ambiente, número 2.3.3
8
Política Nacional do Ambiente, número 2.3.11
9
Política Nacional do Ambiente, número 2.3.10
10
Política Nacional do Ambiente, número 2.3.10
11
Política Nacional do Ambiente, número 2.3.10
12
A Lei do Ambiente no seu Artigo 1, número 21 define poluição como “a deposição no ambiente de substâncias ou resíduos, independentemente da sua forma, bem como a emissão de luz, som e outras formas de energia, de tal modo e quantidade tal que o afecta negativamente”.
13
Lei do Ambiente, Artigo 9, número 1.
14
Lei do Ambiente, Artigo 9, número 2. Tal legislação ainda não foi introduzida. No entanto, foi já ratificada a Convenção de Bamako de 30 de Janeiro de 1991, relativa à interdição da importação de Lixos perigosos e ao controlo da movimentação transfronteiriça desses lixos em África (Resolução 19/96 de 26 de Novembro)
15
Lei do Ambiente, Artigo 10, número 1
16
Lei do Ambiente, Artigo 1, número 19
17 Decreto 18/2004, de 2 de Junho - Regulamento sobre Padrões de Qualidade Ambiental e de Emissão de
Efluentes
18
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 11
A Lei do Ambiente prevê a criação de áreas de protecção ambiental,19 que são
submetidas a medidas específicas de conservação e fiscalização incluindo a definição das actividades permitidas ou proibidas no interior da área e nos seus arredores, e a definição do papel das comunidades na gestão destas áreas.20 Aqui a Lei do Ambiente, a Lei de
Terras e a Lei de Florestas e Fauna Bravia sobrepõem-se visto que a Lei de Terras, (Lei 19/97, de 1 de Outubro) estipula que nas zonas de protecção total e parcial, licenças especiais podem ser emitidas autorizando o exercício de determinadas actividades21. A
Lei de Florestas e Fauna Bravia que prevê, também, zonas de protecção destinadas à conservação da biodiversidade e de ecossistemas frágeis ou de espécies animais ou vegetais22, admite a possibilidade de, por razões de necessidade, utilidade ou interesses
públicos ser autorizado o exercício de certas actividades nas zonas de protecção23.
A Lei do Ambiente encontra-se regulamentada por um conjunto de legislação adicional, tanto geral como específica por sector. Veja o Anexo 5.3 para uma lista de legislação aplicável. Esta legislação e os manuais e directivas emitidos pelo Governo foram usados como base para a elaboração deste livro. A complexidade da legislação e a sua diferente aplicação nos diferentes sectores, bem como as fortes penalidades que poderão ser aplicadas a qualquer pessoa que transgride esta legislação obriga-nos a estimular o leitor a procurar aconselhamento especializado se tiver qualquer dúvida sobre o licenciamento ambiental dum projecto ou actividade.
4 OBTENÇÃO DUMA LICENÇA AMBIENTAL
Qualquer actividade que poderá afectar o ambiente carece duma autorização24. A
autorização baseia-se na avaliação do potencial impacto da actividade planeada para determinar a sua viabilidade ambiental, e termina com a emissão duma licença ambiental pelo MICOA25. Os procedimentos descritos abaixo são complexos, podendo por vezes
parecer contraditórios ou sobrepor-se. Por favor, consulte os fluxogramas apresentados na Secção 6 para orientar a sua leitura deste guia.
Observe, por favor, que ao abrigo de mudanças recentes no regulamento ambiental todas as licenças ambientais já concedidas para actividades actualmente em curso são válidos por um período máximo de cinco anos. Depois devem ser reavaliadas através de um novo processo de licenciamento26.
4.1 TIPOS DE LICENÇAS AMBIENTAIS
A Política e a Lei do Ambiente exigem que a gestão do ambiente se baseie em sistemas preventivos, e a Lei do Ambiente e os seus regulamentos estabelecem um conjunto de requisitos preventivos que devem ser satisfeitos antes da emissão duma licença ambiental.
19
Lei do Ambiente, Artigo 13, número 1
20
Lei do Ambiente, Artigo 13, número 1, número 3, número 4
21
Lei de Terras (Lei 19/97, de 1 de Outubro), Artigo 9
22
Lei de Florestas e Fauna Bravia, artigo 10, número 1
23
Lei de Florestas e Fauna Bravia, artigo 10, número 8
24
Lei do Ambiente, Artigo 15, número 1
25
Lei do Ambiente, Artigo 15, número 2
26 Decreto 42/2008, de 4 de Novembro, Artigo 20, número 3 – o requerimento para renovação deve ser submetido
até 180 dias antes do termo da validade da licença, e no caso de actividades de Categoria A e B está sujeita ao pagamento duma taxa.
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 12
Os Anexos I, II e III do Regulamento da Avaliação do Impacto Ambiental (Decreto 45/2004 de 29 de Setembro) dividem as actividades potenciais em três categorias baseadas no seu provável impacto no ambiente:
Categoria A: Está sujeita a um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) completo;
Categoria B: Está sujeita a um Estudo Ambiental Simplificado (EAS);
Categoria C: Está sujeita à observância das normas de boa gestão ambiental Veja o Anexo 5.1 para uma lista das actividades pertencentes a cada categoria.
Quaisquer outras actividades, não constantes destes Anexos, mas susceptíveis de causar um impacto negativo significativo sobre o ambiente estão sujeitas a uma pré-avaliação pelo MICOA. Esta pré-avaliação consiste numa análise ambiental preliminar que determina a categoria da actividade proposta e determina o tipo de avaliação ambiental a efectuar.27 Como resultado da pré-avaliação o MICOA pode: rejeitar a implementação da
actividade proposta; categorizar a actividade e consequentemente determinar o tipo de avaliação ambiental a ser efectuada, nomeadamente um EIA ou um EAS; ou isentar a actividade da necessidade de se efectuar um EIA ou um EAS.28
O MICOA pode também pedir uma auditoria a actividades existentes que tiveram o seu início antes da entrada em vigor da actual legislação, ou que inicialmente não estavam abrangidas pela legislação.
Deve observar-se que qualquer mudança significativa duma actividade existente (incluindo por exemplo uma mudança da actividade, da construção, a expansão da actividade ou a extensão de instalações existentes) que já possui uma licença ambiental está sujeita a uma nova avaliação do impacto ambiental.
4.2 PROCEDIMENTOS PARA A OBTENÇÃO DUMA LICENÇA
Faz-se um requerimento para uma licença ambiental durante a fase de preparação e planeamento dum projecto. Deve-se observar que a emissão de certas outras licenças (tal como uma licença de operações industriais, licença de concessões florestais, licença de turismo e aprovação final pelo CPI) depende da emissão anterior duma licença ambiental. Quando a legislação é omissa em relação a aspectos específicos relacionados com actividades licenciadas pelo MICOA, os termos da própria licença ambiental darão os pormenores das obrigações impostas na base da Avaliação do Impacto Ambiental.
4.2.1 Etapas do Licenciamento Ambiental
Qualquer tipo de actividade ou projecto de investimento que pode ter um impacto ambiental deve primeiro requerer uma Avaliação de Impacto Ambiental (AIA). O processo da AIA começa com uma pré-avaliação. Esta avaliação determina, ou confirma (na base da categoria à qual a actividade pertence) o tipo de avaliação que será exigida antes da emissão duma licença.
Para desencadear o processo de AIA o requerente deve apresentar o seguinte:29
Memória descritiva da actividade;
Descrição da actividade
27
Regulamento sobre o Processo de Avaliação do Impacto Ambiental, Artigo 1, número 28 e Artigo 7, número 1
28
Regulamento sobre o Processo de Avaliação do Impacto Ambiental, Artigo 7, número 2
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 13 Justificativa da actividade;
Enquadramento legal da actividade (isto inclui, por exemplo, a prova documental do registo duma empresa, como a certidão comercial, um título de terra provisório ou DUAT ou uma outra autorização mostrando que a actividade foi aprovada a nível sectorial, por exemplo, um alvará);
Informação socioeconómica e ambiental da área na qual a actividade será realizada;
Uso actual da terra na área;
Informação sobre as etapas a serem seguidas durante a AIA, como os Termos de Referência (TdR) para o consultor ambiental, actividades do Estudo de Pré-Viabilidade Ambiental e Definição do Âmbito (EPDA), Avaliação de Impacto Ambiental (EIA) ou um EIA simplificado (EAS);
Ficha de informação ambiental preliminar preenchida (a ficha está disponível ao preço de 20Mt no MICOA e nas DPCA's; uma cópia consta do Anexo 5.2). Embora a lei seja omissa neste aspecto, as entidades que recebem a ficha podem às vezes pedir a assinatura reconhecida do requerente.
Observe que quaisquer documentos de apoio apresentados (tal como a certidão comercial ou o alvará da empresa) devem ser apresentados na forma de cópias autenticadas. Os originais não devem ser apresentados. O requerente deve levar uma cópia do formulário do pedido para ser carimbada e datada pelo funcionário que recebe o pedido. Isto serve como prova da apresentação e dá a possibilidade ao requerente de verificar que as respostas são dadas dentro dos prazos legais estabelecidos.
Esta informação deve ser submetida à autoridade ambiental responsável pela área na qual a actividade terá lugar.30 Isto pode significar ou a nível provincial ou a nível distrital,
quando existem autoridades ambientais distritais. Os requerentes de actividades da Categoria A devem obter um parecer emitido pela autoridade ambiental local31.
Uma observação sobre a descentralização
Moçambique está a tornar-se cada vez mais descentralizado. Isto significa que a autoridade para a tomada de decisões e a gestão de fundos está a ser conferida a nível provincial e distrital. O processo de descentralização não está a ser implementado à mesma velocidade em todo o país e as práticas em certas províncias ou distritos muitas vezes não reflectem as mudanças na legislação. O intervalo de tempo entre a promulgação e a implementação de legislação é muitas vezes mais notável à medida que nos afastamos mais da autoridade do governo central. Isto significa que por uma questão de boa prática, se não de lei, o requerente procurando uma licença ambiental para uma actividade numa área rural faria bem em procurar a aprovação do Serviço Distrital de Planeamento e Infra-estruturas do Governo do Distrito onde a actividade se situará. Durante a elaboração deste livro ouvimos falar de casos nos quais os processos dos pedidos são remetidos do nível provincial ao distrital e vice-versa, com o pessoal a ter dúvidas quanto a quem deveria tomar decisões específicas ou mesmo a sentir-se ofendido porque não foram informados do pedido proposto.
Dada a complexidade e sensibilidade do processo de descentralização é improvável que tais ocorrências venham a diminuir a curto prazo. Por isso, cabe ao requerente trabalhar com os representantes governamentais tanto a nível distrital (onde aplicável) como provincial para garantir que toda a gente está consciente do pedido e projecto propostos, e assim reduzir a probabilidade de demoras. No caso de actividades da Categoria A, as decisões sobre o licenciamento podem ser remetidos a nível nacional e as
30 Diploma Ministerial 198/2005 de 28 de Setembro, Artigo 1 31
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 14 decisões finais tomadas lá, mas isto não põe de parte a necessidade das autoridades distritais e provinciais estarem informadas e darem comentários ao pedido. Na prática isto pode resultar em demoras bastante grandes e por razões práticas o requerente faria bem em acompanhar o processo de perto e manter contactos regulares com a autoridade à qual o pedido foi apresentado.
Depois da recepção da informação a autoridade competente irá analisá-la e dará um parecer escrito sobre como o requerente deve avançar. Em alguns casos foi referido que nesta fase os representantes da Direcção à qual o pedido é apresentado pedem o pagamento do transporte e ajudas de custo para se deslocarem ao local da actividade proposta para fazer a sua avaliação. Não há nenhum requisito legal para o requerente pagar estes custos, e o prazo legalmente estabelecido para obter uma resposta da Direcção não pode ser prorrogado na base da falta de pagamento de tais taxas.
A tabela abaixo apresenta o resumo das possíveis respostas à pré-avaliação e os passos seguintes a serem dados pelo requerente, e os prazos legais dentro dos quais o Governo tem que responder em cada fase:
Procedimento Referência (Decreto 45/2004 de 29 de Setembro) Prazo Categoria A (EIA completo) Prazo Categoria B (EAS) Prazo Categoria C (EIA/EAS não é requerido) Pedido de pré-avaliação
Submeter os documentos acima referidos
Artigo 6 Pré-avaliação pela Direcção
competente e apresentação duma resposta escrita (incluindo o número de cópias dos TdR e EPDA a serem apresentadas, se aplicável)
Artigos 7 e 18 5 dias úteis 8 dias úteis 8 dias úteis
Revisão dos TdR e do EPDA pelo Governo e apresentação duma resposta escrita
Artigos 15 e 18 30 dias úteis N/A N/A
Revisão dos TdR pelo Governo e
apresentação duma resposta escrita Artigos 15 e 18 N/A 15 dias úteis N/A
Revisão do EIA completo pelo
Governo Artigos 16, 17 e 18 45 dias úteis N/A N/A
Revisão do EAS pelo Governo Artigos 16, 17 e
18 N/A 30 dias úteis N/A
Comunicação escrita da rejeição total
ou parcial do projecto Artigo 19 números 2, 3 e
4
5 dias úteis 5 dias úteis 5 dias úteis Emissão da licença ambiental (sujeito à
confirmação escrita da aprovação do projecto e o pagamento das taxas pelo requerente)
Artigo 19 8 dias úteis 8 dias úteis 8 dias úteis
Período de validade da licença emitida Artigo 20
número 4 5 anos Indefinido Indefinido
Sempre que forem exigidas informações complementares, o prazo é interrompido até à apresentação da informação pelo requerente. Em casos excepcionais, com notificação escrita, os prazos podem ser prorrogados por até 30 dias. Às vezes o MICOA e as DPCA’s têm falta de recursos para comunicar um pedido de informações complementares ao requerente. Vale a pena, por isso, verificar regularmente o
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 15
andamento do pedido no caso de terem surgido quaisquer perguntas ou pedidos de informações complementares.
Os resultados da pré-avaliação da actividade proposta tomam em conta os seguintes factores:
Tamanho da população e comunidades abrangidas;
Ecossistemas, plantas e animais afectados;
Localização e extensão da área afectada;
Probabilidade, natureza, duração, intensidade e significância dos impactos;
Efeitos directos, indirectos, potenciais, globais e cumulativos dos impactos; e
Reversibilidade ou irreversibilidade dos impactos.32
A pré-avaliação é efectuada nas seguintes etapas:
a) Fase 1
Verificação da documentação apresentada;
Verificação se a actividade cai ou não no âmbito das categorias A, B ou C, como definido nos anexos ao Regulamento sobre o Processo de Avaliação do Impacto Ambiental;
Actividades que não caem no âmbito das categorias especificadas são avaliadas na base do tipo de actividade e da localização.
b) Fase 2
A actividade principal, as infra-estruturas e as actividades subsidiárias são classificadas segundo a sua escala de impacto, a partir de menor passando por moderado a maior, e de reversível a irreversível. A classificação efectua-se na base das contribuições técnicas duma equipa multidisciplinar criada para o efeito.
c) Fase 3
Identificam-se os impactos-chave na base da probabilidade da sua ocorrência, a duração do seu efeito, a sua irreversibilidade, as suas consequências a nível local e regional, as possíveis objecções e as possibilidades da gestão destes impactos. A intensidade do impacto ambiental provável constitui um factor determinante-chave. A Fase 3 considera:
A sensibilidade da localização proposta – recursos ambientais frágeis, legislação existente que protege uma área específica e planos de desenvolvimento para a área;
A escala e intensidade da actividade proposta;
Os impactos da actividade principal e das actividades subsidiárias;
Os impactos cumulativos.
A Fase 3 termina com a elaboração duma decisão escrita sobre o resultado da pré-avaliação.
A decisão escrita determina ou confirma a categoria na qual a actividade proposta cai e por isso define os passos seguintes.
Observe que embora o pagamento de taxas ao Governo não seja devido até o processo estar aprovado e a licença pronta para ser emitida, todos os custos dos estudos, pesquisas e elaboração de documentos conduzindo à aprovação e emissão da licença para a actividade, devem ser suportados pelo requerente.
32
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 16
4.2.1.1 Licenciamento ambiental de actividades de Categoria A
Os requerentes de actividades classificadas como da Categoria A devem agora avançar com o seguinte:
Contratar um consultor ambiental certificado pelo Governo (se isto ainda não tiver sido feito). Veja a Secção 4.8 para informações adicionais sobre o licenciamento de consultores ambientais;
Trabalhar com o consultor ambiental para elaborar um EPDA (na base dos Artigos 10 e 11 do Regulamento sobre o Processo de Avaliação de Impacto Ambiental);
Trabalhar com o consultor ambiental para elaborar os TdR (na base dos Artigos 10 e 11 do Regulamento sobre o Processo de Avaliação de Impacto Ambiental) para a realização do EIA completo pelos consultores;
Submeter o número de cópias do EPDA e dos TdR definido na resposta escrita da Direcção competente à pré-avaliação;
Informações mais detalhadas sobre o conteúdo dos EPDA's e dos TdR são dadas na Secção 4.3 abaixo.
À semelhança do que se fez aquando da apresentação dos documentos iniciais da pré-avaliação, o requerente deve levar uma cópia de quaisquer documentos apresentados para ser carimbada e datada pelo funcionário que recebe o pedido. Isto serve como prova da apresentação e dá a possibilidade ao requerente de verificar que as respostas são dadas dentro dos prazos legais estabelecidos. Esta prática deve ser seguida com os documentos apresentados ao longo dos vários processos a serem seguidos.
Depois da recepção destes documentos a entidade governamental competente tem 30 dias úteis para responder ao requerente, ou aprovando o EPDA e os TdR ou pedindo alterações e uma re-apresentação.
Se o pedido tiver sucesso, o consultor ambiental contratado pelo requerente deve, depois, realizar o EIA na base dos TdR aprovados. O processo do EIA inclui uma consulta pública (ver Secção 4.4 abaixo). Quando concluído, o EIA tem a forma dum relatório (ver Secção 4.3 abaixo). Na sua comunicação escrita aprovando o EPDA e os TdR o Governo estipula quantas cópias do relatório do EIA devem ser submetidas.
Depois da recepção do relatório do EIA, a entidade governamental competente tem 45 dias úteis para responder, ou aprovando o EIA ou pedindo alterações e uma re-apresentação. Se o pedido tiver sucesso, o requerente deve depois pagar a taxa de licenciamento, na base do valor total de investimento da actividade.33 O valor total de
investimento deve ser confirmado pelo Ministério das Finanças ou pelo contabilista nomeado pelo requerente, que deve ser um técnico de contas acreditado pelo Governo.34
A taxa devida pelas actividades de Categoria A é de 0,2% do valor total de investimento35.
4.2.1.2 Licenciamento ambiental de actividades de Categoria B
33 Regulamento sobre o Processo de Avaliação do Impacto Ambiental, Artigo 25, número 1 34
Manual de Procedimentos para o Licenciamento Ambiental publicado pelo MICOA, Outubro de 2006
35
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 17
Os requerentes de actividades classificadas como de Categoria B devem agora proceder da seguinte maneira:
Contratar um consultor ambiental certificado pelo Governo (se isto ainda não tiver sido feito). Veja a Secção 4.8 para informações adicionais sobre o licenciamento de consultores ambientais;
Trabalhar com o consultor ambiental para elaborar os TdR (na base dos Artigos 10 e 11 do Regulamento sobre o Processo de Avaliação do Impacto Ambiental) para a realização do EIA completo pelos consultores;
Submeter o número de cópias dos TdR como definido na resposta escrita da Direcção competente à pré-avaliação.
Informações mais detalhadas do conteúdo dos TdR são dadas na Secção 4.3 abaixo. À semelhança do que aconteceu com a apresentação dos documentos iniciais da pré-avaliação, o requerente deve levar uma cópia de quaisquer documentos apresentados para ser carimbada e datada pelo funcionário que recebe o pedido. Isto serve como prova da apresentação e dá a possibilidade ao requerente de verificar que as respostas são dadas dentro dos prazos legais estabelecidos. Esta prática deve ser seguida com os documentos apresentados ao longo dos vários processos a serem seguidos.
Depois da recepção destes documentos a entidade governamental competente tem 15 dias úteis para responder ao requerente, ou aprovando os TdR ou pedindo alterações e uma re-apresentação.
Se o pedido tiver sucesso, o requerente deve contratar consultores ambientais certificados pelo Governo (se ainda o não tiver feito) na base dos TdR aprovados e realizar o EAS. O processo do EAS inclui uma consulta pública, facultativa nuns casos, obrigatória noutros36 (ver Secção 4.4 abaixo). Além disso, as actividades de Categoria B
devem apresentar um programa de monitorização dos impactos, incluindo pelo menos um programa de mitigação, um programa de educação ambiental e um plano de contingência de acidentes37. Quando concluído, o EAS tem a forma dum relatório (ver
Secção 4.3 abaixo). Na sua comunicação escrita aprovando o EPDA e os TdR o Governo estipula quantas cópias do relatório do EAS devem ser submetidas.
Depois da recepção do relatório do EAS a entidade governamental competente tem 30 dias úteis para responder, ou aprovando o EAS ou pedindo alterações e uma reapresentação. Se o pedido tiver sucesso, o requerente deve depois pagar a taxa de licenciamento na base do valor total de investimento da actividade.38 O valor total de
investimento deve ser confirmado pelo Ministério das Finanças ou pelo contabilista nomeado pelo requerente, que deve ser um técnico de contas acreditado pelo Governo.39
A taxa devida pelas actividades de Categoria B é de 0,2% do valor total de investimento40.
4.2.1.3 Licenciamento ambiental de actividades de Categoria C
O proponente de actividades classificadas como de Categoria C deve agora pagar uma taxa de licenciamento na base do valor total de investimento da actividade.41 O valor total
36
Regulamento do Processo de Avaliação de Impacto Ambiental, Artigo 14, número 5.
37
Decreto 42/2008, Artigo 24, número 2
38
Regulamento sobre o Processo de Avaliação de Impacto Ambiental, Artigo 25, número 1
39 Manual de Procedimentos para o Licenciamento Ambiental publicado pelo MICOA, Outubro de 2006 40
Decreto 42/2008, Artigo 25, número 1
41
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 18
de investimento deve ser confirmado pelo Ministério das Finanças ou pelo contabilista nomeado pelo requerente, que deve ser um técnico de contas acreditado pelo Governo.42
A taxa devida pelas actividades de Categoria C é de 0,02% do valor total de investimento43.
4.2.2 Validade, Cancelamento e Revogação
Depois da emissão da licença, a actividade à qual diz respeito deve começar dentro de 2 anos, ou a licença caducará. A prorrogação da validade da licença depende da aprovação pelo MICOA, e uma nova AIA pode ser exigida.
Uma decisão sobre o pedido de prorrogar a validade duma licença deve ser tomada dentro de 30 dias úteis. Esta decisão pode prorrogar o prazo para iniciar a actividade, pedir alterações à AIA já realizada ou pedir um novo processo de AIA.
Todas a licenças são válidas por 5 anos e são renováveis a pedido44. Um pedido de
renovação deve ser apresentado pelo menos 180 dias antes do termo duma licença e pode resultar numa decisão de pedir alterações à AIA já realizada. Para a renovação de licenças de Categoria A paga-se 10.000Mt e para as de Categoria B paga-se 5.000Mt, enquanto a renovação de licenças de Categoria C é gratuita45. A renovação está
condicionada à apresentação de um Plano de Gestão Ambiental actualizado para o caso das licenças de actividades de Categoria A e B e dum relatório de desempenho ambiental para as licenças de Categoria C. A legislação não fornece detalhes sobre o conteúdo do relatório ambiental ou sobre quem deverá elaborá-lo46.
4.2.3 Taxas
O requerente deve suportar todos os custos do processo de licenciamento. A única excepção a esta norma é a continuação da consulta pública empreendida pelo MICOA (ver Secção 4.4.2 abaixo). As taxas de licenciamento são as únicas taxas devidas ao Governo pelo licenciamento ambiental. Outros custos, tal como a contratação de consultores ambientais, são suportados pelo próprio requerente.
As taxas de licenciamento são calculadas na base do valor total de investimento. Esta condição tem causado alguma dificuldade, particularmente às empresas que já existiram e investiram antes da introdução, em 2004, do Regulamento sobre o Processo de Avaliação de Impacto Ambiental. O Manual do Licenciamento Ambiental do MICOA, de 2006, procura clarificar como se determina o valor total de investimento, por exigir que esta determinação seja feita pelo Ministério das Finanças ou pelo contabilista nomeado do requerente, que deve ser um técnico de contas acreditado pelo Governo.47 Contudo, este
aspecto não responde à pergunta se o valor se baseia no capital social do investidor como especificado nos estatutos da empresa, ou se se baseia no valor do investimento pretendido como, por exemplo, afirmado num pedido ao CPI (Centro de Promoção de Investimentos).
42
Manual de Procedimentos para o Licenciamento Ambiental publicado pelo MICOA, Outubro de 2006
43
Decreto 42/2008, Artigo 25 número 1
44
Decreto 42/2008, Artigo 20, número 3
45 Decreto 42/2008, Artigo 20, número 3 46
Decreto 42/2008, Artigo 20, número 3
47
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 19
Como é o caso de todos os pagamentos às entidades governamentais, um recibo deve ser dado por qualquer pagamento recebido. É também cada vez mais possível efectuar pagamentos directamente na conta bancária da Direcção em causa, usando o recibo do depósito como prova de pagamento.
4.2.4 FAQs (Perguntas frequentes) Como vou escolher um consultor ambiental?
Os consultores ambientais devem estar registados no MICOA. O procedimento para o registo é dado na Secção 4.8 abaixo. Assim, o MICOA possui uma lista de consultores registados, tanto singulares como empresas que poderão facultá-lo. Depois pode fazer uma selecção da lista. Se optar por escolher um consultor ou empresa de consultoria ambiental estrangeira para apoiá-lo no seu EIA ou EAS, o estrangeiro deve trabalhar em conjunto com consultores ambientais registados localmente e deve poder provar que está a cumprir as normas legais estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e pela Direcção Nacional de Migração para ser autorizado a trabalhar em Moçambique. Mudanças recentes no regulamento ambiental (no Decreto no 42/2008) abrem a possibilidade de o
pessoal do próprio MICOA realizar EIA’s e EAS’s em nome de empresas. Embora o MICOA se tenha em privado distanciado desta interpretação do regulamento, também não proibiu esta actividade explicitamente. Assim, é de esperar haver maior pressão sobre as empresas para usar o pessoal do MICOA.
Como é que o MICOA calcula a taxa de licenciamento?
Como observado na Secção 4.2.3 acima esta questão é complexa. As taxas baseiam-se no valor de investimento. Contudo, não está totalmente claro se este é o valor real investido até à data, o capital social declarado nos estatutos da empresa, ou o valor de investimento proposto, por exemplo, na base dum registo junto do CPI. A decisão no recém-publicado Manual para o Licenciamento Ambiental de precisar que o valor de investimento deve ser calculado pelo Ministério das Finanças ou por um técnico de contas acreditado pelo Governo sugere que o valor a ser usado é o valor investido até à data, incluindo mas não limitado ao capital social da empresa.
Disseram-me que eu devo pagar pela visita duma equipa da DPCA ao meu
projecto antes do processo de AIA poder iniciar. É verdade isso?
A resposta simples a esta pergunta é “não”. O licenciamento ambiental é diferente de, por exemplo, a emissão duma concessão de terra que requer uma ou mais visitas ao local por técnicos governamentais. A aprovação dum projecto pelo MICOA não depende de visitas do seu pessoal ao local. É exactamente por esta razão que os consultores ambientais que realizam EIA’s e EAS’s têm a obrigação legal de declarar conflitos de interesses e são devidamente lembrados na legislação das possíveis penas criminais e civis relacionadas com as suas actividades. O consultor ambiental que você contrata é de facto os olhos e ouvidos do MICOA e visitará o local e investigará, facultando o material ao MICOA na base do qual irá tomar a sua decisão sobre o projecto.
Contudo, tornou-se cada vez mais comum para as DPCA's recusar aceitar processos de AIA sem visitar o local e receber pagamentos pelo transporte e ajudas de custo a que técnicos governamentais que visitam projectos têm direito. Estas visitas e os seus pagamentos não estão previstos na lei, embora muitos investidores referem que é “mais fácil” fazer o pagamento e assegurar a recepção do processo de AIA. Como é o caso de todos os pagamentos a entidades governamentais, um justificativo das despesas pedidas e um recibo do pagamento devem ser dados. Uma outra alternativa aberta aos requerentes nesta situação é um recurso escrito aos superiores hierárquicos dentro do MICOA.
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 20
Posso obter o meu DUAT provisório antes de ter a minha licença
ambiental? O que acontece com o meu DUAT se houver uma demora na emissão da minha licença ambiental?
A emissão dum DUAT provisório para uma área de terra não está condicionado à posse duma licença ambiental. De facto, o DUAT provisório deve ser apresentado como parte do processo de AIA. Porém, DUAT’s provisórios têm uma validade limitada, com titulares estrangeiros dum DUAT a terem dois anos e titulares nacionais a terem cinco anos para concluir a exploração da sua terra, na base do plano de exploração apresentado aquando do pedido dum DUAT. A exploração da terra não pode começar sem uma licença ambiental. Os investidores observam que o licenciamento ambiental pode levar muito tempo, assim reduzindo o tempo disponível para concluir a exploração antes do DUAT provisório chegar ao seu termo. Contudo, é possível prorrogar o DUAT provisório, desde que o pedido para tal seja apresentado antes de o DUAT caducar. Uma demora no licenciamento ambiental é uma das justificações para prorrogações aceites pelo Ministério da Agricultura (o ministério responsável pela emissão de DUAT’s). Para mais informações sobre a gestão de DUAT’s provisórios veja o livro nesta série intitulado “O Quadro Legal para o Reconhecimento e Aquisição de Direitos de Terra em Áreas Rurais em Moçambique”.
Tenho uma actividade existente que na minha opinião poderia carecer
duma licença ambiental. O que devo fazer?
Seria prudente procurar um aconselhamento jurídico nesta situação e você deve o mais rapidamente possível preparar e apresentar um processo de AIA. Isto irá determinar qual é a categoria da sua actividade e que tipo de procedimento de licenciamento você precisa de implementar. As multas pelas operações sem uma licença são altas e o MICOA também tem o direito de encerrar temporariamente ou definitivamente a sua actividade por causa desta infracção.
A apresentação do meu pedido de pré-avaliação não foi aceite porque o
tamanho e a escala dos meus mapas não são correctos. Qual deve ser o tamanho e a escala dos mapas?
Não há nenhuma cláusula legal em relação ao tamanho ou escala dos mapas a serem apresentados. Tanto a legislação como o formulário usado para apresentar os documentos da pré-avaliação dizem que os mapas devem ter uma escala conveniente. Por isso, pode-se presumir que a escala julgada conveniente pelo requerente seja a usada. Pode ser assim porque, especialmente para algumas áreas rurais, mapas oficiais precisos não estão disponíveis a diferentes escalas. Os investidores referem que por vezes se usa este argumento como pretexto para recusar a recepção dos documentos de pré-avaliação e mesmo de outros documentos (como EIA’s). Esta situação pode ser resultado dum mal-entendido genuíno ou pode ser um indicativo da procura de dinheiro. A sua melhor resposta é fazer um recurso escrito ao superior hierárquico do funcionário que recusou aceitar os documentos, apresentando uma descrição do sucedido.
Os meus documentos já estão no MICOA há mais tempo que os prazos
legalmente previstos. Não recebi qualquer comunicação que é preciso informação adicional. O que devo fazer?
Se você ficou com uma prova (talvez na forma de cópias dos documentos apresentados, que foram carimbadas e datadas pela direcção que os recebeu) das datas e horas nas quais os seus documentos foram apresentados, e de quem os recebeu, você deve escrever uma carta ao chefe da direcção onde apresentou os documentos, fornecendo todas as
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 21
informações possíveis e anexando cópias da prova de apresentação, e pedindo um esclarecimento sobre os motivos da demora do processo e quando pode esperar uma resposta.
É importante construir um registo da sua interacção com a direcção (isto é válido para as suas interacções com qualquer entidade governamental, não apenas o MICOA), na forma de provas de apresentação carimbadas e datadas de qualquer um e de todos os documentos e correspondência. Isto irá ajudá-lo, se precisar de levar o assunto para instâncias superiores, ou recorrendo a uma autoridade superior dentro do MICOA ou mesmo recorrendo a um processo legal administrativo com o fim de conseguir uma resposta ao seu pedido. Estes casos são raros, mas é boa prática ficar com um registo documental.
4.3 ESTUDOS DE IMPACTO AMBIENTAL
Esta secção descreve os requisitos para os vários tipos de estudo necessários para o licenciamento ambiental. Nem todos os requisitos são aplicáveis às actividades de todas as categorias.
4.3.1 EPDA
As actividades de categoria A estão sujeitas à realização dum Estudo de Pré-Viabilidade Ambiental e Definição do Âmbito - EPDA. O EPDA vai identificar e avaliar os impactos principais, analisar as opções de mitigação e definir o âmbito do EIA pela identificação dos aspectos ambientais que poderão ser afectados pela actividade proposta.48 O EPDA deve procurar determinar ou as questões fatais relativas à
implementação da actividade ou determinar o âmbito do EIA e elaborar os Termos de Referência para o mesmo.49
O EPDA toma a forma de um relatório com dados de apoio, que devem incluir:
Resumo não técnico;
Identificação do requerente e equipa proposta para realizar o EIA;
Informações sobre a área proposta incluindo a localização da actividade (incluindo mapas), o uso actual e planificado da terra;
Descrição das etapas principais da actividade, incluindo a planificação, construção e desactivação etc.;
Aspectos-chave a serem investigados no EIA, incluindo estudos especializados a serem realizados.
A decisão escrita que resulta da pré-avaliação indica quantas cópias do EPDA devem ser apresentadas. O EPDA e a documentação de apoio devem ser apresentados em português. Como no caso da pré-avaliação, o MICOA cria uma comissão técnica para estudar, rever e dar uma opinião final sobre o relatório do EPDA.
4.3.2 TdR
Os Termos de Referência são exigidos para as actividades de Categoria A bem como de Categoria B50.
Os TdR para as actividades de Categoria A devem incluir:
48 Regulamento de Avaliação do Impacto Ambiental, Artigo 10, número 1 e Artigo 1, número 14. 49
Regulamento de Avaliação do Impacto Ambiental, Artigo 10, número 1, alíneas a) e b).
50
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 22 Identificação do requerente;
Identificação da equipa responsável pelo EIA;
Metodologia a ser usada no EIA;
Descrição dos estudos especializados a serem realizados como identificados durante o EPDA;
Alternativas viáveis a serem investigadas;
Descrição do processo de participação pública;
Outras informações a serem exigidas como parte do EIA. Os TdR para as actividades de Categoria B devem incluir51:
Identificação do requerente;
Localização da actividade incluindo mapas;
Descrição de como a actividade se encaixa no uso actual e planificado da terra;
Descrição da actividade proposta;
Descrição do processo de participação pública;
Identificação das áreas ambientais a serem estudadas;
Descrição da metodologia a ser usada;
Identificação da equipa que vai realizar o EAS.
A decisão escrita que resulta da pré-avaliação indica quantas cópias dos TdR devem ser apresentadas. Os TdR devem ser apresentados em português.
4.3.3 EIA
Um EIA completo é exigido para as actividades de Categoria A e para qualquer outra actividade colocada nesta categoria durante a pré-avaliação.
O EIA é uma análise técnica e científica das possíveis consequências da actividade planeada sobre o ambiente.52 Este estudo deve ser realizado por consultores ambientais
certificados pelo Governo53, e é da exclusiva responsabilidade do requerente. O EIA
deve ser realizado em conformidade com os TdR apresentados ao e aprovados pelo MICOA e com quaisquer directivas gerais ou específicas emitidas pelo MICOA que poderão estar relacionadas com a actividade proposta.54
O relatório do EIA e todos os documentos de apoio devem ser apresentados em português. O MICOA poderá requerer informação adicional para sustentar o relatório do EIA durante a avaliação do relatório. Relatórios especializados encomendados pelo requerente como parte do EIA devem ser apresentados como anexos ao relatório principal mas em volumes separados.
O EIA não só deve tomar em conta a actual situação ambiental e os impactos da actividade proposta, mas também os potenciais impactos resultando do encerramento da actividade. A decisão escrita que resulta da avaliação do EPDA e dos TdR indica quantas cópias do relatório do EIA e seus anexos devem ser apresentados. Para um tratamento detalhado dos requisitos e conteúdos dum EIA o leitor deve consultar a Directiva Geral
51
Regulamento de Avaliação do Impacto Ambiental, Artigo 13, número 2
52
Lei do Ambiente, Artigo 1, número 14 e Regulamento sobre o Processo de Avaliação do Impacto Ambiental, Artigo 1, número 15
53
Lei do Ambiente, Artigo 16, número 1
54
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 23
do MICOA para Estudos do Impacto Ambiental publicada pelo Diploma Ministerial 129/2006 de 19 de Julho. Seguidamente daremos um resumo do conteúdo deste diploma.
O relatório do EIA é avaliado pela mesma comissão técnica que avaliou o EPDA e os TdR. Esta comissão apresenta uma avaliação técnica e um parecer detalhado sobre o relatório com recomendações no que diz respeito a implementação ou não da actividade proposta. A comissão pode fazer recomendações em relação a requisitos específicos a serem incluídos na licença ambiental.
O relatório do EIA contém três conjuntos de documentos a três níveis de detalhe conforme quem irá lê-los. Estes conjuntos de documentos são55:
Resumo não técnico
Relatório principal incluindo anexos (incluindo o plano de gestão ambiental)
Relatório da consulta pública.
Todas as referências dentro dos relatórios devem ser devidamente atribuídas, ou em notas de rodapé ou enumeradas e referenciadas numa bibliografia detalhada. Quaisquer mapas e diagramas devem também indicar a fonte dos dados que contêm. Os relatórios dos EIA’s devem ser apresentados em formato A4. Os mapas, desenhos e diagramas devem ter legendas, se for aplicável. Expressões científicas devem ser apresentadas em conformidade com as normas moçambicanas e internacionais. As medidas devem obedecer às respectivas normas internacionais. Dados técnicos e científicos devem ser referenciados e os métodos de medição ou dos cálculos devem ser apresentados. Cada volume do relatório do EIA deve ter uma capa e uma contracapa, contendo o seguinte:
Capa – Título principal do relatório do EIA, o título do respectivo volume, o logotipo do requerente e do consultor ambiental que realizou o EIA
Contracapa – Nome e endereço do requerente, nome e endereço do consultor que realizou o EIA, data do início e data de conclusão do EIA
a) Resumo não técnico
Este sumário não deve ter mais de 5 páginas de texto em fonte arial. Deve conter um único mapa da localização da actividade planeada com suficiente detalhe para permitir que um leitor não especializado possa compreender a actividade e a sua área de influência. O sumário não técnico deve ser escrito um linguagem clara, simples para permitir um entendimento geral da actividade e os seus potenciais impactos por leitores não especializados. O sumário pode remeter o leitor a informações técnicas mais detalhadas em outras partes do EIA.
b) Relatório principal
O relatório principal deve oferecer ao leitor uma análise dos estudos especializados realizados e deve incluir:
Definição da actividade: identificação do requerente, justificação da necessidade da actividade; alternativas à actividade e justificação da opção seleccionada; informação resumida sobre projectos e actividades relacionados.
Descrição da actividade: localização; características; recursos necessários; bens ou serviços a serem produzidos.
Descrição das emissões e resíduos.
55
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 24 Situação ambiental actual no local proposto, incluindo informações biofísicas,
económicas e sociais e as prováveis mudanças na situação ambiental com ou sem a actividade planeada.
Impactos ambientais positivos e negativos resultantes da actividade, com especial atenção à qualidade de vida dos grupos populacionais circundantes, salvaguardando os recursos naturais, as interligações entre diferentes impactos prováveis, as possibilidades de mitigar os impactos negativos e o plano de gestão ambiental .
Análise dos riscos e planos de acidentes e emergências da actividade.
Análise comparativa das alternativas para a actividade incluindo as vantagens e desvantagens de cada uma.
Conclusões na base da análise apresentada por forma a permitir a tomada duma decisão.
Bibliografia, mapas, fotografias, diagramas e quaisquer outras representações esquemáticas necessárias para facilitar a compreensão do texto principal.
Mais informações sobre o conteúdo de cada secção do relatório são dadas na Directiva do MICOA para Estudos do Impacto Ambiental.
Além destas secções o relatório deve conter uma análise comparativa das alternativas para a actividade planeada. Os resultados desta análise devem ser apresentados tanto na forma de texto como graficamente e devem incluir uma análise de custo-benefício. Os seguintes impactos a curto ou longo prazo devem sempre ser considerados significativos:
Aqueles que causam ou conduzem a danos ambientais;
Aqueles que causam ou conduzem a um desequilíbrio no meio ambiente existente;
Aqueles que constituem um risco à sobrevivência de tradições, modos de vida ou culturas;
Aqueles que poderão afectar a saúde e qualidade de vida de grupos populacionais;
Aqueles que diminuem as opções para o desenvolvimento futuro;
Impactos potencialmente maiores, cujos impactos são desconhecidos;
Riscos socialmente inaceitáveis;
Aqueles que poderão levar a conflitos sociais ou institucionais.
O EIA deve incluir elementos fundamentais de contabilidade ambiental, que permitem o futuro monitoramento e auditoria da actividade.
Onde existem lacunas no conhecimento, estas devem ser indicadas no EIA. Isto inclui a observação de impactos cuja mitigação pode não ser possível e a identificação de potenciais impactos sobre os quais não há conhecimento suficiente. O relatório pode definir áreas prioritárias para futuras pesquisas científicas ou técnicas e pode também analisar as linhas de comunicação e como a informação chega aos utentes, recomendando formas de melhoria dos sistemas administrativos e de informação. Se o relatório recomendar estudos adicionais, deve fornecer os termos de referência para os especialistas que devem realizar estes estudos.
c) Plano de Gestão Ambiental
O plano de gestão ambiental constitui parte integrante do relatório principal do EIA e deve incluir informações detalhadas sobre as actividades propostas para mitigar os impactos ambientais negativos e planos para gerir o ambiente afectado pela actividade. O plano deve ter quatro partes:
Programa de Monitoramento – deve conter o seguinte: objectivos do
monitoramento; política ambiental e estrutura legal; âmbito; responsabilidades e procedimentos; actividades de monitoramento; efeitos do monitoramento; auditorias
O Quadro Legal Para o Licenciamento Ambiental em Moçambique 25
ambientais internas; monitoramento socioeconómico; resultados esperados e planos de reajuste segundo estes resultados; desempenho da avaliação ambiental.
Riscos e Plano de Controlo de Emergências – esta secção deve incluir uma análise dos vários riscos de acidentes incluindo as suas causas, as consequências, a frequência e a probabilidade. Deve também conter uma descrição das medidas preventivas e os planos de resposta. Uma atenção especial deve ser dada aos riscos de grande impacto e de alta probabilidade, e estes devem ser analisados na base dum cenário do pior caso. As medidas de mitigação devem incluir uma análise de risco-custo com o propósito de justificar a importância atribuída às várias medidas de mitigação possíveis. Os planos de emergência devem conter uma referência ao seu enquadramento dentro da estrutura institucional e devem conter medidas de protecção dos grupos populacionais circundantes, da natureza, e das infra-estruturas. Também devem conter uma descrição dos papéis e responsabilidades e da capacidade de resposta actual e potencial daqueles a quem as várias responsabilidades são atribuídas.
Plano de Acção para a Manutenção – deve conter uma descrição dos potenciais impactos e os planos para minimizar os riscos que advém da manutenção de edifícios e equipamento relacionados com a actividade proposta.
Programa de Educação Ambiental – os projectos situados perto de áreas ambientalmente sensíveis, Áreas Protegidas ou Áreas de Conservação devem assegurar que as pessoas tenham acesso à informação sobre as suas actividades e sobre os cuidados que terão para com o ambiente, e o EIA deve incluir planos para um programa de educação ambiental.
d) Relatório da Consulta Pública
O EIA deve conter uma descrição da consulta pública realizada. Isto terá a forma dum relatório separado que inclui uma introdução, a identificação das partes interessadas e afectadas, as questões levantadas, as respostas dadas às questões levantadas, os resultados e os acordos alcançados e conclusões. A consulta pública é abordada mais em detalhe na Secção 4.4 abaixo.
e) Anexos
Os anexos são todos aqueles documentos e relatórios que não compreendem o sumário não técnico, o relatório principal e o relatório da participação pública. Devem ser apresentados em volumes separados e apresentados em conjunto com o EIA. O relatório deve conter um índice dos anexos.
4.3.4 EAS
Exige-se um EAS para as actividades de Categoria B e para qualquer outra actividade colocada nesta categoria durante a pré-avaliação.
O EAS é uma análise técnica e científica simplificada das possíveis consequências da actividade planeada sobre o ambiente.56 Este estudo deve ser realizado por consultores
ambientais certificados pelo Governo 57, e é da exclusiva responsabilidade do requerente.
O EAS deve ser realizado em conformidade com os TdR apresentados ao e aprovados
56 Lei do Ambiente 20/97, Artigo 1, número 14 e Regulamento sobre o Processo de Avaliação do Impacto
Ambiental, Artigo 1, número 15
57