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'Vivo em um mundo de solidão'

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA ELIZABETH MÖNSTER

“VIVO EM UM MUNDO DE SOLIDÃO”

ESTUDO SOBRE A AUTO-IMAGEM DE REQUERENTES E REQUERIDOS EM PROCESSO DE SEPARAÇÃO CONJUGAL.

Palhoça 2010

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“VIVO EM UM MUNDO DE SOLIDÃO”

ESTUDO SOBRE A AUTO-IMAGEM DE REQUERENTES E REQUERIDOS EM PROCESSO DE SEPARAÇÃO CONJUGAL.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Psicologia, da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do Título de Bacharel.

Orientador: Prof. Leandro Castro Oltramari, Dr.

Palhoça 2010

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“VIVO EM UM MUNDO DE SOLIDÃO”

ESTUDO SOBRE A AUTO-IMAGEM DE REQUERENTES E REQUERIDOS EM PROCESSO DE SEPARAÇÃO CONJUGAL.

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado, adequado à obtenção do título de Bacharel em Psicologia e aprovado em sua forma final pelo Curso de Psicologia, da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Palhoça, 23 de junho de 2010.

_________________________________________________________ Prof. e orientador Leandro Castro Oltramari, Dr.

Universidade do Sul de Santa Catarina

_________________________________________________________

Prof. Nádia Kienen, Dra

Universidade do Sul de Santa Catarina

_________________________________________________________ Prof. Carolina Bunn Bartilotti, Dra.

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Dedico esse Trabalho aos meus pais, que durante toda a minha caminhada sempre estiveram ao meu lado.

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Agradeço primeiramente aos meus pais, pelo esforço e dedicação que eles tiveram por mim. Eles me ensinaram muitas coisas, me mostraram vários caminhos e por eles que estou aqui hoje. Foram eles, que tornaram esse sonho possível.

Agradeço a toda a minha família, meus irmãos, cunhadas e sobrinhos. Pela paciência deles nos momentos de estresse e intolerância, sempre “culpa do TCC”. A minha tia Rose, que se disponibilizou a ler e corrigir os erros de português. Ao meu namorado Veto, pela paciência e pelo negativismo dele, em alguns momentos ao olhar para meu trabalho, que por vezes me desanimava. Mas foram esses olhares, que fizeram com que eu observasse mais criticamente o trabalho.

A minha amiga Tati, por todos os momentos que passamos juntas desde o início da faculdade. Pelo olhar compreensivo, pela ajuda e idéias para auxiliar meu trabalho. Muito obrigada amiga, por ser sempre carinhosa e companheira. Gostaria de agradecer aos pais dela também, por se colocarem disponíveis sempre que precisei.

A todos os meus amigos, que de alguma forma ajudaram e auxiliaram nesse processo. A paciência e a compreensão dos mesmos, pelas vezes que faltei aos compromissos, por causa do TCC. Ao Marcelo, pela ajuda e compreensão a todas as vezes que eu precisei, sempre se mostrando disponível. Ao meu amigo Lincoln que me ajudou em meu roteiro de entrevista, ja no inicio do projeto do tcc. Muito obrigada amigo, pela sua colaboração. Ao Rudi que sempre se mostrou amigo e companheiro. Muito Obrigada!

A minha prima, amiga e afilhada Aline, que sempre me ajudou, com seus conselhos, suas “broncas”, sempre tentando me ajudar. Muito obrigada amiga, por ter me ajudado, em aluns trabalhos que precisava fazer e a toda a sua colaboração no TCC.

Ao meu querido orientador, que sempre me auxiliou com seus comentários, suas sugestões, suas críticas e suas considerações. A forma de conduzir as orientações, de uma forma compreensiva, engraçada e algumas vezes, claro, estressante. Pela apoio e pela calma conduzida por ele, quando surgia o medo de que eu não conseguiria.

Gostaria de agradecer também a banca examinadora, que gentilmente aceitou o convite. A Nádia que me acompanhou desde a terceira fase, em projetos de pesquisa, sempre me ajudando e auxiliando em minha formação e a Carol que sempre se está disponível, dando sugestões e esclarecendo dúvidas.

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A separação conjugal pode trazer sofrimento para o casal, pois o casamento é marcado pela importância da qualidade da relação, pela afinidade e intimidade (NOGUEIRA, 2006). O sofrimento, pode trazer conseqüências a auto-imagem de requerentes e requericos em processo de separação conjugal. Sendo assim, o objetivo da pesquisa foi caracterizar a auto-imagem de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal. Esse estudo foi classificado como pesquisa exploratória, tendo como delineamento a pesquisa de campo. Como instrumento de dados, foi utilizada a escala de auto-imagem e a entrevista semi-estruturada, realizadas em pessoas que participavam do processo de mediação do Fórum da Grande Florianópolis. As escalas de auto-imagem foram realizadas em vinte sujeitos, sendo que dez foram requerentes e dez foram requeridos e as entrevistas foram realizadas em 10 sujeitos, sendo que cinco foram requerentes e cinco requeridos. Nas escalas de auto-imagem foi realizada análise quantitativa e as entrevistas foram transcritas e analisadas a partir de seu conteúdo (LAVILLE, DIONE, 1999). A partir da análise identificou-se que os sujeitos apresentaram uma auto-imagem independente maior que a auto-imagem interdependente. Os requeridos apresentaram maior auto-imagem independente do que os requerentes, isto quer dizer que os requeridos vivenciam as situações de sua vida de uma forma mais isolada que os requerentes. Foi possível perceber que oito, dos dez sujeitos entrevistados tem uma relação satisfatória com as redes sociais. Além disso, foi identificado que todos os sujeitos relataram expectativas referentes a sua vida, sendo que seis deles relataram que essas expectativas estão atreladas ao campo profissional. A partir das falas dos sujeitos, foram identificadas categorias como: “sentimento de solidão” e o “sofrimento em relação a separação conjugal”. Além dessas categorias, foi identificado também os “aspectos positivos atrelados a separação conjugal”, na qual pode-se perceber que os sujeitos além de sofrerem com a separação também conseguem identificar sentimentos positivos nesse processo.

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Gráfico I – Auto-imagem independente e auto-imagem interdependente...37 Gráfico II – Auto-imagem de requerentes e requeridos...39

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Tabela I – Dados de caracterização dos sujeitos da pesquisa...31 Tabela II – Dados de caracterização dos sujeitos da entrevista...33 Tabela III - Identificação da auto-imagem de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal...42 Tabela IV – Identificação dos projetos de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal...51 Tabela V - Identificação das redes sociais na percepção de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal...54 Tabela VI – Percepção dos entrevistados sobre o relacionamento conjugal, antes da

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1. INTRODUÇÃO...10 1.1 TEMA...10 1.2 PROBLEMÁTICA...11 1.3 OBJETIVOS...12 1.3.1 Objetivo Geral...13 1.3.2 Objetivos Específicos...13 1.4. JUSTIFICATIVA...14 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...16 2.1 CASAMENTO E CONJUGALIDADE...16 2.2 SEPARAÇÃO CONJUGAL...18

2.3 PERSONALIDADE A PARTIR DA PSICOLOGIA SOCIAL...21

2.3.1. Atração Interpessoal...23

2.3.2. O Desenvolvimento do auto-conceito...26

2.4. AUTO-IMAGEM...27

3 MÉTODO...30

3.1 QUANTO AO TIPO DE PESQUISA...30

3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA...30

3.2.1. Escala de auto-imagem...30

3.2.2. Entrevista...32

3.3 PROCEDIMENTO DE CONTATO COM OS SUJEITOS...33

3.4 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS...34

3.5. PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS...35

3.6 PROCEDIMENTO DE ANÁLISE DOS DADOS...36

4 ANÁLISE DOS DADOS...37

4.1. ESCALA DE AUTO-IMAGEM...37

4.1.1. Auto-imagem de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal...37

4.1.2. Diferença entre a auto-imagem de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal...40

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4.2.2. Identificação dos projetos de requerentes e requeridos em processo de separação

conjugal...52

4.2.3. Identificação das redes sociais na percepção de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal...55

4.2.4.Identificação da percepção dos entrevistados sobre o relacionamento conjugal, antes da separação...59

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS...66

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...68

APÊNDICE...73

APÊNDICE A – Entrevista Semi-estruturada...74

APÊNDICE B – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido...75

APÊNDICE C – Termo de Consentimento para Gravações...77

ANEXO...78

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1. INTRODUÇÃO

Essa pesquisa teve como propósito caracterizar a auto-imagem de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal. A temática está vinculada ao campo de atuação do Serviço de Mediação Familiar, no Fórum da Grande Florianópolis. Os objetivos específicos da pesquisa foram: identificar a auto-imagem de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal, as diferenças entre a auto-imagem dos mesmos, o projeto de vida e a percepção dos entrevistados sobre o relacionamento conjugal, antes da separação.

Esse projeto de pesquisa está organizado da seguinte forma: Problemática, objetivo geral e específicos, justificativa, fundamentação teórica, método, análise dos dados e considerações finais.

Na fundamentação teórica, fez-se uma discussão sobre casamento e conjugalidade, separação conjugal, a personalidade a partir da psicologia social e auto-imagem. Inicialmente foi realizado uma contextualização sobre casamento e conjugalidade, onde procurou-se explicitar como as questões de conjugalidade são percebidas pela sociedade atual. Em seguida apresenta-se uma discussão sobre o processo de separação conjugal, as consequências do fim do relacionamento e as implicações na vida do sujeito. Posteriormente a fundamentação teórica aborda a personalidade para a psicologia social, a auto-imagem, sua conceitualização e sua relação com a separação conjugal.

Após a fundamentação teórica foi apresentado o método, composto pela caracterização da pesquisa, procedimento dos sujeitos e da coleta de dados e a forma de análise desses dados. No quarto capítulo, são expostos e analisados os dados coletados, onde foi identificado, através das respostas dos entrevistados, o sofrimento dos mesmos decorrentes da separação e a auto-imagem frente a esse processo. E por fim, são apresentadas as considerações a que se chegou ao desenvolver esta pesquisa.

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Características da auto-imagem, de requerentes e requeridos em processo de separação

conjugal.

1.2.PROBLEMÁTICA

Segundo os dados estatísticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2007), os divórcios e separações judiciais aumentam a cada ano no Brasil. Sendo que em 2001 eram 122.780 e no ano de 2006 estes subiram para 162.244 divórcios concebidos em primeira instância. Apesar de que no ano de 2007, ocorreu 2,9% a mais de casamentos do que em 2006, as separações conjugais estão ocorrendo em uma proporção ainda maior, pois em 2007 foi registrado uma dissolução para cada quatro casamentos. (IBGE, 2007).A partir disso foi possível perceber que os relacionamentos e os casamentos já não são mais tão duradouros como em outros momentos da história.

No processo de separação conjugal, a identidade construída no casamento vai se relativizando aos poucos, levando os cônjuges a uma redefinição de suas identidades. (FÉRES-CARNEIRO, 2003). A separação, descrita por Caruso (1986) é considerada uma das mais dolorosas experiências pelas quais pode passar o ser humano. Ela é vivida em diferentes etapas e em diferentes níveis, ou seja, nos pensamentos secretos de cada membro do casal, no diálogo entre eles e na explicitação para o contexto social que os circunda.

A separação conjugal pode trazer sofrimento para o casal, pois a relação conjugal é marcada pela importância da qualidade da relação, pela afinidade e intimidade (NOGUEIRA, 2006). Há uma idealização dos relacionamentos, que acreditam na existência do amor entre os parceiros e sendo este sentimento temporário, aumenta a insegurança e a falta de garantias em relação à durabilidade do casamento.

Para Almeida (2008), o significado do casamento vai além da união entre duas pessoas, ele representa modificações de dois sistemas inteiros, ou seja, quando os membros se unem inauguram um terceiro sistema, que é o “novo casal”. Atualmente, a relação conjugal reside no fato de o casal encerrar, ao mesmo tempo, na sua dinâmica, duas individualidades, ou seja, o casal conter dois desejos, duas percepções do mundo, duas histórias de vida, dois projetos de vida, duas identidades individuais que, na relação

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amorosa, convivem com uma conjugalidade, um desejo conjunto, uma história de vida conjugal, um projeto de vida de casal, uma identidade conjugal (FÉRES-CARNEIRO, 1998). A partir disso, para Marcondes, Trierweiler e Cruz (2006) a separação conjugal rompe com esse projeto de vida e assim ocorre quebra de vínculos, de laços emotivos, sexuais e afetivos.

Para Porchat (1992), o processo de separação pode trazer alívio, porém esse alívio aparece intercalado com sentimentos de desespero. Féres-Carneiro (1998), concorda com a autora, afirmando que embora o divórcio possa ser, às vezes, a melhor solução para o casal cujos membros não se consideram capazes de continuar tentando ultrapassar suas dificuldades, ele é sempre vivenciado com dor e estresse. Segundo a autora, a separação provoca no casal sentimentos de fracasso, impotência e perda, havendo um luto a ser elaborado, o tempo de elaboração do luto pela separação conjugal é quase sempre maior do que aquele do luto por morte.

Vilhena (1991) ressalta que a separação, representa mais do que uma ferida no narcisismo, pois a mesma afeta sua objetalidade e coloca em risco sua própria identidade. Ao referir-se à elaboração do luto de uma separação conjugal, a autora enfatiza a capacidade que os sujeitos possuem de enfrentar a solidão. A solidão pode representar uma possibilidade de ficar consigo mesmo ou a incapacidade de aceitar a indiferença do outro, assim o sujeito acaba isolando-se ou procurando uma companhia. Essa solidão segundo Porchat (1992), é explicada pelas perdas de amigos, estilos de vida, posição socioeconômica e significado de vida. Para o autor as perdas criam um vazio difícil de suportar.

Marcondes, Trierweiler e Cruz (2006), realizaram uma pesquisa cujo objetivo era investigar os sentimentos que predominam no término do relacionamento amoroso. Foi constatado a partir da pesquisa que as pessoas que terminaram o relacionamento recentemente (primeiras semanas), apresentaram altos níveis de depressão, enquanto que outras pessoas com mais tempo de separação (4 meses à 1 ano) apresentaram sentimentos negativos e sentimentos positivos. A partir disso, é possível perceber que com o rompimento do relacionamento, a maioria das pessoas identificaram somente os aspectos negativos, mas com o decorrer do tempo perceberam que a separação também trouxe sentimentos positivos.

Identificando que a separação conjugal pode trazer sofrimento, foi relevante caracterizar a imagem das pessoas em processo de separação. Para caracterizar a

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auto-imagem é necessário conceitualizar a mesma. Markus e Kitayama (1991, apud GOUVEIA, SINGELIS e COELHO, 2002) definem auto-imagem como independente e interdependente. Sendo que para os autores, auto-imagem independente refere-se às características pessoais do sujeito, enquanto que a auto-imagem interdependente refere-se a características interpessoais. A partir disso, é importante identificar nos casais que estão em processo de separação como eles se percebem a partir desse processo.

A partir da importância de se pesquisar sobre a auto-imagem de casais em processo de separação conjugal, foi relevante identificar as pesquisas já realizadas sobre isso. Foram encontradas pesquisas de auto-imagem nas áreas da enfermagem e da psicologia, pesquisas referentes a imagem na anorexia (GIORDANI, 2006), a auto-imagem em mães e não-mães (SOUZA, FERREIRA, 2005), auto-auto-imagem de adolescentes obesos (FERRIANI, et al, 2005), a auto-imagem de mulheres mastectomizadas (VALENZUELA, 2007), entre outras, porém não foram encontradas pesquisas sobre a auto-imagem no processo de separação conjugal. Tendo em vista essas pesquisas, é identificada a importância de caracterizar a auto-imagem no processo de separação conjugal. A partir disso é possível perceber a importância e relevância de responder a seguinte pergunta de pesquisa: Quais as características da auto-imagem de requentes e requeridos em processo de separação?

1.3.OBJETIVOS

1.3.1. Objetivo Geral

Caracterizar a auto-imagem de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal.

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- Identificar a auto-imagem de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal - Identificar se há diferenças da auto-imagem de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal.

- Descrever o projeto de vida de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal

- Descrever as redes sociais na percepção dos requerentes e requeridos em processo de separação.

- Caracterizar a percepção dos entrevistados sobre o relacionamento conjugal, antes da separação.

1.4. JUSTIFICATIVA

É possível identificar que as pessoas muitas vezes idealizam o relacionamento (NOGUEIRA, 2006). A partir da idealização dos relacionamentos, as pessoas que estão envolvidas nesse processo acreditam na existência do amor entre os parceiros, e sendo este sentimento temporário, aumenta a insegurança e a falta de garantias em relação a durabilidade do casamento (NOGUEIRA, 2006). A partir dessa insegurança e essa falta de garantia em relação a durabilidade, os parceiros provavelmente sofrem, pois se frustram por não conseguirem alcançar a relação que imaginavam. Esse sofrimento, conforme relatado anteriormente, pode trazer conseqüências a auto-imagem de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal. Sendo assim é relevante caracterizar a auto-imagem dos requerentes e requeridos, para que seja possível identificar como eles se percebem no processo de separação conjugal.

Com o rompimento conjugal, possivelmente o sujeito modifica também sua auto-imagem. Isso porque a partir da separação conjugal, os cônjuges provavelmente rompem com a identidade construída no casamento (FÉRES-CARNEIRO, 2003). Como será que o sujeito se percebe a partir desse rompimento? Como está sua auto-imagem a partir desse processo pelo qual ele está passando? Será que requerentes se percebem da mesma forma que requeridos, no processo de separação?

É relevante pesquisar sobre a auto-imagem de casais em processo de separação, pois os psicólogos, a partir dessa pesquisa poderão identificar como os casais se percebem.

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Assim poderão pensar em intervenções que auxiliem os mesmos a se perceberem de outra forma, pois a partir da separação conjugal os projetos de vida dos casais se rompem, e provavelmente nesse momento eles sofrem muito pelo rompimento. Sendo assim é relevante identificar como está a auto-imagem desses homens e mulheres que estão rompendo um projeto de vida.

A partir da pesquisa também será possível identificar como as pessoas se percebem frente à separação, pois a auto-imagem pode favorecer na identificação dos sentimentos positivos. Por exemplo, uma pessoa que está em depressão, tem sua auto-imagem negativa, provavelmente ela não vai conseguir nesse momento identificar algo positivo no seu processo de separação. É relevante aos profissionais da saúde identificarem este processo, pois irão auxiliar esse sujeito. Se os médicos, enfermeiros e outros profissionais identificarem isso, estes saberão o que esse paciente está sofrendo e poderão encaminhá-lo para o psicólogo. E assim, a partir da pesquisa, os psicólogos poderão identificar como essas pessoas se percebem a partir do processo de separação conjugal.

Além de profissionais da saúde, essa pesquisa também é relevante para profissionais da área jurídica. Pois esses profissionais trabalham com a separação conjugal, e a partir da pesquisa eles poderão identificar como esses casais estão se percebendo. A partir disso, eles poderão compreender a dinâmica e o processo de sofrimento dos casais.

A pesquisa poderá auxiliar na elaboração de novas estratégias de políticas públicas para casais que estão em processo de separação. Além de poder auxiliar em intervenções para diminuir o sofrimento dos mesmos.

Conforme visto na problemática, há pesquisas de auto-imagem nas áreas da enfermagem (VALENZUELA, 2007) e da psicologia (GIORDANI, 2006), porém não foram encontradas pesquisas sobre a auto-imagem de casais na separação conjugal. A partir da ausência de pesquisas na área é possível perceber a relevância de pesquisar a auto-imagem no processo de separação conjugal.

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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1.CASAMENTO E CONJUGALIDADE

Para Jablonski (1998), no século XVIII, a união conjugal era celebrada basicamente para a transmissão do patrimônio, sendo sua origem fruto de alianças familiares, tendo em vista a questão econômica, política e financeira dos cônjuges, ou seja, eram casamentos arranjados. Almeida (2008), afirma que, com a contribuição da igreja, casamento e família estavam associados. Segundo a autora, a relação sexual, para a igreja, só pode acontecer após o casamento e para a procriação. Os recém-casados, na maioria das vezes, não se conheciam e assim não existia amor no momento da união conjugal (JABLONSKI, 1998; ALMEIDA, 2008; FÉRES-CARNEIRO, 2003).

Com a modernidade, aconteceram mudanças nos valores do casamento, visto que começou a predominar o amor na relação conjugal. A partir disso, segundo Araújo (2002), os casais se unem porque se amam e passam a ter perspectivas a respeito do amor e da felicidade no matrimônio. De acordo com Muszkat (1992) “o casamento de amor” compreende uma satisfação, não apenas corporal, mas também emocional. Para o autor no contexto amoroso atual, o prazer sexual é apenas um dos requisitos para o amor conjugal, é proposto ainda a ternura, a afeição e o carinho como realidades sentimentais que satisfazem as necessidades emocionais do casal.

A constituição e a manutenção do casamento contemporâneo são muito influenciadas pelos valores do individualismo (FÉRES-CARNEIRO, 1998; PORRECA, 2004). Para Porreca (2004) o processo de individualização na conjugalidade surgiu com a revolução feminista na década de 70, que proporcionaram uma reorganização no mercado de trabalho e na relação conjugal. Assim a relação conjugal contemporânea enfatiza mais a autonomia e a satisfação de cada cônjuge do que os laços de dependência entre eles. Para Féres-Carneiro (1998), constituir um casal demanda a criação de uma zona comum de interação, de uma identidade conjugal, se os ideais individualistas estimulam a autonomia dos cônjuges, destacando que o casal deve sustentar o crescimento e o desenvolvimento de cada um, por outro, surge a necessidade de vivenciar a conjugalidade, a realidade comum do casal, os desejos e projetos conjugais.

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Para Maldonado (2000, p. 21) há pessoas que procuram o casamento como “tábua de salvação”, onde ocorre o casamento não para construir uma vida nova, mas para escapar da anterior. Há famílias também, segundo a autora, que encaram o casamento, para o rapaz, como uma forma de fazê-lo “ter juízo”. O casamento nesses casos, é visto como proteção, porto seguro para regularizar a vida dos solteiros (MALDONADO, 2000).

De acordo com Lopes e Menezes (2007), o casamento também pode ocorrer em razão do desejo dos cônjuges pelo ritual. Para as autoras, a construção da conjugalidade é demarcada por uma cerimônia de casamento, civil ou religioso. Para as autoras, é a partir dessa celebração que os indivíduos assumem os papéis e as funções de marido e mulher para a sociedade. Para Zordan e Wagner (2005), essas celebrações ocorrem a partir de normas, valores e costumes sociais, que, demarcam os papéis de marido e mulher e muitas vezes a passagem da juventude à maturidade e a transição para a parentalidade. (LOPES; MENEZES, 2007; ZORDAN; WAGNER, 2005)

O ritual de casamento é um assunto muito abordado pela literatura. Para Abreu (2005) esse tema é um dos assuntos mais atraentes e abordados pela mídia contemporânea, seja teatro, cinema, literatura ou televisão. Ainda para o autor, o casamento não apenas é discutido na mídia, mas também é comum ver profissionais, das mais diversas áreas de formação, falando do assunto, como vemos freqüentemente em jornais, revistas e programas de televisão. É possível perceber que muitos homens e mulheres ainda buscam constituir uma família através do casamento. Considera-se, assim, que a condição de felicidade está atrelada à união conjugal. (ABREU, 2005).

A mídia e a literatura reforçam que o casamento está atrelado a felicidade, fazendo com que as pessoas idealizem o casamento. Para Féres-Carneiro (1998) no casamento contemporâneo, os ideais do amor romântico tiveram algumas mudanças, sobretudo pela autonomia feminina. Ainda para a autora, as categorias de "para sempre e único" do amor romântico, não predominam na conjugalidade contemporânea. Bauman (2004, p.19), concorda com a autora, descrevendo que definições como “até que a morte nos separe”, está fora de moda, o amor é considerado na atualidade, “como episódios intensos, curtos e impactantes”. E segundo Taube (1992), embora tenham ocorrido essas mudanças na relação conjugal, muitos dos ideais têm se mantido, fazendo com que homens e mulheres ainda sonhem com figuras de noivos e noivas, marido e mulher, calcadas em uma concepção de família. Na relação contemporânea, os indivíduos procuram uma preservação da autonomia individual e singularidade (FÉRES-CARNEIRO, 1998; HEILBORN, 1992).

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De acordo com Bauman (2004, p. 101), amar significa respeitar a “singularidade de cada um” e o valor das diferenças. Segundo Heilborn (1992) na relação conjugal o casal passa a ter uma relação de amizade, companheirismo, que pode acarretar uma certa diminuição de relações sexuais Para a autora, a conjugalidade moderna, tem como objetivo a“preservação da autonomia individual e a singularidade que a relação da amizade nesse contexto moral exibe”.(HEILBORN, 1992, p. 146) Para Bozon (2004, p.48), o ideal do casamento contemporâneo, é representado por “juntos por amor”. Para o autor, o que distingue o casamento contemporâneo, não é apenas o amor, mas também os interesses individuais dos cônjuges. E com isso, para o autor, a sexualidade tornou-se uma “experiência indispensável a existência do casal” (BOZON, 2004, p. 49).

Maldonado (2009) descreve que a relação vai se transformando, e com o passar do tempo o casal deixa de cuidar do relacionamento. A partir dessa falta de cuidados, pode ocorrer desentendimento entre o casal, a perda do respeito para com o cônjuge e a diminuição da atenção para o parceiro. Todos esses comportamentos, para a autora, começam a dar espaço para outro relacionamento, para novas atividades e o relacionamento pode ser deixado de lado. Essas mudanças podem trazer mágoas no relacionamento. De acordo com Maldonado (2009), o ciúme pode transformar o casamento em um sofrimento constante, tanto para a pessoa que sente o ciúme, quanto para o parceiro.

A partir disso é possível perceber que o casal tenta buscar o prazer no casamento e proporcionar uma amizade, um companheirismo. Apesar desse companheirismo e dessa amizade, a relação conjugal demanda grande investimento, tanto de tempo quanto afetivo, por parte do casal. (CICCO; PAIVA; GOMES, 2005).

2.2.SEPARAÇÃO CONJUGAL

Para César-Ferreira (2004, p. 53) “a separação conjugal é uma crise não-previsível do ciclo vital da família. Faz parte das transformações sociais e não é um fenômeno isolado, nos dias que ocorrem”. A separação de acordo com a autora, pode ocasionar uma crise familiar, onde ocorre a desestruturação do grupo e de seus membros. A autora descreve a separação conjugal como uma crise não-previsível, pois segundo ela, essa crise pode ser útil ao desenvolvimento.

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O sofrimento pode ocorrer também, pois muitos casais se apegam a uma imagem projetada socialmente sobre o que eles próprios representam como casal e sustentam-se a partir dessa imagem de “par ideal” (MUSZKAT, 1992, p. 89). Para a autora, esses casais tem a necessidade de manter uma fantasia idealizada sobre o parceiro e sobre o casamento, quando ocorre o rompimento da relação essa fantasia precisa ser rompida e com isso o sujeito sofre. A separação desmancha o ideal que vêm da infância e dos contos de fada (MALDONADO, 2000). Além de desmanchar o ideal a separação conjugal, segundo a autora, desfaz projetos de vida importantes e quando isso ocorre a dor é intensa.

Féres-Carneiro (1998), afirma que o divórcio às vezes pode ser a melhor solução para o casal e Maldonado (2009) descreve que isso ocorre porque os sujeitos muitas vezes, conseguem verificar outras possibilidades que antes não conseguiam. Porém para Caruso (1986), essas etapas também trazem sofrimento por ser um processo complexo, vivido em diferentes etapas e em diferentes níveis, ou seja, nos pensamentos secretos de cada membro do casal, no diálogo entre eles e na explicitação para o contexto social que os circunda.

A separação conjugal, conforme identificado pode produzir sofrimento, e segundo César-Ferreira (2004), essas crises precisarão ser superadas e dependendo da forma como isso acontecer, os indivíduos poderão sair fracassados ou fortalecidos. Segundo a autora, se eles saírem fortalecidos, a partir de uma superação criativa da crise, ocorre à possibilidade de um equilíbrio psíquico num estágio de maior desenvolvimento. O sofrimento, segundo Almeida (2008), pode ocorrer de diferentes maneiras, pois cada sujeito procura enfrentá-los conforme padrões culturais assimilados desde muito cedo.

O sofrimento também ocorre, a partir da separação conjugal, pois as pessoas se sentem isoladas. Segundo Giusti (1987) o isolamento social acontece devido a pessoa perder os amigos que tinha quando era casada. Para o autor, o círculo social do qual ela participava a dois pode se romper a partir da separação. Para Maldonado (2009) o abandono e a dor de ser deixado surge com a separação. A autora relata que essa dor, refere-se a perda de ser deixado.

Com a separação pode aparecer a dor do abandono que se mistura a raiva de si próprio por sentir a falta do outro e o desejo de voltar com ele, apesar de todos os sofrimentos já vivenciados (MALDONADO, 2009). Para a autora, esses sujeitos sentem uma contradição, onde de um lado é apresentado a humilhação e do outro o sentimento

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amoroso pelo ex-parceiro. A partir dessa contradição há um sofrimento vivenciado pelo sujeito. Para Ávila (2004), a separação conjugal pode trazer sofrimentos para a família inteira, não só os cônjuges e isso faz com que a família sofra algumas transições. Essas transições estão vinculadas a adaptação à família monoparental, ao estresse econômico, a diminuição de certos membros da família, o aumento das responsabilidades do pai ou da mãe e a possível chegada de novos membros no contexto da nova união conjugal. (CLOUTIER; JACQUES 1997 apud ÁVILA, 2004). Maldonado (2000) afirma que antes da separação conjugal, todos passamos por outros tipos de separações, como término de uma amizade, ou de um trabalho; e a separação conjugal se assemelha a essas separações. Segundo a autora, no processo de separação o indivíduo passa por algumas fases: a esperança de reformulação, barganha, raiva, revolta e ressentimento.

Porreca (2004), afirma que os motivos da separação conjugal podem estar associados as transformações sociais que aconteceram sobre o conjunto da sociedade brasileira. Uma dessas transformações, segundo o autor, está relacionado às mudanças na identidade de gênero feminina, associada pela luta de igualdade de direitos entre homens e mulheres e também pela mudança no significado do casamento, da separação e da vida doméstica como espaço de realização pessoal. Jablonski (1998) concorda que a emancipação feminina contribuiu na busca pela separação, pois muitas mulheres, ao conquistarem um espaço no mercado de trabalho, obtiveram sua independência financeira, o que modificou papéis antes instituídos de mãe e de esposa. Segundo o autor, a pílula anticoncepcional também possibilitou às mulheres a escolha de ter ou não filhos, diminuindo de certa forma suas obrigações domésticas, bem como a dedicação à família. (JABLONSKI, 1998).

A escolha pela separação conjugal raramente é mútua, na maioria das vezes, um dos cônjuges tem mais interesse de finalizar a união conjugal do que o outro (ÁVILA, 2004). Assim, a pessoa que tomou a decisão, já começou a vivenciar as etapas, do luto da relação, enquanto o outro mal está começando (LÉVESQUE, 1998, apud ÁVILA, 2004). Geralmente quem toma essa decisão são as mulheres, os maridos geralmente abandonam o lar, mas quem inicia o procedimento judiciário de separação são as esposas (IRVING; BENJAMIN, 1987, apud ÁVILA, 2004). O desejo de separação parte predominantemente das mulheres, pois elas levam muito em consideração a relação afetiva no casamento, e os homens conseguem levar o casamento sem conflitos internos, porque a percepção

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masculina de casamento está pautada no modelo familiar, sendo esta mais relevante do que a questão amorosa (FÉRES-CARNEIRO, 2003; JABLONSKI, 1998).

A separação conjugal pode ser discreta ou concreta. A separação discreta ocorre quando um dos cônjuges tem relação com outra pessoa, mantendo às ocultas do parceiro, desculpas mais ou menos legítimas são utilizadas para manter esse tipo de separação (ÁVILA, 2004). Já a separação concreta, segundo a autora, pode acontecer de forma repentina ou revelada antecipadamente, como por exemplo, o sujeito fala que encontrou um bilhete dizendo que o cônjuge havia deixado a casa, ou que ele saiu de casa levando as crianças. Além disso, também pode ocorrer a separação decidida, quando os cônjuges concordam em terminar a relação (ÁVILA, 2004). Para a autora, com esse tipo de separação surgem várias dificuldades de ordem emocional, financeira, organizacional e social.

Maldonado (2009) afirma que algumas pessoas que passaram pela separação conjugal, não querem se envolver em uma outra relação novamente. Isso pode ocorrer, segundo a autora, pelo medo de se envolver e ferir-se novamente e também pelo medo de o sujeito sentir-se sufocado, sem espaço, sem privacidade, gerando a ameaça de ser invadido. A partir dessas informações é possível perceber que a separação trás sofrimento para os cônjuges e também para toda a família, pois a separação é um rompimento do projeto de vida, trazendo assim mudanças na organização familiar.

2.3.PERSONALIDADE A PARTIR DA PSICOLOGIA SOCIAL

O objetivo do trabalho foi caracterizar a auto-imagem de requerentes e requeridos em processo de separação conjugal. Para que seja possível compreender a auto-imagem é importante entender como ela se constitui. A partir disso será apresentada a teoria da psicologia social cognitiva.

De acordo com Farr (1998), a psicologia social norte americana teve seu inicio após a segunda grande guerra. Nessa época a psicologia social era uma forma predominantemente norte-americana (LIMA, 2009). A psicologia social “tentou compreender a relação indivíduo-sociedade, através da descrição dos comportamentos

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sociais como fatos dados” (CAMARA, 2001, p. 3). A partir disso, procurou-se entender o individuo na sociedade, através das causas internas do mesmo.

Para Rodrigues, Assmar e Jablonski (1999, p. 21) a psicologia social é “o estudo científico da influência recíproca entre as pessoas (interação social) e do processo cognitivo gerado por esta interação (pensamento social)”. Sendo assim, é possível perceber que a Psicologia Social estuda os fenômenos sociais, comportamentais e cognitivos decorrentes da interação entre as pessoas. O objeto da Psicologia Social é a interação humana e os métodos utilizados tentam “apreender objetivamente a realidade”, e o mais utilizado é a pesquisa experimental (CAMARA, 2001, p. 3).

Para a Psicologia social a expectativa com relação ao comportamento do outro, também pode modificar as ações comportamentais de si-mesmo. Isso significa que a expectativa que o indivíduo tem do outro, também é de fundamental importância em termos de influência (RODRIGUES, ASSMAR e JABLONSKI, 2003). Sendo assim, é possível identificar que os “processos mentais superiores” (expectativa, pensamento, julgamento, processamento de informação, entre outros) são desencadeados pelo processo de interação e são caracterizados como “pensamento social”, ou seja, os processos cognitivos decorrentes da interação social. (RODRIGUES, ASSMAR e JABLONSKI, 2003, p. 22).

A psicologia social cognitiva, evidencia que as pessoas tem a necessidade de formar as características em percepções das pessoas. Por esse motivo, as pessoas se tornam seletivas na busca de “atributos” que se articulam com as primeiras impressões formadas. Por isso se torna importante as primeiras impressões formadas pelas pessoas, pois vão atribuir características positivas a pessoas de quem gostam e negativas a quem não gostam (RODRIGUES, ASSMAR e JABLONSKI, 2003, p.81).

Segundo Jablonski (2005) a psicologia social procura conhecer as leis gerais do comportamento social e a partir disso aplica esse conhecimento para obter soluções nos problemas sociais. A psicologia social estuda os comportamentos para entender como determinada situação é capaz de influenciá-los.

A partir disso é possivel identificar que a constituição do sujeito, para a psicologia social se revela a partir da influência mútua entre as pessoas e do “processo cognitivo gerado por esta interação” (RODRIGUES, ASSMAR, JABLONSKI, 1999, 21). Assim, percebe-se que a auto-imagem também se revela a partir dessa percepção, portanto é relevante identificar a auto-imagem das pessoas em processo de separação.

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2.3.1. Atração Interpessoal

Através da ausência dos relacionamentos amorosos, as pessoas podem apresentar sentimentos de solidão, na qual levam as pessoas a sentirem-se “sem valor, sem esperança, desamparadas, impotentes e alienadas” (BAUMEISTER e LEARY, 1995, apud ARONSON, WILSON, AKERT, 1999, p. 221). Um dos principais determinantes da atração interpessoal é a proximidade. Para os autores, as pessoas que tem maior contato com aos outros, são aquelas que tem maior probabilidade de se tornar amigo ou amante. Para os autores, a atração e a proximidade não dependem só da distância física concreta, mas também de uma distância mais “psicológica”.

De acordo com Aronson, Wilson e Akert (1999) o efeito da proximidade, ocorre devido ao contato com determinado estímulo, quanto maior o contato, maior a probabilidade de as pessoas sentirem-se atraídas pelo mesmo. Myers (1997) concorda com os autores afirmando que a proximidade influencia na atração inicial por alguém. A atração surge quando as pessoas envolvidas consideram a companhia uma da outra satisfatória e gratificante. Porém para os autores se a pessoa tiver uma relação de incompatibilidade, elas tendem a se afastar.

Rodrigues, Assmar e Jablonski (2003), afirmam que o simples fato de as pessoas morarem próximas das outras e mantiverem contato em situação de proximidade física, essas pessoas podem formar uma relação interpessoal de atração. Para os autores, isso ocorre porque o sofrimento envolvido na superação da distância física entre as pessoas que tem uma relação positiva, desaparece nessa situação de proximidade.

Segundo Myers (1997) a atração pode ocorrer também através de companhia que não é compensadora, porém, nessa situação, a pessoa atraída atribui na relação como algo satisfatório. Aroson, Wilson e Akert (1999) acrescentam que o sentimento do indivíduos depende da maneira como ele interpreta os benefícios que recebe e os custos, bem como a percepção do tipo de relacionamento que merece e a probabilidade que possa ter um relacionamento mais satisfatório com uma outra pessoa.

Walster e Walster (1963, apud RODRIGUES, 1992), fizeram uma diferenciação entre semelhança e atração. Para esses autores a atração geralmente ocorre quando as pessoas são diferentes, pois suscita novas idéias, novas maneiras de encarar os problemas, podendo tornar a relação mais interessante e agradável. A atração não ocorre

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através da semelhança de características, mas sim através de algo que a outra pessoa pode oferecer para a relação. Já Aronson, Wilson e Akert (1999) discutem que a semelhança é uma forma de atração entre os sujeitos. Sendo assim, os autores percebem a atração de modo diferenciado, porém pode-se identificar que ela pode acontecer tanto pela semelhança quanto pela diferença, porém é preciso que “seja acompanhada pela atribuição de valor gratificante à outra pessoa” (NEWCOMB, 1960, apud RODRIGUES, ASSMAR, JABLONSKI, 2003, p. 342).

Para Rodrigues (1992), os principais fatores que influenciam a proximidade física na atração entre as pessoas são: A conveniência, pois para o autor, é mais comodo para as pessoas fazerem amizade com alguém que está mais próximo, pois os custos envolvidos na superação do problema de distância física entre as pessoas que se gostam desaparecem; e a familiaridade, onde se encontra uma relação mais amistosa. Além desses fatores o autor cita outros fatores que explicam o papel desempenhado pela proximidade: 1. A oportunidade de interação, no qual causa mais oportunidades de contato e interação; 2. oportunidade de maior conhecimento mútuo, pois com a proximidade as pessoas vivem mais próxima e se tornam mais conhecidos e 3. Familiaridade da frequência de encontros, para o autor as pessoas tendem a desenvolver sentimentos mais positivos em relação a pessoas que tem maior contato.

A atração ocorre em relacionamentos amorosos e em amizade, porém para Rodrigues, Assmar e Jablonski (2003, p. 346) essas relações são diferentes “em sua essência e não apenas na intensidade do afeto”. Para esses autores o amor é constituido de quatro componentes: O “precisar do outro”, que é definido como um forte desejo de estar com o outro; o cuidado, no qual é o desejo de cuidar do outro, de fazer as coisas por ele; a confiança e a tolerância. Além desses componentes, há um conjunto de sentimentos como adoração, felicidade (ou infelicidade, se o amor não for correspondido), flutuação de humor, perda de apetite, entre outros, que constituem a aproximação entre as pessoas.

Para que seja possível entender sobre relacionamentos e atração, Myers (1997, p. 230) faz uma diferenciação entre o amor de companheirismo e o amor apaixonado. Para o autor o amor de companheirismo é definido como “sentimentos de intimidade e afeição” que as pessoas sentem pelo companheiro e que não é acompanhada de paixão ou “exitação fisiológica”. Esse tipo de amor pode ser vivenciado em um relacionamento de amizade íntimo ou em relacionamento sexual, que não haja paixão. Já o amor apaixonado envolve um desejo profundo pela outra pessoa, esse desejo é acompanhado de experiências

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fisiológicas como, disparos no coração, dificuldade de respiração na presença da pessoa amada. Quando esse amor é correspondido, a pessoa sente felicidade e se o amor não for correspondido, a mesma sente tristeza e desespero.

Além desses dois tipos de amor, há também a teoria triangular de amor, formulada por Robert Sternberg (1986, apud MYERS, 1997), que consiste em três componentes básicos: intimidade, paixão e compromisso com a outra pessoa. Para o autor a intimidade é representada pelo sentimento de sentir-se próximo e ligado ao parceiro; a paixão, consiste na excitação que se experimenta em relação ao parceiro e o compormisso, onde envolve duas decisões, a de que a pessoa sente amor pelo parceiro e de tentar manter a amor e permanecer com o parceiro.

Para explicar essa relação entre os casais, Aronson, Wilson e Akert (1999), descrevem a relação de eqüidade nos relacionamentos novos, pois nesses casos as pessoas se sentem exploradas se estiverem contribuindo mais do que a outra, diferentemente da relação entre em amigos intímos, parceiros românticos e membros da família. Para esses autores dificilmente a eqüidade aparecerá nas relações onde envolve maior intimidade, pois para eles, nesse tipo de relação aos pessoas se doam sem se preocupar com a recompensa. Já para Myres (1997) é possível a eqüidade nessas relações, porém ela deve se dar à longo e não a curto prazo como ocorre com os novos relacionamentos. Para o autor, nas relações mais intímas, as pessoas não esperam retribuição imediata, pois amigos estão atentos as necessidades um do outro, e por isso, é classificado como eqüidade a longo prazo.

De acordo com Myers (1997, p. 233), os “relacionamentos intímos, ocupam o pensamento e influenciam as emoções”. Para o autor, quando as pessoas se apaixonam, elas geralmente se aceitam, se admiram, e ficam felizes. Porém quando rompem uma relação, as pessoas geralmente sentem “dor, raiva, ou desejo de isolamento”.

A partir do rompimento, os requeridos geralmente são os que sofrem mais. Segundo uma pesquisa realizada por Akert (1998, apud AROSON, WILSON e AKERT, 1999) sobre as experiências do rompimento do relacionamento amoroso, foi possível perceber que os requeridos sofriam mais, pois relataram altos níveis de depressão, infelicidade e raiva, e também apresentaram distúrbios físicos no inicio do rompimento. Já os requerente relataram que se sentiam culpados, porém o rompimento não foi muito doloroso e apresentaram poucos distúrbios físicos comparados com os requeridos.

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2.3.2. O Desenvolvimento do auto-conceito

Para a psicologia social o auto-conceito é muito relevante em várias situações sociais, pois ele representa “a imagem que fazemos de nós mesmos” que é representado “através da comparação com outras pessoas” (RODRIGUES, ASSMAR, JABLONSKI, 2003, p. 68). Para esses autores, o auto-conceito se forma através da percepção de si mesmos, da percepção de como ocorre a relação com os outros e através da comparação de si-mesmo com outras pessoas.

Para a Psicologia Social, é fundamental a influência da interação social na formação do auto-conceito. É possível identificar que desde a infância as pessoas são avaliadas, por familiares, amigos, professores ou estranhos. A perspectiva do outro apresenta, a percepção de que as pessoas são diferentes entre si, em grau e direção, ou seja, para saber “quem somos nós”, é preciso que os outros informem sobre isso (RODRIGUES, ASSMAR, JABLONSKI, 2003, p. 69). A partir disso é possível identificar que o auto-conceito refere-se às crenças, corretas ou não, que são acumuladas pelas pessoas do processo de interação social.

Para que seja possível processar as informações recebidas das pessoas com quem se tem alguma relação, é preciso ser influenciada por “esquemas sociais”. Segundo Baron e Byrne (1994, apud RODRIGUES, ASSMAR e JABLONSKI, 2003, p. 81), esquemas sociais são “coleções organizadas de crenças e de sentimentos acerca de algum aspecto do mundo. Eles funcionam como plataformas mentais e fornecem estrutura para a interpretação e a organização das novas informações com que nos deparamos”. Sendo assim, é possível perceber que existem esquemas acerca de pessoas, de si-mesmos, de comportamentos em certos ambientes, de determinado grupo, de gênero e entre outros.

A partir disso é possível perceber que a influência da interação social na formação do auto-conceito é de fundamental relevância, pois o auto-conceito se forma a partir da relação social. Sendo assim, é possivel identificar que as redes sociais que o sujeito têm, fazem parte da constituição do conceito que ele faz de si próprio e que assim vai se constituir também a auto-imagem. A partir disso será apresentado o conceito de auto-imagem a partir de Gouveia, Singelis e Coelho, que seguem a abordagem da psicologia social cognitiva.

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2.4.AUTO-IMAGEM

A auto-imagem expressa a percepção que a pessoa tem de si, sendo definida como “um conjunto de pensamentos, sentimentos e ações” acerca de suas próprias características e também da relação do indivíduo com outras pessoas (GOUVEIA, SINGELIS, COELHO, 2002, p. 52). Markus e Kitayama (1991, apud GOUVEIA, SINGELIS, COELHO, 2002) propõe dois tipos de auto-imagem, a auto-imagem independente e a auto-imagem interdependente.

Para Markus e Kitawa (1991 apud GOUVEIA, SINGELIS e COELHO, 2002, p. 50) a auto-imagem independente revela-se através das próprias caracteristicas internas do sujeito; até mesmo quando pensam nos outros consideram mais as “características, habilidades e atributos individuais destes do que o contexto social em que estão inseridos, seus papeis sociais e suas relações interpessoais”. Já a auto-imagem interdependente compreende características gerais, de um grupo determinado. Para os autores se fosse solicitado que a pessoa com este tipo de auto-imagem se descrevesse, ela se apresentaria como sendo um “bom amigo”, “um filho adorável”. Pessoas que tem uma auto-imagem mais interdependente provavelmente se recusaria a “indicar atributos essencialmente pessoais, denotando algum processo interno ou condição individual”.

Pessoas com auto-imagem independente tem como referência suas próprias habilidades, características, atributos e objetivos, em lugar dos pensamentos, sentimentos e ações dos outros e quando pensam sobre os demais, não consideram a relação, mas as características individuais de cada pessoa (MILFONT, 2005). A auto-imagem independente tende a ser “estável, unitária e delimitada” e a auto-imagem interdependente, “é flexível e variável” (MILFONT, 2005, p. 278). Segundo os autores, os indivíduos que apresentam auto-imagem interdependente não se concebem separados da situação em que se encontram, dependem dos demais e de suas relações com eles, regulando seus comportamentos sobre fatores contextuais (MARKUS, KITAYAMA, 1991 apud MILFONT, 2005).

Os conceitos de auto-imagem interdependente e independente, não são incompatíveis, pois quando a pessoa irá se apresentar, esses elementos individuais e sociais aparecem juntos (GOUVEIA, SINGELIS, COELHO, 2002; MILFONT, 2005). Markus e Kitayama (1991, apud GOUVEIA, et al, 2005, p. 234) afirma que algumas “emoções,

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como raiva, frustração, orgulho, tem atributos individuais internos” e emoções como: simpatia, vergonha, “necessitam muito mais de outra pessoa do que de atributos internos”. A auto-imagem “é uma variável potencialmente útil porque é multifacetada, dinâmica e sensível a influências situacionais” (GOUVEIA, SINGELIS, COELHO, 2002, p. 54).

Segundo Gouveia, Singelis e Coelho (2002), a auto-imagem interdependente compreende aspectos sociais, entre eles as redes sociais do sujeito. A partir disso é possível identificar que se o sujeito rompe um relacionamento conjugal ele provavelmente mudará seu circulo social, e assim influenciará na auto-imagem interdependente do sujeito. Para Giusti (1987)a partir da separação conjugal pode ocorrer um rompimento no círculo social do sujeito na separação conjugal. Para o autor, com esse rompimento o sujeito muitas vezes se isola socialmente. A partir disso é possível identificar que a auto-imagem interdependente do sujeito pode modificar devido a separação conjugal.

Pessoas que apresentam uma auto-imagem independente alta tendem a expressar diretamente o que pensam e sentem, resistem às situações que dão maior ênfase a interações sociais (GOUVEIA, et al, 2005). Segundo os autores, pessoas que apresentam uma auto-imagem interdependente, possuem interações estabelecidas socialmente, com um grupo específico ou com pessoas isoladas. Mosquera e Stobäus (2006) concordam com os autores afirmando que a auto-imagem surge na interação da pessoa com seu contexto social, nas relações estabelecidas com os outros e para consigo mesmo. Essas relações fazem parte de sua relação pessoal e ajudam no estabelecimento de sua estima e auto-imagem (GOUVEIA, et al, 2005).

Para Mosquera e Stobäus (2006), o ser humano pode entender e antecipar seus comportamentos, cuidar de suas relações com outras pessoas, aprender a interpretar o meio ambiente em que vive e tentar ser o mais adequado às exigências que lhe são feitas e que ele propõe para si mesmo. A linguagem, segundo os autores, seria a conexão entre o Eu e a sociedade na qual vive, entendendo melhor o processo de comunicação entre ele mesmo e os outros. Os autores destacam que a auto-imagem é uma espécie de organização da própria pessoa, é composta de uma “parte mais real e de outra mais subjetiva”, transformando-se em uma forma determinante e de grande significado para poder entender o meio ambiente em que vive, tentando perceber significados antes atribuídos ao meio, que depois são seus (MOSQUERA, STOBÄUS, 2006, p.84). A auto-imagem para os autores é o reconhecimento que é feito de si mesmo, como é sentido as atitudes, potencialidades,

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sentimentos e idéias. Para Antunes (2006) de acordo com o nível de auto-imagem que é apresentado, há reflexo na saúde psicológica e física da pessoa em questão.

Na separação conjugal, a identidade que o casal construiu a partir do casamento, vai aos poucos se desfazendo, levando os cônjuges a redefinirem suas identidades individuais (FÉRES-CARNEIRO, 2003). A partir disso, provavelmente a auto-imagem dessas pessoas também serão redefinidas. Segundo Féres-Carneiro (2003), o casal idealiza o casamento, e quando ele é rompido, é vivenciado como sofrimento. A partir desse sofrimento, provavelmente a auto-imagem do casal também é modificada.

Com a separação conjugal, o projeto de "constituir família" é interrompido, os homens tendem a se sentirem "frustrados" e "fracassados", e quando a "relação de amor" termina, as mulheres se sentem "magoadas" e "sozinhas" (FÉRES-CARNEIRO, 2003, p.371). Schabbel (2005 apud ROMARO, OLIVEIRA, 2008) relata outros sentimentos decorrentes da separação, como: perda, desamparo, abandono, rejeição, medo, insegurança e incertezas.

Os sentimentos de frustração e mágoa, insegurança tem relação com a auto-imagem independente, pois são sentimentos com atributos individuais internos (MARKUS, KITAYAMA, 1991 apud GOUVEIA, et al, 2005). Já sentimentos como abandono, rejeição, necessitam muito mais de outra pessoa do que “atributos internos” (MARKUS, KITAYAMA, 1991 apud GOUVEIA, et al, 2005). A partir disso é possível identificar que na separação conjugal há mudanças na auto-imagem dependente e interdependente.

A separação conjugal pressupõe uma “dissolução das relações de afeto, ou deterioração dos vínculos com a transformação dos afetos positivos antes existentes em negativos” (NAZARETH, 2004 apud ROMARO, OLIVEIRA, 2008, p.782). A partir disso, tendo em vista que auto-imagem é um “conjunto de pensamentos, sentimentos e ações” (GOUVEIA, SINGELIS, COELHO, 2002, p. 52), com as transformação de afetos que ocorrem na separação, provavelmente também há uma modificação na auto-imagem dessas pessoas.

A partir dessas informações é possível perceber que a auto-imagem é a percepção que cada pessoa tem de si mesmo. Conforme visto, a separação conjugal causa sofrimento nas pessoas que vivenciam esse processo (FÉRES-CARNEIRO, 2003), provavelmente esse sofrimento também influencia na percepção que a pessoa tem de si mesmo. A partir disso essa pesquisa se propõe a verificar qual a auto-imagem dos casais em processo de separação conjugal.

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3. MÉTODO

3.1.QUANTO AO TIPO DE PESQUISA

A pesquisa é caracterizada como exploratória, visando compreender, de forma adequada, a natureza do fenômeno, para fins de produção de conhecimento. Segundo Gil (1999) as pesquisas exploratórias constituem uma investigação ampla. Para o autor, quando o tema é genérico, é necessário o esclarecimento e delimitação, o que exige revisão da literatura, discussão com especialistas e outros procedimentos. “O produto final deste processo passa a ser um problema mais esclarecido, passível de investigação mediante procedimentos mais Sistematizados” (GIL, 1999, p.43).

O delineamento da pesquisa é caracterizado como pesquisa de campo, pois busca levantar dados no próprio local onde o fenômeno ocorre através de acesso direto com os sujeitos da pesquisa.

3.2.POPULAÇÃO/AMOSTRA

3.2.1. Escala de Auto-imagem

Foram realizadas vinte escalas de auto-imagem, sendo que dez foram requerentes e dez requeridos. Esses sujeitos estavam participando do processo de mediação do Fórum da Grande Florianópolis. A escala sobre auto-imagem é de autoria de Gouveia, Singelis e Coelho (2002). Para a realização da escala, foi solicitado autorização do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Foram considerados sujeitos da pesquisa pessoas que tinham relação de coabitação, união estável e/ou casamento e que deram entrada no Serviço de Mediação, do Fórum da Grande Florianópolis, para fazer a dissolução da união estável, separação conjugal ou divórcio. Foi definido como requerente, pessoas que solicitaram o pedido de

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separação no Fórum da Grande Florianópolis e como requerido foram consideradas as pessoas que foram convidadas a participar do processo, pelo requerente.

Inicialmente tinha-se como método da pesquisa realizar vinte e oito escalas. Esse número havia sido escolhido através do relatório semestral realizado em agosto de 2009, no Fórum da Grande Florianópolis. Nesse relatório foi possível identificar que houveram sessenta e sete triagens realizadas na mediação familiar, vinte e dois abandonos, seis processos encaminhados ao litigio e quatro processos de reconciliação, totalizando trinta e cinco mediações realizadas. A partir disso, segundo Barbetta (2002, p.43) “para termos uma amostra capaz de gerar resultados precisos para os parâmetros da população, necessitamos de uma amostra de aproximadamente 80% do total”. A partir disso, sendo que o total de mediações são trinta e cinco, 80% desse total é vinte e oito. A partir disso tinha-se como proposta realizar vinte e oito escalas. Porém o projeto de mediação no Fórum da Grande Florianópolis, teve início no final de março de 2010 e isso dificultou a coleta de dados da pesquisadora. Abaixo, é possivel verificar a caracterização dos sujeitos da escala.

Tabela I – Apresentação das características dos sujeitos que realizaram a escala de auto-imagem.

Sujeito Situação Idade Sexo Tempo de

relacionamento

Tempo de separação

Amanda Requerente 28 anos F 8 anos 5 meses

Rodrigo Requerido 29 anos M 5 anos 1 ano e 2

meses

Edemar Requerente 32 anos M 3 anos e 6

meses

3 anos

Diogo Requerente 26 anos M 4 anos 2 dias

Diana Requerida 26 anos F 5 anos e 2

meses

7 dias

Rosa Requerente 35 anos F 8 anos 5 anos

Denise Requerente 28 anos F 9 anos 3 anos

Tatiana Requerida 27 anos F 12 anos 5 meses

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“conclusão”

Henrique Requerente 55 anos M 25 anos 3 anos

Aline Requerente 28 anos F 12 anos 1 mês

Tamara Requerida 25 anos F 9 anos 5 meses

Ricardo Requerido 20 anos M 2 anos 6 meses

Samanta Requerida 28 anos F 9 anos 6 meses

Luzia Requerida 44 anos F 20 anos 1 mês

Eduardo Requerente 46 anos M 20 anos 1 ano

José Requerente 60 anos M 40 anos 4 meses

Liandra Requerida 59 anos F 40 anos 4 meses

Adilson Requerido 38 anos M 13 anos 1 ano e 6 meses

Lucas Requerido 51 anos M 23 anos 2 anos

Eduarda Requerente 49 anos F 23 anos 2 anos

Tabela I – Dados de Caracterização dos sujeitos da pesquisa. Fonte: Elaboração da autora, 2010.

Conforme pode ser identificado no Gráfico I, as escalas foram realizadas em 20 sujeitos, sendo dez requerentes e dez requeridos. Desses sujeitos nove foram do sexo masculino e onze do sexo feminino. A média de idade deles foi de 26 a 59 anos.

3.2.2. Entrevistas

Após a realização das escalas, foram realizadas dez entrevistas semi-estruturadas. As entrevistas foram gravadas para garantir maior fidedignidade das informações em relação as respostas dos sujeito. Foi solicitada autorização dos sujeito para a gravação de voz.

Inicialmente a proposta da pesquisadora, era realizar as escalas e após isso sortear os requentes e requeridos para a realização da entrevista. Após ter sido realizadas sete escalas de auto-imagem, pode-se identificar que não seria possível fazer dessa forma pelo tempo disponível para a pesquisa. A partir disso, a pesquisadora marcava as entrevistas com as pessoas que realizam mediação no Fórum da Grande Florianópolis e

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antes da entrevista realizava a escala de auto-imagem. Após serem realizadas dez entrevistas, a pesquisadora realizou as três escalas faltantes com outras pessoas que procuraram o serviço de mediação familiar. Foram realizadas dez entrevistas com os sujeitos, sendo cinco requerentes e cinco requeridos, que se disponibilizassem a participar.

Tabela II – Caracterização dos sujeitos entrevistados

Sujeitos Situação Idade Tempo de

separação Termpo de relacionamento Profissão Filho Rodrigo Requerido 29 anos 1 ano e 2 meses

5 anos garçon Sim

Amanda Requerente 28 anos

5 meses 8 anos Estudante Sim

Rosa Requerente 35 anos

5 anos 8 anos Do lar Sim

Henrique Requerente 55 anos

3 anos 25 anos Operador de

máquina

Sim Aline Requerente 28

anos

1 mês 12 anos Vendedora Sim

Tatiana Requerida 27 anos

5 meses 12 anos Manicure Sim

Ricardo Requerido 20 anos

6 meses 2 anos Desempregado Sim

Samanta Requerida 28 anos

6 meses 9 anos Professora Não

Luzia Requerida 44 anos

1 mês 20 anos Do lar Sim

Eduardo Requerente 46 anos

1 ano 20 anos Assistente

administrativo

Sim

Tabela II – Dados de caracterização dos sujeitos entrevistados Fonte: Elaboração da autora, 2010.

Na Tabela I, foram apresentadas a caracterização dos sujeitos. Os nomes descritos na Tabela I, são fictícios. Foi possível identificar que a faixa etária dos sujeitos é entre 27 a 55 anos de idade, pois essa faixa etária constitui a população que mais procura o Serviço de Mediação Familiar. O tempo de separação dos sujeitos entrevistados varia entre 1 mês à 5 anos e o tempo de relacionamento de 2 à 25 anos. Na Tabela I, foi possível identificar a existência de filhos e as profissões dos mesmos.

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3.3.PROCEDIMENTO DE CONTATO COM OS SUJEITOS

O projeto foi encaminhado para o Comite de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade do Sul de Santa Catarina, conforme a resolução do Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde CNS/MS nº 196/96.

As escalas de auto-imagem e as entrevistas semi-estruturadas, foram realizadas em uma sala da mediação familiar do Fórum da Grande Florianópolis. A sala é reservada e com pouco ruído. As aplicações das escalas duraram cerca de 10 a 15 minutos. As entrevistas foram gravadas e solicitada a autorização, através do Termo de Consentimento de gravações. As entrevistas duraram cerca de 20 a 40 minutos.

3.4.INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS

A pesquisa foi realizada através da escala de auto-imagem (ANEXO A) de Gouveia, Singelis e Coelho (2002) e dez entrevistas semi-estruturadas (APÊNDICE A).

Para aplicação da escala é preciso que a auto-imagem seja compreendida como uma variável “multifacetada, dinâmica e sensível a influências situacionais”, a auto-imagem tem um caracter relacional. (SINGELIS e BROWN, 1995 apud GOUVEIA, SINGELIS e COELHO, 2002, p. 54). Neste sentido, a escala é mais útil para explicar diferenças individuais, evitando o condicionamento temporal a que esteve sujeita a teoria da modernização (GOUVEIA, 1998, apud GOUVEIA, SINGELIS e COELHO, 2002). Sendo assim, a Escala de Auto-Imagem “se apresenta como um instrumento auto-aplicável, que procura medir o conjunto de pensamentos, sentimentos e ações que compõem suas dimensões independente e interdependente” (GOUVEIA, SINGELIS e COELHO. 2002 p. 54). Além disso a escala de auto-imagem permite a aplicação em um maior número de pessoas ao mesmo tempo.

A escala de auto-imagem contém trinta questões afirmativas, e tem-se o nível de mensuração ordinal, variando entre 1 (concordo fortemente) até 7 (discordo fortemente), onde os sujeitos escrevem ao lado das afirmações o seu nível de acordo ou desacordo.

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A escala de Gouveia, Singelis e Coelho (2002), avalia auto imagem interdependente e independente, conceito utilizado na pesquisa. As afirmações 01, 02, 03, 05, 06, 07, 09, 10, 13, 15, 18, 20, 22, 24, 25, 27, 29 e 30, avaliam a auto-imagem independente caso as pessoas respondam afirmativamentes em relação a essas questões. Caso elas discordem essas afirmações avaliam auto-imagem interdependente. As afirmações 04, 08, 11, 12, 14, 16, 17, 19, 21, 23, 26 e 28 avaliam a auto-imagem interdependente, se os sujeitos respondam afirmativamente em relação as questões.

Para a realização da escala, foi utilizada a escala de auto-imagem de Gouveia, Singelis e Coelho (2002), o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e para a realização da entrevista foi utilizado o roteiro de entrevista, um gravador MP3 e o Termo de Consentimento para Gravações.

Após a realização da escala de auto-imagem foram realizadas as entrevistas semi-estruturada, sendo cinco entrevistas com requerentes e cinco entrevistas com requeridos.

3.5. PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS

Foi verificada e confirmada a validade de construto da escala de auto-imagem, nas pesquisas de Gouveia, Singelis e Coelho (2002) e de Milfont (2005). A escala de auto-imagem não tinha sido testada para avaliar se há diferenças entre requerentes e requeridos em processo de separação conjugal. A partir disso, a pesquisadora aplicou a escala, em dois casais, um em processo de separação e outro já separado há 3 meses, para verificar se a escala consegue avaliar essa diferença. Após essa aplicação foi verificado que a escala avalia também a diferença de requerentes e requeridos.

Após a realização da escala de auto-imagem, foi realizado a entrevista em cinco requeridos e cinco requerentes. A entrevista semi-estruturada tem como objetivo identificar o projeto de futuro e as redes sociais das pessoas em processo de separação conjugal, no qual a escala de auto-imagem não aborda. Foi realizado um teste piloto da entrevista para verificar se a mesma avalia os objetivos da pesquisa. Após a realização do piloto e autorização do Comitê de Ética em Pesquisa, a pesquisadora iniciou sua coleta de dados.

Referências

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