MENSAGEM N.º 19/2011 Curitiba, 11 de maio de 2011
Senhor Presidente,
Tenho a honra de encaminhar a Vossa Excelência, para apreciação dessa augusta Assembleia Legislativa, o incluso anteprojeto de lei dispondo sobre a revisão anual, conforme dispõe o art. 27, X da Constituição do Estado.
JUSTIFICATIVA DO ANTEPROJETO DE LEI
Inicialmente, cumpre destacar a competência legislativa do Chefe do Poder Executivo Estadual para efetivar o encaminhamento da presente Mensagem de Lei, que tem por escopo conceder aos servidores do Estado do Paraná, a revisão anual obrigatória, prevista na Constituição do Estado, conforme já mencionado. Vejamos:
Art. 66. Ressalvado o disposto nesta Constituição, são
de iniciativa privativa do Governador do Estado as leis que disponham sobre:
I - criação de cargos, função ou empregos públicos na administração direta e autárquica do Poder Executivo ou aumento de sua remuneração;
Excelentíssimo Senhor Deputado VALDIR ROSSONI
CURITIBA – PR
Superada a discussão acerca da competência do Chefe do Poder Executivo para encaminhar a presente medida, insta destacar o que dispõe o conjunto normativo pertinente acerca do encaminhamento da presente Mensagem de Lei.
Assim, dispõe a Constituição do Estado do Paraná:
Art. 27. A administração pública direta, indireta e fundacional, de qualquer dos Poderes do Estado e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, razoabilidade, eficiência, motivação, economicidade e, também, ao seguinte:(Redação dada pela Emenda Constitucional 11 de 10/12/2001)
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o §4° do art. 39 da Constituição Federal, somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices; (Redação dada pela Emenda Constitucional 7 de 24/04/2000) (vide Lei 15.799 de 16/04/2008)
Nesse mesmo sentido, dispõe a Lei n.° 15.512/2007:
Art. 7º. Fica instituída a data de primeiro de maio de cada ano para a revisão geral anual, atendidos os mesmos critérios e limitações de ordem orçamentária, financeira e de responsabilidade fiscal referidas no artigo 5.º e seu parágrafo único.
Fica claro, portanto, que é obrigação do Chefe do Poder Executivo, decorrente de Lei, anualmente, efetivar o encaminhamento de Mensagem ao Poder Legislativo com o escopo de reajustar o vencimento dos servidores públicos estaduais, nos termos do anteprojeto que encaminhamos anexo à presente mensagem.
No presente projeto serão abrangidos servidores da Carreira de Advogado, Auditor Fiscal – CRE, Procurador, Carreira de Logística e Gestão em Ciência e Tecnologia e Carreira Técnico-Científica do Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR, Carreira Docente e Técnica Universitária das Instituições de Ensino Superior – IEES, Polícia Militar – PMPR, Quadro Próprio da Polícia Civil – QPPC, Quadro Próprio dos Peritos Oficiais – QPPO, Quadro Próprio do Poder Executivo – QPPE, Quadro Próprio
do Magistério – QPM, Quadro Único de Pessoal – QUP, Quadros dos Funcionários da Educação Básica – QFEB, Agente de Assistência e Extensão – EMATER e Quadro Próprio do Instituto EMATER – QPEM.
Também estão contemplados os Contratos em Regime Especial – CRES, PARANAEDUCAÇÃO, Convênios com APAE’s, os Cargos de Provimento em Comissão, Gratificações do QPPE e a Gratificação de Saúde das IEES.
Saliente-se que o custo mensal da folha de pagamento do Poder Executivo, no mês de fevereiro de 2011, foi de aproximadamente R$ 740.000.000,00 (setecentos e quarenta milhões de reais), incluído o Auxílio Transporte dos Professores e os Contratos de Regime Especial – CRE’s.
No corrente ano, após estudos da Secretaria de Estado da Administração e da Previdência, juntamente com a Secretaria de Estado da Fazenda, equalizou-se o índice de 6,5% (seis vírgula cinco por cento), termo bastante assemelhado ao percentual estabelecido para o salário-mínimo regional.
A aplicação do índice acima mencionado importará em um custo mensal da ordem de R$ 47.000.000,00 (quarenta e sete milhões de reais), alcançando, aproximadamente, 248.000 (duzentos e quarenta e oito mil) servidores ativos, inativos e geradores de pensão.
Destaque-se, por fim, que o aumento de despesa, decorrente da implantação da revisão geral, consta da previsão de despesa de pessoal do Poder Executivo.
Não obstante, vale mencionar as alterações promovidas através do artigo sexto do anteprojeto encaminhado, que versam sobre a rubrica componente dos cargos de provimento em comissão do Poder Executivo do Estado, denominadas Encargos Especiais.
A Lei n.° 6.174/1970 é clara ao afirmar em seu art. 178, que os encargos especiais devem ser pagos aos servidores que prestam assessoramento direto ao Chefe do Poder Executivo, senão vejamos:
Art. 178. A gratificação mencionada no inciso VIII, do art. 172, se destina aos servidores aos quais forem atribuídos encargos de assessoramento direto ao Chefe do Poder Executivo e outros definidos em lei ou regulamento.
legal vigente, resolvendo questões antinômicas criadas em momento anterior. Dessa forma, mostra-se que se concretiza mais uma atitude corajosa da presente gestão estadual.
Nessa mesma toada, através da presente alteração legislativa, temos o afastamento do tratamento ilegalmente discricionário levado a efeito no passado, através de decretos que deixavam ao alvedrio do administrador a concessão dos encargos especiais em termos distintos dos legalmente previstos.
Acerca da legalidade de tal rubrica, podemos citar o disposto no art. 15, da Lei Estadual 13.666, que institui o Quadro Próprio do Poder Executivo do Estado do Paraná – QPPE. Vejamos:
Art. 15 - Aplicam-se aos integrantes da presente estruturação administrativa e funcional, a seguinte estrutura de remuneração:
(...)
VI - Encargos Especiais: retribuição financeira extraordinária, de caráter transitório, para atividades ou tarefas de maior responsabilidade previstas em Lei ou regulamento, cujo valor monetário não poderá exceder a 4/5 (quatro quintos) do vencimento base, desde que não esteja contemplada em gratificações ou adicionais de mesma natureza ou peculiaridade, não sendo incorporável na inatividade e sendo extinta sua aplicação quando extinto o fato gerador que a deu ensejo; e
A presente medida, também se deve esclarecer, não acarreta aumento salarial imediato para os servidores, com consequente inexistência de aumento de custos ao Poder Público, exceto, é claro, os decorrentes do índice geral ora proposto.
Por fim, importante destacar a disposição normativa no sentido de alterar a nomenclatura dos cargos de assistência para assessoramento técnico ou administrativo, vez que de encontro ao disposto na Constituição Federal, senão vejamos:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional n.º 19, de 1998)
(...)
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento; (Redação dada pela Emenda Constitucional n.º 19, de 1998)
Mais uma vez, fica claro o comprometimento da atual Gestão do Estado para com a legalidade, a moralidade e a eficiência, princípios basilares da Administração Pública.
Assim, o encaminhamento da presente Mensagem demonstra o compromisso do Governo do Estado do Paraná, no sentido de cumprir com seu Plano de Governo, a lei e o seu compromisso perante a sociedade.
Certo de que a medida merecerá dessa Assembleia Legislativa o necessário apoio e consequente aprovação, reitero a Vossa Excelência meus protestos de apreço e consideração.
CARLOS ALBERTO RICHA Governador do Estado
PROJETO DE LEI N.º 395 /2011
Concede o Índice Geral de 6,5% nas tabelas de vencimento básico de todas as carreiras estatutárias civis e militar, do Poder Executivo do Estado do Paraná e dá outras providências.
Art. 1° - Fica concedido o índice geral de 6,5% (seis vírgula cinco por
cento) na referência salarial inicial das tabelas de vencimento básico, com consequente reflexo, nos interníveis e interclasses, respeitada a amplitude salarial e a dinâmica intercargos, a todas as carreiras estatutárias civis e militar, do Poder Executivo do Estado do Paraná, com fulcro no art. 27, X, da Constituição do Estado.
Art. 2º - O disposto nesta Lei aplica-se aos inativos e geradores de pensão
das carreiras civis e militar do Poder Executivo, inclusive aos proventos decorrentes de aposentadorias de servidores alcançados pela Emenda Constitucional n.° 41/2003, mesmo que não tenham direito à paridade.
Art. 3º - O aumento percentual de 6,5% (seis vírgula cinco por cento)
abrange os servidores ativos integrantes das Carreiras de Advogado, Auditor Fiscal – CRE, Procurador, Carreira de Logística e Gestão em Ciência e Tecnologia e Carreira Técnico-Científica do Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR, Carreira Docente e Técnica Universitária das Instituições de Ensino Superior – IEES, Polícia Militar – PMPR, Quadro Próprio da Polícia Civil – QPPC, Quadro Próprio dos Peritos Oficiais – QPPO, Quadro Próprio do Poder Executivo – QPPE, Quadro Próprio do Magistério – QPM, Quadro Único de Pessoal – QUP, Quadros dos Funcionários da Educação Básica – QFEB, Agente de Assistência e Extensão – EMATER e Quadro Próprio do Instituto EMATER – QPEM, os Contratos em Regime Especial – CRES, PARANAEDUCAÇÃO, Convênios com APAE’s, o vencimento básico e os encargos especiais dos Cargos de Provimento em Comissão e as Gratificações do QPPE e Gratificação de Saúde das IEES.
Art. 4°. O disposto nesta Lei não se aplica às Empresas Públicas,
Sociedades de Economia Mista e Entes de Cooperação Econômica.
Art. 5°. A aplicação do índice fixado no art. 1° e a implementação em folha
de pagamento ficam condicionadas à disponibilidade orçamentária e financeira, ao comportamento da receita e às disposições da Lei Complementar Federal n.° 101/2000, ao longo do exercício de 2011.
Art. 6° - O art. 3° da Lei n.° 15.044/2006, passa a vigorar com a seguinte
redação:
“Art. 3° - Fica vedada a aplicação dos incisos V e VI do art. 15 da Lei n.° 13.666/2002, excetuados os casos referentes à Governadoria, no que tange ao inciso VI, conforme art. 178 da Lei n.° 6.174/1970, a ser regulamentado por ato do Chefe do Poder Executivo.
Parágrafo Único – Os encargos especiais são de natureza precária e transitória, não sendo computados para quaisquer fins, inclusive para a inatividade e geração de pensão.”
Art. 7° - Os cargos pertencentes ao quadro de cargos de provimento em
comissão do Poder Executivo do Estado do Paraná, simbologia “C”, denominados cargos de assistência, passam a ser denominados cargos de assessoramento.
Parágrafo único – A distinção entre os cargos de assessoramento de simbologia “C” será efetivada mediante a utilização das terminologias “técnica” ou “administrativa”, conforme designação de funções afetas.
Art. 8°. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Curitiba, em 11 de maio de 2011, 190° da Independência e 123° da República.
CARLOS ALBERTO RICHA Governador do Estado