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Simulação da dinâmica da biomassa do pinhal

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Academic year: 2021

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Simulação da dinâmica da biomassa do pinhal

Primeira contribuição*

por

LUÍS SOARES BARRETO

Professor Catedrático do Instituto Superior de Agronomia

RESUMO

É apresentado um modelo simples da dinâmica da biomassa do pinhal

(Pmus pinaster Ait.) em condições análogas às do Pinhal de Leiria. O pinhal

simulado está só sujeito ao auto-desbaste (mortalidade natural). A evolução da biomassa do fuste ajusta-se aceitavelmente ao observado no Pinhal de Leiria.

SYNOPSIS

A simple model is developped to simulate the biomass dynamic of a pinewood (Pinus pinaster Ait.) in conditions close to those of the Leiria Pinewood (Pinhal de Leiria, Portugal). The simulation takes in account only self-thinning. The evolution of the trunk biomass is in good agreement with the one observed in Leiria Pinewood.

(2)

1. INTRODUÇÃO

A elaboração de modelos complexos, se imaginativos e qui­ çá elegantes, tem o inconveniente de requerer dados muitas vezes inexistentes e por isso conduzir, geralmente, ao estabelecimento genérico de parâmetros e hipóteses controversas e, por fim, a pro­ blemas por vezes insolúveis, ou quase, de validação e calibração. Ainda recentemente, J0RGENSEN (1983; cap. 2) deplorava a ten­ dência para desenvolver modelos complexos em detrimento dos simples, para os quais é possível dispor de dados quer para a sua formulação quer para a calibração e validação.

Embora o pinheiro bravo seja a nossa principal espécie flores­ tal, do ponto de vista económico, ainda não estudámos o pinhal tão aprofundadamente como seria desejável, por isso não dispo­ mos de dados que permitam fundamentar uma sua modelação complexa e pormenorizada. Nesta situação, propomos aqui um modelo simples da dinâmica da biomassa do pinhal recorrendo aos parcos dados existentes e, inevitavelmente, a informação da literatura que generalizamos para o pinhal.

Dentro da nossa linha de preocupações, no Centro de Estudos Florestais, é possível que no futuro nos abalancemos a um esforço no sentido de gerar mais informação sobre o pinhal, capaz de permitir a elaboração de modelos mais complexos e a mais extensa validação do modelo agora proposto.

2. O MODELO

2.1. ESTRUTURA E ASPECTOS GERAIS

O modelo assenta na estimativa da biomassa do fuste da árvore média do povoamento. A biomassa da árvore média é obtida a partir do seu diâmetro, derivado este da idade do povoa­ mento. O pinhal só está sujeito a mortalidade natural (auto- -desbaste). Estabelece-se assim a densidade do povoamento nas várias idades. Estas densidades são multiplicadas pelas respec- tivas biomassas do fuste da árvore média para obter a biomassa total do fuste do povoamento. Multiplicando esta biomassa do

(3)

fuste por coeficientes adequados obtêm-se as biomassas das diver­ sas componentes.

A figura 1 esclarece a estrutura básica do modelo.

FIGURA 1 Estrutura do modelo.

I

CÁLCULO DO DIÂMETRO DA ÁRVORE MÉDIA A PARTIR DA IDADE

1

O modelo foi calibrado recorrendo aos dados sobre o volume principal do pinheiro bravo, Mata Nacional de Leiria, inseridos no Quadro 2 de PÁSCOA (1984). Admitiu-se que a um metro cúbico de madeira em pé correspondem 500 kg de matéria seca. Aceitou-se que os volumes do pinhal estudado por PÁSCOA e o simulado por nós (não desbastado) seriam iguais só diferindo na maneira como se distribuiram pelos vários indivíduos presentes. A simulação estende-se dos 15 aos 50 anos.

(4)

2.2. ESTABELECIMENTO DO DIÂMETRO DA ÁRVORE MÉDIA O D AP

da árvore média foi estabelecido recorrendo à relação

(I

= idade):

D AP

=0,6/

15 <

I

< 50 anos .

(cm)

Foi, pois linearizada a relação

DAP-ida.de,

no intervalo consi­

derado.

2.3. ESTABELECIMENTO DA DENSIDADE DO POVOAMENTO

As densidades do povoamento, sujeito só a auto-desbaste,

foram estabelecidas através da relação proposta por KHIL’MI

(1962)

n

,

=

em que

Ni =

Número de árvores/hectare, na idade

I

N0 =

Número de árvores inicial (por ha), na idade inicial

I0 N

= Número de árvores/ha para que o povoamento tende

com a idade (densidade final)

a =

Constante dependente da espécie

No nosso caso:

10 —

15 anos

N0

= 2500

N

= 200

(5)

2.4. BIOMASSA DO FUSTE

Para estabelecer a biomassa do fuste da árvore média recor­ reu-se à relação

FT = 0,00003 d2-65448

em que FT = biomassa do fuste em toneladas matéria seca e D = D AP em cm.

Esta relação foi ajustada a partir duma tabela de volume para a Mata de Pedrógão.

2.5. DERIVAÇÃO DA BIOMASSA DAS COMPONENTES

Baseados na informação disponível sobre o género Pinus, re­ corremos aos seguintes factores para conversão da biomassa do fuste em biomassa das componentes da floresta:

Ramos: 0,2 Agulhas: 0,057 Raízes: 0,262

Manta viva (toda a vegetação não arbórea): 0,039 Manta morta: 0,25.

3. SIMULAÇÃO

A partir deis relações atrás introduzidas estabeleceu-se um modelo dinâmico que proporcionou os resultados inseridos no Quadro 1, e representados na figura 2. Na coluna (10) deste qua­ dro inserem-se os valores da biomassa total produzida no estrato arbóreo (biomassa de pinheiro). Estes valores foram determina­ dos adaptando a fórmula de Magin e recorrendo a PÁSCOA (1984)

para estabelecer os valores do parâmetro K utilizados.

No Quadro 2, inserem-se os valores da biomassa do fuste do pinhal da Mata Nacional de Leiria derivados dos volumes estima­ dos por PÁSCOA (1984) e os valores obtidos na simulação.

(6)

QUADRO 1

Simulação da dinâmica da biomassa do pinhal. Toneladas de matéria seca/hectare. Idade (anos) (D Densidade (N? árvores/ha) (2) Biomassa do fuste (3) Biomassa dos ramos (4) Biomassa das agulhas (5) 15 2500 25,575 5,115 1,458 20 1758 38,623 7,725 2,201 25 1299 51,576 10,315 2,940 30 1001 64,514 12,903 3,677 36 799 77,527 15,505 4,419 40 659 91,146 18,229 5,195 45 558 105,507 21,101 6,014 50 484 121,047 24,209 6,900 Biomassa das raízes (6) Biomassa da manta viva (7) Biomassa da manta morta (8) Biomassa da floresta exist. (3+4+5+6+7+8) O) Biomassa total prod. no estr. arbóreo (10) 6,700 0,997 6,394 46,239 38,848 10,119 1,506 9,656 69,830 67,129 13,513 2,011 12,894 93,249 96,867 16,903 2,516 16,128 116,641 127,344 20,312 3,023 19,382 140,168 158,381 23,880 3,555 22,786 164,791 189,998 27,642 4,114 26,377 190,755 222,477 31,714 4,721 30,261 218,852 256,097 4. CONCLUSÕES E COMENTÁRIOS

A informação disponível só permite apreciar o comportamen­ to da simulação relativamente à biomassa do fuste. De acordo com o Quadro 2, os valores simulados são aceitáveis, embora ocorra uma tendência para a sobrestimação nas idades mais elevadas.

Esta sobrestimação possivelmente derivará da linearização da

relação diâmetro-idade, para a árvore média.

(7)

FIGURA 2

Evolução dos valores simulados das biomassas.

(8)

QUADRO 2

Comparação entre a biomassa do fuste na Mata Nacional de Leiria e os valores simulados.

Toneladas m.s./ha.

Idade

Biomassa do fuste na Mata N. de Leiria, a partir de Páscoa (1984) Simulação da biomassa do fuste Desvio percentual 15 25,20 25,575 + 1,4 20 38,15 38,623 + 1,2 25 51,45 51,576 +0,2 30 64,50 64,514 0,0 35 76,75 77,527 + 1,0 40 88,25 91,146 +3,3 45 98,40 105,507 +7,2 50 107,20 121,047 + 12,9

É também discutível que as biomassas das outras componen­ tes da árvore não atinjam o seu máximo antes da do fuste.

E pois provável que, para as idades mais elevadas, as biomas­ sas das componentes e total estejam mais sobrestimadas que a do fuste, admitindo a curialidade dos factores de conversão utiliza­ dos para as menores idades. A confirmação da correcção destes factores tem de aguardar que se venha a dispor de informação adicional sobre o pinhal. Esta situação justifica o não termos es­ tendido a simulação para além dos 50 anos.

A biomassa da manta morta também deverá estabilizar-se

antes de culminado o nosso período de simulação. Outra si­

mulação que efectuámos

(BARRETO, 1981a)

deixa prever que a

biomassa da manta morta deverá estabilizar-se para valores da

ordem das

23,50

t m.s./ha.

(9)

Sob a actual perspectiva de uma eventual utilização da bio- massa das florestas para energia, e não só, a elaboração de mo­ delos expeditos de predição de biomassa de povoamentos auto- -desbastados a partir de variáveis de fácil aferição ganha relevante interesse e justifica plenamente a linha de trabalho agora aborda­ da e iniciada, assim como a divulgação deste esforço.

BIBLIOGRAFIA

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de ecossistemas em equilíbrio, de Portugal. Lisboa, Centro de

Estudos Florestais, INIC.

Barreto, Luís S. (1981b) — Biomassa das florestas. Texto didáctico.

Lisboa, Instituto Superior de Agronomia.

Barreto,

Luís

S.; Fabiâo, António D. (1981) — Biomass and

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J0RGENSEN, S.E. (COMP.) (1983) — Application of Ecological Mo-

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Páscoa, Fernando (1984) — Determinação do volume total em po­

voamentos de pinheiro bravo. Lisboa, Instituto Superior de

Agronomia, Gabinete de Economia Florestal.

TABELAS — Lisboa, Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas,

(10)

Imagem

FIGURA 1  Estrutura do modelo. CÁLCULO DO DIÂMETRO I DA ÁRVORE MÉDIA A  PARTIR DA IDADE 1

Referências

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