CEPA 2017
1º ANO
Ponto 1 – parte 1
Adalberto Calógeras e Beatriz Calógeras, casados entre si, domiciliados em
São Paulo, onde residem na Rua Y, 100, Jardim América, prometeram vender a Casemiro Dantas, casado com Deolinda Dantas, igualmente domiciliados em São Paulo, onde residem na Rua Z, 1, Tatuapé, mediante contrato particular, um imóvel consistente em uma casa localizada em São Paulo na Rua X, 99, Jardim Paulista, da qual são proprietários. O preço ajustado foi de R$ 130.000,00 a ser pago da seguinte forma: R$ 30.000,00 como sinal e princípio de pagamento e o restante em 10 parcelas mensais, iguais e sucessivas, cada qual do valor de R$ 10.000,00, vencendo-se a primeira 30 dias após a celebração do contrato e as demais no dia 10 dos meses subsequentes. Quando da concretização do negócio jurídico, a posse direta do imóvel foi transferida aos promitentes compradores. Ficou avençado que o não pagamento de qualquer das parcelas do preço em seu vencimento implicaria a incidência de multa moratória de 10% bem como de juros moratórios de 1% ao mês sobre as parcelas devidas.
Ponto 1 – parte 2
Avençou-se, ainda, que em caso de não pagamento os promitentes compradores seriam constituídos em mora pelos meios regulares e previstos na legislação que rege a matéria e, se não a purgassem, perderiam, em favor dos promitentes vendedores, todas as quantias até então pagas por conta do preço, sem prejuízo das perdas e danos que viessem a ser apurados.
Os promitentes compradores deixaram de pagar a terceira parcela vencida, tendo sido constituídos em mora por meio de carta simples, cujo prazo expirou-se faz cinco dias.
Questões:
1. Elaborar o instrumento procuratório a ser outorgado pelos promitentes vendedores em favor de seu advogado para agir na defesa de seus interesses.
2. Elaborar a medida premonitória destinada a constituir em mora os promitentes compradores.
Questão 1 – Procuração
Questões:
1. Elaborar o instrumento procuratório a ser outorgado pelos promitentes vendedores em favor de seu advogado para agir na defesa de seus interesses. (...)
Adalberto Calógeras e Beatriz Calógeras, casados entre si, domiciliados em São
Paulo, onde residem na Rua Y, 100, Jardim América, prometeram vender a Casemiro
Dantas, casado com Deolinda Dantas, igualmente domiciliados em São Paulo, onde residem na Rua Z,
1, Tatuapé, mediante contrato particular, um imóvel consistente em uma casa localizada em São Paulo na Rua X, 99, Jardim Paulista, da qual são proprietários. O preço ajustado foi de R$ 130.000,00 a ser pago da seguinte forma: R$ 30.000,00 como sinal e princípio de pagamento e o restante em 10 parcelas mensais, iguais e sucessivas, cada qual do valor de R$ 10.000,00, (...) Avençou-se, ainda, que em
caso de não pagamento os promitentes compradores seriam constituídos em mora pelos meios regulares e previstos na legislação que rege a matéria e, se não a purgassem, perderiam, em favor dos promitentes vendedores, todas as quantias até então pagas por conta do preço, sem prejuízo das perdas e danos que viessem a ser apurados. Os promitentes compradores deixaram de pagar a terceira parcela vencida, tendo sido constituídos em mora por meio de carta simples, cujo prazo expirou-se faz cinco dias.
Instrumento
• A procuração é o instrumento do mandato, portando
faz prova do negócio jurídico existente entre as partes.
• A procuração pode de ser conferida por instrumento
público, ou por instrumento particular assinado pela
parte.
• Atenção
, segundo a lei, apenas “as pessoas capazes
são aptas para dar procuração mediante instrumento
particular, que valerá desde que tenha a assinatura do
outorgante” (CC, art. 654).
Forma do Instrumento
• A lei estabelece alguns requisitos para a elaboração da
procuração (CC, art. 654, § 1.º):
– a indicação do lugar onde foi passado;
– a qualificação do outorgante;
– a qualificação do outorgado;
– a data da outorga;
– o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos
poderes conferidos.
• A procuração para fins judiciais “fica subordinada às
normas que lhe dizem respeito (...), supletivamente, às
estabelecidas neste Código” (CC, art. 692).
Procuração Judicial
• A procuração judicial pode ser geral para o foro ou com poderes
especiais (CPC, art. 105).
• Segundo o referido artigo “A procuração geral para o foro,
outorgada por instrumento público
ou particular assinado pela
parte
, habilita o advogado a praticar todos os atos do processo,
exceto
receber citação, confessar, reconhecer a procedência do
pedido,
transigir, desistir,
renunciar ao direito sobre que se
funda a ação,
receber, dar quitação e firmar compromisso
e
assinar declaração de hipossuficência econômica, que devem
constar de cláusula específica” (CPC, art. 105).
Modelo
de Procuração
Pelo presente instrumento particular de mandato, Adalberto Calógeras, brasileiro, (profissão), portador da cédula de identidade RG n.º (número) e inscrito no CPF sob o n.º (número), e sua esposa Deolinda Dantas, brasileira,
(profissão), portadora da cédula de identidade RG n.º (número) e inscrita no CPF sob o n.º (número), ambos casados, residentes e domiciliados em São Paulo, na Rua Z, 1, Tatuapé, nomeiam e constituem como seu procurador o advogado
(nome completo), (nacionalidade), (estado civil), inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Secção de São Paulo sob o n.º (número) e no CPF sob o n.º
(número), integrante da sociedade de advogados (nome completo), inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil, Secção de São Paulo sob n.º (número), domiciliado nesta Capital, na Rua (endereço completo), ao qual outorga os poderes da cláusula “ad judicia” para o foro em geral e, notadamente, para promover medida premonitória destinada a constituir em mora os promitentes compradores do imóvel localizado nesta Capital, na Rua X, 99, Jardim Paulista, conferindo, ainda, poderes para transigir, desistir, receber, dar quitação e firmar
compromisso, na conformidade do art. 105 do CPC e do art. 5º da Lei 8.906/94.
São Paulo, (data). (assinatura)
Questão 2 – Interpelação
Questões:
2. Elaborar a medida premonitória destinada a constituir em mora os promitentes compradores.
Adalberto Calógeras e Beatriz Calógeras, casados entre si, domiciliados em São Paulo, onde residem na
Rua Y, 100, Jardim América, prometeram vender a Casemiro Dantas, casado com Deolinda Dantas, igualmente domiciliados em São Paulo, onde residem na Rua Z, 1, Tatuapé, mediante contrato particular, um imóvel consistente em uma casa localizada em São Paulo na Rua X, 99, Jardim Paulista, da qual são proprietários. O preço ajustado foi de R$ 130.000,00 a ser pago da seguinte forma: R$ 30.000,00 como sinal e princípio de pagamento e o restante em 10 parcelas mensais, iguais e sucessivas, cada qual do valor de R$ 10.000,00, (...) Avençou-se, ainda, que em caso de não
pagamento os promitentes compradores seriam constituídos em mora pelos meios regulares e previstos na legislação que rege a matéria e, se não a purgassem, perderiam, em favor dos promitentes vendedores, todas as quantias até então pagas por conta do preço, sem prejuízo das perdas e danos que viessem a ser apurados. Os promitentes compradores deixaram de pagar a terceira parcela vencida, tendo sido constituídos em mora por meio de carta simples, cujo prazo expirou-se faz cinco dias.
Questão 2 – Solução
No caso o objetivo é a constituir em mora os promitentes compradores. Parte 1 – O que é mora?
A mora pode ser configurada como o descumprimento de uma obrigação, notadamente quando o devedor não cumprir, por sua culpa, a prestação devida na forma, tempo e lugar estipulados.
Importante lembrar que amora pode ser manifesta de duas formas:
• Mora ex re (arts. 397, 1ª alínea, 390 e 398, todos do Código Civil) – é a mora que decorre da lei. Esta resulta do próprio fato da inexecução da obrigação,
independendo, de provocação do credor.
• Mora ex persona (arts. 397, 2ª alínea do Código Civil; Artigos. 867 a 873 e 219 do Código de Processo Civil) – é a mora que decorre de providências do credor, sendo seu dever constituir o devedor em mora (notificação, interpelação etc.)
Questão 2 – Solução
No caso o objetivo é a constituir em mora os promitentes compradores. Parte 2 – A mora no compromisso de venda e compra
A Lei Federal n. 13.097/2015 dispõe sobre a resolução extrajudicial do compromisso de compra e venda de imóvel comprado em parcelas em razão do inadimplemento do comprador, dando nova redação ao art. 1º do Decreto-Lei nº 745, de 7 de agosto de 1969:
“Art. 1º Nos contratos a que se refere o art. 22 do Decreto-Lei no 58, de 10 de dezembro de 1937, ainda que não tenham sido registrados junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, o inadimplemento absoluto do promissário comprador só se caracterizará se,
interpelado por via judicial ou por intermédio de cartório de Registro de Títulos e Documentos, deixar de purgar a mora, no prazo de 15 (quinze) dias contados do recebimento da interpelação.
Parágrafo único. Nos contratos nos quais conste cláusula resolutiva expressa, a resolução por
inadimplemento do promissário comprador se operará de pleno direito (art. 474 do Código Civil), desde que decorrido o prazo previsto na interpelação referida no caput, sem purga da mora.” (NR)
Importante ressaltar que a nova lei determina que haja i) previsão expressa no contrato e
ii) inadimplemento absoluto do comprador, isto é, impõe-se que o comprador não efetue o
Considerações Prévias
Os protestos, as notificações e as
interpelações
são
manifestações formais de comunicação de vontade
unilateral, a fim de prevenir responsabilidade e
eliminar futura alegação de ignorância.
Nunca tiveram caráter constritivo de direitos, motivo
pelo qual a regra do
art. 806 do antigo CPC
(30 dias para apropositura da ação principal)
, nunca se aplicou às suas
hipóteses.
Agora,
no
novo
CPC,
art.
726
,
encontram-se
adequadamente inseridas entre os procedimentos de
jurisdição voluntária.
Considerações Prévias
Dispõe o
art. 726
:
“Quem tiver interesse em manifestar
formalmente sua vontade a outrem sobre assunto juridicamente
relevante poderá notificar pessoas participantes da mesma
relação jurídica para dar-lhes ciência de seu propósito”
e o
art.
727
dispõe que:
“Também poderá o interessado interpelar o
requerido, no caso do art. 726, para que faça ou deixe de fazer o
que o requerente entenda ser de seu direito”
.
Tecnicamente, esses avisos ensejam procedimentos sem
lide
(jurisdição voluntária)e sem processo
(relação jurídica processual),
podendo ser utilizada a via judicial ou
extrajudicial.
Com efeito, além do meio judicial a via extrajudicial poderá
ser escolhida e o ato de manifestação será cumprido pelos
Cartórios de Registro Público (Títulos e Documentos).
Considerações Prévias
Por fim impõe notar, nos termos do
art. 729
que
“
deferida e realizada a notificação ou interpelação, os autos
serão entregues ao requerente”
demonstrando de modo
insofismável a total ausência de lide nessa espécie de
procedimento.
Interpelação Extrajudicial
Ilmo. Sr.
Fulano de Tal
Rua
(endereço)
São Paulo – SP
Pela presente, (nome e qualificação da parte compromissária
vendedora), com domicílio nesta Capital, na Rua (endereço),
portador da cédula de identidade RG nº (número), inscrito no CPF
sob o nº (número), vem INTERPELAR Vossa Senhoria, que:
1. Conforme "CONTRATO DE COMPROMISSO DE VENDA E
COMPRA", firmado em .../.../..., foi prometida a Vossa
Senhoria a venda em caráter irretratável do seguinte bem imóvel
(descrição do bem) ... .
Interpelação Extrajudicial
2. Na cláusula .... ficou pactuado que Vossa Senhoria pagaria até
dezembro de 20__, mensalmente, a quantia de R$ ...
(...), sendo certo, ainda, que desde janeiro de 20__, os
pagamentos não estão sendo realizados.
3. O inadimplemento das obrigações contraídas por Vossa Senhoria,
segundo dispõe o referido contrato, dá azo à rescisão contratual,
devendo o bem imóvel ser retomado imediatamente, respondendo,
ainda, a compromissária compradora pela multa e outras
indenizações nele previstas.
4. Em função disto, tem a presente a finalidade de
interpelar
Vossa
Senhoria para caracterizar efetivamente a sua mora, com as
consequências decorrentes.
São Paulo, data.
Interpelação Extrajudicial
Ilmos. Srs.Casemiro Dantas e Deolinda Dantas
Rua Z, 1 – Tatuapé São Paulo – SP
Pela presente, Adalberto Calógeras, brasileiro, (profissão), portador da cédula de identidade RG n.º (número) e inscrito no CPF sob o
n.º (número), e sua esposa Deolinda Dantas, brasileira, (profissão),
portadora da cédula de identidade RG n.º (número) e inscrita no CPF sob o
n.º (número), ambos casados, residentes e domiciliados em São Paulo, na
Rua Z, 1, Tatuapé, vêm, pelo advogado que os representa (documento anexo) INTERPELAR Vs. Sªs., que:
1. Conforme "CONTRATO DE COMPROMISSO DE VENDA E COMPRA", firmado em (data), foi prometida a venda em caráter irretratável do seguinte bem imóvel consistente numa casa localizada em São Paulo na Rua X, 99, Jd. Paulista, assim descrita nos registros imobiliários (descrição do bem).
Interpelação Extrajudicial
2. Na cláusula .... ficou pactuado que Vs. Sªs. além do sinal de R$ 30.000,00, pagariam mais 10 parcelas mensais, iguais e sucessivas, cada qual do valor de R$ 10.000,00, vencendo-se a primeira 30 dias após a celebração do contrato e as demais no dia 10 dos meses subsequentes.
3. É certo que desde janeiro do corrente ano os pagamentos não estão sendo realizados, e que o inadimplemento das obrigações contraídas por Vs. Sªs, segundo dispõe o referido contrato, dá azo à
rescisão contratual, devendo o bem imóvel ser retomado imediatamente, respondendo, ainda, por multa e outras indenizações nele previstas.
4. Em função disto, tem a presente a finalidade de interpelar Vs. Sªs. para caracterizar efetivamente a mora, com as consequências decorrentes.
São Paulo, (data).