Os Direitos da
Os Direitos da
Criança e do
Criança e do
Adolescente
Adolescente
ATO INFRACIONAL
Ato Infracional:
Ato Infracional:
Art. 103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal.
Toda conduta que a Lei (Penal) tipifica como crime ou
contravenção, se praticada por criança ou adolescente é tecnicamente denominada “ato infracional”.
A terminologia procura enaltecer o caráter extrapenal da
matéria, assim como do atendimento a ser prestado em especial ao adolescente em conflito com a lei.
Quanto a referencia às condutas descritas como crime ou
contravenção penal, deve-se aqui entender a opção do legislador em trazer para a disciplina do Ato Infracional o Princípio da legalidade.
No caso do art. 103, embora a prática do ato seja descrita
como criminosa, o fato de não existir a culpa, em razão da imputabilidade penal, a qual somente se inicia aos 18 anos, não será aplicada a pena às crianças e adolescentes
Ato Infracional
Ato Infracional
Art. 104. São penalmente inimputáveis os
menores de dezoito anos, sujeitos às
medidas previstas nesta Lei
A inimputabilidade penal é fixada aos
dezoito anos pelo art. 228, da Constituição
Federal. Seria considerada “cláusula
pétrea” por expressar um “direito individual
de natureza análoga” àqueles relacionados
no art. 5º, da mesma Carta Magna.?
Assim sendo, para alguns doutrinadores tal
dispositivo é insuscetível de alteração ou
supressão, ainda que por emenda
constitucional, preservando-se o direito de
toda criança ou adolescente acusado da
prática de infração penal não ser alvo de
Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, deve ser
considerada a idade do adolescente à data do fato
Se o ato infracional é praticado enquanto o agente
tiver idade entre 12 (doze) e 17 (dezessete) anos,
será tratado como adolescente mesmo após
completar 18 (dezoito) anos
Art. 105. Ao ato infracional praticado por criança
corresponderão as medidas previstas no art. 101
Deste modo, caso praticado o ato infracional
enquanto o agente tiver idade inferior a 12 (doze)
anos, será tratado como criança mesmo após
completar esta idade (estando assim sujeito a
atendimento pelo Conselho Tutelar e a medidas
unicamente protetivas.
Nesse caso, o “tratamento” começa com a apreensão
pela Polícia, que a conduz ao Conselho Tutelar ou à
Autoridade Judiciária
Atos Infracional
Atos Infracional
Art. 106. Nenhum adolescente será privado de sua
liberdade senão em flagrante de ato infracional ou
por ordem escrita e fundamentada da autoridade
judiciária competente
Parágrafo único. O adolescente tem direito à
identificação dos responsáveis pela sua apreensão,
devendo ser informado acerca de seus direitos
O adolescente acusado da prática de ato infracional
deve receber um tratamento DIFERENCIADO
daquele destinado a imputáveis, até porque o
procedimento especial destinado à apuração de ato
infracional praticado por adolescente, previsto nos
arts. 171 a 190, do ECA, é orientado por regras e
princípios próprios do Direito da Criança e do
Adolescente e pela Doutrina da Proteção Integral,
visando, acima de tudo, a proteção integral do
adolescente, não se confundindo assim com o
processo penal destinado a apurar crimes
praticados por adultos, que se destina pura e
simplesmente à punição destes, na forma da Lei
Penal.
Ato Infracional
Ato Infracional
Não é possível, lógica e legalmente, negar ao adolescente acusado da prática de ato infracional qualquer dos direitos e garantias
assegurados tanto pela Lei Processual Penal quanto pela Constituição Federalaos imputáveis acusados da prática de crimes. Resta claro, por
outra via, que o CP e CPP só serão aplicados quando houver lacuna no ECA. Assim, havendo regra expressa no Eca sobre determinado procedimento, este não será revogado caso o CPP sofra alteração.
Dentre os direitos a serem informados ao adolescente está o direito de permanecer calado e o de contar com a presença de seus pais ou responsável em todas as fases do procedimento, inclusive quando da formalização de sua apreensão
É o CPP que servirá de base para definição das situações em que
restará caracterizado o flagrante de ato infracional praticado por
adolescente, que serão exatamente as mesmas em que um imputável seria considerado em flagrante de crime ou contravenção penal.
As hipóteses de Flagrante estão dispostas no artigo 302, do CPP:
“Considera-se em flagrante delito quem: I – está cometendo a infração penal;
II – acaba de cometê-la;
III – é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por
qualquer pessoa em situação que faça presumir ser autor da infração; IV – é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou
Art. 107. A apreensão de qualquer adolescente e o local onde se encontra recolhido serão incontinenti comunicados à autoridade judiciária competente e à família do apreendido ou à pessoa por ele indicada.
“incontinenti” = enfatizar a necessidade de a comunicação
ser efetuada no exato momento do ingresso do adolescente
na repartição policial, de modo que a autoridade judiciária
possa, desde logo, relaxar a apreensão ilegal e que os pais ou responsável possam comparecer perante a autoridade policial e acompanhar a lavratura do auto de apreensão em flagrante ou boletim de ocorrência circunstanciado
Importante deixar claro que é a autoridade policial (e não o
Conselho Tutelar ou outro órgão) que deve efetuar a aludida comunicação aos pais ou responsável, diligenciando, se
necessário, no sentido de sua localização e comparecimento à repartição policial.
O acionamento do Conselho Tutelar, no momento da
apreensão do adolescente, por sua vez, somente deverá ocorrer quando não forem localizados seus pais ou
responsável e o acusado não indicar outra pessoa (adulta) para acompanhar a lavratura do auto de apreensão ou
boletim de ocorrência circunstanciado, também não havendo no município um programa específico de atendimento social, que possa ser mobilizado em tais casos.
Parágrafo único. Examinar-se-á, desde logo e sob pena
de responsabilidade, a possibilidade de liberação
imediata
O adolescente deve ter assegurado, com a mais
absoluta prioridade seu direito à liberdade, que
somente poderá ser cerceado em situações extremas,
após comprovada a “necessidade imperiosa”
A lei recomenda, comparecendo qualquer dos pais ou
responsável, a soltura imediata do adolescente, sob
termo de compromisso e responsabilidade de sua
apresentação ao representante do MP no mesmo dia
ou no primeiro dia útil imediato.
A liberação, no entanto, não deve ocorrer se o ato
infracional for grave e por sua repercussão social
deva o adolescente permanecer internado, seja para
garantir sua segurança pessoal, seja para manter a
ordem pública.
Art. 108. A internação, antes da sentença, pode, ser determinada pelo prazo máximo de quarenta e cinco dias
Apenas o Juiz da Infância e da Juventude é competente para determinar a internação provisória de adolescente acusado da prática de ato infracional
Deverá ocorrer quando comprovada nos autos (e devidamente fundamentada) necessidade imperiosa, devendo, em regra, ser o adolescente liberado pela própria autoridade policial,
independentemente de ordem judicial
Importante observar que a única forma de manter apreendido o adolescente após seu flagrante, é decretando sua internação provisória.
O procedimento deve tramitar de forma célere, dando-se a mais
absoluta prioridade na sua instrução e julgamento
Caso extrapolado o prazo máximo e improrrogável de
permanência do adolescente em regime de internação provisória, deverá ser o mesmo colocado em liberdade, providenciando o juízo sua entrega aos pais ou responsável
Resta observar, por fim, que não é admissível o decreto de
internações provisórias sucessivas, em procedimentos diversos, a pretexto de extrapolar o prazo máximo de internação provisória
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. INTERNAÇÃO
PROVISÓRIA. EXCESSO DE PRAZO. ALEGAÇÕES FINAIS. SÚMULA Nº 52/STJ. INAPLICABILIDADE. EXCEPCIONALIDADEBREVIDADE DA
MEDIDA EXTREMA. ORDEM CONCEDIDA. A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo prazo máximo de 45 (quarenta e cinco) dias. A medida sócio-educativa de internação constitui medida privativa de liberdade, sujeita aos princípios de brevidade,
excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em
desenvolvimento. A aplicação da Súmula 52/STJ mostra-se incompatível com os princípios fundamentais do ECA, devendo prevalecer o respeito ao prazo máximo de internação provisória expressamente previsto de 45
(quarenta e cinco) dias. ‘WRIT’ CONCEDIDO para determinar a imediata soltura do Paciente, salvo se estiver internado por outro motivo. (STJ. 6ª T.
HC nº 36981/RJ. Rel. Min. Ministro Paulo Medina. J. em 24/02/2005); e também: HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO. ECA. ATO INFRACIONAL
ANÁLOGO À TENTATIVA DE ROUBO. INTERNAÇÃO PROVISÓRIA. EXTRAPOLAÇÃO DO PRAZO LEGAL DE 45 DIAS CARACTERIZADA. ART. 108 DO ECA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL. PARECER DO MPF PELA CONCESSÃO DO ‘WRIT’. ORDEM CONCEDIDA PARA CESSAR A INTERNAÇÃO PROVISÓRIA DO PACIENTE, DETERMINANDO-SE A IMEDIATA SOLTURA DO ADOLESCENTE, SE POR OUTRO MOTIVO NÃO ESTIVER INTERNADO. 1. Em que pese a reprovabilidade do ato infracional praticado, não pode o Juiz se afastar da norma contida no art. 108 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que dispõe expressamente que a medida de internação anterior a sentença não pode extrapolar o prazo de 45 dias. 2. É irrelevante o tipo de crime praticado, o ‘modus operandi’, a personalidade do agente, ou até mesmo de quem é a
responsabilidade pela demora no julgamento; uma vez atingido o prazo máximo permitido para a medida cautelar, nos casos de menores
infratores, deve o mesmo ser imediatamente posto em liberdade. 3.
Parecer do MPF pela concessão da ordem. 4. ‘Habeas Corpus’ concedido para cessar a internação provisória do paciente, determinando-se a
imediata soltura do adolescente, se por outro motivo não estiver internado.
(STJ. 5ª T. HC nº 131770/RS. Rel. Min. Napoleão Nunes MaiaFilho. J. em 26/05/2009).
Parágrafo único. A decisão deverá ser fundamentada e basear-se em indícios suficientes de autoria e materialidade, demonstrada a necessidade imperiosa da medida
Deve ser utilizados como parâmetro as regras e princípios
próprios do Direito da Criança e do Adolescente, sem jamais perder de vista que a medida de internação - ainda que
aplicada em caráter provisório - não pode conter um fim em si mesma, muito menos ser aplicada numa perspectiva
meramente punitiva, sendo invariavelmente orientada pelo
princípio constitucional da excepcionalidade.
Tais indícios - que também são necessários para o
oferecimento da representação sócio-educativa (inteligência dos arts. 114 c/c 182, §2º, do ECA) - deverão estar presentes nos autos, sendo apontados pela decisão judicial respectiva.
Se já existem restrições à custódia cautelar de imputáveis (em
razão da presunção constitucional do estado de inocência - cf. art. 5º, inciso LVII, da CF), com muito mais razão se deve evitar a internação provisória de adolescentes, cabendo à autoridade judiciária a cabal demonstração, por intermédio de argumentos e elementos idôneos presentes nos autos, que a contenção do adolescente de fato se mostra imperiosa na espécie, não
HABEAS CORPUS CRIME. DECISÃO QUE
DECRETA INTERNAÇÃO PROVISÓRIA DE
MENOR INFRATOR, FUNDAMENTAÇÃO
DEFICIENTE. ORDEM CONCEDIDA. 1. Diante do
caráter extremamente excepcional da medida de
internação provisória, somente pode ser decretada
se, uma vez presentes prova da existência do
crime e indícios da autoria, restem evidentes, com
fundamento em base fática idônea, razões que
demonstrem a necessidade imperiosa da medida, a
teor do disposto no art. 108, parágrafo único.
Assim, ilegal a decisão que, não obstante afirmar a
existência de elementos suficientes nos autos a
autorizar a decretação da internação provisória,
não elenca, como deveria, a necessidade
imperiosa da medida. 3. Ordem concedida. (TJPR.
1ª C. Crim. HC nº 177.261-4, de Maringá. Rel. Des.
Bonejos Demchuk. Ac. nº 17892. J. em
Art. 109. O adolescente civilmente identificado não
será submetido à identificação compulsória pelos
órgãos policiais, de proteção e judiciais, salvo para
efeito de confrontação, havendo dúvida fundada
O adolescente não deve ser submetido ao
constrangimento causado pela identificação
datiloscópica se não houver dúvidas acerca de sua
identidade.
A identificação datiloscópica poderá ser exigida
quando houver a necessidade de confrontação
com outra, quando houver dúvida ou rasura na
identidade apresentada ou existirem fundados
motivos da autoridade competente na identificação
do infrator.
Art. 110. Nenhum adolescente será privado de sua liberdade sem o devido processo legal
Nem se cogita da privação de liberdade de crianças acusadas
da prática de ato infracional, que na forma do art. 136, inciso I deverão ser encaminhadas ao Conselho Tutelar (que não irá instaurar procedimento para apuração de ato infracional, mas sim apenas aferir a presença da situação de risco a que alude o art. 98, do ECA), que irá aplicar as medidas de proteção mais adequadas às suas necessidades pedagógicas
(conforme arts. 100, caput e 101, incisos I a VII, do ECA) e, se for o caso, também aplicará aos pais ou responsável as
medidas previstas no art. 129, incisos I a VII
O procedimento para apuração de ato infracional praticado
por adolescente, embora revestido das mesmas garantias processuais e demandando as mesmas cautelas que o
processo penal instaurado em relação a imputáveis, com este não se confunde, até porque, ao contrário deste, seu objetivo final não é a singela aplicação de uma “pena”, mas sim, em última análise, a proteção integral do jovem, para o que as medidas socioeducativas se constituem apenas no meio que se dispõe para chegar a este resultado (daí porque não é
sequer obrigatória sua aplicação, podendo o procedimento se encerrar com a concessão de uma remissão em sua forma de “perdão puro e simples” ou com a aplicação de medidas de cunho unicamente protetivo, tudo a depender das
-O devido processo legal está amparado por regra
O devido processo legal está amparado por regra
constitucional:
constitucional: “
“Art. 5º, da CF/88Art. 5º, da CF/88
LIV – ninguém será privado da liberdade o de seus bens sem LIV – ninguém será privado da liberdade o de seus bens sem
o devido processo legal; o devido processo legal;
LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório aos acusados em geral são assegurados o contraditório
e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em
julgado de sentença penal condenatória; julgado de sentença penal condenatória;
LXV – a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela LXV – a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela
autoridade judiciária...” autoridade judiciária...”
Portanto, o Estatuto nada mais fez que adaptar para os Portanto, o Estatuto nada mais fez que adaptar para os adolescentes o princípio constitucional o qual se traduz
adolescentes o princípio constitucional o qual se traduz
na garantia da tutela jurisdicional do Estado, através de
na garantia da tutela jurisdicional do Estado, através de
procedimentos definidos pela lei.
Art. 111. São asseguradas ao
adolescente, entre outras, as seguintes
garantias:
I - pleno e formal conhecimento da
atribuição de ato infracional, mediante
citação ou meio equivalente
II - igualdade na relação processual,
podendo confrontar-se com vítimas e
testemunhas e produzir todas as provas
necessárias à sua defesa
III - defesa técnica por advogado
IV - assistência judiciária gratuita e integral
aos necessitados, na forma da lei
V - direito de ser ouvido pessoalmente pela
autoridade competente
VI - direito de solicitar a presença de seus
pais ou responsável em qualquer fase do
procedimento.
Partindo do princípio que “a criança e o
adolescente gozam de todos os direitos
fundamentais inerentes à pessoa humana”
(cf. art. 3º, do ECA), da inevitável
incidência da regra básica de
hermenêutica segundo a qual toda e
qualquer disposição estatutária somente
pode ser interpretada e aplicada no sentido
da proteção integral infanto-juvenil
Não é possível, lógica e legalmente, negar
ao adolescente acusado da prática de ato
infracional qualquer dos direitos e
garantias assegurados tanto pela Lei
Processual Penal quanto pela Constituição
Federal aos imputáveis acusados da
prática de crimes, aos quais ainda se
somam aqueles especificamente
MENORIDADE PENAL
MENORIDADE PENAL
Importante conceituar imputabilidade e impunibilidade, segundo De Importante conceituar imputabilidade e impunibilidade, segundo De
Plácido e SILVA: Plácido e SILVA:
Imputabilidade. Derivado de imputar, do latim imputare (levar em conta, atribuir, aplicar), exprime a qualidade do que é
imputável.Nestas condições, seja nos domínios do Direito Civil, Comercial ou Penal, a imputabilidade revela a indicação da pessoa ou do agente, a que se deve atribuir ou impor a responsabilidade, ou a autoria de alguma coisa, em virtude de fato verdadeiro que lhe seja atribuído, ou de cujas conseqüências seja responsável.Desse modo, a imputabilidade mostra a pessoa para que se lhe imponha a responsabilidade.E, assim, é condição essencial para a evidência da responsabilidade, pois que não haverá esta quando não se
possa imputar à pessoa o fato de que resultou a obrigação de ressarcir o dano ou responder pela sanção legal.A imputabilidade, portanto, antecede à responsabilidade. Por ela, então, é que se chega à conclusão da responsabilidade, para aplicação da pena ou imposição da ou imposição da obrigação.
Do latim impunitas, de impunis – in e poena (não punido), exprime o vocabulário a falta de castigo ao criminoso ou delinqüente. ...há por qualquer motivo, ausência de punição do criminoso,
negligência da autoridade, falta de aplicação da pena pelo crime ou falta cometida. É, pois, a ausência de punição ou falta de sanção penal, indicada na própria lei, em face de imputação criminosa feita a pessoa. ...a impunidade pode decorrer do fato de não ter sido possível a aplicação da penalidade imputável à pessoa, como pelo indulto ou perdão
Menoridade Penal
Menoridade Penal
As circunstâncias que levam a um adolescente a se
tornar infrator são muitas vezes complexas e variadas. Donald Woods WINNICOTT relaciona a negligência e a privação familiar com fatores responsáveis pelo
cometimento de delitos. Pois, a maioria dos jovens possuem família, mas no entanto esta é ausente, não cria um vínculo para assumir realmente seu papel, não há uma figura que represente autoridade, seja por situações de maus-tratos, abondono, privações materiais, alcoolismo ou drogas. Porém, não só a estrutura familiar pode ser apontada como fator determinante no ingresso de um adolescente no cometimento de ato infracional, mas estrutura social
também, as políticas sociais básicas, a saúde, a escola, o lazer, o estado e a sociedade são fatores que
interferem no contexto.
Para Maria de Lurdes Trassi TEIXEIRA situações de
violência fazem com que um adolescente venha a se torne infrator: Para a autora, quando a criança ou
adolescente, é exposto a situações de extrema violência, elas poderão responder com condutas também violentas, o delito, provando desta forma imensos prejuízos na
formação de sua identidade, nas relações que trava consigo mesmo e com outros
Podemos enfatizar que além dessas situações,
existem outros problemas que podem ser
averiguados, sendo claro que grande porcentagem
dos adolescentes em conflito com a lei possuem um
histórico de vida semelhante, ou seja, encontram-se
em núcleos familiares disfuncionais, com pais
alcoólatras, desempregados, vitimas das injustiças
sociais.
Valiosas as palavras de Mário Otoboni (“Cristo
sorrindo no Cárcere”, Edições Paulinas,3ªed.,
1983) :
“ É melhor preparar o homem para voltar ao convívio
social do que abandoná-lo à própria sorte, nos
fundos de uma cela, onde, ao final da pena, sua
presença na comunidade passa a representar
seríssimo perigo pelo aumento da periculosidade
que o convívio carcerário propicia”.