Relatório Anual e Contas
ÍNDICE... 2
MISSÃO, VISÃO E VALORES DO BANCO NACIONAL DE ANGOLA... 3
MENSAGEM DO GOVERNADOR... 4
SUMÁRIO EXECUTIVO... 6
PARTE I - CONTEXTO MACROECONÓMICO... 9
1. Economia Internacional... 10
2. Economia Nacional... 12
PARTE II - SISTEMA BANCÁRIO ANGOLANO... 24
3. Desempenho do Sistema Bancário Angolano... 25
4. Governação Corporativa e Sistema de Controlo Interno das Instituições Financeiras... 29
5. Desempenho do Sistema Financeiro Não Bancário Angolano... 30
6. Sistema de Pagamentos... 35
PARTE III - POLÍTICAS DO BANCO CENTRAL... 39
7. Política Monetária e Gestão de Liquidez... 40
8. Impactos das Operações de Mercado sobre a Base Monetária e agregados monetários... 48
9. Agregados Monetários e a Balança de Pagamentos... 50
PARTE IV - ACTIVIDADES RELEVANTES DO BNA... 56
10. Actividades do Banco Nacional de Angola... 57
11. Situação Patrimonial e Desempenho Financeiro e Orçamental... 63
12. Organização... 66
13. Regulação e Organização do Sistema Financeiro... 70
14. Gestão de Risco e Compliance... 71
15. Conduta de Mercado... 72
16. Política de Prevenção do Branqueamento de Capitais e Financiamento do Terrorismo... 77
17. Relações Internacionais... 78
18. Comunicação e Museu da Moeda... 78
19. Educação Financeira... 79
20. Acompanhamento do Crédito... 82
21. Capital Humano... 83
PARTE V - DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS... 86
PARTE VI - NOTAS ANEXAS ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS... 91
PARTE VII - CERTIFICAÇÃO DO CONSELHO DE AUDITORIA... 172
PARTE VIII - RELATÓRIO DO AUDITOR INDEPENDENTE... 179
PARTE IX - ANEXOS... 185
PARTE X - ABREVIATURAS... 189
MISSÃO, VISÃO E VALORES DO
BANCO NACIONAL DE ANGOLA
Missão
O Banco Nacional de Angola (BNA) é o banco central da República de Angola e tem como função, primordial, assegurar a preservação do valor da moeda nacional, e participar na definição das políticas
monetária, financeira e cambial.
Visão
Ser um banco central credível e competente no cumprimento estrito
da sua missão institucional.
Valores
E
spírito de Equipa – Os colaboradores do BNA trabalham em conjunto/unidos para um objectivo comum, e partilham conhecimento com lealdade
e transparência;
T
ransparência – Os colaboradores do BNA no respeito das suasções, prestam contas ao Governo e à Sociedade sem adulterar a verdade;
I
ntegridade – Os colaboradores do BNA demonstram a capacidadede ser incorruptíveis no exercício da sua função;
C
ompetência – Os colaboradores do BNA, demonstram capacidade/habilidade de agregar valor na resolução de determinados assuntos ou
tarefa que recaiam dentro ou fora do seu âmbito de actuação;
A
titude - Os colaboradores do BNA, demonstram capacidade de adaptar-MENSAGEM DO GOVERNADOR
O ano de 2020 foi marcado pela ocorrência da pandemia de COVID-19, declarada pela Organização Mundial da Saúde a 11 de Março de 2020, que provocou a maior retracção económica mundial desde a Grande Depressão, em grande parte resultado das medidas de confinamento da população à escala mundial.
Este confinamento causou, em muito pouco tempo, a queda abrupta e significativa da procura do petróleo no mercado internacional e consequentemente a redução expressiva do seu preço. Sendo o petróleo o principal produto de exportação de Angola, verificou-se rapidamente o reflexo destes impactos no desempenho da economia.
Neste cenário, apesar de não se ter interrompido a implementação das medidas de ajustamento estrutural em curso desde o final de 2017, tornou-se inevitável a implementação de algumas adaptações a estas, tendo em conta a alteração significativa do contexto e as necessidades adicionais imprevistas que surgiram, em particular, no sector da saúde.
O Banco Nacional de Angola (BNA) implementou algumas medidas de alívio económico, entre estas, a disponibilização de liquidez às empresas, mediante a compra de obrigações do Tesouro por estas detidas. Foram também decretadas moratórias de pagamento das prestações dos empréstimos para os clientes bancários.
Não obstante este enquadramento inesperado e complexo, mantivemos na agenda os objectivos inscritos no Plano Estratégico Nzimbu e demos continuidade à implementação dos compromissos assumidos com o Fundo Monetário Internacional no âmbito do Programa de Financiamento Alargado.
Em termos da supervisão e regulamentação do sistema financeiro, destaca-se a aprovação no final do ano da nova Lei que regula a actividade das Instituições Financeiras, a Lei do Regime Geral das Instituições Financeiras, publicada em Maio de 2021, que consagra o BNA como autoridade macroprudencial nacional e alinha o enquadramento jurídico das instituições financeiras às melhores práticas internacionais, com o objectivo de garantir a estabilidade e robustez do sistema financeiro.
No domínio dos Sistemas de Pagamentos de Angola, destaca-se a publicação da Lei 40/20, de 16 de Dezembro, que incorpora os desenvolvimentos relevantes ocorridos internacionalmente desde a publicação da lei anterior, em 2005. O crescimento do sistema de pagamentos e a sua importância para o desenvolvimento económico do País tornou necessário o reforço da legislação e regulamentação que o rege.
No mercado cambial, o BNA continuou com a implementação das reformas, sendo de destacar a implementação de uma plataforma electrónica da Bloombergpara a negociação das operações cambiais de venda das empresas petrolíferas e diamantíferas, do Tesouro e do próprio banco central aos bancos comerciais e para a negociação das operações interbancárias tornando este mercado mais transparente e eficiente. O funcionamento do mercado cambial permitiu também que as Reservas Internacionais Brutas se mantivessem a um nível de cobertura das importações de 11,8 meses.
Com o objectivo de melhorar a disponibilidade de informação sobre os clientes com exposição creditícia, directa ou indirecta, nas instituições financeiras, actualizamos o funcionamento da Central de Informação de Risco de Crédito, visando contribuir para a melhoria do processo de decisão da concessão de crédito pelas instituições financeiras e assim proteger o sector financeiro e também os seus clientes.
Na sua função de banco emissor de moeda, o Banco Nacional de Angola colocou em circulação a nova família do Kwanza,“série2020”, que pela primeira vez inclui notas em substrato de polímero. Para além de este novo substrato permitir melhores características de segurança, também torna as notas mais resistentes e duradouras o que reduz o custo da impressão, e as torna mais adequadas às nossas condições. Entre os diversos objectivos traçados no âmbito da literacia e inclusão financeira, materializamos várias acções públicas programadas, incluindo palestras e campanhas de sensibilização, em linha com o Projecto de Desenvolvimento do Sistema Financeiro e Plano Nacional de Inclusão Financeira para o período 2018-2022.
sem a apresentação dos documentos normalmente exigidos e que muita da população não tem, de forma a promover a inclusão financeira da população de menor renda. Este regime possibilita também aos comerciantes informais o acesso a terminais de pagamento automático com o objectivo de contribuir para a formalização da sua actividade.
Outro desenvolvimento muito relevante no esforço da inclusão financeira foi a atribuição de uma licença de Prestador de Serviços de Pagamento ao abrigo da nova Lei dos Sistemas de Pagamento, que irá permitir a rápida expansão do Mobile Moneyque, se espera, virá a contribuir de forma expressiva para a inclusão financeira da população que hoje não acede aos serviços financeiros tradicionais por limitações de várias naturezas.
No que diz respeito ao funcionamento interno, e em consequência da pandemia e das medidas decretadas pelo Governo, o banco conseguiu fazer a transição do seu modelo de funcionamento para um modelo largamente não presencial, com a maioria dos seus colaboradores a exercer as suas funções na modalidade de teletrabalho, tendo-se conseguido assegurar adequadamente os serviços prestados às instituições financeiras e aos utilizadores dos serviços financeiros durante este período.
O Banco Nacional de Angola continuou a trabalhar na adaptação do seu modelo de organização e funcionamento às melhores práticas, tendo, entre outras iniciativas, prosseguido com a criação do Comité de Controlo Interno, a implementação do Projecto de Gestão Documental (PGD) que veio assegurar a desmaterialização de papel através da automatização de vários processos, como o de pagamento de facturas, e do Programa de Transformação das Tecnologias de Informação para a modernização dos sistemas informáticos do Banco.
Em 2021, deverá ocorrer a aprovação final da nova Lei orgânica do Banco Nacional de Angola, que tendo sido aprovada pelo Parlamento na generalidade, aguarda pela revisão, em curso, da Constituição da República de Angola, para que a discussão na especialidade possa ocorrer. A nova lei vem alinhar o modelo de governação do Banco Central com os modelos largamente utilizados nos países que nos servem de referência, e decreta a independência do Banco Nacional de Angola, retirando-o da esfera de influência do poder político. A transparência e a prestação de contas é, neste quadro, de importância fundamental, e foram asseguradas na proposta de Lei através de alterações profundas no modelo de governação e fiscalização do Banco Nacional de Angola.
Finalmente, passados mais de 12 meses do decretar da pandemia a nível mundial, começa-se a verificar em alguns países o início da retoma da actividade económica, mas este processo não é transversal e mantêm-se ainda muitas incertezas, não existindo uma visão certa de quando e como o mundo vai voltar ao normal, qual será o novo normal e quais os custos finais desta crise pandémica, pelo que o Banco Nacional de Angola irá continuar a acompanhar de perto os desenvolvimentos da economia com impacto no sector financeiro e a adaptar a sua actuação de forma a continuar a cumprir os seus objectivos.
SUMÁRIO EXECUTIVO
O ano de 2020 ficou marcado pela evolução da pandemia de COVID-19, tendo atingido níveis de contaminação alarmantes, que arrastou as principais economias para o confinamento durante o segundo trimestre do ano, paralisando a actividade industrial e dos serviços, levando a fortes contracções económicas.
O Fundo Monetário Internacional (FMI), no seu relatório World Economic Outlook (WEO) de Janeiro de 2021, comparativamente às previsões de Outubro de 2020, reviu em alta a taxa de crescimento real da economia mundial para o ano de 2020, mas em baixa para o ano de 2021, em 0,90 pp (pontos percentuais) e 0,30 pp, respectivamente, culminando com projecções de taxas de -3,60% em 2020 e 5,30% em 2021. Todavia, o surgimento de novas variantes de COVID-19, o aumento do número de casos nos Estados Unidos de América (EUA) e na Europa e as novas paralisações das economias estão a pôr em risco as projecções para o ano de 2021.
No mercado das commodities energéticas, em 2020, os preços do petróleo bruto reduziram comparativamente ao ano de 2019, reflexo da fraca procura mundial, que resultou da paralisação do sector industrial no segundo trimestre devido à pandemia de COVID-19. Mesmo depois da reabertura das economias, a procura manteve-se em níveis baixos em relação ao ano anterior. Assim, de modo a impulsionar os preços, a Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) e aliados, decidiu efectuar cortes na sua produção de 9,7 milhões de barris por dia até ao final do ano de 2020.
Em termos médios, o preço do Brent de referência para as ramas angolanas foi de 43,21 USD/barril, uma redução de 35,65% face ao ano anterior (64,16 USD/barril). Quanto ao WTI, o seu preço, em termos médios anuais, rondou os 39,34 USD/barril.
As Reservas Internacionais Brutas, em 31 de Dezembro de 2020, registaram uma diminuição de 13,55% (USD 2,33 mil milhões de dólares americanos), ao passar de 17,21 mil milhões de dólares americanos em 2019 para 14,88 mil milhões de dólares americanos em 2020, correspondendo a uma cobertura de 11,81 meses de importação de bens e serviços.
Ainda no mesmo período, as Reservas Internacionais Líquidas situaram-se em 8,77 mil milhões de dólares americanos, em relação aos 11,71 mil milhões de dólares americanos de 2019, equivalente a uma diminuição de 25,14%.
Face ao contexto económico, observou-se em 2020 uma inversão da trajectória decrescente da inflação passando de 16,90% em 2019 para 25,10% em 2020. Este comportamento foi impulsionado pelos seguintes factores:
- Choque negativo na oferta devido ao confinamento, forçado pelas medidas mitigadoras para a contenção da sua propagação no território nacional;
- Implementação do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) sobre os produtos da cesta básica;
- Incidência e agravamento dos direitos de importação sobre os produtos da cesta básica que, até ao oitavo mês de 2020, beneficiavam de isenção de pagamentos dos direitos de importação;
- Depreciação do kwanza face ao dólar americano;
- Aumento da liquidez pela injecção da moeda por parte do BNA na compra de títulos às empresas privadas e financiamento ao Tesouro Nacional;
- Subida de preços das commodities alimentares nos mercados internacionais.
No que se refere à taxa de câmbio do kwanza face ao dólar americano, este fechou com uma cotação de USD/AOA 656,225 contra os USD/AOA 482,227 de Dezembro de 2019, o que corresponde a uma depreciação de 26,52% do kwanza face ao dólar americano. O diferencial cambial, entre o mercado formal e informal, reduziu em 8,53 pp, tendo passado de 22,97% em 2019 para 14,44% em 2020.
Numa conjuntura afectada negativamente pela pandemia de COVID-19, o BNA, em relação à política monetária, através do Comité de Política Monetária (CPM), acompanhou a evolução da economia quer a nível nacional como a nível internacional e tomou medidas convencionais e não convencionais de forma a atenuar os efeitos da pandemia sobre a economia nacional.
Assim, o CPM, ao longo de 2020, reuniu-se seis vezes em sessão ordinária, tomando decisões importantes para alavancar a economia e garantir a estabilidade dos preços. Das medidas implementadas pode-se destacar as seguintes:
- Manutenção da taxa básica de Juro, Taxa BNA em 15,5%;
- Redução da taxa de juro da facilidade permanente de absorção de liquidez, com maturidade de sete dias, de 10% para 7%, no mês de Maio;
- Manutenção da taxa de juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez, com maturidade overnight em 0%;
- Aumento do coeficiente das reservas obrigatórias em moeda estrangeira de 15% para 17%, com cumprimento deste diferencial em moeda nacional, no mês de Setembro.
O CPM decidiu igualmente:
- Alargar para os 54 produtos do PRODESI o crédito com recurso a reservas obrigatórias e o número mínimo de operações de crédito a conceder por banco;
- Isentar os limites de liquidação por instrumento para importação de bens da cesta básica alimentar e medicamentos;
- Estabelecer o dia 01 de Abril para o arranque da utilização da plataforma Bloomberg para as operações de venda de moeda estrangeira pelas companhias petrolíferas e Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANPG), aos bancos comerciais;
- Introduzir a taxa de custódia sobre o excesso de liquidez dos bancos comerciais junto do BNA;
- Estabelecer uma linha de liquidez com valor máximo de 100 mil milhões de kwanzas para a aquisição de títulos públicos em posse de sociedades não-financeiras (inicialmente para as Pequenas e Médias Empresas), tendo sido incluídos posteriormente
as Grandes Empresas;
- Activar a Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez Overnight, em até 100 mil milhões de kwanzas renovável trimestralmente, de modo não cumulativo, ao longo do exercício económico de 2020.
Relativamente à política cambial, ao longo de 2020, a mesma foi dedicada à consolidação do processo de reforma cambial iniciado em 2018, tendo sido implementadas várias medidas com o objectivo de melhorar cada vez mais a eficiência no funcionamento do mercado, das quais se destacam as seguintes:
- Implementação da plataforma electrónica Bloomberg (FXGO), através da qual os leilões do BNA são realizados, bem como a negociação directa das operações cambiais entre, por um lado, as empresas petrolíferas, diamantíferas e o Tesouro Nacional e, por outro lado, os bancos comerciais;
- Início de leilões de operações cambiais a prazo;
- Eliminação do licenciamento da maioria das operações cambiais;
- A dispensa da entrega de documentos justificativos para a compra de moeda estrangeira pelos particulares nas suas operações de invisíveis correntes.
Relativamente à regulação e organização do sistema financeiro, no âmbito da adequação contínua do quadro regulamentar e dos processos de supervisão às boas práticas internacionais, no ano 2020, o BNA aprovou e procedeu à publicação de um leque de 60 Normativos, nomeadamente 23 Avisos, 21 Instrutivos, 10 Directivas e 6 Cartas-Circular, com especial destaque às políticas cambial e monetária.
Na sequência do comunicado sobre o processo de Equivalência de Regulação e Supervisão em curso, visando a solidez e a manutenção da estabilidade do sistema financeiro, o BNA tem vindo a desenvolver um conjunto de actividades, atinentes à adequação da regulamentação e do processo de supervisão do sistema bancário, em harmonia com as recomendações e directrizes emanadas por organismos internacionais de referência, no qual se prevê, entre outros desafios, a revisão da regulamentação prudencial, com vista a assegurar o seu alinhamento às normas prudenciais europeias/princípios do Banco Internacional de Pagamentos (BIS), tendo em consideração a realidade do sistema financeiro angolano. .
Neste sentido, existem ainda algumas matérias por regulamentar e desenvolver, com destaque para os temas elencados no macroplano que está a ser implementado desde o ano de 2017, tendo em vista a materialização daquele desiderato.
Em relação ao Sistema de Pagamentos de Angola (SPA), no âmbito do diagnóstico efectuado pelo Banco Mundial sobre a Política de Superintendência com base nos Princípios de Infra-estrutura de Mercado Financeiro (PIMF), foi realizada uma avaliação de toda regulamentação
do SPA, que culminou com a revisão da Lei N.º 05/05, de 29 de Julho, Lei do Sistema de Pagamentos de Angola. Assim, em 2020, foram efectuadas acções de indução de mudança, a nível do cumprimento/compliance das normas em vigor e padrões internacionalmente estabelecidos, que incluem a revisão e publicação dos seguintes normativos: (i) A Lei N.º 40/20 de 29 Dezembro, Lei do Sistemas de Pagamento de Angola; (ii) Instrutivo N.º 19/20 de 09 de Dezembro, sobre os Limites de Valor em Operações realizadas nos Sistemas de Pagamentos; e (iii) Directiva N.º 04/DSP/DIF/2020 de 16 de Junho, sobre Informação Estatística dos Serviços de Pagamentos Móveis.
No que diz respeito à Política de Prevenção do Branqueamento de Capitais e Financiamento do Terrorismo, o ano de 2020 foi marcado pela publicação da Lei N.º 05/20, de 27 de Janeiro, Lei de Prevenção e Combate ao Branqueamento de Capitais, do Financiamento do Terrorismo e da Proliferação de Armas de Destruição em Massa (Lei de BC/FT/P). Esta nova lei revogou a Lei N.º 34/11, de 12 de Dezembro, sobre a mesma matéria. De um modo geral, houve um reforço das obrigações de prevenção e controlo aplicáveis às entidades sujeitas, bem como um aumento dos poderes das autoridades de supervisão, entre outros.
A fim de mitigar riscos de natureza financeira e não financeira advindos de factores internos e externos que podem colocar em causa o alcance dos seus objectivos estratégicos, o BNA implementou uma cultura de risco robusta, assente num quadro que promove a gestão integrada dos mesmos, baseado no Modelo das Três Linhas de Defesa.
O BNA, no final de 2020, contava com um total de 1896 trabalhadores, representando uma diminuição de 3,61% em relação ao efectivo de 2019, dos quais cerca de 84% está alocado aos serviços centrais, estando as demais 16% distribuídos pelas sete Delegações Regionais. Em 31 de Dezembro de 2020, o Activo do BNA situou-se em 12,82 biliões de kwanzas, representando um acréscimo de 1,77 bilião de kwanzas (+16%) face a 31 de Dezembro de 2019. Do lado do Passivo, houve um acréscimo de 358,79 mil milhões de kwanzas (+4%) para 9,57 biliões de kwanzas.
Relativamente aos Capitais Próprios que ascendem a 3,24 biliões de kwanzas, verificou-se um aumento face ao exercício anterior no montante de 1,42 bilhão de kwanzas (78%).
No exercício de 2020, apurou-se um resultado positivo no valor de 25,27 mil milhões de kwanzas, correspondente a uma diminuição de 72% face ao exercício anterior.
O orçamento do exercício económico de 2020 apresentou um superavit de 555,19 milhões de kwanzas, o que reflectiu um grau de execução de 768% acima do estimado (72,33 mil milhões).
PARTE I
CONTEXTO
PARTE I – CONTEXTO MACROECONÓMICO
1. ECONOMIA INTERNACIONAL
1.1. ESTIMATIVAS PARA 2020 E 2021
O ano de 2020, resultou num ano atípico para as economias, com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar
uma pandemia de corona vírus no mês de Março que denominou por COVID-19. Em consequência, quase todos os
países estabeleceram mecanismos de contenção do vírus através, principalmente, do confinamento.
De forma a conter os danos económicos, muitos foram os esforços dos bancos centrais e dos Governos para conter a contracção da actividade económica.
No caso dos EUA, a Reserva Federal (FED), reafirmou a continuidade do seu programa de compras de títulos (avaliadas em 80 mil milhões de dólares americanos) e de programas de empréstimos às empresas e anunciou a extensão das suas linhas de swaps de liquidez em dólar e o mecanismo de contrato de recompra temporário para autoridades monetárias estrangeiras e internacionais até ao dia 31 de Março de 2021. Por sua vez, manteve a sua taxa de juro inalterada no intervalo de 0%-0,25%, onde se espera que se mantenha ao longo do ano de 2021. Adicionalmente, estabeleceu o Programa de Empréstimos “Main Street” no valor de 250 mil milhões de dólares americanos para que os bancos comerciais concedam empréstimos às pequenas e médias empresas no período de quatro anos. As mesmas estão isentas de pagamento ao credor durante os dois primeiros anos, sendo a FED a assumir 95% do risco de todos os empréstimos, incentivando assim os bancos comerciais a participarem no programa.
De forma a manter mais liquidez no sistema financeiro norte-americano, outra medida adoptada pela FED, foi a limitação dos bancos comerciais em pagar dividendos e a proibição de recompra das suas acções pelo menos até ao último trimestre de 2020. Quanto à medida sobre os dividendos, a FED, ao permitir o pagamento dos dividendos do terceiro trimestre não superiores aos do ano anterior e ao impor que sejam menores aos ganhos dos últimos quatro trimestres dos bancos de níveis médios, não foi tão rigorosa quanto aos seus congéneres europeus que proibiram os bancos de os realizarem durante a crise.
O Governo norte-americano também uniu esforços aos da FED, tendo chegado a um acordo no congresso para mais estímulos orçamentais, com um pacote de 900 mil milhões de dólares americanos, que incluiu a renovação e extensão de subsídios de desemprego, o apoio directo às famílias, a extensão do Paycheck Protection Program (PPP) para as pequenas empresas e fundos para a distribuição de vacinas contra a COVID-19. Foi também votado, de forma favorável pelo Senado, mais apoios, no valor de 2,3 biliões de dólares americanos, dos quais 1,4 bilião a ser empregues para financiar o Governo Federal até ao mês de Setembro de 2021. Esta medida foi vista pelos investidores como a parte primordial para o restabelecimento da economia norte-americana.
Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu que o Programa de Compras de Emergência na Pandemia (PEPP) aprovado no mês de Março passaria do montante inicial de 600 mil milhões de euros para 1,5 bilião de euros, com uma extensão do programa até Junho de 2021, mas que o Programa de Compra de Activos (APP) manter-se-ia nos 120 mil milhões de euros por tempo indeterminado, com um ritmo de compras mensais de 20 mil milhões de euros.
Face à situação económica, por seu turno, o Conselho Europeu aprovou a revisão do Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2021-2027 para 1,07 bilião de euros e criou o Fundo de Recuperação Europeu avaliado em 750 mil milhões de euros, dos quais 390 mil milhões em subvenções a fundo perdido e 360 mil milhões em empréstimos para responder à crise pandémica, que terão de ser gastos até 2026, totalizando 1,82 bilião de euros. Este valor adicionado às já existentes linhas de crédito do mecanismo europeu de estabilidade (240 mil milhões de euros) elevaram o esforço de recuperação da comissão europeia para o montante de 2,06 biliões de euros.
Na China, o banco central anunciou o corte da sua taxa de juro de empréstimo principal em 25 pontos bases, com o intuito de reduzir os custos de financiamento das pequenas e médias empresas e alavancar o sector agrícola, por outro reduziu a taxa de redesconto para os 2%. Do lado fiscal, o Governo chinês anunciou que foram feitos estímulos em torno de 4%-5% do PIB em 2020 como forma de, em conjunto com os esforços do banco central, conseguir estimular ainda mais a economia.
Na região da SADC, grande parte dos bancos centrais mantiveram a tendência dos maiores bancos centrais do mundo, efectuando cortes das suas taxas de juro de forma a reavivar as suas economias e travar a crise económica que a pandemia trouxe no ano de 2020.
QUADRO 1: SADC SADC Cortes (pp) 2020 África do Sul 0,25 3,75% Botswana 0,5 3,75% Malawi 0,15 12% Maurícias 1,5 1,85% Moçambique 1,5 10,25% Namíbia 2,5 3,75% Seicheles 1,0 3,00% Tanzânia 0,5 5,0% Zâmbia 3,0 8,0%
Nota: (pp) pontos percentuais
Fonte: Trading economics
No mercado cambial, o dólar americano apresentou uma tendência de depreciação ao longo de 2020 face às suas principais congéneres, resultado de uma apetência dos investidores por outros activos de risco, devido ao número elevadíssimo de infecções de COVID-19 nos EUA. A forte injecção de moeda no mercado por parte do Governo e da Reserva Federal, foi outro forte motivo de depreciação da moeda norte-americana.
1.2. MERCADO DAS COMMODITIES
1.2.1. COMMODITIES ENERGÉTICAS
Em 2020, os preços do petróleo bruto reduziram comparativamente ao ano de 2019, reflexo da fraca procura mundial, que resultou da paralisação do sector industrial no segundo trimestre devido à pandemia de COVID-19. Todavia, mesmo depois da reabertura das economias, a procura manteve-se em níveis baixos em relação ao ano anterior. Consequentemente, de forma a impulsionar os preços, a Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) e aliados, decidiram efectuar cortes na sua produção de 9,7 milhões de barris por dia até ao final do ano. Em termos médios, o preço do Brent foi de 43,21 USD/barril, uma redução de 35,65% face ao ano anterior (64,16 USD/barril). Quanto ao WTI, o seu preço, em termos médios anuais, rondou os 39,34 USD/barril.
GRÁFICO 1: PREÇOS DAS COMMODITIES ENERGÉTICAS
-10 20 30 40 50 60 70 80 90 De z-1 6 Fe v-17 A br-17 Jun-17 Ag o-17 O ut-1 7 De z-1 7 Fe v-18 A br-18 Jun-18 Ag o-18 O ut-1 8 De z-1 8 Fe v-19 A br-19 Jun-19 Ag o-19 O ut-1 9 De z-1 9 Fe v-20 A br-20 Jun-20 Ag o-20 O ut-2 0 De z-2 0 US D/ ba rr il BRENT WTI Fonte: Bloomberg
1.2.2. COMMODITIES ALIMENTARES
Em 2020, o índice de preços de alimentos da Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) fechou o ano em termos médios nos 98,03 pontos, representando um aumento de 3,15% face ao ano anterior. A suportar este aumento estiveram os fortes aumentos dos índices de preços dos óleos vegetais e dos cereais.
GRÁFICO 2: PREÇOS DAS COMMODITIES ALIMENTARES
Fonte: FAO
Em relação ao aumento do índice do preço dos cereais, este foi engendrado pela oferta mais restrita do milho, os stocks mais baixos do que o esperado no último trimestre de 2020 nos EUA e por uma procura mais acentuada por parte da China. Relativamente aos óleos, o maior aumento verificou-se no mês de Dezembro, com o preço do óleo de palma desde Maio de 2020 a ter um maior destaque, após a produção da Indonésia e Malásia ter ficado abaixo do que era esperado, devido ao mau tempo que se observou nos últimos meses do ano nestes países.
2. ECONOMIA NACIONAL
2.1. SECTOR REAL
2.1.1. ACTIVIDADE ECONÓMICA
A pandemia de COVID-19 afectou negativamente a actividade económica mundial em 2020, tendo agudizado a contracção económica que já se verificava em Angola no período pré-pandemia.
Segundo os dados preliminares das Contas Nacionais, divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) estima-se que pelo quinto ano consecutivo, o Produto Interno Bruto (PIB) tenha recuado em torno de -5,20%, mais acentuada que o ano anterior (-0,62%), devido, essencialmente, à fraca performance do sector de petróleo e gás que contribuiu com -2,89 pp, correspondente a 56% da contracção observada.
60 70 80 90 100 110 120 130 140
Dez-16 Fev-17 Abr-17 Jun-17 Ago-17 Out-17 Dez-17 Fev-18 Abr-18 Jun-18 Ago-18 Out-18 Dez-18 Fev-19 Abr-19 Jun-19 Ago-19 Out-19 Dez-19 Fev-20 Abr-20 Jun-20 Ago-20 Out-20 Dez-20
Pontos
Índice de preços de alimentos da FAO Índice de preços da carne
Índice de preços dos laticínios Índice de preços dos cereais
GRÁFICO 3: TAXAS DE CRESCIMENTO DO PIB REAL
Fonte: INE (2016-2019) e MEP (2020)
O desempenho desfavorável da actividade petrolífera, reflectiu o declínio contínuo da produção do petróleo bruto (-8,10% face aos -7,62% de 2019) e o abrandamento na produção do gás natural liquefeito (de +13,18% em 2019 para -12,80%). A queda da principal commodity de exportação angolana deriva, sobretudo, do desinvestimento na pesquisa, exploração, refinação e armazenamento ao longo dos últimos anos. Por sua vez, a deterioração da actividade não petrolífera (de 1,91% para -4,60%) foi sustentada pela contracção de sete sectores, dos quais destacam-se dois:
- Serviços mercantis1: O sector contribuiu com -1,25 pp tornando-se responsável por 24,52% do recuo do PIB global. Esta performance resultou de uma contracção da actividade em torno de 3,20%, após crescimento de 1,24% em 2019, justificado maioritariamente pela queda dos serviços de transportação e armazenamento, por conta das limitações à movimentação de pessoas e bens no território nacional e internacional (efeito negativo da pandemia);
- Construção: Registou uma contribuição de -1,04 pp, equivalente a 20,33% da contracção do PIB, em decorrência de ter passado 5,32% em 2019, para uma contracção de 7% em 2020, explicada pela diminuição das quantidades produzidas dos principais materiais de construção, em particular, a produção do cimento que reduziu o dobro do ano passado (-14,87%).
1 Composto por seguintes subsectores: comércio, transportes e armazenagem, correios e telecomunicações, intermediação financeira e de Seguros, e serviços imobiliários e
aluguer. - 2,6 -2,70 - 2,50 - 0,1 - 5,30 1,2 - 2,00 - 9,37 - 0,05 - 0,62 - 6,50 1,91 - 5,20 - 8,30 - 4,60 - 10,0 - 8,0 - 6,0 - 4,0 - 2,0 -0,0 2,0 4,0
PIB Total Sector Petrolífero Sector não Petrolífero
%
PAINEL 1: TAXA DE CRESCIMENTO E CONTRIBUIÇÃO POR SECTORES DE ACTIVIDADE EM ANGOLA -1,00 -0,80 -0,60 -0,40 -0,20 0,00 0,20 0,40 0,60 2016 2017 2018 2019 (e) 2020 (e) pp Contribuição
Diamantes e outros Petróleo Indústria transformadora
Construção Serviços mercantis Outros Sectores
-15,00 -10,00 -5,00 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 2016 2017 2018 2019 (e) 2020 (e) % Taxa de crescimento
Diamantes e outros Petróleo Indústria transformadora
Construção Serviços mercantis Outros Sectores
Fonte: INE
O nível da recessão económica apurada no ano em referência, foi atenuado pela boa performance da actividade do sector de agro-pecuário e silvinicultura (+4,4%) e do sector de energia (+4,1%).
Quanto ao peso dos sectores no PIB, salienta-se a permanência do sector terciário como o mais relevante, sinal da necessidade de intensificar as medidas estruturantes voltadas para a diversificação da economia. Destaca-se ainda, por um lado, a redução do peso do sector primário, penalizado pelo mau desempenho do sector petrolífero, por outro, o aumento dos pesos da generalidade dos sectores que formam a estrutura do PIB.
QUADRO 2: ESTRUTURA PERCENTUAL DO PIB (PREÇOS DE 2002)
Estrutura Percentual (%) 2015 2016 2017 2018 2019 (E) 2020 (E)
Sector primário (%) 38,9 31,4 30,4 38,1 38,7 32,0 Agricultura 5,1 5,8 6,3 5,6 5,5 6,2 Pescas e derivados 3,0 3,4 3,8 2,7 2,4 2,7 Diamantes e Outros 0,6 0,6 0,7 0,8 1,0 1,1 Petróleo 30,2 21,5 19,7 29,0 29,8 21,9 Sector secundário (%) 17,6 20,6 22,5 19,0 19,2 21,4 Indústria Transformadora 5,2 5,6 6,7 6,2 6,0 6,7 Construção 12,0 14,5 15,2 12,3 12,7 14,1 Energia 0,5 0,5 0,6 0,5 0,5 0,6 Sector terciário (%) 43,4 48,0 47,1 43,0 42,0 46,6 Serviços Mercantis 35,5 38,6 38,5 33,8 33,4 37,1 Outros 7,9 9,4 8,6 9,2 8,6 9,5 Fonte: INE
Em termos de previsão para 2021, não obstante ao nível de incerteza ainda presente em torno da evolução da pandemia de COVID-19. Segundo a Programação Macroeconómica Executiva (PME) espera-se um crescimento nulo do PIB em torno de 0,02%, em resultado da perspectiva do crescimento do sector não petrolífero (2,30%), influenciado por seis sectores, com realce para: (i) Sector dos serviços mercantis (2,2%); (ii) Extracção de diamantes, de minerais metálicos e de outros minerais (15,6%) e o (iii) sector de energia (5%).
2.1.2. PREÇOS
O ritmo de crescimento do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), no ano 2020, foi marcado por uma aceleração, ao apresentar uma taxa de variação anual de 25,10% contra os 16,90% do ano precedente, sendo a maior alta de preços desde o ano de 2017. De salientar, que este nível observado esteve em linha com o objectivo de inflação anual de 25,00%, plasmado no OGE revisto para o ano 2020.
Esta aceleração anual foi sustentada pelo acréscimo da contribuição de quase todas as classes que compõem a estrutura do IPCN, destacando a classe 01. “Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas” com 14,55 pp face aos 8,65 pp observado em 2019, sendo a que registou o maior incremento. A classe 04. “Habitação, Água, Electricidade, Gás e Combustíveis” foi a única que observou uma diminuição na sua contribuição, passando de 1,08 pp para 0,84 pp.
A análise feita indica que o ano de 2020 foi marcado pela interrupção do processo de desinflação que teve o seu início em 2017. Assim, o aumento considerável verificado nos níveis dos preços, foi impulsionado pelos seguintes factores:
- Efeitos negativos da pandemia de COVID-19, que geraram choque de oferta devido ao confinamento, forçado pelas medidas mitigadoras para a contenção da sua propagação no território nacional;
- Implementação do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) sobre os produtos da cesta básica, ao abrigo da Lei N.º 31/2020, de 11 de Agosto que estabeleceu a taxa de 14,00%, com excepção dos insumos agrícolas, cuja taxa é de apenas 5%;
- Incidência e agravamento dos direitos de importação sobre os produtos da cesta básica que, até ao oitavo mês de 2020, beneficiavam de isenção de pagamentos dos direitos de importação. A Lei indica no ponto ii, que alguns produtos2 passaram a ser tributados, com taxas que variam entre 20% a 50%;
- Depreciação do kwanza face ao dólar americano, resultante do desequilíbrio das contas externas, originado pelo choque externo; - Aumento da liquidez pela injecção da moeda por parte do BNA na compra de títulos às empresas privadas e financiamento ao Tesouro Nacional;
- Subida de preços das commodities alimentares nos mercados internacionais.
QUADRO 3: CONTRIBUIÇÃO E VARIAÇÃO DAS CLASSES DE DESPESA PARA O IPCN
Classe de Despesa
Ponderadores
Contribuição Anual (pp) Variação Anual (%)
2019 2020 Diferença 2019 2020
01. Alimentação e Bebidas naão alcoólicas 47,11 8,65 14,55 5,90 19,00 31,40
02. Bebidas Alcoólicas e tabaco 2,13 0,45 0,69 0,23 17,67 26,66
03. Vestuário e Calçado 6,39 1,37 1,62 0,25 18,23 21,29
04. Habitação, Água, Electricidade, Gás e Combustível 10,77 1,08 0,84 -0,25 11,86 9,58 05. Mobiliário,Equipamento Doméstico e Manutenção 6,59 1,26 1,57 0,31 17,40 21,56
06. Saúde 3,50 0,96 1,12 0,17 20,00 22,92
07. Transportes 7,68 0,77 1,02 0,26 11,78 16,42
08. Comunicações 3,19 0,03 0,04 0,01 1,30 2,15
09. Lazer, Recreação e Cultura 2,26 0,43 0,44 0,01 19,08 19,16
10. Educação 1,89 0,04 0,62 0,58 1,99 36,98
11. Hotéis,Cafés e Restaurantes 3,13 0,53 0,77 0,24 17,34 25,09
12. Bens e Serviços Diversos 5,36 1,33 1,82 0,49 17,83 24,15
Inflação Nacional 16,90 25,10 8,20 16,90 25,10
Fonte: INE
No final do ano de 2020, as maiores taxas de crescimento acumuladas de preços foram apresentadas pelas seguintes classes: (i) 10. “Educação” (36,98%), devido, essencialmente, ao aumento dos preços ocorrido nos produtos, tais como, o pagamento do ensino secundário particular (104,52%), ensino pré-escolar particular (32,98%) e pagamento do ensino básico particular (32,72%); (ii) 01. “Alimentação, Bebidas não Alcoólicas” (31,40%), onde os maiores aumentos ocorreram nos preços da azeitona em conserva (63,72%), conserva de atum (55,96%) e das lulas (54,39%), e (iii) 02. “Bebidas Alcoólicas e Tabaco” (26,66%), explicado, fundamentalmente, pelo incremento dos preços dos produtos como, o cinzano (49,54%), brandy (36,29%) e cerveja branca importada (30,25%).
Em 2020, as classes que mais contribuíram na variação acumulada do IPCN, foram: (i) classe 01. “Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas” (14,55 pp); (ii) classe 12. “Bens e Serviços Diversos” (1,82 pp) e (iii) classe 03. “Vestuário e Calçado” (1,62 pp), e com menor contribuição esteve: (i) classe 08. “Comunicação” (0,04 pp); (ii) classe 09 “Lazer, Recreação e Cultura” (0,44 pp) e (iii) classe 10. “Educação” (0,62 pp). Quanto à representatividade das classes na inflação geral, maior atenção recai principalmente na classe 01. “Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas” com um incremento de 6,80 pp, representando cerca de 57,98% da variação total contra os 51,18% do ano transacto. Destaca-se o facto de nove das doze classes terem apresentado reduções na sua representatividade.
PAINEL 2: CONTRIBUIÇÃO E REPRESENTATIVIDADE DAS CLASSES DE DESPESAS NA INFLAÇÃO
0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00
dez/18 fev/19 abr/19 jun/19 ago/19 out/19 dez/19 fev/20 abr/20 jun/20 ago/20 out/20 dez/20
pp
Contribuição das Classes na Inflação Homóloga
Bens e Serviços Diversos Hóteis, Cafés e Restaurantes
Educação Lazer, Recreação e Cultura
Comunicação Transportes
Saúde Mobil., Equip. Doméstico e Manutenção
Hab., Água, Elect., Gás e Combust. Vestuário e Calçado
Bebidas Alc. e Tabaco Alim. Bebidas não Alc.
0 20 40 60 80 dez/18 jan/1 9
fev/19 mar/19 abr/19 mai/19 jun/1
9
jul/19 ago/19 set/19 out/19 nov/19 dez/19 jan/2
0
fev/20 mar/20 abr/20 mai/20 jun/2
0
jul/20 ago/20 set/20 out/20 nov/20 dez/20
%
Representatividade das Classes que mais têm Contribuído para a Inflação
em termos de 12 Meses
Alim. Bebidas Não Alc. Vestuário e Calçado
Hab., Água, Elect., Gás e Combust. Mobil., Equip. Doméstico e Manutenção
Saúde Transportes
Bens e Serviços Diversos
Fonte: INE
O comportamento da classe 01. “Alimentação e Bebidas não Alcoólicas”, em 2020, foi influenciado pelos seguintes factores:
- Aumento da procura por esses bens durante o período confinamento e da quadra festiva, caracterizado pelo aumento do consumo, em resultado do incremento no rendimento nominal. Esta procura foi reflectida no aumento anual observado nas operações de levantamento e pagamento na rede Multicaixa (44,72%) e nas operações com Terminal de Pagamento Automático (30,26%); - Implementação do (IVA) à importação de nove (9) produtos alimentares que integram a cesta básica3;
- Depreciação do kwanza em relação ao dólar americano e ao euro.
No acumulado dos doze meses do ano, a inflação a nível das províncias esteve acima dos 20% face aos 14% do ano precedente. A província da Luanda Norte foi a que maior aumento de preços registou, ao sair de 17,69% em 2019 para os 30,22%, enquanto a Luanda Sul assinalou a menor variação de preços em cerca de 20,51%, contudo, acima dos 17,65% do ano anterior.
A tabela abaixo demonstra, que o comportamento da inflação anual nacional foi impulsionado, maioritariamente, pelo maior aumento da contribuição da província de Luanda
QUADRO 4: CONTRIBUIÇÃO E VARIAÇÃO DAS CLASSES DE DESPESA PARA O IPCN Províncias Ponderadores Contribuição Anual (pp) Províncias Variação Anual (%) 2019 2020 Diferença - (pp) 2019 2020 Diferença - (pp)
01. Luanda 63,06 10,50 15,61 5,11 01. Lunda Norte 17,69 30,22 12,53
02. Benguela 8,18 1,25 1,99 0,73 02. Huíla 19,64 29,74 10,10
03. Huíla 6,07 1,16 1,77 0,61 03. Cuando Cubango 18,71 29,60 10,89
04. Cuanza Sul 3,07 0,55 0,78 0,22 04. Huambo 19,71 29,01 9,30
05. Huambo 2,67 0,51 0,76 0,25 05. Bengo 20,90 28,63 7,73
06. Malange 2,28 0,39 0,58 0,19 06. Malange 17,59 25,98 8,38
07. Cabinda 2,20 0,36 0,53 0,17 07. Cuanza Sul 18,53 25,82 7,30
08. Uíge 2,16 0,40 0,52 0,12 08. Bié 14,43 25,78 11,35
09. Moxico 1,55 0,28 0,38 0,11 09. Cuanza Norte 18,94 25,47 6,54
10. Cunene 1,37 0,23 0,29 0,06 10. Luanda 17,06 25,19 8,13
11. Lunda Norte 1,37 0,24 0,41 0,17 11. Moxico 18,25 25,07 6,82
12. Namibe 1,14 0,18 0,25 0,07 12. Benguela 15,71 24,74 9,03
13. Bié 1,02 0,14 0,26 0,11 13. Cabinda 16,66 24,52 7,86
14. Cuando Cubango 0,99 0,18 0,29 0,11 14. Uíge 18,76 24,46 5,70
15. Cuanza Norte 0,87 0,16 0,22 0,06 15. Namibe 16,45 22,67 6,22
16. Lunda Sul 0,81 0,14 0,16 0,02 16. Zaire 17,35 22,54 5,19
17. Zaire 0,69 0,12 0,15 0,04 17. Cunene 17,28 21,62 4,33
18. Bengo 0,51 0,10 0,14 0,04 18. Lunda Sul 17,65 20,51 2,85
Inflação Anual 16,90 25,10 8,20
Fonte: INE
O indicador do núcleo de inflação do BNA4 que visa reflectir a tendência comum da variação dos preços da economia no curto prazo, no agregado do ano de 2020, atingiu os 25,51%, ligeiramente acima da taxa de variação do IPCN e equivalente a uma aceleração de 7,56 pp face a 2019 (17,95%). Os dados revelam que a dinâmica inflacionista ainda é muito elevada mesmo excluindo os efeitos derivados de choques temporários e administrados.
QUADRO 5: CONTRIBUIÇÃO E VARIAÇÃO DAS CLASSES DE DESPESA PARA O IPCN
Período Variação Anual (%) Contribuição (pp)
IPCN Núcleo de Inflação Núcleo de Alimentos Outros
2019 16,90 17,95 6,99 10,96
2020 25,10 25,51 13,18 12,33
Fonte: BNA/INE
Segundo a tabela exposta acima, a performance do núcleo de inflação, no ano em referência, foi impulsionada pelo incremento da contribuição das suas componentes, designadamente:
- O “Núcleo de produtos alimentares” foi o principal responsável pela variação anual do núcleo de inflação, ao contribuir em volta de 13,18 pp, equivalente a 51,67% da variação observada. A suportar tal comportamento, estiveram alguns factores, tais como: A depreciação anual do kwanza em relação às congéneres americana (27,49%)5 e europeia (33,79%); implementação do IVA em alguns produtos da cesta básica (5%) e a redução forçada da oferta de farinha de trigo6 (efeito COVID-19);
- O “Núcleo dos outros”7 também aumentou a sua participação na variação anual do núcleo de inflação, tendo sido responsável por 48,33% da variação acumulada até ao décimo segundo mês de 2020, equivalente a uma contribuição de 12,33 pp, o que pode reflectir o efeito do aumento da procura devido aos efeitos da COVID-19 bem como da quadra festiva do final do ano.
No que concerne ao Índice de Preços Grossista (IPG), em 2020, manteve a sua trajectória de aceleração que começou em 2018, apresentando no final do ano uma taxa de variação de 26,85%, muito superior aos níveis observados no ano transacto (18,92%). A suportar este desempenho esteve a contribuição dos produtos importados que ficou em 19,99 pp, ou seja, 74,44% da variação total do IPG (75,23% em 2019) e dos produtos nacionais com uma contribuição de 6,86 pp, que representou a inflação cheia em torno de 25,56% (24,77% no ano anterior). Destaca-se que o IPG de produção nacional atingiu uma taxa de variação anual de 31,51% (22,10% no período anterior), ficando a média do ano no patamar de 7,09%, reflexo de uma considerável alta dos preços dos produtos produzidos internamente, o que pode sinalizar alguns constrangimentos no processo de produção e/ou distribuição local. De igual modo, a taxa de crescimento do IPG dos produtos de origem importados e comercializados no mercado nacional teve um acréscimo, saindo de 18,07% em 2019 para 25,55%.
PAINEL 3: ÍNDICE DE PREÇOS NO GROSSISTA
Fonte: INE
A análise do IPG por secção permite observar que dentro dos produtos nacionais, a secção da “Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura” apresentou o maior incremento na variação de preços em volta de 14,13 pp, fixando-se em 39,07%, e a secção da pesca foi marcada por uma queda na variação de preços em cerca de -1,32 pp, situando-se em 28,41%. A evolução da segunda secção está em linha com a expansão da actividade pesqueira (+5,20%) conforme ilustrado no ponto acima. Similarmente, no cabaz dos produtos importados, a secção da “Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura” foi a que registou o aumento de preços mais acentuado em cerca de 54,41% em relação aos 30,63% do ano anterior.
5 Cálculo efectuado com a taxa de câmbio média do período.
6 Informação publicada pelo Novo Jornal no dia 29 de Novembro de 2020
(http://www.novojornal.co.ao/economia/interior/producao-de-farinha-de-trigo-das-grandes-moagens-fusti-gadapela-COVID-19-97796.html).
7 Composto por bens excluindo os alimentos e serviços.
15,00% 17,00% 19,00% 21,00% 23,00% 25,00% 27,00% 29,00% 1,10% 1,30% 1,50% 1,70% 1,90% 2,10% 2,30%
dez/17 fev/18 abr/18 jun/18 ago/18 out/18 dez/18 fev/19 abr/19 jun/19 ago/19 out/19 dez/19 fev/20 abr/20 jun/20 ago/20 out/20 dez/20
Variação Homólog
a
Variação Homólog
a
Variação Mensal
IPG Mensal e Homólogo
IPG Mensal IPG Homólogo
15,00% 17,00% 19,00% 21,00% 23,00% 25,00% 27,00% 29,00% 31,00% 33,00%
dez/17 fev/18 abr/18 jun/18 ago/18 out/18 dez/18 fev/19 abr/19 jun/19 ago/19 out/19 dez/19 fev/20 abr/20 jun/20 ago/20 out/20 dez/20
IPG - Produtos Nacionais Vs. Importados
Nota-se que a variação anual dos produtos nacionais e importados foi explicada, essencialmente, pela contribuição da secção das “Indústrias Transformadoras” com 16,63 pp (representando 52,77% da variação geral) e com 23,63 pp (explicando cerca de 92,48% da variação anual).
QUADRO 6: VARIAÇÃO E CONTRIBUIÇÃO POR SECÇÃO DO IPG
Descrição Variação (%) Diferença
(pp) Contribuição (pp) Diferença (pp) 2019 2020 2019 2020 IPG 18,92 26,85 7,93 18,92 26,85 7,93 1. Produtos Nacionais 22,10 31,51 9,41 4,69 6,86 2,17
A) Agric., Prod. Animal, Caça e Silvic. 24,94 39,07 14,13 8,40 13,56 5,16
B) Pesca 29,72 28,41 -1,32 1,30 1,32 0,03
D) Indústrias Transformadoras 19,67 26,71 7,04 12,41 16,63 4,22
2. Produtos Importado 18,07 25,55 7,49 14,24 19,99 2,17
A) Agric., Prod. Animal, Caça e Silvic. 30,63 54,41 23,78 0,97 1,92 0,03
D) Indústrias Transformadoras 17,51 24,12 6,61 17,10 23,63 4,22
Fonte: INE
Constata-se que o aumento de preços dos produtos em grande medida tem sido impulsionado nos primeiros níveis de comercialização, reflexo do ritmo de crescimento dos preços nos estabelecimentos grossistas ser superior em relação aos estabelecimentos retalhistas, tendo o diferencial entre a taxa de variação do IPG (26,85%) e do IPCN (25,10%) atingindo os 1,75 pp em 2020, contra os 2,02 pp do ano anterior.
2.2. SECTOR FISCAL
2.2.1. POLÍTICA E SITUAÇÃO ORÇAMENTAL
O ano de 2020 afigurou-se como um ano atípico devido aos desafios provocados pela pandemia de COVID-19, que causou uma queda abrupta da procura e contracção na oferta, fruto das medidas de confinamento e isolamento social adoptadas pelos Governos de vários países, visando conter a propagação do vírus.
Esta situação afectou o mercado petrolífero nacional, assistiu-se uma redução da cotação internacional do preço médio do petróleo referente às ramas angolanas, agravando ainda mais as contas públicas, em consequência da dependência da performance deste sector, que já apresentava dificuldades antes mesmo do período pré pandemia.
Neste contexto, ao meio do ano, verificou-se uma revisão ao Orçamento Geral do Estado (OGE), alicerçado nos seguintes pressupostos: (i) preço médio de petróleo de 33,00 USD/barril, correspondente a USD 22 abaixo do inicialmente previsto no OGE inicial e (ii) produção anual de petróleo de 469,7 milhões de barris, equivalente a 10% a menos em relação ao OGE inicial.
Os dados preliminares de 2020, indicam que o preço médio do petróleo das ramas angolanas efectivadas situou-se em torno de 39,70 USD/ barril, 39,12% mais baixo em relação ao ano anterior, mas 6,70 USD acima do esperado no OGE revisto. A exportação anual de petróleo situou-se em 342,54 milhões de barris, reflectindo um decréscimo aproximado de 28,83% e 23,64% comparado com a exportação do ano precedente e em relação ao OGE revisto, respectivamente.
QUADRO 7: PREÇO E QUANTIDADE DO PETRÓLEO
2018 2019 2020
OGE inicial OGE revisto 2020 Prel.
Produção de petróleo (milhões de barris) 539,36 504,83 524,50 469,70 356,28
Exportação de petróleo (milhões de barris) 517,57 481,32 502,14 448,56 342,54
Preço do petróleo (USD/barril) 70,60 65,20 55,00 33,00 39,70
Fonte: MINFIN e BNA
2.2.2. RECEITAS PÚBLICAS
Segundo os dados preliminares do balanço fiscal reportado pelo Ministério das Finanças (MINFIN), a receita total no ano de 2020, cifrou-se em 5,94 biliões de kwanzas (17,68% do PIB), correspondendo a uma redução de 8,79% e de 3,02% em relação ao ano passado e ao esperado no OGE revisto, respectivamente. Este comportamento anual foi influenciado pelo recuo registado na receita petrolífera em torno de 1,07 bilião de kwanzas (-27,04%), devido à diminuição das quantidades de exportação do barril petróleo que não foi compensada com a relativa melhoria do preço do petróleo que esteve acima do previsto no OGE revisto.
QUADRO 8: RECEITAS PÚBLICAS
Em mil milhões de kwanzas % do PIB
2018 2019 2020 2019 2020
OGE Preliminar OGE Revisto Preliminar
Receitas totais 5 860,00 6 512,10 6 125,0 5 940,02 23,98 19,20 17,68 Receitas correntes 5 859,30 6 508,30 6 125,0 5 939,98 23,97 19,20 17,68 Impostos 5 408,00 6 056,90 5 280,4 5 562,93 22,30 16,60 16,56 Petrolíferos 3 714,90 3 952,50 2 951,8 2 883,78 14,55 9,30 8,58 Não petrolíferos 1 693,10 2 104,50 2 328,6 2 679,15 7,75 7,30 7,97 Contribuições sociais 194,10 311,40 281,30 226,00 1,15 0,90 0,67 Doações 1,50 2,90 7,90 0,00 0,01 0,00 0,00 Outras receitas 255,70 137,00 555,30 151,05 0,50 1,70 0,45 Receitas de capital 0,70 3,80 - 0,05 0,01 0,00 0,00 Fonte: MINFIN
Quanto ao volume de receita não petrolífera face a 2019, este aumentou em 27,31%, equivalente a um incremento de 574 mil milhões de kwanzas, em resultado de uma maior colecta de imposto, com destaque para o imposto de valor acrescentado (508,06%)8, imposto sobre rendimento de trabalho (42,63%)9 e o imposto industrial (32,47%) referente ao exercício económico de anos transactos.
As outras receitas que responderam por menos de 7% do total da receita, reduziram em 17,14% em relação ao ano transacto, em resultado da queda anual nas contribuições sociais (menos 85 mil milhões de kwanzas) e nas receitas de capitais (menos 3,7 mil milhões de kwanzas). Note-se que o desempenho negativo das contribuições sociais poderá estar associado aos efeitos da contracção da actividade económica e o impacto das medidas de prevenção e controlo da propagação da pandemia de COVID-19.
8 O IVA entrou em vigor apenas em Outubro de 2019 9 Em Setembro de 2020 observou-se ajuste da tabela de IRT
GRÁFICO 4: RECEITAS
Fonte: MINFIN
2.2.3.DESPESAS PÚBLICAS
A despesa total ascendeu aos 6,95 biliões de kwanzas (20,69% do PIB), equivalente a um aumento de 10,90% em relação a 2019, porém, uma redução de 5,95% face ao OGE revisto. Destaca-se que 6,67% do incremento da despesa foi pelo aumento da despesa de capital, que constituiu a categoria com maior crescimento, em torno de 41,16%, representando 4,73% do PIB. O aumento foi fruto de disponibilização de recursos de financiamento externo (linhas de crédito e Eurobond) que permitiu a execução financeira de projectos de investimento público (PIP), bem como a execução do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) financiado com recursos do Fundo Soberano de Angola (FSDA).
QUADRO 9: DESPESAS PÚBLICAS
Em mil milhões de kwanzas % do PIB
2018 2019 2020 2019 2020
OGE Preliminar OGE Revisto Preliminar
Despesas totais 5 318,60 6 269,60 7 392,60 6 952,72 23,09 23,18 20,69
Despesas correntes 4 130,10 5 142,90 5 930,40 5 362,25 18,94 8,59 5,96
Remuneração dos empregados 1 538,70 1 999,20 2 181,80 2 065,62 7,36 6,84 6,15
Bens e serviços 883,50 825,40 1 028,10 827,79 3,04 3,22 2,46 Juros e comissões 1 212,40 1 720,70 1 967,40 1 895,33 6,34 6,17 5,64 Externos 620,30 923,30 1 040,90 1 030,01 3,40 3,26 3,07 Internos 592,10 797,30 926,50 865,32 2,94 2,90 2,58 Transferências correntes 495,50 597,60 753,10 573,51 2,20 2,36 1,71 Subsídios 86,40 78,60 216,70 38,29 0,29 0,68 0,11 Despesas de Capital 1 188,50 1 126,70 1 462,20 1 590,47 4,15 4,58 4,73 Fonte: MINFIN
As despesas correntes aumentaram moderadamente em 4,27% (15,96% do PIB), comparado com o aumento de 24,52% (18,94% do PIB) registado em 2019. As categorias que contribuíram para este aumento, foram as remunerações (3,32%), as despesas com juros (10,15%) e as despesas com bens e serviços (0,29%), ao passo que as transferências correntes reduziram em 4,03%.
Importa referir que a seguir as remunerações, a despesa com juros é a categoria com maior representatividade nas despesas correntes, cobrindo cerca de 35,35% do total e 4,73% do PIB, sendo o juro interno a categoria que mais cresceu (8,53%), particularmente devido às componentes expostas à taxa de câmbio, nomeadamente as OT-TX e OT-ME, afectadas pela depreciação cambial.
0 5 10 15 20 25 30 2017 2018 2019 OGE revisto 2020 Preliminar2020 % do PI B
Petrolíferos Não petrolíferas
Contribuições sociais Doações
GRÁFICO 5: DESPESAS
Fonte: MINFIN
2.2.4. SALDOS FISCAIS
A combinação entre a redução anual da receita e o aumento da despesa, resultou num défice global (compromisso) em torno de 1,01 bilião de kwanzas (-3,01% do PIB), o que representa uma deterioração da posição fiscal face ao superavit registado em 2019 (242,5 mil milhões de kwanzas, equivalente a 0,89% do PIB), mas uma melhoria face ao esperado no OGE revisto (1,27 bilião de kwanzas). Note-se que o saldo corrente, apesar de ter deteriorado, continua superavitário ao longo dos últimos 4 anos, reflectindo que os recursos ordinários do Governo têm sido suficientes para cobrir as despesas de funcionamento.
O saldo primário não petrolífero (antes de encargos com juros) foi deficitário em 2,38 biliões de kwanzas (7,08% do PIB), mas corresponde a uma melhoria quando comparado ao ano de 2019 (2,4 biliões de kwanzas, 7,33% do PIB) e uma melhoria face ao programado no OGE revisto (3,10 biliões de kwanzas, 9,71% do PIB). Entretanto, tem se notado uma redução do défice do saldo primário ao longo dos últimos anos, reflectindo o esforço do Governo em dinamizar as receitas não petrolíferas para fazer face às despesas não financeiras.
GRÁFICO 6: SALDOS FISCAIS
Fonte: MINFIN
2.2.5. FINANCIAMENTO INTERNO LÍQUIDO
No que concerne ao financiamento público em termos líquidos, este registou um fluxo negativo, em torno de 344,57 mil milhões de kwanzas, por conta do volume das amortizações (pagamentos) terem superado os novos desembolsos (entrada de fluxos). Este resultado indicou melhorias quando comparado com o OGE esperado (1,77 bilião de kwanzas) e o saldo líquido do ano passado (821,30 mil milhões de kwanzas).
Destaca-se, que ao nível do financiamento interno, os esforços fiscais foram maiores, ao registar amortizações (9,22% do PIB) superiores às novas emissões (7,09% do PIB), pois estas ficaram em cerca de metade do programado no OGE revisto. Inversamente, no plano externo, as amortizações (4,00% do PIB) ficaram abaixo dos desembolsos (5,11% do PIB). De realçar que os desembolsos externos ficaram pela metade da previsão efectuada para o OGE revisto, ao passo que as amortizações apresentaram consideráveis reduções em comparação ao OGE revisto e ao ano anterior, em resultado da renegociação da dívida nacional dentro e fora do G20.
-5 10 15 20 25
2017 2018 2019 OGE revisto 2020 Preliminar
2020
% do PI
B
Despesas de Capital Remuneração dos empregados
Bens e Serviços Juros
Transferências correntes Despesas Totais
-6,14 2,17 0,89 -3,97 -3,01 0,21 6,92 5,03 0,61 1,72 -12,54 -7,85 -7,33 -9,71 -7,08 2017 2018 2019 OGE REVISTO 2020 Preliminar2020 % do PI B
QUADRO 10: FINANCIAMENTO E AMORTIZAÇÕES
Em mil milhões de kwanzas % do PIB
2018 2019 2020 2019 2020
OGE Preliminar OGE Revisto Preliminar
Financiamento líquido 796,04 821,30 1 771,90 -344,57 2,68 5,56 -1,03
Crédito interno líquido obtido¹ 24,00 -218,40 364,20 -716,60 0,10 -0,70 -2,13
Desembolso 3 200,40 1 597,20 4 066,90 2 381,24 5,20 2,80 7,09
Amortização 3 176,40 1 815,60 3 702,70 3 097,83 5,90 11,60 9,22
Crédito externo líquido obtido 772,04 1 039,70 1 407,70 372,02 3,40 4,40 1,11
Desembolso 2 227,36 3 212,30 3 262,10 1 716,25 10,50 10,20 5,11
Amortização 1 455,32 2 172,50 1 854,40 1 344,22 7,10 5,80 4,00
¹Não contempla os activos Fonte: BNA
2.2.6. DÍVIDA PÚBLICA10
Apesar da ocorrência de amortizações superiores às emissões, o stock da dívida governamental em percentagem do PIB prosseguiu o seu percurso ascendente, ao apresentar um incremento anual significativo de 18,21 pp, representando no fecho do ano de 2020 em torno de 123,03% do PIB (em linha com o previsto), equivalente a 41,34 biliões de kwanzas, contra os 32,10 biliões de kwanzas de 2019. Note-se que para este rácio considerável, contribuiu mais a expansão acentuada do volume de dívida nominal (29,78%) em detrimento do crescimento do PIB nominal (9,72%).
O stock da dívida interna11, maioritariamente constituído por títulos públicos, aumentou em 10,15%, tendo passado de 10,72 biliões de kwanzas em 2019 (35,01% do PIB) para 11,81 biliões de kwanzas (35,15% do PIB), reflectindo, essencialmente, a depreciação do kwanza face ao dólar americano que afecta as Obrigações do Tesouro indexadas à taxa de câmbio (OT-TX) e em moeda estrangeira (OT-ME).
No mesmo sentido, o stock da dívida externa aumentou em 38,12%, tendo se fixado em 29,53 biliões de kwanzas (45,46 mil milhões de dólares americanos), passando a representar 87,88% do PIB. Este aumento reflecte o desembolso de parte do financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) no âmbito do Programa de Financiamento Ampliado (EFF na sigla inglesa).
GRÁFICO 7: DÍVIDA DO GOVERNO
Fonte: MINFIN
10 Não incluí dívida das empresas públicas. 11 Não incluí dívida das empresas públicas
35,53 51,21 69,81 87,88 28,52 33,64 35,01 35,51 64,05 89,05 104,82 123,03 2017 2018 2019 2020 Preliminares % do PI B
PARTE II
SISTEMA BANCÁRIO
ANGOLANO
PARTE II – SISTEMA BANCÁRIO ANGOLANO
3. DESEMPENHO DO SISTEMA BANCÁRIO ANGOLANO
A pandemia de COVID-19 trouxe inúmeros desafios, quer em termos de saúde pública, quer em termos económicos e financeiros. Neste sentido, o BNA à semelhança de outros bancos centrais, tomou decisões de protecção e implementou medidas de contingência importantes para mitigar e atenuar os riscos de exposição do negócio e operacionalidade do sector bancário face às repercussões negativas da pandemia. Assim, no âmbito do Decreto Presidencial N.º 82/20, de 26 de Março, de modo a garantir a solidez e operacionalidade do sistema bancário, o BNA publicou o Instrutivo N.º 04/2020, de 30 de Março, sobre a flexibilização dos prazos para o cumprimento de obrigações creditícias12. Adicionalmente, o BNA estabeleceu outras medidas de contingência, no âmbito da supervisão prudencial, nomeadamente: (i) alargamento temporário dos prazos de reporte de informação ao regulador via Portal das Instituições Financeiras (PIF) através da Directiva N.º 02/DSB/2020 de 27 de Março; (ii) recomendação às instituições financeiras do encerramento temporário de agências irrelevantes e informação ao público em geral sobre as agências alternativas para garantia da prestação dos seus serviços; (iii) comunicação e orientação às instituições financeiras no sentido de garantir a normalidade na prestação de todos os seus serviços; (iv) recomendação às instituições financeiras bancárias testes de stress específicos e pontuais para medir o impacto do novo coronavírus e da redução do preço do petróleo; e (v) orientação às instituições financeiras para a implementação de planos de contingência e de continuidade de negócio para responderem aos desafios apresentados pelos efeitos do coronavírus.
Outrossim, face à descida da notação de rating de Angola pela Moody´s, o BNA publicou o Aviso N.º 21/20, de 26 de Outubro, estabelecendo os termos e condições que deveriam ser observados para o diferimento do reconhecimento das imparidades constituídas e registadas pelas instituições financeiras bancárias referentes aos títulos de dívida pública, para efeitos do cálculo dos Fundos Próprios Regulamentares13.
3.1. Composição do Sistema Bancário
Em finais de 2020, estavam autorizadas a funcionar no sistema financeiro angolano 26 instituições financeiras bancárias, sendo 3 bancos públicos, 17 bancos privados nacionais, 5 filiais de bancos estrangeiros e 1 sucursal.
GRÁFICO 8: INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS BANCÁRIAS EM FUNCIONAMENTO
Fonte: BNA
12 Que orientou às instituições financeiras a desenvolver operações de crédito, a conceder aos seus clientes uma moratória de 60 (sessenta) dias para o cumprimento das suas
obrigações creditícias.
13 Para tal, os bancos deveriam pedir autorização ao BNA até 31 de Dezembro de 2020, enviando um plano de acção detalhado, quantificando os impactos e descrevendo as
medidas que pretendem implementar para cumprir com o Aviso, incluindo a forma de cobertura das insuficiências de capital da Instituição e o prazo de diferimento.
29 27 26 26
3.2. ACTIVIDADE DO SISTEMA BANCÁRIO
No final do exercício económico de 2020, o Activo do Sistema Bancário estava avaliado em cerca de 18,36 biliões de kwanzas, um aumento na ordem de 2,72 biliões de kwanzas (17,38%) face ao período homólogo, influenciado, fundamentalmente, pelo aumento de títulos e valores mobiliários em 1,76 biliões de kwanzas (34,40%) e das aplicações em bancos centrais e em outras instituições de crédito em 411,27 mil milhões de kwanzas (19,57%).
Com a manutenção da recessão económica e os desafios do Tesouro Nacional, prevalece a tendência crescente do financiamento destinado ao Estado, por via de títulos e valores mobiliários, permanecendo como a maior rubrica dos activos da banca no período em análise, com uma representatividade de 37,38%, seguido por caixa e disponibilidades com 16,87% e aplicações em créditos a clientes com 16,38%.
GRÁFICO 9: ESTRUTURA DO ACTIVO TOTAL
Fonte: BNA
Relativamente ao crédito vencido malparado14 no final do ano 2020, o sector bancário registou um montante de 847,13 mil milhões de kwanzas contra 1,60 mil milhões de kwanzas comparativamente ao período homólogo, ou seja, uma diminuição de 749,35 mil milhões de kwanzas (46,94%). Neste sentido, o rácio de incumprimento do sector bancário registou uma redução significativa de 14,05 pp, ao passar de 32,46% em Dezembro de 2019 para 18,41% em Dezembro de 2020, resultante, fundamentalmente, do processo de reestruturação de um banco sistémico, que levou à alienação de parte da carteira de crédito vencida à empresa de gestão de activo Recredit.
GRÁFICO 10: CRÉDITO VENCIDO MALPARADO SOBRE CRÉDITO TOTAL
Fonte: BNtA
14 Crédito com atraso superior a 90 (noventa) dias.
19,7% 26,1% 21,3% 17,4% 0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0% 30,0% -2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00 18,00 20,00 2017 2018 2019 2020 Biliões de kwanza s
Derivados de cobertura com justo valor positivo Operações cambiais
Créditos no sistema de pagamentos Outros activos fixos Outros activos
Aplicações em bancos centrais e em outras instituições de crédit Crédito a clientes
Caixa e disponibilidades Títulos e valores mobiliários Variação de activo 28,79% 26,96% 32,46% 18,41% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00% 35,00% -500,00 1 000,00 1 500,00 2 000,00 2 500,00 3 000,00 3 500,00 4 000,00 4 500,00 5 000,00 2017 2018 2019 2020
Mil milhões de kwanzas
Crédito Vencido Mal Parado Crédito Bruto Rácio de incumprimento
O passivo total do sector bancário totalizou cerca de 16,84 biliões de kwanzas, um acréscimo de 2,74 biliões de kwanzas (19,43%), influenciado, sobretudo, pelo aumento dos recursos de clientes em cerca de 2,32 biliões de kwanzas (19,74%). Os depósitos mantêm-se como principal fonte de captação de recursos das instituições financeiras bancárias, com um peso de 83,59% do passivo total, correspondente a 14,08 biliões de kwanzas, dos quais 52,32% representaram os depósitos à ordem, cujo aumento foi de 2,01 biliões de kwanzas (37,65%), superior ao aumento registado na carteira de depósitos a prazo (402,72 mil milhões de kwanzas).
Relativamente ao sector de actividade económica, o sector bancário registou maior captação de depósitos nos sectores de “particulares” (33,65%), “outras actividades de serviços colectivos, sociais e pessoas” (10,01%) e “comércio a grosso e a retalho (9,20%)”.
GRÁFICO 11: ESTRUTURA DO PASSIVO TOTAL
Fonte: BNA
Com a recessão da economia angolana, conjugada com o surgimento da pandemia de COVID-19, o sector bancário registou no período em análise resultados negativos, tendo atingido um montante de 498,02 mil milhões de kwanzas (148,39%), devido, fundamentalmente, ao aumento de perdas com negociações de crédito, observado principalmente em 2 (dois) bancos sistémicos bem como pela diminuição dos resultados cambiais que originaram uma redução acentuada do produto bancário em 69,27%.
GRÁFICO 12: RESULTADOS
Fonte: BNA
3.3. PRINCIPAIS INDICADORES DO SISTEMA BANCÁRIO
O ano de 2020 foi marcado pela tendência decrescente do crédito malparado, todavia o volume de crédito inadimplente permanece em níveis elevados. Consequentemente, o apetite ao risco de crédito permaneceu limitado traduzindo-se num rácio de transformação baixo e com tendência decrescente, tendo diminuído em 9,16 pp, situando-se em 32,72% no final de 2020.
Como efeito, face aos resultados negativos registados no período, tanto a Rendibilidade dos Capitais Próprios (ROE), como a Rendibilidade dos Activos (ROA), foram negativas, com uma significativa diminuição de 19,16 pp e 1,49 pp para -29,79% e -2,91%, respectivamente.
18,80% 24,37% 27,04% 19,43% 0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0% 30,0% 0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00 18,00 2017 2018 2019 2020 Bi liões de kw anz as
Responsabilidades representadas por títulos Derivados de cobertura com justo valor negativo
Operações cambiais Provisões
Obrigações no sistema de pagamentos Passivos subordinados
Outros passivos
Recursos de bancos centrais e de outras instituições de crédito
Recursos de clientes e outros empréstimos Variação do Passivo -1 000,00 -500,00 -500,00 1 000,00 1 500,00 2 000,00 2017 2018 2019 2020
Mil milhões de kwanzas
Quanto à liquidez imediata, a capacidade de cobertura do passivo de curto prazo em moeda nacional (MN) e em moeda estrangeira (ME) do sector bancário diminuiu ligeiramente de 19,99% para 18,13% e de 22,48% para 21,78%, respectivamente.
PAINEL 4: RÁCIOS DE LIQUIDEZ IMEDIATA E RÁCIO DE TRANSFORMAÇÃO
Fonte: BNA
Relativamente ao rácio de solvabilidade, no final de 2020, observou-se um crescimento ligeiro de 0,44 pp, motivado sobretudo ao reforço do capital social realizado pelos bancos no âmbito das recomendações do exercício da Avaliação da Qualidade dos Activos de 2019 (AQA). Neste sentido, o rácio de solvabilidade regulamentar situou-se em 22,77%, espelhando que o sector bancário se manteve sólido e resiliente com níveis de adequação de capital muito acima do limite mínimo regulamentar que é de 10%.
GRÁFICO 13: RÁCIO DE SOLVABILIDADE REGULAMENTAR
0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00% -0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20 1,40 2017 2018 2019 2020 Biliões de kwanzas
Fundos Próprios Regulamentares Solvabilidade (10%)
Fonte: BNA 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% -2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00 2017 2018 2019 2020 Biliões de kwanzas
Crédito bruto Depósitos Totais Crédito total bruto/Depósitos totais 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00% 2017 2018 2019 2020