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TERMO DE AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA

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Academic year: 2021

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Poder judiciário

Estado de Mato Grosso

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TERMO DE AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA

Auto de Prisão em Flagrante n. 41728-82.2018.811.0042 – Código 550856.

Flagrado: LUIZA FARIAS CORREA DA COSTA.

Presentes: Dr. Jeverson Luiz Quinteiro, Juiz de Direito; Dr.

Ricardo Alexandre Soares Vieira Marques, Promotor de Justiça; Dr. Milton José Ferreira Paes Farias – OAB n°. 16318, Dra. Filipe Maia Broeto Nunes – OAB n°. 23948/O e o autuado LUZIA FARIAS CORREA DA COSTA.

Aos 20 de NOVEMBRO de 2018, na sala de Audiências de Custódia do Fórum da Comarca de Cuiabá/MT, Estado de Mato Grosso, sob a presidência do MMº. Juiz de Direito Plantonista Dr. Jeverson Luiz Quinteiro.

Nos termos da Resolução nº. 9/2015/TP do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, com fundamento no artigo 5º, inciso XXXV da CF (Princípio da Inafastabilidade da Jurisdição) e Art. 7º, item 5, da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), promulgada por meio do Decreto Presidencial nº. 678, de 06 de novembro de 1992, o MM Juiz de Direito declarou aberta a presente AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA, com a apresentação do Autuado, que teve a prévia oportunidade de entrevista reservada com seu Defensor constituído, passando a qualificá-lo:

*Preenchimento obrigatório SISTAC/CNJ Nome: LUIZA FARIAS CORREA DA COSTA Mãe: Plácida Siqueira de Farias

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End. Av. Senador Felinto Muler, 516, Ed. Barcelona, Apt, 1401, Bairro Duque de Caxias, Cuiabá/MT.

Cor: Branca

Escolaridade: ( ) sem ( ) fundamental ( ) médio (X) superior Trabalha: (X) sim ( ) não

Antecedentes: ( ) sim ( x ) não Dependentes: ( ) sim ( x ) não

PNE – Portador de Necessidades Especiais: ( ) sim ( x ) não Dependente químico: ( ) sim ( X ) não

Há relatos de tortura? ( ) sim (X) não Data do fato: 20/11/2018

Local do fato: Via Pública, Marechal Deodoro com a Pres. Maques, Cuiabá-MT.

Autuado pelo Crime: Art. 303, § 2º, c/c 306, todos da Lei 9.503/97.

Cumpridas as formalidades legais e apregoadas as partes, o MM. Juiz de Direito Plantonista passou a proferir perguntas relacionadas às circunstâncias da prisão (fumus

comissi delicti e periculum libertatis), vinculadas à análise das

providências cautelares, conforme termos gravados em mídia audiovisual.

Em seguida o MM. Juiz de Direito concedeu a palavra ao Ministério Público para manifestar quanto a regularidade da prisão, bem como acerca das hipóteses previstas no artigo 311 e seguintes do Código de Processo Penal, o qual pugnou pela concessão de liberdade provisória mediante o pagamento de fiança, com a suspensão cautelar do direito de dirigir nos termos do art. 294 e 295 do Código de Trânsito.

Concedeu-se a palavra à Defesa, que requereu a concessão de liberdade provisória, com a suspensão cautelar do direito de dirigir, conforme termos gravados em mídia audiovisual.

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decisão abaixo transcrita:

“Vistos.

Trata-se de expediente encaminhado pela digna Autoridade Policial comunicando a lavratura de auto de prisão em flagrante do indigitado LUIZA FARIAS CORREA DA

COSTA, pela prática, em tese, do crime previsto nos artigos 3031,

§2º, c/c 3062, todos da Lei 9.503/97.

Compulsando os autos verifico que todas as formalidades exigidas pela lei quanto à prisão do indigitado foram observadas, bem como que o auto de prisão em flagrante em comento preenche todos os requisitos previstos no art. 304 do CPP e que se trata, de fato, de flagrância delitiva (CPP, art. 302), não merecendo, destarte, relaxamento a prisão em comento.

Prosseguindo a análise exigida pelo artigo 310 do CPP, passo a verificar se é caso de converter a prisão em flagrante em prisão preventiva (CPP, art. 310, II).

Nos termos do Provimento n° 01/2017 – CM, do Presidente do Conselho da Magistratura do E. Tribunal de Justiça de Mato Grosso e Resolução 213 de 15 de dezembro de 2015, do CNJ, o autuado foi entrevistado, advindo às manifestações das Partes.

1 Art. 303. Praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor:

Penas - detenção, de seis meses a dois anos e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

§ 2o A pena privativa de liberdade é de reclusão de dois a cinco anos, sem prejuízo das outras penas previstas neste artigo, se o agente conduz o veículo com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência, e se do crime resultar lesão corporal de natureza grave ou gravíssima.

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Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência: (Redação dada pela Lei nº 12.760, de 2012)

Penas - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

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Para que seja decretada a prisão preventiva se faz necessário: a) que o caso se amolde a uma das hipóteses previstas no art. 313 do CPP (requisitos de admissibilidade); b) que reste demonstrado o fumus comissi delicti (prova da materialidade e de indícios suficientes de autoria) e o periculum libertatis, ou seja, que a custódia do agente seja necessária em virtude da ocorrência de uma das hipóteses previstas na parte inicial do art. 312 do CPP; c) que no caso não seja cabível a substituição da custódia cautelar por outra medida cautelar diversa da prisão, prevista no

art. 319 do CPP3 e d) que as medidas cautelares diversas da

prisão se revelem inadequadas ou insuficientes, conforme

previsto no art. 310, II, do CPP4.

Prefacialmente é imperioso destacar que um dos crimes objeto de lucubração nesses autos é doloso e apenado com pena privativa de liberdade superior a 4 (quatro) anos, amoldando-se, portanto, os fatos à hipótese prevista no art. 313,

I, do CPP5, de modo que, em razão disso, se faz cogente

reconhecer estar presente o requisito de admissibilidade do decreto prisional cautelar.

Quanto à presença do fumus comissi delicti, compulsando os documentos encaminhados pela autoridade policial verifico que a materialidade do crime restou quantum

satis demonstrada pelo resultado do teste de etilômetro aportado

ao feito.

No tocante aos indícios de autoria verifico pelo depoimento prestado pelo Investigador de Polícia José Antônio da Silva Aquino, o qual declarou, em suma, que “em atendimento a

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CPP, art. 282, § 6o A prisão preventiva será determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida cautelar (art. 319). (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

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II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos constantes do art. 312 deste Código, e se

revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão; ou (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

Grifei.

5 Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva: (Redação dada pela Lei

nº 12.403, de 2011).

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solicitação do CIOSP a equipe deslocou até o local do fato, onde constatou-se um acidente de trânsito na Av. Getúlio Vargas entre as ruas Marechal Deodoro e Pres. Marques; que um dos veículos envolvidos no acidente estava sendo conduzido pela indigitada; que o outro veículo envolvido foi um caminhão de coleta de lixo, o qual estava parado, vindo o outro veículo colidir no mesmo; que a indigitada foi submetida ao teste de etilômetro, sendo o resultado 0,66 MG/L; que o condutor do caminhão também foi submetido ao teste de etilômetro, sendo o resultado 0,0; que na colisão houve uma pessoa ferida, tendo notícia de que a mesma poderá amputar uma das pernas”, estando caracterizado, indiciariamente, o delito em comento, sobretudo pela confissão da indiciada em seu interrogatório.

Com efeito, estando comprovada a materialidade do delito e havendo indícios suficientes de autoria, forçoso é reconhecer a presença do fumus comissi delicti, conforme

preceitua a parte final do art. 312 do CPP6.

Contudo, no que diz respeito ao periculum libertais verifico pela certidão de antecedentes extraída do sistema informatizado do TJ-MT que a indigitada é primária. Ademais, a mesma, em seu interrogatório, declarou possuir endereço certo e que esta trabalhando (advogada), de modo que, quanto a ela, não vislumbro necessária sua prisão por garantia da ordem pública, nem tampouco para assegurar a aplicação da lei penal, não

estando, destarte, quanto a este agente, presente o periculum

libertatis.

Com efeito, não estando presentes todos os requisitos legais para o decreto prisional cautelar, impõe-se não seja convertida sua prisão em flagrante em custódia cautelar.

Por derradeiro, cumpre salientar que, no tocante ao

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Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de

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inciso III do art. 310 do CPP, o indigitado faz jus ao benefício da concessão de liberdade provisória, haja vista que, conforme o comando contido no preceptivo do art. 324, IV, do CPP, não será concedido fiança quando presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva.

Posto isto, em consonância com os fundamentos retro expendidos:

 concedo liberdade provisória a indigitada LUIZA FARIAS

CORREA DA COSTA mediante o pagamento de fiança e do

cumprimento das obrigações previstas nos artigos 327 e 328 ambos do CPP.

 Fixo a fiança em 08 salários mínimos, haja vista que o crime em apreço tem pena máxima em abstrato superior a 04 anos, conforme estabelece o inc. I, do art. 325 do CPP. Devendo a fiança ser recolhida no próximo dia útil, em razão da indisponibilidade do sistema, sob pena de decretação da prisão da custodiada.

 assinado o termo de compromisso de cumprir as obrigações previstas no art. 327 e 328 do CPP, expeça-se alvará de

soltura em favor do indigitado, salvo se por outro motivo estiver preso;

 Retifique-se o nome da custodiada para Luiza Farias

Correa da Costa.

 aplico ao indigitado as seguintes medidas cautelares diversas da prisão: a) fica a indigitada obrigada a comparecer, mensalmente, perante a Secretaria da Vara e informar e justificar suas atividades à Gestora Judicial, a qual deverá certificar nos autos e abrir vistas ao MP para ciência e eventuais requerimentos, inclusive, atualizando o

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seu atual endereço; b) fica a indigitada proibida de

frequentar bares, prostíbulos, boates e estabelecimentos congêneres; c) fica a indigitada proibida de se ausentar da comarca quando sua permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou instrução e d) fica indigitada obrigado a recolher-se em seu domicílio no período noturno e nos dias de folga;

 Considerando o pedido formulado pelo Ministério Público e, havendo concordância da defesa, defiro o pedido de suspensão cautelar do direito de dirigir da custodiada, nos termos do art. 294 e 295 do Código de Trânsito Brasileiro, devendo ser oficiado ao órgão de trânsito.

 advirta-se o indigitado que o não cumprimento de qualquer dessas medidas cautelares implicará em decretação de sua

prisão preventiva, nos termos do § 4º, do art. 282 do CPP7.

 Após o término do plantão, distribua-se o feito a uma das Varas Criminais desta Comarca.

Não havendo óbice na utilização de sistema de gravação audiovisual em audiência, todas as ocorrências, manifestações, declarações entrevistas foram captados em áudio e vídeo, cuja mídia digital encontra-se arquivada no cartório deste Juízo.”

Nada mais. Eu, Marcos Miguel (Assessor de Gabinete), digitei.

Jeverson Luiz Quinteiro

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§ 4o No caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas, o juiz, de ofício ou mediante requerimento do Ministério Público, de seu assistente ou do querelante, poderá substituir a medida, impor outra em cumulação, ou, em último caso, decretar a prisão preventiva (art. 312, parágrafo único). (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

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Ricardo Alexandre Soares Vieira Marques

Promotor de Justiça

Dr. Milton José Ferreira Paes Farias – OAB n°. 16318. Advogado

Dr. Filipe Maia Broeto Nunes – OAB n°. 23948/O Advogado

LUIZA FARIAS CORREA DA COSTA

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