A BUSCA E O CAMINHO
PARA A PAZ
A BUSCA E O CAMINHO PARA A PAZ “O mundo carece de paz.”
Mas esta bandeira é usada por muitos que vivem afastando-a com seus atos e que não te m a menor noção de como são prejudiciais a ela.
Muitos acham que ela será conseguida se o mundo começar a viver de acordo com os seus pontos de vistas, assim como o mundo só ficará melhor se prevalecer as suas ideologias. O movimento pela paz mundial, não tem nada a ver com a busca da paz que queremos. A paz só é conseguida quando você aprende a viver com o contraditório. Quando você aprende a viver com o seu semelhante, mesmo que ele seja a pessoa mais revoltosa que você conhece, aliás, este é um bom teste e um bom começo.
É um bom termômetro. Veja o que lhe causa a visita ou a presença daquele vizinho na reunião de condomínio. Você é bem educado, nada transparece, mas preste atenção olhe para
dentro de si. Veja que sentimento ali surge.
A paz pessoal não depende dos que estão à nossa volta e isto é o mais difícil do que temos que aprender, nem do que acontece com o planeta. E não é fugindo da cidade ou ind o morar na natureza, sem contato com os demais, que você a vai conseguir.
Não é indo para longe do objeto que nos incomoda que vamos conseguir ter paz, mas si m deixando que ela germine dentro de nós, no lugar destes “incômodos” que temos e não importa a pressão ou o ambiente em que estejamos vivendo.
É no melhor fogo que conseguimos o melhor aço.
E é na pressão que conhecemos muitas vezes quem está com a paz dentro de si.
Estava voltando do litoral de São Paulo, eu, a minha esposa, e um casal de amigos, quando o veículo, em pleno breu de uma madrugada, sem lua e com chuva, o carro simplesmente apagou.
Neste ermo de escuridão e sem sinal para o celular, a namorada do meu amigo, um diretor de teatro, simplesmente “surtou” e, histérica, começou a atirar para todo lado, culpando todo mundo pela desdita e tive, com a ajuda da minha esposa, que trazê-la à razão e a
importância de mantermos a calma.
Resumindo: Acabou tudo correndo maravilhosamente bem e logo estávamos em casa dormindo.
Mas foi uma experiência onde vi, mais uma vez, o quanto conhecemos pouco as pessoas que nos rodeiam.
Na verdade ninguém conhece ninguém e esta amiga, filha da contracultura, flores n o cabelo, incenso de jasmim, filha de uma mãe esclarecida, parentes intelectualizados e muitas vivências de anos e anos na Europa se torna, de repente, uma desvairada sem controle.
Eu me lembro daquela passagem do filme “Tropa de Elite” onde estudantes da USP, sem a ver com o caso presente, porém a vida imita a arte, conviviam com traficantes
romanticamente, como se estivessem quebrando as barreiras das classes sociais. “Tudo pela integração social”
Até que a boca esquentou e os traficantes mostraram que não eram as classes sociais qu e os separavam, mas sim a violência que tinham dentro de si.
Santa ignorância, como se lobos tivessem amigos, e estes lobos existem em todas as classes sociais. Na política nem se fala.
Esta minha amiga é uma defensora de um mundo mais cheio de paz, como a maioria de nós.
Tivemos uma passagem de ano maravilhosa com os seus familiares e vizinhanças, mas como é que alguém tão instável, lá no fundo, pode lutar por um mundo mais chei o de paz?
Só existe um lugar onde a paz pode morar e este lugar é no nosso íntimo. Ela estando arraigada ali, não tem situação em que você a perca.
E é aí que devemos começar a trabalhar se quisermos construir um mundo melhor. Primeiro temos que fazer a lição de casa.
Não adianta falar de paz se o ponto de origem desta vontade, que são os nossos sentimentos mais íntimos, é de raiva, insegurança, frustrações ou de acusações contra o mundo, contra os homens, contra as mulheres, contra a falta de dinheiro, ou contra “esta situação que ai estáí”. Lembro-me do assalto que o casal do jornal Nacional teve e onde ele, num ato impensado, tentou pegar a arma do ladrão e não conseguindo teve de pedir de joelhos para não ser morto.
A paz se inicia dentro de nós e é irmã do equilíbrio, mesmo nos piores momentos. O mundo todo pode estar desabando à nossa volta, como foi no caso do Mandela, que, embora aprisionado por quase duas décadas, não alimentou raiva dentro de si e acabo u vitorioso nos seus anseios sem perder, muito menos com isso, a sua humildade.
A paz e a humildade andam juntas, pois com humildade, o que não tem nada a ver com submissão nem se permitir ser humilhado, escuta-se o ponto de vista do outro e sem confrontos dialogamos sem com isso forçar o nosso ponto de vista e sem querer mudar o dele.
Ninguém é unanimidade.
A paz nunca será conseguida com palavreados, nem com mulheres se aproveitando para ficarem peladas na rua, como se isto ainda fosse novidade, e com palavras de ordem não devemos passar suavemente por este termo: “de ordem”, pois ele já demonstra a
arbitrariedade, a agressividade e a intolerância destes anseios.
Não é sendo radicais que conseguimos qualquer coisa que queiramos para o bem.
No pior momento da minha vida, no campeão dos campeões, onde nem o cachorro sobrou, eu coloquei bem grande no meu escritório (que felizmente sobrou), na parede bem em frente da minha mesa a frase de Roselis Von Sass (graal.org.br) para não ficar me remoendo e me punindo com sentimentos negativos.
"Não é o lugar em que nos encontramos nem as exterioridades que tornam as pessoa s felizes; a felicidade provém do íntimo, daquilo que o ser humano sente dentro de si mesmo”
A minha secretária, que está comigo há muitos anos, não deve ter entendido nada, mas o sarador de todos os males, o tempo, depois de ter passado algum, só estava me fazendo dar muitas risadas, mas ainda vivo lutando para imantar esta frase na minha alma.
O que você sente é o que te dará paz e isto não depende de ninguém. www.hserpa.prosaeverso.net