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Sobre um Sistema do tipo Schrödinger-Poisson

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Academic year: 2017

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(1)

Universidade Federal da Paraíba

Centro de Ciências Exatas e da Natureza

Programa de Pós-Graduação em Matemática

Curso de Mestrado em Matemática

Sobre um Sistema do tipo

Schrödinger-Poisson

por

Alex de Moura Batista

sob orientação do

Prof. Dr. Everaldo Souto de Medeiros

Dissertação apresentada ao Corpo Do-cente do Programa de Pós-Graduação em Matemática - CCEN - UFPB, como re-quisito parcial para obtenção do título de Mestre em Matemática.

Abril/2012 João Pessoa - PB

(2)

Sobre um Sistema do tipo

Schrödinger-Poisson

por

Alex de Moura Batista

Dissertação apresentada ao Corpo Docente do Programa de Pós-Graduação

em Matemática - CCEN - UFPB, como requisito parcial para obtenção do

título de Mestre em Matemática.

Área de Concentração: Análise.

Aprovada por:

Prof. Dr. Everaldo Souto de Medeiros - UFPB (Orientador)

Prof. Dr. Giovany de Jesus Malcher Figueiredo - UFPA

Prof. Dr. Uberlandio Batista Severo - UFPB

Prof. Dr. João Marcos Bezerra do Ó - UFPB (Suplente)

Universidade Federal da Paraíba

Centro de Ciências Exatas e da Natureza

Programa de Pós-Graduação em Matemática

Curso de Mestrado em Matemática

(3)

Agradecimentos

• Agradeço a Deus por todas as oportunidades que tive durante minha vida. Agradeço pela saúde, pela força de vontade e por mais esta etapa concluída. Muito obrigado Deus!

• A minha mãe e ao meu pai por todo amor, carinho e confiança que sempre me deram. Vocês são o meu porto seguro e a razão do meu viver. Agradeço, ainda, ao meu irmão pelos momentos de descontração que tivemos.

• Ao meu orientador, Everaldo Souto de Medeiros, pela excelente orientação, pela paciência no início do nosso trabalho, por todo ensinamento a mim proporcionado, pela autonomia e confiança a mim concedida. Muito obrigado Everaldo!

• As minhas colegas de mestrado Elizabeth e Rainelly pela amizade, pelos momentos de estudo e de descontração. Um agradecimento especial a Elisânia, por todo o conhecimento compartilhado, pelas conversas, pelos conselhos e por ter me incenti-vado nos momentos em que mais precisei.

• Aos professores Giovany de Jesus Malcher Figueiredo e Uberlandio Batista Severo, por aceitarem avaliar meu trabalho, pelos comentários e sugestões tão necessárias para a melhoria deste trabalho.

• Aos professores Cleto Brasileiro Miranda Neto e Uberlandio Batista Severo pelo aprendizado que adquiri em suas aulas e por se apresentarem sempre atenciosos e disponíveis.

• Aos demais professores da Pós-Graduação em Matemática da UFPB que contribuíram para a minha formação.

• Um agradecimento especial a professora de graduação, Lourena Karin de Medeiros Rocha, por me ensinar a gostar de matemática, por todo ensinamento e incentivo. Agradeço, ainda ao professor Adriano Thiago Lopes Bernardino, pelo incentivo e conselhos.

• A todos os meus amigos e colegas da graduação. Vocês foram fundamentais pela graduação tão proveitosa que tive. Obrigado a todos!

• A dona Cida pela hospedagem durante esses anos de mestrado.

(4)

Dedicatória

(5)

Resumo

Nesta dissertação, estudaremos a existência de dois tipos de soluções fracas não negativas para uma classe de problemas do tipo Schrödinger-Poisson, os quais mode-lam fenômenos físicos, por exemplo, em Mecânica Quântica. Inicialmente, encontraremos através de argumentos de minimização, do Lema Splitting e do Princípio Variacional de Ekeland, uma solução fraca que minimiza o nível de energia mínima associado a variedade de NehariN. Tal solução é denominada do tipo ground state. Em seguida, encontraremos através do Teorema de Linking, uma solução fraca estritamente positiva que não é do tipo ground state. Tal solução é denominada do tipo bound state.

Palavras-chave:

(6)

Abstract

In this dissertation, we study the existence of two types of non-negative weak solutions for a class of problems of Schrodinger-Poisson type. This kind of problem models, for example, several physical phenomena in quantum mechanics. Initially, by minimization arguments, Splitting Lemma and the Variational Principle of Ekeland we find a weak solution that minimizes the minimum energy level associated to the variety of Nehari

N. This is the so-called ground state solution. Afterwards we will find, by using the Linking Theorem, a strictly positive weak solution which is not a ground state solution: the so-called bound state solution.

Keywords:

(7)

Sumário

1 Formulação Variacional do Problema 1

1.1 Equação de Acoplamento . . . 1

1.2 Variedade de Nehari . . . 7

2 Existência de Solução do tipo Ground State 14 2.1 Problemas Auxiliares . . . 15

2.1.1 O Problema (P∞) . . . 15

2.1.2 O Problema (Pa) . . . 24

2.2 Projeções Sobre a Variedade de Nehari . . . 25

2.3 Um Resultado de Compacidade (Lema Splitting) . . . 26

2.3.1 Prova da Proposição 2.3 . . . 41

2.4 Condição(P S) . . . 42

2.5 Estimativa de Nível . . . 44

2.5.1 Prova do Teorema 2.1 . . . 46

3 Existência de Solução do tipo Bound State 47 3.1 Não Existência de Solução do tipo Ground State . . . 48

3.2 Funções Auxiliares . . . 51

3.3 Ferramentas do Tipo Minimax . . . 55

3.3.1 Outros níveis para a condição (P S)d . . . 57

3.3.2 Prova do Teorema 3.1 . . . 61

A Resultados Utilizados 62

(8)

Notações

Neste trabalho, faremos uso das seguintes notações:

Notações gerais

• Bδ(x) denota a bola aberta de raio δ e centro x;

• ⇀,→ denota convergência fraca e forte, respectivamente;

• ֒ denota imersão;

• µ(Ω) denota a medida de Lebesgue do subconjuntoΩ⊂R3;

• q.t.p. é uma abreviação de quase toda ponto;

• ∂u

∂xi denota a derivada parcial da função u: Ω⊂R

3 R em relação ax

i;

• ∇u=∂u

∂x1,

∂u ∂x2,

∂u ∂x3

denota o gradiente da função u: ΩR3 R;

• ∆u=P3i=1∂x∂u

i denota o laplaciano da função u: Ω⊂R

3 R;

• h·,·i denota produto interno;

• f =o(g)quando x→x0 se limxx0|f(x)|/|g(x)|= 0; • u+ = max{u,0} eu= max{−u,0}.

Espaço de Funções

• C(X, Y) denota o espaço das funções contínuas de X em Y;

• C0(Ω) denota o espaço das funções contínuas com suporte compacto em Ω;

• Ck(Ω) denota o espaço das funções k vezes continuamente diferenciáveis sobre ,

k N;

• C∞(Ω) =∩k≥1Ck(Ω); C0∞(Ω) =C0(Ω)∩C∞(Ω);

• C0,α(Ω) = nu C(Ω); sup

x,y

x6=y

|f(x)−f(y)| |x−y|γ < ∞

o

denota o espaço das funções de Hölder;

(9)

• Para 1p <+denotemos

Lp(Ω) =nu: Ω

→R;

Z

Ω|

u|pdx <

∞o;

• Lploc(Ω) =nuLp(Ω) para todo compacto

• L∞(Ω) =nu: ΩR;|u(x)| ≤C q.t.p sobre para algum C >0o; • W1,p(Ω) é o espaço das funções u Lp(Ω) tais que existem g

i := ∂x∂ui ∈ Lp(Ω)

i= 1,2,3 satisfazendo

Z

u∂ϕ ∂xi

dx=−

Z

ϕgidx ∀ϕ ∈C0∞(Ω), i= 1,2,3

• Com gi i= 1,2,3 satisfazendo a propriedade acima temos

D1,2(Ω) =nu∈L2∗(Ω) :∃gi ∈L2(Ω) i= 1,2,3 o

;

• Para p= 2 temos W1,2(Ω) =H1(Ω);

• H1

rad(R3)é o subespaço das funções radiais de H1(R3);

• H−1 denota o dual do espaço H1(R3);

• D−1,2∗

(R3)denota o dual do espaço D1,2(R3);

Normas

• kuk∞ = inf{C >0; |u(x)| ≤C q.t.p em Ω} denota a norma do espaçoL∞(Ω); • |u|p =

R

R3|u|pdx

1

p

denota a norma do espaço de Lebesgue Lp(R3);

• |u|p,Ω =

R

Ω|u|

pdx

1

p

denota a norma do espaço de Lebesgue Lp(Ω) com $ R3;

• kukH1 =

|u|2 2+

P3

i=1

∂x∂ui

2 2

1 2

denota a norma sobre o espaço H1(R3);

• kukD1,2 = P3i=1

∂x∂ui

2 2

1 2

(10)

Constantes

• C, C1, C2, ...denota constantes positivas;

• S é a melhor constante da imersãoD1,2(R3)֒L6(R3)contínua, mais precisamente

S = inf

u∈D1,2(R3)\{0}

kukD1,2 |u|6

;

• S é a melhor constante da imersão H1(R3)֒L6(R3)contínua, mais precisamente

S = inf

u∈H1(R3)\{0} kukH1

|u|6

(11)

Introdução

Neste trabalho, estudaremos questões referentes a existência de soluções fracas não-negativas para a seguinte classe de sistemas:

(

−∆u+u+K(x)φ(x)u=a(x)|u|p−1u em R3,

−∆φ =K(x)u2 em R3, (S)

onde as funções a, K : R3 R são não-negativas e satisfazem algumas propriedades

integrais.

A motivação do estudo do sistema (S) vem da análise da equação de Schrödinger não linear

i∂ψ

∂t −∆ψ+K(x)φ(x)ψ =a(x)|ψ|

p−1ψ em

R3×(0,),

com a interação de um campo Magnético, onde a função ψ :R3×RC é do tipo

ψ(x, t) =eitu(x),

com t ∈ R, u : R3 R. Maiores detalhes sobre a dedução do sistema (S) podem ser

encontradas em [1] ou [7]. Problemas semelhantes têm sido amplamente investigados e possuem forte relação com a física, uma vez que aparecem em modelos da mecânica quântica (veja, por exemplo, [7]) e na teoria de semicondutores (veja, por exemplo, [5]). Em particular, sistemas como (S) foram introduzidos em [5] e [6] como um modelo que descreve ondas solitárias não-lineares para equações estacionárias do tipo Schrödinger que interagem com um campo eletrostático, e são geralmente conhecidos como sistemas do tipo Schrödinger-Poisson. Com efeito, no sistema (S), a primeira equação é do tipo Schrödinger não-linear estacionária (onde, como de costume, o termo não-linear simula a interação entre muitas partículas), que é acoplada com uma equação do tipo Poisson. Isto significa que o potencial é determinado pela carga da função de onda.

Desde que usaremos técnicas variacionais, afim de que a imersão de Sobolev H1(R3)֒Lp+1(R3)

seja compacta, vamos assumir no decorrer deste trabalho que p(3,5). Como veremos, para cada uH1(R3), o problema

−∆φ=K(x)u2 em R3, (P)

possui uma única solução fraca denotada por φu ∈ D1,2(R3). Assim, resolver o sistema

(S) é equivalente a encontramos soluções fracas para o problema

(12)

A existência de soluções para o problema (P1) será obtida através de técnicas

varia-cionais, isto é, a ele associaremos o funcional energia I :H1(R3)R definido por

I(u) = 1 2kuk

2+ 1

4

Z

R3

K(x)φu(x)u2dx−

1

p+ 1

Z

R3

a(x)|u|p+1dx, (1)

cujos pontos críticos são soluções fracas do problema (P1). Desde que, não temos condições

de simetria sobre as funções K(x)e a(x), o estudo do problema (P1) será uma cuidadosa

investigação do comportamento das sequências de Palais-Smale do funcional I.

Este trabalho foi baseado no artigo de Cerami-Vaira [12] e é constituído de três capí-tulos e um apêndice, conforme descreveremos a seguir.

No Capítulo 1, introduziremos as ferramentas variacionais necessárias para o desen-volvimento deste trabalho. Isto será feito sob as condições:

(a1) lim|x|→∞a(x) = 1, a∈L∞(R3) e a≥0em R3;

(K) K L2(R3)C(R3)e K >0em R3.

Inicialmente, para cada u∈H1(R3), mostraremos através do Teorema da Representação

de Riesz que o problema (P) possui uma única solução fraca, denotada porφu ∈ D1,2(R3).

Em seguida, estudaremos as principais propriedades desta solução. Visto que o funcional I não é limitado inferiormente, com o objetivo de obter uma solução via metódos de minimização, introduziremos a variedade de Nehari

N :=nuH1(R3)

\{0}; I′(u)u= 0o,

associada ao funcional I definido em (1), na qual o funcionalI|N é limitado inferiormente. Assim, o nível de energia mínima associado ao funcional I

m= infnI(u); u∈ No

está bem definido. Este nível será fundamental para o desenvolvimento dos próximos capítulos.

NoCapítulo 2, assumindo que as funções a eK satisfazem:

(a1) lim|x|→∞a(x) = 1, a∈L∞(R3);

(a2) a(x)≥1em R3 com a6≡1;

(K) K L2(R3)C(R3)e K >0em R3,

encontraremos uma solução fraca u∈H1(R3) para o problema (P

1) que minimiza o nível

de energia mínima m, ou seja, I(u) =m. Esta solução é denominada de solução do tipo ground state do problema (P1).

(13)

Teorema 0.1 Sob as condições (a1), (a2) e (K), assumindo que

|K|22 < m

ϑ

∞−mϑa

σm1+ϑ a

,

com ϑ= pp+13 eσ = 2pp+11S−2S−4, ondeS e S são, respectivamente, as melhores constantes

das imersões H1(R3)֒L6(R3) e D1,2(R3)֒L6(R3), então o problema (P

1) possui uma

solução do tipo ground state.

Os númerosmemasão os níveis de energia mínima associados aos respectivos problemas

−∆w+w=|w|p−1w em R3 (P

∞)

e

−∆w+w=a(x)|w|p−1w em

R3. (Pa)

Um importante resultado deste capítulo será o Lema Splitting (Proposição 2.3), do qual, como consequência imediata, temos que o funcional I|N satisfaz a condição (P S)c

para todo c(0, m)e que, além disso,c=I(u),para alguma uH1(R3)solução fraca

do problema (P1).

Afim de usarmos este resultado, mostraremos que m (0, m) e, através o Princípio Variacional de Ekeland, mostraremos que existe uma sequência (un)⊂ N tal que

I(un)→m e kI(un)k∗ →0.

Assim, iremos garantir a existência de uma função u H1(R3) que é solução do tipo

ground state para o problema (P1). Uma vez que, nada sabemos quanto a mudança de

sinal da função u obtida acima, para finalizarmos a prova do Teorema 0.1 provaremos, através do Teorema do Multiplicadores de Lagrange que, |u| ∈H1(R3) é uma solução do

tipo ground state do problema (P1).

NoCapítulo 3, assumindo que as funções a eK satisfazem:

(a1) lim|x|→∞a(x) = 1, a∈L∞(R3);

(a3) a≤1 em R3 e a0 = infxR3a(x)>0;

(K) K L2(R3)C(R3)e K >0em R3,

mostraremos que o problema (P1) não possui solução do tipo ground state. Por outro

lado, mostraremos que o problema (P1) possui uma solução fraca estritamente positiva.

Tal solução é denominada do tipo bound state. O principal resultado deste capítulo é:

Teorema 0.2 Sob as condições (a1), (a3) e (K), assumindo que

1 +η|K|2 2

a0

<2pp−+13,

com η= 2pp+11S−4S−2m

(14)

A prova deste resultado será estabelecida através de ferramentas do tipo minimax. Ini-cialmente, determinaremos Q⊂H1(R3)de onde através deste subconjunto definiremos o

caminho

γ :=nhC(Q,N);h|∂Q =id

o

,

e o nível minimax

c:= inf

h∈γmaxu∈Q ϕ(h(u)).

No Capítulo 2 provaremos que o funcional I|N satisfaz a condição (P S)d para todo

d ∈ (0, m). No entanto, o nível minimax c não pertence ao intervalo (0, m). Para contornarmos esta dificuldade, afim de obtermos um importante resultado de compaci-dade, provaremos que o funcional I|N satisfaz a condição (P S)d para todo d

perten-cente a um novo intervalo onde o nível minimax c pertence a este novo intervalo. Com isso, utilizando o Teorema de Linking, provaremos a existência de uma solução fraca não negativa para o problema (P1). Através de argumentos de regularidade e do Princípio do

(15)

Capítulo 1

Formulação Variacional do Problema

Neste capítulo, iremos introduzir as ferramentas variacionais necessárias para o de-senvolvimento deste trabalho. Inicialmente, assumiremos que as funções a, K : R3 R

satisfazem

(a1) lim|x|→∞a(x) = 1, a∈L∞(R3) e a≥0em R3;

(K) K L2(R3)C(R3)e K >0em R3.

As funções a:R3 R em eK :R3 Rdefinidas por a1 em R3 e

K(x) =

1/|x|, se|x|>1 1, se|x| ≤1, são exemplos de funções que satisfasem as condições (a1) e(K).

1.1

Equação de Acoplamento

Conforme provaremos abaixo, para cada função u∈H1(R3), o problema

−∆φ=K(x)u2 em R3, (1.1)

possui uma única solução fraca denotada por φu ∈ D1,2(R3). O objetivo desta seção é

estudar as principais propriedades desta função. Iniciamos com o seguinte resultado:

Lema 1.1 Para cada u ∈ H1(R3), o problema (1.1) possui uma única solução φ

u ∈

D1,2(R3).

Demonstração: Para cadau∈H1(R3)considere a aplicaçãoL

u :D1,2(R3)→Rdefinida

por

Lu(ϕ) = Z

R3

K(x)u2ϕdx.

Desde que,u∈H1(R3)֒L6(R3), entãou2L3(R3). Sendo assim, comoϕ ∈ D1,2(R3)֒

L6(R3) e K L2(R3), pela desigualdade de generalizada Hölder

|Lu(ϕ)|=

Z

R3

K(x)u2ϕdx

Z

R3|

K(x)u2ϕdx| ≤ |K|

(16)

1.1 Equação de Acoplamento

Ainda pela imersão D1,2(R3)֒L6(R3), segue

|Lu(ϕ)| ≤S−

1

|K|2|u|26kϕkD1,2, (1.2)

de onde concluímos que a aplicação Lu está bem definida e é limitada, pois claramente

esta aplicação é linear. ComoD1,2(R3)é um espaço de Hilbert munido do produto interno

hu, ϕi=

Z

R3∇

uϕdx,

pelo Teorema da Representação de Riesz, para cada u H1(R3) existe um único φ

u ∈

D1,2(R3) tal que

Z

R3∇

φu∇ϕ dx = Z

R3

K(x)u2ϕdx, (1.3) para todaϕ ∈ D1,2(R3). Dessa forma,φ

u é a única solução fraca do problema (1.1), e isto

completa a prova deste lema.

Ainda pelo Teorema da Representação de Riesz, temos

kφukD1,2 =kLuk.

Com isso, por (1.2) e pela imersão H1(R3)֒L6(R3), segue

kφukD1,2 ≤S−

1

S−2|K|2kuk2, (1.4)

de onde por (1.3) temos

Z

R3

K(x)φu(x)u2dx 1

2

≤S−1S−2|K|2kuk2,

ou seja, Z

R3

K(x)φu(x)u2dx≤S−

2

S−4|K|2

2kuk4. (1.5)

Agora, considere a aplicação

Φ :H1(R3)→ D1,2(

R3)

que para cada u∈H1(R3) associa Φ(u) :=φ

u ∈ D1,2(R3) que é a única solução fraca do

problema (1.1).

O lema abaixo é o principal resultado desta seção e contém as principais propriedades da aplicação Φ.

Lema 1.2 A aplicação Φ satisfaz as seguintes propriedades:

1) Φ aplica conjuntos limitados em conjuntos limitados;

2) Se un ⇀ uem H1(R3), então a menos de subsequência Φ(un)⇀Φ(u) em D1,2(R3);

3) Φ(tu) =t2Φ(u) para todo t R e uH1(R3);

(17)

1.1 Equação de Acoplamento

Demonstração: Inicialmente provaremos o item1). SejaA H1(R3) um subconjunto

limitado. Por (1.4), segue que

kφukD1,2 ≤S−1S−2|K|2C2,

para todo uA e para alguma constanteC >0, o que prova este item.

Agora, provaremos o item 2). Seja (un) ⊂ H1(R3) tal que un ⇀ u em H1(R3).

Mostraremos que a menos de subsequência

φun ⇀ φu em D

1,2(R3). (1.6)

Note que, para provarmos a convergência acima, é suficiente mostrar que

hφun, ϕi=

Z

R3

K(x)ϕun2dx→ Z

R3

K(x)ϕu2dx=hφu, ϕi, (1.7)

para toda ϕ ∈ D1,2(R3), pois dado f ∈ D−1,2∗(R3), pelo Teorema da Representação de

Riesz existe única u = u(f) ∈ D1,2(R3) tal que f(ϕ) = hu, ϕi para todo ϕ ∈ D1,2(R3).

Assim, supondo (1.7) temos

f(φun)→f(φu),

e isto prova (1.6). Agora, provaremos (1.7) e, com isso, concluímos a prova deste item. As igualdades de (1.7) seguem de (1.3). Desde que, un ∈ H1(R3) ֒→ L6(R3), temos

u2

n ∈L3(R3), além disso, K ∈L2(R3)eϕ ∈H1(R3)֒→L6(R3), de onde pela desigualdade

generalizada de Hölder temos que

Z

R3

K(x)ϕ(u2n−u2)dx

≤ |ϕ|6

Z

R3

(K(x))65|u2

n−u2|

6 5dx

5 6

. (1.8)

Assim, para provarmos (1.7), é suficiente verificarmos que

lim

n→∞ Z

R3

(K(x))65|u2

n−u2|

6

5dx= 0. (1.9)

Desde que, K ∈L2(R3), u2

n−u2 ∈L3(R3) e (un) é limitada em H1(R3)֒→L6(R3), dado

ρ >0, pela desigualdade de Hölder, segue

Z Bρ(0)c

(K(x))65|u2

n−u

2

|65dx≤ |K| 6 5

2,Bρ(0)c

Z Bρ(0)c

|u2nu2|3dx

4 10

(1.10) e

Z

R3|

u2n−u2|3dx 4

10

≤ |un−u|

6 5

6|un+u|

6 5

6 ≤C1, (1.11)

para alguma constante C1 >0.

Além disso, χBρ(0)c|K|

2 ≤ |K|2, para todo ρ > 0. Desde que, K L2(R3), pelo

Teorema da Convergência Dominada de Lebesgue e pela Proposição A.6 (veja Apêndice), segue

lim

ρ→∞

Z Bρ(0)c

(K(x))2dx= 0. o que implica que dado ǫ >0, temos

(18)

1.1 Equação de Acoplamento

para ρ >0 suficientemente grande. Com isso, por (1.10) e (1.11), obtemos

Z Bρ(0)c

(K(x))65|u2

n−u2|

6

5dx≤C

1ǫ, (1.12)

para ρ >0 suficientemente grande. Agora, dado M >0, defina o conjunto

ΩM = n

xBρ(0); K(x)≥M o

,

com ρ >0 obtido acima. Assim

M2µ(ΩM)≤ Z

ΩM

(K(x))2dx

Z

R3

(K(x))2dx,

para todo M > 0, onde µ(ΩM) é a medida de Lebesgue do conjunto ΩM. Desde que,

K ∈ L2(R3), então limµ(Ω

M) = 0, quando M → ∞. Dessa forma, pela Proposição A.6

(veja Apêndice), dado ǫ >0, temos

Z

ΩM

(K(x))2dx

6 10

≤ǫ,

para M suficientemente grande. Assim, pela desigualdade de Hölder e por (1.11), segue

Z Bρ(0)

(K(x))65|u2

n−u

2

|65dx=

Z

ΩM

(K(x))65|u2

n−u

2

|65dx+

Z

Bρ(0)\ΩM

(K(x))65|u2

n−u

2

|65dx

≤C2ǫ+M

6 5

Z

Bρ(0)\ΩM

|u2n−u2|

6 5dx.

(1.13) Por outro lado, un−u, un+u∈H1(R3)֒→L

12

5 (R3). Assim,(un−u)65,(un+u)65 ∈L2(R3).

Pela desigualdade de Hölder

Z

Bρ(0)\ΩM

|u2n−u2|

6

5dx≤ |un+u| 6 5 12

5,Bρ(0)|un−u|

6 5 12

5,Bρ(0). Sendo assim, como (un+u) é limitada em H1(R3)֒→L

12

5 (R3) e un→u em L 12

5 (Bρ(0)),

pois H1(B

ρ(0)) ֒→L

12

5 (Bρ(0)), compactamente e un ⇀ uem H1(R3), temos

lim

n→∞

Z

Bρ(0)\ΩM

|u2

n−u2|

6

5dx= 0.

Dessa forma, por (1.12) e (1.13), obtemos

lim

n→∞

Z

R3

(K(x))65|u2

n−u2|

6

5dx= 0,

de onde por (1.8) seque (1.7) e isto completa a prova deste item.

Agora, provaremos o item3). Pelo Lema 1.1, para cada u∈H1(R3), o problema

(19)

1.1 Equação de Acoplamento

possui uma única solução fraca denotada por φu. Mais precisamente, Z

R3∇

φu∇ϕdx= Z

R3

K(x)u2ϕdx, para toda ϕ∈ D1,2(R3). Assim, para todo tR, segue

Z

R3∇

φtu∇ϕdx= Z

R3

K(x)(tu)2ϕdx

=t2

Z

R3

K(x)u2ϕdx

=t2

Z

R3∇

φu∇ϕdx,

para toda ϕ∈ D1,2(R3), o que implica em

Z

R3∇

(φtu−t2φu)∇ϕdx= 0,

para toda ϕ∈ D1,2(R3). Em particular, tomando ϕ =φ

tu−t2φu, temos

k2D1,2 =

Z

R3∇

ϕϕ= 0.

Desde que, k.kD1,2 é uma norma, segue ϕ = 0, o que implica em

φtu =t2φu,

para todo tR euH1(R3), como queríamos.

Agora, provaremos o item4). Inicialmente, afirmamos que φu ≥0. Com efeito, desde

que Z

R3∇

φu∇ϕdx= Z

R3

K(x)u2ϕdx, para toda ϕ∈ D1,2(R3), tomando ϕ =φ

u, temos Z

R3∇

(φ+u −φ−u)∇φ−udx= Z

R3

K(x)u2φ−udx,

o que implica em

−kφ−ukD1,2 =

Z

R3

K(x)u2φ

udx≥0,

isto é, kφ−

ukD1,2 = 0 o que prova a afirmação, pois φu =φ+u ≥0. Agora, visando utilizar

um resultado de regularidade mostraremos que

φu ∈C2(R3). (1.14)

Note que, φu ∈ D1,2(R3) satisfaz o problema (

−∆u+u+K(x)φ(x)u=a(x)|u|p−1u em R3,

(20)

1.1 Equação de Acoplamento

no sentido fraco. Assim, para provarmos (1.14) iremos utilizar o problema

−∆u+u+K(x)φu(x)u=a(x)|u|p−1u em R3. (P1)

Note que podemos escrever

−∆u=ψ, onde ψ(x) :=a(x)|u|p−1uuK(x)φ

u(x)u. Assim,

|ψ(x)| ≤f(x)(1 +|u|),

comf(x) := |a(x)|u|p−11K(x)φ

u(x)|. Agora, afirmamos quef ∈L

3 2

loc(R3). Desde que,

K L2(R3) então K3

2 ∈ L43(R3). Como φu ∈ D1,2(R3) ֒→ L6(R3) temos φ 3 2

u ∈ L4(R3),

o que pela desigualdade de Hölder segue Kφu ∈ L

3 2

loc(R3). Assim, como a ∈ L∞(R3) e

sendo 3 < s := 32(p−1) < 6 (p ∈ (3,5)) e u ∈ H1(R3) ֒ Ls(R3) segue a afirmação.

Pelo Teorema de Brezis-Kato (veja Proposição A.22 do Apêndice), uLq(R3)para todo

q <+. Agora, note que,φ3

u ∈L2(R3)eu3 ∈L2(R3). Pela desigualdade de Hölder segue

queφuu∈L3(R3). Sendo assim, comou∈Lq(R3)para todoq <+∞e pela condição(K)

K C(R3)segue queψ L3

loc(R3). Disto, temos pela Proposição A.20 queu∈W

2,3

loc(R3),

o que pela Proposição A.17 implica que u Cloc0,γ(R3) para algum γ < 1. Dessa forma,

Kφu ∈Cloc0,γ(R3), o que pela Proposição A.19 implica (1.14), como queríamos.

Agora, mostraremos que φu > 0 em R3 e, com isso, finalizar a prova deste item.

Suponhamos por contradição que φu(x0) = 0 para algum x0 ∈R3. Desde que por (1.14)

φu ∈C2(R3)e

−∆φu =K(x)u2 ≥0 em Bρ(x0),

pelo Princípio do Máximo Forte (veja Proposição A.21 do Apêndice), temos φu = 0 para

toda bola Bρ(x0), o que implica em Ku2 = 0 em Bρ(x0). Como Bρ(x0) é arbitrária

segue Ku2 = 0 em R3. Desde que, pela condição (K) K > 0 em R3, temos u 0 em

R3, o que é uma contradição. Portantoφ

u >0emR3 e isto completa a prova deste lema.

Observação 1.1 Agora, para aplicações futuras, daremos uma representação integral para φu ∈ D1,2(R3) solução fraca do problema

−∆φ=K(x)u2 em R3, (1.15)

onde u H1(R3). Definindo f := Ku2, pelo Teorema de Calderon-Zygmund (veja

Proposição A.20 do Apêndice) o potencial newtoniano

Nf(x) =

1 3ω3

Z

R3

K(y)

|x−y|u

2(y)dy

onde ω3 é o volume da bola unitária de R3, é solução fraca do problema (1.15). Assim,

φu(x) =

1 3ω3

Z

R3

K(y)

|x−y|u

2(y)dy q.t.p. em R3,

(21)

1.2 Variedade de Nehari

1.2

Variedade de Nehari

Nesta seção, iremos introduzir a variedade de Nehari N e provar suas principais pro-priedades.

Observação 1.2 Pelo Lema 1.1 para cada função u∈H1(R3) o problema

−∆φ=K(x)u2 em R3,

possui uma única solução fraca φu ∈ D1,2(R3). Logo, resolver o problema (

−∆u+u+K(x)φ(x)u=a(x)|u|p−1u em R3,

−∆φ=K(x)u2 em R3, (S)

é equivalente a encontrarmos soluções fracas para o problema

−∆u+u+K(x)φu(x)u=a(x)|u|p−1u em R3. (P1)

Agora, iremos obter a formulação variacional para o problema (P1). Entende-se como

solução clássica de (P1) uma função u de classe C2(R3) que satisfaz (P1) pontualmente.

Sejaϕ C∞

0 (R3)e suponhamos queué uma solução clássica de (P1). Multiplicando (P1)

por ϕ e usando integração por partes, temos

Z

R3∇

uϕdx+

Z

R3

uϕdx+

Z

R3

K(x)φu(x)uϕdx= Z

R3

a(x)|u|p−1uϕdx. (1.16)

Por argumento de densidade, temos que (1.16) é válida para toda ϕH1(R3). Motivado

por (1.16), temos a seguinte definição:

Definição 1.1 Dizemos que u ∈ H1(R3) é solução fraca do problema (P

1) se satisfaz a

equação integral (1.16) para toda ϕH1(R3).

Seja I :H1(R3)R o funcional definido por

I(u) = 1 2kuk

2+ 1

4

Z

R3

K(x)φu(x)u2dx−

1

p+ 1

Z

R3

a(x)|u|p+1dx. (1.17)

Pelo Corolário A.4 (veja Apêndice), este funcional está bem definido e

I′(u)ϕ =

Z

R3∇

uϕdx+

Z

R3

uϕdx+

Z

R3

K(x)φu(x)uϕdx− Z

R3

a(x)|u|p−1uϕdx,

para toda ϕ ∈ H1(R3). Portanto, prontos críticos do funcional I são soluções fracas do

problema (P1).

Agora, afirmamos que o funcionalI não é limitado inferiormente. Com efeito, por 3) do Lema 1.2, temos φtu =t2φu para todo t∈R eu∈H1(R3). Assim,

I(tu) = t

2

2kuk

2+ t4

4

Z

R3

K(x)φu(x)u2dx−

tp+1

p+ 1

Z

R3

a(x)|u|p+1dx, (1.18)

(22)

1.2 Variedade de Nehari

Definição 1.2 (Variedade de Nehari) A variedade de Nehari associada ao funcional I definido em (1.17) é definida por

N :=nuH1(R3)\{0}; I′(u)u= 0o.

Observação 1.3 A variedade de NehariN é não vazia. Com efeito, por 1) do Lema 1.3 que provaremos a seguir para cada uH1(R3)\{0} existe único t

u >0 tal que tuu∈ N.

Essa definição é conveniente pois por 2) do Lema 1.3, que será provado a seguir, tem-se que I|N é limitado inferiormente por uma constante positiva. Esta limitação será fundamental para os resultados que pretendemos obter.

Em seguida, mostraremos que o funcionalI|N assume formas simples. Se u∈ N temos

1 4

Z

R3

K(x)φu(x)u2dx=

1 4

Z

R3

a(x)|u|p+1dx 1

4kuk

2

e

p+ 11

Z

R3

a(x)|u|p+1dx=

p+ 11 kuk2 1 p+ 1

Z

R3

K(x)φu(x)u2dx.

Substituindo estas duas igualdades em (1.17), obtemos

I|N(u) =1 2 −

1

p+ 1

kuk2 +1 4−

1

p+ 1

Z

R3

K(x)φu(x)u2dx

= 1 4kuk

2+1

4− 1

p+ 1

Z

R3

a(x)|u|p+1dx.

(1.19)

Como consequência, I é limitado inferiormente, pois p ∈ (3,5) e a, K são funções não-negativas.

Definição 1.3 O número

m= infnI(u); u∈ No

é denominado de nível de energia mínima associado ao funcional I definido em (1.17). Por (1.19) o número m está bem definido. O próximo lema contém as principais pro-priedades da variedade de NehariN. Antes de enunciá-lo, daremos as seguintes definições:

Definição 1.4 Sejam X um espaço de Banach, ψ C2(X,R) e V ={v X;ψ(v) = 1}

tal que, para todo v V, tem-se ψ′(v)6= 0. Então, temos

i) O espaço tangente a V no ponto v é definido por

TvV = n

yX; hψ′(v), yi= 0o.

ii) Sejam ϕ C1(X,R) e v V. A norma da derivada da restrição de ϕ a V em v é

dada por

kϕ′(v)k∗ = sup

y∈Tv V

kyk=1

(23)

1.2 Variedade de Nehari

iii) O ponto v é um ponto crítico de ϕ restrito a V se

kϕ′(v)k∗ = 0.

Assim, sabemos definir um ponto crítico do funcional I|N.

Lema 1.3 Sobre a variedade de Nehari N podemos afirmar que

1) Para toda uH1(R3)\{0} existe um único t

u >0 tal que tuu∈ N;

2) N é homeomorfa a esfera unitária de H1(R3);

3) O nível m dado na Definição 1.3 é estritamente positivo;

4) u é um ponto crítico do funcional I se, e somente se, u é um ponto crítico do funcional I|N.

5) Seja u∈ N tal que I(u) = m, então u é solução fraca do problema (P1).

Demonstração: Inicialmente provaremos o item1). Para isto, considerando (1.18), para cada u∈H1(R3)\{0}definiremos a função g : (0,+)Rpor

g(t) =I(tu) = t

2

2kuk

2+t4

4

Z

R3

K(x)φu(x)u2dx−

tp+1

p+ 1

Z

R3

a(x)|u|p+1dx.

Note que, esta função admite um ponto de máximo, pois

lim

t→0g(t) = 0 e t→lim+∞g(t) =−∞,

já que p >3, mais precisamente, existe tu ∈(0,+∞)tal que

max

t>0 I(tu) = I(tuu). (1.20)

Agora, afirmamos que tuu ∈ N. Com efeito, desde que tu é um ponto de máximo da

função g, temos g′(t

u) = 0, de onde concluímos que

g′(tu)tu =ktuuk2+ Z

R3

K(x)φtuu(x)(tuu)

2dx

Z

R3

a(x)|tuu|p+1dx = 0,

disto segue por 3) do Lema 1.2 que

t2ukuk2+t4u Z

R3

K(x)φu(x)u2dx−tpu+1 Z

R3

a(x)|u|p+1dx= 0

o que implica em tuu ∈ N. Agora, provaremos que tu é único. Com efeito, suponhamos

por contradição que existam t2 > t1 >0tais que t1u, t2u∈ N. Agora, considere a função

f :R→Rdefinida por

f(t) = a+bt2ctp−1,

onde

a=kuk2 , b =

Z

R3

K(x)φu(x)u2dx e c= Z

R3

(24)

1.2 Variedade de Nehari

Note que, pela condição (a1) sendo u6= 0, temos c >0. Assim, f(t1) = f(t2) = 0, o que

pelo Teorema de Rolle, existe t3 ∈(t1, t2) tal que f′(t3) = 0. Dessa forma,

tp3−3 = 2b

c(p−1) <

b c,

pois p >3. Por outro lado, bt2

1 < a+bt21 =ct

p1

1 , o que implica em

b c < t

p−3 1 .

Assim, t3 < t1 o que é uma contradição. Portanto, tu é único e isto completa a prova

deste item.

Agora provaremos o item2), para isto considere as funçõesϕ:S1 → N eψ :N → S1

definidas por

ϕ(u) =tuu e ψ(u) =

u

kuk,

onde tu > 0 é o único número tal que tuu ∈ N e S1 é a esfera unitária de H1(R3).

Inicialmente, note que

(ψ◦ϕ)(u) = ψ(tuu) =

tuu

ktuuk

= tuu

tukuk

= tuu

tu

=u

e denotando v = u

kuk, temos

ψ)(u) = ϕ(v) = tvv =

tv

kuku.

Sendo assim, desde que u∈ N, temostv =kuk, o que implica em

(ϕ◦ψ)(u) = u.

Dessa forma, a função ϕ é bijetora. Com isso, para provarmos que a variedade de Nehari

N é homeomorfa a S1, falta-nos provar apenas que as funções ϕ e ψ são contínuas.

Provaremos inicialmente a continuidade da função ϕ. Para isto, seja(un)⊂S1 e u∈ S1

tais que

un→u em H1(R3). (1.21)

Note que, por 1) para cadan Nexiste único tn >0 tal quetnun∈ N e único tu >0tal

que tuu∈ N. Nosso objetivo é mostrar que

tnun→tuu em H1(R3). (1.22)

Com efeito, desde que tnun∈ N, temos

t2nkunk2+t4n Z

R3

K(x)φunu

2

n−t p+1

n Z

R3

a(x)|un|p+1 = 0.

Sendo assim, por (1.21), por i) do Lema 2.10 e pela imersão H1(R3)֒Lp+1(R3) segue

lim

n→∞t

2

nkuk2+ limn

→∞t

4

n Z

R3

K(x)φuu2− lim n→∞t

p+1

n Z

R3

(25)

1.2 Variedade de Nehari

Note que, pela unicidade do número tu >0 tal que tuu ∈ N, temos limn→∞tn =tu pois

tn>0para todo n∈N. Dessa forma,

ktnun−tuuk ≤ ktnun−tuunk+ktun−tuk ≤ |tn−tu|kunk+|tu|kun−uk,

o que prova (1.22), de onde concluímos a continuidade da função ϕ. Além disso, a con-tinuidade da função ψ é imediata. Portanto, a variedade de Nehari N é homeomorfa a esfera unitária S1 deH1(R3), e isto completa a prova do item 2).

Agora provaremos o item 3). Inicialmente, mostraremos que existe uma constante C >0tal que

kuk ≥C, (1.23)

para todo u∈ N. Com efeito, como a∈L∞(R3), segue

Z

R3

a(x)|u|p+1dx

≤ kak∞

Z

R3|

u|p+1dx.

Desde que, u∈H1(R3)֒Lp+1(R3), temos

Z

R3

a(x)|u|p+1dx

≤C1kukp+1,

para alguma constante C1 >0. Assim, se u∈ N, então

0 =kuk2+

Z

R3

K(x)φu(x)u2dx− Z

R3

a(x)|u|p+1dx

≥ kuk2C1kukp+1,

o que implica que

kuk ≥ 1

C

1

p−1

1

=C >0,

para todo u∈ N, o que prova (1.23). Agora, note que, por (1.19) I(u) = 1

4kuk

2+1

4− 1

p+ 1

Z

R3

a(x)|u|p+1dx.

para todo u∈ N. Comop > 3e a função a é não negativa, por (1.23) temos I(u)≥ 1

4kuk

2 C

2 >0, (1.24)

para todo u∈ N e para alguma constante C2 >0. Assim,

mC2 >0

e isto completa a prova deste item.

Agora, provaremos o item 4). Inicialmente, definindo o funcional G : H1(R3) R

por

G(u) = I′(u)u=kuk2+

Z

R3

K(x)φu(x)u2dx− Z

R3

a(x)|u|p+1dx,

provaremos que para alguma constante c >0

(26)

1.2 Variedade de Nehari

para todo u∈ N. De fato, pelo Corolário A.5 (veja Apêndice)

G′(u)ϕ = 2hu, ϕi+ 4

Z

R3

K(x)φu(x)uϕdx−(p+ 1) Z

R3

a(x)|u|p−1uϕdx,

para toda ϕH1(R3). Em particular,

G′(u)u= 2kuk2+ 4

Z

R3

K(x)φu(x)u2dx−(p+ 1) Z

R3

a(x)|u|p+1dx.

Desde que u∈ N, temos

kuk2+

Z

R3

K(x)φu(x)u2dx= Z

R3

a(x)|u|p+1dx,

o que implica em

G′(u)u= (1p)kuk2+ (3p)

Z

R3

K(x)φu(x)u2dx.

Como as funções K e φu são não negativas e p∈(3,5) temos

G′(u)u≤(1−p)kuk2,

de onde por (1.23) concluímos (1.25), como queríamos. Agora, se u é ponto crítico do funcional I, então

I′(u)ϕ= 0, para toda ϕH1(R3). Em particular

kI′(u)k∗ = sup

ϕ∈kerG′(u)

k=1

I′(u)ϕ = 0,

o que por iii) da Definição 1.4 implica que ué ponto crítico de I|N. Reciprocamente, se u é ponto crítico de I|N, pelo Corolário A.2 (veja Apêndice) existe λRtal que

I′(u) =λG′(u).

Em particular,

I′(u)u=λG′(u)u.

Desde que,u∈ N temosI′(u)u= 0.Além disso, por (1.25),G(u)u <0. Isto implica que

λ = 0, de onde concluímos que I′(u) = 0, isto é,

I′(u)ϕ= 0,

para toda ϕH1(R3). Portanto, u é um ponto crítico do funcional I.

(27)

1.2 Variedade de Nehari

onde N = nv ∈ H1(R3)\{0}; I(v)v = G(v) = 0o. Sendo assim, desde que, por

(1.25), G′(u) 6= 0, pelo Teorema dos Multiplicadores de Lagrange (veja Proposição A.23

do Apêndice)

I′(u) =λG′(u), para algum λR. Logo

I′(u)u=λG′(u)u.

Como u ∈ N temos I′(u)u = 0. Além disso, por (1.25) G(u)u <0. Assim, λ= 0, o que

implica em I′(u) = 0 e isto finaliza a prova deste lema.

Observação 1.4 O item 5) do lema anterior será fundamental para obtermos, no Capí-tulo 2, uma solução fraca particular do problema (P1), que é a solução fraca do tipo ground

state.

Definição 1.5 Conforme provado no item 1) do lema anterior, para cadauH1(R3)\{0}

existe único tu > 0 tal que tuu ∈ N. A função tuu é denominada projeção de u sobre a

(28)

Capítulo 2

Existência de Solução do tipo Ground

State

Neste capítulo, encontraremos uma solução do tipoground state para o problema

−∆u+u+K(x)φu(x)u=a(x)|u|p−1u em R3, (P1)

onde p(3,5) e as funções a eK satisfazem:

(a1) lim|x|→∞a(x) = 1, a∈L∞(R3);

(a2) a(x)≥1em R3, a6≡1;

(K) K L2(R3)C(R3)e K >0em R3.

As funções a:R3 R eK :R3 R definidas por

a(x) =

1, se |x|>0 2, se |x|= 0

e

K(x) =

1/|x|, se|x|>1 1, se|x| ≤1,

são exemplos de funções que satisfazem as condições (a1),(a2) e (K).

Definição 2.1 (Solução do tipo Ground State) Entendemos como solução do tipo ground state para o problema (P1) uma função u ∈ H1(R3)\{0} que é solução fraca

do problema (P1) e I(u) = m, onde m é o nível de energia mínima dado na Definição

1.3.

O principal resultado deste capítulo é:

Teorema 2.1 Sob as condições (a1), (a2) e (K), assumindo que

|K|2 2 <

∞−mϑa

σm1+ϑ a

, (2.1)

com ϑ= pp+13 eσ = 2pp+11S−2S−4, ondeS e S são, respectivamente, as melhores constantes

das imersões H1(R3)֒L6(R3) e D1,2(R3)֒L6(R3), então o problema (P

1) possui uma

solução do tipo ground state não negativa.

(29)

2.1 Problemas Auxiliares

2.1

Problemas Auxiliares

Nesta seção, estudaremos os problemas

−∆w+w=|w|p−1w em

R3 (P)

e

−∆w+w=a(x)|w|p−1w em R3, (P

a)

onde a função a satisfaz a condição (a2). Tal estudo será fundamental para a obtenção

de resultados de compacidade.

2.1.1 O Problema

(

P

)

Nesta subseção estudaremos o problema (P). A este problema, associaremos o fun-cional energia I∞ :H1(R3)R dado por

I∞(w) = 1 2kwk

2

p+ 11

Z

R3|

w|p+1dx (2.2)

e a variedade de Nehari definida por

N∞ :=nw∈H1(R3)\{0}; I

∞(w)w= 0

o

.

Definição 2.2 O número

m = infnI∞(w); w∈ N∞o

é o nível de energia mínima associado ao funcional I∞ dado acima.

Observação 2.2 Se w∈ N∞, então pela imersão H1(R3)֒Lp+1(R3) temos

kwkp+1C

1 ≥ kwk2 =|w|pp+1+1,

para alguma constante C1. Assim, kwk2 ≥ C2 para alguma constante C2 > 0, o que

implica em

I∞(w)1 2−

1

p+ 1

kwk2 1

2 − 1

p+ 1

C2 >0,

pois p > 3. Disto segue que m>0.

De forma análoga feita para o problema (P1) definimos uma solução do tipo ground

state para o problema (P). A próxima proposição é o principal resultado desta subseção.

Proposição 2.1 O problema (P) possui uma solução do tipo ground state estritamente positiva w∈H1(R3). Além disso;

1 w é radialmente simétrica e única a menos de translação;

2 Existem constantes C1, C2 >0 tais que

|w(x)| ≤C1e−C2|x|,

(30)

2.1 Problemas Auxiliares

Antes de provarmos esta proposição, faremos algumas observações. Entendemos por uma solução fraca do problema (P), uma função w∈H1(R3)tal que

Z

R3∇

wϕdx+

Z

R3

wϕdx=

Z

R3|

w|p−1wϕdx,

para toda ϕ H1(R3). Sejam F : H1(R3) R e T : H1(R3) R funcionais definidos

por

F(w) = 1 2kwk

2 e T(w) = 1

p+ 1

Z

R3|

w|p+1dx.

Pelos Lemas A.6 e A.8 (veja Apêndice) temos que os funcionais F e T são de classe C1(H1,R) e para toda w, ϕH1(R3)

F′(w)ϕ =

Z

R3

(wϕ+wϕ)dx e T′(w)ϕ=

Z

R3|

w|p−1wϕdx.

Agora, defina

M ={w∈H1(R3); T(w) = 1}.

Note que, M 6=, pois podemos tomar ϕC∞

0 ⊂H1(R3)tal que |ϕ|

p+1

p+1 =p+ 1. A prova

da proposição acima será feita em várias etapas com o auxílio dos lemas a seguir.

Lema 2.1 S = infwM F(w)>0.

Demonstração: Desde que H1(R3)֒Lp+1(R3), existe uma constante C >0 tal que

|w|2

p+1 ≤Ckwk2,

para todo w∈H1(R3). Dado wM, então |w|p+1

p+1 =p+ 1. Assim,

0< c= 1

2C(p+ 1)

2

p+1 ≤ 1

2kwk

2,

o que implica que

S ≥c >0, como queríamos.

Lema 2.2 O ínfimo S = infw∈MF(w) é atingido por uma função v ∈H1(R3) não

nega-tiva em R3.

Demonstração: Note que existe uma sequência (wn)⊂M tal que

lim

n→∞

1 2kwnk

2 =

S.

Assim, (wn)⊂H1(R3) é limitada, o que implica em

lim

n→∞( supyR3

Z Br(y)

(31)

2.1 Problemas Auxiliares

para todo 2s <6 e todo r >0, pois do contrário se

lim

n→∞( supy

∈R3

Z Br(y)

|wn|sdx)→0,

pelo Lema de Lions (Proposição A.1, veja Apêndice) teríamos wn →0 em Lp+1(R3),

o que seria contradição, já que |wn|pp+1+1 =p+ 1, pois T(wn) = 1.

Sendo assim, consideremoss =p+ 1e r >0. Logo, existe ρ >0 tal que, a menos de subsequência,

sup

y∈R3

Z Br(y)

|wn|p+1dx≥ρ.

Fixe nN. Usando a definição de supremo, existeyn∈R3 tal que Z

Br(yn)

|wn|p+1dx≥

ρ

2. (2.3)

Agora, definindo vn(x) :=wn(x+yn), por mudança de variável, temos Z

R3|

vn|p+1dx= Z

R3|

wn|p+1dx=p+ 1 (2.4)

e

lim

n→∞

1 2kvnk

2 = lim

n→∞

1 2kwnk

2 =S. (2.5)

Desde que (vn) é limitada em H1(R3), a menos de subsequência,

vn⇀ v em H1(R3),

o que pelo Corolário A.1 (veja Apêndice) implica em

lim

n→∞(|vn|

p+1

p+1− |vn−v|pp+1+1) = |v|

p+1

p+1.

Sendo assim, como |vn|pp+1+1 =p+ 1, segue

lim

n→∞|vn−v|

p+1

p+1 = (p+ 1)− |v|

p+1

p+1. (2.6)

Dado u6= 0 em H1(R3), seja

ϕ := (p+ 1)p+11 u |u|p+1

.

Então |ϕ|pp+1+1 =p+ 1 o que implica em ϕ M. Assim,

1

2kϕ = (p+ 1)

1

p+1 u |u|p+1k

2 ≥ S,

onde obtemos

kuk2 2

(p+ 1)p+12 S|

(32)

2.1 Problemas Auxiliares

para cada u6= 0 em H1(R3). Agora, defina

C = 2

(p+ 1)p+12 S

.

Desde que vn⇀ v em H1(R3), temos

lim

n→∞kvnk

2 = lim

n→∞(kvn−vk

2+kvk2).

Com isso, por (2.5), segue que

2S = lim

n→∞kvnk

2 = lim

n→∞(kvn−vk

2+kvk2).

Consequentemente, por (2.7),

2S ≥ lim

n→∞C|vn−v|

2

p+1+C|v|2p+1

=C lim

n→∞(|vn−v|

p+1

p+1−(p+ 1) + (p+ 1))

2

p+1 +C(p+ 1) 2

p+1(|v|

p+1

p+1

p+ 1)

2

p+1,

o que por (2.6) implica

2S ≥ C(p+ 1)p+12 (1− |v|

p+1

p+1

p+ 1)

2

p+1 +C(p+ 1) 2

p+1(|v|

p+1

p+1

p+ 1)

2

p+1. (2.8)

Agora, definindo

b = |v|

p+1

p+1

p+ 1,

afirmamos que

b >0. (2.9) Com efeito, fazendo mudança de variável em (2.3) obtemos

Z Br(0)

|vn|p+1dx≥

ρ

2.

Desde que H1(B

r(0))֒→Lp+1(Br(0)) compactamente e vn ⇀ v em H1(R3), temos Z

Br(0)

|v|p+1dx

≥ ρ

2 >0,

e isto prova a afirmação. Como (vn) é limitada em H1(R3) ֒→ Lp+1(R3), a menos de

subsequência, vn⇀ v em Lp+1(R3). Assim

|v|p+1 ≤lim inf

n→∞ |vn|p+1 = limn→∞|vn|p+1,

de onde por (2.4), segue que

|v|pp+1+1 lim

n→∞|vn|

p+1

(33)

2.1 Problemas Auxiliares

o que implica em b 1. Agora mostraremos que b = 1. Com efeito, se b < 1, defina c= 1−b. Como por (2.9) 0< b, então

c, b(0,1).

Desde que, (c+d)t < ct+dt para todo c, d, t

∈(0,1), por (2.8) temos

2S ≥ C(p+ 1)p+12 (b 2

p+1 + (1−b) 2

p+1)>C(p+ 1) 2

p+1 = 2S,

o que é uma contradição. Assim, b = 1, isto é,

|v|pp+1+1 =p+ 1. (2.10)

Como vn⇀ v em H1(R3), então kvk ≤lim infn→∞kvnk. Logo,

1 2kvk

2

≤lim inf

n→∞

1 2kvnk

2 = lim

n→∞

1 2kvnk

2 =

S,

isto é,

1 2kvk

2 ≤ S.

Por outro lado, desde que, |v|pp+1+1 = p+ 1, então v ∈ M. Sendo infu∈MF(u) = S, por

definição de ínfimo

1 2kvk

2 ≥ S,

o que implica em

1 2kvk

2 =

S.

Note que, se w M então |w| ∈ M. Assim, podemos supor que v é não negativa, e isto completa a prova deste lema.

Lema 2.3 Seja w∈H1(R3) uma solução fraca do problema (P

∞). Então, w∈C2(R3).

Demonstração: Veja que

−∆w=ψ(x), onde ψ(x) :=|w|p1ww. Assim,

|ψ(x)| ≤a(x)(1 +|w|),

com a(x) := ||w|p1 1|. Note que a L32

loc(R3), pois 3 < s := (p− 1)

3

2 < 6 (p ∈

(3,5)) e w ∈H1(R3)֒ Ls(R3). Pelo Teorema de Brezis-Kato (veja Proposição A.22 do

Apêndice) temos w Lq(R3) para todo q < +, o que implica em ψ Lq(R3) para

todo q < +. Assim, pelo Teorema de Calderon-Zygmund (veja Proposição A.20 do Apêndice) w∈ Wloc2,q(R3). Agora, tomando q = 3, pela Proposição A.17 (veja Apêndice)

temos w Cloc0,γ(R3) com γ < 1, o que implica em ψ C0,γ

loc(R3). Disto seque pela

Proposição A.19 (veja Apêndice) que wC2(R3), como queríamos.

(34)

2.1 Problemas Auxiliares

Demonstração: Note que, pelo Lema 2.2, existe uma função v H1(R3) não negativa

tal que

F(v) = inf

u∈MF(u)

e por (2.10)

T′(v)v =

Z

R3|

v|p+1dx=p+ 1 6= 0.

Pelo Teorema dos Multiplicadores de Lagrange (Proposição A.23 veja Apêndice), existe λ R tal que

F′(v)ϕ =λT′(v)ϕ, para toda ϕ∈H1(R3), ou seja,

Z

R3

(vϕ+vϕ)dx=λ

Z

R3

vpϕdx (2.11)

para toda ϕH1(R3). Note que λ >0. Com efeito, fazendo ϕ=v, obtemos

kvk2 =λ|v|pp+1+1.

Desde que, pelo Lema 2.1, S > 0, temos kvk2 = 2S > 0, o que implica que λ > 0, pois

|v|pp+1+1 =p+ 1. Defina

w=λσv,

onde o número σ será escolhido abaixo. Pelo Lema 2.2, v é não negativa. Assim, desde que λ >0,w é não negativa. Agora, substituindo a função w em (2.11), obtemos

1

λσ Z

R3

(∇w∇ϕ+wϕ)dx= λ

λσp Z

R3

wpϕdx,

para toda ϕ∈H1(R3), isto é,

Z

R3

(wϕ+wϕ)dx=λ1+σ−σp Z

R3

wpϕdx,

para toda ϕ ∈ H1(R3). Sendo assim, como 1 +σσp = 0, se e somente se, σ = 1

p−1.

Tomando σ= 1

p−1 na equação acima, segue que

Z

R3

(wϕ+wϕ)dx=

Z

R3

wpϕdx,

para toda ϕH1(R3). Portanto,wé solução fraca não negativa do problema (P

∞). Pelo

Lema 2.3, w ∈ C2(R3). Agora, mostraremos que w é positiva e, com isso, concluímos a

prova deste lema. Suponhamos, por contradição, que existe x0 ∈ R3 tal que w(x0) = 0.

Seja Br(x0) uma bola arbitrária. Então,w∈C2(Br(x0))∩C(Br(x0)). Desde que

−∆w+w=wq≥0 em Br(x0),

pois w ≥ 0, pelo Princípio do Máximo Forte (Proposição A.21 veja Apêndice), temos w = 0 em Br(x0). Sendo Br(x0) arbitrária, segue que w ≡ 0 em R3. Uma vez que,

w=λσv, com λ >0, então v = 0. Sendo

S = 1

2kvk

2,

(35)

2.1 Problemas Auxiliares

Lema 2.5 Se uH1

rad(R3), então

kuk2 =ω 3

Z ∞

0

(|u(r)|2+|u(r)|2)r2dr,

onde ω3 é o volume da esfera unitária em R3.

Demonstração: Desde que u H1

rad(R3), então u(x) = u(r) para todo x ∈ R3 com

|x|=r. Agora, note que,

∂u ∂xi = ∂u ∂r ∂r ∂xi = ∂u ∂r xi

|x|,

i= 1,2,3, o que implica em

∂u

∂xi 2

=∂u

∂r

2xi

|x|

2

.

Dessa forma,

|∇u(x)|2 = 3 X i=1 ∂u ∂xi 2

=∂u

∂r

2X3

i=1

xi

|x|

2

=∂u

∂r

2

=|u′(r)|2.

Sendo assim, como

kuk2 =

Z

R3

(|∇u|2+|u|2)dx,

por mudança de variáveis segue o resultado desejado.

Lema 2.6 (Lema Radial) Se u∈H1

rad(R3) então

|u(x)| ≤ω−12

3 |x|−1kuk.

Em particular, u(x)0 quando |x| → ∞.

Demonstração: Desde que o espaço das funções C∞

0 (R3), é denso em Hrad1 (R3) é

su-ficiente verificarmos este lema para as funções contínuas de suporte compacto. Dado ϕ ∈C0∞([0,+∞[) temos

ϕ(r)2 =2

Z ∞

r

ϕ′(s)ϕ(s)ds

=2

Z ∞

r

ϕ′(s)ϕ(s)s−2s2ds

≤ −r−2

Z ∞

r

2ϕ′(s)ϕ(s)s2ds

=r−2

Z ∞

r

(|ϕ′(s)|2+|ϕ(s)|2)s2ds.

Se u H1

rad(R3)∩C0∞(R3) temos u(r) = u(x) onde |x| =r. Sendo assim, pela

desigual-dade acima e pelo Lema 2.5 temos o resultado desejado. Pelo resultado anterior, temos que toda funçãou H1

rad(R3) possui decaimento

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