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Academic year: 2022

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ÍtaLLo ÍLL

DOLOSÃO

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Copyright ©2018 – Todos os direitos reservados a:

ÍtaLLo ÍLL

ÍLL, ÍtaLLo

Dolosão / ÍtaLLo ÍLL – Brasília-DF, Clube de Autores, 1ª Edição – março de 2018

90p.; 14,8x21,0 cm ISBN: 978-85-4161-286-9

Direitos exclusivos para Língua Portuguesa cedidos à Editora Site Clube de autores.

www.clubedeautores.com.br

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte do conteúdo deste livro poderá ser utilizada ou reproduzida em qualquer meio ou forma, seja ele impresso, digital, áudio ou visual sem a expressa autorização por escrito do autor ÍtaLLo ÍLL sob penas criminais e ações civis.

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Dedicatória

Olá! Sou ÍtaLLo ÍLL, escritor.

Escrevi esse livro como protesto, um grito escrito diante de tanta impunidade e dedico a todo aquele que de alguma forma direta ou indireta foi atingido pela violência e não viu a justiça que queria ver.

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Sinopse

Dolosão, romance policial com um código penal fictício que mescla com o código penal brasileiro existente. Dolosão é o nome de uma penitenciária que detêm presos que cometeram crimes dolosos. Diferente da realidade brasileira onde o criminoso não tem medo da lei praticando a reincidência, agora com as novas leis terão punições severas com longas penas.

Adriano namorava Lívia, irmã de Lídio. Lídio é apaixonado por Vera, mas, esse amor nunca foi correspondido. Vera é amiga de Lívia, ela termina o namoro com Adriano e ele passa a dar em cima de Vera já que Lídio não era correspondido. Adriano e Lídio são ex cunhados e continuam sendo amigos. Em uma festa eles consomem bebidas alcoólicas e drogas, Adriano namora Vera, mas, a trai com Kika, uma garota que estava na festa, Vera vai embora depois de brigar com Kika e com Adriano. No fim da festa Adriano chama Lídio para fazer um racha, esse racha acaba em acidente, eles matam duas pessoas atropeladas, são presos e vão parar no Dolosão, lá se encontra preso Miltinho, irmão de Vera, cunhado e desavença de Adriano, aí começa as tretas e broncas entre eles.

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A linguagem de alguns personagens é informal, com gírias e palavrões, por isso há uma escrita errada do autor, mas, de fácil entendimento.

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DOLOSÃO, esse Livro vai prender você!

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Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: Não matarás, pois, quem matar estará sujeito a julgamento. (Mateus 5:21)

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Sumário Capítulo 1

Festa dos veteranos e calouros da faculdade...17

Retrô, cinco anos atrás...18

De volta ao presente, à festa da faculdade, domingo de manhã...20

Vera e Adriano...22

Adriano, Vera e Lídio...23

Domingo à tarde...28

Entregando a Kika...31

Vera e Kika...33

Domingo à noite, fim de festa...41

O acidente...42

Capítulo 2

Sábado, casa da Vera...51

Domingo, casa da Vera...54

Depois do acidente...61

Vera e Laura...64

A prisão de Adriano...69

Adriano e Lídio na delegacia...72

Vera sepulta seus pais...75

Laura vai visitar Adriano...77

Vera visita Miltinho...79

Código penal do Livro...84

Personagens...88

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Capítulo 1

Festa dos veteranos e calouros da faculdade

Rio de janeiro, fevereiro de um futuro próximo, uma festa foi organizada pelos alunos veteranos de uma faculdade para receber os calouros, para isso eles alugaram um Sítio-mansão afastado da cidade. A festa foi regada a muita bebida e drogas ilícitas, celulares estavam sendo proibidos na entrada para evitar filmagens e fotos que virassem flagrantes. Quem ia chegando trazia bebidas, carne para o churrasco e trajes de banho caso quisesse tomar banho de piscina. Os trotes eram moderados, sem pôr em risco a integridade física de alguém, pois, ninguém estava a fim de responder por um homicídio culposo ou doloso agora com as novas leis que tornaram o código penal mais rígido e rigoroso. (Ver código penal do livro)

A festa rolava desde sábado de manhã com previsão de ir até domingo à noite, Adriano Cortez Fontes, 20 anos, biotipo mesomorfo malhado, branco, estudante de direito desde os dezessete anos, bebia e se divertia com os seus colegas de faculdade zoando os calouros, mas, protegia Lídio Trevas, 17 anos, biotipo ectomorfo, branco, calouro que estava entrando no curso de direito.

Lídio Trevas é irmão de Lívia Trevas, 21 anos, biotipo mesomorfo, branca, ruiva, estudante de medicina desde os dezessete anos. Ela já namorou Adriano, por isso a amizade entre os ex cunhados.

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Retrô, cinco anos atrás

Lídio gostava de uma amiga de sua irmã, chamada Vera Quirina Paz, biotipo mesomorfo, morena marrom. Ela tinha 17 anos na época, e com o pensamento voltado para o seu ingresso na faculdade no curso de medicina junto com sua amiga Lívia, 17 anos também, nem ligava para o garoto, aliás, ela nem sabia que Lídio de 13 anos na época gostava dela.

Só quem sabia dessa paixão adolescente era Adriano, 16 anos, que sempre incentivava o amigo:

— Vai lá porra, fala com ela de uma vez caralho, tá com medo viadin?! Disse Adriano.

— Porra nenhuma, a mina é bunitinha, mas mó esquisita, toda séria, fechadona! Disse Lídio.

— Fechada que é bom porra que é apertadinha mané!

— Deixa queto.

— Tu é um viadin mesmo, vou ter que pagar uma puta pra você, senão tu não vai comer ninguém com esse medinho de chegar nas mina caralho.

— Se fuder porra, eu vou chegar nela, calma, dá um tempo!

Um ano se passou e Lívia, 18 anos, começou a namorar com Adriano, 17 anos, esse namoro durou 2 anos, Lívia agora com 20 anos terminou o namoro com Adriano que estava com 19 anos, ele passou então a dar em cima de Vera Paz, 20 anos agora, já que Lídio nunca criara coragem de chegar nela.

— Adriano vivi dando em cima de você né amiga? Disse Lívia, 20 anos.

— Como que você sabe disso miga! Disse Vera, 20 anos.

— Fontes me contaram, mas, esquenta não, aquele ali dá em cima de todas, se brincar ele dá em cima até da reitora da facu. Disse Lívia e houve risos.

— É, ele andou me dando umas indiretas e até diretas mesmo, mas eu sempre me saindo por sua causa.

— Ô amiga eu sei disso, mas eu e ele não tem mais nada a ver não, acabou, já era, ele é metido a galã, pegador e a gente vivia brigando por causa disso, ele se acha demais.

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— Sim, e quando vocês brigavam ele me ligava pra sair comigo, dizendo que queria conversar sobre vocês dois, que tava mal, mas no fundo eu sabia o que ele queria e não ia.

— Acredito, o bicho é safado, ele queria era te comer miga!

— Deus é mais! E ele me liga até hoje acredita? Disse a Baiana Vera.

— Acredito, mas agora você pode sair com ele, por mim não tem problema nenhum, agora não se envolva não tá, senão você vai sofrer igual eu, cê tá ligada né, ele brinca com os sentimentos assim naturalmente sem peso na consciência.

— Não não amiga, não quero nada com o Adriano não, tem nem clima de ficar com ele sabendo que ele foi seu ex, ele é muito ousado, Deus é mais namorar um homem desse que fica de ousadia com todas as mulheres.

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De volta ao presente, à festa da faculdade, domingo de manhã

Vera Paz, 21 anos, estaciona seu carro no Sítio-mansão e entra na festa da faculdade à procura de Adriano. Dois Universitários comentam:

— iiih… Fudeu olha quem chegou ali! Disse Júlio, 20 anos, biotipo mesomorfo, branco, estudante de direito.

— iih, é a Vera né! Disse Losti, 19 anos, biotipo ectomorfo, branco, estudante de direito.

— É porra, o Adriano já levantou? Disse Júlio.

— Já pô, o bicho tá lá na piscina já. Disse Losti, todo manezão.

— Ah, tá de boa então, é porque o bicho pegou a Kika ontem, tá ligado, aquela caloura galeguinha gostosa pra caralho, comeu ela a noite toda.

— Tô ligado, a caloura de direito né!

— É pô, ela fez direitinho mesmo.

— Como é que tu sabe?!

— Eu tava no mesmo quarto do Adriano mané.

— Fazendo o quê?

— Pegando uma magrinha filezinha a noite toda mané.

— Porra, é mesmo, eu não arrastei ninguém, tomei altos foras ontem e dormi na sala com uma cabeçada de noiado, sinistro!

— Tu é um pela-saco mesmo, um comédia do caralho, o tanto que eu te ensinei chegar nas mina seu pau no cu e tu ainda não aprendeu!

— Tomar no cu porra!

— Ó lá a magrinha que eu peguei, disfarça porra, ó ela sorrindo pra cá, vou dá um tchauzin pra ela, viu?! Disse Júlio sobre a caloura magrinha, biotipo ectomorfo, 18 anos, estudante de veterinária.

— Tô ligado, gostosinha ela, poxa! Disse Losti abestalhado.

— Delicinha, falsa magra.

— Dá pra jogar ela na minha mão não?

— Jogar meu pau na tua mão seu otário.

— Toma no cu pô, tu vai ficar com ela ainda?!

— Sei não, se eu não conseguir outra eu como ela de novo!

— Ela é facinha é?

— Se saber chegar tu pega, mas como tu é um pau no cu, um mequetrefe, ela vai te dá um fora.

— Vou nada, vou comer ela então!

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— Vai comer porra nenhuma, chupa meu piru aqui que tá com o gosto dela.

— Se fuder porra!

— Vamo dá um rolê aí mané, eu vou te ensinar a chegar nas mina seu comédia?!

— Vamo aí então fodão, mas eu ainda vou comer tua magrinha.

— Se tu conseguir pode comer parceiro, senão tu vai morrer na punheta mesmo seu viadin!

— Punheta é caralho! Mas diz aí, tu chegou a ver a Kika pelada lá no quarto?

— Já quer bater uma punheta pra Kika mané?!

— Qui punheta o quê porra, diz aí!

— Vi rapidin porque todo mundo tava fazendo cabaninha com o lençol, tá ligado, a luz tava apagada, mas quando alguém acendia a luz dava pra ver alguns vacilos, casal descoberto tá ligado, então aí eu vi a galega, gostosa pra caralho, rosinha a xereca. Disse Júlio caminhando com Losti.

— Rosinha é?

— É caralho, já quer bater punheta pra galega!

— Vai se fuder Júlio vai! Disse Losti e os dois continuaram caminhando e azarando as meninas.

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Vera e Adriano

Vera avista Adriano na piscina e junto dele está Kika, 18 anos, biotipo mesomorfo, branca, galega. Quando ele ver Vera fala de dentro da piscina:

— Oi amor você veio, já tava doido, te esperando desde ontem morrendo de saudade!

— Oi pessoal! Disse Vera cumprimentando todos na piscina e olhando o cinismo de Adriano.

Adriano sai da piscina e vai beijar Vera:

— Sai Adriano, tá todo molhado.

— Claro, sair da piscina agora, vem cá vem. Disse Adriano a puxando tentando abraça-la

— Sai Adriano, me deixe vá, tá todo molhado e com hálito etílico!

Disse Vera empurrando Adriano.

— Hum... “Hálito etílico” Agora fudeu mesmo, só quer ser a doutora!

— Eu sou doutora! E quem é aquela ali que tava junto com você brincando na piscina?

— Aquela quem? Tá todo mundo brincando ali na piscina Vera!

— Não se faça de abestalhado rapaz, ela nem soube disfarçar quando me viu, ficou toda desconfiada sem jeito!

— Quem, a galeguinha ali? Ah, é uma caloura de direito que veio me perguntar sobre o curso e ficamos conversando.

— Ah tá, e você falou que o curso de direito era jogar água um no outro, você de olho nos peitos dela né, eu vi quando eu cheguei bonito!

— Amor, aqui é uma festa, tá todo mundo relaxando, brincando, é normal que todos se olhem, conversem, você tá agindo igual a Lívia, o domingo tá só começando e você já quer estragar ele, dá licença que eu vou buscar uma cerva pra mim que é bem melhor do que ficar ouvindo seu pinel logo de manhã.

— Vai, vai beber seu ignorante.

— Vou mesmo, melhor que ficar aqui tomando esse xarope que é ouvir você de paranóia!

(23)

Adriano, Vera e Lídio

Adriano foi pegar uma cerveja e voltou para o lado de Vera, mas, não quis papo com ela, ficou olhando para piscina disfarçadamente através dos seus óculos escuros observando sua ficante, Kika, caloura de direito, mas, ela logo ficou sem jeito porque Vera estava a encarando também, então, saiu da piscina indo para outro local da festa. Adriano avistou Lídio e gritou “Lídiooo… Chega aí…!” Lídio veio.

— Fala brodér! Oi Vera tudo bem?! Disse Lídio dando beijinhos em Vera.

— Oi “Lidinho!” Tudo bem. E você? Disse Vera.

— Tranquilo. “Lidinho” é?! Disse Lídio sorrindo de canto pelo diminutivo do seu nome.

— Sim, “Lidinho”, tem algum problema?! Disse Vera.

— Não nem um. Disse Lídio.

— Hum… “Lidinho”, Viadinho! Disse Adriano sacaneando.

— Vai se fuder porra! Disse Lídio.

— Ligue não Lídio. Disse a Baiana Vera.

— Cadê sua irmã? Disse Adriano.

— Viajou! Disse Lídio.

— Pra onde? Disse Adriano.

— Pra um congresso de medicina nos Estados Unidos. Disse Lídio.

— Ah fiquei sabendo, ela me chamou pra ir com ela, mas, Mainha tava doente e não deu pra eu ir! Disse Vera.

— Tu nem precisa Vera, já até praticou medicina sem terminar o curso mesmo. Disse Adriano.

— iih Adriano, já vai começar com essa história, todo mundo sabe que eu fui forçada a fazer aquilo. Disse Vera.

— Mas quase tu roda por prática ilegal da medicina! Disse Adriano sorrindo irônico.

— Minha inocência foi provada seu abestalhado do caralho. Disse Vera.

— Abestada é tu, fica aí Lídio com a xarope que eu vou buscar cerva pra nós, já é! Disse Adriano.

— Já é, busca lá! Disse Lídio.

— Vai ficar é galinhando por aí, ele pensa que eu sou abestalhada!

Disse Vera depois que Adriano saiu.

— Vocês já tão brigados de novo é? Disse Lídio.

— Pra variar né! Disse Vera.

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— Adriano é foda mesmo! Disse Lídio balançando a cabeça.

— Ah Lídio, Lívia que tinha razão, namorar o Adriano a gente só passa raiva, ela passou e me avisou, agora ela tá viajando, se especializando, vivendo e eu aqui passando raiva.

— Esquenta não, o Adriano vai acabar percebendo que você é a mulher perfeita pra casar e passar o resto da vida!

— Oh… Você é um fofo mesmo “Lidinho”, ô, é Lídio, desculpa viu! Disse Vera dando um beijo no rosto de Lídio.

— Esquenta não. Disse Lídio sobre o diminutivo do seu nome.

— Se o Adriano continuar a aprontar comigo eu vou virar cunhada da Lívia. Disse Vera sorrindo.

— Opa, deixa eu ver se entendi, cunhada da Lívia, a Lívia é minha irmã, ela só tem eu de irmão, então sou eu! Disse Lídio sorrindo também e os dois se abraçaram.

Adriano voltou com duas latinhas de cerveja e viu a cena:

— Ô, ô, larga minha mulé aí seu bosta, que porra é essa?!

— Que foi, eu que abracei ele, o quê que tem abraçar ele, ele é meu amigo?!

— Pega aí seu viadin, tô ligado em você viu talarico incompetente do caralho! Disse Adriano entregando uma latinha de cerveja para Lídio.

— Não trouxe uma pra mim não é?! Disse Vera.

— Ué, você é toda cheia de frescura, nunca sei se você quer beber ou não! Disse Adriano.

— Claro que eu quero, eu também trouxe cerveja rapaz! Disse Vera.

— Tu quer uma cerva então? Disse Adriano.

— Não, quero uma batida ou uma caipirinha, tem lá?

— Tem, mas tá tudo forte, eles tão botando pra fuder na vodca!

— Tem problema não, busca lá pra mim uma porra dessa.

— Fala o que tu quer porra!

— Ô chatice da porra, vê se tem batida de frutas vermelhas.

— Frutas vermelhas?!

— É abestalhado, da cor de sangue.

— Num fode! Disse Adriano saindo para buscar a batida.

— Sangue mesmo eu vou tirar é de umazinha folgada aí. Disse Vera a Lídio.

— Tirar sangue de quem doida?! Disse Lídio.

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— Duma galega aí, vai ser barril dobrado, tu vai ver, eu sou é baiana arretada!

Adriano foi buscar a batida de frutas vermelhas e mais duas latinhas de cerveja, mas, desviou do caminho foi procurar Kika:

— Kika, Kika, Kikinha, Kika, Kika, Kikinha… Cantou Adriano ao achá-la

— Ah… Para Adriano, essa música se encaixa melhor pra sua namoradinha que é pretinha! Disse Kika sobre a música “Preta pretinha”

dos Novos Baianos.

— Pretinha não, ela é morena, quase da nossa cor, e se fosse pretinha qual o problema?!

— Problema nenhum! Disse Kika sem graça com a patada de Adriano.

— Bom, beleza, eu vim aqui ficar contigo.

— E por que cê não fica lá com sua namorada?

— Ué briguei com ela por sua causa.

— Por minha causa por que? Olha lá hein, não quero confusão pra cima de mim não viu!

— Fica tranquila, me dá um beijo aqui vai. Disse Adriano puxando Kika.

— Eu não, volta lá, faz as pazes e beija ela, eu não!

— Eu quero beijar é você, vem cá vamo cair ali pro banheiro e dá umazinha. Disse Adriano puxando Kika novamente.

— Tá doido é garoto, geral vai saber.

— E daí, tá geral fudendo no banheiro também que eu vi, quem vai ligar pra quem tá fudendo com quem, e geral já sabe da gente mesmo.

— Por isso mesmo, volta lá pra sua namoradinha estressadinha que é melhor que eu não quero confusão não.

— Então me beija que eu volto.

— Tá, agora vai. Disse Kika após dá uma bitoca em Adriano.

— Assim não, esse não valeu, eu quero é assim! Disse Adriano agarrando Kika de vez e a beijando de língua num beijo demorado.

Adriano foi pegar a batida de Vera, as latinhas de cerveja e voltou para perto da piscina:

— Segura aí viadinho! Disse Adriano jogando uma latinha de cerveja para Lídio.

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— Ô doido, devagar caralho! Disse Lídio.

— Porra, tu tem mão de alface é?! Disse Adriano quando Lídio não segurou a latinha que ele arremessou a deixando cair no chão.

— Tu jogou forte também maluco do caralho! Disse Lídio.

— Aí sua batida de frutas vermelhas. Disse Adriano.

— Pensei que ia jogar também pra mim! Disse Vera sobre o arremesso da latinha para o Lídio.

— Abri aí viadin, vê se vai espumar, qualquer coisa eu busco outra pra você. Disse Adriano a Lídio.

— Tu já demorou horrores pra buscar essas bebidas, ainda quer voltar de novo, por que hein?! Disse Vera desconfiada.

— Precisa não, vou beber essa daqui mesmo só de raiva! Disse Lídio.

— Eu tava esperando sua batida e depois fui no banheiro, posso não. Disse Adriano sobre sua demora a Vera.

— Na próxima vez eu vou contigo! Disse Vera.

— Então dá um beijo! Disse Adriano a abraçando e tentando beijá- la.

— Que beijo o quê Adriano, sai, deixa eu beber minha batida aqui em paz porra.

— Caralho Vera, é melhor terminar então, não posso nem te beijar porra, que relacionamento é esse?! Disse Adriano fazendo drama.

— Ô drama fuleiro hein! Disse Vera olhando o cinismo de Adriano, pondo a boca no canudo e bebendo a batida de frutas vermelhas quase toda, depois ela beijou Adriano de língua.

— Ô batida milagrosa da porra, uruuu...! Disse Adriano vibrando depois do beijo.

— Milagrosa não, eu tô retada contigo ainda viu. Disse Vera tomando o resto da batida no canudo fazendo aquele barulhinho.

— Retada por que minha baiana gostosa?! Disse Adriano roubando mais um beijo de Vera.

— iiih… Aí, vou ficar aqui de vela não, vou buscar outra latinha ali! Quer outra Adriano? Disse Lídio.

— Quero “Lidinho”. Disse Adriano.

— Se fuder viado! Disse Lídio por causa do diminutivo de seu nome.

— Traz uma latinha pra mim também Lídio por favor que essa batida tava forte mesmo! Disse Vera.

— Beleza tranquilo. Disse Lídio.

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Lídio apesar de ter falado que não ia ficar de vela, até que voltou rápido com as cervejas, arremessou uma latinha para Adriano e entregou a outra latinha na mão de Vera.

— Peguei mané, não sou tu não otário mão de alface! Disse Adriano a Lídio.

Depois Adriano fazia questão de ir buscar as bebidas toda vez, deixava Lídio conversando com Vera, pois, sabia que ele puxava um bom papo com ela e a entretinha, enquanto isso ele podia ir se encontrar com Kika tranquilamente. Quando voltava enrolava Vera com suas desculpas e já trazia de tudo um pouco, Cerveja, Vodca, Uísque, Tequila, Batida, Caipirinha e tira gosto, Vera até que começou a brigar com ele para que parasse de misturar bebidas, mas, como as bebidas estavam fazendo efeito nela também, parou de implicar e bebia quase tudo que ele trazia, engolindo também suas desculpas de que encontrava com amigos fulano e ciclano de tal, ficava conversando e por isso demorava a voltar.

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Domingo à tarde

Adriano transava com Kika em um dos quartos do Sítio mansão, enquanto Vera e Lídio batiam um bom papo com a coragem que o álcool dá na gente.

— Lidinho é verdade que você era apaixonado por mim? Oh, desculpa, falei “Lidinho” de novo, foi mal aí Lídio! Disse Vera.

— Tranquilo, pô, na verdade acho que ainda sou, mas não sofro mais como antigamente, torço até pra você e o Adriano darem certo. Disse Lídio.

— Ooh que fofo, obrigada Lidinho, opa, falei “Lidinho” de novo, desculpa! Disse Vera abraçando Lídio.

— De boa Verinha! Disse Lídio e os dois sorriram.

— Sabia que quase te dava uns beijos, mas você era novinho demais, 13 anos na época. Disse Vera no ouvido de Lídio.

— Ah fala sério Vera, quando foi isso?

— Lembra daquela festa na casa do colega do Adriano, que foi eu, você, a Lívia e o Adriano, e todo mundo ficou com alguém, menos eu e você, aí nós ficamos de vela olhando os outros se pegarem, lembra?

— Lembro sim.

— Então, eu me segurei pra não te dá uns beijos!

— Ah... Naquele dia eu também tava com vontade de ficar contigo, mas tive medo de tomar um fora.

— Ah, tomar um fora todo mundo já tomou, dói não!

— Mas de quem a gente ama dói sim, por isso fiquei calado.

— “Eu te amo calado como quem ouve uma sinfonia…” Cantou Vera zoando Lídio.

— “De silêncios e de luz…” Completou Lídio entrando na zoação.

— “Nós somos medo e desejo, somos feitos de silêncios e sons…

Tem certas coisas que eu não sei dizer…” Cantaram juntos Vera e Lídio cheios dos ‘gorós’ a música “Certas coisas” de Lulu Santos.

Adriano volta com bebidas e ver Lídio abraçado com Vera novamente.

— Que porra é essa parceiro, agarrando minha mulé de novo mermão, seu viadinho do caralho, sai daí sai porra!

— Ele não tá me agarrando não rapaz, fui eu que abracei ele.

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— Num fode Vera, tá abraçando demais ele, vou meter a porrada nesse viadin. Disse Adriano.

— Já falei, ele é meu amigo, abraço ele na hora que eu quiser. Disse Vera.

— Deixa eu te abraçar também viadin pra ver se é bom! Disse Adriano abraçando Lídio por atrás roçando na bunda dele.

— Sai viado, que porra é essa! Disse Lídio empurrando Adriano.

— iih… Caralho cês tão chorando é Vera? Tu é um viadin mesmo né Lidinho, cês bebem pra caralho e ficam aí de frescura chorando! Disse Adriano dando um tapinha na cabeça de Lídio.

— Tô chorando não porra! Disse Lídio passando a mão nos olhos.

— E você Adriano demorou por que hein, encontrou outro amiguinho pra ficar conversando, ou uma amiguinha?! Disse Vera.

— Só o que tem aqui é chegado meu Vera, tu quer o quê, se eles me param pra trocar uma idéia.

— Eu também vou começar a trocar umas idéias por aí, dá meus perdidos também, tu vai ver, e vai começar pelo Lídio. Disse Vera abraçando Lídio.

— Colé mané, larga minha mulé viadin! Disse Adriano puxando Lídio.

— Foi ela que me abraçou porra.

— Na próxima vez tu vai buscar a cerva pra não ficar azarando minha mulé, talarico do caralho! Disse Adriano.

Os três ficaram bebendo e conversando e quando a bebida acabou, ao invés de Lídio ir buscar mais, Vera quem foi.

— Deixa que eu vou Lídio, quero ver se encontro com minhas amigas por aí pra trocar idéia, quem sabe um amigo também! Disse Vera irônica.

— Já é então, mas se quiser eu vou com você e volto com a cerva enquanto você fica trocando idéia com as amigas! Disse Lídio.

— Tu vai ficar aqui parceiro, já te falei pra desgrudar da minha mulé mermão. Disse Adriano e Vera saiu andando.

— Para de falar “mulé” porra, tu vai ser advogado em breve e fica aí falando errado caralho! Disse Lídio.

— Vai se fuder viadin, eu falo “mulé” de sacanagem porra, eu sei falar “mulher” ô caralho, mulher, mulher, tá vendo porra!

— Tu sabe é ficar sacaneando as mulheres isso sim!

(30)

— Colé mulequin, tá recalcado porque eu sou pegador, sou foda e tu não pega ninguém, só fica aí querendo azarar minha mulé. Disse Adriano zoando Lídio.

— Qui azarar tua mulher o quê, quem atravessou meu caminho foi você, lembra?! Disse Lídio sobre a história entre ele, Vera e Adriano.

— Tu ficou de viadagi, com medinho de chegar nela, eu fui e cheguei seu mané. Disse Adriano dando um tapinha na cabeça de Lídio.

— Aí porra, e a Kika, já dispensou?

— Ainda não, tu não falou nada com a Vera sobre ela não né mané?!

— Falei não, é doido é.

— Já é mulequi doido, aí, tô com um pó aqui no bolso, vamo dá um tiro?!

— Tá doido é, de novo, cheiramos pra caralho ontem!

— E daí, cheira de novo, tenho que ficar doidão pra aguentar aquelas duas xaropando no meu ouvido, Vera e Kika tão foda!

— Então cheira só porra!

— Porra Lídio, colé parceiro, vai ficar de crocodilagem, de viadagi é caralho, tu é meu bróder ou não é?!

— Bora então porra.

— Aí caralho, botei fé agora, bora que os caras tão lá no banheiro atrás da casa.

— Quem?

— Júlio, Losti e uma cabeçada de viciado.

— E se Vera voltar?

— Vera volta agora não mané, ela quer me provocar, conheço bem aquela baiana.

— Já é então!

Adriano e Lídio se encontraram com os alunos viciados no banheiro e começaram a cheirar cocaína.

— Faz menor essa carreira aí porra! Disse Lídio.

— Qui menor e o caralho, tem que ser é carreirão porra, um dedo de grossura, aí, dá um tecão e deixa de ser viado. Disse Adriano.

— Vai me dá overdose! Disse Lídio.

— Deixa de ser fresco porra, anda logo caralho que eu quero dá outro tiro aí!

(31)

Entregando a Kika

Enquanto Adriano e Lídio cheiravam cocaína, Vera se encontrou com duas amigas e começaram a conversar e beberem juntas.

— Verinha... Vem cá dá um abraço aqui garota! Disse Vilma, 20 anos, biotipo mesomorfo, branca, estudante de medicina.

— Vilma...! Disse Vera a abraçando.

— Oi Vera tudo bem?! Disse Luiza, 19 anos, biotipo ectomorfo, branca, estudante de medicina.

— Tudo bem Luiza! E você? Disse Vera a abraçando também.

— Tudo bem! Disse Luiza.

— Vamos tomar uma amiga?! Disse Vilma.

— Vamos. Disse Vera.

— Minha cerveja acabou, vou buscar outra ali. Vocês querem?

Disse Luiza.

— Claro miga. Disse Vilma.

— Eu tô terminando minha batida aqui, quero agora não. Disse Vera.

— Depois tu tem que dá é uma batida por aí, senão tu perde teu namorado! Disse Luiza saindo para buscar cerveja.

— Cala a boca garota! Disse Vilma.

— Cala a boca por que, tá rolando alguma coisa que eu não tô sabendo aqui? Disse Vera.

— Não, é brincadeira dessa lesada. Disse Vilma.

— Brincadeira nada, começou com a indireta, agora tem que falar!

Disse Vera.

— Não é nada não Vera, ela tá é beba já essa doida. Disse Vilma.

— Beba nada, deixa ela voltar que ela vai ter que me explicar isso aí direitinho. Disse Vera.

— Aí Vilma tua cerva. Tu não quer agora né Vera, mas eu trouxe aqui de garantia?! Disse Luiza voltando.

— Quero sim, e quero também que você me explique essa história de dá batida por aí senão eu perco o namorado. Disse Vera.

— Luiza... Vê lá o que vai dizer hein! Disse Vilma.

— O que Vilma, não sou baú pra guardar as coisas não! Disse Luiza.

— Tem que guardar sua língua num cofre, doida. Disse Vilma.

— Abri seu baú aí Luiza e conta tudo pra mim. Disse Vera.

(32)

— É que tem uma galeguinha aí, caloura de direito, sabe, toda piriguete, piriguetona mesmo, tá toda assanhada pra cima do Adriano.

Disse Luiza.

— Ah, é uma branquela azeda que tava na piscina de manhã quando eu cheguei?! Disse Vera.

— Sim, é essa safada mesmo. Disse Luiza.

— Aconteceu alguma coisa ontem entre eles? Disse Vera.

— Não, nada não, nada não. Disse Vilma tentando calar Luiza.

— Sei não, mas a galega chegou na facu agora e já quer causar, já quer sentar na janela! Disse Luiza.

— Deixa ela comigo, vou atrás do Adriano ali, obrigado pelo toque meninas, beijo. Disse Vera saindo.

— Vê lá hein, vai arrumar confusão não viu baiana! Disse Vilma.

— Esquente não carioca. Disse Vera caminhando.

— Peraí Vera, toma mais uma aqui com a gente! Grita Luiza.

— Luiza sua maluca, a garota já tá ligadona e tu quer ver o circo pegar fogo né doida! Disse Vilma.

— Qui nada, nem falei pra ela que o Adriano comeu a galega ontem. Disse Luiza.

— Não falou porque eu não deixei! Disse Vilma.

— Esquenta não que se eu conheço a Vera ela vai arrancar isso de qualquer jeito, do Adriano ou da galega.

— Tu foi abrir o bico, sua beba do caralho, vai dá merda isso aí ainda viu.

— Ah, foda-se, falei mesmo, o Adriano é muito safado, tem que tomar um gelo da Vera, tomar no cu mesmo! Disse Luiza.

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Vera e Kika

Na procura por Adriano que cheirava cocaína com Lídio, Vera se encontra com Kika perto da piscina:

— Ei garota venha cá! Disse Vera.

— Oxe, o que é? Disse Kika.

— Tô querendo esclarecer umas coisas aí.

— Que coisas, comigo?

— Sim, que você tá dando em cima do meu namorado.

— Quem é seu namorado?

— Não se faça de abestalhada, você viu quando eu cheguei aqui, tu tava na piscina com o ele. Disse Vera já se alterando.

— Ah, o Adriano!

— É ele mesmo.

— Mas eu não tô dando em cima dele não garota, se liga! Disse Kika se alterando também.

— Não foi isso que eu fiquei sabendo não visse! Disse a Baiana Vera.

— Ah... Ficou sabendo! Por quem querida?

— Não interessa, quero saber é de você, o que aconteceu ontem entre você e o Adriano hein?!

— Oxe garota, tenho nada com o Adriano não, só tava conversando com ele sobre o curso de direito que vou começar a fazer.

— Direito! Pois já começou fazendo errado então.

— Nossa, isso foi uma piada, é pra ri é?!

— Não fiz piada não ô piriguetizinha!

— Vai se fuder sua enfermeirazinha escrota do caralho!

— Vai você sua branquela caloura piranha safada, eu sou é médica porra!

— Médica é o caralho, cadê o diploma sua recalcada, piranha safada é tu porra!

— Ó aqui o diploma sua vagabunda. Disse Vera agarrando Kika pelos cabelos e Kika também a agarrou pelos cabelos e as duas lutando caíram na piscina.

Adriano e Lídio voltando da ‘cheiração’ no banheiro avistaram a

‘muvuca’ na beira da piscina:

— Ih caralho, é briga! Disse Adriano.

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— É mesmo, vamo vê quem é! Disse Lídio.

— É a Vera!

— É briga à vera?

— Que porra de briga à vera mané, é a Vera mesmo seu otário.

— Eita porra, vamo lá então!

— Corre corre, pula aí pula aí. Disse Adriano pulando na piscina.

— Larga larga caralho, larga porra! Disse Lídio segurando Kika.

— Solta porra, solta ela Vera! Disse Adriano.

— Eu vou matar essa piranha! Disse Vera.

— Piranha é você mal-amada! Disse Kika.

— Puta safada. Disse Vera.

— Corna trouxa do caralho, eu fiquei com ele ontem sim. Disse Kika.

— Eu vou pocar sua cara piranha! Disse Vera.

— Cala a boca porra! Disse Adriano a Kika.

— Cala a boca por quê, tu ficou com ela ontem? Responde porra!

Disse Vera batendo no peito de Adriano que estava a segurando.

— Não amor, ela tá louca essa garota, e para de me bater porra, fica calma caralho! Disse Adriano e Vera parou de bater nele.

— Eu fiquei com ele sim sua trouxa escrota do caralho. Grita Kika.

— Cala a boca porra! Disse Lídio segurando Kika.

— Me solta garoto, deixa de ser chato porra, me solta que eu vou sair daqui caralho. Disse Kika saindo da piscina.

— Vaza guria vaza. Disse Lídio.

— Vai se fuder garoto! Disse Kika.

— Eu vou te matar sua puta! Grita Vera.

— Tu não mata nem o tesão do teu macho porra que ele anda procurando outra! Gritou Kika.

— Tu comeu essa puta Adriano, responde miséria?! Disse Vera batendo de novo no peito de Adriano.

— Tá doida Vera, não comi ninguém não, vamo sair daqui da porra dessa piscina que tá todo mundo olhando pra nós caralho. Disse Adriano.

— Tu não me enrola não Adriano, fala logo se tu comeu essa piranha!

Já na área da casa Kika dizia:

— Guria maluca do caralho, arrancou meus cabelos e me arranhou toda, vou chamar a polícia aqui pra ela.

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— Tá doida garota, chamar a polícia aqui pra quê, quer acabar com a festa é, tá chei de flagrante aqui, tá maluca? Fica na sua. Disse um dos alunos veteranos que organizou a festa.

— É, fica na sua aí guria, tá entrando agora na facu e já quer causar, já quer sentar na janela, fica piano aí! Disse uma aluna veterana que organizou a festa também.

— Oxe, aquela maluca que começou e eu que engulo sapo é! Disse Kika atrevida.

— Oxe o que guria, tu tava mexendo com o macho da outra né, só podia dá nisso, tu tá errada porra, tu sabe disso, fica na sua aí! Disse a aluna veterana que organizou a festa e Kika ficou quieta.

Adriano levou Vera para o outro lado da mansão e continuaram discutindo, ele negava até o fim que não comeu Kika, mas, Vera insistia tanto numa confissão que Adriano doidão de cocaína começou a investi para cima dela com empurrões. Lídio chegou bem na hora e interveio indo para cima de Adriano, ouve mais discussão:

— Colé mulequin, vai entrar numas comigo?! Disse Adriano.

— Coé Adriano, vai machucar ela pô! Disse Lídio.

— Deixa Lídio que com ele eu resolvo, essa desgraça da miséria!

Disse Vera.

— Que nada Vera, eu vou ficar aqui contigo! Disse Lídio encarando Adriano.

— Ela me arranhou todo ó essa maluca do caralho. Disse Adriano.

— Seu escroto, seja homem e assuma que comeu aquela puta porra.

Disse Vera.

— Vai se fuder porra, para de encher meu saco com essa merda de pergunta, num fode caralho! Disse Adriano.

— Então responde logo miséria, seu moleque, cê não é homem não porra! Disse Vera.

— Quer saber, comi sim, e ela é gostosa pra caralho, sabe fuder melhor que tu porra, tá satisfeita agora nessa caceta! Disse Adriano virando as costas e saindo andando.

— Vai fugir agora seu filho da puta da desgraça, seu escroto do caralho, seu moleque safado, vai embora com sua puta vai, porque se eu encontrar com ela eu lenho ela toda na porrada! Disse Vera chorando e foi abraçada por Lídio.

— Calma, calma, deixa ele ir, deixa ele ir! Disse Lídio.

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Adriano foi andando e dando o dedo para trás.

— Adriano é um vacilão mesmo, perdeu a Lívia desse jeito! Disse Lídio.

— A Lívia que tinha razão mesmo, ela bem que me avisou que o Adriano é um safado que brinca com os sentimentos dos outros. Disse Vera.

— E agora, você e o Adriano? Disse Lídio.

— Não sei, é difícil e ao mesmo tempo fácil de resolver, é só eu deixar de ser besta, otária e dá um basta nesse namoro. Disse Vera tudo que Lídio queria ouvir.

— Entendi. Disse Lídio abraçando Vera apertado com esperança de tê-la um dia.

— Lídio, acho que vou embora, tenho que buscar Mainha e Painho na igreja mais tarde.

— Espera mais um pouco até você melhorar pra dirigir.

— Tô beba não, tô de boa, esquenta não que eu vou pra casa trocar de roupa e buscar Painho e Mainha na igreja, vou devagar pode deixar, olha, tô toda arranhada daquela piranha, e molhada ainda, vou molhar o banco do carro todinho, mas fazer o quê né.

— Vou te levar até seu carro então, também não vou ficar muito tempo aqui não, vou rala peito também.

— Tá bom, deixa só eu ir no banheiro me ver no espelho, peraí.

Vera voltou do banheiro e Lídio foi andando com ela até o carro, mas, no caminho se encontraram com Vilma e Luiza:

— Ô Verinha, tá indo aonde? Disse Vilma.

— Embora dessa zorra, ó, tô toda arranhada e molhada, ó meu cabelo como tá! Disse Vera.

— A Luiza e o bocão dela, olha aí, fazer você entrar numas com a galega! Disse Vilma olhando para Vera e lamentando.

— Foi mal Vera, desculpa aí, mas vagabunda que pega homem das outras a gente tem que desmascarar né. Disse Luiza.

— Esquente não Luiza, você fez certo em me contar mesmo, eu faria a mesma coisa se visse seu namorado com outra. Disse Vera.

— Ela nem tem namorado essa safada! Disse Vilma e todos riram.

— Mas não pego homem das outras. Disse Luiza.

— Eu peguei o Adriano, mas falei com a Lívia primeiro! Disse Vera e elas riram, menos Lídio.

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— Nossa Vera, cê se machucou muito, xô dá uma olhada, sou médica! Disse Vilma estudante de medicina.

— Precisa não querida, também sou, em casa eu vejo isso. Disse Vera estudante de medicina também e as duas sorriram.

— Vocês são é duas bêbadas! Disse Luiza estudante de medicina também.

— Ó quem fala! Disseram Vera e Vilma juntas sobre Luiza ser a que mais bebe cerveja e as três sorriram.

— Bora Vera?! Disse Lídio.

— Tá com pressa gatinho?! Disse Luiza.

— Bora, já bebi, já briguei, quer mais o quê, participação punk na festa. Disse Vera sorrindo.

— Lacrou! Disse Vilma.

— Só fiquei chateada porque vocês não me ajudaram a quebrar aquela piranha. Disse Vera.

— Ah mais é porque eu não vi na hora, senão eu tinha entrado na briga. Disse Luiza.

— Tu ia era morrer afogada na piscina sua beba. Disse Vilma e todos riram.

— Vou embora gente, tchau. Disse Vera.

Vera foi embora e Lídio voltou para a festa e achou Adriano:

— Eaí véi, acalmou, cadê a Vera?! Disse Adriano.

— Foi embora. Disse Lídio.

— Tá certo, deixe queto, e tu, tá puto comigo?

— Mó vacilão tu!

— Se fuder mulequin, chega aí. Disse Adriano abraçando Lídio.

— Vacilão, perdeu minha irmã e agora vai perder a Vera.

— Mas ganhei a Kika otário!

— Otário é você, um pau no cu mesmo, trocou duas médicas quase formada por uma caloura de direito adolescente.

— Hum... Falou o adulto experiente em relacionamentos, vai tomar no cu viadin, vai ficar me dando sermão ou vai curtir a festa comigo caralho?!

— Quem é aquela ali? Disse Lídio.

— É a Gita, ela é estudante de veterinária, ela vai gostar de você, um viadinho! Disse Adriano.

— Vai se fuder porra, viado é tu caralho!

— Gita... Chega aee... Disse Adriano.

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— Que foi Adriano, sou carrinho de pamonha não?! Disse Gita, 20 anos, biotipo mesomorfo, branca.

— Quero é maconha porra num é pamonha não, tem aí? Disse Adriano.

— Tô querendo também, fala porra! Disse Gita.

— Aqui ó, esse é meu bróder, Lídio, e essa aqui é a Gita, agita uma festa do caralho! Disse Adriano apresentando os dois.

— Oi gato, tudo bem?! Disse Gita dando beijinhos no rosto de Lídio.

— Oi, tudo. E você? Disse Lídio.

— Tudo ótimo gato! Disse Gita.

— Marca aí vocês que eu vou ali atrás da Kika já é. Disse Adriano saindo.

— Já é! Disse Lídio.

— Eaí gato vai cursar o quê? Disse Gita.

— Direito. Disse Lídio.

— Hum... Legal pra caralho!

— E você cursando o quê?

— Veterinária, 3 anos já.

— Hum massa! “Eu sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta o desejo.” Cantou Lídio a música da Legião Urbana.

— Que bonitinho... “Sereníssima...” Disse Gita.

— Curti Legião Urbana?

— Se curto, adoro… Sei tocar todas no violão.

— Poxa que massa! Disse Lídio.

— Meu violão tá lá no carro, depois eu dou uma palhinha pra você beleza.

— Beleza, tranquilo, quero ouvir sim! Seu é Gita Gita mesmo?

— Sim, como o da música do Raul Seixas.

— Sério, que doideira!

— É, meu pai e minha mãe são fãs do Raul e eu cresci ouvindo e me tornei fã também.

— Irado! Toca Rauuul... Disse Lídio o famoso bordão.

— Toca Rauuul... Disse Gita o bordão.

— Sabe tocar Raul também?

— Claro... Também sei todas gato. Vamos lá no carro pra cê vê então?

— Já é vamos lá. “Às vezes você me pergunta por que é que eu sou tão calado, não falo de amor quase nada, nem fico sorrindo ao seu lado.”

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Cantou Lídio a música “Gita” do Raul Seixas enquanto caminhava com Gita até o carro.

— Você conhece a discografia do Raul?

— Não, conheço pouco, só os hits.

— Os hits são atemporais mesmo, du caralho Raul! Disse Gita.

— Porra já tá escurecendo, domingão passou rápido! Disse Lídio.

— É passou sim, vou pegar o violão aqui no porta-malas peraí.

— Já é tranquilo!

— Entra aí no carro, tá aberto. Disse Gita desativando o alarme pelo controle.

— Ah tá!

— Aí tá afim dum pó? Disse Gita entrando no carro com o violão.

— Ué vai tocar não?!

— Vou, mas vou cheirar também, toco cheiro, cheiro toco. Disse Gita sorrindo e abrindo o porta-luvas pegando o pino de cocaína.

— Cheirei pra caralho com o Adriano hoje, mas dou uns tiros com você já é.

— Fechou, xô fazer uma carreirinha aqui pra gente. Disse Gita virando o violão de costas.

— Entendi o porquê do violão agora, Raul e Legião ficou pra segundo plano né! Disse Lídio sorrindo.

— Daqui a pouco daqui a pouco gato, é só uns tiro aqui rapidinho, depois eu toco uma pra você. Disse Gita já dando a primeira cheirada.

— Cheiradão hein, tu é igual o Adriano! Disse Lídio sobre a cheirada com vontade de Gita.

— Ele gosta né?! Disse Gita com o nariz branco.

— Ô se gosta, ele cheirava até esse violão!

— Cheira aí você agora gato.

— Certo. Disse Lídio cheirando.

— Xô dá mais um tapa aí. Disse Gita rapando o pó do violão para fazer outra carreirinha.

— Cheira pra caralho, vou chamar o Adriano pra te acompanhar!

Disse Lídio sorrindo.

— Me aguenta não gato, tem que chamar o Adriano é!

— Que isso gata, aguento sim, que porra de chamar Adriano, Adriano é viado.

— Então vem cheirar aqui ó! Disse Gita tirando a blusa, rapando o pó do violão com o cartão de crédito e colocando entre seus seios.

— Caralho... Tu é loca mesmo!

— Dá conta gato? Disse Gita atiçando Lídio.

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— Claro que dou! “Eu vou ficar... Ficar com certeza maluco beleza.” Cantou Lídio a música “Maluco beleza” de Raul Seixas.

— Então fica maluco vem, cheira, lambe, chupa, me beija. Assim...

Vai, vai... Isso... Hum...! Gita gemendo.

Lídio tirou short de Gita e começou a fazer sexo oral nela, depois ela foi fazer sexo oral nele.

(41)

Domingo à noite, fim de festa

Quando eles iam começar a transar Adriano bate no vidro do carro:

— Lídio Lídio abri a porta porra, sujou sujou.

— Que foi porra! Disse Lídio.

— Abri caralho, porra. Disse Adriano.

— Peraí Lídio, xô me vestir porra! Disse Gita.

— Anda porra, polícia vai bater aqui daqui a pouco caralho. Disse Adriano.

— Por quê?! Disse Lídio abrindo a porta.

— O que ouve Adriano? Disse Gita.

— Encontraram uma garota morta atrás da casa e chamaram a polícia. Disse Adriano.

— Nossa que horror! Quem era a garota? Disse Gita.

— Sei lá, conheço não, pega teu carro e vaza também, porra, gostosa pra caralho hein Gita! Disse Adriano reparando em Gita vestindo a roupa.

— Vai se fuder Adriano, fui... Se cuida Lídio. Disse Gita ligando o carro e indo embora.

— Tu comeu ela mané? Disse Adriano andando apressado com Lídio em direção a seus respectivos carros.

— Não né porra, tu é um empata foda do caralho! Disse Lídio.

— Porra nenhuma, tu não comeu porque tu é viadin mesmo.

— Tomar no cu porra! Cadê a Kika?

— Sei lá da Kika, deve ter vazado já, tá geral vazando, bora porra pega teu carro e me segue caralho.

Eles e outros participantes da festa saíram do Sítio-mansão pela estrada de chão em um verdadeiro comboio de fugitivos, quando chegaram ao asfalto começaram a se dispersarem cada um pegando sua via, seu caminho de casa, Adriano e Lídio como iam pelo mesmo caminho, quase que para o mesmo endereço, continuaram seguindo um ao outro, Adriano provocava Lídio, ligando o pisca alerta o chamando para um racha, Lídio por sua vez com sua CNH provisória obtida agora aos dezesseis anos, não deixou barato acelerando o carro e colando na traseira de Adriano, logo que os carros emparelharam o racha começou.

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O acidente

Eles mantêm o emparelhamento dos carros por boa parte de uma via, Adriano mais “experiente” fica fazendo pequenas manobras para cima do carro de Lídio, assustando o jovem, Lídio em seu momento de revide tentando imitar Adriano, fez uma manobra brusca, batendo o seu carro na lateral do carro de Adriano que perdeu o controle subiu na calçada, invadiu uma parada de ônibus e atropelou um casal que esperava um ônibus. Lídio vendo toda aquela cena do carro invadindo a parada e atropelando o casal, não parou, só olhava pelo retrovisor e exclamava dizendo “Eita porra, eita porra, caralho… Fudeu maluco!” E seguiu em frente, não teve coragem de voltar, foi para casa.

Mesmo com o Airbag acionado Adriano consegue sair do carro, pegar o celular, a carteira e sair correndo desnorteado antes da aglomeração de pessoas que poderiam linchá-lo, ele corre até um determinado comércio pouco movimentado só para obter localização no celular para chamar um Uber, o Uber o deixa na porta de casa, ele entra, mas, não consegue despistar sua mãe que logo viu o seu estado e o interrogou:

— O que foi Adriano, o que aconteceu garoto, cadê seu carro rapaz? Disse Laura Cortez Fontes, 50 anos, promotora de justiça, biotipo mesomorfo, branca.

— Nada não mãe, eu vim de Uber, porque tô bebo, tá vendo não.

Disse Adriano andando pela casa sendo seguido por Laura.

— Como nada Adriano, você não é de largar seu carro em lugar nenhum, quer enganar quem com essa história mal contada rapaz!

— Fiz merda mãe, fiz merda dona Laura, tô fudido, fudidão.

— Que merda você fez menino? Disse Laura já agitada.

— Já era mãe, já era, tô fudidão, fudido pra caralho!

— Para com esses palavrões Adriano e fala logo o que aconteceu.

— Eu tava vindo pra cá e perdi o controle do carro e bati numa parada de ônibus.

— Como é que é, agora e aí?!

— Sim agora, e aí que tinha gente na parada e eu acho que as matei.

— Meu Deus do céu que história é essa Adriano, você tentou socorre-las pelo menos?! Disse Laura aflita.

— Não né mãe, tu acha que se eu tivesse socorrendo alguém eu

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doido, pedi um Uber perto de uma padaria e vim pra cá, tô fudido se essas pessoas tiverem morrido.

— Meu Deus meu filho, nem fale isso, e bêbado ainda por cima rapaz, cheiro forte de álcool, ninguém te seguiu não? Eu vou ligar pro seu pai.

— E daí se alguém me seguiu dona Laura, pela placa do carro a polícia vai bater aqui, e também tem câmeras pra tudo quanto é lado nessa porra dessa cidade, adianta ligar pro pai não, eu tenho é que fugir daqui isso sim.

— Que fugir o quê rapaz, eu vou ligar pro doutor Samuel também e a gente vai resolver essa situação, criar um álibi pra você, sei lá, você tava fugindo de um assalto, uma tentativa de seqüestro e perdeu o controle do carro e invadiu a parada, vamos provar que isso foi uma fatalidade, esquenta não. Disse Laura na paranóia, no amor incondicional de mãe.

— Ah mãe, esquece, só se o assaltante sequestrador que eu tava fugindo for o Lídio, tem jeito não mãe, minha vida acabou mesmo, deixa eu fugir dona Laura, deixa?! Disse Adriano começando a chorar.

— O quê que o Lídio tem a ver com isso, Adriano Adriano me conta essa história direito, fala a verdade pra eu poder te ajudar rapaz?!

Disse Laura abraçando Adriano.

Adriano contou tudo como aconteceu para sua mãe e ela fez algumas ligações conversando com ele ao mesmo tempo:

— Fazendo um racha com Lídio, cê ficou maluco Adriano, e essa garota que mataram na festa você conhece?

— Não, nem sei quem é.

— Você não usou droga não né Adriano!

— Não não, só bebi mesmo.

— Você sabe que vamos ter que responsabilizar o Lídio também né, você não pode segurar esse B.O sozinho não.

— Claro que não vou, ele vai se fuder comigo também, vazou o filho da puta roda presa, isso é que dá o DETRAN ficar liberando carteira pra menino!

— Pois é! E a Vera tava lá?

— Tava, mas foi embora cedo antes do assassinato.

— Vocês não brigaram também não né?!

— Não não. Mãe a senhora ligou pra quem? Disse Adriano disfarçando.

— Seu pai, o doutor Samuel, seu irmão e sua irmã.

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— Pra quê espalhar isso pra todo mundo, liga pra TV também vir fazer reportagem!

— A imprensa é minha preocupação mesmo, você filho de delegado e promotora de justiça, eles descobrem rapidinho porque tem policiais que informam a eles e ganham grana por uma exclusiva.

— Precisa ser policial não mãe, qualquer um que passar pelo local com um celular na mão, filma as vítimas, filma meu carro, filma a placa e posta e a notícia corre na velocidade da luz nessa porra, tô fudido mesmo!

— Calma, seu pai já tá vindo aí junto com o doutor Samuel e vamos reverter essa situação, vamos tornar isso aí um acidente, uma fatalidade, fica tranquilo.

— Reverter como dona Laura, a notícia depois que corre fode quem quiser, e a minha vai ser assim, “Filho de delegado e promotora pública mata no trânsito.” Sei nem quantas pessoas atropelei, duas ou mais, sei lá, com essas novas leis vou pegar uma cana longa.

— Deus me livre, nem me fale, que pesadelo é esse meu Deus, meu filho você também sabendo das novas leis foi fazer racha Adriano, que cabeça a sua hein, meu Deus me ajude!

Enquanto Laura esperava seu marido, seus outros filhos e o doutor Samuel, advogado da família, Adriano deitou no seu colo e ela começou a acariciar a cabeça dele.

— Mãe, canta aquela música que eu, a Adriana e o André cantava pra senhora quando estava internada e nós querendo que a senhora voltasse pra casa logo, lembra? Disse Adriano sobre ele e seus irmãos.

— Claro que lembro, linda aquela música!

— Quando a senhora for me visitar na cadeia eu vou cantar ela pra você.

— Oh meu filho, fala isso não, vai dá tudo certo, mamãe tá aqui pra te ajudar tá bom. Disse Laura começando a chorar.

— Canta mãe a música.

Laura embargou a voz por alguns segundos, mas, conseguiu cantar a música, acariciando a cabeça de Adriano.

“Tenho às vezes vontade de ser novamente um menino, e na hora do meu desespero gritar por você, te pedir que me abrace e me leve de volta pra casa e me conte uma história bonita e me faça dormir. Só queria

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ouvir sua voz me dizendo sorrindo, aproveite o seu tempo você ainda é um menino, apesar da distância e do tempo eu não posso esconder, tudo isso eu às vezes preciso escutar de você.

Lady Laura, me leve pra casa Lady Laura, me conta uma história Lady Laura, me faça dormir Lady Laura…

Lady Laura, me leve pra casa Lady Laura, me abrace forte Lady Laura, me faça dormir Lady Laura...

Quantas vezes me sinto perdido no meio da noite, com problemas e angústias que só gente grande é que tem, me afagando os cabelos você certamente diria, amanhã de manhã você vai se sair muito bem. Quando eu criança podia chorar nos seus braços e ouvir tanta coisa bonita na minha aflição, nos momentos alegres sentado ao lado eu sorria e nas horas difíceis podia apertar sua mão.

Lady Laura, me leve pra casa Lady Laura, me conta uma história Lady Laura, me faça dormir Lady Laura…

Lady Laura, me leve pra casa Lady Laura, me abrace forte Lady Laura, me faça dormir Lady Laura...”

E Adriano adormeceu.

Paulo Fontes, 52 anos, branco, biotipo endomorfo, deixou a delegacia meio desnorteado com a notícia e foi para a casa ver o filho, chegando lá ele acordou e abraçou forte Adriano, mas, ordenou que ele tomasse um banho e pediu para Laura lhe fazer um café forte para tirar um pouco o cheiro de bebida alcóolica. Chegaram também à casa o doutor Samuel, 42 anos, e os irmãos de Adriano, André Cortez Fontes, 25 anos, policial federal e Adriana Cortez Fontes, 24 anos, advogada.

A polícia militar que chegou primeiro no local do acidente, acionou os bombeiros, fez o isolamento da área e consultou a placa do carro obtendo o nome do proprietário e o endereço do mesmo. Um dos policiais reconheceu o sobrenome de Adriano como sendo filho do delegado daquele setor, o doutor Paulo Fontes, o endereço também ajudou o policial a ter certeza. Ele entrou em contato com a delegacia e foi informado que o delegado Paulo Fontes havia saído, a ligação foi passada para o agente Cardoso que assumiu o comando da delegacia, então, o policial militar explicou a situação e Cardoso, 35 anos, juntou uma coisa

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com a outra e entendeu o porquê do delegado Paulo deixa-lo no comando da delegacia sem muita explicação. Cardoso prontamente formou uma equipe para ir até a casa do amigo delegado já que esse não atendia o telefone, ele queria dá um apoio a Paulo e acompanhar a ação da polícia militar que já tinha mandado uma guarnição para lá.

A polícia militar chegou a casa de Adriano e foi recebida pelo delegado Paulo Fontes no portão, mas, ninguém entrou na casa. No interior da casa permanecia Adriano recebendo orientação do doutor Samuel, de Adriana, sua irmã advogada e da sua própria mãe, Laura, promotora de justiça, naquele momento todos estavam cientes que Adriano havia feito duas vítimas fatais na parada de ônibus. André, irmão de Adriano e policial federal, acompanhava o pai fora da casa junto aos policiais militares. Alguns policiais militares afastados do portão da casa conversavam sobre o ocorrido:

— O mulequi tá fudido, o delegado tá ali tentando crescer pra cima do Tenente que não tá aliviando não. Disse o policial militar 1

— Todo errado o mulequi e o pai defendendo, mas o Tenente Justino é foda, ó lá ó! Disse o policial militar 2

— Tem que aliviar mesmo não, o playboy tava fazendo racha, tem que se fuder mesmo, devia tá bêbado, drogado e o caralho, matou duas pessoas e agora tá se escondendo dentro de casa com o papai delegado vigiando o portão, mas a imprensa tá chegando aí ó, pra fuder com o delegado. Disse o policial militar 3

— Passei lá no local e vi o estrago na parada, tá feia a coisa, o carro imprensou as vítimas, fui até eu que dei o toque pra uma colega minha da imprensa, ela é aroeira, vai questionar o delegado por que ele tá escondendo o filho dentro de casa. Disse o policial militar 4

— Tá comendo a repórter né sacana?! Disse o policial militar 1 ao policial militar 4

— Tô não, é só amiga só. Disse o policial militar 4

— Mas agora ela vai te dá, depois de um furo desse que você deu pra ela, ela vai te dá o furo também! Disse o policial militar 1 e houve risos entre os policiais.

— O playboy vai cair bonito no Dolosão, não vai demorar muito não! Disse o policial militar 5

— O playboy faz direito, pensando que ia fuder os outros com a lei, é a lei que vai fuder o otário mané! Disse o policial militar 6

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— Quero que ele se foda todinho, na frente do delegado a gente lamenta, mas aqui entre nós eu quero que ele se foda no Dolosão. Disse o policial militar 7

— Ó lá, a repórter do Cabo chegou. Disse o policial militar 2

— Minha repórter não! Disse o policial militar 4

— Gostosa ela hein! Disse o policial militar 1

— Ela vai entrevistar o Tenente ó. Disse o policial militar 5

— Boa noite Tenente, explica pra gente essa situação aqui da polícia militar com o delegado da décima quarta DP no Leblon, o doutor Paulo? Disse a repórter Cristina Lagarta, 23 anos, conhecida como Lagarta de fogo.

— Boa noite, bom, nós recebemos um chamado de apoio a uma guarnição que estava no local do acidente, chegando lá constatamos que um veículo tinha invadido uma parada de ônibus e atropelado duas pessoas, as vitimando, então, a minha guarnição consultou a placa do veículo e obtemos o endereço do condutor, chegando aqui nesse endereço é a casa do delegado Paulo Fontes da décima quarta e o condutor do veículo e o filho dele, Adriano Fontes, nós viemos para efetuar a prisão em fragrante do autor, mas o delegado mantém o filho dentro da residência alegando que o caso agora é de competência da polícia civil e o Adriano se apresentará na delegacia, agora quando eu não sei. Disse o Tenente Justino, 43 anos, biotipo endomorfo, negro.

“Então, de acordo com o Tenente Justino o condutor do veículo, Adriano Fontes, é filho do delegado Paulo Fontes, delegado da décima quarta DP no Leblon, Adriano que atropelou e matou duas pessoas, se encontra no interior da residência nesse momento, vamos tentar falar com o delegado Paulo Fontes para saber por que ele mantém o filho lá dentro.”

Disse a repórter Cristina Lagarta para a câmera da TV.

— Olha a repórter indo atrás do delegado. Disse o policial militar 3

“Delegado, delegado! O senhor poderia falar com a gente?” Disse Cristina Lagarta, biotipo mesomorfo, branca.

— Ó o delegado entrando! Disse o policial militar 6

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“Bom, como vocês viram, o delegado não quis falar com a gente, entrou pra dentro de casa e fechou o portão na cara da nossa equipe.”

Disse a repórter Lagarta de fogo para a câmera da TV.

— Aí, falei que ela é aroeira, botou o delegado pra correr! Disse o policial militar 4

— A bicha é muito é gostosa, olha só que bunda! Disse o policial militar 5

— Tu não comeu essa repórter ainda não Cabo?! Disse o policial militar 3

— Comi nada, ela é só amiga, eu quero é minha grana pela informação do acidente, já é minha cerveja do fim de semana. Disse o policial militar 4

— Vai pagar cerveja pra gente? Disse o policial militar 7

— Ué pago, se tua folga bater com a minha a gente bebe todas!

Disse o policial militar 4

— Tenente quem é aquele que tava junto com o delegado no portão e foi pra dentro também quando a repórter foi lá? Disse o policial 7 ao Tenente Justino.

— É o filho dele mais velho, policial federal, tranquilão o cara, nem parece que tem autoridade, chegou até dizer pra mim que tava com vergonha dessa situação toda, do irmão, o pai que é cri cri, quer defender o filho matador a qualquer custo. Disse o Tenente Justino.

Uma guarnição da polícia civil chega sob o comando do agente Cardoso, André, irmão de Adriano e policial federal abri o portão e uma viatura entra, uma outra viatura da polícia civil fica do lado de fora. A repórter Cristina Lagarta ainda tenta falar com André, mas, ele não quis dá entrevista e fecha o portão. O delegado Paulo Fontes pergunta ao agente Cardoso:

— Ó Cardoso, quem ficou no comando da delegacia?

— Deixei o Torres. Disse Cardoso.

— Porra Cardoso, o Torres, aquele porra loca! Disse o delegado Paulo sobre o agente Torres, 26 anos.

Não demora muito e o portão é aberto novamente e a viatura da polícia civil sai, sendo seguida pela outra viatura que estava do lado de fora, também sai da casa os carros do delegado Paulo, do advogado Samuel, do policial federal André, e da advogada Adriana, irmã de

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Adriano, a promotora de justiça Laura Cortez está no carro do marido juntamente com o filho Adriano. Sob o comando do Tenente Justino as viaturas da polícia militar também seguem o comboio, o Tenente Justino queria fazer o boletim de ocorrência juntamente com os demais policiais militares, eles iam relatar tudo que viram e ouviram no local do acidente.

A repórter Cristina Lagarta e sua equipe, claro, também foram atrás do comboio.

Na delegacia o Tenente Justino e os policiais militares fazem o boletim de ocorrência, o escrivão digita e o delegado Paulo Fontes conferi. As testemunhas que estavam no local do acidente na hora também fazem o B.O. Adriano ficou em uma sala reservada junto com o advogado Samuel, sua mãe Laura, seu irmão André e sua irmã Adriana esperando ser “ouvido” por último pelo delegado, seu pai.

As testemunhas disseram que viram dois carros em prática suspeita de racha e que um fugiu do local sem prestar socorro assim que o outro carro invadiu a parada de ônibus atropelando e matando duas pessoas. Os policiais disseram que haviam latinhas de cervejas e cocaína no interior do veículo, eles apresentaram esses elementos no balcão da delegacia, e para reforçar o que disseram as testemunhas sobre a prática de racha, os policiais disseram que o velocímetro do carro travou em 140 Km.

— Eu vou aguardar o resultado da perícia que já está no local, positivo. Disse o delegado Paulo Fontes aos policiais militares.

— Se fosse em outra situação o senhor de pronto aceitaria nosso testemunho né delegado e enquadraria o autor de imediato! Alfinetou o Tenente Justino.

— Tenente, faz o teu que eu faço o meu, correto. Disse o delegado Paulo.

O delegado passou a madrugada ouvindo policiais militares e todas as testemunhas, depois liberou todo mundo e amanhecendo o dia Paulo Fontes entregou o plantão e foi para casa com sua família, levando inclusive Adriano que não foi levado para fazer o exame toxicológico.

O exame toxicológico é fundamental para um inquérito pericial e policial, pois, comprova se o examinado fez uso de bebidas alcoólicas ou entorpecentes.

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A repórter Cristina Lagarta novamente não conseguiu falar com o delegado nem com Adriano, mas, entrevistou testemunhas e policiais militares e tudo passará no telejornal.

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Capítulo 2 Sábado, casa da Vera

A festa dos alunos da faculdade no Sítio-mansão rolava desde sábado, mas, Vera Paz não foi, ela só foi no domingo de manhã, pois estava arrumando seu quarto e organizando seus materiais de estudo no sábado de manhã.

— Filha... Vem almoçar. Disse Aparecida Quirina Paz, mãe de Vera.

— Já tô indo Mainha. Disse Vera terminando de arrumar seu quarto.

— Eu já vou é comer que eu tô com fome. Disse Milton Paz, pai de Vera.

— Espera a menina Milton! Disse Aparecida, dona de casa, 44 anos, biotipo endomorfo, morena marrom.

— Eu não, quando ela entra nesse quarto pra estudar parece que quer sair de lá já formada com doutorado e tudo! Disse Milton Paz, 47 anos, biotipo endomorfo, moreno marrom, dono do Supermercado PAZ.

— Ela não tá estudando não rapaz, tá só organizando as coisas pra faculdade. Disse Dona Aparecida.

— Cheguei, tô brocada de fome, deixa um pouco pra mim Painho!

Disse Vera.

— Taí seu bocão, ela veio almoçar na hora certa, você que é mal- educado e não espera ninguém! Disse Dona Aparecida.

— Come aí Cida também vai, pra manter sua boca ocupada, fala demais mulher. Disse Seu Milton.

— Filha, você não quer ir com a gente amanhã na igreja não? Disse Dona Aparecida.

— Vou não Mainha, amanhã vou na festa da faculdade, era pra eu ir hoje, mas, tinha uns negócios pra organizar, arrumar meu quarto e preferi ficar.

— Pois é, os irmãos tudo pergunta por você, querendo saber quando você vai visitar a igreja de novo. Disse Dona Aparecida.

— Sei, a senhora quer é me empurrar pra cima de um irmão desses aí pra eu casar, diabo de uns irmãos tudo subindo pelas paredes, dá até medo da cede deles pra fazer sexo logo depois do casamento! Disse Vera e houve silêncio na mesa, Aparecida regalou os olhos, mas logo replicou.

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— Mas, qualquer um deles é melhor pra você do que o Adriano.

— Mas que implicância com o Adriano Mainha, faz o que o Pain falou, coma vá, pra manter a boca ocupada e deixe minha vida poxa!

— Mas minha filha, vocês vivem brigando, ele é muito menino pra você, muito mimado, você precisa de alguém maduro. Disse Aparecida.

— A senhora quer me empurrar um véi agora da sua igreja é, diabo que eu quero com véi, já disse, dos novinhos de lá eu já tenho medo, imagine dos véi tudo tarado! Disse Vera.

— Tarados não, são homens de Deus, sábios, e não um farrista igual o Adriano! Disse Aparecida.

— Adriano é muito cabeça viu, é inteligente pra caramba, vai ser um bom advogado. Disse Vera.

— Cabeça, só se for o cabeção que ele tem, porque sabedoria eu não vejo nada ali! Disse Aparecida.

— Tá bom Mainha, tá bom, coma vá!

— Filha, o que ouve com seu carro? Disse Milton mudando de assunto.

— Ah Painho, eu já ia falar com o senhor mesmo, o carro quebrou e eu queria usar o seu amanhã, eu deixo vocês de manhã na igreja e vou pra festa da faculdade e a noitezinha eu volto e pego vocês, pode ser?!

— Claro minha filha, pode sim, mas segunda feira a gente tem que ver o problema desse carro aí tá bom.

— Sim Pain, faz isso por mim... Por isso que eu te amo! Disse Vera abraçando e beijando seu pai.

— E eu não ganho beijo não é?! Disse Aparecida.

— Ganha sim ciumenta, mas para de querer me casar com os irmãos da igreja que eu já tenho namorado visse. Disse Vera sorrindo, abraçando e beijando sua mãe.

— Tem é que orar pra Deus abrir seus olhos. Resmunga Aparecida.

— Cida... Pelo amor de Deus, para de ser chata mulher! Deixe Vera viver a vida dela rapaz, dá vontade até de voltar a beber nessa merda.

Disse Milton.

— Vá, volte a beber pra tu ver se tu não vai pro inferno viu! Disse Aparecida.

— Bom, você não indo encher meu saco eu vou ter paz lá. Disse Milton.

— Parou, parou, pode parar os dois com essa briga aí, ora essa, amanhã vocês vão pra igreja falar com Deus e ficam aí brigando, Mainha abraça Pain, Painho abraça Mainha, vá anda logo vocês dois!

— Eu vou lá abraçar esse bicho véi grosso! Disse Aparecida.

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