Vera passou a madrugada toda com o Nogueira esperando a perícia e o IML recolher os corpos de seus pais. No IML ela fez o reconhecimento formal e depois foi para casa. No dia seguinte, segunda feira, Vera liga novamente para Adriano, mas, ele não atende, então, ela liga para Laura, essa atende: ontem à noite e o carro que atropelou é do Adriano, e a polícia disse pra mim que o motorista era o Adriano.
— Como é Vera, que história é essa minha filha, seus pais morreram ontem?
— Morreram atropelados numa parada de ônibus e foi o Adriano que os atropelou fazendo racha que já tô sabendo.
— Meu Deus do céu, eram seus pais na parada de ônibus ontem?
Tô em choque aqui, deixa eu sentar que minhas pernas estão tremendo.
— Em choque tô eu dona Laura, e nem perna eu tenho mais pra tremer!
— Que cruel coincidência minha filha, que fatalidade meu Deus!
Disse Laura chocada.
— Fatalidade não dona Laura, assassinato mesmo, intenção de matar, o Adriano tava bebo, todo doidão ontem, me traiu, brigou comigo, eu fui embora da festa e ele ficou lá bebendo mais e se drogando, pra depois sair dirigindo aí feito louco e matar os outros, no caso Painho e Mainha que sairam da igreja e foram pegar um ônibus naquela parada, agora eles estão mortos, mas o Adriano vai pagar por isso dona Laura, pode ter certeza. Disse Vera chorando.
— Oh minha filha, eu sinto muito por seus pais de verdade! Essa história me pegou de surpresa, que coincidência trágica, o Adriano já tá abatido, em choque, por ter vitimado essas duas pessoas, agora quando ele souber que foram seus pais, ele vai ficar louco, assim como eu tô sem chão desde ontem e agora com essa sua história, sua perda irreparável,
sentimentos minha filha, que Deus te conforte, te dê forças nesse momento tão triste, pode contar comigo pra qualquer coisa tá bom.
— Agradeço dona Laura suas palavras, seus sentimentos, sua preocupação, mas depois que eu velar e enterrar meus pais, com certeza eu vou correr atrás de justiça e isso vai atingir diretamente a senhora, porque o Adriano vai ter que se fuder, se lenhar todinho na cadeia. Disse a baiana Vera.
— Entendo sua dor minha filha, você tem todo o direito de procurar a justiça, e ela tá aí pra julgar e decidir a sentença.
— Na verdade dona Laura o Adriano já devia está preso, mas o policial me disse que ele foi pra delegacia do pai dele, e cadê ele, a senhora disse que ele tava com o Seu Paulo, mas ele não tá na delegacia que eu já sei, nem Seu Paulo que é o delegado tá lá, então vocês tão escondendo o Adriano, vocês são da lei, conhece a lei, mas não estão acima da lei viu, se vocês não me aparecerem com o Adriano eu vou denunciar vocês pro Ministério Público, sinto muito, mas eu vou dona Laura.
— Esfria a cabeça Verinha, eu vou te dá todo apoio necessário, o Adriano vai se apresentar à justiça, pode ter certeza. E você já marcou o velório de seus pais?
— Ainda não, tô esperando a liberação dos corpos pelo IML, e é bom que o Adriano se apresente logo a justiça porque depois do enterro eu vou atrás de justiça.
— Ele vai se apresentar, pode ficar tranquila, e quando você marcar o velório me avisa que eu quero ir tá bom.
— Tá bom aviso sim.
— Obrigada minha filha, qualquer coisa que precisar me liga tá bom!
— Tá bom. Disse Vera secamente.
— Beijo, fica com Deus minha filha. Disse Laura e Vera desligou o telefone.
— Quem era mãe no telefone? Disse Adriano vindo do quarto.
— Uma amiga minha.
— E a senhora tá chorando por que?
— Nada não. Disse Laura não segurando o choro e chorando ainda mais.
— Que foi mãe? Disse Adriano abraçando Laura.
— Conseguiu dormir filho? Disse Laura disfarçando.
— Consegui nada, quando eu começava a dormir vinha as cenas do acidente na minha cabeça, aí eu acordava, tô é com uma dor de cabeça chata.
— Vou te dá um comprimido aqui peraí.
— Vera me ligou ontem de madrugada, tem várias ligações aqui, será que ela sabe o que aconteceu comigo?
— Se não souber, vai saber por que a notícia já tá nas redes sociais a essa altura e vai passar nos telejornais também com certeza.
— Essas porras de redes sociais é foda mesmo, eu vou ligar pra Vera pra ver se ela já sabe e pedir pra ela ir me visitar na prisão. Disse Adriano esboçando uma brincadeira.
— Para de falar besteira Adriano, e é melhor você não ligar pra ela agora não que ela perdeu os pais dela ontem.
— O quê, perdeu os pais dela, como assim?
— Ué, eles morreram Adriano.
— Oxe, ontem, como é que a senhora sabe?
— Ela me contou.
— Quando?
— Agora no telefone, era ela.
— Caralho, é por isso que a senhora tá chorando então?!
— Também.
— Puta que o pariu, então era por isso que ela tava me ligando, eles morreram como, de quê?
— Atropelados.
— Seu Milton e Dona Aparecida atropelados, aonde?!
— Pois é, atropelados.
— Porra, a minha vida e a vida da Vera acabou de uma só vez assim no mesmo dia, porque os pais dela era tudo pra ela!
— Oh meu filho, se você soubesse! Disse Laura voltando a chorar.
— Soubesse o quê, e esse choro de novo, tá acontecendo o quê?
— As coincidências Adriano, não percebeu não, os pais dela
— Caralho, caralho, caralho, puta merda, porra... Não acredito não, Seu Milton e Dona Aparecida naquela parada, e agora mãe?!
— Não sei meu filho não sei. Meu Deus me ajude!
— Não fala assim, vai dá tudo certo, tenha fé, nos vamos fazer uma boa defesa pra você, doutor Samuel é um dos melhores advogados do Rio de Janeiro.
Adriano saiu andando pela casa desnorteado batendo a mão na cabeça e Vera ligou bem na hora, então, ele foi para o quintal atender escondido, não ouvindo o conselho de sua mãe.
— Alô, Vera!
— Sou mesma seu filho da puta, até que enfim atendeu a porra desse celular né seu assassino escroto canalha do caralho!
— Espera Vera, me escuta, eu não tive culpa não, não sabia que eram seus pais na parada, soube agora que minha mãe contou.
— Mesmo que não fosse Mainha e Painho você matou duas pessoas seu desgraçado da miséria.
— Foi um acidente meu amor, acredite em mim, não tive culpa não.
— Acidente é o caralho seu filho de puta, você tava fazendo racha querendo ser o fodão, é bem sua cara isso seu escroto, mas você vai pagar bem caro por isso, seu moleque, seu merda.
— Calma amor, eu vou provar pra você que foi um acidente!
— Não me chame de amor não sua miséria, acidente ou não você matou Mainha e Pain e nada vai trazer eles de volta seu filho da puta, sua mãe nem merece ser xingada desse jeito, mas você sim seu bosta.
— Eu não queria matar ninguém, muito menos seus pais, eu fui fechado e perdi o controle do carro. Disse Adriano chorando.
— E quem te fechou seu puto?!
— O seu queridinho!
— Que queridinho?
— O Lídio aquele filho da puta que nem parou pra ajudar a socorrer as vítimas.
— O Lídio!
— Sim, o Lídio, o seu “Lidinho”.
— Mas ele disse que ia embora também quando eu falei que ia embora.
— Ele ficou na festa até acontecer um feminicídio, aí todo mundo vazou antes da polícia chegar.
— Que feminicídio?
— Mataram uma garota atrás na mansão.
— Que horror, não foi tu também não seu assassino?!
— Que eu o quê Vera, sou assassino não.
— Bom, aí você fugiu da mansão e foi praticar racha com o Lídio e matou Painho e Mainha né seu filhinho de papai escroto do caralho, mas tu vai ser preso e não vai ter papai que te livre, senão eu denuncio ele no Ministério público e vai pai e filho preso.
— Você quer fuder minha família agora é?!
— E tu não fudeu a minha seu filho da puta!
— Foi sem querer.
— Ah vai tomar no cu Adriano, a gente se vê é no tribunal onde tu vai pegar uma cana braba com essas novas leis, seu projeto de advogado frustrado do caralho, tu vai se fuder seu filho da puta! Disse Vera desligando o celular.
Depois que Vera desligou o telefone não demorou muito e a corregedoria da polícia civil chegou à casa de Adriano.