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BRASÕES DE SINTRA
io8 Brasões
querque seus predecessores, carregou o seu escudo de oiro liso
com um
cas- telo de vermelho, alusivo ao senhorio.O
brasão usado pelos descendentes de D. Teresa Martins e de D. Afonso Sanches será descrito no artigo dos Albuquerques.De
D. João Afonso, 2." senhor de Alburquerque e alferesmor
de D. Afonso III, foi filho segundo,como
já fica dito, D. Gonçalo Anes Raposo.Este, na qualidade de rico
homem
de Castela, confirmou as cartas de privi- légios de várias cidades nos anos de 1284. 85 e 86.De
sua mulher, D. Ur- racaFernandes de Limia, teve a D. AfonsoMartins Telo, único de seus filhosem
cujos descendentes se continuou a geração masculina dos Meneses.Este D. Afonso Martins Telo, rico
homem
de Castela e depois de Por- tugal, onde foi alcaide deMarvão
(1) e onde se encontram memórias suas nos anos de i3i7, 18, 21 e 22, seguiu o bando*do infante D. Afonso contrael rei D. Denis e foi
um
dos ricos homens, queem
Pombal, juntamentecom
o Infante, juraram as pazes
em
princípios deMaio
de i322.Em
Portugal casoucom
D. Berenguela Lourenço, filha do ricohomem
D. Lourenço Soa- res de Valadares, senhor de Tangil e fronteiro de Entre Doiro e Minho.O
seu filho primogénito chamou-se D.Martim
Afonso Telo e foi progenitor dos Meneses das casas de Marialva e Louriçal,como
indicarei no cap. iii.O
segundogénito foi D. JoãoAfonso Telo, i.° conde deOurem
e progenitordos Meneses das casas de Vila Rial e Tarouca,
como
referirei no cap. iv.Tem
sido matéria de discussão qual das linhas é a primogénita, se a de Marialva, se a de Vila Rial;mas
não deve restar dúvida.A
casa deMa-
rialva tem por si o Livro Velho das Linhagens, e os Nobiliários do conde D. Pedro, Xisto Tavares, D. António de
Lima
e outros.III
CASAS DE MARIALVA E LOURIÇAL
D.
Martim
Afonso Telo, filho primogénito de D. Afonso Martins Telo, foi ricohomem,
amante emordomo mor
da rainha de Castela D. Maria de Portugal, mulher de Afonso XI, e a seus pés, salpicando-acom
seu sangue, recebeu a morteem
Toro, a 25 de.Janeiro de i356, àsmãos
dos sicários de D. Pedro I, filho da sua própria amante. Tinha casadoem
Portugalcom
(1) AfonsoMartins Telo, meuvassalo, alcaidedomeucastelodeMarvão, vejatrêsvezes no anocomo estão bastecidos e manteudos os castelos de Portalegre, daVide, de Arron- ches e de Monforte. Santarém, 25 de Janeiro de i359 (iSai).
—
Liv. 3.°da Chancelaria de D.Denis, fl. i3^.Meneses 109
D. Aldonça de Vasconcelos, filhaherdeira do infanção JoaneMendes
deVas- concelos. Dela teve quatro filhos;i.°
—
D. João Afonso Telo. Foi alcaidemor
de Lisboaem
1872 e almi- rante de Portugal pelos anos de 1375(1).Com
o almirantadocomeçou
a gozar do título de dom,como
se vê da carta de 23 deMaio
de 1414 {i3j6) pela qual foi feita doação das terras deMafamude,
Laborim e Lavadores adom
João Afonso Telo, almirante (2). Continuou ele,como
consta devários documentos (3), exercendo aquele ofício nos anos seguintes até ao de i38o, no qual, por carta de õ deJulho, lhe forammandados
guardar osprivilégiosdo almirantado (4); não sei porém, se ainda o conservou por muito tempo.
Na
carta de 27 deJaneiro de i382, de doação da terra da Feira e outras não aparececom
o título de almirante (5),com
o qual se torna a encontrar Lan-(i) Para fixar esta data tenho estas indicações.
—
Por carta de 29 de Junho de 1410 (1372),foram confirmados osprivilégios dos almirantes aLançarote Pessanha (Aires deSá, Frei Gonçalo Velho, II, 552,doe. 740), e maisnenhum documento a ele respeitante encon- trou nos tempos seguinteso conscienciosoe indefesso investigador citado.Em
8deJulhode 1413 (1375) já Lançarote Pessanhaestava incurso no desagrado deD.Fernando, que lhe confiscara Odemira. É evidente que já entãonão devia possuir o almirantado.
Em
i de Maio de 1412 (1J74) ainda João Afonso Telo não era almirante; pelo menos sem o título aparece numa carta daquela data de doação de certos bens {Livro ifi de D. Feriiando,fl. 141 v.).
Com
ele contudo o encontroem duascartas dadasem Santarém a i5 de Abril de 1414 (1376), e pelas quais selhe doaramvárias terras (Ibid.^fl. 192).(2) Chancelaria de D. Fernando,liv. i.», fl. 172v.
(3)
Km
1376, no mês de Julho, a 17, entrega do castelo de Monsanto, e a 19, doação dasterrasde VilasboaseVilarelhos; em 1377, a19deNovembro, doaçãodasterrasdePaçose outrasnojulgado daFeira; e em 1379, a20 de Março,*doaçãodas rendas daalcaidaria de Lisboa
—
Chancelariacit., liv. 1.°,fl. 195v.,e liv. 2.%fls. 23 e 65v..(4) Chancelaria deD. Fernando, liv. 2.°,fl.66v.;Aires deSá, ob.cit., pág.557,doe. 742.
(5) Chancelaria de D. Fernando, liv. 3.",fl. 59v.
—
Mais algunsdocumentos,ainda não apontados,relativos ao6.°conde deBarcelos, D.JoãoAfonsoTelo,irmão da rainhaD.Leo- nor: a João Afonso Telo, nossovassalo, doação das terras de SantaMaria em a terra da Feira, Cabanões, Ovare Cambra, Coimbra, 10de Fevereiro de 1410 (1372); doaçãodo cas- telo de Lisboa,Leiria, 22 de Outubro de 1410 (1372).A
D. JoãoAfonso Telo,doação dos bens de Álvaro Vicente, Salvaterra, i deMaio de 141 2 (1374).A
João AfonsoTelo, almi- rante,nosso vassalo,doaçãodas terras daBemposta, PenarroivTS e outras, Santarém, i5 de Abril de 1414 (1376); doação das terras de Samodães, Ribeira de Gondim, etc, na mesmadata; doação do castelo de Monsanto, Alenquer, 17 de Julho de 1414 (1376).
A
D.João AfonsoTelo, conde deBarcelos, nossovassalo,doaçãodasfreguesiasdeRebordões, S-Mar- tinho do Campo, Santa Maria de Negrelos, Santo Isidro, Virãos, Santiago, e S. Salvador, que sohiam ser dojulgado deRefoios, e dafreguesia deSanguinhedo, queforadajurisdição de Aguiar de Pena, que todas haviam sido doadas aoInfante D. João, sendo apartadas das suas antigas jurisdições, e depois haviam pertencido à infanta D. Beatriz, e agora mandael Rei que tornem às suas antigas jurisdições e que pertençam ao Conde, senhor destas.
Dada em Almadaa 26 deJunhode 1421 (i383). Ao Conde de Barcelos, nossovassalo,
em
1 1o Brasões
çarote Pessanha
numa
carta de 20 de Setembro de i383 (1).Na
referida carta de 27 de Janeiro de i382 já aparece intitulado conde de Barcelos (2), havendo sucedido no condado por morte de seu tio D. João Afonso Telo, conde deOurém
e Barcelos. Seguiu o partido do invasor, queem
Setem- bro de 1384 o criou conde deMayorga em
Castela.Morreu
na batalha de Aljubarrota, a 14 de Agosto de i385, e foi o único dos inimigos aquem
D. João I
mandou
dar sepultura, sendo esta excepção devida a êle ter acon- selhado elRei de Castela ecom
êle instado a feriro combate. Foi degénio perverso e o sócio de suairmã D. Leonorem
alguns dos seus crimes. Casoucom
D. Brites de Albuquerque e teve filhos,mas
não teve netos.2.''
—
D. Gonçalo Teles, conde de Neiva, aquem me
tornarei a referir.3.°
—
D. MariaTeles, mulherde Álvaro Dias de Sousa, senhor de Mafra, Ericeira e outros lugares, e depois do infante D. João, filho de D. Inês de Castro.É
a infeliz D. Maria Teles, cujo trágico fim narrei no artigo dos Eças.4.°
—
D. Leonor Teles, rainha de Portugal, mulher de D. Fernando, a Lucrécia Bórgia portuguesacomo
lhechama
Herculano. Casaracom
João Lourenço da Cunha, senhor dePombeiro, de quem, quandoD. Fernando senamorou
dela, já tinhaum
filho, Álvaro da Cunha, senhor dePombeiro
por morte de seu pai.D. Gonçalo Teles (3), conde de Neiva e senhor de Faria
em
1373 (4);Almada, a 3odo mesmomês, entregado castelo da Feira.
—
Chancelaria de D.Fernando,liv. 1.°,fls. 94V., 114, 141 V., 192, 193, 195 V.; e liv. 3.", fls.72 v., e 84. Conservou ate final a alcaidaria do castelo de Lisboa,como constadesta carta: Antão V^isques, cavaleiro, seu vassalo, doação daalcaidariado castelo deLisboa,com todosseusdireitos e rendas,como
a tinhaD.João Afonso, conde deBarcelos, salvo aquelas coisas que a elapertenciam, de que o dito Senhorfezmercêao Concelho da cidadede Lisboa. Santarém, 28 deAgosto de
J483 (i385).
—
Liv. i.odeD. João1,fl. io3.(1) Airesde Sá, Frei Gonçalo Velho, tom. it, pág. 563, doe.74^^. Na mesma colecção encontraram-se três documentos anteriores a este, dois do próprioano de i383, e um do antecedente, os quais se referem todos aoalmirante, masnão o nomeiam.
(2) Carta dareferida data passadaçm Rio Maior, nos paços que foram deRui Garcia do Casal,de doação a D.João Afonso Telo, conde deBarcelos, da terra deSanta Maria da Feira,Cabanões, Ovare terra deCambra, doação ampliada a descendentes legítimos, pois que já em suavida possuia aquelas terras. Encontra-seregistada a carta nolivro 3.° da Chancelaria de D. Fernando,fl. Sgv., coma data certa, e comela erradano liv.2.»,fl.99v.
(3) Alguns dão-lhe o apelido deMeneses,D. Gonçalo Teles deMeneses, mas é certo que com êleo não encontro em nenhum documento.
(4)
Em
1372por duas cartas, ambasde22de Outubro,foi feitadoação aGonçaloTeles da terra e castelode Neiva {Chancelaria deD.Fernando,liv, i.°,fl. 113v.).Em
i373,a 16Meneses
1 1 1destaca-se da perversidade do irmão e da irmã Leonor. Protestou energi- camente contra a morte da irmã Maria, maquinada pelos dois e
com
os seushomens
de armas perseguiu o Infante assassino. Sendo alcaidemor
de Coimbra, recusou abrir as portas dacidade àRainha sua irmã e a elRei de Castela, e pouco depois,em
Maio de i384, declarou-secom
a cidade pelo Mestre de Avis, aquem
serviu, capitaneando a armada do Porto e comba- tendo nos cercos de Alenquer e Torres Vedras. Aqui, por desconfiança do Mestre, foi presoem
Janeiro de i385, e remetido para o castelo de Évora onde permaneceu sob prisão até iSSy. Durante o cativeirofoi-lheconfiscada a casa e algunsbens doados a diversos, como, por exemplo, a terra deFaria doada, por carta dada no arraial de sobre Chaves, a i6 de Janeiro de 1424 (i386),em
troca da terra de Lanhoso, a João Fernandes Pacheco, vassalo e guardamor
de D. João I(i); e a própria terra de Neiva e Aguiar deNeiva doadas nomesmo
arraial, por carta de 24 do referidomês, a JoãoRodrigues de Sá, vassalo e camareiromor
(2).É
certoporem
que, apesar dos rigores havidos, não perdeu D. GonçaloTeles o título de conde. Encontra-se efecti-vamente
uma
cartapassadaem
S. Pedro de Gastei (Agostem), ag de Janeiro de 1424 (i386), pela qual D. João I confirmou a JoãoAfonso a doação, queem
casamento lhe fizera o «Conde D. Gonçalo», do reguengo de Arcosem
terra de Faria (3).
No
anoporem
de 1387 foi restituído à liberdade e à graça dei Rei, que por carta dada nos paços do Curvai,em
Castela, a 7 de Julho de 1425 (1387), fez doação ao conde D. Gonçalo de todas as terras edeJulho,é feita doaçãodos bens de João de Lobeiraa domGonçaloTeles, condede Neiva e senhor de Faria (Ibid.,fl. 12S).
Maisalguns documentos relativos aD. GonçaloTeles, conde de Neiva, não apontados no texto: GonçaloTeles,nosso vassalo,por muito serviço,doação por jurode herdadedo julgado de'Faria, peia guisa porque o nós orahavemos, Quiaios, 18de Novembrode 1409
(iSyi); doação daterrade Aguiar de Pena, em pagamento de suacontia, Leiria, 22 deOu- tubro de 1410(1372); doaçãodaterra de Mirandela,doalmoxarifado daTorredeMoncorvo em pagamento de sua contia, na mesma data; doação do castelo deLeiria, Leiria, 12 de Novembrode 14 10 (iSya). Aoconde D. Gonçalo, entregados castelosdeValençaeLapela, Santarém, i de Julho de 1413(iSyS); doação da terrade Vermuim, empagamento de sua contia, na mesmadata; doação deVermuim, 9 de Setembro de 1414 (iSyõ). As freirasde Vila doConde tinham outorgado a jurisdição deVila do Conde, Póvoa de Varzim, etc, a D. JoãoAfonso Telo, conde de Ourem, emsuavida; agora, depois da morte dele, fizeram doação dareferida jurisdição ao conde D. Gonçalo,e el Reiconfirma-lha, em 12 deAgosto de 1420 (i3S2).
—
ChancelariadeD.Fernando,liv. 1.°,íls.84, 114, 114, ii5v., 171, 170V.,iSBj eliv. 2.», íi.92v.,
(i) Chancelaria deD. João/, liv. 1.°,fi. i5o.
(2) Archivohistóricoportugue^,III,pág. 117, doe.uv.
(3) Chancelaria de D.João I,liv. 1.°,11. i52 v.
1 1
2 Brasões
lugares que ele havia
em
tempo dei Rei D. Fernando, posto já íôssem dados a algumas pessoas de juro e herdade, não embargando cartasnem
alvarás que sobre isso tivessem essas pessoas (i). Restituído à liberdade serviu oConde
a el Rei nocerco de Melgaço,em
i388; sobreveioporem
depois novo desacordo, visto que D. João I,em
carta de 3i de Outubro de 1429 (iSgi), declara ter confiscado aoConde
por desserviço as suas terras (2). Morreu D. Gonçalo Teles a 28 de Junho de 1408 (3).Havia ele casado, antes de 23 de Outubro de 1872 (4),
com
D. Maria Afonso de Albuquerque, filha legitimadade D. JoãoAfonso deAlburquerque, o do Ataúde, aio emordomo mor
de D. Pedro I de Castela. Sobreviveu aCondessa de Neiva muitos anos a seu marido, e ainda era viva
em
Outubro de 1429(3).Em
atenção a este casamento, e para se distinguirem dos Meneses dalinha de Vila Rial,
formaram
os descendentes doConde
de Neiva o escudo das suas armas, sobrepondo o escudete de oiro liso, armas antigas da família, ao escudo dos Albuquerques. Ficou portanto o-.seu brasão constituído pela seguinte forma: esquartelado: o I eIV
das armas do reinocom um
filetede negro sotopôsto
em
barra; o II e III de vermelho, cinco flores de lis de oiro; sobre o todo, de oiro liso. Timbre: donzela nascente de encarnação, vestida de oiro, segurando na dextra o escudete de oiro liso.De
D. Gonçalo Teles, conde de Neiva, provieram as casas dos senhores e condes de Cantanhede (6 de Agosto de 1479), rnarqueses de Marialva(n
de Junho de 1661), hoje na casa de Lafões; dos senhores da Ponte da Barca
(
(i) Chancelaria de D. João /, liv. 2.", fi. 3.
(2) Carta de doação deNeiva, Aguiar de Neiva, Darque e outros lugares, que liavia o conde D.Gonçalo, aD.Afonso, «meu filhoque se ora criaemLeiria» (Liv. 2.0deD. JoãoI, fl. 46).
E
mais claramente nacarta de 8 deNovembro de 1401 deconfirmação ao mesmoD. Afonso daquelas terras e doação doutras, diploma em que se lê: «Por quanto oconde D.Gonçalo nosdesserviu,segundo foi mostrado perantenós e julgado-porsentença, elefoi
privado das terras que haviadei reiD. Fernando, etc.»
—
Liv.y.<^> deDoações deD.JoãoIII., fl. 121,transcrita numade confirmação.(3) Memórias doCartório deS.Vicçnte de Fora citadasporGasparAlvaresdeLousada, nosseus Sumários da Torre do Tombo, tom. 11,fl. 531 mihi.
(4) Por carta desta data foilegitimada Maria Afonso, filhaque foi de D.João Afonso deAlbuquerque e mulher que agora é de Gonçalo Teles.
—
Chancelaria deD. Fernando,liv. 1.°,fl. 106V.
(5) Carta de 17 do referido mês na qual D. João I declara que «a condessaD.Maria tinha de nósem sua vida asterras de AzuraraeFão,eora pediufizéssemos mercêdasditas terras a D. Beatriz deMeneses, suaneta. nossacriada». El Rei anuiu e fez delas doação,
em
sua vida, à dita D.Beatriz, que naquele mesmoano casou com Aires Gomes daSilva, -2.°senhor de Vagos.Meneses
1 1 3e morgados de Argemil, Freiria e Canidelo, hoje na casa de Vila
Nova
de Souto dei Rei; dos senhores de Alconchel e Formoselha, marqueses de Cas- tro Fuerteem
Espanha; dos senhores domorgado
de Ponte de Sôr, casa da Flor da Murta; dos comendadores de Grândola, extintos; dos senhores deOliveira, extinta a varonia; dos condes da Ericeira (i deMarço
de 1622),marqueses de Louriçal (22 de Abril de 1740), ultimamente no
Conde
deLu- miares.Acima
ficaram descritasas armasdos descendentesdoConde
deNeiva(i);posteriormente
porem
introduziram estes Meneses, no escudete sobreposto, a sombra deum
anelcom um
rubi encastoado; e substituíram, no II e III quartel, ocampo
de vermelho porcampo
de azul, carregando-o somente de três flores de lis.O
acrescentamento do anel fundou-se na lenda referida, quecomeçou
a derramar-se no século xvii; e a modificação nos dois quar- téis foi para ostentarparentesco, que não existia,com
a casa rial de F'rança.Destas armas usaram sempre os Marqueses de Louriçal.
As
últimas armas de que usaramosMarqueses deMarialva, chefes destes Meneses, foram estas: esquartelado: o i das armas do reino; o II de ver- melho, três flores de lis de oiro {Albuquerqiies modificado); o III de verme-lho, castelo de oiro, o
campo
mantelado de pratacom
dois liôes afrontados de púrpura, armados e Hnguados de vermelho, e bordadura de escaques de oiro e veiros {Noronhas doConde
de Gijon); oIV
de oiro, cinco estrelas de vermelho (Coutinhos). Sobre o todo de oiro,um
anel de vermelhocom
sua pedra (Meneses). Coroa de marquês. Timbre: a donzela já descrita (2).A
explicação deste acrescentamento nas armas está no facto da casa de Marialva ter perdido a varonia dos Meneses na 3.* marquesa, D. Joaquina MariaMadalena da Conceição de Meneses, que casouem
17 12com
D. Diogo de Noronha, filho segundo dos 3.°^ Marqueses de Angeja. Por esta forma nas duas principais casas dos Meneses, a de Marialva e a de VilaRial, veio a varonia a ser substituida pela dos Noronhas. ,Dos
3.°*Marqueses deMarialva foi filho primogénito D. Pedro de Alcân- tara de Meneses Coutinho, 4.° marquês de Marialva e 6." conde de Canta-(i) Advirtoporem quenem todososdescendentes do Condeusaram daquelas arnnas,
semdiferença. D.Fernandode Meneses, 2."senhor de Cantanhede, mordomomordarainha D. Isabel, traziaporarmas o escudo partido: oI das quinas do reinosem a bordadura; o
IIde vermelho, cincoflores de lis de oiro; e sobreposto
um
escudete deoiro liso. Assim sepuseram na suasepultura em Vila do Conde.(2) Assim sevêem pintadas em duasfloreiras, que tenho, pertencentes ao grande ser- viço deloiçadaíndia da casa deMarialva, o qual foi vendido em leilão depois damorte do penúltimoCondede Linhares.
VOL.I i5 ?
114
Brasõesnhede, o qual, casando
com
D. Eugenia Mascarenhas, filha dos 3.°^ Condes de Óbidos, teve, alem doutros, os seguintes filhos:i."
—
D. Diogo JoséVito deMeneses Coutinho, 5.° marquês deMarialva, pai do 6.° e último Marquês, falecidoem
i823, da Duquesa de Lafões, se-nhora da casa por morte do irmão, da
Marquesa
de Loulé,mãe
do i.° Du- que, e da Marquesa de Louriçal, que faleceu viúva esem
filhos do último Marquês.2."
—
D.Manuel
José deNoronha
e Meneses, conde dos Arcos (carta de 21 deMarço
de 1769) pelo seu casamentocom
a 7.* condessa, D. Juliana Xavier de Noronha.E
este o tristemente célebreConde
dos Arcos, que morreuem
1779em
Salvaterranuma
toirada, facto queRebelo da Silvacom
a sua pena de oiro imortalizou. Foi bisavô do último
Conde
dos Arcos fa- lecidoem
1892, e do finadoConde
de VilaNova
daCerveira, e terceiro avô da 7.* Condessa de S. Miguel, mortaem
9 deDezembro
de 1898sem
deixar filhos, e da Viscondessa de Trancoso, já antes falecida,em
1874, deixandofilhos nos quais está a representação das casas dos Arcos e S. Miguel.
3."
—
D. António Luís de Meneses,marquês
de Tancos (carta de 14 de Abril de 1793) por ser casadocom
a 3.* marquesa, D.Domingas Manuel
de Noronha, 9.'^ condessa da Atalaia. Seu filho mais velho foi o último Mar- quês de Tancos (1), pai do últimoConde
da Atalaia, e avô de D. DuarteMa-
nuel de Noronha, representante da casa.
Um
dos filhos segundos dos 3.°*Marqueses de Tancos foi o i.°
Marquês
de Viana (2), pai do 2.° e último Marquês, falecidoem
1890 e aindabem
lembrado pelas suas faustuosas fes- tas nopalácio do Rato, que porcompra
passou aoMarquês
da Praia eMon-
forte. Outro dos filhos segundos foi o i.°
Conde
de Seia (despacho de i3 deMaio
de 1820),também
possuidor de avultada fortuna e deum
palácio nas pToximidades do largo doRato, na rua da Escola Politécnica, esquina da rua do Arco.Do
i.°Conde
de Seia foi filho o 2." e último Conde, o qual, apesar de ter nascidobem
rico, morreu pobríssimo, aindano século xix,me
parece. Nestes ramos segundos da casa da Atalaia os apelidos
eram Ma-
nuel de Meneses, ao passo que na linha primogénita se conservavam os de Manuel de Noronha; as armasporem
detodos eleseram
as mesmas, as dos Manueis.4."
—
D. Rodrigo José António de Meneses, i.° conde de Cavaleiros por(i) Desde 1899para cáhouvemais dois Marqueses de Tancos, o 5."e o 6.°,
um
já f«- lecido, D.DuarteManuel deNoronha,que, sendomiguelista,reconheceuamonarquiacons- titucional,e seu filho,quevivenoestrangeiro(2) Conde de^Viana,porcarta de i3 de Maioda 1810, marquês, carta de 3de Julho de 1^21.
Meneses
^^^carta de 29 de
Novembro
de 1802."
Havia casado
com
D. Maria José Fer- reira de Eça, senhora da casa de Cavaleiros, que morreuem
1796, e era filha única de Gregório Ferreira de Eça, ii.*^ senhor da referida casa, e de sua segunda mulherD. Isabel de Bourbon.Houve
mais dois Condes de Ca-valeiros: o 2.% filho do i.% e o 3.^ sobrinho do 2.% filho de
um
seu irmao.Esta casa
também
deuum Conde
à da Lousa,sem
descendência porém,bem como
a não tiveramnem
o 2.»,nem
o 3.°Conde
de Cavaleiros, falecidoem
1881. . . .^ j • •
Gregório Ferreira de Eça, acima nomeado, havia sido casado
em
primei- ras núpciascom
a condessa Luisa Gera,dama
camarista da rainha D.Mana Ana
de Áustria, eem
virtude deste casamento teve ele mercê, por alvaráde 3o deJaneiro de 1741, do tratamento de senhoria(i).
O
apelido da Con-dessa encontra-se geralmente aportuguesado
em
Guerra, e assim foi escritona sua sepultura, na igreja da Misericórdia de Óbidos, no pavimento,
em
frente do altar
mor
e logo abaixo do degrau do cruzeiro. Sobre a lapida está gravada esta inscrição, copiada pormim em
19 de Agosto de 1894:Aqvi Despojada da vida ao Fai- al GOLPE da morte DeSCANCA O CORPO DA IlS."-^ CoND.* D.
Lu
izA Guerra
Damma
Cammr.^*Da
r.* n. snr.'^ d. marlvnnaDe
Austrl\.Em
28De
AbrilDe
1748.Pela parte de cima do epitáfio vê-se o brasão da Condessa gravado pela seguinte maneira: escudo carregado de
uma
cruz acompanhada, no I e IV cantão, deum
forcado espetadonum
pequeno cabeço, e no II e III, deuma
armação de veado. Sobre o escudo dois elmos coroados, tendo no dedextra por timbre o móvel do I cantão entre duas azas, e no de sinistra
um
bustode mulher, segurando na cabeça
uma
torre sobrepujada deuma
armação de veado(2).'
. - . • - 1
Na
matriz de Cantanhede, na capela do Santíssimo, estão dois túmulos de pedra lavrada, e debaixo deum
deles escreveram: Esta sepultura he deD
João de Meneses Sottomayor e de D.Margarida
da Silva sua m.''' a qualfalleceu a 27 dias deNovembro
de 1546. Junto àmesma
vila, na ca-(i) Gavetade Lisboa de qde Fevereiro de 1741. '
(2) São quási as armas dos Barões de Gera, austríacos, como sepode verificarnoAr- moriai general deRietstap,vol. n,pág. 761.
1 16 ' Brasões
pela de Nossa Senhora da Misericórdia da quinta daVarizela, puseram sobre
uma
sepultura este epitáfio: Aquija\ D. Jorge de Meneses, Senhor da Villa de Cantanhede, fallecetiem
a sua ínlla de Tancos ao primeiro dia deMarço
de i532 a. (i).
Da
casa de Marialva foiramo
ilustre a dos Condes da Ericeira, Marque- ses de Louriçal.O
i.° conde da Ericeira foi D. Diogo de Meneses por carta de i deMarço
de 1622. Eramordomo
e gentil-homem da boca de-Felipe IV, que porlhe ser afeiçoado, e pelos seus serviços lhe deu agrandeza.A
D. Diogo sucedeu seu sobrinho D. Fernando de Meneses, 2.° conde da Ericeira (carta de 11 de Abril de 1646), governador e capitão general de Tânger, de que escreveu a história.Teve uma
única filha, D. Joana deMeneses, que casoucom
seu tio D. Luís de Meneses, 3.°conde da Ericeira(carta de 26 de setem- bro de 1669), o do Portugal restaurado, vedor da fazenda de D. Pedro II e seubem
conceituado ministro. Deste foi filho o 4.° conde, D. Francisco Xavier de Meneses, o poeta daHenriqueida, e neto o 5.° conde, D. Luís de Meneses, duas vezes vice rei da índia, e i." marquês de Louriçal por carta de 22 de Abril de 1740. Foi pai do 2.° e do 3."Marquês
de Louriçal, e avô do4.° eúltimo, que morreu a 3 de Junho de 1844, passando osmorgados
da casa para seu parente o 4.° conde de Lumiares, JoséManuel
daCunha
Faroe Meneses, avô do 7." e último falecido a 9 de
Dezembro
de 1908.Alguns fidalgos da casa de Louriçal foram sepultados na capela
mor
da matriz de Santiago damesma
vila. Transcreverei os seus epitáfios, segundo informação do meu-falecido amigo Aníbal FernandesTomás,
enviada daFi- gueira da Fozem
carta de 12 de Agosto de 1903.No
cruzeiro, do lado daepístola: Aqvi ia^
Dom Diogo
deMenesesem
/ deposito ate se lhefa\eresta capela/falec£o a 7 dagosto era de i55g. /Da mesma
banda Jazsuamulher:S. de
Dona
Violante de Castro inolher de D. Diogo de Menesesf. a 3o (?)de maio era de j5y8{2).
No mesmo
cruzeiro, do lado doevangelho: S. deDona
Isabel de Castroem
deposito.Na
capela.mor
do lado da epístola:S. de
Dona
Isabel de CastroJilha de D. Diogo deMeneses e de D. Violante de Castro f. a 10 de abril na era de iSjjem
deposito (3).Do
lado do evangelho: S. de D. Francisco de Menesesf.° de D. Diogo deMeneses e de(i) P. Luís MontêsMatoso, Memorias Sepulchraes,fls. 107 v.e 108.
(2) Nas Memorias Sepulchraes,do P. LuísMontêsMatoso,fl.114, encontra-se estains- crição com alguma variedade: ... FaleceuemLisboa era de iSyS, emvez do que está na
texto.
(3) Variante nes^eepitáfio: ... FalleceuemLisboaem Abril na era de iSjg...
Meneses
1 17
D. Violante de Castro .. .f. a ... de fevereiro de j5y5(i). Nestas inscri- ções, aomeiodelas, estão esculpidosbrasões dos Meneses, numas, e noutras, dos Castros de seis arruelas.
Aquela D. Isabel de Castro, nora de D. Diogo de Meneses, enterrada na
igreja do Louriçal, era filha de Álvaro Peres de Andrada, senhor do mor- gado da Anunciada, o qual lá mais adiante nomearei, por ter sido chefe da
distinta família daqueles Andradas, de cujos dotes literários,
bem como
da casa, foram herdeiros os Condes da Ericeira.IV
CASAS DE VILA RIAL E TAROUCA
D. João Afonso Telo, filho segundo de D. AfonsoMartinsTélo,
como
se referiu na pág. 108, foi grande valido de D. Pedro I e D. Fernando. D. Pe- dro, dequem
foi alferes mor, fê-lo conde, solenizando este actocom
festas, que ficaram famosas^ e dando-lheem
seguida o senhorio de Barcelos por carta de 10 de Outubro de iSôy(2). D. Fernando,em
cujos diplomas ele é intitulado fiel conselheiro, acrescentou-lhe muito os bens (3) e criou-o conde(i) Varianteneste epitáfio: ... de Castro. Doutorem Theologia.FalleceuemLisboade 32 annosem ..
.
(2) Chancelaria de D. PedroI,liv. i.", fl. i5.
(3) Lançareiaquia indicação devários diplomas relativos aD.JoãoAfonsoTelo, altm dos apontadosno texto: ao condeD. João Afonso, doaçãoda lezíriadoGalegono almoxa- rifado de Santarém, i deAgosto da erade 1405 (iSõy); aD. João Afonso,conde de Barce- los, doação de Torres Novas e seutermo, em Santarém a 25 deJaneiro de 1408 (iSyo); a D.JoãoAfonsoTelo,conde deBarcelos, nossovassalo'enosso muifielconselheiro,doação da jurisdição da honra de Britiande, em Coimbra a 5 de Julho de 1403 (iSóy); doação do padroado deS. Lourenço do Bairro, para si e sucessores, em Santarém a 12 de Junho de 1406 (i36S); doação para si e sucessores daterra de Paos, em terra deNóbrega, emLisboa a 5 de Outubro de 1406 (i368); doação para si e sucessores do quinhãorial e direitos da aldeia de Ois ásxRibeira,Requeixo,etc,emCoimbraa22 deSetembro de 1407 (1369); nova doação da lezíria do Galego, agora parasi e sucessores, em Lisboaa 17 de Julho de 1409 (1371); doação daviladePeral,parasiesucessores,emLisboaa 17 de Julho de 1409(1371);
doaçãodaviladoCadaval, parasie sucessores,emTentúgala i deDezembrode1409 (1371);
doação pelos seusmuitosserviços aelRei,a seupai, e à casa dePortugal,davila deAnçã parasie sucessores, emTentúgala i3 deDezembro de1409 (1371); aD.JoãoAfonsoTelo»
conde de Barcelos, nosso vassalo, doação do julgado deFreitas, terra de Guminhães,etc*
em Braga a i5 deAgosto de 1410 (1372).
—
Chancelaria deD. Fernando,liv. i.<»,fls. i5 v.5oV., 14v.,28, 33, 46, 70, 76, 89,88 v., 110v.
Aindaapontarei maisestesdois: ao concelhoemoradoresdeBarcelos,arogo de D.João Afonso Telo, conde da dita vila,dá-lhespor termoos julgados de Penafielde Bastos (Bas-
Sousas 287
da primeira vida fora da Lei Mental (1).Morreu
o Viscondeem
1802 e a Viscondessaem
1816, deixando por sucessor da casa a seufilhoprimogénito, D. Luís da Costa de Sousa deMacedo
e Albuquerque, 3.° visconde de Mes-quilela de juro e herdade, por carta de 29 de Agosto de 1798 (2), e 1.°conde de Mesquitela
em
sua vida, por carta de 28 de Fevereiro de i8í8 (3).Deste provieram os demais Condes, o 2." dos quais, D. João Afonso da Costa de Sousa de
Macedo
e Albuquerque, foi feito duque deAlbuquerque,em
sua vida, por decreto de 19 deMaio
de 1886 (4), e morreusem
descen- dência a 24 de Setembro de 1890, passando o título de conde a seu irmão imediato, D. Luís António da Costa de Sousa deMacedo
e Albuquerque,também
já falecido.As
armas dos primeiros Viscondes de Mesquitela eram: escudo partido:o I cortado: no i." de prata, cinco escudetes de azul
em
cruz, cadaum
car-regado de cinco besantesdo campo; no 1°de prata, liãode púrpura,
armado
e linguado de vermelho (metade de Sousas)] o 11 de azul, cinco estrelas de
seis pontas de oiro (Macedo). Timbre: o lião.
Sobre a porta principal do palácio de Mateus, nas visinhanças de Vila Rial, vêem-se estas armas: esquartelado: no I
uma
águia, no IIuma
cruz florida, no IIIuma
torre, e no IV quatro bandas. Suportes: dois liÕes.O
I quartel é dos Aguiares, não há dúvida, pois que veio àcasa pela va- ronia dosMourões
daCumieira; o III é o destes, faltando-lhe as duas faxas entre as quais deve estar metido o castelo; o IV é dos Botelhos;mas
o IInão seia que família pertença. Cruzflorida simples,
sem
mais peça a acom- panhá-la, trazem os Pereiras, Meiras, Meireles e Portos,mas
não encontro grande plausibilidadeem
existirem armas destas famílias nobrasão dos mor- gados de Mateus.Este vínculo parece ter sido instituído
em
1620 pelo dr. António Alvares Coelho, que o deixou a suafilhaMaria Coelho, mulher dodr. Matias Alvares Mourão. Estes cônjuges, achando-sesem
filhos,nomearam
omorgado em
outro Matias Alvares Mourão, sobrinho de ambos,
como
lhechamam, sem
que isso tosse rigorosamente exacto.O
segundo Matias era neto por sua mãe, D. Joana Mourão, de Diogo Alvares Mourão, irmão do primeiroMa-
tias; e por seu pai,
Domingos
Botelho Ribeiro, era neto dePaula deFiguei-(1) Chancelaria de D. Maria I, liv. 3o.% fl. aTi v.; Mercês de D. Maria I, liv, 21.», fl. 364.
, (2) MercêsdeD. Maria 1, liv.27.*,fl. i5g.
(3) MercêsdeD. João VI,liv. i3.«,fl. 43v.
Diário do Governode
238
Brasõesredo, irmã de António Alvares Coelho, o instituidor do vínculo. Isto posso depreender do pouco que sei desta gente.
Aqueles dois irmãos, Matias Alvares
Mourão
e Diogo Alvares Mourão, seguiramambos
os lugares de letras e foram muito unidos. Matias habili- tou-se para aqueles cargosem
i653, Diogoem
i656. Pelo processo deste se sabe terem eles sido naturais da freguesia da Cumieira, filhos de Bilchior de Aguiar Ferreira e de sua mulher D. Isabel, moradores na sua quinta deLago Bom
damesma
freguesia, netos paternos do licenciadoAmaro
Gon- çalves de Aguiar e de sua mulher Margarida, moradores na referida quinta, e netos maternos de Diogo AlvaresMourão
e de sua mulher Maria de Aze- vedo, moradores na sua quinta da Cumieira (i).Dos
processostambém
consta que
ambos
os habilitandoseram
aotempo
casados; não se lhes no-meiam porem
as mulheres, e só de Diogo se diz que ela era sua prima.Matias Alvares
Mourão
foi doutorem
leis, e, sendo jálente desubstituta, foi eleito colegial de S. Pauloem
24 de Fevereiro de 1645. Ainda regeu outras cadeiras, e serviu de deputado daMesa
da Consciência e Ordens, e de desembargador titular da Relação do Porto (2).Diogo Alvares
Mourão
havia sido eleito colegial canonista de S. Pedroem
25 de Fevereiro de 1649, e foi lente da cadeira de sexto, juiz dofisco deCoimbra
e desembargador do Porto (3).Regeu também
outras cadeiras, e ainda era vivoem
16 deMaio
de 1662, quando foinomeado
para a de de- creto, conforme diz Barbosa Machado, que a ele e a seus escritos se re- fere (4).Para prova da amisade, que disse ter existido entre os dois irmãos, trans- creverei
uma
inscrição que foi posta na capela de Nossa Senhora da Con- ceição da igreja de S. Pedro de Coimbra: Esta capellamandou
fa\er o Dr. MathiasAlvaresMourão,
Cavalr.° doHabito de xp'o CollegialeReytor que foi do Collegio de S. Paulo Lente de Véspera de LeysDe{.°'': Nella está sepultado seu irmão o Z).*""Diogo
AlvaresMouram
Jiii\ doFisco, Collegial e Reytor quefoi do Collegio de S. Pedro, Lente doDecreto, e ambosforão
osprimeirosjuizes desta Irmd.^ de
N.
S. da ConJ^"*(5).Matias Alvares
Mourão
não teve filhos de suanomeada
mulher; Diogo AlvaresMourão
pareceporém
ter tidouma
filha natural,chamada
D. Joana Mourão, que foi sua herdeira, e casoucom Domingos
Botelho Ribeiro, ter-(i) Leituradebacharéis,mac.3.°, let.D., n." 24.
(2) D. JoséBarbosa,Memorias do Collegiode S. Paulo,pág. 162, n.° no.
(3) Manuel PereiradaSilva Leal, Catalogo doscollegiaes de S. Pedro, pág,23,n.» 98.
(4) Bibliothecalusitana, vol.IV, pág. 95.
Memorias