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interrelação e campos de pesquisa :: Brapci ::

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(1)

D o c u m e n t a , ã o

e

l i n g i i í s f i c a :

i n t e r - r e l a , ã o

e

c a m p o s

d e p e s q u i s a

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Johanna

W. Natali

ONMLKJIHGFEDCBA

*

cbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

G a r d i n , a s L D c o m p õ e m - s e d e u m l é x i c o ( l i s t a d e d e s c r i t o r e s ) , u m a r e d e p a r a d i g m â t i c a ( c l a s s i fi c a ç ã o d o s d e s c r i t o r e s ) e u m a r e d e s i n t a g m á t i c a ( r e l a c i o n a m e n t o e n t r e o s d e s c r i t o r e s ) , p o d e n d o - s e fo r m a l i z á - I a e m t e r m o s d e u m s i n t a g m a m í n i m o , R i (x,y), o n d e R i é u m a r e l a ç ã o b i n á r i a , p a r a d i g m á t i c a o u s i n t a g m â t i c a , ex ey t e r m o s o u d e s c r i t o r e s d o l é x i c o . A a b u n d â n c i a d a s L D p o s s i b i l i t a p e s q u i s a s t a n t o q u a n t o à p a s s a g e m d e L N p a r a a L D , q u a n t o s o b r e a c o m p a t i b i l i d a d e e n t r e a s d i fe r e n t e s L D . A s p r i m e i r a s p a r t e m d o p o s t u l a d o s e g u n d o oq u a l é p o s s í v e l e x p l i c i t a r t o d a s a s r e g r a s q u e s u s t e n t a m a t r a d u ç ã o e n t r e a s d u a s l i n g u a g e n s . A c o m p a t i b i l i d a d e e n t r e a s d i fe r e n t e s L D v e m s e n d o p e s q u i s a d a a p a r t i r d o fo r m a t o d e b a s e d o s i n t a g m a m í n i m o d e G a r d i n , q u e p e r m i t e a a n á l i s e d e e q u i v a l ê n c i a e n t r e d i fe r e n t e s l é x i c o s ; e s t a s p e s q u i s a s t ê m t o m a d o d i r e ç õ e s d i fe r e n t e s , m a s p a r a l e l a s : 1 ) c o n v e r s ã o d e u m o u v á r i o s l é x i c o s e m u m l é x i c o fi x o ; 2 ) c o n s t r u ç ã o d e u m

macrothesaurus, a p a r t i r d o q u a l s e p o s s a d e r i v a r d i fe r e n t e s microthesauri

e s p e c i a l i z a d o s ; 3 )c r i a ç ã o d e u m a l i n g u a g e m d e c o n c o r d â n c i a , d e u m d i c i o n á r i o

i n t e r m e d i á r i o q u e p e r m i t a a c o n c o r d â n c i a e n t r e s i s t e m a s d i fe r e n t e s . A D o c u m e n t a ç ã o , c o n s i d e r a d a p o r m u i t o s c o m o a v a r i a n t e m a i s i n d u s t r i a l i z a d a d a a n á l i s e d e t e x t o , s e r v i r á d e feed-backp a r a a s ' p e s q u i s a s l i n g ü í s t i c a s d a s q u a i s e l a s e a l i m e n t a , e s t i m u l a n d o a m ú t u a c o l a b o r a ç ã o e n t r e a m b a s a s d i s c i p l i n a s . A r e l a ç ã o e n t r e L i n g u i s t i c a e D o c u m e n t a ç ã o s e

e v i d e n c i a n a a n á l i s e d e t e x t o , n a a n á l i s e d e c o n t e ú d o d o s d o c u m e n t o s ( a n á l i s e

d o c u m e n t á r i a ) . A s d u a s d i s c i p l i n a s a t é e n t ã o t r a b a l h a r a m i s o l a d a m e n t e , u m a v e z q u e a s p e s q u i s a s l i n g ü í s t i c a s s e d e s e n v o l v e r a m s o b r e t u d o n o c a m p o d a S i n t a x e . M e s m o a s c o n q u i s t a s s e m i o l ó g i c a s v o l t a d a s p a r a o e x t r a - fr â s i c o ( o " s e n t i d o " ) , n ã o p r o c u r a r a m d e s e n v o l v e r m é t o d o s o p e r a c i o n a i s . A p r á t i c a d a a n á l i s e d o c u m e n t â r i a t e m - s e b a s e a d o e m o p e r a ç õ e s i m p l í c i t a s , c i r c u n s c r i t a s à c u l t u r a i n d i v i d u a l d o i n d e x a d o r . A i n t e r s e c ç ã o e n t r e a s d i s c i p l i n a s s u r g i u d a s t e n t a t i v a s d e s i s t e m a t i z a r a s r e l a ç õ e s e n t r e a L i n g u a g e m N a t u r a l ( L N ) e a L i n g u a g e m D o c u m e n t a r i a ( L D ) . S e g u n d o

'~~l

• Bacharel em Biblioteconomia pela ECA/USP.

Mestre em Biblioteconomia pela Universidade de

Paris, Sorbonne Nouvelle.

,

,

(2)

Johanna W. Natali

Introdução

voltadas para o extra-frásnco,

o

"sen-tido"

e/ou

a organização

total

dos

Constatemos

em primeiro lugar o

enunciados,

não chegaram

ou talvez

óbvio: a possibilidade de reduzir a um

nao

tenham

procurado

desenvolver

único denominador

comum, no cam-

métodos operacionais em grande

esca-po múltiplo de disciplinas das ciências

Ia

2.

humanas, a necessidade de se operar a

2) a prática dacbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

a n á l i s e d o c u m e n

-análise de textos textos naturais, ten-

t â r i a

baseou-se muito tempo em

ope-do em vista

x , y

ou z. Para que as

rações implícitas, circunscritas à

"cul-coisas fiquem mais claras, substitua-se

tura"

individual do indexador

(inde-x , y o u Z

por conteúdos dos mitos dos

xação manual). Somente com a

desen-índios das tribos do alto Xingú (ou

freada explosão de informações

cien-seja, a análise mitológica ou etnológi-

tíficas que assistimos hoje -

a uma

cal, o conteúdo semântico de questio-

taxa que alguns afirmam ser

provavel-nários:

não

diretivos

(a análise

de

mente de 12,5%

ao ano, ou na pior

conteúdo

dos sociólogos), análise de

das hipóteses uma duplicação no

pe-um romance ou de pe-um poema (análise

ríodo de uma década"

-

fez-se sentir

literária ou poética), ou a extração

e

a necessidade de uma documentação

organização

de conceitos -

ou

a n â l i -

"industrial"

e autornatizada,

surgindo

s e d o c u m e n t á r i a ) .

Há evidentemente

assim

o imperativo

da explicitação

uma disciplina que tem por objeto a

das operações de indexação

anterior-análise dos textos em linguagem natu-

mente implícitas. Para citar um

exem-ral, tendo em vista os próprios textos.

plo, a definição de sinônimos sempre

Trata-se

da lingüística. A vizinhança

constituiu uma operação

de primeiro

entre a lingüística

e a análise doeu-

plano em qualquer indexação. Mas se

mentária,

aqui privilegiada apesar de

antes era possível efetuá-Ia

"manual-não se poder desprezar seu paralelis-

mente"

(pela consulta de dicionários,

mo com outras práticas de análises de

t h e s a u r i ,

ou com base na cultura do

textos,

constitui,

desta

forma,

algo

indexador),

a necessidade de

automa-que ultrapassa

o "jeitinho"

retórico

tizar a indexação corresponde à

previ-que torna

possível qualquer

parale-

são de uma abundância

de

mecanis-lismo.

mos, sobretudo

de ordem lingüística,

A vizinhança entre a lingüística e

que façam o computador

associar

si-a documentsi-ação,

apesar de evidente anônimos,

desassociar

homógrafos

e

partir de um certo nível de abstração,

assim por diante.

é, porém, menos explorada do que se

Assim, pode-se dizer que a

lin-poderia esperar. Os trabalhos de sín-

güística tornou-se

fundamental

para

tese, salvo

algumas

honrosas

exce-

uma documentação

auto matizada

\

ções, ainda não foram efetuados. Esta

embora

ela tenha ao mesmo tempo

contradição

aparente

se justifica por

enveredado,

l a t o s e n s u ,

por direções

duas razões complementares:

de pesquisas

menos "utilizáveis"

de

1)as pesquisas

l i n g ü í s t i c a s

desen-

imediato numa perspectiva

documen-volveram-se primordialmente

até ago-

tária.

ra no campo da sintaxe, cujo interesse

Vejamos, agora, mais

detalhada-é importante mas não suficiente numa

mente, qual a situação atual da

doeu-perspectiva

documentária

1;

por sua

mentação e, de forma um pouco mais

vez, as pesquisas

s e r n i o l á g i c a s ,

mais

sumária, a da lingüística que os doeu-DCBA

3 4 R. bras. Bibliotecon. Doe. 11(112):33-42, jan./jun. 1978

Documentação e Linguística: inter-relação e campos de pesquisa ,

11• 1

segundo as matrizes pertinentes

para, ,',

o sistema.

Dá-se

prioridade,

por-j

exemplo, à forma estandardizada

co-.

ONMLKJIHGFEDCBA

I:,

mo entrada

ao sistema ou então aos',

I,

documentos

que, como entrada,

tor- ,\

narão

atributiva

a forma estandardi-,

~

zada.

'I '

Por último, o

u s u á r i o

do sistema'

,1

de informação

fechará o esquema, na

I I

medida em que, a partir das respostas

,i'

obtidas

às perguntas

formuladas,

os;' ;

processos

de

fe e d - b a c k

poderão

ser

i \

idealizados

e postos em prática.

:

I

A evolução dos sistemas de infor-

i,I

mação, como se sabe, implicou de um

i

ponto de vista histórico numa gradati-

i

va complexidade:

aumento do núme-

I

ro de etapas e complicação

crescente

i

A n á lis e U tiliz a ç ã o "

A q u is iç ã o

-

~ ~ d o c u m e n tá r ia : • ~ ~ P r o c e s s a m e n to

!-4~

d a d e d a d o -

I

tr a d u ç ã o L N - L D

I

I

I

In fo r m a ç ã o ; A

mentalistas poderiam utilizar. Este

pa-ralelo procura

recensear informações

que permitam, no futuro, uma melhor

coleta de dados para prever uma

inter-relação

mais

estreita

entre

os dois

campos.

Situação

atual

da Documentação

Para melhor situar os diferentes

problemas

documentários

a serem

aqui expostos, e igualmente para

con-textualizar a terminologia que

empre-garemos,

vale a pena

relembrar

de

início o esquema básico, proposto por

C. Montgomery,

que representa

em

parte ou no todo os sistemas de

infor-maçâo'':

r---')

t

, 'I

Neste esquema, a

a q u i s i ç ã o

dos

dados significa a seleção de

documen-tos em linguagem natural (por

exem-plo, a literatura

científica), e a

intro-dução de tais dados no sistema.

A

a n á l i s e

tem

por

objetivo

o

isolamento dos "conteúdos"

-

julga-dos pertinentes

pelo sistema -

e a

seguir a representação

destes mesmos

"conteúdos"

numa forma

e s t a n d a r d i -z a d a

(por exemplo: descritores,

pala-vras-chave

ou códigos numéricos)

e

u n í v o c a :

a tradução

da linguagem

natural (LN) em linguagem

documen-tária(LD).

Esta tradução

constitui a

"indexação" .

Na

etapa

seguinte,

opera-se

o

p r o c e s s a m e n t o

das formas

estandardi-zadas,

organizando

as informações

••

- -- ---..,

I

I

: \

:\

de cada uma delas. Assim, os sistemas

,I

precursores

e, portanto,

os mais

sim-ples, não dispunham de nenhuma

tra-dução".

São os métodos de tabulação

geralmente

conhecidos

como índices

de concordância,

entre

os quais

o

sistema KWIC é o mais divulgado. Os

métodos

de tabulação

apresentam

dois problemas principais: a

s e l e ç ã o

e

a

o r g a n i z a ç ã o

das informações. A

se-leção consiste na distinção, nos textos

em linguagem natural

(LN), entre as

unidades consideradas

significativas e

as não

significativas;

estas

últimas

compõem

o antidicionário.

E fácil

(3)

orga-Johanna W. Natali'

,JI!Lzação das informações, os índices No entanto, a relação de inclusão

ONMLKJIHGFEDCBA

JIrssim compostos geralmente seguem a simples, característica comum a todas

rdem alfabética, o que constitui no as classificações, já não ocupa mais áximo uma herança extremamente hoje em dia uma posição de destaque rcaica e primitiva da lingüística. Ine- nas discussões da lingüística ou da iste assim, neste estágio da análise lógica modernas.

ocumentária, uma interação

signifi-

Na segunda das etapas, surgem ativa entre a lingüística e a documen- as tentativas de sistematização da re-ação. lação entre a LN e a LD, sobretudo

com as discussões sobre os

cbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

t h e s a u r i .

Neste quadro, a problemática consiste em entender melhor o valor das ope-rações básicas dos t h e s a u r i , isto é, as equivalências e remissivas':

Vieram, a seguir, os sistemas de informação com tradução, provenien-tes tanto da consciência da especifici-dade da linguagem natural (seu cará-ter ambíguo e repetitivo havia gerado índices muito carregados, longos e conseqüentemente pouco econômi-cos), quanto dos objetivos peculiares da documentação (recuperação da i n

-fo r m a ç ã o e não de palavras em LN).

A tradução da LN em LD passou, desta forma, a ter como corolário a operação de recuperação da informa-ção:

LN

LD

LN

LN

LD

=

thesaurus

X

(=)

~

a

y

~

b

para z use a

indexação recuperação da

informação

Esta concepção do momento cen-tral de todo sistema de informação, ou seja, a tradução da LN em LD e vice-versa, foi o fruto de diferentes etapas de discussão. Na primeira delas, de-;envolveram-se' as próprias LD, con-ceituando-se as diversas classificações pelas quais são as "palavras" e não as . "coisas" que se organizam entre si.

DCBA

3 6

o

progresso alcançado na época não deixou de ser importante. Não se deve, porém, supervalorizar a base lingüística dos primeiros t h e s a u r i ; eles se fundamentam numa acepção bas-tante fluida dos campos semânticos, sem explicitar a maneira pela qual importaram tais instrumentos da lin-güística. Os t h e s a u r i permitiram, no entanto, um avanço real no caminho de uma interseção das disciplinas Lin-güística e Documentação, já que pos-sibilitaram o aprofundamento da no-ção de LD. Assim, na acepção atual das LD segundo Gardin", elas se com-põem de:

um léxico (a lista de termos-desçritores, já filtrados e

purifi-. c a d o s depois de extraídos da

L N ) ;

R. bras. Bibliotecon. Doe. 1 1 ( 1 1 2 ) : 3 3 - 4 2 , jan.ljun. 1.~

Documentação e Linguística: inter-relaçâo e campos de pesquisa I

uma rede paradigmática (ou criado questões em torno das quais si ,'j

seja, uma organização dos ter- situam as atuais pesquisas docurnerr ~' mos do léxico, naquilo que se- tárias: ' 1

ria, l a t o s e n s u , uma classifica- a) a passagem da LN para a LD; ( I

ção); d' , .

li

b)

a compabilibidade entre dife' \' uma re e sinragmanca (lista rente LD. ' organizada ou não de relações

que podem ser determinadas

entre os termos retidos no mo- A) A p a s s a g e m d a L N p a r a a L D I !

mento da indexação, a fim de Ii'

reproduzir a informação sin- A relação que se estabelece inevi- l'I

tagmática transmitida pelos tavelmente entre as duas linguagens I.

textos analisados. A rede sin- (análoga à relação estabelecida na' \ tagmática não está presente em tradução de um idioma para outro) f. \

todas as LD, sendo uma cara c- geralmente vaga e implícita. Quando \. terística exclusiva das mais de- se decide uma eventual explicitação senvolvidas). . dos mecanismos de passagem de uma' l

Ainda segundo Gardin, de cinco a outra, acaba-se caindo num sistema: ou seis anos para cá tornou-se corren- pesado ao extremo e de dimensões I,

te a formalização das LD em termos inverossímeis. " de um sintagma mínimo - Ri (x,y) As pesquisas, a nosso ver, fasci- " onde Ri corresponde a uma relação nantes e muito promissoras neste I

binária paradigmática ou sintagrnáti- campo, partem de um postulado ini- \ ca, e x e

y

a termos de léxico. cial segundo o qual é possível explici- \ Tal sintagma possui ao menos tar as regras ( t o d a s as regras) de'I

duas vantagens. De um lado, restitui a passagem de uma LN a uma certa LD.' \ igualdade formal entre as relações A preocupação manifestada' por paradigmáticas e sintagmáticas (ne- estas pesquisas não representa uma nhuma das duas é privilegiada em novidade destinada a elites entedia-detrimento da outra), e, de outro, ao das, mas sim uma necessidade de' reduzir toda relação entre termos a sujeitar um processo de traduções e de uma relação binária, deixa-se a porta seleções que em grande parte fugia ao I

aberta para o estabelecimento de rela- controle destas mesmas elites. Não é , ções mais complexas (n termos) que mais suficiente constatar os, efeitos da : poderão ser em seguida decompostas passagem da LN à LD. E também: em relações binárias, reportando-se, preciso saber como a passagem se' assim, à operações lógicas perfeita- operou e quais são os mecanismos: mente domináveis. lógico-semânticos que a

possibilita-A definição dos constituintes das ram, a fim de permitir a escolha dos I

LD e de suas interrelações representa mecanismos mais econômicos.

ultimamente, sem dúvida alguma, o Evidentemente, é a partir desta campo mais trabalhado pela pesquisa mesma preocupação documentária documentária. Se há uma abundância que a conexão com a lingüística se de LD, o fenômeno é por um lado mostrou abertamente pela primeira positivo por nos liberar do monopólio vez há alguns anos. Se procuramos I das classificações universais, sendo ao formalizar a análise documentária (ou I

mesmo tempo problemático por ter seja, explicitar totalmente a passagem

(4)

Johanna W. Natali

N-LD), devemos saber como extrair 2)

cbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

C o n s t r u ç ã o d e m a c r o e m i c r o

s "sentidos" pertinentes de um texto t h e s a u r i : concebe-se um m a c r o t h e s a u

-em LN e portanto, igualmente, como r u s que corresponde a um grande

analisá-Io. serviço de informação, e que seja

portanto relativamente geral mesmo

B) A c o m p a t i b i l i d a d e e n t r e d i fe r e n t e ! se restrito a um único assunto. A

LD

partir deste m a c r o t h e s a t t r u s ,

cons-Outro campo de pesquisa, atual- troem-se diferentes m ic r o t h e s a u r i ,

es-mente frutífero, diz respeito às rela-· pecializando a informação contida no

ções entre as diferentes LD. Tais estu- m a c r o t h e s a u r u s e que sempre man-dos partem freqüentemente do forma- têm, entre si, sob a forma de "ponte"

.,to de base do sintagma mínimo defini- assegurando a passagem de um ao

do por Gardin (Ri (X,y)),o que permite outro, a estrutura geral do próprio

a análise de equivalências entre dife- m a c r o t h e s a u r i , Esta alternativa, para

rente léxicos, com o propósito de tornar compatíveis diferentes LD (os

fundamentar a compatibilidade possí- m i c r o t h e s a u r i ) , deve também

funda-vel entre eles. Esta compatibilidade mentm--se nos últimos progressos

lin-facilita o intercâmbio de informações güísticos se quisermos que o

investi-entre centros de documentação, preo- m~nto de criação de m a c r o t h e s a u r u s e cupando , por esta razão, os grandes m i c r o t b e s a u n correspondentes tenha

centros nacionais de documentação um sentido prático, especialmente no

que incorporam freqüentemente redes que se refere à definição dos campos

nacionais e/ou internacionais; Neste semânticos de cada conceito e à

orga-campo de pesquisas, três direções são nização vertical e horizontal que eles

hoje desenvolvidas de maneira parale- obedecem. Esta fórmula obteve um

Ia. Sumariamente: bom sucesso ultimamente e levou à

1 ) C o n v e r s ã o : converte-se um ou constituição, por exemplo, de um

vários léxicos em um léxico considera- m a c r o t h e s a u r u s na União Soviética

do fixo. A fusão de vocabulários as- para as informações sobre o

COME-sim operada é rentável a pesar de não CO~, de um m a c r o t h e s a u r u s em

eco-oferecer jamais soluções globais, na no mia para o Mercado Comum

Euro-medida em que trata o problema da p,eu,. um m a c r o t h e s a u r u s de ciências e

diversidade de léxicos de forma pon- tecmcas na França, a s~r publicado em

tual, em relação a um único léxico breve, e aSSIm por diante,

fixo. Para se chegar a desenvolver 3) C r i a ç ã o d e u m a l i n g u a g e m d e

algoritmos de conversão automática, c o n c o r d â n c i a : considerada como a

so-em que o computador tenha por fun- lução mais elegante para o

estabeleci-ção o reconhecimento de palavras mento de pontos de contato entre as

idênticas, de palavras variantes (orto- diferentes LD, trata-se da criação de

gráficas), de inversões entre palavras um dicionário intermediário no qual

de uma mesma expressão e equivalên- um complicado sistema de notações

cias entre sinônimos, é evidente que os faz com que o conceito de um sistema

programas não se basearão apenas documentário possa ser transformado

numa lingüística geral, mas muito em seu equivalente _ ou equivalentes

mais na escolha de uma certa escola - em outro sistema documentário. O

lingüística, nas últimas pesquisas des- dicionário intermediário, que permite

ta escola, e assim por diante. a concordância entre sistemas, possui

DCBA

3 8 · · R. bras. Bibliotecon. Doe. 11(1/2):33-42, jan.ljun. 1978

' : ' 1 2

ONMLKJIHGFEDCBA

"l

Documentação e Linguística: inter-relação e campos de pesquisa

um imenso mérito: ele é independente perfeitamente inoperacional num con- "

da estrutura dos vocabulários em texto de recuperação da informação. :

questão. Este simples dado faz com Chega-se, assim, a partir de uma sele- ;

que as linguagens de concordância ção que te~ JCor fim a operacionali~a.- .

sejam geralmente encaradas como a de, a uma visao chamada"

demogrâfi-

.1

solução do futuro, por serem bem c a " do texto. O texto da documenta- .

mais maleáveis que as alternativas ção é um texto-superfície; o documen- I

precedentes e, ao mesmo tempo, por ta lista deve portanto ignorar, de

pro-constituírem a solução que implica na pósito, tudo aquilo que a superfície

maior inter-relação com a lingüística, pode esconder, tudo aquilo que a

a semântica e a lógica, especialmente ultrapassa 11.

quanto à delimitação de traços distin- Neste quadro, a lingüística por

tivos dos conceitos para o estabeleci- nós considerada operacional em

rela-mento das correspondências semânti- ção aos problemas de indexação e de

cas (operação-alicerce da notação do recuperação da informação é,

tradi-dicionário). cionalmente, a anglo-americana:

ini-cialmente o distribucionalismo de

Harris, mais tarde a semântica

genera-tiva de Chomsky, Katz e Postal, e,

finalmente, por ora, o transforma

cio-nalismo de FilImore,

Lakoff,McCaw-ley e Bach.

Não pretendemos abordar a

lin

Grosso modo, a análise

doeu-güística moderna em detalhes por não mentária acompanhou a evolução

his-se tratar de nosso campo de compe- tórica de uma certa lingüística,

dosan-tência. Convém, no entanto, levantar- do-a freqüentemente com um

comple-mos certos problemas de peso, como, mento considerado menos nobre mas

por exemplo, o fato de a expressão todavia eficiente: a análise estatística.

.geral. "lingüística" não significar uma Caricaturando, pode-se aventar UIl)

única alternativa metodológica. Em sistema de análise documentária no

verdade, elas são inúmeras. Isto nos qual se comece, por exemplo, a

análi-leva à escolha das e s c o l a s , o que é, a se (automática) de um texto em LN

nosso ver, inevitável, sendo ao mesmo pela extração, por critérios

lingüísti-tempo essencial nunca se perder de co-sintáticos, de todos os substantivos

vista que esta escolha foi operada. A do texto em questão. A seguir,

proce-primeira das escolhas é ditada pelos de-se à contagem estatística da

fre-imperativos práticos da documenta- qüência de cada substantivo e

decide-ção, que nos fixa a necessidade de se - levando esta caricatura meio

sermos o p e r a c i o n a i s . Para tanto, im- pejorativa às últimas conseqüências

põe-se uma visão simplificadora da - que os 30 substantivos mais

fre-linguagem; abstraem-se proposital- qüentes indicam os assuntos mais

im-mente certos conceitos que ela desen- portantes do texto. Caricatura?

Certa-volve, o mesmo valendo para a se- mente, apesar de o apelo à estatística,

mântica e semiologia atuais. Um úni- quando efetuado com sutileza, ser

co exemplo justifica tal abstração: o corrente nos sistemas documentários

conceito de i n t e r t e x t o , fértil em diver- altamente automatizados. E isto por

sos pontos, é, ao menos por enquanto, razões perfeitamente nobres: devido à

R. bras. Bibliotecon. Doe. 11(1/2):33-42, jan.ljun. 1978 3 9

S i t u a s ã o a t u a l d a L i n g ü í s t i c a

e m s u a s f a c e t a s p e r t i n e n t e s

à D o c u m e n t a s ã o .

tJ

(5)

~

Johanna W. Natali

massa imensa de informações a ser gressos, não pode ocultar um último

. tratada, a estatística (por cálculos de aspecto da inter-relação possível, ou

. freqüência e de Co-ocorrência, na seja, o do percurso inverso ao aqui

maior parte dos casos) corresponde a percorrido: em lugar da lingüística

ONMLKJIHGFEDCBA

à

um atalho válido para a diminuição documentação, da documentação

à

do custo dos sistemas documentários. lingüística. Se, por definição, a

doeu-O

problema reside essencialmente no mentação trata grandes quantidades

tipo de análise lingüística escolhida, de informações em grandes sistemas

predominantemente sintática, como voltados para a eficiência, a

lingüísti-no exemplo anterior, ou prioritaria- ca avança habitualmente por tenta

ti-mente semântica, segundo uma tradi- vas e erros, num processo em que cada

ção

mais francesa, ou na justaposição pequeno exemplo pode ser invalidado

de ambas. Citemos ainda entre as por outro. Veja-se o caso protótipo da

Opções disponíveis a intrução ou não validação de uma regra

transforma-da estatística, quais os critérios esta- cionalista. Encontramo-nos diante de

tísticos retidos, a ordem seguida pelas algo semelhante à fábula do elefante

operações para definir se a estatística da formiga. Mas, ao invés de

cami-intervirá no início ou no final, etc. nhos paralelos, onde o

elefante-Delineia-se, assim, mais um cam- documentação acaba importando

da-po de pesquisas em documentação. dos desenvolvidos com Suor e

lágri-[Nele, a dosagem e a ordenação das mas pela formiga-lingüística, a

cola-análises sintática, semântica e esrarís- boração entre ambas poderia ser mais

tica constitui a preocupação principal. dinâmica. E isto na medida em que se

Apesar de nos ser praticamente im- conceba a máquina documentária

co-possível prever de que maneira esta mo um meio de validação das

opera-problemática se definirá no futuro (a ções lingüísticas, através da aplicação

supor, o que é meio duvidoso, que destas operações a um grande número

uma única solução seja retida), as de exemplos, e sobretudo pela

obses-tendências que se demarcam nitida- são documentária de eficiência. A

do-mente dizem respeito à predominân- cumentação, considerada por muitos

cia de critérios sintáticos ou semânti- como a variante mais industrializada

cos na análise documentária autorná- da análise de textos, serviria assim de

tica, numa discussão em que a análise

cbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

fe e d - b a c k para as pesquisas

lingüísti-estatística surge num plano secun- cas das quais ela novamente se

ali-dário. mentaria. Por esta razão, a

documen-talista C. Montgomery conclui em seu

artigo aqui citado que, em

documen-tação e lingüística, cada campo

che-gou ao máximo sem o auxílio do

outro, e que doravante a cooperação

mútua se torna um imperativo.

Este borbulhar de opiniões e

ten-tativas por parte dos documentalistas,

apesar de extremamente positivo e

importante para a própria

documen-tação, caucionando prováveis

pro-N O T A S

(1) Refiro-me, como veremos mais adiante, à mente, enorme importância neste quadro, lingüística de tradição anglo-americana, por mais que a prioridade dada à estrutura considerada mais próxima das preocupa- sin.a: ica (a introdução da semântica eferi-ções documentárias. O generativismo e o va-se num segundo momento) dificulte sua transformacionalismo adquirem, especial- a plicação à problemática documentária.

DCBA

4 0 R. bras. Bibliotecon. Doc. 11(112):33-42, jan./jun. 1978

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

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R. bras. Bibliotecon. Doc. 11(1/2):33-42, jan./jun. 1978 Documentação e Linguística:

Neste panorama, vale ressaltar a tentativa _ teórica ao que nos consta - de Hutchins para inverter esta situação, gerando estru-. ruras sintáticas a partir de uma base semân-tica (a estrutura semânsemân-tica é habitualmente considerada prioritária em documentação).

(2) Veja-se, por exemplo, as "inovações" es-sencialmente taxinômicas (ou seja, de clas-sificação do dito signo lingüístico) que prevaleceram nas propostas do I Congresso Internacional de Semiologia (Milão, 1974), onde os verdadeiros progressos metodoló-gicos transbordaram a área de pertinência semiológica para se originarem em campos - como a lógica e a psicanálise - que lhes são exteriores.

(3) Quanto ao aumento anual do número de artigos científicos, ver Anderla, p. 131.

(4) Vale a pena lembrar que é inútil tornar privilégio, em si, a documentação autornati-zada em relação à documentação "ma-nual". A passagem de uma à outra não corresponde a um. progresso, mas simples-mente a uma resposta justificada pelos imperativos de ordem quantitativa, aos qr.ais a documentação atual se expõe.

(5) Montgomery, p. 196.

(6) Gostaríamos de sublinhar mais uma vez que a "simplicidade" dos primeiros siste-mas de informação não comporta qualquer julgamento de valor. A palavra "simplicida-de" só tem sentido em relação a sistemas mais complexos.

(7) Deixemos de lado toda a problemática da organização hierárquica dos textos do t b e -s a u r u -s ~ o que nos levaria novamente às discussões sobre as classificações - e so-bretudo o nível hierárquico ao qual certo termo em LN é associado.

(8) Gardin, p.147-9.

AGRESTI, H. S u r l e s m é t h o d e s d e C. L é u i -S t r a u s s d a n s l e s " M y t h o l o g i q u e s " ,

Aix-en-Provence, Université de Provence (Aix-Lettres), 1972. Tese de doutoramento.

inter-relação e campos de pesquisa

(9) Basta citar o seríssimo exemplo de um

mecanismo de uma análise documentária totalmente explicitada e da aridez das expli-citações à qual conduz, inevitavelmente, esta preocupação: Bely et alii. Por outro lado, aceitando-se certas análises de textos por mecanismos implicítos como fatos con-sumados, o caminho inverso; ou seja, a tentativa de reconstituição dos mecanismos que levaram dos textos aos comentários, é bem mais trabalhoso, evidenciando a com-plexidade das operações de transformação operadas sobre os textos originais. Veja-se Agresti e Natali.

'~ 11'

'I

(10) Deixamos de abordar voluntariamente, nesta problemática, outro campo igualmen-te fundamental de pesquisas comparativas entre LD, que visam à medida dos desempe-nhos de cada sistema documentário através das medidas de ruído, pertinência e custo da recuperação da informação, e ainda a comparação dos resultados obtidos em di-ferentes sistemas documentários e a condu-são relativa à eficiência de cada um. Num segundo momento, estes estudos - quando associados a discussões sobre as bases lin-güísticas das LD - passarão a fornecer dados capitais para a confirmação ou a infirmação de hipóteses sobre as LD de melhor ou pior desempenho. Os estudos de avaliação das LD foram sobretudo desen-volvidos por Cleverdon, na Universidade de Cranfield, EUA.

\ 1 1 ) É muito difícil prever em que medida esta situação continuará inalterada, tanto pela imprevisibilidade das direções a serem se-guidas pela pesquisa semiológica (hojea p a

rentemente distante das preocupações do .. cumentárias), como igualmente pela falta de dados para saber até que ponto a própria documentação encontrará meios ou razões para expandir sua visão dos textos em L~, que é por enquanto relativamente simples.

(6)

Johanna W. Natali

COY AUD, M.

cbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

L i n g u i s t i q u e e t d o c u m e n t a t i o n : MONTGOMERY, C.A. Linguistcs and infor-l e s a r t i c u infor-l a t i o n s l o g i q u e s d u d i s c o u r s . Paris, mation science. [ o u r n a l o f t h e A m e r i c a n Larouse, 1972. S o c i e t y fo r l n fo r m a t i o n S c i e n c e , Washing-ton, D.C., 23 (3); 195-219, May/jun 1972.

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