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Rev. adm. empres. vol.52 número5

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Academic year: 2018

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©RAE n S ã o P a u l o n v . 5 2 n n . 5 n s e t . / o u t . 2 0 1 2 4 8 1 I S S N 0 0 3 4 - 7 5 9 0

EDITORIAL

A

divulgação do JCR em 0.213 deu legitimidade à clas-sificação A2 recebida pela RAE no Qualis/CAPES, a melhor posição de um periódico brasileiro da área naquele indexador, e também reforçou a ideia de que os periódicos nacionais precisam aprender a atuar em conjunto para poder fazer diferença no cenário internacio-nal. Dois argumentos apontam claramente o caminho para esta orientação.

O primeiro argumento é que nenhum periódico gera impacto significativo apenas com os artigos que publica. Parece óbvio, mas fica mais claro quando analisamos as citações que deram à RAE o atual fator de impacto no JCR. Só cita artigos de um determinado periódico quem o co-nhece e tem acesso a ele, independente de onde se publi-ca. A medida de relevância de um artigo se manifesta em um contexto específico e os periódicos nacionais, até por falarem português, têm atuado num campo relativamente restrito. Este contexto será ampliado para um caráter mais internacional quando um número maior de periódicos na-cionais estiver incluído em indexadores importantes. Como alguns de nossos periódicos já têm relevância nacional e, portanto, citam-se mutuamente, a sua entrada em bloco nos indexadores internacionais elevará a relevância de cada um, e assim o seu respectivo impacto terá também uma dimen-são internacional. Se constituirmos um grupo de periódicos com fator de impacto significativo, então ficaremos em maior evidência e atrairemos a atenção de quem ainda não tinha dado conta da produção científica que publicamos.

O segundo argumento passa pelo entendimento de que a gestão de um periódico acadêmico compreende duas etapas distintas: a certificação científica e a publicação pro-priamente dita. A primeira etapa, a certificação científica, é composta pela seleção, avaliação e aprovação de conheci-mento de qualidade, com respaldo da comunidade – edito-res e avaliadoedito-res – em que o periódico está inserido. Nesta etapa a qualidade é definida pelo engajamento dedicado e não remunerado da comunidade que é representada pelo periódico. A segunda etapa, a publicação científica, acon-tece após o processo de aprovação da primeira etapa e refere-se aos processos de produção editorial e gráfica, ge-rência administrativa e financeira, comunicação e marketing, essenciais para a publicação e divulgação adequada de um periódico científico. Nesta segunda etapa, a qualidade é definida pela competência de uma estrutura profissional, formada invariavelmente por equipe especialmente contra-tada e remunerada para isso.

No caso dos periódicos internacionais mais impor-tantes, se a primeira etapa é restrita a uma determinada

comunidade, a segunda é, em geral, feita em escala por um grande “Publisher” que assume o processo assim que lhe são encaminhados os artigos que passaram pela fase de certificação científica. Enquanto isso, os periódicos na-cionais tentam cuidar de todo o processo, sem entender que poderiam cooperar muito mais e atuar coletivamente. Ou seja, está mais do que na hora de definirmos em torno de quem nos agruparemos para montar a infraestrutura de “Publishing” dos periódicos científicos brasileiros. Só assim teremos condições de dar o salto de qualidade que queremos para tornar nossos periódicos individualmente mais relevantes.

Nesta quinta edição da RAE em 2012, publicamos dois artigos que foram apresentados no Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (EnANPAD) em 2011, e submetidos a nossa revista: “Book-tax differences e gerenciamento de resultados no mercado de ações do Brasil”, uma verificação da relação entre book-tax differences (BTD) e o gerenciamento do resultado em termos de montante e variação das companhias listadas na BM&FBovespa, e “Efeitos do controle nas intenções comportamentais dos consumidores insatisfeitos”, que in-vestiga o impacto dos controles comportamental, cognitivo e de decisão nas intenções de recompra e de boca-a-boca positivo. Esta edição publica ainda, os artigos: “Inovação colaborativa: uma abordagem aberta no desenvolvimento de novos produtos”, que identifica práticas de inovação colaborativa por meio de um caso da indústria automotiva; “Imersão social e institucional e capacidades: o setor cal-çadista de Nova Serrana”, um estudo sobre a influência da imersão social e institucional na aquisição de capacidades e relações com clientes, fornecedores e entidades setoriais; e “Theory of Reasoned Action for continuous improvement capabilities: a behavioral approach”, uma análise da ade-quação da Teoria da Ação Racional para o estudo de com-petências operacionais.

Completam esta edição a pensata “Pés de barro do texto ‘produtivista’ na academia”, assinada por Pedro Lincoln C. L. de Mattos; uma resenha sobre o livro Por uma outra glo-balização (do pensamento único à consciência universal), do professor Milton Santos; e as indicações bibliográficas das professoras Carolina Rezende Pereira e Suzane Strehlau sobre “Da teoria ao paradigma da Dádiva”, e de Tania Limei-ra sobre “CultuLimei-ra de consumo e significados das marcas”.

Tenha uma boa leitura!

Eduardo Diniz

Referências

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