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~10~-Titulo: Guia do Marinheiro Amador

" Domingos Heitor Gomes 4.• edição, 1985

Todos os direitos reservados para lingua portug"uesa por: Clássica Editora

Rua da Glória, 10, r/c - 1298 Lisboa Codex Tel. 32 56 15

Capa:

Vitorino Martins Execução Gráfica: José Maria Marques

Impressão e Acabamento: Filográfica, Lda.

Distribuição:

Dinternal - Distribuidora Internacional de Livros, Lda. Rua da Glória, 8 - 1298 Lisboa Codex

Tel. 32 12 29- 3213 91 - 32 12 86 - Telex 18570 ESCOLI p Rua da Boa Nova, 96 - 4000 PORTO

Tel. 66 85 53 -Telex 27247 ESCOLP P Depósito legal n.0 9947/85

Tiragem: 3 000 ex.

Esta publicação, no seu todo ou em parte, não pode ser reproduzida ~u transmitida por qualquer forma ou processo, electrónico, mecânico ou fotográfico incluindo fotocopia. xerocópia ou gravação, sem autorização prévia e escrita d~ editora.

GUIA

DO

Marinheiro Amador

ÇOMPILADO POR

DOMINGOS HEITOR GOMES;

Primeiro-Patrio na Associaçlo Naval de Lisboa, Chrbe Naval de Lisboa,

Clube Naval Madeirense e no Clube N•utico de Portugal

4. • edição revista e actualizada pelo

C.TE SOUSA FERREIRA

CLÁSSICA EDITORA

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HUGO HEITOR DA SILVA GOMES

dedica este pequeno trabalho

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Prefácio

Há muito que

a

Clássica Editora pretendia reeditar esta obra O Guia do Marinheiro Amador, que dada a sua sim-plicidade e campo elementar em que se situa, constitui um precioso auxiliar de quem se inicia na arte de marinharia, jus-tificando assim as 3 edições já anteriormente publicadas deste livro.

Porém, e porque o seu conteúdo se refere a uma actividade regulamentada por normas que entretanto sofre-ram alterações e porque a sua procura tem aumentado, e, ainda porque a última edição se encontrava há muito esgotada, entendeu a Clássica Editora promover novamente ao seu relançamento.

Da tarefa da sua revisão e actualização nos encarregámos a convite desta Editora, que, assim irá preencher uma lacuna no mercado da especialidade, com esta obra que é fundamen-tal à iniciação da aprendizagem da marinharia.

Somos de parecer que não deve sofrer alteração o que se nos afigura bem feito. Assim, a presente obra reaparece no fundamental com o mesmo conteúdo, mas, mais aligeirado no · que em nosso entender nos pareceu desajustado, e reforçado no que se refere às normas de segurança. ' A classificação dos «Yachts», as descrições das caracte-rísticas das classes, tipos, etc. /"'' permanecem como inicialmente foram apresentadas, mesmo as que na actua-lidade já não são muito utilizadas.

Não nos foi fácil resistir à tentação de alterar profun-damente esta obra, no sentido de a dilatar com elementos

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para o governo e a determinação de posição de embarcaÇoes navegando em águas restrictas. Porém, entendemos que ao pretender avançar a matéria, para um plano mais elevado, tiraria a este Guia o que mais de notável ele encerra: a sim-plicidade do seu conteúdo e acessibilidade ao A B C da Marinharia. Além do mais, privá-lo-ia do mérito de continuar a ser o único livro português, verdadeiramente destinado às camadas mais jovens que pretendem iniciar-se no fascínio das coisas do mar.

Maio de 1985

SOUSA FERREIRA

Explicação breve

Este livro não tem novidades, nem pretensões, nem crítica. Consta de apontamentos de lições e de coisas rebus-cadas nos livros dos mestres.

A Marinha de Recreio divide-se em duas classes muito distintas: os amadores de regatas, desportistas de com-petição, e os que se dedicam ao cruzeiro, à Náutica

propria-mente dita, ou arte de navegar em navios, segundo os

dicionários. Aos primeiros, além de serem homens de leme

primorosos, basta-lhes conhecerem a manobra do seuyacht e

o regime das águas e ventos, nos sítios onde se costuma correr. Os segundos devem ser marinheiros e manobristas de verdade e os seus conhecimentos os de um homem do mar, visto que este não distingue entre amadores e pro-fissionais e, sendo um bom servidor dos que com ele sabem lutar, mata indistintamente os valentes ou poltrões, se forem inconscientes.

Para os segundos é principalmente este livro, porque são os que mais precisam de ter carta, para se livrarem da tutela do arrais, assim como devem também saber de navegação,

para não ficarem eternamente à mercê dos mestres,de costa,

que, muitas vezes, conhecem àpenas dois ou três portos~

navegando por palpite ou pouco mais.

Sempre se fez sentir entre nós a falta de um compêndio, tratado, questionário ou coisa que o valha, para orientar os candidatos aos exames dos nossos clubes e onde pudessem encontrar compilada a matérra, exigida nos programas. Esperei durante anos e anos que algum daqueles de entre nós

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12 GUIA DO MARINHEIRO AMADOR

que, tendo competência para fazer obra limpa (e felizmente ainda há alguns), se resolvesse a esse trabalho, que o tornaria credor da gratidão de nós todos. Mas o tempo passa e nada aparece, e os que se sentem praticamente habilitados a alcançar uma graduação, assustam-se com a prova teórica,

que não sabem onde aprender, e daí a situação irregular da maior parte dos nossos sportmen, que se vêem obrigados a fazer-se acompanhar de um profissional encartado, ou a cor-rerem o risco de lhes ser apreendida a embarcação. Daí tam-bém muitas das irregularidades dos clubes, categorizando gente sem exame.

Foi em fac~ disto que me resolvi, eu, o mais incompetente de todos, a publicar estes apontamentos, que talvez consigam despertar do seu sono alguns daqueles que podem mais do que eu, que só tenho bons desejos.

Não desenvolvi neste Guia quanto o programa de exames comporta, porque, na minha opinião, já se torna difícil decorar a matéria nele contida, que é apenas o indispensável. Depois, para estudo mais amplo, temos os livros dos mestres, livros que são óptimos tratados e donde ele foi coligido.

· Empreguei na exposição dos vários assuntos a «lingua-gem» usada a bordo, não só para treinar o leitor como tam-bém para o familiarizar com a tecnologia, que . deve interessá-lo, tendo de viver no trato da gente do mar.

O AUTOR

Generalidades

Navio, diz o comandante João Brás de Oliveira, é uma máquina destinada a navegar, tendo o casco de forma alongada e simétrica relativamente a um plano que o divide no sentido do seu comprimento.

As extremidades são mais ou menos adelgaçadas. A de vante, destinada a cortar as águas quando o navio anda, chama-se proa ou vante. A de trás, também adelgaçada, ainda que menos do que a proa,' para dar mais fácil saída às águas que correm ao longo do cos-tado, tem o nome de'ré ou popa. Amuras são as bochechas da proa .

. Há a alheta de bombordo e a a/heta de estibordo.

Olhando de ré para vante, chama-se bombordo (BB.) ao lado esquerdo do navio, e estibordo (EB.) ao lado direito. Hoje há a ten-dência, sobretudo em Itália, para suprimir estes termos e os substi-tuir simplesmente por lado esquerdo e lado direito.

Chama-se costado à parte externa do casco que está fora de água, e querena

á parte externa do casco que .

está mergulhada. Também se denomina obras mortas à parte do casco que está fora de água e obras vivas à que está mergulhada.

Amuradas - São as paredes internas e laterais do casco. Comprimento total - É a medição feita da roda de proa à roda de popa ou grinalda.

Plano de flutuação- É o plano horizontal pelo qual o casco é conado pela superfície do mar. Este plano corta o costado segundo uma linha que se chama linha de flutuação ou linha de água.

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Comprimento entre perpenfliculares - É a distância medida entre as perpendiculares ao plano de flutuação, nos pontos onde a roda de proa e cadaste cortam o referido plano.

Cadaste - É o seguimento da quilha, 'à popa, onde géralmente se

. fixa a ferragem do leme.

Boca - É a secção mais larga do navio, isto é, a sua máxima largura.

Pontal

à borda.

É a máxima altura do navio, desde a quilha até

Calado de água - É a altura desde a parte inferior da quilha até

à linha de flutuação ou· linha de água.

Baclavento (BV.)- Ponto de onde sopra o vento e também este lado do navio. ·

Sotavento (SV.)- Ponto para onde corre o vento e também este lado do navio.

Qualidades náuticas - Condições a que um navio tem de satis-fazer para navegar com ·segurança, tais como:

Estabilidade - Facilidade de voltar à posição normal, quando inclinado para qualquer dos bordos.

Soliclez - É a resistência ao alquebramento e embates do mar agitado.

Velocidade uma hora.

É o caminho percorrido pelo navio durante

Poder giratório - É a facilidade que o navio tem de obedecer à

acção do leme ou das hélices, descrevendo curvas com raio e rapidez diversos.

Raio de acção - É a maior extensão que um navio de motor interno pode percorrer com o combustível que os seus paióis comportar.

Poder flutuante - É a qualidade que o navio tem de se poder sustentar mais ou· menos tempo sobre a água, quando com água aberta.

Condições de habitação - Consiste n;t melhor disposição dos compartimentos, na sua comodidade. e ventilação .

Os navios podem ser construídos de madeira natural, chapas de contrap!acado ou moldado, ferro, aço, alumínio e plástico.

A forma do casco do navio varia conforme ·o fim a que se destina. Na Marinha de Recreio, há dois tipos principais: o dos barcos de

corrida ou de regata modernos e o dos barcos de cruzeiro. E neste

estão compreendidos os do tipo antigo, de quilha direita e lastro interior, e os modernos de lastro exterior cuja quilha é formada por um grande bloco de ferro ou chumbo. O descaimento do navio que a quilha evita pode também ser quase anulado por uma placa metálica ou de madeira, que pode ser içada quando a profundidade de água é baixa ou quando não há necessidade de evitar o descaimento, e que se chamapatilhão. Recolhe, quando é içado, numa espécie de caixa

existente no interior do navio e chamada caixa do patilhão, na qual

a placa ou lâmina penetra por meio de uma fenda da quilha. Há quem discuta se lhe é atribuível influência sobre a estabilidade da embarcação.

Na generalidade, porém, a construção do navio obedece aos pre-ceitos descritos no capítulo seguinte, com as diferenças resultantes do diverso feitio da quilha, roda de proa e cadaste. Fixemos que o barco de regata se destina à competição e o de cruzeiro, que também pode entrar em regatas com outros idênticos, a passeio ou a viagem, considerada a verdadeira navegação de recreio e a forma mais nobre do desporto da vela.

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Noções de construção naval

O navio é construído no estaleiro ou carreira, em cima de travessas de madeira assentes em cantaria. É sobre essas travessas que assenta a quilha, base de toda a construção. A quilha, con-siderada como a coluna vertebral da embarcação, colocada no sen-tido longitudinal, é a peça mais importante de toda ela, e constituída de madeira ou ferro ou no material da restante construção. No primeiro caso forma-a um madeiro ou diversos madeiros, chamados

talões, unidos por escarvas de dente, que são atravessadas de cima

a baixo por cavilhas de ferro. Aos dois lados, a todo o comprimento da quilha, abre-se uma ranhura em forma de V, chamada alefriz,

onde embebe a primeira tábua do forro exterior. A parte' da quilha que ficà acima do alefriz chama-se sobressano supen·or e, por baixo

da quilha, fixa-se um pranchão de madeira chamado sollressano inferior - no caso de a construção ser feita dessa substância - e que serve para protegê-la em caso de encalhe.

Roda da proa - É o seguimento, curvo, da quilha à proa, peça que corta o mar, e consta de três· partes: pé da roda, que a liga à

quilha, emenda, que é a parte média, e cape/o, a ·parte de cima.

Cadaste - E o seguimento da quilha à popa - como já se disse - e emecha na extremidade da ré da quilha e termina o esqueleto do navio à popa.

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empregam-se umas peças curvas ligadas à sobrequilha, tanto a vante como a ré, que têm o nome de corais.

Pela parte interi<;>r da roda de proa e do cadaste há outras peças que lhe servem de reforço e têm o nome de contra-roda e con-tracadaste e que são como o prolongamento do sobresano superior. No intervalo que fica entre o coral, a quilha e o cadaste colocam-se outras peças que têm o nome de enchimentos e todo este sistema é fixado por cavilhas.

A alefriz da quilha prolonga-se pela roda de proa e cadaste e serve para embeber os topos das tábuas do forro exteiror. O so-bressano ·inferior acompanha pela parte exterior a roda de proa, for-mando o talha-mar.

A ossada do navio é formada por peças denominadas cavernas (que entalham na quilha), braços e aposturas, cujo conjunto tem o nome de balizas, as quais se colocam num plano transversal perpen-dicular à quilha. As de meia-nau têm a forma aproximada de um U e as que estão nas partes mais delgadas da proa, o feitio de um V. A maior baliza é a que está na casa-mestra ou secção mais larga do navio e chama-se baliza-mestra. As balizas que fecham a proa e a popa do navio têm o nome de balizas reviradas e os seus ramos ficam perpendiculares ao costado.

Sobrequilha - E uma peça colocada interiormente por cima da quilha e que assenta sobre as cavernas e é cavilhada para a quilha. Nela se cavilham outras peças com escavações quadradas, onde emecham os pés dos mastros e têm o nome de carlingas.

Forro interior:___ E o tabuado que reveste o navio pela parte de dentro e cujas primeiras tábuas, que se colocam na· altura de junção das cavernas com os braços, têm o nome de escoas.

Dormentes - São peças pregadas de popa à proa, por dentro das balizas, à altura dos pavimentos. Os dormentes de um e outro bordo são reunidos ou ligados à proa e à popa por peças curvas chamadas bussardas. Por baixo dos dormentes colocam-se os contradormen-tes, que têm menor grossura e encostam no forro interior.

Vaus- São peças de forma ligeiramente arqueada, cujos topos assentam no sentido de BB. a EB., nos dormentes, e que servem de escoras às balizas e de suporte aos pavimentos. Consolidam para as·

baliza'> ppr meio de curvas chamadas curvas d'alto.

Chaços - São peças que se colocam no sentido de proa à popa ~ntre os vaus.

Latas - São peças que se entalham de BB. e EB. sobre os chaços e dormentes. Os chaços e latas servem para dar mais sólido·

apoio ao pavimento.

Escotilhas - São aberturas feitas nos pavimentos a fim de estabelecer comi.micação com o interior ou dar ar e luz aos compartimentos.

Sicordas- São peças colocadas no sentido da popa à proa e que assentam os extremos em dois vaus, formando os lados das escotilhas. Em consequência do maior ou menor comprimento da escotilha, alguns vaus não são inteiriços e entalham os topos nos dormentes e nas sicordas.

Trincaniz __:_ E uma forte peça .que assenta sobre os vaus e prega para as balizas, correndo de ambos os bordos, da popa à proa, como os dormentes, e que, como estes, são ligados a .vante por bussardas.

Colocados os trincanizes, assenta-se o tabuado do pavimento, cuja primeira tábua, junto ao trincaniz, é de maior espessura ou galimo e que se chama tábua do trincaniz.

Pés de carneiro - São colunas que servem para escorar o pavimento e formam muitas vezes as ombreiras das portas das anteparas dos compartimentos interiores do navio.

Mísulas - São peças fixas interiormente ao costado, servindo para aguentar os assentos de ré.

Bancadas - São peças colocadas transversalmente no interior da embarcação, que servem para os tripulantes-

e

passageiros se sentarem.

. P.ródigos - São chapas pregadas nas batizas, da quilha à borda, mchnad~s de ~5°, dizendo, de meio"-navio para a proa, num sentido, e d.e meiO-?aviO para a ré, em sentido contrário. Servem para con-solidar mats as balizas entre si.

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20 GUIA DO MARINHEIRO AMADOR

Cosseiras - São pranchões assentes de cutelo sobre os trin-canizes em continuação do forro interior.

Forro exterior- E o tabuado que reveste a ossada pela parte de fora. A primeira tábua, junto à quilha, chama-se tábua de resbordo.

Alcatrate - E uma peça assente sobre os topos das aposturas, por cima das balizas, a todo o comprimento do navio, para con-solidar estas e também onde fixam os bronzes das forquetas, nas embarcações de remos.

Cintado grosso - E o conjunto das tábuas do forro exterior, pre-gadas a meia altura das balizas aproximadamente, e que são de maior espessura.

Cinta de abatucadura - E uma forte prancha que se prega a todo o comprimento do costado, interrompendo o forro exterior, e serve para fixar os fuzis da enxárcia. (Muitas construções modernas já não a usam).

Amuradas - Faces internas do costado.

Painel da popa - E a parte do forro exterior que reveste o esqueleto da popa do navio e é 'suportada pelo cadaste.

Borda falsa - Parte do costado acima do pavimento súperior.

Grinalda - E a parte superior do painel da popa,

Buzinas - São aberturas forradas de metal feitas no painel, des-tinadas à passagem de cabos de reboque ou amarração.

Clara do leme - E uma abertura feita no forro exterior, junto ao

·cadaste, e no convés, para dar passagem à parte superior do leme.

Robaletes - São peças semelhantes à quilha, pregadas exterior-mente a um e outro bordo, de proa à popa, na parte mais bojuda da querena, e servem para amortecer os balanços do navio de BB. e EB.

GUIA DO MARINHEIRO AMADOR 21 Vigias --: São aberturas feitas no costado, fechadas por grosso vidro com virola de metal e servem para ventilar e dar luz aos com-partimentos interiores. Também fecham por dentro com discos de ferro ou de bronze.

Enoras - São aberturas feitas no convés, por onde enfumam os mastros que vão emechar nas carlingas.

Carlinga - Já dissemos que são cavidades feitas na sobre quilha e onde emecha o pe do mastro.

Raposas - São saliências no costado das amuras, para descanso da unha do ferro.

Turcos - São peças de ferro recurvadas, girando em braçadeiras, e servem para suspender as embarcações miúdas. São dois para cada embarcação. À proa costuma haver um turco mais pequeno, que serve para a manobra das âncoras e que tem o nome de turco lambareiro.

Escovens - São aberturas feitas junto à roda da proa, uma por cada bordo. Servem _para dar passagem às amarras e por isso são forradas de mangueiras de metal.

Embornais - São canais abertos nos trincanizes ou na borda falsa, para dar saída às águas da baldeação, da chuva, ou entradas c<;>m o adorno do barco ou com o choque do cachão no casco.

Dalas - São calhas pregadas no costado e servem para a con-dução dos despejos.

Porão - É a capacidade abaixo do pavimento inferior, destinada à arrumação do lastro. Há também o porão da amarra, destinado às

amarras.

Paióis - São compartimentos que servem para guardar diversos artigos de bordo. Assim, há o paiol de mantimentos, o de sobressa-lentes, o do pano, .o dos cabos, o do carvão, etc.

Leme - Aparelho destinado ao governo da embarcação. O seu lugar é junto do cadaste, com os machos introduzidos nas fêmeas.

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N.0 1

N.o 4

I - Balizas de popa e de proa. 2 - Esqueleto do navio. 3 - Baliza mestra. N.0 2 A

bd

N.0 6

4 - Casco de barco de cruzeiro - Lastro interior.

N.0 3

A N.0 5

5 - Casco de barco de corrida.

6 - Quilha (A - Alefriz; B Sobresano superior; C

inferior Sobresano

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24 GUIA DO MARINHEIRO AMADOR

larga, que sofre a pressão da água) e cachola (onde emecha ou encaixa a cana do leme).

Os navios grandes têm diversos pavimentos, sendo o de cima o

convés e, por baixo deste, a coberta. Nos barcos de recreio, e prin-cipalmente nos de vela, há apenas o convés, ql!e contém ordinariamente as seguintes disposições, de vante para re: as abitas formando a trempe do pau de bujarrona, guincho ou cabrestante; cabeços, escotilha do rancho, escoteiras, gateiras, enoras dos mas-tros, mesas de malaguetas, albóios, clarabóia, gaiútas, poço, clara do lenie, alguns orifícios cobeFtos de grossos vidros, que servem para dar luz ao interior e se chamam olhos de boi, olhais e cunhos de metal e de madeira ou substitutos.

Embarcações miúdas

As embarcações miúdas servem para as comunicações do navio com a terra e, em caso de sinistro, para salvamento da tripulação. Hoje existem modelos feitos de borracha e de várias substâncias sin-téticas, por vezes de armar ou de desdobrar, acomodando-se facilmente, ou ainda servicdo de poço, onde o timoneiro e alguns tripulantes podem governar e manobrar o barco.

As que são feitas de madeira podem ter o costado liso, trincado e diagonal. As de costado liso têm o tabuado do costado pregado topo a topo; as de costado trincado têm o tabuado com os topos sobre-postos, e nas de costado diagonal o tabuado é pregado em diagonal e forma dois cascos: no interior, o tabuado é pregado da ré para vante e, no exterior, de vante para ré, como por exemplo sucede nas embarcações destinadas ao serviço de salva-vidas.

As de costado liso são semelhantes, na construção, aos navios. Têm quilha, cadaste, roda de proa, corais, balizas, dormentes e alcatrate, que lhes formam a borda. Por serem de boca aberta - isto é, sem convés-, os vaus são substituídos por tábuas assentes sobre os dormentes e a que já demos o nome de bancadas. O fundo interno é coberto por estrados que têm o nome de paneiros ou

xadrezes.

A última tábua de cima do forro exterior chama-se falc,a, e encosta ao alcatra te, no topo superior, e no inferior é guarnecida por uma régua boleada que se chama verdugo, e destina-se a proteger o costado da embarcação quando se encontra atracada. Em reforço da falca colocam-se à proa e ré umas peças de madeira que têm o nome de barbados.

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roda de proa e cadaste, assenta-se o costado de forma que cada tábua seja um pouco coberta pela que lhe está por cima, fazendo-se um entalhe para que não fique tão grossa na união. As tábuas são rebitadas umas para as outras e dispensam por isso o calafeto. Depois de assente o costado, colocam-se as balizas, formadas por fasquias domadas ao feitio da embarcação e mais afastadas umas das outras do que as das embarcações de costado liso.

Para esgotamento, têm todas buracos abertos no fundo, tapados com bujões e a que se chama boeiras(*).

De um lado e outro da sobrequilha há, de popa à proa, as duas réguas a que chamámos escoas, para travar o cavername. Nelas se pregam as castanhas dos paus de voga, e estes servem para firmar os pés e remar. Entre as escoas e a sobrequilha prega-se por cada bordo uma tábua, no sentido de popa à proa, para protecção interior. do costado, chamadas ambas sarretas. Geralmente são três por cada bordo.

As bancadas descansam a meio sobre os prumos a que demos o nome de pés de carneiro.

Por detrás da bancada da popa há uma tábua a servir de enncosto,

chamada guarda-patrão. .

O leme é manobrado por meio de cana ou de meia-lu~(*) com os tutores feitos de cabo chamados gua/dropes. Sobre os alcatrates pregam-se umas peças de madeira com furos verticais, chamadas chumaceiras, onde se fixam os toletes ou forquetas dos remos.

As carlingas dos mastros assentam na sobrequilha, dissemos já, entre duas cavernas, e a enora é aberta numa bancada de vante ou em meia-coxia, que é uma tábua pregada entre duas bancadas no sentido de popa à proa, ou ainda formada por um galindréu fixado na parte de vante duma bancada.

Umas embarcações têm popa de painel, como os escaleres, e outras têm duas proas, como as baleeiras.

As embarcações que têm dois remadores em cada bancada chamam-se de pa/amenta, e de voga as que têm um só.

(•) O engenheiro Duarte Belo registou a patente de boeiras que esgotam a água

automaticamente e têm sido aplicadas em barcos de regatas não só em Portugal como em todo o Mundo,.,_

(•) Certos barcos pequenos de regata usam cana de leme dupla em forquilha, ou uma extensão com cruzeta, para poderem ser facilmente accionados quando o timoneiro está

estendido em prancha pela borda fora.

As embarcações mais em uso para serviço dos navios são: Escaler - Embarcação de palamenta, costado liso com painel de popa. e roda· de proa direita, possuindo quatro a seis bancadas e armando os remos em toleteiras ou forquetas.

Salva-vidas- Tem a forma e a posse idêntica às das baleeiras, mas é embarcação de palamenta e tem caixas de ar a vante, a ré e debaixo das bancadas laterais e linha de socorro a náufragos em toda a volta.

Baleeira - Embarcação de voga. Difere do escaler por não ter painel e a proa e a popa serem mais levantadas que a meio da embarcação. A roda de proa é lançada (curva).

Canoa - Embarcação de voga, muito fina de formas, destinada ao serviço do comandante. Tem painel, ainda que pequeno, e arma os remos em forquetas.

Bote - É do feitio do escaler, mas de mais boca e mais pequeno, armando remos parelhos em toletes, apenas com duas ou três bancadas.

Chata - É uma pequena embarcação de fundo chato, painel à popa e apenas possui uma ou duas bancadas. Destina-se aos ser -viços junto ao costado e embarque ou desembarque em praia espar -celada e rebentação do mar. Arma remos parelhos em toletes de ferro.

~s escaleres e baleeiras podem armar velas de carangueja, de baioneta, de pendão, de bastardo e triângulos conforme a sua posse.

A palamenta das embarcações miúdas consta de: xadrezes ou paneiros, paus de voga, leme e cana ou meia-lua, boça, retenida e:

Aricorote É uma âncora pequena, que serve para fundear a embarcação.

Ancoreta - E uma espécie de barril um pouco achatado, que serve de depósito de água doce para beber.

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28 GUIA DO MARINHEIRO AMADOR

Remos (dois sobressalentes) - São peças de madeira ~ue servem para dar andamento à embarcação e comp9em-se de: pa (parte do remo que mergulha na água); forro (parte do remo que assenta na forqueta ou toleteira) e punho (parte do remo onde o remador pega quando rema)(*).

Forqueta - Peça de metal em meia-lua onde assenta o

forro do remo.

Tolete _Peça de metal em forma de haste a que o forro do remo é preso por meio de uma tira de couro ou cabo chamado estropo.

Croque- Espécie de gancho de ferro ou latão, ligado a u~a vara de madeira, que serve para aguentar à embarcação a um cais ou ao costado do navio.

Defensas - Peças feitas de sola ou de c~bo; ou ai.naa de velhos pneus, ou almofadados de lona pintada e cheia de C_?rtiça em aparas, que servem para prot~ger o casco da embarcaçao.

Vertedouro (ou bartedouro) - Espécie de con~ha feita d~ madeira, que serve para esgotar a água da embarcaçao. Os man-timos incultos chamam-lhe batedor.

Balde _ Recipiente que serve para esgotar as águas da embar-cação, de maior capacidade que o vertedouro.

Drogue - Objecto feito de lona, muito parecido com o saco de café e: que serve de âncora flutuante.

As embarcações miúdas trazem ainda a bordo toldo, boias ou cin -tos de salvação, lanterna de sinais, agulha de es~aler, mastro, pano e suas vçrgas, bandeira nacjonal e pau para a Içar e galhardete. do clube e respectivo pau.

(*) Gingar ou gingrar é remar com um só remo, à po~a, de modo especial.

Mastreação

Navios latinos

Mastreação ou arvoredo é o conjunto de mastros, vergas e paus que servem num navio de vela para expor as velas à acção do vento.·

Mastros são compridas antenas que se colocam a prumo e, enfor -nando pela enora, assentam o pé na carlinga. Tomam o nome da vela mestra, que neles está envergada e assim chamam-se mastro de traquete, grande, da mezena, da caiita e pau da bujarrona(*). No antigo aparelho, os mastros eram divididos em mastros e mastaréus, ainda que muitos barcos de menor tonelagem usassem mastros inteiriços, que se denominavam mastros mochos. Hoje, quase todos os yachts usam mastros inteiros, duma construção especial, que lhes dá maior leveza com igual resistência e são feitos de peças entalhadas.

Nos mastros com mastaréus, a sua nomenclatura é: mecha de pé,

pé do mastro, corpo, garganta, romã, curvatões, calcês e mecha do calcês. O mastaréu tem pé, corpo, galope e mecha da borla.

Os mastros inteiriços não têm calcês e os vaus são fixados por uma chapa de ferro que abraça o mastro na altura da romã. Galope

ou tope é a extremidade superior do mastro ..

(*~ Gurupés é o mastro colocado pela proa fora, fazendo em geral com o horizonte

um ~ngulo de 35o. .

(17)

Guinda - É a menor ou maior altura da mastreação, do convés à

borla.

Borla - É uma peça esférica ou em forma de bolacha, onde

gur-nem as adriças das ·bandeiras.

Pãfha - É a maior ou menor espessura duma antena.

Caimento - É a inclinação que a mastreação ~orna para vante ou

para ré.

Hoje em dia., vários yachts modernos, quer de cruzeiro quer de regata, usam mastros. metálicos, de alumínio e até de aço. Os mas-taréus têm o pé apoiado numa cunha sobre os curvatões e espigam pela clara da pega do calcês.

O pau da bujarrona prolonga para fora da proa. Firma o pé na trempe, formada pelas abitas e é fixado sobre a roda de proa por uma chapa ou galindréu de ferro. No !ais (extremidade) tem uma ch'apa com quatro olhais e, por ante a ré dessa chapa, um gome em sentido vertical onde gume a ostaga.

As vergas dos latinos quadrangulares têm os nomes de carangue-jas e retrancas. Nos triangulares, há apenas a retranca.

Caranguejas - S~o vergas de cima e que suspendem a vela. No

extremo mais grosso têm uma boca de lobo, que encosta ao mastro e é obrigada por ele, por fios de arame, guarneÇidos de caçoilos. O

!ais toma o nome de peno/.

Retrapcas - São as vergas de baixo, onde envergam as esteiras .

das velas. São fixadas no mastro por meio de um peão que lhes per-mite a articulação tanto vertical cemo horizontal. Têm,perto do !ais duas tamancas com furos e gomes, para

a

baça dos rizes, e uma chapa com olhai, para engatar a talha da escota.

Verga do redondo - É a verga de uma vela redonda que se iça no mastro de vante para correr com o tempo.

Pau do redondo - Serve para amurar a vela chamada

spin-naker. Fixa ao mastro por ante a vante, por meio de um peão, como

a retranca, e arruma prolongado com o mastro, peado pelo próprio amantilho.

~au d~ botaló ou caça -escota - É onde se fixa a escota da cat1ta. Sa1 pela popa, emecha o pé numa chapa por ante a ré da clara do leme e fixa na grinalda por outra chapa.

Vergas do <~gaff-top» - Servem a esta vela, atracando a verga,

par~ o mas~reu ou galope do mastro, e a retranca, para a

caran-gueJa do latmo.

Vaus - Cruzam nos mastros num plano perpendicular à quilha e

servem como espalha-cabos.

Pau de pica-peixe - Ajuda a tesar o cabresto do pau da

bujarrona.

Espichas - São varas que servem para manter abertas as velas

desta . ~rmação. Os bastardos, pendoes e baionetas têm vergas

(18)

Arte de marinheiro

A arte de marinheiro consiste em saber aparelhar um navio a pre-ceito. No tempo da navegação de vela, saber esta arte equivalia a possuir um diploma de instrução profissional. Actualmente, está muito modificada a ciência dos antigos gajeiros. Todavia, ·na Marinha de Recreio ainda se usam muitos dos trabalhos da antiga marinharia, que só na prática se podem ensinar eficazmente. Por isso, )imiiar-me-ei à nomenclatura do mais necessário ao aparelho e manobra· do yacht. ·

Cabos

Os cabos são fabricados de filamentos vegetais e denominam-se:

de linho, de pita, de cairo, de cânhamo, de sisal, de algodão, de manila, designando-se por enxárcia branca ou alcatroada, ou de

fios metálicos e chamam-se de arame ou de aço, zincado e

inoxi-dável. Hoje fabricam-se e são muito apreciados pelos amadores os cabos fabricados com fibras sintéticas, o nylon, o perlon, o dracon (terylene), etc.

Enrolam-se em forma de cilindro, formando peças, e desenrolam--se do centro para a periferia. O mealhar, colhe-se em novelos alongados, a que se chama palomba. O fio de vela, em meadas, e a

linha de gacheta, em peças de 120m. Chama-se arrebem ao cabo

velho que, depois de descochado, serve para estopa.

Um certo número de filamentos torcidos dá o fio de carreta. O agrupamento de uns tantos fios dá o cordão e de três ou quatro cor-dões coxados (torcidos) forma-se o cabo de massa.

Chamam-se chicotes aos extremos, e seio à parte média do

(19)

Bitola - É a grossura do cabo, expressa em medida linear. Coxa ou cocha - É o sentido em que o cabo é torcido. Cabo de massa -'--É um cabo de três ou quatro cordões coxados entre si.

Cabo de madre - É um cabo cujos cordões são coxados em volta de um cordão central, que tem o nome de madre.

Cabo calabroteado - É o cabo formado por três ou quatro cabos de massa, coxados em sentido contrário à sua coxa.

Virador - É um cabo de massa ou calabroteado de bitola superior a 8 polegadas . .

Os taxa ou amarreta ~·É um cabo calabroteado de menor bitola que o virador.

Espia - É um cabo de massa da mesma bitola que a os taxa.

Há ainda a rizadura, a .passadeira, o mealhar de dois e mais fios, sondareza, linha branca e alcatroada, merlim, fio de vela e estralho.

Nós e voltas

Nó direito, nó torto, nó de aselha, nó de aparelho, nó de botija, nó de escota singelo e dobrado, nó de encapeladura de dois e de três, nó de fateixa, nó de arinque, nó de frade, nó de trempe, nó de abouço, nó de cábula, QÓ de empatar, nó chato, nó de barca, nó de fios, !ais de guia pelo chicote e pelo seio, malhas de socar, bocas-de--lobo, voltas de fiel, da ribeira, redondas, de anete, falidas, mor-didas, de tomadouro, de tortor e cadeias de impunidouro e dobrada.

Costuras

. Redonda, de rrtão (para fazer mãozinhas), de laborar, de vaca, Inglesa, de estoque, alças e unhão.

f

GUIA DO MARINHEIRO AMADOR

35

. Pinhas

Pinha de anel fixa, de correr de três d .

boça, de colhedor de rosa de saco d ' e quatro e aumentos, de xadrez, de vassoura de 'boi ta d' e bald~, de ananás nozinhos de

' 0 • e retemda, etc. '

Gachetas e rabichos Simples, de um, de três de u tr .

quatro faces, francesa, d;

rab~-;e-~aev ~e

seis filaças, redonda, de cus-de-porco de nós d" .t d a o, de rabo-de-raposa de

b. h ' Irei os e nós torto h ' ra Ic os de rabo-de-cavalo 'd b s, c ata e inglesa, e

e e ra o-de-raposa.

Coxins Coxim redondo, de

enxa. rcJ·a. nozinhos, de no· s de

aumentar, de

Falcaças Destinadas ·

R edonda, de meias a evitar que se descochem voltas . . 1 os _c hIcotes dos cabos. " alemã.. ' a mg esa, amencana, de agulha e

Botões

~adema,

botão redondo es d

peito de morte, trinca port gana o, de voltas falidas, em cruz ' uguesa e barbeias em gatos. '

Pontos

D~

costura ou bainha, de bi or . .

peneiro, de cadeia de espelho deg

nlh~,

de espinha, de livro de redondo, ilhoses ~ garrunc·ho's. cruz, e palomba pela coxa e ~lo

(20)

36 GUIA MARINHEIRO AMADOR DIREITO DE AZELHA DE ESCOTA DE ENCAPELADURA DE 3

DE FRADE TORTO UE FATEIXA DE TREMPE DE BOTIJA

GUIA DO MARINHEIRO AMADOR

~

~

VOLTA DE FIEL DE TORTOR VOLTA UE RIBEIRA 37

(21)

Diversos trabalhos e tratamento dos cabos

Engaiar, percintar, trincafiar, forrar, alcear, · embutijar, entralhar, desbolinar, meter em prensa, meter em estaleiro, fazer estropos, lingar ao alto, gumir, urdir, entrançar, rondar e coser.

Engaiar é cobrir a coxa do cabo com fio de carreta ou mealhar

para lhe dar forma mais redonda e para evitar que a humidade se infiltre no interior do cabo; percintar é cobrir a parte do cabo

engaiado com tiras de lona, tomando estas os nomes de percintas;

trincafiar é aguentar as percintas com voltas de tomador dadas com o fio de vela ou palomba;forrar é cobrir a parte do cabo engaiado,

percintado e trincafiado com voltas de merlim ou mealhar,

aper-tadas com um objecto chamado macete de forrar. Aparelho

O aparelho é o conjunto do massame, poleame e velame de um navio.

Massame - É o conjunto de todos os cabos e estes dizem-se

fixos quando serve para aguentar a mastreação, com excepção dos brandais volantes, e de laborar os que servem para dar movimento

às manobras.

Poleame - É o conjunto de todas as peças que servem para fixar

ou dar retomo aos cabos. Diz-se de laborar, quando os peças têm roldanas: surdo, aquelas em que o cabo passa num claro, olho ou furo, sein roda; ferrado, quando a alça . é de ferro.

Velame- E o conjuntode todas as velas do navio. Divide~se em

duas classes: velas redondas, as que envergam de BB. a EB., em sentido perpendicular à q1,1ilha, e velas latinas, as que envergam em sentido paralelo à quilha, de proa à popa.

As velas dizem-se mestras, de reger e auxiliares. Nos navios latinos, são mestras a grande e traquete; de reger, a de estai,

bujarrona e mezena; auxiliares, a giba, «gaff-top», redondo,

<<Spin-·naker» e estai de balão. (Tentou-se dar ao <<Spinnaken> a antiga designação de palanque, mas não se conseguiu que vingasse).

Como na Marinha de Recreio só é usada a armação latina, só a esta farei referência.

Massame: cabos fixos

Vestir um mastro, uma verga ou um pau, é colocar nele o seu aparelho. Os cabos fixos são de arame ou de aço.

Brandais fixos ou ovens de enxárcia - São os cabos que aguen-tam os mastros para ambos os bordos. Um cabo, permeado pelo seio e abotoado formando aselha, que possa encapelar no calcês, constituindo os seus chicotes, dois ovens do mesmo bordo e ter-minados por mãos com bigotas, chama-se uma encapeladura. Ao conjunto dos brandais ou ovens dá-se o nome de enxárcia real. Os ovens de enxárcea, modemamente, fixam e tesam por meio de macacos em vez de bigotas.

Quando a enxárcia tem um branda! solteiro ou ímpar, este tem o nome de cupez.

Para manter o espalho entre os ovens, coloca-se por cima das bigotas ou macacos um varão de ferro, abotoado em cada um deles e que tem o nome de malhete.

· Brandais volantes - Servem para aguentar o mastro e mastaréu

ou galope, de ré para vante. Tesam por teque ou talha singela e folgam a sotavento, quando o pano vai largo. Em certos yachts mo-demos (por exemplo os dragões), o caçar ou o folgar dós brandais volantes é feito por alavancas especiais que simplificam muito

a manobra.

Brandais fixos do mastaréu ou galope - Servem para aguentar

para ambos os bordos o mastaréu ou o galope do mastro. Encapelam por mão de encapeladura no galope e passam em reclamos dos laises do vau e tesam para olhais do trincaniz por bigotas ou macacos.

Estais - São os cabos que aguentam os mastros de vante para ré

e dizem no sentido de proa para a popa. Chamam-se estais do

tra-quete, grande, da mezena, de entre-mastros, do galope, do mas-taréu, conforme a antena a que servem.

Cabresto - Serve para aguentar o pau da bujarrona de baixo

para cima. Nos barcos grandes, é de corrente. Faz arreigada numa

manilha cujo pemo atravessa a roda de proa um pouco acima da linha de água e tesa por meio de teque, para a chapa do lais do pau,

(22)

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GUIA DO MARINHEIRO AMADOR

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GUIA DO MARINHEIRO AMADOR 41

vindo o tirador dar volta dentro do navio .. Alguns paus de butaló também têm cabresto.

Patarrazes - Servem para aguentar o pau da bujarrona e do butaló para os bordos. São fixados por mão com sapatilho nos olhais laterais da chapa do !ais e tesam para as amuras e alhetas por macacos ou teques, cujos tiradores entram por furos da borda .

Alguns yachts de maior tonelagem usam, nas enxárcias, uma espécie de escadas formadas por cabos atravessados de branda! a branda! e servem para facilitar o subir, nos trabalhos de borda acima. Os cabos que formam os degraus chamam-se enfrechates e ao conjunto dá-se o nome de enfrechadura. Têm mãozinhas nos chicotes que abotoam para os brandais. dos extremos e nos do meio, fixam com volta de fiel. Chamam-se enque e costaneiras os cabos que se dão de reforço respectivamente ao estai e aos ovens, quando· estes não inspiram confiança.

O cupez não tem enfrechates.

A boça é um pedaço de cabo fixo no olhai da proa e que serve para amarrar uma embarcação miúda. A retenida é um· cabo solteiro de pequena bitola com uma pinha de retenida num dos chicotes, emrpegado em aguentar temporariamente qualquer peça. É muito empregada nas atracações para passar um virador ou uma espia a terra, a um rebocador, etc.

Cabos de laborar

Adriças - São os cabos que servem para içar as vergas e as velas.

Adriça da boca - É a que leva acima a boca da carangueja. É

formada por uma talha dobrada, fazendo um dos chicotes do tirador arreigada a EB. e o outro dá volta a BB. nas primeiras mafaguetas de ré do galindteu ou das escoteiras do mastro. Um dos cademais engata num gato de tomei, na boca da carangueja e o outro num olhai da romã.

Adriça de pique - É

a

que iça ou repica o peno! da carangueja. Faz arreigada num olhai da pega do calcês, gume de ré para vante,

(23)

num moitão do terço de fora da. caranguej~. sobe a gurnir de cima para baixo num cademal fixado a meia altur~ do calcês, desc~ ~ gur -nir num moitão que engata num pé-de-gahnha do terço med10 da carangueja sobe a passar no outro gome do mesmo cadernal e desce ao longo d~.mastro a dar volta na segunda malagueta do galindréu ou escoteira.

Ádriças das velas de estai e bujarrona- Fazem arreigada a um dos bordos do calcês, gumem para seio num moitão que engata na pena da vela, sobem a gumir de cima para baixo num moitão fixado no bordo oposto ao da arreigada e descem ao longo do mastro, a dar volta nas malaguetas de vante do galindréu ou escoteira.

Em embarcações de maior tonelagem, a adriça da bujarrona é for-mada por corrente e, em vez de fazer arreigada no calcês, descem ao convés os dois chicotes, um por cada bordo, tendo um deles mão para fixar como arreigada. ·

Adriça do «gafT-top» - Enfia de vante para ré, n~m -gome q~e está por baixo das encapeladuras do mastaréu:

?

chicote que diz para vante, termina em alça que abraça um mmtao em que gume a

beta da adriça do «gaff-top» (a beta é o nome dado a todos os cabos de laborar ou toques, usados para tesar outros cabos).

Adriça da giba - Enfia num gome que está por cima das encapeladuras do mastaréu e desce a dar volta numa das mesas de malaguetas.

Adriça do redondo ou «spinnaker» - eJ:ume ~um moitão colocado por, cima das encapeladuras do mastareu e da volta numa das malaguetas das mesas.

As velas bastardas e bermudas, de pendão e baioneta, têm tam-bém as suas adriças, singelas ou ajudadas de teques e talhas.

Há também adriças para bandeiras e sinais.

Escotas - Servem, nas velas latinas, para as orientar. São for -madas por cabos macios, que laboram singelos ou gumindo em moitões e cadem.ais, dispostos de forma a aliviarem o peso da manobra.

Outros cabos de laborar

Amantilhos - Servem para aguentar o peso das vergas e paus. Fazem arreigada na chapa do lais da retranca, um por cada bordo, gumem em moitões alceados em olhais de romã e tesam por meio de teque para as mesas das malaguetas. O pau do redondo (ou « spin-naker») tem também amantilho com que é arriado para a borda.

Anderbelos - São os cabos que servem para arriar ou levar à cunha os mastaréus. Fixam por um bordo num olhai do calcês, enfiam num gome do pé do mastaréu, sobem a enfiar de vante para ré num moitão fixado no olhai correspondente, do outro bordo do calcês, e descem a dar volta numa malagueta do galindréu do mastro.

Ost;1ga - Serve para levar ao !ais do pau da bujarrona a urraca, que é um aro de ferro que corre neste pau, e onde amura a bu-·

jarrona.

Fixa na urraca por um pé de galinha, enfia de cima para baixo num gome do pau e termina por um teque, cujo tirador vem dentro por um dos bordos. A urraca temuma carregadeira que serve para a trazer à roda de proa e que se fixa nela, também, por um pé-de--galinha.

·É formada por um cabO solteiro.

Carregadeiras - São cabos que servem para levar as velas de encontro às vergas e mastros, facilitando a manobra de abafar o pano, ou, nas velas triangulares, para ajudar a arriá-las. Nos barcos de recreio são pouco usadas. ·

Boças dos rizes - Servem para levar o garruncho da forra à altura do gome correspondente da tamanca da retranca. É um cabo que tem num dos chicotes uma pinha de boça. Enfia pelo outro de baixo para cima, num furo da tamanca, passa pelo garruncho da forra para o outro lado, gume no gome correspondente ao furo, nesse bordo, prolonga por baixo da retranca e tesa por meio de teque para o respectivo cunho.

Braço e contrabraço - Dão-se estes nomes aos cabos que servem para aguentar para ré e para vante o pau do redondo. São cabos solteiros.

(24)

44 GUIA DO MARINHEIRO AMADOR

Os barcos de vela bastardo têm a mais o cabo da amura, que serve para amurar a vela, as orças, uma por cada bordo, para manobrar o carro da verga, as troças (bráceos ou bracéus) que atracam as vergas para o mastro, e um guardim, que aguenta o carro da verga para o galope do mastro.

Poleame

O poleame pode ser feito de madeira ou de metal, tufnol (espécie de plástico) e as roldanas também em hylon fundido.

Poleame surdo

Bigotas - Discos goivados, com três furos em triângulo. Alce iam nos chicotes dos ovens de enxárcia. Na borda, há outras bigotas, fixas por fuzis. A ligação entre elas faz-se por colhedores que gurnem nos seus furos, sondados à talha e abotoados.

Sapatas - Peças de madeira de forma oval, furadas pelo centro, tendo uma, duas ou mais goivaduras para gurnir o colhedor. Chamam-se lizas as de uma gávea, e dentadas as de mais gáveas.

Caçoilos - Peças do poleame surdo, de dois e três furos, que servem para guia de cabos de laborar. São chanfrados em meia cana para ajustar no -cabo a que forem cosidos.

Caçoilos esféricos - São furados pelo centro e servem para a ligação das caranguejas com os mastros.

Sapatilhós - São disco'S goivados, aplicados nos punhos e gar-runchos das velas e alças do poleame.

Poleame de laborar

Compõe-se de três peças principais: caixa, perno e roda. A caixa é feita do material já. indicado, com uma ou mais fendas, chamadas gomes, dentro das qtiais trabalha a roda ou roldana, que tem uma goiva, onde labora o cabo. O perno é uma haste de ferro que serve

GUIA DO MARINHEIRO AMADOR 45

de eixo à roda, atravessando a caixa de lado a lado. As caixas têm uma ou duas goivaduras para a alça do cabo. Se a alça é de ferro, diz-se poleame fe"ado. A alça abraça conjuntamente um sapatilho, com ou sem gato, e este pode ser singelo, de tesoura ou de torne/.

Moitão - Tem a caixa de um só gorne. Diz-se de rabicho, quando a alça termina em rabicho; de dente, quando tein a caixa em forma de cunha; campeiro, quando a caixa é muito larga e pouco espessa.

Cadernal - Semelhante ao moitão, mas com dois ou mais gomes.

Polé - É formada por dois moitões na mesma caixa, podendo os gomes ser no mesmo plano ou cruzados.

Lebres - São formadas por dois moitões de forma especial, unidos . pelos topos, e entalam-se entre dois cabos fixos do aparelho.

Patescas- Têm a caixa aberta de um lado, para poder gumir e tirar o seio de um cabo sem o desenfiar.

Bonecas, papoilas, reclamos - São peças de poleame que fazem parte das escoteiras.

Há, em vários lugares do navio, algumas peças que servem para fixar, guiar e dar volta aos cabos, tais como: cunhas, cabeças, mesas de malaguetas, olhais, castanhas, tamancos, gornes de amurada, gaviete, turcos, etc.

Nos yachts fixam-se por vezes as escotas em peças chamadas mordedores, de vários tipos e de grande sentido prático.

Chama-se tirador o cabo que faz a ligru.ão entre dois moitões ou cademais. Gurnir é a operação de enfiar o tirador nos respectivos gomes. Tocar um aparelho é folgar o tirador, a fim de afastar os moitões ou cademais um do outro.

Teque- É o.conjunto de dois moitões alceados, com um tirador, éujo chicote se fixa na alça de um deles. A ligação do tirador à alça chama-se arreigada.

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Talha singela-É formada por um moitão e um cadernal de dois gomes. O tirador faz arreigada na alça do moitão e sai por um dos gomes do cadernal.

Talha dobrada-É formada por dois cadernos de dois gomes. O tirador faz arreigada na alça do cadernal por onde entrou.

Estralheira singela - É formada por um cadernal de dois gomes e outro de três. O tirador entra no gome do meio do cadernal de três gomes e faz arreigada na alça do cadernal de dois.

Estralheira dobrada-É forniada por dois cadernais de três gor-nes. O tirador entra pelo gome do meio de um dos cadernais e faz arreigada na alça do cadernal por onde entrou.

Diz-se pôr clara a talha a operação de desembaraçar os seios do

tirador quando estão torcidos. Se o tirador não estiver bem gornido, o aparelho puxa de escacha. e perde em força.

Há ainda outros aparelhos de força, com maior potência, mas não se usam na manobra de barcos de recreio.

Velame

As velas são formadas por compridas tiras de lona brim ou cotão cosidas umas às outras com fio de rede. Nos

bar~os

de regata

~

mesmo nos yachts de cruzeiro, os tecidos de que se fazem as velas

sã~ produzidos de outras substâncias mais ligeiras, quer do tipo dos. tecidos de ~o vegetal ou animal, quer de tecidos sintéticos, hoje de grande vanedade, como o nylon, o dracon ou terylene, o perlon, etc.

A. :ada uma dessas tiras que formam a vela chama-se pa.no; à

reumao dos panos dá-se o nome de painel, e ao velame completo da

embarcação o de andaina ou capação.

As velas latinas são quadrangulares ou triangulares. São

quad-r~ngulares: a grande (que nas armações do tipo Màrconi é

triangular), a traquete, a mezena (que pode também ser triangular) e

a <<gaff-top» de verga; são triangulares: as de estai, bujarrona, giba, genoa ou genova, «gaff-top» de pena, «spinnaken>, bastardos e bermudas (Marconi).

Nas quadrangulares, os lados têm os seguintes nomes: gurutil, o

que enverga na car~ngueja; testa, o que está junto ao mastro;

esteira, a parte inferior, oposta ao gurutil e que enverga na retranca; valuma, a de fora, oposta à testa. O gurutil, testa e esteira são entralhados ou tralha. Junto à tralha abrem-se ilhozes para envergue nas vergas e na arcadura. Nos yachts, hoje, tanto a testa como a esteira correm numa fenda existente respectivamente no mastro e na retranca, ou em calhas metálicas aí existentes.

No terço inferior da vela cosem-se, paralelas à esteira, duas ou três forras para rizes, que terminam por garrunchos na testa e valuma.

Os quatro cantos têm os seguintes nomes: punho de pena, que é o

canto formado pelo gurutil e valuma; punho da boca, que é o canto

formado pelo gurutil e a testa; punho da amura, que é o canto

for-mado pela testa e a esteira; punho da escota, que é o canto formado

pela esteira e valuma. Em cada punho metem-se sapatilhas ao entralhar a vela. Gurutil, testa e esteira levam uma pequena forra e os cantos são também reforçados.

As velas triangulares não têm testa, excepto as do tipo Marconi . (bermudas), que não têm gurutil, e os pun,hos dizem-se: da pena, da amura e da escota, e nos bastardos há mais o punho do carro.

A armação chamada bermuda ou Marconi parece oferecer

van-tagens não só de manobra como de rendimento na bolina, que é em ângulo menor. A eficiência total pode calcular-se em cerca de 10% mais que a da vela quadrangular da mesma área. Parece que o nome vem da sua semelhança, pela altura, com uma antena de TSF.

As velas dos barcos de regata são munidas de réguas, que enfiam

em bolsas especiais e que se destinam a manter a curvatura da vela.

Todos os regatistas têm uma colecção de réguas de elasticidade diferente, conforme a forÇa do vento a que se destinam. São feitas de madeiras leves, plástico e até de alumínio. Nunca se deve içar uma vela sem ter primeiro colocado as réguas no seu lugar.

Uma vela, antes de entrar em uso, deve ser feita, para evitar

deformações ulteriores se é logo utilizada em vento forte. O prazo que uma vela leva a ser feita varia com a qualidade do tecido de que é fabricada, com o tipo de vento a que se destina, etc. De regra, os fabricantes de velas fornecem com estas as respectivas instruções para este período de adaptação.

(26)

Classificação dos navios de vela

pelo seu aparelho

Relativamente ao aparelho, os navios de vela dividem-se em dois grupos: navios redondos e navios latinos.

Navios redondos '-- São os que envergam velas redondas de bombordo a estibordo, apesar de envergarem também algumas velas latinas, mas aquelas são em maior área.

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Navios latinos - São os que envergam velas latinas de proa à

popa, possuindo algumas vezes velas redondas, mas sendo estas em menor área.

A galera é o tipo do navio redondo, o lugre o do navio latino. Pela sua colocação no navio, os mastros denominam-se de proa, de meio, de ré, tomando também o nome da sua vela principal, e assim são: de traquete (o da proa), grande (o do meio), de gata ou da mezena (o de ré), conforme a maior vela de ré é redonda ou

latina. .

Navios redondos

Galera - Três mastros com dois mastaréus em cada um. Pano redondo em todas. Gurupés e seu velame.

Barca - Três mastros, sendo o de traquete e grande, de galera, e o de ré, latino. Gurupés e seu velame.

(27)

Lugre-Barca- Três mastros com um mastaréu em cada mastro. Redondos nos de proa e grande. Latinos quadrangulares em todos. Gurupés e seu velame.

Lugre-Patacho - Três mastros. O do traquete é de galera. Grande e mezena, são latinos. Gurupés e seu velame.

Brigue - Dois mastros de galera e enverga um latino quad-rangular no mastro grande, que tem o nome de vela-ré. Gurupés e seu velame.

Patacho - Dois mastros. Aparelho variado, prevalecendo o redondo. Os seus mastros denominam-se, de proa para ré: de tra-quete, grande, maior e da gata ou mezena.

Navios latinos

Lugre - Três mastros latinos, com um mastaréu em cada mas-tro. Gurupés ou só pau de bujarrona e seu velame.

Escuna - Dois mastros com um mastaréu em cada mastro. V

é

las latinas nos dois mastros, cruzando-se no de proa duas vergas redondas. Gurupés ou só pau de bujarrona e seu velame.

Lugre-escuna - Três mastros. Difere da escuna só em ter a mais o mastro de ré ou da mezena.

Palhabote - Dois mastros latinos com um mastaréu em cada mastro. Pau de bujarrona.

Hiate- (escreve-se hoje Iate) - Dois mastros sem mastaréus. Os mastros têm caimento, o de proa para vante e o grande para ré. Pau de bujarrona. Dada a existência ainda hoje deste barco de cabotagem, vê-se o erro que há em aportuguesar para iate a designação de yacht (barco de recreio), de origem holandesa e adap-tada em todo o Mundo, engano que frenquentemente se lê na Imprensa.

Cahique (escreve-se hoje caí que) - Dois mastros com velas de bastardo.

Cutter - .Um só mastro, com mastaréu, hoje sem mastaréu na armação Marconi dos barcos de recreio. Vela latina. Pau de bujarrona, ou não.

Ketch - Dois mastros com velas latinas, sendo a de ré ou mezena de muito menor guinda e situado por ante a vante da clara do leme. Pau de bujarrona, ou não.

Yawl - Semelhante ao ketch mas com o mastro de ré, cuja vela tem o nome de catita (também lhe chamam mezena), de menor guínda ainda, e colocado por ante a ré da clara do leme

quase ná grinalda. '

Canoa- Um só mastro, com vela de bastardo. Larga à popa uma pequena vela de espicha, que tem o nome de catita (também lhe chamam mezena) e .pela proa, uma outra triangular que se chama polarcão.

Bombarda - Dois mastros. O da proa é bastardo e o grande arma um latino quadrangular.

Bote de espicha - Grande e catita de espicha e à proa um triângulo chamado foque.

Houari - Um só mastro muito a vante com vela de baioneta.

(28)

52 GUIA DO MARINHEIRO AMADOR GUIA DO MARINHEIRO AMADOR 53

. I

CLIPPER GALERA BARCA LUGRE LUGRE-PATACHO

LUGRE-BARCA LUGRE-ESCUNA BRIGUE PATACHO ESCUNA

PALHABOTE IATE

(29)

Julgamos que possa ser útil e apreciado um curto resumo dos principais tipos de yachts existentes e que têm tido aceitação em Portugal, divulgando-se algun_s deles com gr~nde amplitude relativamente ao nosso meio de desporto náutico. E sabido que em todos os países existem muitas classes de barcos consideradas nacionais e cuja enumeração completa seria quase impossível. Podemos afirmar que, só de barcos individuais ou para dois tripulantes, navega em todo o Mundo mais de uma centena de tipos de barcos diferentes, não só de regata como de passeio e de instrução. Por isso nos limitamos às classes das·quais se encontram unidades t:m 4uase i.ouos os países, algumas delas consideradas internacionais pela União Internacional de Barcos de Regata (IYRU) e que se vêem em águas portuguesas. Não fazemos a his-toria de cada uma dentro do nosso país. Todos os anos, o «Calen-dário de Regatas» da Federação Portuguesa de Vela publica uma pequena introdução com os dados necessários a essa história. Apenas transcrevemos para aqui as características da construção e da armação que as distinguem, que devem ser do conhecimento de todo o velejador português.

I - Grandes barcos de cruzeiro ou de cruzeiro no mar alto

Quem queira fazer cruzeiro, isto é, turismo náutico em barcos de vela ou regatas-cruzeiros e regatas oceânicas, deve cuidar de ter uma embarcação suficientemente grande e confortável para que lhe seja possível viver a bordo em condições admissíveis e_ desde que

(30)

56 GUIA DO MARINHEIRO AMADOR

esse barco tenha boas. características para

à

resistência e andamento

no mar. .

Praticamente, não há barcos «de série» correspondendo a este enunciado. A sua divisão em classes obedece antes ao seu tamanho, isto é, ao comprimento na linha de água ou ainda, em certos países, à sua tonelagem, outras medidas do casco e à armação usada, e ':lue obrigam a uma classificação em barcos exclusivamente de cruzeiro, em barcos de corrida no oceano e a tipos mistos. No geral, os yachts de que tratamos têm dimensões e outras caracterís~icas as ma~s variadas e são construídos segundo desenhos de arqmtectos navais ~specializados em barcos de regata e de recreio, os mais famosos, correspondendo também muitas vezes às exigênc~as particulares dos seus proprietários ou das águas. a que se destmam:

As suas instalações interiores devem comportar behches, fixos ou de armar, cozinha, WC, lav;Itórios, uma mesa de navegação e para as cartas, armários e gavetõés para roupa, mantimentos, tanque de água e de combustível para o motor auxiliar, etc., qu~ possam se~ utilizados quando em navegação com todo o tempo, alem de um pe direito na cabina que não obrigue a tripulruão a andar curvada. De especial cuidado é a ventilação deste interior.

O tipo de armação mais corrente é o de cutter, yawl, ketch e palhabote, com armação do tipo Marconi considerada de mais fácil manobra e melhor rendimento de bolina do que a antiga de velas quadrangulares de carangueja.

Para que estes barcos possam competir equitativamente em regata, são medidos e é-lhes atribuído um coeficiente o~ «factor de correcção» de tempo compensado e calculado segundo formulas das quais a principal na Europa é a do Royal Ocean Racing Club, de Londres, aceita internacionalmente.

11 - Pequenos barcos de cruzeiro

O prazer do cruzeiro não é exclusivo dos proprietários de g~a?des barcos, pois é possível efectuá-lo, com, todo o prazer e e~cacia, a bordo de pequenos barcos habitáveis. E claro que os veleJadore~ e amadores da náutica que utilizem um pequeno barco· de cruzezro têm de saber limitar as suas ambições e ser prudentes. O cruzeiro no mar demanda grande prática e um certo grau de conhecimentos teóricos. As travessias atlânticas dos pequeníssimos barcos do_ tipo sopranino, que deram origem à interessante classe cujas cara~­ terísticas o Junior Offshore Group estabeleceu, e que envolvem nao só determinações quanto a medidas de casco, aparelho e velame,

GUIA DO MARINHEIRO AMADOR 57

mas também à segurança do barco, foram empresas levadas a efeito por homens que tinham grande experiência do mar. As regatas que estes barcos de menos de 20 pés na linha de água fazem anualmente estão também fixadas. Em geral, os pequenos barcos de cruzeiro estão classificados em duas grandes divisões, os que se destinam a águas abrigadas e os oceânicos, havendo também tipos mistos. A Associação da Classe de Pequenos Barcos de Cruzeiro (APC) regulamentou e superintende, entre nós, o que respeita a estes pequenos navios.

Muitas vezes estes barcos têm a quilha substituída por um patilhão que pode recolher totalmente, permitindo um encalhe fácil e sem risco e os cruzeiros em águas pouco profundas, nos estuários, nas rias e águas interiores, o que proporciona novos encantos. As suas acomodações, em espaço tão minúsculo, comportam todavia dispositivos para abrigar é tomar possível a habitação de duas ou três pessoas, com os seus beliches ou macas desmontáveis, mesa desdobrável, lugar para uma cozinha, balde de plástico funcionando como WC, armários e roupeiros, etc. Muitos deles foram con-cebidos para o prazer simultâneo da vela, da pesca desportiva e da motonáutica, e do chamado, pradoxalmente, campismo náutico. A APC estabeleceu e publicou as regras para cálculo de abonos quando em regata, uma simplificação da fórmula do Royal Ocean Racing Club a que já nos referimos.

Em França, existe grande variedade de tipos de pequenos barcos de cruzeiro, alguns deles esplêndidas realizações desse programa que anunciámos. Em Portugal, as concepções são as mais diversas, predomiando mais as fantasias pessoais dos proprietários e cons-trutores com demasiada imaginação do que o estudo e a obediência a ~rincípios bem definidos e fartamente comprovados pela prática e cnação de arquitectos habilitados. Por isso mesmo, a APC elaborou um catálogo de barcos seleccionados entre os que melhores lhe pareceram dos que mundialmente têm sido apresentados, incluindo alguns desenhos portugueses, do qual constam os planos resumidos,

ca~a~tt:rísticas e comentários, de modo a permitir aos futuros pro-pnetanos a escolha do mais aconselhável para cada caso particular, a.. abrange unidades oceânicas, de águas abrigadas e do , tipo misto .

. ~s barcos medidos e aprovados pela APC e dotados das . con-diçoes de segurança por esta e.xigidas usam como distintivo na vela. grande o emblema desta Associação e o npmero de classe , corres-pondente ao número do Certificado de· Vistoria e Medição. O emblema é um triângulo escaleno cor de lpraqja.

Referências

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