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OBSERVATÓRIO DE DEFESA COMERCIAL

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Academic year: 2021

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Nesta edição, analisaremos o perfil de cláusulas de defesa comercial em acordos preferenciais de co-mércio e as tendências recentes na negociação dessas regras. Na seção 1, serão apresentados dados referentes ao perfil e à evolução de acordos preferenciais, incluindo informações sobre cláusulas de defesa comercial. Na seção 2, analisaremos o perfil das cláusulas de defesa comercial negociadas por importantes players, como os EUA, a União Europeia, os BRICS e o Brasil. Por fim, na seção 3, analisare-mos desenvolvimentos recentes, como a Parceria Transpacífica, de modo a identificar novas tendências em relação ao tema.

Introdução

Os mecanismos de defesa comercial nos

acordos preferenciais de comércio

OBSERVATÓRIO

DE DEFESA

COMERCIAL

O Observatório de Defesa Comercial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem como objetivo informar e analisar assuntos de destaque e de interesse da indústria acerca dos instrumentos de defesa comercial (antidumping, salvaguardas e medidas compensatórias), contenciosos comerciais internacionais e temas relacionados.

Os Acordos Preferenciais de Comércio (APs) buscam promover a liberalização do comércio entre as partes através da redução de tarifas e pela negociação de regras sobre temas igualmente impor-tantes para promover o acesso a mercados, tais como comércio de serviços, propriedade intelectual, compras governamentais, cláusulas de defesa comercial, entre outras.

Nesse contexto, os instrumentos de defesa comercial, em que pese o impacto de sua aplicação no fluxo comercial das partes de um acordo, podem representar importante mecanismo de proteção à indústria nacional que sentirá os efeitos da abertura de mercado promovida pela celebração de um AP, tanto em caso de práticas desleais de comércio (dumping e subsídios) como no caso de surtos de importação (em que a salvaguarda pode ser usada).

• A EVOLUÇÃO DOS ACORDOS PREFERENCIAIS

A importância de normas de defesa comercial se torna cada vez mais visível, na medida em que se observa um aumento no número de APs nas últimas décadas, acompanhado, como se verá na seção

AS NORMAS DA OMC E A EVOLUÇÃO DOS ACORDOS

PREFERENCIAIS DE COMÉRCIO

(2)

Fonte: base de dados Design of Trade Agreements (DESTA)2. Elaboração: CNI.

Fonte: base de dados Design of Trade Agreements (DESTA). Elaboração: CNI.

1 World Trade Report 2011, WTO, p. 46. Disponível em: https://www.wto.org/english/res_e/booksp_e/anrep_e/world_trade_report11_e.pdf 2 www.designoftradeagreements.org

GRÁFICO 1 – NÚMERO TOTAL DOS ACORDOS PREFERENCIAIS VIGENTES

GRÁFICO 2 – ACORDOS PREFERENCIAIS CELEBRADOS POR ANO

Atualmente, a importância dos APs pode ser percebida pelo fato de que praticamente todos os países são membros de pelo menos um acordos desse tipo (sendo que a média de acordos, por país

membro da OMC, é de 131). Além disso, levando-se em consideração o volume de exportações e

importações dos quatro maiores APs existentes - a União Europeia, o NAFTA, o Mercosul e o ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), observa-se que eles respondem por parte significativa do fluxo comercial mundial, representando 63% do total de exportações mundiais e 64% das im-portações em 2014.

• OS ACORDOS PREFERENCIAIS AO LONGO DO TEMPO

O gráfico abaixo demonstra o crescimento total dos APs a partir de 1949, indicando uma taxa de crescimento relativamente constante ao longo do tempo.

1 8 17 34 50 69 96 119 136 178 206 332 464 575 676 750 789 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900

O gráfico seguinte, por sua vez, indica a distribuição desses acordos ao longo do tempo, indicando claramente um pico na celebração de APs durante a década de 90.

4 6 9 19 17 17 33 17 23 38 43 150 113 116 91 68 26 0 20 40 60 80 100 120 140 160

(3)

TABELA 1 – NÚMERO DE ACORDOS PREFERENCIAS POR REGIÕES DO MUNDO (ATÉ 2015)

África CEI Europa América do Sul América Central Caribe OcidentalÁsia Oriente Médio Oceania OrientalÁsia do NorteAmérica

África 24 0 17 4 1 2 4 13 13 3 4 CEI3 0 30 8 0 0 0 1 1 0 0 0 Europa 17 8 39 8 4 3 4 12 1 8 6 América do Sul 4 0 8 16 22 16 5 3 5 16 17 América Central 1 0 4 22 7 11 1 1 1 6 11 Caribe 2 0 3 16 11 0 1 1 1 1 4 Ásia Ocidental 4 1 4 5 1 1 7 5 0 9 2 Oriente Médio 13 1 12 3 1 1 5 7 0 3 7 Oceania 1 0 1 5 1 1 0 0 6 16 3 Ásia Oriental 3 0 8 16 6 1 9 3 16 25 7 América do Norte 4 0 6 17 11 4 2 7 3 7 1

• DISTRIBUIÇÃO REGIONAL DOS MEMBROS DE ACORDOS PREFERENCIAIS

Embora alguns países sejam especialmente ativos na negociação de APs, o crescimento significati-vo desses acordos observado nas últimas décadas abrangeu praticamente todos os países e regiões do mundo. É interessante observar que esse crescimento se deu tanto na forma de acordos regio-nais quanto por meio de acordos celebrados entre países e grupo de países não pertencentes a uma mesma região. O quadro abaixo indica a diversidade dos APs em termos dos players envolvidos.

Fonte: World Trade Report 2011, OMC, e DESTA.

3 Comunidade dos Estados Independentes, criada em 1991, atualmente composta por Azerbaijão, Armênia, Belarus, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Moldova, Rússia, Tajiquistão, Turco-menistão, Uzbequistão e Ucrânia.

• PRESENÇA DE CLÁUSULAS DE DEFESA COMERCIAL EM ACORDOS PREFERENCIAIS Além do crescimento quantitativo, os APs evoluíram também em relação à estrutura e complexida-de das normas e temáticas que abordam. Os primeiros APs tinham uma estrutura mais simples, com foco na redução de tarifas, mas esta estrutura foi sendo aperfeiçoada ao longo do tempo por meio da inclusão de diversos temas relacionados ao acesso a mercado.

Nesse contexto, é possível observar apresença cada vez maior de regras sobre comércio de serviços, compras governamentais, concorrência, resolução de disputas, investimentos, propriedade intelec-tual, dentre outros. As cláusulas de defesa comercial também se inserem nessa tendência, sendo possível observar a sua presença na maior parte dos APs.

No caso de normas sobre medidas antidumping, medidas compensatórias e salvaguardas, obser-vam-se variações ao longo do tempo e a queda no uso destas cláusulas durante a década de 80. Esta queda se deve, muito provavelmente, aos resultados da negociação da Rodada de Tóquio do GATT (1973-1979), em que foram celebrados acordos referentes a diversos temas, como antidum-ping, subsídios e medidas compensatórias e salvaguardas. É possível que, diante da existência de normas multilaterais, as normas de defesa comercial tenham perdido espaço nas negociações bilaterais e regionais.

Já a partir do início da década de 90, nota-se uma presença cada vez maior de cláusulas antidum-ping nos acordos bilaterais e regionais com inovações em relação às normas negociadas multilate-ralmente (a seção seguinte abordará com maiores detalhes essas normas). A evolução recente, dos últimos seis anos, confirma a tendência observada ao longo do tempo, conforme indica o quadro seguinte:

(4)

As cláusulas sobre medidas compensatórias evoluíram de maneira similar às cláusulas antidum-ping, observando-se uma queda durante a década de 80 e presença cada vez mais notável a partir de então. Nos últimos anos, a presença desse tipo de cláusula nos APs confirmou a tendência his-tórica de aumento no uso do instrumento. Nos últimos 6 anos foram poucos os acordos que não contemplaram essa cláusula.

GRÁFICOS 3 E 4 – PREVISÃO DE CLÁUSULAS DE MEDIDAS ANTIDUMPING EM APS, POR ANO DE CONCLUSÃO DO ACORDO

GRÁFICOS 5 E 6 – PREVISÃO DE CLÁUSULAS DE MEDIDAS COMPENSATÓRIAS EM APS, POR ANO DE CONCLUSÃO DO ACORDO

Fonte: base de dados Design of Trade Agreements (DESTA). Elaboração: CNI.

Fonte: base de dados Design of Trade Agreements (DESTA). Elaboração: CNI.

O uso de cláusula de salvaguardas, por sua vez, apresentou igualmente uma queda durante os anos 80, mas de forma menos acentuada que o uso das cláusulas antidumping e de medidas compensatórias. A evolução mais recente dessas cláusulas caminha na mesma direção das cláusulas antdumping e compensatórias, sendo raros os acordos que as não preveem.

0 5 10 15

2010 2011 2012 2013 2014 2015

Presença de cláusulas antidumping em APs (2010 - 2015)

Nº de acordos que incluíram cláusulas antidumping Nº de acordos SEM cláusula antidumping

0 20 40 60 80 100 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2015

Número de APs com cláusulas sobre Antidumping 0 2 4 6 8 10 12 14 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Presença de cláusulas de medidas compensatórias em APs (2010 - 2015)

Nº de acordos COM cláusula de medidas compensatórias Nº de acordos SEM cláusulas de medidas compensatórias

0 20 40 60 80 100 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2015

Número de APs com cláusulas sobre Medidas Compensatórias 0 2 4 6 8 10 12 14 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Presença de cláusulas de medidas compensatórias em APs (2010 - 2015)

Nº de acordos COM cláusula de medidas compensatórias Nº de acordos SEM cláusulas de medidas compensatórias

0 20 40 60 80 100 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2015

Número de APs com cláusulas sobre Medidas Compensatórias

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GRÁFICOS 7 E 8 – PREVISÃO DE CLÁUSULAS DE SALVAGUARDAS EM APS, POR ANO DE CONCLUSÃO DO ACORDO

Fonte: base de dados Design of Trade Agreements (DESTA). Elaboração: CNI.

Nesta seção, analisaremos o perfil das cláusulas de defesa comercial presentes nos acordos cele-brados por países selecionados.

Conforme explicitado na seção 1, existe uma lógica econômica que justifica a presença de cláusulas de defesa comercial em APs, em especial as cláusulas de salvaguardas preferenciais, que podem ser aplicadas entre as partes dos acordos. Devido ao processo de redução tarifária e consequente abertura de mercado decorrentes da aplicação do acordo, esse tipo de mecanismo se faz necessário como “válvula de escape” para proteger setores mais sensíveis a aumentos muito bruscos no volu-me de importações.

As salvaguardas preferenciais normalmente operam somente durante o período de redução de tarifas, pois é justamente durante essa fase que existe a ameaça de um aumento expressivo de importações dos parceiros comerciais que fazem parte do acordo.

Além disso, é comum que determinados setores sejam objeto de mecanismos específicos de sal-vaguardas, como o setor agrícola, têxtil e setores industriai sem processo de formação (“indústria nascente”).

Além das salvaguardas preferenciais, normalmente os APs preservam os direitos das partes com base no Acordo de Salvaguardas da OMC, que prevê um mecanismo de salvaguardas globais. Por fim, observa-se também que, na maior parte dos casos, os APs preservam os direitos das partes nos termos dos compromissos assumidos no âmbito do Acordo Antidumping e do Acordo sobre Subsídios e Medidas Compensatórias da OMC. Conforme indicaremos nos itens relativos a cada país abaixo, existem acordos que preveem regras adicionais ou modificam regras contidas nos acordos da OMC sobre temas relevantes, como lesser duty, proibição de zeroing, formas de cálculo de valor normal e preços de exportação, cooperação no fornecimento de informações e disponibilização de decisões relevantes.

PERFIL DAS CLÁUSULAS DE DEFESA COMERCIAL DOS

PRINCIPAIS PLAYERS

0 20 40 60 80 100 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2014 2015

Número de APs com cláusulas sobre Salvaguardas 0 5 10 15 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Presença de cláusulas de salvaguarda em APs (2010 - 2015)

Nº de acordos COM cláusula de salvaguarda Nº de acordos SEM cláusula de salvaguarda

0 20 40 60 80 100 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2014 2015

Número de APs com cláusulas sobre Salvaguardas 0 5 10 15 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Presença de cláusulas de salvaguarda em APs (2010 - 2015)

Nº de acordos COM cláusula de salvaguarda Nº de acordos SEM cláusula de salvaguarda

0 20 40 60 80 100 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2014 2015

Número de APs com cláusulas sobre Salvaguardas 0 5 10 15 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Presença de cláusulas de salvaguarda em APs (2010 - 2015)

Nº de acordos COM cláusula de salvaguarda Nº de acordos SEM cláusula de salvaguarda

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TABELA 2 – PERFIL DAS CLÁUSULAS DE DEFESA COMERCIAL EM ACORDOS PREFERENCIAIS DOS EUA

Parceiro/

Acordo Data AD MC

Salvaguardas

Global Preferencial Setorial / Específica

Têxtil Agrícola Ind. Nascente

TPP4 2016 S S S S S N N Coreia 2007 S S S S S S N Panamá 2007 S S S S S S N Colômbia 2006 S S S S S S N Omã 2006 N N S S S N N Peru 2006 S S S S S S N Bahrein 2004 N N S S S N N América Central5 2004 S S S S S S N Marrocos 2004 N N S S S S N Austrália 2004 N N S S S S N Chile 2003 S S S S S S N Singapura 2003 N N S S S N N Jordânia 2000 N N S S N N S Vietnã 2000 N N N N N N N NAFTA 1992 N N S S S S N Israel 1985 N N S S N N S

AD: antidumping; MC: medidas compensatórias.

Fonte: United States Trade Representative. Elaboração: CNI.

4 Parceria Transpacífica.

5 Firmado entre EUA e Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua.

6 Nota-se que os acordos bilaterais entre os EUA e Jordânia, Israel e Vietnã não apresentam salvaguardas têxtil e os acordos bilaterais entre EUA e Omã, Bahrein, Vietnã, Jordânia, Singapura e Israel não apresentam salvaguardas específica para produtos agrícolas.

Conforme indica a tabela anterior, os APs firmados pelos EUA não apresentam um padrão no que se refere à presença de cláusulas referentes a medidas antidumping e compensatórias. Estas cláusu-las estão presentes em 43% dos APs dos EUA. Observa-se, contudo, um padrão de inclusão dessas cláusulas nos acordos mais recentes, desde o acordo celebrado com a Colômbia, em 2006.

As cláusulas de salvaguarda, por outro lado, seguem um claro padrão de inclusão tanto de salva-guardas globais quanto de salvasalva-guardas preferenciais, com exceção do acordo com o Vietnã, que não inclui cláusula de salvaguarda.

Observa-se uma tendência em negociar cláusulas de salvaguarda setorial têxtil, presentes em 81%

dos acordos, e setoriais agrícolas, presentes em 62%.6 Salvaguardas para indústrias nascentes

fo-ram incluídas somente em dois acordos, firmados com a Jordânia (2000) e com Israel (1985). Nos acordos celebrados com países da América Central e no acordo firmado com a Colômbia, as cláusulas de salvaguarda preveem regra de minimis de volume de importações, que estabelece que as medidas de salvaguarda não podem ser aplicadas caso o montante das importações das partes dos acordos seja inferior a 3% do total das importações do produto objeto da investigação.

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• UNIÃO EUROPEIA

TABELA 3 – PERFIL DAS CLÁUSULAS DE DEFESA COMERCIAL EM ACORDOS PREFERENCIAIS DA UNIÃO EUROPEIA

Parceiro/

Acordo Data AD MC

Salvaguardas

Global Preferencial Setorial / Específica

Têxtil Agrícola Ind. Nascente

Ucrânia 2014 S S S S N N N América Central 2012 S S S S N N N Peru e Colômbia 2012 S S S S N S N Iraque 2011 S S S S N S N Montenegro 2010 S S S S N S N África Oriental7 2009 S S S S N N S Camarões 2009 S S S S N N S Estados do Pacífico8 2009 S S S S N N S Bósnia 2008 S S S S N N N Estados do Caribe9 2008 S S S S N N S Sérvia 2007 S S S S N S N Albânia 2006 S S S S N N N Argélia 2002 S S S S N N N Chile 2002 S S S S N N N Líbano 2002 S S S S N N N Coreia 2002 S S S S N S N Israel 2000 S S S S N N N México 2000 S S S S N N N África do Sul 1999 S S S S N S S Jordânia 1997 S S N S N N N Palestina 1997 S S N S N N N Egito 1996 S S S S N N N Ilhas Faroé 1996 S S N S N N N Marrocos 1996 S S N S N N N Turquia 1995 S S N S N N N San Marino 1992 N N N S N N N Andorra 1991 N N N N N N N Síria 1978 S S N S N N N Tunísia 1976 S S N S N N N Islândia 1973 S S N S N N N Noruega 1973 S S N S N N N Suíça 1972 S S N S N N N

AD: antidumping; MC: medidas compensatórias. Fonte: União Europeia. Elaboração: CNI.

7 Madagascar, Ilhas Maurício, Ilhas Seicheles e Zimbabwe.

8 Ilhas Cook, Fiji, Kiribati, Estados Federados da Micronésia, Nauru, Niue, Papua Nova Guiné, Samoa, Ilhas Salomão, Tonga, Tuvalu e Vanuatu.

9 Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, Montserrat, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, Suriname, Trinidad e Tobago e República Dominicana.

(8)

Os APs da União Europeia seguem um claro padrão em relação à presença de cláusulas sobre me-didas antidumping e compensatórias, estando essas cláusulas presentes em praticamente todos os acordos (com exceção dos acordos com Andorra e San Marino). Observa-se que alguns acordos es-tabeleceram regras específicas referentes à transparência na condução de investigações, incluindo a previsão de prazos específicos, formas de comunicação de decisões relevantes (abertura de inves-tigação e aplicação de medidas) e regras resguardando o direito de defesa de partes interessadas. Além de regras sobre transparência e participação das partes interessadas nos procedimentos, nos acordos mais recentes da União Europeia (e também no acordo celebrado com a Coreia do Sul), há previsão expressa de aplicação de regras de interesse público na aplicação de medidas antidum-ping e compensatórias. Além disso, esses acordos estabelecem a aplicação da regra do lesser duty. De acordo com essa regra, será aplicada uma medida antidumping ou compensatória em montante inferior à margem de dumping ou de subsídios estabelecida caso esse montante inferior for capaz

de neutralizar o dano decorrente dessas práticas.10

No caso das salvaguardas, como a tabela indica, em todos os acordos há cláusulas de salvaguarda preferencial. Já em relação às cláusulas de salvaguardas globais, embora alguns acordos mais anti-gos não incluam este tipo de cláusula, todos os APs celebrados a partir de 2000 o possuem. As salvaguardas setoriais têxteis não estão presentes nos APs da União Europeia. Já as salvaguardas agrícolas estão presentes em 19% dos acordos e as salvaguardas de indústrias nascentes em 16%. Outro aspecto interessante dos acordos da União Europeia refere-se ao tratamento mais favorável dado a países de menor desenvolvimento relativo, como nos acordos celebrados com Iraque, Mon-tenegro, África Oriental, Camarões, Estados do Pacífico, Bósnia e Estados do Caribe (CARIFORUM). Nesses acordos, há previsão de exclusão das importações desses países quando da aplicação de salvaguardas globais por um prazo inicial, normalmente 5 anos, bem como prazos maiores para aplicação de medidas de salvaguardas preferenciais por estes países.

• CHINA

Os APs dos quais a China é parte seguem uma estrutura com poucas variações no que se refere ao perfil das cláusulas de defesa comercial, como pode ser visto na tabela abaixo. Com a exceção do acordo de Bangkok, todos os acordos da China contêm cláusulas prevendo procedimentos antidum-ping, medidas compensatórias e salvaguardas globais.

Nos acordos com Costa Rica e Peru, existe uma previsão de que as partes devem levar em consi-deração as dificuldades de exportadores da outra parte na resposta às informações necessárias ao processo, seja ele antidumping ou sobre medidas compensatórias, o que pode ser entendido como um mecanismo para dificultar a prática de desconsiderar as informações apresentadas por expor-tadores e utilizar a melhor informação disponível (o que usualmente resulta em prejuízos para o exportador investigado).

O acordo com a Coreia possui duas cláusulas relevantes. Uma delas refere-se à vedação da utiliza-ção da metodologia denominada de surrogate country. Essa metodologia utiliza preços de terceiros países para determinar o valor normal e preço de exportação e é frequentemente utilizada em investigações envolvendo a China, que não é considerada como economia de mercado para fins de investigações de defesa comercial pela maior parte dos países.

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AD: antidumping; MC: medidas compensatórias.

Fonte:OMC e Ministério do Comércio da China (MOFCOM.). Elaboração: CNI.

11 A sigla se refere à Associação de Nações do Sudeste Asiático, que inclui China, Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietnã. 12 Sigla que faz referência ao Acordo de Comércio Ásia-Pacífico, firmado entre China, Bangladesh, Índia, Coreia, Laos, Mongólia e Sri Lanka.

13 O zeroing consiste em uma metodologia de cálculo da margem de dumping. Ao se calcular a margem de dumping, é feita uma comparação entre o valor normal e o preço de exportação (como há diversas transações comerciais, há diversos valores normais a serem comparados com preços de exportação). Ao aplicar o zeroing, a autoridade investigadora considera como tendo valor 0 as comparações entre o valor normal e preço de exportação que tiverem sido negativas (isto é, quando não houve dumping, pois o preço de exportações é maior que o valor normal). Consequentemente, ao se analisar o total das comparações entre o valor normal e o preço de exportação, a autoridade investigadora considerará somente aqueles casos em que a comparação foi maior que 0, o que implica em uma margem de dumping maior, em comparação a uma margem de dumping que tivesse levado em consideração valores negativos

O acordo com a Coreia veda também a utilização da metodologia denominada zeroing13, utilizada

para o cálculo da margem de dumping. O uso dessa metodologia foi objeto de diversas disputas na OMC, existindo atualmente um consenso quanto à ilegalidade de sua utilização.

Conforme a tabela demonstra, as salvaguardas preferenciais encontram-se presentes em todos os acordos dos quais a China é parte.

Os acordos com Singapura e ASEAN preveem para as salvaguardas bilaterais regras de minimis de 3% em relação ao volume importado. Isso significa que se o volume das importações do produto de uma das partes for inferior a 3% do total das importações do produto, não poderá ser aplicada salvaguarda.

TABELA 4 – PERFIL DAS CLÁUSULAS DE DEFESA COMERCIAL EM ACORDOS PREFERENCIAIS DA CHINA

Parceiro/

Acordo Data AD MC

Salvaguardas

Global Preferencial Setorial / Específica

Têxtil Agrícola Ind. Nascente

Austrália 2015 S S S S N S N Islândia 2013 S S S S N N N Suíça 2013 S S S S N N N Taiwan 2010 S S S S N N N Costa Rica 2010 S S S S N N N Peru 2009 S S S S N N N Nova Zelândia 2008 S S S S N S N Singapura 2008 S S S S N N N Coreia 2006 S S S S N N N Paquistão 2006 S S S S N N N ASEAN11 2006 S S S S N N N Chile 2005 S S S S N N N APTA12 2005 N N N S N N N

No que se refere às salvaguardas setoriais, observa-se que as agrícolas estão presentes em somen-te dois acordos, celebrados com a Austrália e Nova Zelândia. As salvaguardas têxsomen-teis e de indústria nascente não foram incluídas em nenhum acordo do qual a China é parte.

• ÍNDIA

Os APs da Índia não apresentam uma estrutura uniforme em relação às cláusulas sobre antidum-ping e medidas compensatórias, como indica a tabela abaixo. Estes instrumentos encontram-se presentes em 64% dos acordos.

Nos acordos com a Malásia e a Coreia, há vedação à prática de zeroing (presente também no acordo da Coreia com a China), assim como a obrigação de aplicar a regra do lesser duty, presentes em alguns acordos da União Europeia.

(10)

O acordo com Singapura prevê que, diante das dificuldades das partes em fornecer informações, as autoridades devem, antes de rejeitar as informações, tomar as medidas possíveis para que estas sejam obtidas, incluindo extensão de prazo para as partes interessadas.

As salvaguardas globais estão presentes em 43% dos APs da China. Esse número relativamente bai-xo contrasta com a presença de salvaguardas preferenciais, presentes em todos os acordos do país. Em diversos acordos, existe a previsão de regras de minimis, em diferentes termos. No acordo com a Associação Sul-Asiática para a Cooperação Regional, o percentual é de 5% do volume total de importações, ao passo que, no acordo com a Malásia e com ASEAN, o percentual é de 3%. O acordo com Singapura, por sua vez, além de prever o percentual de 3% das importações, estabelece uma regra de minimis baseada na participação das importações no mercado doméstico. De acordo com essa regra, se o market share das importações do produto investigado, em relação ao mercado do-méstico, for inferior a 2%, a investigação deverá ser encerrada.

A tabela mostra que a Índia não costuma incluir salvaguardas setoriais em seus acordos. Esse tipo de cláusula não está presente em nenhum acordo do qual o país é parte.

TABELA 5 – PERFIL DAS CLÁUSULAS DE DEFESA COMERCIAL EM ACORDOS PREFERENCIAIS DA ÍNDIA

Parceiro/

Acordo Data AD MC

Salvaguardas

Global Preferencial Setorial / Específica

Têxtil Agrícola Ind. Nascente

Japão 2011 S S S S N N N Malásia 2011 S S N S N N N SAARC14 2010 N N N S N N N MERCOSUL 2009 S S S S N N N ASEAN15 2009 N N S S N N N Nepal 2009 N N N S N N N Chile 2006 S S S S N N N Butão 2006 N N S S N N N APTA 2005 N N N S N N N Singapura 2005 S S S S N N N Coreia 2005 S S S S N N N SAFTA16 2004 S S N S N N N Afeganistão 2003 S S N S N N N Sri Lanka 1999 S S N S N N N

AD: antidumping; MC: medidas compensatórias.

Fonte:OMC e Ministério do Comércio da China (MOFCOM.). Elaboração: CNI.

14 Sigla que faz referência à Associação Sul-Asiática para Cooperação Regional e inclui Índia, Paquistão, Bangladesh, Sri Lanka, Nepal, Butão, Maldivas e Afeganistão. 15 A sigla se refere à Associação de Nações do Sudeste Asiático, que inclui China, Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietnã. 16 Sigla que faz referência à Área de Livre Comércio do Sul-Asiático (South Asia Free Trade Area) e inclui Bangladesh, Butão, Índia, Maldivas, Nepal, Paquistão e Sri Lanka.

(11)

• RÚSSIA

A maioria dos APs da Rússia não contém cláusulas de defesa comercial, sejam referentes a medidas antidumping, compensatórias ou salvaguardas. É possível observar, contudo, que os acordos recen-tes do país fogem à regra e preveem esses instrumentos. Além disso, o acordo que cria a Comunida-de dos Estados InComunida-depenComunida-dentes (CEI), Comunida-de 1993, também prevê medidas antidumping, compensatórias e salvaguardas globais.

O acordo mais recente da Rússia, com o Vietnam, prevê, além de medidas antidumping, compensatórias e salvaguardas globais e preferenciais, um tipo de salvaguarda denominado de trigger safeguard measures. Esse tipo de salvaguarda pode ser aplicado por um período de seis meses pela Rússia se o volume de importações do Vietnam superar o montante previsto no acordo em determinado ano. Além disso, se o aumento das importações do Vietnam for maior que 150%, a salvaguarda poderá se aplicada por três meses adicionais.

Observa-se pela tabela que, apesar da presença recente de medidas de defesa comercial nos acor-dos da Rússia, nenhum acordo previu, ainda, salvaguardas setoriais de qualquer natureza.

TABELA 6 – PERFIL DAS CLÁUSULAS DE DEFESA COMERCIAL EM ACORDOS PREFERENCIAIS DA RÚSSIA

Parceiro/

Acordo Data AD MC

Salvaguardas

Global Preferencial Setorial / Específica

Têxtil Agrícola Ind. Nascente

Vietnam 2015 S S S S N N N EURASIAN17 2014 S S S S N N N Sérvia e Montenegro 2000 S S S S N N N Belarus e Cazaquistão 1995 N N N N N N N Geórgia 1994 N N N N N N N Quirguistão 1994 N N N N N N N CEI 1993 S S N S N N N Ucrânia 1993 N N N N N N N Moldávia 1993 N N N N N N N Armênia 1992 N N N N N N N Azerbaijão 1992 N N N N N N N Belarus 1992 N N N N N N N Tadjiquistão 1992 N N N N N N N Turcomenistão 1992 N N N N N N N Uzbequistão 1992 N N N N N N N

AD: antidumping; MC: medidas compensatórias.

Fonte:OMC e Ministério do Comércio da China (MOFCOM.). Elaboração: CNI.

(12)

• BRASIL

A tabela abaixo indica que a presença de cláusulas sobre medidas antidumping e compensatórias nos APs com o Brasil não segue uma tendência definida. Observa-se a sua ausência nos acordos ce-lebrados até o início da década de 90, incluindo o Acordo do Mercosul. Essas cláusulas apareceram pela primeira vez nos acordos celebrados com a Bolívia e com o Chile, em 1996. No acordo seguinte, celebrado com o México, havia presença de cláusula de salvaguarda, o que não se nota nos demais. A partir de 2005, com o acordo com o Peru, o Brasil incluiu essa cláusula em todos os seus acordos. Considerando-se o total dos acordos, esse tipo de cláusula está presente em 53%.

Em relação às salvaguardas globais, estas estão presentes em 53% dos acordos, ao passo que as preferenciais estão presentes em 84%. O mesmo não se pode dizer das cláusulas setoriais, sejam agrícolas, têxteis ou relativas a indústrias nascentes. Como indica a tabela, o Brasil nunca incluiu esse tipo de cláusula nos APs dos quais faz parte.

Em alguns acordos20, há previsão de que, durante a aplicação de salvaguardas, deverá ser

estabe-lecida uma quota quantitativa em relação à qual serão aplicadas as preferências acordadas. Essa

quota é calculada a partir da média de importações dos últimos anos entre as partes.21

TABELA 7 – PERFIL DAS CLÁUSULAS DE DEFESA COMERCIAL EM ACORDOS PREFERENCIAIS DA ÁFRICA DO SUL

Parceiro/

Acordo Data AD MC

Salvaguardas

Global Preferencial Setorial / Específica

Têxtil Agrícola Ind. Nascente

SADC18 2015 S S S N N N N MERCOSUL 2008 S S S S N N N EFTA 2006 S S S S N S S SACU19 2004 S S S N N N N União Europeia 1999 S S S S N S S Malawi 1990 S S N S N N N

AD: antidumping; MC: medidas compensatórias.

Fonte: OMC e Departmentof Trade andIndustry - DTI. Elaboração: CNI.

• ÁFRICA DO SUL

Como pode ser percebido pela tabela abaixo, todos os acordos da África do Sul contêm normas sobre medidas antidumping e compensatórias. As salvaguardas globais também estão presentes na maioria dos acordos, com exceção do acordo com Malawi.

As salvaguardas preferenciais, por sua vez, encontram-se presentes em dois terços dos acordos. Em relação às salvaguardas setoriais, há previsão de salvaguardas agrícolas e salvaguardas específicas para a proteção da indústria nascente em dois acordos: com a União Europeia e com a Associação Europeia de Livre Comércio.

18 Sigla que faz referência à Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, incluindo África do Sul, Angola, Botsuana, Lesoto, Malawi, Maurício, Moçambique, Namíbia, República Democrática do Congo, Seicheles, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue.

19 União Aduaneira da África Austral, incluindo África do Sul, Namíbia, Botsuana, Lesoto e Suazilândia. 20 É o caso dos acordos com Palestina, Egito, SACU, Cuba, Peru, México (ACE 53), Guiana, Chile e Mercosul. 21 Na maior parte dos casos, o período considerado para o cálculo da média de importações é de 36 meses.

(13)

TABELA 8 – PERFIL DAS CLÁUSULAS DE DEFESA COMERCIAL EM ACORDOS PREFERENCIAIS DO BRASIL

Parceiro/

Acordo Data AD MC

Salvaguardas

Global Preferencial Setorial / Específica

Têxtil Agrícola Ind. Nascente

Palestina* 2011 S S S S N N N Egito* 2010 S S S S N N N Índia 2009 S S S S N N N SACU 2008 S S S S N N N Israel 2009 S S S S N N N Cuba 2006 S S S S N N N Peru 2005 S S S S N N N Suriname 2004 N N N N N N N México – ACE 55 2002 N N N N N N N México – ACE 53 2002 S S S S N N N Guiana 2001 N N N S N N N Países Andinos22 1998 N N S S N N N Chile 1996 S S N S N N N Bolívia 1996 S S N S N N N ALADI (Sementes) 1991 N N N S N N N MERCOSUL 1991 N N S S N N N Argentina 1990 N N N S N N N

ALADI Preferência tarifária

regional 1984 N N N S N N N

Uruguai 1983 N N N N N N N

* Ainda não estão em vigor.

AD: antidumping; MC: medidas compensatórias. Fonte: MDIC. Elaboração: CNI.

22 Colômbia, Equador e Venezuela.

23 Além de Brunei, Chile, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Singapura e Vietnam. • PARCERIA TRANSPACÍFICA (TPP)

Além dos acordos celebrados pelos países indicados na seção anterior, outros acordos importantes foram celebrados recentemente, como a Parceria Transpacífica.

A Parceria Transpacífica é uma acordo importante celebrado recentemente, pois abrange diversas

economias relevantes, como Austrália, Canadá, EUA e Japão.23 Além disso, o acordo segue a

tendên-cia de abranger diversos temas relevantes, incluindo defesa comertendên-cial. A tabela abaixo indica as principais características das cláusulas de defesa comercial previstas no acordo.

TABELA 9 – PERFIL DAS CLÁUSULAS DE DEFESA COMERCIAL NO TPP24

Parceiro/

Acordo AD MC

Salvaguardas

Global Preferencial Setorial / Específica

Têxtil Agrícola Ind. Nascente

TPP S S S S S N N

AD: antidumping; MC: medidas compensatórias.

Fonte: OMC e Department of Trade and Industry - DTI. Elaboração: CNI.

(14)

O perfil das cláusulas de defesa comercial no TPP acompanha a tendência observada nos acordos celebrados por EUA, União Europeia e Brasil. Observa-se a presença de cláusulas sobre medidas antidumping e compensatórias, bem como cláusulas de salvaguardas globais e preferenciais. No caso de medidas de salvaguarda, é interessante observar que o acordo permite que um país aplique salvaguardas preferenciais a um, vários ou a todos os países do acordo.

O acordo ainda estabelece um anexo de boas práticas para a condução de investigações antidum-ping e de medidas compensatórias, garantindo maior transparência à utilização deste instrumento. Estas boas práticas contêm previsões para garantir o devido processo, tais como a obrigação de notificações sobre decisões relevantes, disponibilização de informações sobre o processo, incluindo abertura de investigações, decisões de aplicar medidas e os fatos essenciais que levaram a auto-ridade à decisão final. Essas normas têm o objetivo de garantir que as partes interessadas possam se manifestar durante o processo.

É interessante notar que o TPP não prevê salvaguardas agrícolas em seu texto. Contudo, nos anexos relativos aos compromissos assumidos por cada país membro do acordo, Japão e EUA inseriram previsão relativa à aplicação de salvaguardas específicas em relação a este tipo de produto. No caso do Japão, há ainda a possibilidade de aplicação de salvaguardas contra determinados produ-tos florestais. Essas salvaguardas podem ser aplicadas, tanto pelos EUA quanto pelo Japão, contra todos os países membros do acordo.

Por fim, o capítulo sobre produtos têxteis prevê uma salvaguarda setorial.

O crescimento do número de APs foi acompanhado por uma modificação na estrutura destes acordos, que passaram a incluir novas temáticas, dentre elas as cláusulas sobre defesa comercial. Estas cláusulas cumprem um papel importante na negociação de acordos comerciais para a liberalização do comércio e para a difusão do comércio leal, sendo evidência disso a presença cada vez mais constante desses instrumentos em APs. Nota-se que mesmo no caso de países que nem sempre incluíram esse tipo de cláusula em seus acordos, há uma clara tendência de inclusão em acordos mais recentes.

As salvaguardas preferenciais são as que se encontram presentes com maior frequência, o que se jus-tifica pela sua capacidade de conter eventuais efeitos adversos para a indústria doméstica decorrentes da abertura de mercados. Observa-se, de todo modo, que as cláusulas sobre medidas compensatórias e antidumping também estão presentes em APs e em diversas situações países negociaram regras di-ferentes da OMC em temáticas relevantes, tais como a previsão de aplicação do lesser duty, proibição de determinadas práticas, como o zeroing ou a desconsideração de informações fornecidas por partes interessadas, aplicação de regras de interesse público, e regras que buscam a transparência e a manu-tenção do devido processo.

A tendência de crescente presença de cláusulas de defesa comercial em acordos de diferentes países, como foi demonstrado nesta edição do Observatório de Defesa Comercial, parece ser confirmada pela inclusão desse tipo de cláusula no recém-concluído Acordo da Parceria Transpacífica. O TPP é um acor-do amplo, tanto em relação às temáticas que cobre quanto em relação aos países membros acor-do acoracor-do (que envolvem doze países de quatro continentes diferentes), e contém cláusulas referentes a medidas antidumping, compensatórias e salvaguardas, tanto globais quanto preferenciais (além de salvaguardas setoriais agrícolas e têxteis).

(15)

OBSERVATÓRIO DE DEFESA COMERCIAL | Publicação trimestral | Confederação Nacional da Indústria - CNI | Unidade de Negociações Internacionais - Negint | Gerente Executiva: Soraya Saavedra Rosar | Equipe Técnica: Eduardo Freitas Alvim (coordenação), Fabrizio Sardelli Panzini (coordenação) e Bruno Moraes | Consultores: Campos Fialho Advogados | Design gráfico: Alisson Costa | Assinaturas: Serviço de Atendimento ao Cliente | Fone: (61) 3317-9992 - email: [email protected] | Autorizada a reprodução desde que citada a fonte.

Nesse contexto, portanto, observa-se que a presença de cláusulas de defesa comercial em APs e a pos-sibilidade de negociação de normas que diferem em diversos aspectos das regras contidas nos acordos da OMC é, portanto, um processo cada vez mais comum e que deve ser monitorado com atenção. É importante que a indústria brasileira acompanhe as tendências mais recentes na negociação deste tipo de cláusula em APs, de modo que esteja preparada e possa usufruir da abertura de mercados de-correntes da negociação de APs pelo Brasil. Nesse contexto, a CNI continuará a monitorar a negociação de cláusulas de defesa comercial e outros temas de interesse da indústria em APs.

Referências

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