Mobilidade Espacial Guarani e Kaiowá
COLMAN, Rosa Sebastiana BRAND, Antonio AZEVEDO, Marta M. do Amaral SKOWRONSKI, Leandro RESUMO
O trabalho aborda uma experiência inicial de diagnóstico sobre deslocamentos espaciais dos Guarani e Kaiowá, entre as fronteiras Brasil, Paraguai e Argentina, a partir de uma pesquisa piloto por amostragem realizada na aldeia Te‟ýikue, localizada no município de Caarapó, Mato Grosso do Sul. A pesquisa integra um projeto maior, intitulado “Apoio ao Fortalecimento das Políticas Públicas entre os Guarani na Região Transfronteiriça: Brasil, Paraguai e Argentina”, desenvolvido em parceria com o Ministério Público Federal, de Brasília, o Núcleo de Pesquisas das populações Indignas, NEPPI, da UCDB, o Núcleo de Estudos de População, NEPO, da Unicamp e o Núcleo de Antropologia das Sociedades Indígenas e Tradicionais, NIT, da UFRGS. Essa etapa de trabalho na TI Caarapó teve como preocupação inicial a construção, em conjunto com um grupo de professores e alunos indígenas, de uma metodologia de pesquisa, além de iniciar a constituição de uma equipe de pesquisadores indígenas, em condições de não só realizar a pesquisa em sua aldeia, mas replicá-la em outras aldeias do mesmo povo. O objetivo era buscar informações atualizadas sobre população e situação em termos de saúde, educação e alternativas de sustentabilidade, mas, especialmente, a persistência de deslocamentos transfronteiriços, de fundamental relevância para a discussão e busca de aprimoramento das políticas públicas adequadas a essa população indígena. Para isso, foi dada atenção especial ao registro dos diferentes tipos e trajetórias de mobilidade espacial de indivíduos e/ou famílias, incluindo pais e avós, filhos e filhas, netos e netas e ênfase numa pesquisa participativa, com professores e lideranças guarani e kaiowá, junto com pesquisadores do NEPPI/UCDB e do NEPO/Unicamp, tendo como referência a Escola Ñandejára Pólo da Terra Indígena de Caarapó.
Palavras-chave: mobilidade, fronteira, Guarani e Kaiowá Introdução
O artigo apresenta os primeiros resultados da pesquisa “Ojeguata Porã”
(que significa “boa caminhada” em guarani) sobre Mobilidade Espacial Guarani1 e Kaiowá2 na Terra Indígena Te‟ýi Kue, localizada no município de Caarapó, Mato Grosso do Sul, implementada em 2008 e 2009. Os Mapas a seguir mostram a
localização da Terra Indígena Te‟ýi Kue no Município de Caarapó, Mato Grosso do Sul
e a divisão da Terra Indígena em regiões.
1
Guarani Ñandeva
Mapa 01 - Localização Aldeia Te‟ýi Kue, de Caarapó
Fonte: Celso Smaniotto – Geoprocessamento/NEPPI/UCDB
Os objetivos da pesquisa foram: - compreender melhor a mobilidade
espacial dos Guarani nas regiões fronteiriças entre Brasil, Paraguai e Argentina, do lado
brasileiro, nos estados do RS, SC, PR e MS; - aprimorar os dados disponíveis sobre
demografia guarani; - construir uma tipologia de deslocamentos espaciais, incluindo
aspectos temporais e inter-geracionais: - produzir, em parceria com os professores
indígenas e pesquisadores participantes, apostilas em português e em guarani, que
possam ser de utilidade para as comunidades guarani e kaiowá do lado brasileiro; -
constituir um banco de dados inicial sobre população que possa ser de utilidade para
pesquisadores em geral e para as comunidades guarani e kaiowá especificamente.
A proposta dessa pesquisa partiu das discussões envolvendo um projeto
maior, intitulado “Apoio ao Fortalecimento das Políticas Públicas entre os Guarani na
Região Transfronteiriça: Brasil, Paraguai e Argentina”, desenvolvido, no Brasil,
através de parceria entre o Ministério Público Federal (6º Câmara/Brasília); o Núcleo de
Estudos e Pesquisas das Populações Indígenas, NEPPI/UCDB, o Núcleo de Estudos de
População, NEPO, da Universidade de Campinas, UNICAMP e o Núcleo de
trabalho visou construir uma metodologia de pesquisa e constituir uma equipe de
pesquisadores indígenas e não indígenas que possa replicar essa investigação em outras
terras indígenas na região das fronteiras.
Para a implementação das políticas públicas de saúde, educação, alternativas
econômicas, entre outras, são relevantes os dados sobre população guarani e kaiowá por
Terra Indígena ou por aldeia, bem como o conhecimento de suas trajetórias migratórias
nessa região, apesar das políticas nacionais que interferem nesses deslocamentos. De
outra parte, é cada vez mais importante, e é demanda claramente formulada, que a
própria população indígena, em especial as suas lideranças, professores e agentes de
saúde conheçam e saibam manejar essas informações, condição para melhor
fiscalizarem e participarem na implementação e controle social das políticas públicas as
eles destinadas. Por isto, a idéia de fazer um trabalho de pesquisa participativa,
incluindo na mesma equipe professores e pesquisadores do NEPPI/UCDB e do
NEPO/Unicamp, professores e lideranças guarani e kaiowá da Escola Ñandejára Pólo
da TI Caarapó, para um primeiro levantamento dos diferentes tipos de mobilidade
espacial de indivíduos e/ou famílias, incluindo pais e avós, filhos e filhas e netos e
netas.
A pesquisa sobre mobilidade espacial apoiou-se em outras experiências de
investigação e ação, que estão sendo implementadas em parceria com povos indígenas
em outras regiões do Brasil e em outros países da América Latina, como no México. Os
princípios que orientam essas iniciativas são investigar e, ao mesmo tempo, com os
resultados concretos que vão sendo gerados, incorporar outras e novas questões a serem
investigadas, sempre tendo como referência a participação do conjunto da comunidade.
Nesse sentido, o processo de investigação constitui-se, também, em importante processo
Neste caso específico de Caarapó, a preocupação com a mobilidade espacial
na região das fronteiras partiu da equipe de não indígenas, do NEPPI e do NEPO e
demais parceiros do projeto sobre as políticas públicas. O tema foi discutido numa
primeira oficina de trabalho com professores, coordenadores e lideranças indígenas de
Caarapó, no segundo semestre de 2008. Nesta primeira oficina o tema genérico
„mobilidade espacial‟ foi recortado para pensar no questionário e nas preocupações mais diretas da comunidade local. Partimos de alguns questionários já elaborados no âmbito
de outras pesquisas participativas, incluindo questionários sobre pesquisas de trajetórias
migratórias. Dessa forma foi-se constituindo um questionário próprio para essa
investigação. Após essa primeira oficina, os professores e lideranças locais conversaram
e animaram alunos indígenas do Ensino Médio a participarem como pesquisadores deste
trabalho. Foram realizados alguns ajustes no questionário e discutida a possibilidade das
entrevistas abrangerem todos os domicílios da Terra Indígena ou restringirem-se a uma
amostragem. Nessa fase do trabalho sabíamos que seria muito difícil conseguirmos
visitar os cerca de 1.000 domicílios/casas existentes no âmbito de toda a terra indígena
de Caarapó.
Uma segunda oficina, realizada em março de 2009, permitiu a realização de
pré-testes por parte de cada entrevistador, visitando pelo menos um domicílio. Nessa
etapa do pré-teste, formamos uma pequena equipe que ficou responsável pela revisão e
correção dos questionários, cuidados durante o trabalho de campo e que pudesse
coordenar o recebimento dos questionários, acompanhando o número de
casas/domicílios cobertas por região. Durante o pré-teste, fizemos muitos ajustes no
questionário e resolvemos fazer as entrevistas por amostragem de domicílios, tentando
cobrir pelo menos 40% das casas/domicílios de cada região da TI. Foi importante,
outros, que foram escritos e acordados entre todos.
A seguir apresentamos o quadro que indica a abrangência da pesquisa, a
amostragem significou, aproximadamente, 40% dos domicílios de Caarapó. Do total de
1.140 domicílios foram entrevistados 398 domicílios. Para a escolha dos entrevistados,
optou-se em conversar com quem estava em casa, preferencialmente os casados. A idéia
inicial era atingir o máximo de casas por região.
Quadro n. 01 abrangência da pesquisa em Caarapó
Domicílios entrevistados Ñandejara 140 99 8,68% 70,71% Mbocaja 154 71 6,22% 46,10% Savera 215 60 5,26% 27,90% Mbopiy 41 41 3,59% 100,00% Jakaira/Toca do Jacaré 80 44 3,85% 55,00% Missão 100 42 3,68% 42,00% Sanga Pytã 215 21 1,84% 9,76% Kuchuiygua 20 9 0,78% 45,00% Yvu 125 6 0,52% 4,76% Perobal 50 5 0,43% 10,00% Total 1140 398
* Estimativa feita pelos AIs e Professores
** Porcentagem de domicílios entrevistados sobre o total de domicílios em Caarapó
*** Porcentagem de domicílios entrevistados sobre o total de domicílios de cada Região de Caarapó.
Região de Caarapó N° Domicílios* %** %***
Durante o período de dois meses de realização das entrevistas nas
casas/domicílios, a equipe de revisão de questionários trabalhou muito na normatização
de nomes e conteúdos das respostas, completar as informações ou pedir para rever as
respostas que deixaram dúvidas. Ainda durante esse período foi sendo elaborado o
banco de dados no qual os questionários foram posteriormente digitados, utilizando,
para isso, um software livre. A preocupação maior na estruturação desse banco de dados
foi que os Guarani e Kaiowá tivessem acesso as informações nele armazenadas. Além
273 35 28 17 12 9 9 8 0 50 100 150 200 250 300 TI C aara pó TI A mam bai Faze nda Out ras TI Dou rado s TI P orto Lin do Out ros Loca is Par agua i
informações, que estamos também utilizando, para elaborarmos as cartografias
temáticas. Na terceira oficina, que se realizou em setembro último, foi feita uma
avaliação do projeto e o fechamento da apostila.
Apresentamos, a seguir, as primeiras análises com os resultados
preliminares. São algumas tabulações (cruzamento de informações) sobre os
entrevistados e seus cônjuges (esposos ou esposas). As informações relativas às famílias
nucleares, famílias extensas e parentes da geração acima serão apresentadas
posteriormente.
a)Perfil dos entrevistados
Com relação ao perfil dos entrevistados observa-se nos gráficos a seguir (01
e 02) que a maioria dos entrevistados nasceu na Terra Indígena de Caarapó. São jovens
entre 15 e 50 anos e são mulheres. Assim sendo, como indicado no gráfico nº 03 sobre o
perfil dos cônjuges, a maioria é do sexo masculino.
Gráfico 01 – Número de entrevistados por local de nascimento
Gráfico 02 - Número de entrevistados por coorte3, sexo e região de residência em Caarapó 7 4 11 2 7 1 2 11 2 18 10 23 31 1 7 12 0 0 0 0 0 5 10 15 20 25 30 35 Jaka ira/To ca d o Ja caré Kuc huiy gua Mbo caja Mbo piy Mis são Ñan deja ra Per obal San ga P ytã Sav era Yvu
até 29 Masc. até 29 Fem.
6 2 7 3 3 11 3 6 2 11 1 20 9 9 33 2 3 22 3 0 0 5 10 15 20 25 30 35 Jaka ira/T oca do Jaca ré Kuch uiyg ua Mbo caja Mbo piy Missã o Ñan deja ra Pero bal Sang a P ytã Save ra Yvu 30 a 50 Masc. 30 a 50 Fem. 6 1 5 2 7 0 4 11 0 3 3 3 3 10 2 3 7 1 11 11 0 2 4 6 8 10 12 Jaka ira/T oca do Jaca ré Kuch uiyg ua Mbo caja Mbo piy Missã o Ñan deja ra Pero bal Sang a P ytã Save ra Yvu
mais 50 Masc. mais 50 Fem.
Fonte: POPMEGK2009
3 Coorte: é um conceito utilizado na demografia para definir um grupo de pessoas que nasceram na
mesma época, em geral num intervalo de 5 anos ou mais, sendo esse intervalo definido pelo pesquisador/autor do trabalho.
Gráfico 03 - Número de cônjuges dos entrevistados por coorte, sexo e região de residência em Caarapó 6 2 15 8 14 22 0 4 9 0 9 2 7 10 3 9 1 2 4 2 0 5 10 15 20 25 Jaka ira/To ca d o Ja caré Kuc huiy gua Mbo caja Mbo piy Mis são Ñan deja ra Per obal San ga P ytã Sav era Yvu
Até 29 anos Masc Até 29 anos Fem
12 0 11 7 13 28 1 3 18 3 5 0 7 3 3 4 0 2 5 1 0 5 10 15 20 25 30 Jaka ira/To ca d o Ja caré Kuc huiy gua Mbo caja Mbo piy Mis são Ñan deja ra Per obal San ga P ytã Sav era Yvu
30 a 49 anos Masc 30 a 49 anos Fem
3 1 6 6 2 7 1 2 8 0 3 0 2 3 1 2 0 4 7 0 0 2 4 6 8 10 Jaka ira/To ca d o Ja caré Kuc huiy gua Mbo caja Mbo piy Mis são Ñan deja ra Per obal San ga P ytã Sav era Yvu
50 anos acima Masc 50 anos acima Fem
Fonte: POPMEGK2009
Gráfico 04 – Número de entrevistados por estado civil 0 50 100 150 200 250 300 350
Casado Viúvo/Separado Solteiro
Fonte: POPMEGK2009
Utilizamos como critério entrevistar, preferencialmente, pessoas casadas.
Este gráfico (nº 04) indica que a maioria dos entrevistados são casados. Outra
característica importante na descrição é a questão da etnia e a região de moradia. Em
Caarapó predomina a etnia kaiowá e só na região do Mbokaja que há maioria de
famílias guarani4. Por isso, no gráfico de entrevistados há um número expressivo de guarani, de um total de 71 entrevistados nesta região, 51 são kaiowá e 16 guarani.
Gráfico 05 - Número de entrevistados por etnia e região de moradia
42 8 51 37 35 88 3 20 58 6 0 0 16 1 4 7 0 1 1 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Jaka ira/To ca d o Ja caré Kuc huiy gua Mbo caja Mbo piy Mis são Ñan deja ra Per obal San ga P ytã Sav era Yvu Kaiowá Guarani Fonte: POPMEGK2009 4
Gráfico 06 – Quantidade de eventos de deslocamento dos entrevistados por locais 251 80 70 45 39 25 25 20 19 15 11 11 11 10 6 4 0 50 100 150 200 250 300 TI C aara pó Ald eia antig a e faze nda Cid ades do M S TI A mam bai e Lim ão V erde TI D oura dos TI G uaim bé e Ran cho Jaca ré TI T aqua ra e Ja rará Par agua i Out ros loca is TI S asso ró e Ja guap iré Out ras Tis Out ros Est ados TI T aqua piry TI P orto Lin do e Pira jui TI Guyr aroká TI P iraku a Fonte: POPMEGK2009
O gráfico de nº 07 indica a quantidade de eventos de deslocamento dos
entrevistados por locais. Caarapó aparece com maior quantidade, com 251 indicações,
caracterizando que os moradores vão para muitos lugares, mas voltam várias vezes para
Caarapó, lugar de origem, já que a maior parte dos entrevistados é nascido nesse local.
Há números expressivos de deslocamentos para aldeias antigas, fazendas e cidades que
tem relação direta com um dos motivos de deslocamento que aparece no gráfico nº 10,
que é a questão de trabalho. Os demais números que aparecem na seqüência indicam
também as aldeias com as quais Caarapó possui maior conexão, que são Amambai e
Dourados.
2,3 5,3 3,7 2,2 1,6 3,1 0,0 1,8 1,6 1,0 2,4 2,2 1,8 1,3 1,7 2,5 2,2 2,4 1,2 1,3 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 Jaka ira/T oca do J acar é Kuc huiy gua Mbo caja Mbo piy Mis são Ñan deja ra Per obal San ga P ytã Sav era Yvu
Média de desloc./entrevistado (Masc) Média de desloc./entrevistado (Fem)
Fonte: POPMEGK2009
Gráfico 08 – Tempo de permanência em anos dos entrevistados
131 65 82 54 31 24 18 21 19 14 49 35 44 11 23 0 20 40 60 80 100 120 140 Men os de 1 a no 1 an o 2 an os 3 an os 4 an os 5 an os 6 an os 7 an os 8 an os 9 an os 10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a nos ou m ais Fonte: POPMEGK2009
37 9 4 0 69 56 20 0 25 3735 25 32 40 58 29 5 12 10 71 9 4 11 48 0 10 20 30 40 50 60 70 80
masc fem masc fem masc fem
Até 29 anos 30 a 49 anos Mais de 50 anos
2000 a 2009 1990 a 1999 1980 a 1989 antes de 1980
Fonte: POPMEGK2009
O gráfico n° 09 mostra o número de movimentos migratórios dos
entrevistados por coorte e sexo e por período em que os movimentos aconteceram. Por
exemplo, lendo a tabela na primeira linha e primeira coluna temos os entrevistados de
sexo masculino, que se deslocaram 37 vezes no período de 2000 a 2009. E os
entrevistados do sexo feminino se deslocaram 69 vezes nesse mesmo período. O que
mostraria um deslocamento espacial muito mais alto das mulheres do que dos homens
nesse mesmo período, lembrando que a maioria dos nossos entrevistados são mulheres.
Na segunda coluna, que mostra os entrevistados por sexo, da coorte de 30 a
49 anos, acontece algo semelhante, ou seja, as mulheres se deslocam mais vezes do que
os homens nos mesmos períodos.
233 178 58 33 26 22 22 15 12 10 9 9 7 3 3 3 2 2 1 0 50 100 150 200 250 Par a m orar Par a tr abal har Pas seio Out ros Mor ar com a fa míli a Vol ta p ara o lu gar d e o. .. Par a fi car per to d a fa m.. . Par a e stud ar Ca sam ento De sen tend imen to fa mili ar Co nflit os in tern os Mor te d e pa rent e Em bu sca de r ecur sos. . Vol ta d o tr aba lho Em bu sca de tr ata me. .. Exp uls ão p elo s fa zend ... Falta de esp aço Faze nda Lide ranç as E xpul sara m Fonte: POPMEGK2009
O gráfico anterior (nº 10) indica os motivos que fazem os entrevistados se
deslocarem. A razão que apareceu com maior incidência foi a questão da moradia.
Conforme nossa avaliação este é um motivo a ser melhor verificado em um outro
momento. O gráfico a seguir é resultado da questão sobre com quem a pessoa se desloca
e os dois de maior incidência são com a família toda e sozinho, que é compreensível
tendo em vista que a maioria dos nossos entrevistados são mulheres e jovens.
Gráfico 11 – Deslocamentos dos entrevistados com tipo de acompanhante
181 178 118 81 43 22 13 12 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 Fam ília toda Soz inho Pai s Co njug e Out ros Pat rão Filh os Am igos Fonte: POPMEGK2009
Impactos da pesquisa, lições aprendidas
Durante a oficina de conclusão do levantamento, em Caarapó, registramos
alguns relatos dos entrevistadores/pesquisadores indígenas com relação a lições
aprendidas, dificuldades encontradas na realização das entrevistas e questões mais
relevantes da comunidade, percebidas pelos entrevistados.
Lições Aprendidas: Do que gostamos mais na Pesquisa?
De forma geral todos gostaram muito de realizar a pesquisa. Assim se
expressa Adriano Serrano – “eu não tive dificuldade, já tinha experiência de pesquisa,
os entrevistados foram bem gentis”, afirma ele. Para Marluce R. Martins: “foi bom fazer
a pesquisa porque eles gostam de conversar muito com a gente”. O mesmo afirma
Catalina Rodrigues: “gostei, porque a gente aprende de onde vem, por onde passou,
onde morou, a família da onde que era. Eu conversei com uma família que veio de
Amambaí e que veio pra cá e daqui não saiu mais”.
E segue com as explicações descobertas sobre mobilidade:
Uma pessoa que entrevistei disse que escolheu Caarapó porque é mais sossegado. Em Amambai tem muita violência, por isso que não saiu mais daqui. Gostou de morar aqui. Saiu de lá por causa de briga, quase matou um homem que estuprou a irmã dele e veio pra cá. Aqui tem menos violência, vieram os parentes, também. Todos os parentes dele estão aqui. (Catalina Rodrigues)
Crispin Soares Martins relata sobre a importância da pesquisa: “O mais interessante é que era tudo mato aqui e eles não paravam, mudavam de lugar. Isso era a
vivência deles, era como eles viviam, assim contam a historia deles”. Rosileide Barbosa de Carvalho relata que:
A pesquisa ajudou para nós como professores, pra gente conversar com as famílias, saber quem são as famílias, saber o que pensam dos problemas da comunidade. Às vezes, a gente passa e mal cumprimenta, não tem tempo pra conversar. E com a pesquisa ficamos conversando mais. Aí as famílias já falaram sobre educação dos filhos, porque sabe que a gente é professor. Lembrou sobre os filhos
na escola. Para nós professores foi bom, pra gente entender um pouco sobre os problemas familiares, muitas crianças não vem pra escola por causa dos problemas das famílias.
O relato de Eliel Benítes destaca a participação dos jovens do Ensino
Médio:
Não consegui fazer (entrevistas) por falta de tempo, mas observei o pessoal do ensino médio, que se envolveu bastante. Eles gostaram muito da pesquisa. As perguntas foram legais para eles entenderem como era o passado, a história de Caarapó, ajudou na sala de aula, na aprendizagem deles em sala de aula. A aproximação deles com os mais velhos, as famílias, o fato de irem a campo, eles aprenderam com as famílias deles, esse interesse de ir nas famílias, foi muito bom, perguntar e saber a realidade, teoricamente a gente achava que os jovens não gostavam mais de saber sobre a história dos mais velhos. Foi o contrário, porque eles gostaram muito de fazer essa pesquisa, conversar em guarani.
Outras Descobertas
Uma das descobertas foi em relação ao parentesco. Pelo menos dois dos
entrevistadores/pesquisadores descobriram que têm parentes morando na aldeia que não
conheciam, como é o caso de Alex Junior: “tem parentes que descobri que não
conhecia, que não sabia que eram parentes”. E Adriano Serrano afirmou que:
Na entrevista descobri que tinha parente que eu não conhecia, que minha família nunca me contou, uma entrevistada falou pra mim que o nome dela é Lia e disse „minha mãe morreu quando eu tinha 10 anos‟, e contou quem era a mãe, ai vi que era minha tia, isso eu descobri quando perguntei sobre se tinha parentes em outras regiões da aldeia (Adriano Serrano).
Crispim Soares Martins destaca outra descoberta: “Antigamente, quando o índio morria só enrolava com o pano e cavavam o buraco e enterravam ali, em qualquer
lugar, e aí muda de lugar”. Durante a realização das entrevistas os entrevistadores/pesquisadores foram adequando às metodologias e escolhendo caminhos
para melhor realizar a pesquisa.
Um aspecto importante dessas estratégias foi perceber que os mais velhos
falarem bastante primeiro e depois iniciavam as perguntas do questionário. Como relata
Alex Junior: “Alguns contavam tanta história que demorava muito. A pessoa contava
tudo primeiro, depois que iniciava as perguntas”. E, também, observou que “alguns só
respondiam o que se perguntava”.
Crispim Soares Martins conduziu sua pesquisa da seguinte forma: “Eu falo
primeiro pra ele contar a história. Aí tem que deixar contar toda a história e depois vai
fazer a pergunta. Se você chega e já pede pra fazer pesquisa, eles já perguntam sobre o
retorno, perguntam se a gente está ganhando. Tem gente que não quis dar a resposta, ai
tive que sair fora”.
Paulo Vilhalva, também, relata sua metodologia: “Tem que explicar o por
quê? Eu chego, vou tomar tereré e ai vou conversar, explico para quê é a pesquisa, ai
que eles que começam falar”. Lourença Isnarde observou que “os mais jovens tem menos histórias pra contar e os mais velhos tem mais histórias”.
Entre os entrevistadores/pesquisadores teve quem seguiu alguns critérios
para escolha dos entrevistados:
Eu entrevistei os da minha família na minha região, eu entrevistei a aluna da MOVA, não falei que era pesquisa e ela respondeu (Braulina Isnarde). Fui nas famílias mais perto e nas que eu mais conhecia (Rosileide Barbosa de Carvalho). Os que eu entrevistei eram aposentados, procurei os mais velhos Marluce R. Martins). Entrevistei só mulheres (Cleomara Vilhalva). As pessoas foram muito receptivas, eu busquei pessoas de sobrenomes diferentes, com curiosidade pra saber de onde vinham (Marluce R. Martins).
Sobre o motivo da realização da pesquisa Crispim Soares Martins afirmou
que: “eu expliquei que vai ser feito um livro para ser usado na escola”. Em toda
pesquisa sempre existe a necessidade de voltar para completar os dados. Assim relata
Marluce R. Martins: “Eu tive que voltar em algumas casas com algumas questões, isto é pra responder bem todas as perguntas”.
Questões e dificuldades encontradas na realização das entrevistas
Uma das principais dificuldades percebidas pelos pesquisadores durante a
realização das entrevistas diz respeito ao Tempo e Memória:
Os idosos tinham um pouco de dificuldade na parte da idade, histórico familiar (Adriano Serrano)
Eu tive mais dificuldade sobre o histórico familiar, data de nascimento dos avós, ano que morreu os avos, onde foi? (Adriano Serrano) Não sabe as idades, problema de tempo [...] tem gente que não sabe a idade dos avós (Andréia Almeida).
Pessoas que não estudam não sabem o ano (Edilson Carvalho).
As pessoas de idade que não se lembram de todas as informações, esquecem os lugares (Edilson Carvalho).
Dificuldade de saber e contar em que ano que passou.
Outro aspecto levantado como dificuldade, mas que, também, está ligado ao
tempo e memória, é a questão de parentesco, principalmente, sobre o que é ser avó
paterno e avó materna:
Foi difícil lembrar sobre os avós maternos e paternos, onde nasceu, onde morreu (Andréia Almeida).
A pergunta difícil é sobre avós paternos e avós maternos (Adriano Serrano).
Maior dificuldade é saber a idade dos avós (Alex de Sousa).
Foi difícil porque pelo que eu percebi que o GK não tem hábito de conhecer a história do parceiro, não sabia quem eram os pais, os avós, de onde vieram, não tinha preocupação de saber quanto tempo, por onde andou, porque mudou. A data de nascimento, por exemplo, a pessoa fala que nasceu na „época da guavira‟, e não falava a idade (Rosileide Barbosa de Carvalho).
Outro aspecto que dificultou foram questões ligadas a falta de tempo,
principalmente dos professores que normalmente tem muitas atividades e assim lhes
restava o final do dia ou final de semana para a realização das entrevistas:
Dificuldade de tempo, trabalha, gosta de entrevistar os de mais idade e eles tem dificuldade de lembrar as coisas sobre idade, de onde vieram, entrevistei mais mulheres (Braulina Isnarde).
A dificuldade maior que senti foi que eu peguei a minha e do meu marido, porque eu fiquei com muitos para fazer, mas eu consegui (Adriana Acosta).
Em algumas entrevistas surgiram situações difíceis. Como lidar com isso?
Tem gente que se emociona quando lembra de parentes que já faleceram (Braulina Isnarde).
As pessoas que perderam os filhos e mudavam de aldeia, a pessoa queria desabafar (Marluce R. Martins).
Dentre as dificuldades na realização da entrevista surgiram, também,
situações relacionadas com as questões que a comunidade enfrenta, como o problema da
violência e do alcoolismo:
Eu tive medo de ir para outras regiões por causa dos bêbados (Lorença Isnarde).
O difícil foi sair da minha região e ir mais longe (Andréia Almeida).
Outra dificuldade enfrentada foi a necessidade de explicar bem quais os
objetivos e os resultados da pesquisa para a comunidade:
As pessoas querem saber sobre os resultados (Anderci de Sousa). Não sabia explicar bem o motivo da pesquisa! (Cleomara Vilhalva). Para explicar o motivo, foi um pouco por cima, tem alguns que achavam que era cadastro de um projeto pra construir casa „cherogami‟ (Adriano Serrano).
O aspecto relacionado com gênero é outra situação de dificuldade observada
pelos pesquisadores entrevistadores:
Tem gente que não conseguia encontrar, os homens não sabem ou não querem dar informação, difícil de encontrar também (Rosileide Barbosa de Carvalho). Tinha gente que não sabia nada do esposo, as vezes não era dali, era de outro lugar, de Amambaí” (Marluce R. Martins). Não é fácil, as pessoas querem saber o por quê da pesquisa, e eu expliquei que era pra gente conhecer como era antigamente (Neuzinho Vilhalva). Tem homens que não querem passar informação sobre a esposa e ai chama a esposa e ela não quer falar também (Crispim Soares Martins).
Na opinião dos pesquisadores/entrevistadores alguns moradores não
quiseram dar entrevista por falta de tempo “ou porque disse que estava ocupado” (Valdênio Martins Benítes).
Desafios e principais questões levantadas pelos entrevistados sobre a comunidade A seguir elencamos as principais questões, na opinião dos entrevistados e
registrados pelos entrevistadores/pesquisadores com relação à comunidade. O aspecto
O problema maior é suicídio e homicídio, falta médico, abandono de crianças, separação da família. Uma casa que falou do problema da fome, é porque faz pouco tempo que moram aqui, muita gente na casa, tem problema de droga na casa (Lourença Isnarde). A violência, droga, roça e a questão do espaço. Não tem espaço. É por isso que tem problema de produzir roça (Rosileide Carvalho Barbosa). O problema maior é a violência, bebida alcoólica e a droga “as pessoas tem medo de sair de casa” (Alex de Sousa). A reclamação de que a água encanada não chega na casa, e o problema da roça (Anderci de Sousa). Encontrei uma criança de 8 anos que não veio ainda para escola e perguntei porque e ela falou que não queria mandar (Catalina Rodrigues). O consumo de álcool e droga, desentendimento familiar, na educação dos filhos: o filho não quer escutar a mãe (Adriano serrano). A maioria falou que passa dificuldade com relação à comida e saúde, tem gente que não recebe bolsa família (Cleomara Vilhalva). Muitas queimadas e casamento precoce (Alex de Sousa).
Outro aspecto destacado é a situação de famílias que vem do Paraguai:
São famílias que vieram do Paraguai, eles falam que vieram porque lá tem muita doença, não tem escola, não tira documentos, chegou aqui e agora já tem documento, a mulher já está estudando, está muito feliz aqui em Caarapó, ele falou assim: eu aqui cheguei aqui sem nada, já tirei registro, CPF (Catalina Rodrigues).
Mesmo diante de tantas dificuldades alguns entrevistados afirmam que:
Hoje vivem melhor. Lembram do tempo em que tinham caça, depois um tempo que foi muito difícil e agora está melhor. Muitos falam que agora ta bom porque antes não tinha açúcar, sal, agora estão bem por causa da alimentação (Marluce R. Martins).
As possíveis soluções para as questões apontadas pelos entrevistados são:
Há a necessidade de iluminação da rodovia (Lourença Isnarde). A violência é porque falta reza, tem que rezar mais para diminuir a violência (Crispin Soares Martins).
Considerações finais
O objetivo principal dessa pesquisa era o de conhecer melhor os
descolamentos espaciais dos Guarani e Kaiowá hoje, incluindo aspectos temporais e
inter-geracionais. Trata-se de uma pesquisa em andamento. Portanto, os resultados aqui
apresentados são, ainda, parciais. Permitem, porém, já algumas conclusões importantes.
Uma delas diz respeito à repercussão positiva que a pesquisa gerou entre o
amplo grupo de pesquisadores indígenas que se envolveram na sua execução com muito
instrumento utilizado e as dificuldades encontradas na execução da pesquisa, foram
amplamente discutidas na aldeia. Iniciou-se, efetivamente, um processo de formação de
pesquisadores e gestores indígenas de projetos.
Essa participação indígena deve ser entendida como um dos resultados mais
importantes, embora não previsto, inicialmente, no projeto, pois, mudanças nas políticas
públicas relacionadas aos povos indígenas, dependem, fundamentalmente, do seu
protagonismo. Esse comprometimento dos pesquisadores indígenas é um dos fatores
que remetem para a continuidade do trabalho, conforme detalhado abaixo, em especial a
sua extensão a outras aldeias. Os jovens que participaram, diretamente, do trabalho
mostraram grande interesse e entusiasmo com a realização da pesquisa.
O presente trabalho foi realizado numa das oito terras indígenas
demarcadas, ainda, na “época do SPI”, no caso, em 1924. Cabe lembrar que ainda hoje
grande parte (cerca de 80% do total) da população guarani e kaiowá de Mato Grosso do
Sul localiza-se nessas oito reservas. Por isso, a relevância dos dados aqui apresentados:
Inicialmente, quanto aos próprios informantes, que em sua maioria já
nasceram dentro da Terra Indígena de Caarapó – de um total de 398 entrevistados, 273
nasceram nessa aldeia, considerando, ainda que a maioria dos nossos entrevistados são
jovens, estão na faixa etária de 15 a 50 anos e são mulheres.
Um segundo dado importante vem da pergunta sobre os locais freqüentados
nos deslocamentos. Embora tenha um elevado número de questionários sem
informação, ou seja, as pessoas não souberam ou não quiseram responder a essa
pergunta, novamente, uma significativa maioria restringe seus deslocamentos aos
espaços da aldeia. Mas já aparece um número de 20 deslocamentos ao Paraguai – que
poderá crescer substancialmente com o avanço da pesquisa, especialmente, sobre os
Uma terceira informação relevante vem do gráfico 8 – sobre o tempo de
permanência em anos nos locais, ou seja, a duração dos deslocamentos. Os anos
indicados no referido gráfico permitem compreender que há dois tipos de deslocamento:
- um rápido, com a duração de menos de um ano (131 casos) e/ou, com duração de um a
dois anos (109 casos), relacionados a visitas/passeios ou trabalhos; - mas há, também,
um número significativo de deslocamentos que significam mudanças de local de
residência (234 casos acima de cinco anos de duração). Aliás, é o que indica o gráfico
10, sobre os motivos dos deslocamentos, no qual aparecem com destaque a busca de
novo local de moradia, trabalho ou passeio, entre outros. Um dado relevante vem
expresso, ainda, no gráfico 11, que indica se o deslocamento contou com o
acompanhamento de parentes ou se foi realizado sozinho. Em 181 casos a família
inteira se deslocou e em um número idêntico não teve acompanhantes.5
No item referente aos impactos da pesquisa e lições aprendidas há
importante registro de algumas apreciações dos pesquisadores indígenas sobre a sua
experiência como pesquisadores, as dificuldades encontradas e suas estratégias de
superação. Merecem destaque especial algumas dificuldades percebidas pelos
pesquisadores indígenas, de fundamental importância para a continuidade da pesquisa,
em especial as relacionadas às terminologias de parentesco, que são distintas das nossas
terminologias em português, dificuldades relativas ao tempo histórico de permanência
nos lugares e à memória sobre os fatos.
Finalmente, havia no questionário uma pergunta aberta sobre as principais
dificuldades/desafios vivenciados pela comunidade sob a ótica dos entrevistados. São
elencados aí os principais problemas da comunidade de Caarapó hoje, inclusive uma
5
Considerando a complexidade do instrumento utilizado, inúmeras outras informações ainda deverão ser trabalhados com os pesquisadores indígenas e, posteriormente, tornadas públicas.
explicitação das razões que levaram algumas famílias a saírem do Paraguai e se
mudarem ao Brasil.
Perspectivas de continuidade:
É fundamental garantir a continuidade desse trabalho, em duas direções:
- aprofundando a análise dos dados e sua discussão no âmbito dos
pesquisadores, especialmente, indígenas, incluindo, ainda, o aperfeiçoamento do Banco
de Dados e as possibilidades de seu acesso pelos interessados: povos indígenas, órgãos
públicos, entre outros. Esse aprofundamento inclui, além da melhor explicitação de
algumas respostas que seguem imprecisas, uma oficina na aldeia de Caarapó, prevista
para fevereiro de 2010, para a entrega final dos produtos (apostilas produzidas) e a
realização de treinamento para a utilização do banco de dados, em especial no âmbito
do Ponto de Cultura, em implantação na mesma aldeia.
- estendendo o mesmo levantamento a outras aldeias localizadas em faixa de
fronteira: a proposta seria a inclusão de mais uma aldeia, no MS, localizada em cima da
faixa de fronteira, uma segunda aldeia na fronteira, no Rio Grande do Sul e,
possivelmente, em duas aldeias, uma no Paraguai e outra na Argentina. Essa ampliação
permitiria uma compreensão bastante consistente das atuais movimentações
transfronteiriças dos Guarani e Kaiowá.
Referências:
AZEVEDO, Marta Maria do A. – “Urbanização e migração para a cidade de São Gabriel da Cachoeira” – trabalho apresentado no XV Encontro Nacional de Políticas
Populacionais da ABEP, Caxambu – 2006.
BRAND, Antônio Jacó O impacto da perda da terra sobre a tradição Kaiowá/Guarani: Os difíceis caminhos da palavra. 1997. 382 f. Tese (Doutorado em História Ibero-Americana) – PUCRS, Rio Grande do Sul.
______.O confinamento e seu impacto sobre os Pai/Kaiowá. 1993. 276 f. Dissertação (Mestre em História Ibero-Americana) – PUCRS, Rio Grande do Sul.
LUCIANO, Gersen dos Santos – “Projeto é como o branco trabalha; as lideranças que ser virem para aprender e nos ensinar” – experiências dos povos indígenas do Alto Rio Negro. Dissertação de Mestrado, UNB, Brasília. 2006.
PEREIRA, Levi Marques – Mobilidade e Processos de Territorialização entre os kaiowá Atuais. Revista eletrônica - Revista História em Reflexão: Vol. 1 n. 1 – UFGD - Dourados Jan/Jun 2007
SOUCHAUD, Sylvain e CARMO, Roberto Luiz. – Migração e Mobilidade no Merco-sul: a fronteira do Brasil com Bolívia e Paraguay. trabalho apresentado no XV Encontro Nacional de Políticas Populacionais da ABEP, Caxambu – 2006.