RELATÓRIO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL
Relatório de Estágio Profissional, apresentado com
vista à obtenção do 2º Ciclo de Estudos conducente ao
grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos
Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 74/2006
de 24 de Março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de
Fevereiro)
Ricardo Pinto setembro, 2011
Relatório de Estágio Profissional
Relatório de Estágio apresentado com vista à obtenção do 2º ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de
março e o Decreto-lei nº 43/2007 de fevereiro).
Orientadora: Doutora Paula Maria Leite Queirós
Ricardo de Castro Ribeiro Pinto setembro 2011
Ficha de catalogação
Pinto, R. (2011). Relatório de Estágio Profissional. Porto: R. Pinto. Relatório de Estágio Profissional para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentando á Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.
Palavras-chave: ESTÁGIO PROFISSIONAL, EDUCAÇÃO FÍSICA,
Agradecimentos
O meu primeiro agradecimento vai para os meus pais, por me terem proporcionado todas as condições necessárias para poder realizar a minha formação académica.
Agradeço também aos meus familiares porque sempre quiseram o meu melhor e sempre me tentaram ajudar dentro do que lhes era possível.
Ao professor cooperante Mestre Rui Pacheco, pois foi uma grande ajuda durante todo o estágio pedagógico, foi uma pessoa com quem pude aprender muito nas discussões que tínhamos regularmente.
À minha Orientadora de estágio que também contribuiu para a minha evolução durante o meu estágio e pela paciência que teve comigo durante a elaboração do relatório de estágio.
A todos os meus amigos que sempre me apoiaram e me incentivaram para acabar este mestrado e que tiveram sempre comigo nos bons e maus momentos.
À AALP que foi uma pessoa muito importante e que me acompanhou ao longo deste dois anos, tendo-me ajudado muito ao longo do meu percurso.
Aos meus colegas estagiários, pelo trabalho e cooperação que mantivemos durante todo o estágio.
Índice Geral
1. Introdução...1
2. Enquadramento Biográfico...5
2.1 - Identificação...7
2.2 - Faculdade de Desporto...9
2.3 - Expetativas iniciais do Estágio Pedagógico...10
3. Enquadramento da Prática Profissional...13
3.1- Caracterização da Escola...15
3.2 - Caracterização da Turma...17
3.3 - A Educação Física e o desporto na educação...18
3.4 - Indisciplina na aula de Educação Física...21
3.5 - Modelo de Educação Desportiva...26
3.6 - Conhecimento Pedagógico do Conteúdo...29
3.7 - Formação Inicial e necessidade de formação contínua dos professores de Educação Física...31
3.8 - Estratégias de comunicação e instrução com vista a melhorar a qualidade do ensino...34
4. Realização da prática profissional...41
4.1 - Organização e gestão do ensino e da aprendizagem...43
4.1.1 - A aplicação do MED...43
4.1.2 - A abordagem à patinagem...48
4.1.3 - Dificuldades e soluções encontradas no controlo da disciplina na turma...50
4.1.4 - Importância da comunicação durante as aulas e dificuldades encontradas...53
4.3 - Relações com a comunidade...60
4.3.1 - Atividades na escola com vista a promoção da atividade física...60
4.3.2 - Promoção da prática desportiva dos alunos nos clubes locais...61
4.4 - Desenvolvimento Profissional...64
4.4.1 - Formação continua...64
4.4.2 - Importância das reflexões sobre a aula...65
4.4.3 - A formação com o professor cooperante...66
5. Conclusão...69
6. Referências Bibliográficas...73
Índice de Quadros
Índice de Anexos
Anexo 1 Ficha de Caracterização individual do aluno……...………97 Anexo 2 Plano de Aula 49………....101
Resumo
Neste documento pretendo transmitir e fazer uma reflexão sobre a minha prestação enquanto professor estagiário na escola E.B. 2/3 de Leça do Balio, durante o ano letivo de 2010/2011. Este ano de estágio foi orientado pela professora Doutora Paula Queirós e coordenado pelo professor Mestre Rui Pacheco. Nele vêm expressas aquelas que foram as minhas maiores dificuldades, as minhas experiências e decisões tomadas com vista a melhorar a minha prestação enquanto professor.
Com o objetivo de tornar o documento de fácil leitura e compreensão dividio em cinco pontos. No primeiro ponto faço uma breve introdução. No segundo ponto, procuro descrever um pouco do que foi a minha vida até hoje e o que me levou a tomar a opção por este curso e por esta Faculdade. O terceiro ponto procuro enquadrar o meu estágio pedagógico dando a conhecer o local onde estagiei, as condições que dispunha e a turma que tinha a meu cargo. Ainda neste ponto procurei desenvolver algumas temáticas que considerei importantes para me ajudar a evoluir enquanto professor de Educação Física. O quarto ponto é dedicado à minha descrição e reflexão do meu desempenho enquanto professor. Procuro descrever as decisões tomadas e explicar o porque dessas decisões. Ainda neste ponto procurei descrever a minha participação na escola e as relações que desenvolvi e que pretendia desenvolver com a comunidade. No quinto e último ponto procurei fazer uma reflexão geral de tudo aquilo que foi o meu estágio, a minha evolução enquanto professor, em que é que esta experiência foi benéfica para mim e alguns aspetos que posso vir a melhorar.
Abstract
In this paper I intend to transmit and to reflect on my performance as a trainee teacher at the school EB 2 / 3 of Leça Balio, during the school year 2010/2011. This year's stage was guided by Professor Dr. Paula Queiroz and coordinated by Professor Mestre Rui Pacheco. It expresses those that were my difficulties, my experiences and decisions to improve my performance as a teacher.
In order to make the document easy to read and understand it is divided in five points. On the first point I make a brief introduction. On the second point, I try to describe what was my life until now and what led me to take the option for this course and this Faculty. The third point I try to fit my teaching practice and to let you know about the local where I have done my stage, the conditions that had and the class that I had in my charge. Also at this point I tried to develop some themes that I considered important to help me evolve as a Physical Education teacher. The fourth section is devoted to my description and reflection of my performance as a teacher. I try to describe and explain the decisions that I have taken and Why did I took those decisions. Even at this point I tried to describe my participation in school and the relationships I developed and planned to develop with the community. In the fifth and last point I tried to make a general reflection of all that was my stage, my evolution as a teacher, why this experience was beneficial for me and some aspects that I may improve.
Abreviaturas
CEF - Curso de Educação e Formação
MEC – Modelo de Estrutura de Conhecimento MED – Modelo de Educação Desportiva TPA – Tempo Potencial de Aprendizagem UD – Unidade Didática
1. Introdução
Este documento foi realizado no âmbito do 2º Ciclo - Ensino da Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundários da FADEUP – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.
O documento procura refletir a minha experiência e evolução enquanto professor de Educação Física ao longo do meu Estágio Pedagógico realizado na Escola E.B. 2/3 de Leça do Balio durante o ano letivo de 2010/2011. Nele estão contidas as minhas expetativas iniciais, todo o trabalho que realizei ao longo do ano, as minhas perspetiva sobre o papel da Educação Física na escola e a importância que tem na educação dos alunos, as dificuldades encontradas ao nível da disciplina, da motivação dos alunos e o que considero estar errado no currículo de Educação Física para o 8º ano.
Este documento reflecte a minha perceção acerca de como decorreu o meu Estágio Pedagógico, no que evoluí enquanto professor de Educação Física.
Este ano de estágio revelou-se muito exigente para mim devido a todo o trabalho que era necessário realizar, acumulado com outros trabalhos e funções que desempenho em outras estruturas. A minha prioridade sempre foi realizar um bom Estágio Pedagógico, que fosse proveitoso para mim, para os alunos que tinha a meu cargo e para a escola.
Este ano de Estágio Pedagógico veio pôr à prova todos os conhecimentos que adquiri durante a minha formação na Licenciatura em Ciências do Desporto e no primeiro ano do 2º Ciclo em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundários. Seguramente todos os conhecimentos adquiridos foram muitos úteis e de fato na teoria tudo parece muito fácil, no entanto, no momento em que nos confrontamos com os alunos, para tentar lecionar as diferentes modalidades, torna-se tudo mais difícil, com a ansiedade de controlar tudo o que nos rodeia, de que tudo decorra conforme planeamos, os problemas de disciplina que vão surgindo durante a aula, é muito complicado gerirmos a aula e conseguirmos por em prática todos os conhecimentos que adquirimos sem nos esquecermos de pormenores que são
muito importantes. A experiência adquirida nas didácticas práticas é completamente diferente da realidade que nos espera na escola, o desafio na escola foi e é seguramente muito maior.
O ano de estágio é então essencial para experienciar todos os nossos conhecimentos, aliá-los às personalidades com quem trabalhamos (alunos e professores) e moldar a nossa forma de trabalhar de modo a iniciar um trabalho de uma vida.
Neste relatório começo por fazer um breve resumo daquilo que foi a minha vida até este momento, procurando explicar o que me levou a tomar a decisão de ingressar na Faculdade de Desporto e de ter optado pelo 2º Ciclo em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundários. De seguida, procurei fazer uma revisão bibliográfica de alguns temas sobre os quais encontrei dificuldades e necessidade de os explorar, dificuldades essas que encontrei durante o meu Estágio Pedagógico. No ponto seguinte procurei descrever e fazer uma reflexão sobre a minha realização prática. Por fim termino o documento com uma conclusão sobre o que foi este ano de Estágio Pedagógico.
2.1 - Identificação
O meu gosto pelo desporto nasceu muito cedo. Quando era pequeno jogava futebol na minha rua com os meus vizinhos, treinava hóquei (durante 6 anos, modalidade que gostava muito mas que tive de abandonar por não haver mais atletas da minha idade no clube) ao fim de semana e tinha aulas de natação. Mais tarde joguei futebol durante um ano e entre o décimo e o décimo segundo ano joguei voleibol no desporto escolar. Quando entrei para a Faculdade continuei a jogar voleibol pela equipa da Associação de Estudantes da Faculdade que participava nos Campeonatos Académicos do Porto e no Campeonato Nacional Universitário. Tive a oportunidade de participar em três Campeonatos Europeus Universitários de Voleibol que foram experiências muito boas dado que tive a possibilidade de conhecer estudantes universitários de vários países da Europa e diferentes culturas europeias. Nos últimos três anos joguei voleibol nos campeonatos do Inatel. O meu percurso desportivo foi muito variado, sem nunca me ter mantido durante muito tempo no mesmo desporto até começar a jogar voleibol.
O meu percurso escolar até chegar ao ensino superior foi positivo uma vez que nunca reprovei de ano. Quando na candidatura para o décimo ano chegou a altura de tomar a primeira decisão sobre o meu futuro escolhi ingressar num curso tecnológico de desporto no Colégio de Gaia. Desde muito cedo, entre o quinto e o sexto ano, que decidi querer ser professor de Educação Física. A Educação Física sempre foi a minha disciplina preferida durante o meu percurso escolar. Assim sendo, tomei a opção pelo curso de Desporto, tanto quando tive de escolher um curso no décimo ano e mais tarde quando tive de escolher um curso para ingressar no ensino superior. Até hoje não me arrependo das minhas escolhas uma vez que continuo a gostar muito de desporto, dos valores do mundo do desporto e porque acredito na educação através do desporto.
Hoje sou treinador de voleibol nos escalões de Minis A e de seniores masculinos na Associação Académica de S. Mamede. A minha primeira experiência como treinador foi no décimo segundo ano quando tive de escolher
uma equipa desportiva do Colégio de Gaia para estagiar. Na altura a equipa escolhida foram os iniciados masculinos do Colégio de Gaia. Esta primeira experiência foi muito positiva, gostei de lidar com atletas e os resultados atingidos foram muito bons (3º lugar no Campeonato Nacional).
Após dois anos sem treinar nenhuma equipa, no ano de 2006 comecei a colaborar com a Associação Académica de S. Mamede no escalão de minis A. No ano seguinte para além de continuar a treinar os minis A trabalhei como treinador adjunto das juvenis femininas. Na época de 2007/08 trabalhei no mesmo clube como treinador adjunto da equipa de infantis Feminino e mantive-me como treinador dos minis A. Na época de 2008/09 e 2009/10 para além de continuar como treinador do escalão de minis A trabalhei como treinador adjunto com uma equipa de iniciados masculinos e juvenis masculinos respectivamente. Após dois anos de trabalho com praticamente o mesmo grupo de trabalho atingimos o 4º lugar no campeonato nacional de juvenis masculinos. Depois ter tido experiências como treinador em equipas femininas e masculinas senti que gostava mais, era mais motivador para mim trabalhar com equipas masculinas.
Durante o meu percurso académico tive a oportunidade de fazer parte da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física (doravante AEFCDEF), onde estive durante quatro anos. Durante dois anos fui Vogal da Direcção, estive um ano com a função de Vice-Presidente da Direcção e no meu último ano fui Vice-Presidente da AEFCDEF. Na minha passagem pela AEFECDEF sempre acompanhei de perto e dei muita importância ao Desporto Universitário. Durante um ano fui o responsável pelas equipas de Desporto Universitário da AEFCDEF, durante dois anos fui Coordenador do Desporto Universitário da Secção Autónoma das Associações de Estudante da Universidade do Porto. Na minha passagem pela AEFCDEF também organizei diversas atividades desportivas para os alunos da Faculdade entre as quais o 24 Horas de Desporto e Saúde no ano de 2008. Foi através destas experiências na AEFCDEF que desenvolvi o meu gosto e a minha capacidade para a organização de atividades desportivas.
Em Março do ano de 2010 surgiu uma oportunidade de estar ligado de uma forma diferente e ainda mais activa e decisiva ao Desporto Universitário. Fui convidado a integrar a direcção da Federação Académica do Desporto Universitário até ao final do mandato de 2009/2010. Uma vez que acredito no valor e na potencialidade do desporto Universitário aceitei integrar a direcção e completar o mandato de 2009/2010. Para além de ter responsabilidades na política do Desporto Universitário em Portugal, tive a oportunidade de participar como chefe adjunto da delegação portuguesa presente no 4º Mundial Universitário de Rugby Sevens, onde estava responsável pela delegação da equipa feminina portuguesa, que atingiu um magnifico terceiro lugar na prova. Esta experiência foi muito gratificante para mim. No final do mandato de 2009/10 surgiu um convite para integrar a direcção para o mandato do biénio 2010/12 no cargo de Vice-Presidente. Mais uma vez e pelas mesmas razões que aceitei o primeiro convite, aceitei este novo desafio.
Neste momento sou responsável pelas relações políticas internacionais e pelo projecto Universíadas Shenzen 2011. As Universíadas serão um desafio muito aliciante, de grande responsabilidade e seguramente serão uma experiência única e muito gratificante para mim.
Logicamente, pelas opções que tomei na minha vida e por tudo o que descrevi acima, que no meu futuro pretendo continuar a trabalhar em áreas ligadas ao desporto pois como já referi, acredito no desporto pelos valores que estão inerentes ao mundo do desporto e pelos benefícios que este traz ao nível da saúde para quem mantém um estilo de vida ativo e saudável.
2.2 - Faculdade de Desporto
Tal como pudemos constatar acima, o meu gosto pelo desporto vem desde cedo. Uma vez que me identifico com o desporto ponderei que, para o meu futuro e para o meu desenvolvimento pessoal, seria fundamental frequentar o ensino superior, de forma a poder trabalhar numa área com a qual me reconheço e sinto bem.
Desde que entrei para o ensino secundário e optei por um curso tecnológico de desporto, o meu objectivo era entrar na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade do Porto, atualmente com o nome de Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. A minha opção por entrar nesta Faculdade deve-se ao fato de ela sempre me ter sido referenciada como a melhor do país e, para além disso, ser a Faculdade pública com curso de desporto mais perto do meu local de residência.
Felizmente consegui atingir o meu objectivo de frequentar esta mesma Faculdade no ano de 2004. Entrei na Faculdade na antiga Licenciatura de cinco anos e terminei com a Licenciatura de Bolonha. Uma vez que com o grau de licenciado em Ciências do Desporto não me era permitido lecionar a disciplina de Educação Física aos ensinos básico e secundário e que este era um dos meus objetivos quando ingressei no ensino superior, decidi candidatar-me ao 2º Ciclo em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. No primeiro ano deste curso tive a oportunidade de aprofundar os meus conhecimentos sobre o ensino de Educação Física na escola. Este ano enquanto estagiário na Escola E.B. 2/3 Leça do Balio procurei por em prática todos os conhecimentos adquiridos e ganhar experiência no meu desempenho enquanto professor de Educação Física.
2.3 - Expetativas iniciais do Estágio Pedagógico
Para um estudante que frequenta o 2º Ciclo em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, o ano mais aguardado é o ano de Estágio Pedagógico. O ano de estágio é o primeiro grande teste aos nossos conhecimentos e competências adquiridas ao longo do nosso percurso académico. É também o nosso primeiro contacto com a realidade escolar e a nossa primeira experiência enquanto professor responsáveis por uma turma. Já tivemos experiências anteriores na escola, na Unidade Curricular de Didáctica Específica de
Desporto, mas esta experiência era um pouco irreal e facilitadora uma vez que tínhamos sempre pelo menos um colega a lecionar connosco.
Este estágio também representa o meu primeiro passo num longo percurso enquanto professor de Educação Física. Apesar de já ter alguma experiência enquanto treinador de jovens a realidade na escola é completamente diferente. A minha capacidade de liderança foi testada uma vez que tinha 25 alunos à minha responsabilidade e que muitos deles não estavam motivados para a atividade física, ao contrário do que acontece no treino. Para além disso houve muita indisciplina, desrespeito pelo professor e pelos alunos entre si. Esperava contar com o apoio do Professor Cooperante e da Orientadora de estágio para me ajudarem a evoluir enquanto professor e esse apoio nunca me faltou.
A Escola E.B. 2/3 de Leça do Balio tinha boas condições materiais para o ensino da Educação Física o que facilitou o meu trabalho.
Os meus colegas estagiários foram duas pessoas muito acessíveis sempre disponíveis para colaborar comigo e acho que conseguimos fazer muita coisa de positivo neste estágio.
Por todos estes motivos penso que a experiência de estágio, para além do culminar da minha formação académica, foi um ano de prática onde consegui adquirir experiência que foi muito importante para a minha evolução enquanto professor e tive uma melhor consciência acerca dos desafios que me esperam no futuro.
3.1- Caracterização da Escola
Para nos podermos enquadrar melhor no nosso novo local de trabalho importa conhece-lo, estando informados dos meios que temos ao nosso dispor para podermos realizar o nosso trabalho. Nesse sentido procurei recolher toda a informação que considero necessária para a minha adaptação ao novo local de trabalho e para o desenvolvimento da minha atividade enquanto professor de Educação Física.
A Escola E.B. 2/3 de Leça do Balio está localizada em Leça do Balio, concelho de Matosinhos, distrito do Porto.
Relativamente ao tipo de construção, a Escola E.B. 2/3 de Leça do Balio é uma construção típica de uma escola e relativamente recente. É composta por um edifício único, com 2 pisos e 4 blocos independentes. A escola possuía salas de aula, uma biblioteca, uma cantina, um bar para os alunos, uma secretaria, serviços de acção social escolar, uma reprografia, sala dos professores com bar, sala de directores de turma, um polidesportivo exterior, uma sala para a Associação de Pais, uma sala para a psicóloga, uma área destinada à direcção da escola. Junto à escola encontra-se o pavilhão municipal de Leça do Balio que é cedido durante o período letivo à escola para que os alunos possam realizar nesse espaço as aulas de Educação Física.
No início deste ano letivo ficaram disponíveis os novos balneários que foram construídos por baixo da nova escola primária.
É uma escola oficial, depende administrativa, financeira e hierarquicamente do Ministério da Educação e iniciou a sua atividade no ano letivo de 1994/1995.
Recursos Humanos
Para poder servir uma população escolar total de 508 alunos, repartidos por cinco anos de escolaridade, esta escola conta com 81 docentes (35 do 2º ciclo e 46 do 3º ciclo), 3 profissionais de apoio socioeducativo, 2 profissionais
de educação especial, 16 auxiliares de acção educativa, 11 elementos do pessoal administrativo e uma psicóloga.
No quadro abaixo vêm expressos os recursos humanos da Escola E.B. 2/3 de Leça do Balio.
Quadro 1 – Recursos Humanos da Escola E.B. 2/3 de Leça do Balio
Espaços e condições materiais para lecionar a disciplina de Educação Física
Tal como foi referido, a escola dispõe de dois espaços destinados às aulas de Educação Física que são o polidesportivo exterior, que contém uma campo de andebol com as medidas regulamentares, um campo de futsal abaixo das medidas regulamentares, 6 tabelas de basquetebol e os respectivos campos. O pavilhão polidesportivo cedido pela câmara municipal de Matosinhos é um pavilhão que se encontra em bom estado, tem quatro balneários (dois para cada sexo), uma sala partilhada entre os professores e o auxiliar de educação responsável pelo pavilhão, uma sala de material. A escola dispõe de material desportivo para que os professores possam abordar quase todas as modalidades que vêm no programa curricular de Educação Física, estando este material em bom estado de utilização.
3.2 - Caracterização da Turma
RECURSOS HUMANOS TOTAL
Alunos 508 Docente s 2º Ciclo 35 3º Ciclo 46 Apoio Socioeducativo 3 Educação Especial 2
Auxiliares de Acção Educativa 16
Pessoal Administrativo 11
Depois de me enquadrar com a realidade da escola onde vou estagiar, foi importante conhecer a turma e as características dos alunos que a compõe uma vez que o ensino foi direcionado para estes. Para poder conhecer melhor os alunos da turma foi-lhes entregue um questionário (anexo 1) que foi elaborado pelos alunos do núcleo de estágio, com questões relativas aos dados pessoais dos alunos, aos seus gostos e costumes, ao seu relacionamento com o encarregado de educação e familiares. Após a análise das repostas dadas pelos alunos pude retirar algumas conclusões que vêm descritas abaixo.
A turma é uma turma de oitavo ano e é constituída por 25 alunos dos quais 13 (52%) são do sexo feminino e 12 (48%) do sexo masculino. A turma tem 19 (76%) alunos com 13 anos de idade, 4 (16%) alunos com 14 anos de idade e 2 alunos (8%) com 15 anos. Este dados indicam-nos que o número de alunos repetentes nesta turma é reduzido tendo em conta o número total de alunos.
Uma grande percentagem (76%) dos alunos tem a mãe como encarregada de educação e apenas 20% dos alunos tem o pai como encarregado de educação, apenas um aluno tem a avó como encarregada de educação. Os pais e encarregados de educação tem por hábito acompanhar de perto os estudos dos alunos (88%) e comparecer às reuniões escolares (92%).
Relativamente à situação matrimonial dos pais 81% dos pais dos alunos encontram-se casados, o que dá a ideia de que há estabilidade no ambiente familiar.
No que diz respeito à saúde apenas 32% dos alunos afirmam já terem sido afectados por alguma doença. Há uma aluna que tem asma e que terá de ser acompanhada de perto nas aulas de Educação Física.
O meio de transporte mais utilizado para fazer o percurso casa escola é o automóvel que é utilizado por 50% dos alunos, 43% dos alunos desloca-se para a escola a pé e 7% dos alunos desloca-se de autocarro. O tempo dispendido pelos alunos para realizar o percurso casa escola varia entre os 5 e os 10 minutos no máximo. Este dado permite-nos concluir que os alunos têm o seu local de residência relativamente perto da escola.
A disciplina preferida dos alunos (31%) é a disciplina de Educação Física seguida da disciplina de Português com 18% dos alunos a referirem-na como uma das disciplinas preferidas. A disciplina que os alunos menos gostam (27%) é a matemática seguida de História e Inglês com 12% dos alunos a referirem-nas como disciplireferirem-nas que menos gostam.
A totalidade dos alunos tem acesso à internet em casa. Isto é muito bom pois os alunos podem facilmente realizar trabalhos de pesquisa e estudar em casa.
Relativamente à disciplina de Educação Física os alunos já tiveram contacto com as modalidades que vamos abordar. Os alunos deixaram também algumas sugestões sobre outras modalidades a abordar e algumas delas são modalidades que a escola tem condições para a prática das mesmas.
No que diz respeito à ocupação de tempos livres as atividades preferidas dos alunos são ouvir música, ver televisão, navegar na internet, jogar computador e conviver com os amigos. Há um número relativamente baixo de alunos a praticar atividade física nos tempos livres. Eu enquanto professor de Educação Física tentei procurar mudar esta situação.
Após a análise dos dados recolhidos fiquei com um melhor conhecimento dos alunos que constituem a turma, dos seus hábitos e do valor que estes e os seus encarregados de educação dão à escola e ao ensino.
3.3 - A Educação Física e o desporto na educação
De forma a poder balizar melhor os objetivos da minha atividade enquanto professor de Educação Física importa perceber e refletir sobre a importância e os objetivos da Educação Física e do desporto na educação dos mais jovens, uma vez que vai ser esta a população alvo da minha intervenção.
A Educação Física e o Desporto, segundo Rosado (2009), podem desempenhar um papel importante na educação de um jovem, que vai para além da aquisição de conhecimentos técnicos e tácticos das diferentes modalidades e do desenvolvimento físico do aluno. A Educação Física e o
moral dos alunos. Alguns dos valores que se pretende desenvolver no meio desportivo enquanto uma experiência moral segundo (Rosado 2009 p. 18) são , a “cooperação, amizade, generosidade, magnanimidade, compaixão, sentido de justiça, autenticidade, transcendência, humanidade…”.
Fallé (1998) cita Sanmartín(1995) que refere que na atividade física e no desporto estão presentes “Valores Sociais – participação de todos, respeito pelos demais, cooperação, relação social, amizade, pertencer a um grupo, competitividade, trabalho em equipa, expressão de sentimentos, responsabilidade social, convivência, luta por igualdade, companheirismo, justiça, preocupação com os outros e coesão de grupo. Valores pessoais – Habilidade (forma física e mental), criatividade, diversão, autodisciplina, autoconhecimento, manter ou melhorar a saúde, vitória (êxito, triunfo), recompensas, aventura e risco, desportivismo e jogo limpo (honestidade), espírito de sacrifício, perseverança, autodomínio, reconhecimento e respeito (imagem social), participação lúdica, humildade, obediência, imparcialidade, autocorrecção e autoexpressão”(Fallé, 1998, p.86 - 87).
A aula de Educação Física, para muitos alunos, é o único momento onde têm oportunidade de praticar exercício físico. Tendo em conta o atual modo de vida da população e alguns dados da organização Mundial de Saúde que indicam uma elevada taxa de obesidade nos jovens portugueses, a Educação Física pode ter um papel importante a desempenhar no combate à obesidade infantil e na adoção de estilos de vida ativos. “De acordo com a Organização Mundial de Saúde (WHO, 2000b), a promoção da actividade física na escola é um objectivo realístico e pode ser conseguido com o contributo fundamental da disciplina de Educação Física.” (Marques 2010 p. 89-90). A Educação Física pode ter um papel muito importante na educação para a saúde dos jovens portugueses. Ela deve proporcionar aos alunos experiências desportivas e de atividade física positivas, bem como destacar a importância, para o futuro dos alunos, da adoção de estilos de vida ativos na promoção e manutenção de saúde, de modo a que estes valorizem a importância da atividade física e desenvolvam o gosto pela sua prática vendo-a como algo positivo, benéfico e que os alunos não a vejam como uma obrigação, mas que represente um
prazer (Farinatti & Ferreira 2006; Armstrong 1990). A Educação Física ao proporcionar experiências positivas aos alunos na abordagem de uma modalidade, também, poderá contribuir para que o aluno, se entusiasme pela modalidade e procure praticá-la com regularidade num clube desportivo. Neste sentido a Educação Física, para além de estimular a prática desportiva regular, também poderá dar um bom contributo ao desporto federado português contribuindo para o aumento da procura da prática de desporto federado.
Os professores de Educação Física devem seguir como orientação para a prática o Programa Curricular de Educação Física (reajustamento) do 3º Ciclo do Ensino Básico (2001), definido pelo Ministério da Educação. Neste programa vêm veiculados as finalidades da Educação Física Escolar que são:
Melhorar a aptidão física, elevando as capacidades físicas de modo harmonioso e adequado às necessidades de desenvolvimento do aluno.
Promover a aprendizagem de conhecimentos relativos aos processos de elevação e manutenção das capacidades físicas.
Assegurar a aprendizagem de um conjunto de matérias representativas das diferentes actividades físicas, promovendo o desenvolvimento multilateral e harmonioso do aluno, através da prática de:
- actividades físicas desportivas nas suas dimensões técnica, táctica, regulamentar e organizativa;
- actividades físicas expressivas (danças), nas suas dimensões técnica, de composição e interpretação;
- actividades físicas de exploração da Natureza, nas suas dimensões técnica, organizativa e ecológica;
- jogos tradicionais e populares.
• Promover o gosto pela prática regular das actividades físicas e assegurar a compreensão da sua importância como factor de saúde e componente da cultura, na dimensão individual e social.
Promover a formação de hábitos, atitudes e conhecimentos relativos à interpretação e participação nas estruturas sociais, no seio dos quais se desenvolvem as actividades físicas, valorizando:
- a iniciativa e a responsabilidade pessoal, a cooperação e a solidariedade;
- a ética desportiva;
- a higiene e a segurança pessoal e colectiva;
- a consciência cívica na preservação de condições de realização das actividades físicas, em especial da qualidade do ambiente.
Como podemos verificar alguns dos valores da Educação Física escolar e do Desporto vem veiculados no Programa Curricular de Educação Física (reajustamento) do 3º Ciclo do Ensino Básico. Seguramente seria discutível se deveriam constar mais valores no Programa Curricular de Educação Física (reajustamento) do 3º Ciclo do Ensino Básico do que aqueles que ele contém, no entanto, no ensino português estes devem ser aqueles que devem ser transmitidos pelos professores.
3.4 - Indisciplina na aula de Educação Física
Os problemas de indisciplina são recorrentes na sala de aula nos dias de hoje. Este problema afecta o ambiente na sala de aula, consequentemente o processo ensino aprendizagem, sendo os alunos os principais prejudicados. Oliveira (2002) com base em Patton(1981), Wilson (1981), Gotzens (1986) e Henkel (1991) refere que a disciplina na sala de aula é importante para que o processo ensino/aprendizagem se realize, seja o melhor e mais eficaz possível e para o bom funcionamento da aula. Um bom sistema de tarefas de gestão e as boas estratégias de disciplina criam um bom ambiente e condições necessárias para que ocorra aprendizagem (Siedentop, 1991).
Considerando de vital importância que haja um bom controlo ao nível disciplinar da turma, para que o processo ensino/aprendizagem ocorra da melhor forma, é importante percebermos realmente o que é o conceito de
disciplina, ajudando assim a definir o que é a indisciplina, ou seja, o que não é desejável que aconteça na sala de aula e que será prejudicial ao desenrolar das mesmas.
A disciplina na escola também é importante porque s encarregados de educação esperam que os professores sejam capazes de lidar e resolver os problemas de indisciplina dos seus educandos. (Siedentop, 1991).
Os problemas constantes de indisciplina, na sala de aula, provocam cansaço e tensão ao professor (Siedentop, 1991). “Os professores pouco experientes enfrentam o grande problema da criação de um clima favorável à aprendizagem na sala de aula, que resulta da sua escassez de recursos para lidar com situações indesejáveis.” (Veenman, 1984; Fernadez Balboa, 1990, cit. por Oliveira, 2002, p. 111). Para que o professor não tenha problemas deste género é importante que ele, tenha ou adquira conhecimentos sobre estratégias de gestão preventiva e estratégias sobre a disciplina (Siedentop, 1991)
É difícil encontrar uma definição clara do que é a disciplina, uma vez que um aluno que é considerado disciplinado num determinado local, pode ser considerado como indisciplinado num outro, de acordo com os valores em vigor em cada um destes locais, as crenças do professor dos departamentos e da escola e da interpretação por parte destes sobre as preocupações dos encarregados de educação, e com base nos objetivos educativos. (Brito, 1986, cit. por Pimentel, 1998; Siedentop, 1991).
Siedentop (1991) considera que a definição mais importante de disciplina é o de desenvolver e manter um comportamento adequado. O comportamento do aluno é considerado adequado quando este é compatível com os objetivos de uma configuração específica de educação.
Amos e Orem (1968) (cit. por Oliveira, 2002, p. 98) , definem disciplina escolar como um “processo que conduz ao domínio próprio e ao do meio ambiente, no autodomínio (facilita um respeito mútuo) e a compreensão recíproca (gera um clima de simpatia).” Segundo a mesma autora, Curvin & Mendler (1987) “entendem-na como um conflito entre as necessidades do individuo (aluno) e as do grupo (turma) ou da autoridade que o professor
representa.” Alonso (1988) (cit. por Oliveira, 2002, p. 98) “afirma que a disciplina escolar é o conjunto de medidas que a escola utiliza para conseguir a conduta ordenada dos alunos no trabalho e actividades escolares e o ajudam a desenvolver a responsabilidade, o autodomínio e autocontrolo pessoal, assim como os hábitos de participação, cooperação, convivência e solidariedade. Qualquer concepção de disciplina assenta, de forma explícita ou implícita, numa determinada concepção de criança, de relação aluno-professor, de distribuição de poder na classe, numa concepção das finalidades da Escola e do Sistema Educativo.”
Siedentop (cit. por Oliveira, 2002, p. 99) refere que a disciplina pode ser abordada de uma forma positiva que “assenta no treino dos comportamentos que vão de encontro aos fins educativos, aproximando o comportamento disciplinado ao que se considera um comportamento apropriado.”. A disciplina também pode ser abordada de uma forma negativa “que se confina ao tratamento dos comportamentos inapropriados, os quais se dividem em comportamentos desviantes (comportamentos de maior gravidade) e comportamentos fora da tarefa.”
Os alunos desenvolvem a sua disciplina e moral consoante a atuação do professor perante os comportamentos apropriados e inapropriados. Para além das diferentes abordagens que se pode fazer à disciplina segundo Oliveira (2002) com base em Siedentop(1983), a forma como o professor atua perante um comportamento considerado de inapropriado, pode ajudar o aluno a retificar o seu comportamento, entendendo o porquê do seu erro e passar agir de acordo com a sua obrigação moral, ou agir simplesmente para não ser punido, sem desenvolver a sua moral e a perceção do porquê daquele comportamento ser inapropriado. A mesma autora com base em Marshall (1984) e em Henkel (1991) refere que o fato de punir um aluno pelo comportamento inapropriado, vai fazer com que este não o repita e atue apenas por mera obediência, permitindo simplesmente ao professor resolver os problemas no imediato e não a longo prazo.
Segundo Oliveira (2002, p. 123) “A disciplina na aula não significa necessariamente passividade, silêncio absoluto, formas ou regras rígidas,
apesar destas serem necessárias, em algumas ocasiões, para que se obtenham objectivos específicos. A ordem na sala de aula significa apenas que, dentro de certos limites, os alunos seguem programas de acção necessários para que a actividade de aprendizagem seja realizada em boas condições. Esta ordem é, portanto, conseguida e definida segundo contextos, de tal forma que cada contexto define o tipo de interacção que deve ser solicitada aos membros da classe.”
Oliveira (2002, p. 101) refere ainda que “pode considerar-se que a disciplina não deve ser, contrariamente à opinião de muitos professores, um conjunto de regras, proibições ou punições. É antes o resultado de uma relação de respeito mútuo entre os alunos, e ainda entre os alunos e os professores, aparecendo envolvido num ambiente de harmonia, compreensão e sentido de responsabilidade de cada um. Importa que o professor seja capaz de adaptar os problemas disciplinares a todo o contexto educacional e saber lidar com a personalidade e o caráter do aluno, pois, como referem Hoffman, Young & Klesius (cit. por Oliveira, 2002, p. 101) “ to the teacher, discipline should mean
to train or develop moral character, not just to warn and punish students who exhibit inappropiate behavior. The development of responsible behavior occurs through a process involving disciplinary encounters and modeling”.
Siedentop (1991) também refere que o comportamento apropriado não significa a ausência de comportamentos inapropriados. Ainda segundo este autor o professor deve atuar rápida e eficazmente sobre os comportamentos inapropriados, o sucesso na alteração destes comportamentos aumenta se com a correção de um comportamento inapropriado se estimular-mos o desenvolvimento de um comportamento apropriado.
O conceito de indisciplina está, logicamente, associado ao conceito de disciplina. Oliveira (2002, p. 102) com base em Brito (1986) refere que “a indisciplina reporta exclusivamente à inobservância ou negação de regras de conduta previamente estabelecidas, genericamente relacionadas com a actividade consciente do indivíduo, logo com o âmbito educativo. Deste modo quando nos referimos ao conceito disciplina-indisciplina, estamos não só a falar das regras e do seu cumprimento, mas também da violações (comportamentos
desviantes) e das sanções que lhe são inerentes.” Tal como o conceito de disciplina, o conceito de indisciplina também pode variar consoante os valores em vigor em diferentes sociedades, as crenças dos professores em relação ao que é a disciplina entre outros fatores já mencionados anteriormente.
Siedentop (1991) entende que os comportamentos que não favorecem o alcançar dos objetivos da aula são comportamentos inapropriados.
Estrela (cit. por Oliveira, 2002, p. 110) “diz-nos que a indisciplina é fundamentalmente consequência da falta de adaptação escolar dos seus alunos, que estão por fora de uma cultura, dos códigos, rituais, normas e práticas. Mas esta falta de adequação dos alunos é simultaneamente a falta de adaptação da escola à cultura, aos códigos, aos rituais e às práticas, diferentes das oficialmente estabelecidas.”
A indisciplina na aula pode dever-se à associação, ou não, de um conjunto de fatores inerentes aos alunos, ao professor, à escola e à sociedade. As principais causas da indisciplina são centradas na sociedade, na instituição, no professor e no aluno. As causas centradas na sociedade devem-se à desresponsabilização da família na educação, aos maus exemplo e a violência observados pelos mais jovens no dia a dia. Carita e Fernandes (1997 cit. por Oliveira, 2002, p. 111) referem que “o professor tem a obrigação de compreender que a exposição continuada à violência que a nossa sociedade promove e a existência de condições de vida particularmente degradantes constituem um verdadeiro manual de aprendizagem de comportamento violento, na medida em que conduzem à dessensibilização emocional e/ou à habituação ás emoções associadas a esse tipo de situações”. Os espaços e material desadequado que possa existir na escola também podem ser causas desencadeadoras de comportamentos indisciplina (causas centradas na instituição). As causas centradas no professor devem-se à forma de atuação deste, à desigualdade de tratamento dos alunos, ao demonstrar fraco conhecimento da matéria e à monotonia das formas de trabalho são alguns aspetos que o professor deve ter em conta na sua atuação. Ao lidar com os problemas disciplinares o professor deve ter em conta a idade e o nível de maturação deste, a falta de interesse pelas matérias, a instabilidade de humor,
a auto-afirmação entre outros (causas centradas no aluno) (Oliveira, 2002; Pimentel, 1998).
Uma das principais maneiras que alguns autores apontam para o controlo da disciplina na turma é precisamente a capacidade de pensar e prever comportamentos inapropriados por parte dos alunos. Sampaio (1996 cit. por Oliveira, 2002, p. 108) refere que “a indisciplina deverá sempre fazer parte de uma preocupação preventiva e não colocar-se como uma situação que se banaliza e que se vai tentado resolver temporariamente…”. No planeamento da aula, o professor deve procurar exercícios que mantenha os alunos motivados e empenhados na tarefa, reduzindo ao máximo tempos de espera e de gestão, para que desta forma evite que os alunos se aborreçam e tenham comportamentos inapropriados.
Oliveira com base em Kounin (1970) refere que o fato de um professor não valorizar um comportamento inapropriado, pode levar a que outros alunos se sintam no direito de também ter comportamentos inapropriados.
3.5 - Modelo de Educação Desportiva
No ano letivo de 2010/2011 foi proposto aos alunos estagiários da Escola E.B. 2/3 de Leça do Balio que abordassem uma modalidade colectiva seguindo o Modelo de Educação Desportiva (MED). Para poder aplicar este modelo corretamente e para poder avaliar a se a sua aplicação foi positiva, ou não, importa conhece-lo a fundo.
O Modelo de Educação Desportiva (MED) desenvolvido por Siedentop é um modelo que procura mudar completamente o paradigma do ensino da Educação Física. Este modelo tem como objetivos proporcionar aos alunos uma verdadeira experiência desportiva, proporcionado vivências semelhantes àquilo que é uma época desportiva de um clube federado (Siedentop, 2002). O modelo “comporta a inclusão de 3 eixos fundamentais que se revêem nos objectivos da reforma educativa da Educação Física actual: o da competência desportiva, o da literacia desportiva e o do entusiasmo pelo desporto, sendo o
culta e desportivamente entusiasta.” (Graça & Mesquita, 2007, p. 410). Os objetivos a longo prazo são alcançados ao procurar que os alunos atinjam objetivos a curto prazo, que, segundo Siedentop et al., 2004 são: desenvolver as capacidades técnicas e físicas especificas do desporto a abordar, conhecer e ser capaz de executar tácticas específicas do desporto a abordar, participar em situações de jogo adequadas nível técnico e táctico dos alunos, partilhar as tarefas de gestão da competição desportiva, desenvolver as capacidades de liderança dos alunos, trabalhar em equipa de forma a atingir objetivos comuns, conhecer os significados dos rituais desportivos, desenvolver a capacidade para tomar decisões sensatas em situações de conflito no desporto, desenvolver e aplicar os conhecimentos sobre o treino e arbitragem e envolverem-se no desporto fora da escola. De forma a que os alunos desenvolvam o gosto pela prática desportiva, o MED procura valorizar o desempenho do aluno, as relações de cooperação e entreajuda, promover a inclusão e que todos se sintam úteis à equipa. Para atingir estes objetivos e o de proporcionar uma verdadeira experiência desportiva, no MED a tradicional unidade didática é substituída por uma unidade mais longa, onde os alunos se organizam em equipas e competem entre eles como se fosse uma época desportiva. O fato de as unidades didáticas serem constituídas por um maior número de aulas representa uma vantagem, uma vez que os alunos tem mais tempo para aprender as habilidades técnicas e as tácticas da modalidade e para conhecer mais a fundo as diferentes modalidades abordadas (Graça & Mesquita, 2007) As equipas devem ser equilibradas, dentro de cada equipa existem diferentes papéis, a serem desempenhados pelos alunos, como por exemplo o de treinador, capitão, árbitro, marcador, cronometristas e estatístico. Os alunos aprendem a desempenhar estas funções e a valorizá-las, estando cientes da sua importância para o “mundo do desporto”. (Siedentop, 2002) Neste modelo é dada mais autonomia aos alunos para decidirem sobre como devem organizar a sua equipa, realizarem a sua própria mobilização articular, decidirem quem realiza as diferentes tarefas, quem joga, quando fazer substituições entre outras tarefas. O jogo formal é substituído por formas de jogo reduzidas que são mais adequadas ao nível táctico e técnico dos alunos e
originam uma maior aprendizagem do aluno uma vez que este será solicitado mais vezes e terá uma maior necessidade de procurar respostas adequadas às diferentes situações. Durante o jogo formal, os alunos que não estão a competir tem de desempenhar as tarefas de árbitro, marcador, estatístico entre outras. A competição entre as equipas é vista como uma forma de motivar os alunos a empenharem-se nas tarefas motoras, de forma a evoluírem e atingirem os objetivos da unidade didática e também uma forma de os alunos se auto avaliarem, refletindo sobre o seu empenho na preparação para os jogos. O desempenho de todos os alunos, mesmo daqueles com menos aptidão, é decisivo para o sucesso da equipa. A colaboração na aprendizagem, a equidade e o fair-play devem ser premiados podendo ter impacto na classificação geral da equipa (Siedentop, 2002). Deste modo é promovida a inclusão, a entreajuda e cooperação no seio da equipa, bem como a noção daquilo que são as boas e as más condutas desportivas. No final da época desportiva é realizado um evento culminante que deve ser um momento festivo de final de época. A afiliação numa equipa permite aos alunos desenvolver a sua capacidade de trabalhar em conjunto de forma a atingir um objectivo comum, por outro lado também pode ajudar a criar problemas entre membros da equipa. A resolução destes problemas e as responsabilidades que são atribuídas aos alunos, são vistos como uma oportunidade para os ajudar a tornarem-se mais maduros e responsáveis (Siedentop et al., 2004). Poderão surgir novas ideias a introduzir e a desenvolver neste modelo, algumas poderão ser positivas outras poderão ser negativas e prejudicais aos desenrolar das aulas. No entanto devemos procurar explicações que nos permitam perceber porque correu mal a aplicação do modelo e das variáveis introduzidas. Este modelo pode ser adaptado consoante as condições, quer ao nível de material quer ao número de horas por aula e por período que o professor dispõe, consoante os objetivos definidos para a turma, e podendo até envolver outras disciplinas. (Siedentop, 2002).
Na sua formação inicial o futuro professor de Educação Física deve adquirir uma base de conhecimentos. Shulman, Tardif e Raymond (cit. por Marcon, 2011, p. 76) “A base de conhecimentos se refere, pois, a um corpo de conhecimentos, concepções e disposições construídas em diferentes momentos, em distintos contextos e por meio de diversas vivências do estudante-professor, ao longo das trajetórias pessoal, escolar, académica e profissional.” Marcon et al., 2010 (cit. por Marcon, 2011) refere que estes conhecimentos são requeridos para o ensino e tem influência na forma como o professor conduz o processo de ensino e aprendizagem.
Grossman 1990 (cit. por Marcon, 2011) refere que a base de conhecimentos do professor deve integrar os conhecimentos do conteúdo, pedagógico geral, do contexto e pedagógico do conteúdo.
Grossman 1990 (cit. por Martins, 2008) refere que o conhecimento do conteúdo (matéria), integra o saber acerca das estruturas semânticas e sintácticas dos conteúdos de ensino e aprendizagem, o conhecimento pedagógico geral, consiste no conhecimento e nas crenças dos
professores relativo às aprendizagens, aos alunos, os procedimentos de gestão da aula e os conhecimentos relativos aos propósitos da educação, o conhecimento do contexto envolve o conhecimento sobre os alunos, a organização e cultura da escola e o envolvimento comunitário. Por considerar o conhecimento pedagógico como fundamental para o ensino vou de seguida explorar esta dimensão integrante da base de conhecimento do professor com mais profundidade do que as anteriores.
Um exemplo para a importância do conhecimento pedagógico do conteúdo, é o MED que representa um desafio maior para o professor uma vez que ele tem de conhecer mais a fundo a modalidade para poder abordá-la. Para que os alunos consigam atingir um bom nível táctico na situação de jogo que o MED implica, não basta os professores terem conhecimento sobre como ensinar as habilidades técnicas. Nesse sentido e para que as aulas sejam produtivas é fundamental que o professor possua um bom conhecimento pedagógico do conteúdo, para poder proporcionar uma prática que produza
resultados, que proporcione boas experiências e uma evolução contínua do aluno, estabelecendo progressões pedagógicas adequadas ao nível destes.
O professor de Educação Física no exercício das suas funções tem que tomar decisões sobre os conteúdos a lecionar. As decisões a tomar devem ser refletidas, planeadas e justificadas com base no conhecimento declarativo (do conteúdo), pedagógico e do contexto (Ramos et al. 2008). Com o cruzamento destes tipos de conhecimento nasce o conhecimento pedagógico do conteúdo. Ramos et al. (2008, p. 165) com base em Ennis, 1994; Grossman, 1990; Shulman, 1987 refere que "O conhecimento pedagógico do conteúdo, por outro lado, é um tipo de conhecimento processual que permite ao professor fazer a adaptação do conhecimento declarativo ao nível de compreensão e desenvolvimento dos alunos. Ele é a combinação do conhecimento declarativo com o entendimento pedagógico que o professor possui dos alunos dentro de um contexto específico e real de aula.” Marcon (2011, p. 94) refere que o conhecimento pedagógico do conteúdo segundo Grossman (1990) subdivide-se em quatro categorias que são o “conhecimentos dos propósitos para o ensino do conteúdo; curricular do conteúdo; das estratégias de ensino; e sobre a compreensão dos alunos.”. Para um processo de ensino aprendizagem eficaz, o professor de Educação Física, deve ser capaz de perceber qual a necessidade e o fundamento de ensinar determinados conteúdos, ter conhecimentos teóricos sobre como ensinar esses conteúdos, organizar as progressões de ensino vertical e horizontalmente, qual a melhor forma de ensinar e quais as estratégias mais adequadas para adotar mediante o contexto em que se insere ou seja mediante os alunos e as condições que tem para lecionar. A capacidade que o professor tem de gerir, transformar a matéria de ensino em algo que seja compreendido e adequado aos alunos que tem chama-se conhecimento pedagógico do conteúdo. (Marcon 2011). Ramos et al. (2008, p. 163) com base em Metzler (2000) refere que “o conhecimento pedagógico do conteúdo é o conhecimento sobre como ensinar um conteúdo ou tópico a um grupo específico de estudantes em um específico contexto.” O conhecimento pedagógico do conteúdo, apenas, é colocado em prática quando o professor se depara com uma situação real de ensino em que é obrigado a
refletir, conjugando os quatro fatores acima referidos, transformando o conhecimento declarativo e pedagógico que adquiriu ao longo da sua formação académica e relacionando esse conhecimento com os objetivos do ensino veiculados nos programas de Educação Física, com o nível dos alunos que tem e com as condições de ensino, procurando transformar a matéria de ensino em algo perceptível pelos alunos proporcionando desta forma a que ocorra um processo de ensino aprendizagem eficaz e adequado ao contexto específico em que o professor encontra. Este tipo de conhecimento distingue um professor de um expert numa determinada área, uma vez que, o professor deve ser capaz de passar a informação de forma clara e adequada aos alunos. O conhecimento pedagógico do conteúdo vai-se desenvolvendo ao longo dos anos com a experiência que o professor vai adquirindo mediante a confrontação com novas realidades.
3.7 - Formação Inicial e necessidade de formação contínua dos professores de Educação Física
A formação inicial que nos é proporcionada na Faculdade procura dotar-nos de um conjunto de conhecimentos teóricos e proporcionar-dotar-nos algumas experiências práticas que são consideradas fundamentais para o desempenho das nossas funções enquanto professores de Educação Física. Apesar da formação que nos é proporcionada procurar ser o mais abrangente possível, devido ao grande número de modalidades que existem no mundo do desporto, às condições que seriam necessárias para abordar todas as modalidades, ao tempo de formação que temos, ao conjunto de conhecimentos que é necessário para o domínio de uma determinada modalidade e às constantes alterações do Programa Curricular de Educação Física, não é possível abordar todas as modalidades e jogos desportivos que estão presentes no Programa Curriculares de Educação Física. Uma vez não tendo recebido formação sobre todas as modalidades que vem no Programa Curricular de Educação Física, para poder abordar essas modalidades de forma correta e de forma a poder
proporcionar um ensino eficaz, torna-se necessário procurar formação sobre essas modalidades. A formação contínua também é importante no sentido de acompanhar a sociedade atual que está em constante mudança e nesse sentido os professores devem procurar formas inovadoras e diversificadas de ensino, novos modelos de aprendizagem que estejam de acordo com novos contextos pedagógicos (Cunha 2007).
Loro et al., (2008, p. 282) reforçando esta ideia referem que “No contexto educacional atual, inúmeras mudanças vêm ocorrendo: científicas, tecnológicas e até mesmo paradigmáticas. Hoje, o professor, mais do que nunca, necessita atualizar-se constantemente para atender às necessidades educacionais escolares. Independente da área do conhecimento, os profissionais necessitam ser multifuncionais, competentes e estudiosos.”. “É imprescindível que o professor se mantenha atualizado e que continue investindo permanentemente na sua formação. Terá, então, que inovar, diversificar e rever conceitos na tentativa de atender às necessidades educacionais escolares, inclusive, diante da globalização, em que o acesso às informações é muito rápido. Assim, o professor necessita qualificar-se constantemente para tentar acompanhar essas transformações.” (Loro e tal., 2008, p. 283).
Carrascosa (cit. por Loro et al. 2008 p. 282) relata que: “A formação de um professor é um processo a longo prazo, que não se finaliza com a obtenção do título de licenciado (nem mesmo quando a formação inicial tiver sido de melhor qualidade). Isso porque, entre outras razões, a formação docente é um processo complexo para o qual são necessários muitos conhecimentos e habilidades, impossíveis de serem todos adquiridos num curto espaço de tempo que dura a Formação Inicial.”
Silva (2000) com base em Formosinho refere que a formação contínua é algo que é sequencial, que é destinada a sujeitos já possuidores de formação inicial. Hargreaves 2002, (cit. por Loro et al., 2008 p. 282) referem que a “formação inicial é apenas o primeiro passo para a formação docente contínua.”.
Para reforçar a importância da formação contínua dos professores, Silva (2000, p. 97) cita Formosinho quando este refere que “o aperfeiçoamento dos
professores tem finalidades individuais óbvias, mas também tem utilidade social. A formação contínua tem como finalidade última o aperfeiçoamento pessoal e social de cada professor, numa perspectiva de educação permanente. Mas tal aperfeiçoamento tem um efeito positivo no sistema escolar se se traduzir na melhoria da qualidade da educação oferecida às crianças. É este efeito positivo que explica as preocupações recentes do mundo ocidental com a formação contínua de professores.”
Relativamente aos locais onde deve ser proporcionada, a formação contínua pode ser centrada na escola e nos locais de envolvimento ou nas instituições de ensino superior. Ambas têm as suas vantagens e desvantagens apontadas por diferentes autores. “A formação contínua na lógica do diálogo entre instituições de formação e a escola parece ser o desejado. Tal fato corresponderá a uma maior aproximação entre a teoria – centrada nas instituições formadoras – e a prática – centradas nas escolas -, potenciando a investigação ligada às teorias e às práticas educativas – prática fundamentada e alimentada pela teoria e, por seu lado, a teoria enriquecida pela prática.” (Cunha, 2007, p. 99)
A formação contínua também pode ser encarada numa perspetiva de grupo (co-formação) que tem por base a troca de ideias e experiências entre o professores de uma ou várias escolas e que pode ser muito produtiva e enriquecedora (Cunha 2007).
A formação contínua vem consagrada na lei de bases do sistema educativo português, como um direito e um dever dos professores e que constitui uma condição de progressão de carreira, Decreto-Lei nº 344/89 de 11 de Outubro (artigo 26º, nº4) e segundo esta, os seus objectivos fundamentais (artigo 26º, nº 1) são:
a) melhorar a competência profissional dos docentes nos vários domínios da sua actividade;
b) incentivar os docentes a participar activamente na inovação educacional e na melhoria da qualidade da educação e do ensino;
c) adquirir novas competências relativas à especialização exigida pela diferenciação e modernização do sistema educativo.
Como podemos observar, a lei portuguesa, vai ao encontro do que defendem os autores atrás mencionados entre outros, considerando a formação contínua, como fundamental para a melhoria da qualidade de ensino, que todos os professores devem procurar novas formas de ensinar e adquirir novas competências para além daquelas que foram adquiridas na sua formação inicial.
3.8 - Estratégias de comunicação e instrução com vista a melhorar a qualidade do ensino
Como poderemos ver neste ponto a comunicação é um fator importante para o processo ensino aprendizagem, no sentido em que através da comunicação poderemos influenciar positiva ou negativamente a prática criando uma bom clima nas aulas, um bom relacionamento com os alunos e motiva-los para a realização das tarefas e das aulas. Para nos podermos fazer entender melhor, para além de utilizarmos várias estratégias estudadas e defendidas por diferentes autores, precisamos de perceber os nossos alunos e a forma como eles captam melhor a mensagem a transmitir. É fundamental que sejamos capazes de adaptar a mensagem que queremos transmitir ao nível de compreensão dos alunos, bem como de persuadir o aluno de forma a que este aceite e se envolva nas atividades propostas pelo professor. (Rosado & Mesquita 2009). Sarmento et al., 1998 (cit. por Oliveira, 2006) refere que toda a comunicação não deve ser deixada ao acaso, deve sim, ser planeada previamente, mesmo tendo em conta que muitas situações de transmissão de informação são de difícil previsão e planeamento, uma vez que durante a aula surgem inúmeros comportamentos e situações imprevistas e que levam o professor a ter de adaptar o que tinha previsto.
Segundo Rosado e Mesquita (2009) a comunicação surge com diferentes objetivos, o objectivo de informar os alunos, de controlo sobre os alunos seja ele ao nível de comportamento ou de envolvimento e compreensão
da(s) tarefa(s), de motivar os alunos para a realização da(s) tarefa(s) e de expressar o que sentimos em relação ao desempenho do(s) aluno(s).
Existem quatro momentos instrucionais típicos que contemplam objetivos diferentes. Esses quatro momentos são transmissão de informação no inicio da sessão, a apresentação das tarefas motoras, o feedback pedagógico e o encerramento da sessão. O início da sessão “implica, genericamente, a concretização de uma função instrucional, motivacional, e organizacional” (Rosado & Mesquita 2009, p. 77), ainda segundo os mesmos autores com base em Siedentop (1991) as funções atrás mencionadas devem envolver as seguintes fases:
1. Apresentação do objectivo da sessão: tem como objectivo transmitir e clarificar os objetivos gerais da sessão procurando motivar os alunos para a mesma.
2. Relacionar a sessão com as sessões anteriores ou seguintes: deve-se procurar explicar as progressões que existem entre as sessões, para que os alunos sejam capazes de compreender “lógica global da formação e os objectivos mais gerais que persegue a sua actividade. Esta é uma forma de os manter interessados, de os tornar mais participativos, criando, indirectamente, condições de maior envolvimento nas actividades da sessão.” (Rosado & Mesquita, 2009, p. 77)
3. Apresentar os conteúdos propriamente ditos: serve para fazer uma síntese da matéria a ser abordada, introduzir matéria nova ou rever conteúdos já lecionados anteriormente.
4. Apresentar as condições de realização e as normas organizativas: é importante que os alunos percebam como vai ser organizada a aula para um bom desenrolar dos trabalhos.
5. Controlar a compreensão da informação: para ter a certeza que os alunos entenderam devidamente toda a informação transmitida pelo professor, devemos questiona-los com questões concretas sobre a informação transmitida.
Rosado e Mesquita (2009, p. 79) com base em Rink (1994) referem que “entende-se por apresentação de tarefas motoras a informação transmitida pelo professor ou treinador aos alunos ou atletas durante a prática motora acerca do que fazer e como fazer.”. Siedentop (1991) refere que uma boa apresentação da tarefa surge quando os alunos compreenderam a informação transmitida e essa informação é suficiente para que estes possam realizar a tarefa tal como ela foi descrita. O mesmo autor refere também que uma apresentação eficiente da tarefa, significa que foi apenas utilizado, na sua apresentação, o tempo necessário para assegurar a melhor transmissão possível e compreensível aos alunos. A informação a transmitir deve conter os objetivos a alcançar, as tarefas a realizar para os atingir, critérios de êxito e de avaliação, eventuais variantes ou adaptações que possam existir, a importância da tarefa a realizar, a organização da tarefa no que diz respeito ao espaço onde se vai desenrolar a tarefa, à formação de grupos (caso seja necessário), equipamentos necessários, tempo disponível para a realização da tarefa e procedimentos de segurança. Para uma boa compreensão por parte dos alunos e para o bom desenrolar da tarefa pedida, a informação transmitida pelo professor deve ser clara, o professor deve-se assegurar que os alunos compreenderam corretamente a informação transmitida, umas das estratégias para se assegurar de que a informação transmitida foi compreendida pode ser a colocação de questões aos alunos. A utilização de palavras chave (devem ser adequadas quanto ao número, à qualidade e à validade em função do conteúdo apresentado), a demonstração no local onde se vai realizar a tarefa, a utilização de imagens ou de meios áudio visuais pode contribuir, de forma decisiva, para a melhor compreensão da tarefa por parte dos alunos (Rosado & Mesquita 2009; Siedentop 1991).