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Uma generalização da Integral de Riemann

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Academic year: 2021

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(1)

Universidade Federal de Santa Catarina

Curso de Pós–Graduação em Matemática e

Computação Científica

Uma Generalização da Integral de Riemann

Dissertação apresentada ao curso de

Pós-Graduação em Matemática e

Computação Científica, do Centro de

Ciências Exatas da Universidade Federal

de Santa Catarina, para obtenção do grau

de Mestre em Matemática, com Área de

Concentração em Análise Real.

Maria Elita Pereira

Florianópolis – Santa Catarina 1999

(2)

Uma Generalização de Integral de Riemann

Maria Elita Pereira

Esta dissertação foi julgada adequada para obtenção do

Título de “Mestre”, Área de Concentração em Análise

Real, e aprovada em sua forma final pelo curso de

Pós-Graduação em Matemática e Computação Científica.

__________________________ Celso Melchíades Dória

Coordenador

Comissão Examinadora:

_________________________________________________

Prof. Paul James Otterson, Ph.D. ( Orient. UFSC) _________________________________________

Prof. João Barata, Ph.D. (USP)

_________________________________________ Prof. Aldrovando Luís A . Araújo, Ph.D. (UFSC)

_________________________________________ Prof. Ruy Exel, Ph.D. (UFSC)

(3)

Ao meu marido Jeferson e às

minhas filhas Natasha e

(4)

AGRADECIMENTOS:

• Ao meu orientador Paul James Otterson por ser um grande motivador.

• Aos meus pais (falecidos) que me criaram para ser uma mulher realizadora.

• Ao meu marido Jeferson pelo seu amor e pela sua cooperação na digitação

desta dissertação.

• Às minhas filhas Natasha e Waleska por terem compreendido a minha

necessidade de ser mais que mãe.

• Aos meus irmãos Rogério, Luís Carlos, Maria Eliane e Maria Ester, que

acreditaram em mim.

• À minha amiga Ilca, por ter sido uma fonte de confiança e encorajamento.

• À CAPES, por ter tornado possíve l este mestrado através da estrutura

(5)

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS ...vi

RESUMO ...vii

ABSTRACT...viii

INTRODUÇÃO ...1

1 DERIVADAS E FUNÇÃO DE CANTOR...3

1.1 Derivada Ordinária ... 4

1.2 Derivada Paramétrica ... 6

1.3 A Função de Cantor ...10

2 INTEGRAL DE RIEMANN GENERALIZADA ... 22

2.1 Integral de Riemann ... 23

2.2 Medidor ... 24

2.3 Integral de Riemann Generalizada ... 25

2.4 Teorema Fundamental do Cálculo ... 34

2.5 Mudança de Variável ... 38

2.6 Integrais Impróprias ... 39

2.7 Teoremas de Convergência ... 47

3 INTEGRAL DE LEBESGUE E INTEGRAL DENJOY......50

3.1 Álgebra de Conjuntos...50

3.2 Medida de Lebesgue ...51

3.3 Integral de Lebesgue ...54

3.4 Relação entre Derivada e Integral de Lebesgue ...56

3.5 Funções AC, ACG, AC*, ACG*... 58

3.6 Integral de Denjoy ... 60

4 CONCLUSÃO......62

(6)

LISTA DE NOTAÇÕES

R Conjunto dos Números Reais

( )

x f

a x

lim Limite da função f quando x aproxima-se de a

1 − f Função Inversa C Conjunto de Cantor

∞ =1 n Somatório

R*

(

[ ]

a,b

)

Conjunto das funções que são integráveis no sentido Riemann Generalizada

( )

xdx f

b a

Integral da função f no intervalo

( )

a,b

sup E Supremo do conjunto E

inf E Ínfimo do conjunto E

fL(P) A soma ( )( 1) 1 − = −

i i n i i x x z f onde P=

{

zi,

[

xi1,xi

]

;1≤in

}

~A Complementar do Conjunto A

m* (E) Medida exterior do conjunto E m (E) Medida de Lebesgue do conjunto E

(7)

RESUMO

Neste trabalho, estudamos uma modificação da Integral de Riemann, a Integral Henstock-Kurzweil, ou Integral de Riemann Generalizada, ou ainda, Integral “Gauge”(denotamos Integral R*). Mostramos o Teorema de Hake e o Lema de Saks-Henstock, e estes servem como ferramentas na aplicação da Integral R*. Esta integral contrasta com outras integrais, em particular com respeito a formulação do Teorema Fundamental do Cálculo, e sua respectiva classe de funções integráveis.

Nós provamos que a Integral R* permite um elegante Teorema Fundamental e concluímos que integra uma classe maior de funções que a integral de Lebesgue, a qual generaliza.

(8)

ABSTRACT

In this work, we study a modification of the Riemann integral, the Kurzweil-Henstock or Gauge or R* Integral. We prove Hake’s Theorem and the Saks-Henstock Lemma; which are important tools in applications of the R*-integral. This integral is compared it with other integrals, in particular with respect to formulation of The Fundamental Theorem of Calculus, and regarding their respective classes of integrable functions.

We show that the R*-integral permits a simple Fundamental Theorem and integrates a larger class of functions than the Lebesgue integral, which it generalizes.

(9)

INTRODUÇÃO

Bons livros de Análise (Lima, Royden, Rudin, Bartle) colocam a Integral de Lebesgue como essencial. Segundo Burkill “Há muito tempo é evidente que todo usuário do Cálculo Integral, seja da matemática pura ou aplicada, deve interpretar integração no sentido de Lebesgue. Alguns princípios simples então dirigem a manipulação de expressões contendo integrais”.

Recentemente surgiu uma simples modificação da integral de Riemann, chamada então de Integral Henstock-Kurzweil, de Riemann Generalizada, ou ainda “gauge” (denotaremos integral R*), que faz com que a integral resultante seja mais geral que a integral de Lebesgue.

O objetivo desta dissertação é o de desenvolver propriedades desta integral, R*, encontrando princípios simples que a dirijam, e compará-la com outras integrais (Riemann, de Lebesgue, Denjoy, ...).

No primeiro capítulo, generalizamos a derivada ordinária através de uma parametrização adequada da variável, tornando a composta derivável. O objetivo de definir a Derivada Paramétrica é enunciar no Capítulo II um Teorema Fundamental do Cálculo mais abrangente. Também fizemos um estudo detalhado da Função de Cantor, que é um exemplo de uma função não derivável que permite derivada paramétrica.

(10)

No segundo capítulo, usando somas de Riemann, definimos Integral R* através de uma ligeira modificação da Integral de Riemann. A relação entre a integral assim obtida com a Derivada Paramétrica fica estabelecida através de uma formulação do Teorema Fundamental do Cálculo. Veremos que os teoremas de convergência válidos para integral de Lebesgue são válidos também para integral R*, e o teorema de Hake, que diz que se a integral imprópria existe, então a integral existe no sentido R*.

O terceiro capítulo consta de um rápido estudo das definições e teoremas provenientes da Teoria de Integração no sentido Lebesgue e Denjoy no contexto da análise real. Esse capítulo é simplesmente um embasamento teórico para que posteriormente seja discutida a equivalência entre a Integral de Denjoy e a integral R*. São vistos também princípios simples da Integral de Lebesgue: os Três Princípios de Littlewood.

Finalmente, concluímos então este trabalho com comparações entre a integral R* e as integrais de Lebesgue, Denjoy e Riemann. Para isto, nos valemos de exemplos que elucidam estas diferenças e posicionamento de alguns autores.

(11)

Capítulo I

DERIVADAS E FUNÇÃO DE CANTOR

Robert G.Bartle [2], relaciona a Integral de Riemann Generalizada com a Derivada Ordinária através do Teorema Fundamental do Cálculo, enquanto que Jack Lamoreaux e Gerald Armstrong [8], definem a Derivada Paramétrica (também chamada Derivada Generalizada), e a relacionam com a Integral de Riemann Generalizada. Este teorema será enunciado e demonstrado no Capítulo II. Como toda função que possuí derivada ordinária, possuí também derivada paramétrica, optamos pelos trabalhos de Armstrong no que diz respeito ao Teorema Fundamental do Cálculo. Temos assim um resultado mais forte e por isso mais elaborada sua demonstração.

Neste capítulo, inicialmente retornaremos a Teoria da Derivada Ordinária vista nos Cursos de Cálculo e Análise. Apoiados nas definições e principais resultados desta teoria passaremos então para o nosso objeto de estudo deste capítulo que é a Derivada Paramétrica. Veremos que algumas funções que não possuem derivadas, parametrizando a variável, suas compostas podem ser deriváveis.

Finalmente, fecharemos este capítulo com um estudo detalhado do Conjunto de Cantor e da Função de Cantor, tendo em vista que a função de Cantor,

(12)

segundo Armstrong [8], é um exemplo de uma função que não possuí derivada, mas que através de uma parametrização adequada da variável, a composta é derivável, ou seja, a função de Cantor possuí derivada paramétrica.

1.1 Derivada Ordinária

Veremos a seguir, de acordo com Elon Lages Lima, algumas definições e teoremas a respeito de derivada ordinária, sendo que as demonstrações dos teoremas podem ser encontradas em [9].

Dizemos que um ponto a ∈R é um ponto de acumulação do conjunto XR quando toda vizinhança V do ponto a, contém ao menos um ponto de X diferente de a, ou seja, para todo ε> 0, o conjunto

(

a−ε,a

)

I

(

X

{ }

a

)

não é vazio.

Denotaremos por Χ′ o conjunto dos pontos de acumulação de X.

Uma outra definição importante para derivada é a de função contínua.

Uma função real f definida no conjunto XR é contínua no ponto a ∈R quando,

para todo ε>0, existe um δ>0 tal que se x∈Χ e 0< xa <δ então

ε <

− ( )

)

(x f a

f . Dizemos ainda que f é contínua, se f é contínua em todo ponto do

(13)

Definição: Sejam f : X R e a um ponto de X que é ponto de acumulação de X,

isto é, a∈ΧIΧ′. A derivada ordinária, ou simplesmente derivada, da função f no

ponto a, quando existe, é o limite

a x a f x f a x − − → ) ( ) (

lim e denotamos este limite por f(a).

Dizemos então que f é derivável no ponto a .

Quando f é derivável em todo ponto de X, dizemos que f é derivável.

Define-se, equivalentemente, f(a) como

h a f h a f h ) ( ) ( lim 0 − + → .

Proposição: Se f : X → R é tal que f ′(x)=0 para todo x∈Χ, então f é uma função constante, ou seja, f(x)=k para todo x∈Χ, onde k é uma constante real.

Teorema: Sejam f , g : X → R deriváveis no ponto a∈ΧIΧ′. As funções f +g, ,

g

ff . e g g

f (caso g(a)0) são deriváveis no ponto a e as derivadas destas

funções são dadas por:

); ( ) ( ) ( ) (f +ga = fa +ga ); ( ) ( ) ( ) (fga = faga ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) . (f ga = fa g af a ga e

[

]

2 ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( a g a g a f a g a f a g f = ′ − ′      .

Enunciaremos a seguir a Regra da Cadeia, sendo esta de grande importância para Derivada Paramétrica.

(14)

Teorema: Sejam f: Χ → R, g: Y R, a∈ΧIΧ′, f(a)=b∈ΥIΥ′ e f(Χ)⊆Υ.

Se f é derivável no ponto a e g é derivável no ponto b, então g o f :X → R é

derivável no ponto a, e (go f)′(a)=g

(

f(a)

)

f′(a).

Corolário: Seja f : X → Y uma função bijetora, com inversa = − Υ →Χ :

1

f

g . Se

f é derivável no ponto a∈ΧIΧ′ e g é contínua no ponto b= f(a) então g é derivável no ponto b se, e somente se, f′(a)≠0. Caso afirmativo

) ( 1 ) ( a f b g′ = . 1.2 Derivada Paramétrica

Definição: Seja a função F:

[ ]

a,b → R. Dizemos que F tem uma derivada paramétrica

f se, e somente se, existe uma função derivável, sobrejetora e estritamente crescente

[ ] [ ]

, a,b

: α β →

φ onde α, β são números reais e tal que Foφ tem uma derivada

ordinária em

[ ]

α,β definida por

(

F

)

′(t)= f

( )

φ(t)φ′(t).

Segue da definição que toda função que tem derivada ordinária, admite derivada paramétrica. Basta tomar φ:

[ ] [ ]

a,ba,b dada por φ(t) =t. Em outras palavras, a derivada paramétrica generaliza a derivada ordinária.

A derivada paramétrica não necessita ser única pois se F:

[ ]

a,bR é tal que admite derivada paramétrica f, então existe uma função derivável, sobrejetora,

(15)

estritamente crescente φ:

[ ] [ ]

α,β → a,b tal que Foφ tem derivada ordinária . Se existe t0

[ ]

a,b tal que φ′(t0)=0, como (Foφ)′(t0)=f

(

φ(t0)

)

φ′(t0) isto implica que (F oφ)′(t0)=0, independente do valor que f assume em φ(t0).

Por outro lado, a proposição seguinte nos aponta um resultado quando t0

é tal que φ′(t0)≠0.

Quando uma função F:

[ ]

a,bR possuí derivada paramétrica e

[ ] [ ]

, a,b

: α β →

φ é uma função derivável e estritamente crescente tal que F

possuí derivada ordinária dizemos que φφ é uma representação paramétrica de F.

Proposição: Seja F:

[ ]

a,bR uma função que possuí derivada paramétrica e seja

[ ] [ ]

, a,b

: α β →

φ uma representação paramétrica de F. Se φ′(t0)≠0 então a derivada

paramétrica f no ponto x=φ(t0) é a derivada ordinária de F .

Prova: Seja f :

[ ]

a,b R uma derivada paramétrica da função F:

[ ]

a,b R e

[ ] [ ]

, a,b

: α β →

φ umarepresentação paramétricadeF.Assim,

(

F

)

′(t)= f

( )

φ(t)φ′(t).

Seja t tal que 0 φ′(t0)≠0 . Fazendo x(t),

0 0) ( ) ( lim 0 x x x F x F x x − − → = ( ) ( ) )) ( ( )) ( ( lim 0 0 ) ( ) ( 0 t t t F t F t t φ −φ φ − φ φ → φ = ) ( ) ( . ) ( ) ( )) ( ( )) ( ( lim 0 0 0 0 0 t t t t t F t F t t φ′ φ′ φ − φ φ − φ → =

[

]

      − φ − φ ⋅ φ′ φ − φ φ − φ → → 0 0 0 0 0 ( ) ( ) lim ) ( ) ( ) ( )) ( ( )) ( ( lim 0 0 t t t t t t t t F t F t t t t = 0 0 0 )) ( ( )) ( ( lim ) ( 1 0 t t t F t F t t t − φ − φ φ′ →

(16)

= 0 0 0 ) )( ( ) )( ( lim ) ( 1 0 t t t F t F t t t − φ − φ φ′ → o o = ( ( )). ( ) ) ( 1 ) ( ) ( ) ( 1 0 0 0 0 0 t t f t t F t φ ′ = φ′ φ φ′ φ′ o = f (φ(t0))= f(x0).

Portanto F′(x0)= f(x0), ou seja, f(x0) é a derivada ordinária de F no ponto x .0

Veremos a seguir algumas propriedades da derivada ordinária que valem para derivada paramétrica. Para demonstrar tais propriedades aplicaremos definições e resultados vistos em 1.1.

Proposição: Se a derivada paramétrica de F é zero em cada ponto de

[ ]

a,b , então F é constante.

Prova: Seja f :

[ ]

a,b R a derivada paramétrica de F tal que f(x)=0 para todo x

[ ]

a,b e seja φ:

[ ] [ ]

α,β → a,b sua representação paramétrica. Então,

0 ) ( )

(F oφ ′t = , pois (Foφ)′(t)= f(φ(t))φ′(t). Logo Foφ =k onde k é uma constante, isto é , F(φ(t))=k para todo t

[ ]

α,β . Fazendo x(t), temos que F(x)=k para todo x

[ ]

a,b .

Usaremos daqui para frente a notação F para a derivada paramétrica da

função F, sem problemas de notação pois como vimos toda derivada ordinária é paramétrica.

(17)

Proposição: Se as funções F e G admitem derivadas paramétricas e k é um número real, então: (a) (kF)′=kF′ (b) (F +G)′=F′+G′ (c) (FG)′=FG+FGProva:

(a) Seja f :

[ ]

a,bR a derivada paramétrica da função F:

[ ]

a,bR. E seja a

função φ:

[ ] [ ]

α,β → a,b sua representação paramétrica. Assim F′= f e

) ( )) ( ( ) ( ) (Foφ ′t = f φ t φ′ t . Logo,

[

k(Foφ)

]

′(t)=

[

k(Foφ)′

]

(t) =k

[

(Foφ)′(t)

] [

=k f(φ(t))φ′(t)

]

=(kf)(φ(t))φ′(t) Mas

[

k(Foφ)

]

=(kF)oφ. Então (kFoφ)′(t)=kf(φ(t))φ′(t) e kf =kF′ é uma derivada paramétrica de kF.

Armstrong[1] demonstra o seguinte teorema que será usado para demonstrar os itens (b) e (c) da proposição.

Teorema: Se F e G tem representações paramétricas diferenciáveis φ e ϕ,

respectivamente, então existe uma função θ que é uma representação paramétrica

diferenciável para F e G simultaneamente.

Sejam f , g as derivadas paramétricas de F, G respectivamente. Pelo

teorema anterior, existe uma representação paramétrica diferenciável θ para F e G

simultaneamente. Logo, ) ( )) ( ( ) ( ) (Foθ ′t = f θ t θ′ t e ) ( )) ( ( ) ( ) (Goθ ′t = g θt θ′ t .

(18)

(b)

[

(

F +G

)

]

′(t) =

[

(

F

) (

+ G

)

]

′(t) = = 

(

F

) (

′+ G

)

′(t) = =

(

F

)

′(t)+

(

G

)

′(t) = = f(θ(t))θ′(t) + g(θ(t))θ′(t) = =

[

f(θ(t))+g(θ(t))

]

θ′(t) = =

[

(f +g)(θ(t))

]

θ′(t). Portanto,

(

F+G

)

′ = f +g =F′+G′. (c)

[

( )

FG

]

′(t)=

[

(

F

)(

.G

)

]

′(t)= = 

(

F

) (

G

) (

+ F

)(

G

)

′(t) = f(θ(t))θ′(t)

(

G(θ(t))

)

+F(θ(t)) g(θ(t))θ′(t) =

[

f(θ(t))G(θ(t))+F(θ(t))g(θ(t))

]

θ′(t) =

(

fG+Fg

)

(θ(t)).θ′(t). Portanto,

( )

FG ′ = fG+Fg =FG+FG1.3 A Função de Cantor

O Conjunto de Cantor C é um subconjunto do intervalo

[ ]

0,1 que é

obtido da seguinte forma: removemos do intervalo

[ ]

0,1, o terço médio 

     3 2 , 3 1 , depois

(19)

removemos dos intervalos restantes     3 1 , 0 e     ,1 3 2

os respectivos terços médios

      9 2 , 9 1 e       9 8 , 9 7

, e assim sucessivamente. O Conjunto de Cantor C é o conjunto

que resta depois da remoção de todos os terços médios.

Proposição: O conjunto de Cantor C é fechado.

Prova: O complementar de C consiste de todos os intervalos que são retirados na construção do conjunto de Cantor C , então é uma união (enumerável) de intervalos abertos, que é aberto. Portanto o conjunto de Cantor C é um conjunto fechado.

O conjunto de Cantor C inclui todos os extremos dos intervalos removidos, e também, pelo fato de C ser fechado, os limites de seqüência de tais pontos.

Um exemplo de um seqüência é a seguinte: Começamos de 3 1

e pegamos o extremo

mais próximo no segundo passo 

     = 9 2 9 1 3 1

, e então pegamos o extremo mais

próximo no terceiro passo 

     + = 27 7 27 1 9 1 3 1

e assim sucessivamente. O limite deste

conjunto de pontos é 4 1 8 1 8 3 81 1 27 1 9 1 3 1 + + = =

L , que não é extremo, pois todos

os extremos são da forma an

3 . O ponto 4

1

pertence ao conjunto C, pois C é

fechado. E assim também todo ponto de

[ ]

0,1 que é limite de uma seqüência de

extremos.

(20)

Prova: O tamanho total dos intervalos removidos é 1 27 4 9 2 3 1 = + + + L . Portanto, o

conjunto C é um conjunto de medida nula, visto que a medida do intervalo

[ ]

0,1 é 1.

Nenhum conjunto de medida nula contém intervalo não degenerado, pois caso contrário a medida deste conjunto seria maior que zero. Portanto, o conjunto C não contém intervalos.

Definição: Um conjunto E é perfeito se é fechado e não possuí nenhum ponto que não seja ponto de acumulação.

Proposição: O conjunto C é um conjunto perfeito. Prova: Seja x um elemento do conjunto C.

Se x é um limite de uma seqüência não constante de extremos, então x é um ponto de

acumulação de C. Se x é um extremo, temos que x pode ser escrito como

0

3n

a

. Assim

à esquerda existe o intervalo

    − 0 0 ,3 3 1 n n a a

do qual será retirado o intervalo

      − − + +1 0 1 0 3 1 3 , 3 2 3 n n a a , restando à esquerda de 0 3n a o intervalo     − + 0 0 ,3 3 1 3 1 n n a a do qual será retirado o intervalo       − − + +2 0 2 0 3 1 9 , 3 2 9 n n a a

, restando então á esquerda de

0 3n a o intervalo     − + 0 0 ,3 3 1 9 2 n n a a

e assim sucessivamente restarão os intervalos cujos extremos esquerdos

são da forma n n n a + − 0 3 1 3 , n =0,1,2,L. Mas 0 0 0 0 3 3 1 lim 3 . 3 3 lim 3 1 3 lim n n n n n n n n n n n n a a a= = + ∞ → ∞ → + ∞ → . Portanto 0 3n a é um ponto de acumulação de C.

(21)

Como C é fechado e todo ponto de C é ponto de acumulação de C, temos que C é perfeito.

Definição: Um conjunto E é raro se o seu fecho não contém pontos interiores.

Proposição: O conjunto de Cantor C é raro.

Prova: Como o conjunto de Cantor C não possuí intervalos, não existe ponto em C tal que esteja num intervalo aberto contido em C, ou seja, C não contém pontos interiores. Também C é o seu próprio fecho, pois C é fechado. Logo o conjunto de Cantor C é raro.

Proposição: Seja p um inteiro maior que 1, e x um número real, 0< x<1. Então

existe uma seqüência

{ }

an n1 de inteiros com 0≤an < p tal que

∞ = = 1 n n n p a x e esta

seqüência é única exceto quando x é da forma

0 n p q (com q inteiro e 0 n p q

irredutível), neste caso existem exatamente duas seqüências. Também se

{ }

an n1 é

uma seqüência de inteiros com 0≤an < p, a série converge para um número real x

com 0≤ x≤1. Se p =10, a seqüência

∞ = = 110 n n n a

x é chamada a expansão decimal de x. Para p =2 é

chamada de expansão binária; e para p =3, expansão ternária.

Prova: Seja x um número real, 0< x<1, e seja p um número inteiro maior que 1. Seja x escrito no sistema de base p, ou seja, x=0,a1a2a3L, 0≤an < p para todo n.

(22)

Assim,

∞ = = + + = 1 2 2 1 n n n p a p a p a x L . Se x é da forma 0 n p q

onde q é um número inteiro e n um número natural ,0

podemos escrever 0 0 0 2 2 1 n n n p r p r p r p q + + + = L com ri =qi+1qip, onde qn +1 =q

0 e q é o quociente da divisão i qi+1÷ p com

1 , 2 , , 1 , 0 0 − L =n n i .

Assim x pode ser escrito de duas formas:

= = 1 n n n p a

x onde an =rn para nn0 e an =0 para n >n0, e

= = 1 n n n p b x onde bn =rn para n <n0, 1 0 0 = nn r b e bn = p−1 para n>n0, pois, L L+ + − + − + − + + + = − + + ∞ =

1 1 2 1 2 2 1 1 0 0 0 0 0 0 1 1 1 n n n n n n n n n p p p p p r p r p r p r p b p p p p r p r p r p r n n n n n 1 1 ) 1 ( 1 1 1 1 2 2 1 0 0 0 0 0 − − + − + + + + = − + L 1 ) 1 ( 1 1 1 1 2 2 1 0 0 0 0 0 − ⋅ − + − + + + + = − + p p p p p r p r p r p r n n n n n L x p q p q p p p q n n n n = = + − = + − = + 0 0 0 0 1 1 1 1 .

(23)

Unicidade : Seja x um elemento de

[ ]

0,1 e

∞ = = 1 n n n p a x ,

∞ = = 1 n n n p b x suas expansões na

base p. Vamos supor que estas duas expansões são diferentes.

Seja Ν=min

{

n:anbn

}

. Vamos supor que aΝ >bΝ. Então aΝbΝ =1, pois caso contrário aΝbΝ >1 e consequentemente −

= 1 n n n p a

Ν =Ν+ Ν Ν ∞ = − + − = 1 1 ) ( n n n n n n n p b a p b a p b

Mas, − p+1≤anbnp−1 o que implica que Ν

∞ + Ν = Ν ≤ − ≤ −

a p b p p n n n n ) 1 ( 1 1 . Como Ν −Ν Ν > Ν p p b a 1 . Então, 0 1 1 > −

== n n n n n n p b p a

, o que é uma contradição.

Assim, Ν ∞ + Ν = − = −

a p b p n n n n ) 1 ( 1 , ou seja , Ν + Ν Ν+ + Ν − = − − p p p b a 1 1 1 1 1 1 , logo bΝ+1aΝ+1 = p−1.

Como, 0≤aΝ+1,bΝ+1p−1, temos que bΝ+1 = p−1 e aΝ+1 =0. De aΝbΝ =1 e bΝ+1aΝ+1 = p−1, obtemos: 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 + Ν + Ν + Ν Ν + Ν + Ν + Ν Ν Ν Ν − += += + − = p p p p p p p p b a p b a . Então, 1 2 1 ) ( + Ν ∞ + Ν = − = −

a p b p n n n n .

O que implica que aΝ+2 =0 e bΝ+2 = p−1 e assim sucessivamente, an=0 e

1 −

= p

bn para n≥Ν+1. Portanto, x é da forma Ν+1

p q

(24)

Por outro lado, seja

{ }

an n1 uma seqüência de inteiros com 0≤an < p. Assim, o maior valor que

∞ =1 n n n p a

pode assumir é quando an = p−1 para todo n≥1. Neste caso,

1 1 1 1 1 1 1 1 = − ⋅ − = − =

= ∞ = n n n n n p p p p p p a . Portanto, a série

∞ =1 n n n p a converge para um

número real x tal que 0≤ x≤1.

Teorema : O conjunto de Cantor C consiste de todos aqueles números reais em

[ ]

0,1 que tem expansão ternária

{ }

an n1 tal que an ≠1 para todo n≥1.

Prova: Seja x

[ ]

0,1 . A expansão ternária de x, x =0,a1a2a3L tem o primeiro

dígito a1 =1 se, e somente se,

    ∈ 3 2 , 3 1

x , cujo interior é retirado no primeiro passo

da formação do conjunto de Cantor C. Também, a1 =0 e a2 =1 se, e somente se,

    ∈ 9 2 , 9 1

x ; a1 =2 e a2 =1 se, e somente se,

    ∈ 9 8 , 9 7

x , cujos interiores são

retirados no segundo passo da formação de C. E assim, sucessivamente, temos que

{ }

0,2 , , , 2 1 1 a an0− ∈ a L e 1 0 = n

a se, e somente se, x pertence a algum intervalo fechado

cujo interior é retirado no n -ésimo passo na formação do conjunto de Cantor C.0

Restam portanto somente os extremos dos intervalos, mas estes são da forma n

p q

, que

como já vimos , também possuem uma expansão ternária somente com os dígitos 0 e 2.

(25)

Proposição: O conjunto de Cantor C é não-enumerável.

Prova: Para todo x C , seja 0,c1c2c3L sua expansão ternária, onde cn

{ }

0,2

para todo n =1,2,3,L, e seja a função :φ C

[ ]

0,1 dada por L

2 2 2 , 0 ) (x = c1 c2 c3 φ .

Vamos verificar que φ é sobrejetora. Seja y

[ ]

0,1 , e seja 0,b1b2b3L sua expansão binária. Então x =0,(2b1)(2b2)(2b3)L é um ponto de C tal que φ(x)= y.

Portanto, o conjunto de Cantor C é não-enumerável.

Observação: Existe uma correspondência biunívoca entre o conjunto de Cantor C e o intervalo

[ ]

0,1 .

Prova: A função φ não é injetora, pois para os pares de elementos x e 1 x cujas2

expansões ternárias são da forma x1 =0,a1a2L 0222ai L e x2 =0,a1a2Lai2 com

{ }

0,2 ∈

n

a para n=1,2,L,i temos que,

) ( 1 2 2 2 , 0 0111 2 2 2 , 0 ) (x1 = a1 a2 ai = a1 a2 aix2 φ L L L .

Seja X o conjunto dos elementos de C que tem as expansões ternárias conforme x1

e x . X é enumerável pois os elementos de X são os extremos dos intervalos, ou seja,2

os elementos da forma qn

3 . Porém, o conjunto Y=φ(X) consiste dos elementos de

[ ]

0,1 que são da forma qn

2 . Assim o conjunto Y também é um conjunto enumerável.

Sejam

{

α1,α2,L

}

e

{

β1,β2,L

}

as respectivas enumerações dos conjuntos X e Y. Definamos a função :ϕ C →

[ ]

0,1 por ϕ(x)=φ(x) para x∉Χ e ϕ(αi)=βi para

L , 2 , 1 = i .

(26)

A função ϕ assim definida é bijetora.

Teorema: Seja x um número real em

[ ]

0,1 com a expansão ternária

{ }

an n1, ou seja,

∞ = = 1 3 n n n a

x onde an

{ }

0,1,2 . Seja Ν=∞ se nenhum dos a é igual a l, e sejan

{

: 1

}

min = = Ν n an . Seja bn 2an 1 = para n<Ν e bΝ =1. Então

Ν =12 n n n b é

independente da expansão ternária de x (se x tem duas expansões) e a função f

definida por f (x)=

Ν =12 n n n b

é uma função contínua, monótona no intervalo

[ ]

0,1 .

Além disto, f é constante em cada intervalo contido no complemento do conjunto

Cantor C, e f :C

[ ]

0,1 é sobrejetora. (Esta função é chamada função ternária de

Cantor ).

Prova: Mostremos que f está bem definida, ou seja,

Ν =1 2 n n n b

não depende da escolha da

expansão ternária dos elementos de

[ ]

0,1 .

Seja x

[ ]

0,1 . Se x tem duas expansões ternárias, x é da forma

0

3n

q

, que como vimos

anteriormente, pode ser rescrito como

0 0 0 3 3 3 3 2 2 1 n n n r r r q = + + + L , com ri

{ }

0,1,2 para 0 , , 2 , 1 n i= L . Sejam

∞ =13 n n n a e

∞ =13 n n n c as expansões ternárias de x. Assim,

∞ =13 n n n a 0 0 3 3 3 2 2 1 n n r r r + + + = L e (1)

∞ =13 n n n c L L+ + − + + + + + = − + + 2 1 1 1 2 2 1 0 0 0 0 0 0 3 2 3 2 3 1 3 3 3 n n n n n n r r r r (2)

(27)

Se Ν=∞ em (1), bn 2an 1 = para todo n, = =

∞ = + Ν = 1 1 12 n 2 n n n n n a b 1 3 2 2 1 0 0 2 2 2 + + + n + n r r r L = 23 1 1 2 1 0 0 0 2 2 2 2 2 + − + + + + r rnn n r L = 0 0 0 2 1 2 2 2 1 3 2 2 1 n n n r r r + + + + L − , então, Ν=n0 em (2), bn =12cn para 0 n n < e bn0 =1 = =

= Ν = 0 1 12 2 n n n n n n n b b = +

− = + 0 0 2 1 2 1 1 1 n n n n n c 0 0 0 2 1 2 2 2 1 3 2 2 1 n n n r r r + + + + − L .

Se Ν=i, para algum i=1,2,L,n0 −1 em (1), bn = 12an para n <i e =1

i b = =

= Ν = i n n n n n n b b 1 12 2 = +

− = + i i n n n a 2 1 2 1 1 1 i i i r r r 2 1 2 2 2 1 3 2 2 1 + +L+ − + então, Ν=i em (2) e bn = 12cn para n <i e =1 i b = =

= Ν = i n n n n n n b b 1 12 2 = +

− = + i i n n n c 2 1 2 1 1 1 i i i r r r 2 1 2 2 2 1 3 2 2 1 + +L+ − + . Se Ν=n0 em (1), bn = 21an para 0 n n< e 1 0 = n b = =

= Ν = 0 1 12 2 n n n n n n n b b + =

− = + 0 0 2 1 2 1 1 1 n n n n n a 0 0 0 2 1 2 2 2 1 3 2 2 1 n n n r r r + + ++ L então, Ν=∞ em (2) , bn =12cn = = =

∞ = + ∞ = Ν = 1 1 1 12 2 n 2 n n n n n n n n b c b

∞ = + + − + + + + + 1 1 1 1 3 2 2 1 0 0 0 0 2 1 2 0 2 2 2 i n n n n r r r L = 0 0 0 2 1 2 2 2 1 3 2 2 1 n n n r r r + + + + − L .

Mostremos que f é constante em cada intervalo contido no complemento do conjunto de Cantor C.

(28)

Seja       + 0 0 3 1 , 3n n a a

um intervalo retirado de

[ ]

0,1 no n -ésimo passo na formação do0

conjunto de Cantor. Sejam

    + ∈ 0 0 3 1 , 3 ,y an a n x . Sabemos que 0 3n a

pode ser escrito

como 0 0 3 3 3 2 2 1 n n r r r + + + L , com ri

{ }

0,1,2 para i=1,2,L,n0. Então, 0 0 0 3 1 3 3 3 1 2 2 1 n n n r r r a+ = + + + + L e rn0 =1. Assim,

∞ = = 13 n n n a x e

∞ = = 13 n n n c y onde an,cn =rn para n =1,2,L,n0 −1, , 1 0 0 n = n c a e an,cn

{ }

0,1,2 para n>n0. Portanto, ( ) 2 1 2 2 2 2 ) ( 0 0 0 1 3 2 2 1 1 y f r r r b x f nn n n n n = + + + + = = Ν − =

L .

Mostremos que f é monótona em

[ ]

0,1 . Para isto basta mostrar que é crescente em C.

Sejam x,y C, com x < y. Sabemos que x, tem expansões ternárias y

∞ = = 13 n n n a x e

∞ = = 13 n n n c y com an,cn

{ }

0,2 .

Seja n tal que 0 cn0 > an0. Então, cn0 =2 e an0 =0. Assim, Νbc =∞ e,

L L+ + + + + + = = ++ + − ∞ =

2 1 1 1 3 2 2 1 1 0 0 0 0 0 2 2 0 2 2 2 2 ) ( nn n nn n n n a a a a b x f < + 32 +L+ −1 + +1 + ++12 +L 2 1 0 0 0 0 0 2 2 2 2 2 2 n n n n n c a a a ) ( 2 2 2 2 2 2 2 1 1 1 3 2 2 1 0 0 0 0 0 y f c c c c n n n n n = + + + + + + = ++ + − L L . Portanto, f é crescente em C.

(29)

Mostremos que f ( C ) =

[ ]

0,1 .

Seja y

[ ]

0,1 . Então existe uma expansão binária de y, ou seja,

∞ = = 12 n n n b y , onde

{ }

0,1 ∈ n b para todo n. Para

∞ = = 1 3 2 n n n b x ∈ C, f(x)= y.

Mostremos que f é contínua.

Nós precisamos provar a continuidade somente no conjunto de Cantor C, pois f é constante em cada intervalo de

[ ]

0,1 \C.

Seja xC e seja ∈>0. Existe n0N tal que

0 2 1 n . Tomemos 0 3 1 n =

δ . Então para todo yC tal que 0< xy <δ nós temos

0 3 1 n y x− < . Logo, se

∞ = = 13 n n n a x então,

∞ = − = + = 0 0 3 3 1 1 n n n n n n n n c a y , onde an,cn

{ }

0,1,2 ; e

(

)

<ε = − − = −

∞ = + ∞ = − = ∞ = + + + 0 0 0 0 2 1 2 2 2 2 ) ( ) ( 1 1 1 1 1 1 1 n n n n n n n n n n n n n n n n n a c a c a y f x f . Portanto, f é contínua.

(30)

Capítulo II

INTEGRAL DE RIEMANN GENERALIZADA

Neste capítulo será definida a Integral de Riemann Generalizada, também chamada de Integral “Gauge” ou Integral de Henstock (denotaremos R*-Integral). Para isto, definiremos a Integral de Riemann vista nos cursos de Cálculo, pois toda função Riemann integrável é Riemann integrável Generalizada. Daqui para frente será usado o termo “gauge integrável” ou “R*-integrável” e a integral Riemann Generalizada da

função f no intervalo [a,b] será denotada por

b

a f(x)dx , sem problemas de notação

pelo motivo visto acima. Também serão provados o Teorema da Unicidade e o Critério de Cauchy.

Num segundo momento, será enunciado e demonstrado o Teorema Fundamental do Cálculo, estabelecendo assim uma relação muito estreita entre Integral de Riemann Generalizada e Derivada Paramétrica.

Nos últimos subtítulos serão vistos teoremas de Mudança de Variável e os Teoremas de Convergência Monótona e Convergência Dominada, estes últimos muito importantes dentro da Integração de Lebesgue. Faremos ainda um estudo de

(31)

Integrais Impróprias e veremos que enquanto existem funções que não são Riemann Integráveis, mas possuem integrais impróprias; o mesmo não ocorre referindo-se a Integral de Riemann Generalizada.

2.1 Integral de Riemann

Seja

[

a,b

]

um intervalo fechado em R. Uma partição de

[

a,b

]

é uma

coleção finita de intervalos fechados

[

xk1,xk

]

, k =1,2,...n; tais que

b x ... x x

a= 0 < 1 < < n = . Escolhemos um número z , em cada intervalo k

[

xk1,xk

]

, que chamaremos “etiqueta”. Resultando assim uma “partição etiquetada”

[

]

{

zk, xk1,xk ;k=1,2,...,n

}

do intervalo

[

a,b

]

. Assim, ( )( 1) 1 − = −

k n k k k x x z

f é uma soma de Riemann da função f no

intervalo

[

a,b

]

. O número A R é a Integral de Riemann de f :

[

a,b

]

R se para todo ε>0, existe um número δ>0 tal que, se

{

zk,

[

xk1,xk

]

;k=1,2,...,n

}

é uma partição etiquetada do intervalo

[

a,b

]

com 0< xkxk1<δ para k =1,2,...,n então,

A x x z f k n k k k − − − =

( )( 1) 1 < ε.

(32)

2.2 Medidor

Para definirmos a “Integral de Riemann Generalizada”, precisamos de um medidor conforme definição abaixo; sendo que este medidor tanto pode ser uma coleção de intervalos abertos, como uma função estritamente positiva .

Vamos definir um medidor γγ do intervalo

[

a,b

]

da seguinte forma:

para cada p

[

a,b

]

escolhemos um intervalo aberto γ(p) que contém p no centro.

Dizemos que uma partição etiquetada

{

zk,

[

xk−1,xk

]

;k =1,2,...,n

}

de

[

a,b

]

é γ-fina se

para cada k =1,2,...,n o intervalo

[

xk1,xk

]

é um subconjunto do intervalo γ(z ).k

Podemos também definir um medidor δδ em um intervalo

[

a,b

]

como

uma função estritamente positiva, cujo domínio é o intervalo

[

a,b

]

. Fazendo

(

( ), ( )

)

)

(x = x−δ x xx

γ para cada x em

[

a,b

]

, verificamos a equivalência entre essas

duas definições.

Vimos que existe uma relação muito estreita entre medidores em intervalos e partições etiquetadas de intervalos. Neste sentido formalizaremos o seguinte resultado:

Proposição: Dado um medidor qualquer γγ em

[

a,b

]

, existe uma partição etiquetada em

[

a,b

]

que é γ-fina.

(33)

Prova: Seja γ um medidor em

[

a,b

]

e seja o conjunto E =

{

x∈(a,b]:existeuma partição etiquetada de

[ ]

a,x que é γ-fina . E não é vazio pois pegando

}

x∈γ(a) com

x

a< , etiquetamos

[ ]

a,x com a . O resultado é uma divisão etiquetada γ-fina de

[ ]

a,x .

Seja y =sup E . Existe x E tal que x∈γ( y) e x< y. Pela definição do conjunto E ,

existe uma divisão etiquetada γ-fina de

[ ]

a,y . Então yE .

Vamos provar que y =b. Suponhamos que y <b. Assim o conjunto

γ(y I) (y,b) Ø. Seja w∈γ(y)I(y,b). Adjacente a alguma divisão etiquetada de

[ ]

a,y que é γ-fina tem-se o intervalo

[ ]

y,w etiquetado com y. Então w E , mas

y

w> contrariando a suposição de que y=supE. Como by, y=b.

2.3 Integral de Riemann Generalizada

Seja f uma função real definida no intervalo

[ ]

a,b . O número I é a

integral R* de f em

[ ]

a,b se, dado ε>0, existe um medidor γ tal que, se

[

]

{

zk, xk1,xk ;1≤kn

}

é uma partição etiquetada γ-fina de

[ ]

a,b , então

) )( ( 1 1 − = − − Ι

k n k k k x x z f < ε.

(34)

Denotaremos por R*

(

[ ]

a,b

)

o conjunto das funções que são

R*-integráveis no intervalo

[ ]

a,b e I =

b

a f(x)dx , não havendo problema com esta

notação pois toda função que é Riemann integrável em

[ ]

a,b é R*-integrável em

[ ]

a,b . De fato, seja f :

[ ]

a,b → R e A sua integral de Riemann. Assim, dado ε>0, existe δ>0 tal que se

{

zk,

[

xk1,xk

]

;k =1,2,...,n

}

é uma partição etiquetada de

[ ]

a,b com 0<xkxk1<δ para k =1,2,...,n então, f z x xk A

n k k k − − − =

( )( 1) 1 < ε. Logo existe um medidor δ, δ( x)=δ constante.

Portanto, f é R*-integrável.

A seguir trabalharemos com uma função que é R*-integrável, porém não é Riemann integrável. Com a afirmação provada anteriormente, e o referido exemplo, percebe-se que ampliamos nosso campo de trabalho, ou seja, o conjunto de funções integráveis, passando de Riemann para Riemann Generalizada, sem que fosse necessária uma grande teoria prévia.

Exemplo: Seja a função f:

[ ]

0,1 → R dada por f(x)=1 para x racional e f(x)=0 para x irracional. Vamos mostrar que fR*

( )

[ ]

0,1 .

Seja ε>0 e seja

{ }

rk k1 uma enumeração dos racionais do intervalo

[ ]

0,1 . Definamos o medidor γγ da seguinte maneira:       ε + ε = γ +1 +1 2 , 2 ) (ri ri i ri i para i=1,2,... e

(

)

= γ

(35)

Seja

{

zk,

[

xk1,xk

]

;1≤kn

}

uma partição etiquetada γ-fina. de

[ ]

0,1. Se z for racional, k zk = ri para algum i natural e então

[

xk1,xk

]

⊂γ(zk)=       ε + ε = γ +1 +1 2 , 2 ) ( i i i i i r r r . Logo, f(zk)(xkxk1)=1(xkxk1) i i i 2 2 2 1 1 ε = ε − − ε ≤ + + . Se z for irracional, k f(zk)(xkxk1)=0(xkxk1)=0.

Portanto, reordenando

{ }

rk k1 de forma que os z ’s coincidentes sejam os primeirosk

termos da seqüência, temos

) )( ( 1 1 − = −

k n k k k x x z f <

ε < = n k k 12 ε. Portanto, 0 ( )( 1) 1 − = − −

k n k k k x x z f < ε e 1 ( ) 0 0 =

f x dx .

Esta função não é Riemann integrável porque é sempre descontínua, mas

é Lebesgue integrável, tendo em vista que f ≠0 somente num conjunto de medida

nula. Veremos mais tarde, no capítulo III, Integral de Lebesgue e medida de conjuntos.

Teorema da Unicidade: Se f :

[ ]

a,b → R é R*-integrável então sua integral

b

a f é

única.

Prova: Sejam A =

b

a f e B =

b

a f . Dado ε > 0, existem medidores α e β tais que

(36)

A x x z f k n k k k − − − =

( )( 1) 1 2 ε

< e se

{

zk,

[

xk1,xk

]

;1≤kn

}

é uma partição β- fina de

[ ]

a,b , então f z x xk B n k k k − − − =

( )( 1) 1 2 ε < .

Para cada z

[ ]

a,b , seja γ(z)=α(z)Iβ(z). γ é um medidor em

[ ]

a,b pois γ(z) é um intervalo aberto, visto que é a intersecção de dois intervalos abertos.

Sabemos também que existe uma partição etiquetada de

[ ]

a,b ,

{

zk,

[

xk1,xk

]

;1≤kp

}

que é γ-fina. Logo esta partição também é α-fina e β-fina, pois

[

xk1,xk

]

⊂γ(zk)⊆α(zk) e

[

xk1,xk

]

⊂γ(zk) ⊆β(zk). Assim, = −B A A f z x x f z xk xk B p k k k k p k k − + − − − = − =

( )( ) ( )( 1) 1 1 1 ≤ ( )( 1) 1 − = − −

k k p k k x x z f A + ( )( 1) 1 − = − −

k k p k k x x z f B < ε + ε = 2 2 ε Como ε é arbitrário, A= B.

Vimos acima um importante resultado válido para funções Riemann integráveis, que é válido também para funções R*-integráveis. O próximo resultado a ser demonstrado é o famoso Critério de Cauchy, visto nos cursos de Integral de Riemann. Este critério nos dá condições de decidir se uma função é R*-integrável, sem conhecer o valor de sua integral.

(37)

Critério de Cauchy: A função f :

[ ]

a,b R é R*-integrável se, e somente se, para

todo ε>0 existe um medidor γ tal que para quaisquer partições etiquetadas

[

]

{

zk, xk−1,xk ;1≤kn

}

e

{

zˆk,

[

xˆk−1,xˆk

]

;1≤km

}

γ-finas de

[ ]

a,b tem-se ε < − − − − = − =

( )( ) (ˆ )(ˆ ˆ 1) 1 1 1 k k m k k k k n k k x x f z x x z f .

Prova: Seja f :

[ ]

a,b → R uma função integrável em

[ ]

a,b e I =

b

a f(x)dx.

Dado ε>0 , existe um medidor γ em

[ ]

a,b tal que se

{

zk,

[

xk1,xk

]

;1≤kn

}

é

uma partição etiquetada γ-fina de

[ ]

a,b então ( )( 1)

1 − = − − Ι

k k p k k x x z f <ε.

Sejam

{

zk,

[

xk−1,xk

]

;1≤kn

}

e

{

zˆk,

[

xˆk−1,xˆk

]

;1≤km

}

partições etiquetadas

γ-finas de

[ ]

a,b . Assim, = − − − − = − =

( )( ) (ˆ )(ˆ ˆ 1) 1 1 1 k k m k k k k n k k x x f z x x z f Ι − − + − − Ι = = − =

( )( ) (ˆ )(ˆ ˆ 1) 1 1 1 k k m k k k k n k k x x f z x x z f Ι − − + − − Ι ≤ = − =

( )( ) (ˆ )(ˆ ˆ 1) 1 1 1 k k m k k k k n k k x x f z x x z f 2 2 ε + ε < = ε.

Por outro lado, dado ε>0, existe um medidor γ tal que para quaisquer partições

etiquetadas

{

zk,

[

xk−1,xk

]

;1≤kn

}

e

{

zˆk,

[

xˆk−1,xˆk

]

;1≤km

}

γ-finas de

[ ]

a,b temos

) ˆ ˆ )( ˆ ( ) )( ( 1 1 1 1 − = − = − − −

k k m k k k k n k k x x f z x x z f

(38)

Assim, para cada n existe um medidor δn tal que se

{

[

]

n

}

n k n k n k x x k p z , 1, ;1≤ ≤ e

[

]

{

n

}

n k n k n k x x k q

zˆ , ˆ 1,ˆ ;1≤ ≤ são partições etiquetadas δ -finas de n

[ ]

a,b então,

) ˆ ˆ )( ˆ ( ) )( ( 1 1 1 1 n k n k p k n k n k n k p k n k x x f z x x z f m n − = − = − − −

< n 1 .

Tomemos uma seqüência de medidores da seguinte forma:

M I M I ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( 1 2 1 2 1 1 z z z z z z z z i i i =γ δ γ δ γ = γ δ = γ −

e assim sucessivamente para todo i natural e para todo z

[ ]

a,b .

Para cada n natural, seja

{

[

n

]

n

}

k n k n

k x x k p

z , 1, ;1≤ ≤ uma partição etiquetada γn-fina de

[ ]

a,b . É claro que esta partição também é δn-fina pois γn(z)⊆δn(z) para todo

[ ]

a b z∈ , . A seqüência de somas 1 1 1 ) )( ( ≥ − =      −

n n k n k p k n k x x z f n

é de Cauchy pois dado ε>0,

tomemos Ν>0 tal que < Ν

1 ε. Sejam i, j números naturais com Ν

j

i, . Vamos

supor que i< j. Temos que γj(z)⊆γi(z). Assim a partição

{

[

j

]

j

}

k j k j k x x k p z , 1, ;1≤ ≤

que é γj-fina também é γi-fina . Portanto,

) )( ( ) )( ( 1 1 1 1 i k i k p k i k j k j k p k j k x x f z x x z f i j − = − = − − −

< Ν ≤ <1 1 i ε.

(39)

Logo, esta seqüência de somas é convergente pois é uma seqüência de números reais. Seja A ∞ → = n lim ( )( 1) 1 n k n k p k n k x x z f n − = −

. Dado ε>0, tomemos Ν tal que

2 1 ε < Ν e se Ν ≥ n então ( )( 1) 1 n k n k p k n k x x z f A n − = − −

. 2 ε <

Seja

{

zk,

[

xk−1,xk

]

;1≤kn

}

uma partição etiquetada γN-fina de

[ ]

a,b .

Então, − − = =

( )( 1) 1 k k n k k x x z f A = ( )( ) ( )( ) ( )( 1) 1 1 1 1 1 − = Ν − Ν = Ν Ν − Ν = Ν +

Ν

Ν

k k n k k k k p k k k k p k k x x f z x x f z x x z f A ≤ ( )( 1) 1 Ν − Ν = Ν

Ν k k p k k x x z f A + ( )( ) ( )( 1) 1 1 1 − = Ν − Ν = Ν

Ν k k n k k k k p k k x x f z x x z f < Ν + ε 1 2 < 2 2 ε + ε = ε. Portanto f é R*-integrável e

b a f(x)dx = A .

Teorema: Sejam f e g funções R*-integráveis em

[ ]

a,b . Então,

(a) kf é R*-integrável em

[ ]

a,b e

=

b a b akf k f para todo k∈R ; (b) f +g é R*-integrável em

[ ]

a,b e

+ =

+

b a b a b a(f g) f g;

(c) se fg quase sempre em

[ ]

a,b , então

b

a b

a f g.

Referências

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