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Academic year: 2021

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(1)UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DE COMUNICAÇÃO Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. Leandro Tavares Gonçalves. Perspectivas e metodologias de pesquisa da Comunicação Social no contexto da internet com o Big Data e da especialização Data Scientist.. Projeto de Dissertação apresentado como exigência parcial para obtenção do Título de Mestre em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo.. Orientador: Professor Dr. Walter T. L. Júnior. São Bernardo do Campo, 2014.

(2) FOLHA DE APROVAÇÃO. A dissertação Perspectivas e metodologias de pesquisa da Comunicação Social no contexto da internet com o Big Data e da especialização Data Scientist, elaborada por Leandro Tavares Gonçalves, foi defendida no dia 09 de setembro de 2014, tendo sido: ( ) Reprovada (X) Aprovada, mas deve incorporar nos exemplares definitivos modificações sugeridas pela banca examinadora, até 60 (sessenta) dias a contar da data da defesa . ( ) Aprovada ( ) Aprovada com louvor. Banca Examinadora :. Prof. Dr. Walter Teixeira Lima Junior, Orientador _________________________________________ Prof. Dr. Vinicius Romanini _________________________________________ Prof. Dr. Fábio Botelho Josgrilberg _________________________________________. Área de concentração: Processos Comunicacionais Linha de pesquisa: Inovações Tecnológicas na Comunicação Social Contemporânea Projeto temático: Perspectivas e metodologias de pesquisa da Comunicação Social no contexto da internet com o Big Data e da especialização Data Scientist..

(3) AGRADECIMENTOS. Tenho o imenso prazer de agradecer minha família pela força concedida, em especial minha irmã Luciana e pelas minhas filhas que nasceram no meio do caminho aqui trilhado e também a tantos outros a percorrer me concedendo a graça de perceber o mundo sob a linha do amor incondicional..

(4) Epígrafe. "As fronteiras da minha linguagem são as fronteiras do meu universo." Ludwig Wittgenstein, Áustria. 1889 // 1951.

(5) RESUMO O trabalho desenvolvido analisa a Comunicação Social no contexto da internet e delineia novas metodologias de estudo para a área na filtragem de significados no âmbito científico dos fluxos de informação das redes sociais, mídias de notícias ou qualquer outro dispositivo que permita armazenamento e acesso a informação estruturada e não estruturada. No intento de uma reflexão sobre os caminhos, que estes fluxos de informação se desenvolvem e principalmente no volume produzido, o projeto dimensiona os campos de significados que tal relação se configura nas teorias e práticas de pesquisa. O objetivo geral deste trabalho é contextualizar a área da Comunicação Social dentro de uma realidade mutável e dinâmica que é o ambiente da internet e fazer paralelos perante as aplicações já sucedidas por outras áreas. Com o método de estudo de caso foram analisados três casos sob duas chaves conceituais a Web Sphere Analysis e a Web Science refletindo os sistemas de informação contrapostos no quesito discursivo e estrutural. Assim se busca observar qual ganho a Comunicação Social tem no modo de visualizar seus objetos de estudo no ambiente das internet por essas perspectivas. O resultado da pesquisa mostra que é um desafio para o pesquisador da Comunicação Social buscar novas aprendizagens, mas a retroalimentação de informação no ambiente colaborativo que a internet apresenta é um caminho fértil para pesquisa, pois a modelagem de dados ganha corpus analítico quando o conjunto de ferramentas promovido e impulsionado pela tecnologia permite isolar conteúdos e possibilita aprofundamento dos significados e suas relações.. Palavras chave: Web Science, Big Data, Yahoo Pipes, RapidMiner, Wikipedia Miner, informação, linguagem, tecnologia, internet, cognição, recursividade, modelagem de informação..

(6) ABSTRACT The work analyzes the media in the context of the Internet and outlines new methodologies for the study area in filtering meanings in the scientific realm of information flows from social networks, news media or any other device that allows storage and retrieval of structured information and unstructured. In an attempt to reflect on the ways that these information flows and develop mainly in the volume produced, the project scales the fields of meanings that this relationship appears in the theories and practices of research. The aim of this study is to contextualize the media area within a changing and dynamic reality that is the environment of the internet and make parallel before the applications already successful in other areas. With the method of case study three cases were analyzed under two conceptual keys to Web Sphere Analysis and the Web Science reflecting the opposing information systems in the discursive and structural aspect. This way observes what the Media has earned in order to view its objects of study in the environment of internet networks for these prospects. The research result shows that it is a challenge to the researcher Media seek new learning, but the feedback information in a collaborative environment that the Internet presents is fertile ground for research path, for data modeling wins analytical corpus when the set of tools promoted and driven by technology allows isolating contents and allows deepening the meanings and relationships. Keywords: Web Science, Big Data, Yahoo Pipes, RapidMiner, Wikipedia Miner, information, language, technology, internet, cognition, recursion, information modeling..

(7) LISTA DE FIGURAS. FIGURA 1 - Mapa processual do experimento dos DMPs.......................................................43 FIGURA 2 - Mapa conceitual das dimensões da informação...................................................48 FIGURA 3 - Interface da plataforma Pipes e suas estruturas modulares..................................63 FIGURA 4 - Interface da plataforma Pipes no modo de visualização dos resultados .............64 FIGURA 5 - Diagrama de arquitetura do Wikipedia Miner.....................................................68 FIGURA 6 - Aprendizagem de máquina sobre camadas de informação do Wikipedia...........68 FIGURA 7 - Aproximações de informação estruturada da busca relacional entre as palavras................................................................................................................70 FIGURA 8 - Como a estrutura de tópicos da Wikipedia pode ampliar busca por links conceituais...........................................................................................................71 FIGURA 9 - Processo de predição conceitual por probabilidade – Wikipedia Miner..............73 FIGURA 10 - Aplicação de validação cruzada em um Data Set do curso EAD, Big Data in Education da Universidade de Columbia............................................................78 FIGURA 11 - Interface da caixa de modelagem validação e automatização de correlações de variáveis (K-NN) e teste de modelo (Apply Model e Performance)...................79 FIGURA 12 - Resultado do teste com uso do algoritmo Kappa – teste de confidência...........80.

(8) LISTA DE TABELAS. TABELA1 – Uso da internet e estatísticas da população.........................................................51.

(9) SUMÁRIO 1.. INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 10. 2.. TEORIAS E PERSPECTIVAS ...................................................................................... 17 2.1. A Comunicação Social, o Meio e a Informação ......................................................... 17. 3.. FILOSOFIA DA LINGUAGEM .................................................................................... 26 3.1.Ludwig Wittgenstein, John Von Neumann, Heinz von Föerster e os estudos cognitivos: linguagem da cognição ou cognição da linguagem?.......................................26. 4.. DATA SCIENTIST E BIG DATA .................................................................................. 46 4.1.Wire Frames, Data Sets, clusters: filtros cognitivos ................................................... 46 4.2.“Métodos” para a Ciência da Comunicação Social ..................................................... 59. 5.. ESTUDOS DE CASO ...................................................................................................... 61 5.1.Yahoo Pipes: agregador Big Data. .............................................................................. 61 5.2.Wikipedia Miner: mineração de conhecimento. .......................................................... 66 5.3.EDM: mineração de dados educacionais..................................................................... 74. 6.. CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................... 82. REFERÊNCIAS......................................................................................................................88.

(10) 1. INTRODUÇÃO. O acesso à informação, a facilidade de sua publicação assim como a mobilidade para fazer tal ação, possibilitada pela evolução dos dispositivos móveis e da infraestrutura da internet, são consideradas praticidades para a sociedade contemporânea. Entretanto, por traz dessa praticidade, temos a invasão de privacidade por parte dos rastreamentos comportamentais das pessoas no uso da internet pelas empresas e hackers; questão dos direitos autorais no compartilhamento dos conteúdos; a qualidade da informação; a permanência, disponibilidade e forma de acesso da informação e o volume gerado pelas interações conjecturam um quadro complexo. Mas qual a importância de observar esse volume? Por outro lado, no que incide diretamente na Comunicação Social, se observa a potência das mídias digitais em divulgação de conteúdo e é um desafio organizar todo esse fluxo de informação. A fragmentação das redes e sua dinâmica na filtragem e correlações “empurram” a informação para o status de dados, isto é, não apresenta em um primeiro momento significado semântico. Se uma pessoa mantém um Blog atualizado unicamente sobre os sintomas da gripe H1N1, mas não preserva as fontes e não é um profissional da saúde provavelmente é um engajado no assunto. Dessa forma não legitima cientificamente autoridade no mesmo (evidente que sua intensão possa não ser científica mesmo sendo um profissional da área e é aqui que reside uma das complexidades da informação). Entretanto, se em vários Blogs se “comentam” os sintomas da doença e isso poder ser observado como crescente em um intervalo de dias, meses, anos ou há uma influência de formação de opinião sobre esse assunto pode-se inferir que o índice da doença apresenta indicadores crescentes? Isso pode ser cruzado com banco de dados dos hospitais e possibilitar constatar uma epidemia da doença. Mas isso requer um processo de formatação estrutural da informação para que seja possível a extração e aplicação de metodologias analíticas das mensagens e conteúdos, nesse caso, digitais (formato diferente do analógico que foi transformado, codificado para digital-binário, interpretável para a máquina gerar processamento de dados via linguagem de computação). Se a Comunicação Social, como se pode observar na história das teorias da comunicação (POLISTCHUK et al, 2003, p.73), estudou os media no ambiente social é pertinente também estudá-las no ambiente que favorece armazenamento, filtragem e mensuração em tempo real e de forma temporal. Aqui se busca o porquê da Comunicação. 10.

(11) Social usufruir das ferramentas tecnológicas das redes telemáticas1 para ampliar tentativas de observar o fenômeno do objeto comunicacional no fluxo contínuo de informação. Tal contextualização dá suporte para uma questão e dessa forma coloca-se o problema principal: como e por que a Comunicação Social pode diminuir a defasagem informacional entre o que quantitativamente se cria de informação versus o que se pode absorver cognitivamente em termos qualitativos no fator tempo? Dentro dessa visão comunicacional estão contidas suas linguagens, mensagens e conteúdos midiáticos além do conhecimento estrutural das redes telemáticas que aumenta a complexidade em questão. O que se tem feito e pensado em outras áreas inclusive das Ciências Humanas e quem está fazendo tais exercícios semânticos vindouros como metodologias de análise de acordo com sua especialização científica? Outros problemas que surgem ao refletir o principal são até que ponto a complexidade do tema e da abrangência da área pode limitar o estudo em questão e quais requisitos mínimos são necessários para empreender estudos científicos na área; quais teorias da Comunicação são atreladas e o que elas já produziram para ser refletido e quais oportunidades de pesquisa que se podem somar para manutenção ou ampliação das mesmas dentro do contexto tecnológico da internet. O ambiente e a estrutura das redes telemáticas são muitos complexos no sentido de quantidade de variáveis e áreas que as permeiam. A Ciência da Computação, a Linguagem, a Matemática, a Cognição, entre outras se relacionam nesse ambiente. A escolha dessas áreas surgiu durante o caminho da pesquisa e pela complementaridade conceitual que compartilham como conseguinte será explanado no decorrer do projeto. Uma hipótese é que o pesquisador da Comunicação Social pode ampliar suas pesquisas pelos impactos tecnológicos porque os artefatos se mesclaram nas suas produções a ponto de intervir no modo clássico de fazer Comunicação Social e tal fato pode aumentar. Uma oportunidade de criar algo novo e como de certa forma o Big Data2, que pode ser entendido como um grande armazenamento de dados e maior velocidade de resgatar informação, pode dar ganho aos intentos científicos é pertinente. Estamos vivendo rumo a uma Arquitetura que usa, além da criatividade e design, não apenas concretos, malhas de ferro, pisos e divisórias, mas um design de informação,. 1. Telemática é a comunicação à distância de um ou mais conjunto de serviços informáticos fornecidos através de uma rede de telecomunicações. Disponível em: http://www.telematics.com/guides/telematics-history-futurepredictions/. Acesso em: 12 de Jun.2014. 2 The World’s Technological Capacity to Store, Communicate, and Compute Information. Disponível em: http://www.ris.org/uploadi/editor/13049382751297697294Science-2011-Hilbert-science.1200970.pdf . Acesso em: 12 de Jun.2014. 11.

(12) aspecto que gera novas Arquiteturas pautadas em lógicas e linguagens algorítimicas 3 que potencializam cognições. As novas ferramentas de análise agrupadas nos artefatos tecnológicos que "clusterizam"4 as comunicações favorecem estudos neste âmbito. O objetivo geral deste trabalho é contextualizar a área da Comunicação Social dentro de uma realidade mutável e dinâmica que é o ambiente das redes telemáticas e fazer paralelos perante as aplicações já sucedidas por outras áreas. O objetivo específico é refletir e delinear metodologias científicas de pesquisa para a Comunicação Social levando em consideração sua vocação e pertinência dentro do contexto digital no volume de informação. Acredita-se que o estudo monográfico possa pela observação de outras áreas e da própria área em questão dar subsídios para a Comunicação Social em aplicações metodológicas de análise diante do desenvolvimento tecnológico. A Comunicação Social e a Tecnologia, em uma perspectiva essencial e histórica, sempre andaram próximas. Desde a expressão oral assim como a invenção do alfabeto o ser humano busca, pelo ato comunicativo, se relacionar com o outro e com o mundo que o cerca e isso é irrevogável. É uma necessidade humana. A Tecnologia aparece nessa relação e ganhou importância que vem galgando na história poder de intervenção científica: faculdade de observar a natureza e mimetizar suas riquezas quiçá entendê-la até mesmo dominá-la de forma predadora. Mas não é contraditório dizer que a Comunicação Social é uma “Tecnologia natural” mesmo porque somos dotados dessa capacidade técnica lógica de construir contrapontos que geram outras visões assim sucessivamente perante a evolução que se projetaram na medicina, na matemática, na astronomia, literatura, engenharia e etc. Ao estender a capacidade de significar as coisas e codificar para o outro o homem desenvolve seu espelho lógico na alteridade social, uma “engine” ou máquina simbólica. O fato de se poder observar o que não se consegue “a olho nú” e consequentemente gerar conhecimento, dentro do recorte analítico planejado via experimento, é um ganho científico a exemplo dos avanços tecnológicos dos microscópios em descobrir novos organismos ou como são suas taxonomias e ontologias. Na internet as informações podem ser vistas5 e o volume e escala de informação é que torna o entendimento mais complexo. 3. Um algoritmo é uma sequência finita de instruções bem definidas e não ambíguas, cada uma das quais pode ser executada mecanicamente num período de tempo finito e com uma quantidade de esforço finita. Um algoritmo não representa, necessariamente, um programa de computador, e sim os passos necessários para realizar uma tarefa. Disponível em: http://www.kcats.org/csci/464/doc/knuth/fascicles/fasc1.pdf. Acesso em: 12 de Jun.2014. 4 O termo aqui utilizado pode ser entendido, em um primeiro momento, como um conjunto de similaridades. 5 Apesar da possibilidade de acesso à informação na internet ser plausível, vale lembrar que há uma limitação técnica no que tange a abertura, formatação e direitos autorais dos bancos de dados por governos, empresas e pessoas. 12.

(13) Evidente que o significado ampliado pela Tecnologia no seu âmbito natural e conduzido pelos impulsos binários, lógicas computacionais não resolve todos os problemas metafísicos da percepção, uma vez que toda tecnologia passa pelo crivo do que é sentido, relacionado e emitido consciente e inconscientemente, mas quando se admite que se possa refletir como é o próprio processo de reflexão um ganho se observa a exemplo dos estudos da neurociência área que desbrava as relações químicas do cérebro e dessa forma favorece esforços na diminuição de impacto de algumas doenças.. A relação da tecnologia favoreceu. desenvolvimento constante de áreas do conhecimento por interação de forma pragmática e teórica. Não cabe aqui justificar que nossa Comunicação Social, a do Homo sapiens, é melhor ou pior das outras que acontecem a todo o momento a nossa volta entre os seres vivos que participam do mesmo habitat como as químicas, térmicas e sonoras. O fato é que a Tecnologia que foi estendida pela Comunicação Social humana dá subsídios para entender como e porque algumas variáveis comunicacionais se comportam dentro da realidade interconectada no volume e dimensão que é a atual6. As redes sociais, por exemplo, estão repletas de “organismos semânticos7”, pois existem valores e propriedades que espelham os significados que as pessoas propagam e a mesma informação está em um formato estruturado para ser acessado e analisado. Mas qual o ganho que tal avanço tecnológico dá para a pesquisa na Comunicação Social por esse acesso? Em um primeiro momento a análise, entre várias outras que se pode encontrar e recortar, é ver padrões indexados contidos nos formatos estruturados e relacionados a outros de outras fontes ou até mesmo dentro do ambiente estudado para ver o grau de proximidade entre os mesmos. As conclusões da utilidade e veracidade dependerão de como e o quê o experimento científico comunicacional pretende analisar. Aqui se encontra a oportunidade. Pode-se perceber esse impacto tecnológico desde os primórdios dos estudos das Teorias da Comunicação Social, cada qual com sua visão, mas sem o fenômeno síncrono da mensagem em fluxo contínuo (emissor envia uma mensagem para o receptor e este a recebe instantaneamente) e sim pela evolução da comunicação assíncrona (o emissor envia uma mensagem ao receptor que poderá ler e responder a mensagem em outro momento). A internet, redes telemáticas “plugaram”, isto é, ligaram essas visões pela capacidade conectiva e a clássica visão emissor, mensagem, receptor estão ligadas em tempo real e aumentando a. 6 7. Grifo meu. Analogia minha para exemplificar a questão técnica onde a Comunicação Social se encontra. 13.

(14) cada dia. Outras áreas da ciência também são impactadas por esse fenômeno e assim, de certa forma, um ponto de vista específico nasce nesse ambiente que é a análise de informação gerada por essas conexões que podem ser “estocadas” e depois passíveis de observação mais detalhada que de certa forma beneficia uma reflexão das questões fundamentais da Comunicação Social como, por exemplo, o que incita comunicar. Esse olhar está fazendo com que Propaganda reveja seu modo de planejar e propagar campanhas, o Jornalismo de produzir e publicar notícias, as Relações Públicas de antever e administrar crises e das Rádios e TVs compartilharem seus conteúdos. Tal olhar não refuta e não tenta resolver todas as dimensões de ordem humanista ou mecanicista, mas as repensam sobre uma perspectiva do Paradigma MatemáticoInformacional e Midiológico que estão contidas na Comunicação Social assim como as essências do conceito de Informação na Tecnologia8 e vice-versa. O Paradigma Matemático-Informacional (POLISTCHUK et al, 2003, p.99-108) ocorreu na década de 40, no pós-guerra onde surge o behaviorismo que pode ser resumido como ciência do comportamento manifesto, isto é, de acordo com esse conceito seria aceitável estimar-se o comportamento humano através de uma ação observável. Para o ideal do paradigma propriedades subjetivas dificultavam a observação científica e nessa ideia Norbert Wiener concebeu, com conceitos matemáticos, uma teoria denominada de Cibernética que é uma análise científica de visão geral que considera todas as inter-relações dinâmicas de suas partes. Dentro desse contexto os pesquisadores Shanon e Weaver (POLISTCHUK et al, 2003, p.101) atentaram-se com a pureza da transmissão da mensagem e com as características morfológicas. Para evitar ruídos na mensagem, os pesquisadores refletem que a codificação seja apurada para que a propriedade semântica da mensagem seja alçada. Weaver fixou-se no esquema da comunicação emissor – mensagem - receptor o “receptor semântico” que irá decodificar a mensagem em um segundo momento, sendo que no primeiro o método é mecânico, harmonizando-se ao destinatário final. Por outro lado, o pesquisador chamado David. K. Berlo (POLISTCHUK et al, 2003, p.105) produziu uma ideia à teoria de Shannon e Weaver adequando os estilos do emissor, o que possui algum conhecimento e receptor, o que faz algum conhecimento. O pesquisador ressalta a importância do canal no processo e acredita que a comunicação não é somente parte de significados, mas também provoca sentidos. De acordo com sua “teoria do Balde”, Berlo reflete que todo emissor esvazia os sentidos “como um balde” sobre a cabeça do receptor.. 8. Na página 44 será ampliado o conceito de informação. 14.

(15) Já na década de 70 nos Estados Unidos, baseando-se nas premissas do Paradigma Matemático-Informacional o pesquisador Wilbur Schramm (POLISTCHUK et al, 2003, p.106) soma ao modelo de Shannon e Weaver que transmissor e receptor resultaria em “fonte e comunicador”. Aqui, há retroalimentação entre emissor e receptor. Quanto maior for o campo de experiências próximas entre as pessoas melhor o resultado e a apreensão da mensagem. Mais adiante, no ítem2 deste trabalho, serão retomados os paradigmas aprofundando seus conceitos e as relações com outras áreas principalmente na questão da informação e do meio onde será observada uma influência da filosofia da linguagem que inclina de certo modo uma reflexão sobre os caminhos que os fluxos de informação se desenvolvem. Apesar da variedade de assuntos relacionados e autores, nota-se que a questão da representação simbólica, recursividade das lógicas e percepção das áreas sobre o assunto formam no ponto de vista da Comunicação Social elos que pressupõem métodos de observar o objeto de estudo de modo transversal e histórico com preocupação científica9 de descrever o percurso dos experimentos assim com sua utilidade comprobatória. No intuito de uma revisão do Paradigma Matemático-Informacional e do Paradigma Midiológico sobre a questão do Canal Comunicativo e do Meio e como isso se mostra com a conexão possibilitada pelo conjunto de metodologias que dão suporte para o Data Scientist10, que será explanado mais adiante, este estudo mira entender qual o fator preponderante que norteia o desenvolvimento das teorias e como tecnologicamente isso se desdobra. Apesar das críticas sobre um funcionalismo-pragmático e determinismos reducionistas, lembrando que qualquer recorte científico racionalista ou metafísico já é um reducionismo, a observação da Cibernética e do meio como canal de Comunicação Social dá pistas para ver a possibilidades que a Comunicação Social possui dentro do contexto do Big Data e ainda amparados pela Ciência da Computação e da Cognição no que evoluiu durante esse processo assim como os contrapontos que nascem dessa evolução e que de certa forma foram iniciados no contexto do Paradigma Matemático-Informacional. Tal evolução foi ampliada desde a criação do Chipset (centro de processamento da informação no computador) que permitiu a automatização de processos de âmbito industrial e apesar da grande influência que isso se dá na sociedade é importante saber até que ponto tal a ação altera o processo cognitivo humano. Alguns pesquisadores da área da Neurociência afirmam que a cognição já pode ser alterada pela intervenção tecnológica assunto que será abordado mais adiante. 9. Grifo meu. Esse conceito pode ser resumido de modo inicial como o cientista que analisa o big data.. 10. 15.

(16) Concomitantemente a essa evolução tecnológica o que deu início na observação dos “sistemas de controle” e “comportamentos automáticos” com maior foco na questão da eficácia da informação nos modelos de Claude Shannon e Warren Weaver dá oportunidades para análise científica de um canal que se desenvolveu em uma cadeia semântica conectada, a Internet. O código, o canal e o receptor se entendiam no modelo linear da eficácia da informação. Por outro lado, o poder técnico no que o canal de comunicação se dá atualmente extrapola suas “binariedades” (contrapondo a ideia de evitar ruídos somente), pois o conteúdo pode ou está passível de ser semantizado de modo assíncrono, isto é, se pode interagir tecnicamente com a mensagem criada em tempos diferentes e também, foco central do problema deste projeto. Não se fará aqui um retorno histórico sobre a fundamentação da técnica e da tecnologia já empreendido por alguns pesquisadores como, por exemplo, André Lemos. O estudo partirá do princípio de que informação e sua história e o seu encontro com a Comunicação Social já configuram indícios do contexto abordado. Delineadas as teorias e estudos, que participam deste contexto como suporte para a análise do estudo de caso de três aplicações metodológicas dentro das áreas que interagem perante a tecnologia e com a linguagem, será analisada a hipótese de que a Comunicação Social pode vislumbrar algo novo nesse empreendimento.. 16.

(17) 2. TEORIAS E PERSPECTIVAS 2.1.. A Comunicação Social, o Meio e a Informação. Dentro do Paradigma da Comunicação Social (Matemático-Informacional) estudado concorda-se que as questões centrais do modelo teórico cibernético, a técnica e a semântica são fundamentais para a Comunicação Social porque o grau de nitidez entre a transmissão de sinais e seus significados podem ser codificados e decodificados pelo aparato tecnológico (POLISTCHUK et al, 2003, p.99-108). Entretanto, a eficiência e eficácia não se findam no foco do entendimento da estrutura e sim se abre da abstração que se gera ao se organizar informação (formato, banco de dados) no sentido do axioma e do pensamento computacional. Percebem-se evidentes, ao se estudarem as formas e sintaxes utilizadas para programação das máquinas, que são projeções senão espelhos das estruturas cognitivas humanas assim como as físicas pelos impulsos elétricos. Aqui o conceito de extensão de McLuhan (inspirado no filósofo Henri Bergson) no Paradigma Midiológico se faz pertinente porque a linguagem é vista como uma tecnologia (MCLUHAN, 1964, p.97). Por outro lado, ainda que a linguagem seja intrínseca a mente humana quando passa pela mecanização, impressão no caso, ela se “ciberniza” no meio.. “Como os biólogos apontam, o cérebro é o lugar de interação, onde todas as espécies de impressões e experiências se intercambiam e se traduzem, permitindonos reagir ao mundo como um todo. [...] A mecanização de qualquer processo se atinge por fragmentação, a começar pela mecanização da escrita mediante tipos móveis e que já mereceu o nome de ‘monofratura da manufatura’. [...] A fonte de energia é separada do processo de tradução da informação ou aplicação do conhecimento [...] A mesma separação de energia e processo ocorre na indústria automatizada, ou ‘cibernação’.” (MACLUHAN, 1964, p.390). É válido observar a questão do meio como objeto, veículo e ecossistema. Porém, a questão da semântica ganha impacto no contexto da interação social na web no sentido de ecossistema. O fato é que a Comunicação Social nesse contexto deixa de ser apenas uma “relação midiática” e ganha poder colaborativo não se findando na “narcose” da mensagem (MCLUHAN, 1964, p.59). Talvez seja aqui que a internet extrapola a Teoria do Meio, descrita aqui resumidamente na intervenção cultural dos canais por suas mensagens. 17.

(18) observados em determinismos tecnológicos, assim como em relação à Cibernética11, que controlava a automatização dos sistemas, pois favorecidos pela cognição os “campos de experiência” participam do conceito de Retroalimentação12. Aqui se observa um elo importante, a interação em escala planetária. Uma cadeia de processos se espelha nos jogos de linguagens sociais para os jogos de linguagem mais “duras”, técnicas, contidos na interface do computador. As interfaces são “silos” de informação que dependendo da forma como foram estocados podem ser retornados e visualizáveis, mas delineados por suas limitações como canal midiático. O que se pode observar nas reflexões do Paradigma Midiológico é que os efeitos dos meios engendram novos ambientes e que isso afeta os sentidos, mas não apenas em uma aldeia global, em contraponto com a ideia de McLuhan da conexão das redes “encurtar” os espaços, e suas particularidades e efeitos locais com meios quentes e frios de comunicação, mas em uma constante transformação cognitiva promovida pela conexão, além de efeitos, mas de formação, cocriação de cultura. O que pode ser notado na história da tecnologia é que a cibernética, a biônica e a robótica fomentaram em larga escala a acumulação possível de informação dentro do triângulo de valor do menor espaço, menor custo e na rapidez de circulação. Até que ponto, dentro da sociedade da informação, a Comunicação Social pode “minerar” a quantidade pela significação acumulada? Como sugestão de pensar o tema coloca-se em questão oito chaves conceituais que permeiam o contexto da tecnologia, inclusive a internet, e as áreas relacionadas em comum que são a imediatividade, concomitância, interatividade, codificação e conversibilidade, digital e analógico e modelagem da informação (POLISTCHUK et al, 2003, p.42-54). As tecnologias da internet criam novas linguagens quando no ambiente de trabalho, no lazer ou qualquer contexto social. A interação promove a causa e o efeito dessas culturas em tempo real. O imaginário que essa realidade impacta está presente em outros estudos, não apenas na Computação, Cognição e Comunicação Social, mas da Antropologia e Linguagem que serão explanadas adiante. Antes de analisar e definir os conceitos que se acreditam pertinentes. 11. Será abordado mais adiante, mas que pode ser resumido como o esforço de entender a Comunicação através de analogias das máquinas. 12. Conforme já explanado anteriormente este conceito foi elaborado por Wilbur Schramm, um pesquisador que já fez uma revisão do Paradigma Matemático-Informacional e ampliou o conceito de codificação e decodificação para campo de experiências aproximando a ideia da importância do contexto social que foi motivo de crítica por outros pesquisadores da versão de Shannon e Weaver. 18.

(19) à pesquisa da Comunicação Social sob a perspectiva do Big Data e Data Scientist serão delineados os pontos centrais dos contextos do estudo aqui empreendido. O intento de pensar a Comunicação Social dentro de novas perspectivas transdisciplinares (que não é nova, pois de forma similar já foi conduzida nas engenharias de Shannon sugerindo a Comunicação Social o ratio matemático) pode, talvez, ser um reducionismo em recortar os objetos comunicacionais na ajuda estatística de ferramentas dispostas na internet, mas fundamentalmente tenta por esse meio organizar a fragmentação que se encontra no volume de informação estruturada e não estruturada na internet ou até mesmo validar sua utilidade pelo “valor” de suas relações e não somente pelos seus “pesos” nos recursos da linguagem. A Recursividade, conceito que participa de outras áreas como a Matemática (lógica de um axioma), a Linguagem (significado e suas relações) e da Computação (linguagem de programação) é uma forte evidência de que as representações que perfazem as teorias são menos transdisciplinares do que se parecem, mas claro, respeitando cada qual com sua particularidade. O objeto é binário em sua estrutura, mas extrapola sentidos nas relações e interações das interfaces telemáticas porque uma vez carregados de valores semânticos são passíveis da interpretação no advento técnico. A questão da técnica, na concepção ocidental, se observa visitada nas origens gregas na relação entre a natureza e o lógos. Entretanto, as variações simbólicas que caminham na história grega até a atual lida com a interpretação, a exemplo da Escola de Konstanz 13 no exercício da crítica literária pela chave interpretativa hermenêutica observadora da dinâmica dos significados (concomitância) para buscar superar o hiato perceptivo entre o leitor e o escritor, e a Tecnologia não foge dessa reflexão. Por quê? Porque para alguns pesquisadores a tecnologia é vista como ferramenta de domínio de poder e para outros como liberdade de criação ou ainda, aniquilamento das qualidades humanas de comunicar no ato de estar frente a frente com o outro no exercício dialógico (RÜDIGER, 2011). O ato de comunicar via canal tecnológico abarca a todas essas indagações, mas negá-las seria ingênuo. A informação14 resultada pela concomitância interativa, elo de outras áreas e das teorias da Comunicação, ganha poder de significação nas experiências, nos testes das hipóteses e relações não somente metafísicas ou matemáticas, mas de ambas. O estudo da linguagem favorece um “descondicionamento” das especializações das áreas? Até que ponto a 13. LIMA, Luiz Costa. A literatura e o leitor: textos de estética e recepção. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. p. 63-82. 14 O conceito de informação aqui empregado possui um significado abrangente, mas aqui pode-se entender por conhecimento. Mais adiante será abordado o conceito de forma mais aprofundado sob o ponto de vista do pesquisador Luciano Floridi. 19.

(20) interação da linguagem recondiciona a linguagem da interação? Como a informação está inserida na linguagem? As chaves conceituais sugeridas anteriormente para análise participam de um jogo de significados que perfazem a Linguagem com propriedade dinâmica referenciada por uma delas que é a interação. A Linguagem é uma interface humana. Porém, a amplitude do significado de linguagem não se finda em uma das camadas que compõem sua interpretação. A história do homem nas suas conquistas científicas dão provas para que a Tecnologia se torne face e parte dessas camadas impregnadas conceitualmente, para tanto, culturalmente envoltas e representáveis. As implicações que essas angulações de camadas provocam inclinam perspectivas psicológicas, cognitivas, computacionais, comunicacionais, sociológicas e antropológicas. Apresentando historicamente uma vocação mais prática a Comunicação Social epistemologicamente atrelada ao artefato midiático comunicacional transcorre em suas escolas e conceitos por visões funcionais, críticas, informacionais, culturais, linguísticas e dialógicas. Evidente que as diferenças, assim como suas semelhanças, enriquecem suas partilhas quando busca no objeto de estudo definir as vicissitudes sociais. Palavras como simbólico, estrutura, meio, filosófico, estética, hegemonia, consciência, condicionamento, identidade, superestrutura, filosofia, linguagens, mensagem, função social, consciência, seleção, escolha, semântica, percepção, experiência, conhecimento, cultura, inconsciente, fragmentação, tecnologia, conexão, cognição, sistemas entre outras são vistas constantemente nos discursos sobre o foco da mensagem15. Todas essas palavras aparecem nas escolas dos estudos comunicacionais de certa forma explícita, implícita ou proveniente de outra no contexto histórico. O que muda é como são trabalhadas epistemologicamente. Mas um compromisso social da Linguagem se faz útil quando os assuntos, que vigoram sobre as Tecnologias Digitais pareadas com a Comunicação Social, apelam para um sentido ético uma vez que invasão de privacidade, inovação e poder (patentes, propriedade intelectual e domínio de implementação) “emergem” do caldo digital. Tal abordagem merece ser refletida, mas não será empreendida aqui. Entretanto, as interações dimensionadas pela escalabilidade16 da linguagem que a Tecnologia da internet detém sobre as relações sociais no ambiente das redes telemáticas, abrem oportunidades de compreender como essas camadas estão se reinventando constante e. 16. Esse conceito será analisado adiante na página 44, mas em resumo significa o poder de reutilizar esforços de trabalho pela modelagem da informação. 20.

(21) rapidamente nas interfaces digitais intercedidas pelos sistemas simbólicos como extensão da biologia humana. De modo menos imediato essa ideia é observada com inclinação à condição humana da dependência da Tecnologia, no pensamento de Francisco Rüdiger (2007, p.76) quando reflete a necessidade de superar as tensões ao pensar sobre as novas mídias. O autor em sua obra, ao dividir em algumas partes o pensamento da cibercultura que é o populismo tenocrático (tendência de ver a Tecnologia como fator de desenvolvimento social), os conservadores midiáticos (alegam que o conteúdo da internet é medíocre) e os cibercriticistas (a cibercultura é uma ideologia capitalista) sugere uma macro visão para abordar o tema da Comunicação Social e da Tecnologia. De forma geral observa-se na obra uma polarização entre efeitos políticos no domínio da Tecnologia perante a sociedade e de uma reflexão existencialista da condição humana nas inovações e desenvolvimentos sociais. Na revisão conceitual empreendida pelo autor percebe-se que o ambiente da Cibercultura favorece a criação de agrupamento de afinidade, clusters, contrapostos pelo determinismo tecnológico desenvolvimentista (modelagem da informação). No contexto histórico da Cibercultura o entendimento mais profundo das articulações desses saberes, inclusive nos primórdios dos pensamentos cibernéticos criado por Norbert Wiener ao tentar resumir a Comunicação Social no reducionismo matemático com foco em ver os ruídos e entropias (conceito herdado da termodinâmica que reflete o estudo de equilíbrio de energia entre a matéria, principalmente nos elementos líquidos e gasosos) das mensagens e não seus significados se torna evidente com as relações já empreendidas até o momento na pesquisa deste trabalho. Por outro lado, como mostra Melaine Mitchell (2009, p.61), é desse reducionismo que se herdou a sugestão do pensamento binário da máquina por Alan Turing quando resolve um problema matemático de David Hilbert de que nem todo postulado matemático tem um procedimento definitivo que possa decidir se a lógica é falsa ou verdadeira. Partindo de um modelo que assume inicialmente um estado (como, por exemplo, digitar um texto equivale a 1 e apagá-lo equivale a 0 e quando se digita algo a regra muda para apagá-lo) cria um espelho dessas máximas, mas ao tentar defender um estado que foge ao modelo inicial (no exemplo anterior parar de digitar não participa das máximas) há uma “prova da contradição”. Essa abstração lógica baseia a essência da Ciência da Computação uma vez que a partir dessa lógica todas as evoluções estruturais do computador se ancoraram nela. O intento de observar outras áreas aqui não é apenas ver o que deu certo para preencher um vácuo epistêmico da Comunicação Social, mas observar o que é “comum” nas “ações” de outras áreas, isto é, existe a Comunicação Social dentro das outras áreas assim 21.

(22) como existe matemática dentro da física e da química. O que fez a Comunicação Social para não ser solidamente científica em sua prática foi, talvez, seu afastamento essencial de seu ente que é a coexistência conceitual de observar o impulso dado pelos artefatos tecnológicos que outrora foram determinados para ver suas reações e/ou ações com óculos diversos. O ato de rever a Comunicação Social neste contexto, dentro da dinâmica como as redes telemáticas se integram, sugere observar um fato que coexiste em outras áreas que é a velocidade e quantidade de informação que habita a rede (imediatismo). A identidade da Comunicação Social com sua essência, no fundo, sempre esteve lá, próxima da tecnologia e nos discursos de outras áreas. É oportuno relembrar os princípios da Comunicação Social, ou melhor, o que incita comunicar? Antropologicamente agimos comunicando para proteção e sobrevivência. Para a biologia nascemos com os “códigos inerentes” da linguagem. Para a Comunicação Social é um ato simbólico sui generis da troca de valores e para a psicologia o outro como desenvolvimento de si.17 Como a Antropologia é impactada pela tecnologia? Michael Fischer (2011), professor de Antropologia e de estudos da ciência e da tecnologia no Massachusetts Institute os Technology (MIT), fez uma ampla revisão histórica ao levantar informações que dotaram o conceito de cultura do século XIX e avança sobre a perspectiva relacional da cultura sobre quatro pilares: folclore e identidade, ideologias culturais e consciência política, status e culturas de classe, culturas pluralizadas e relacionais versus ideologias civilizacionais universalizantes. De modo resumido entre as décadas, como será apresentado a seguir, o desenvolvimento tecnológico ganha espaço nas teorias. - A crise dos anos 30 impactou revisões metodológicas no estudo da cultura. A noção de mediação pelas formas simbólicas é chave neste processo. A expressão de um “eu” é um ato de descoberta e não só alienação. Adiante a Escola de Frankfurt (Horkheimer e Adorno) observa as raízes da personalidade autoritária na substituição do pai por um líder político ou ídolo do cinema onde a mídia entra em cena. - Na década de 60 a Antropologia simbólica alimentou-se da cibernética do Departamento de Relações Sociais da Harvard e da linguística (Noam Chomsky). A chegada do estruturalismo e pós-estruturalismo simultaneamente nos EUA em um congresso chamado “A controvérsia do Estruturalismo: as linguagens do criticismo e das ciências do homem” sugere uma nova linhagem de pesquisa futura. Não se podia mais privilegiar uma versão do mito sem levar em conta o conjunto inteiro de transformações que a estrutura mítica tornava. 17. Grifo meu 22.

(23) possível. Houve um afastamento da comunicação behaviorista e simbolista uma vez que a primeira toma as palavras e os símbolos como representantes não problemáticos combinados e reorganizados em cadeias significativas de frases realizadas em sequências de estímulo e resposta dispostas em turnos de fala. A segunda reconhece que os símbolos não são representantes simples e unívocos, mas sim portadores de leques de significados (tanto no emissor quanto no receptor). Os modelos de cultura organizados dos simbolistas em torno de redes semânticas apresentam estabilidade quando o estruturalismo e o pós-estruturalismo decompõem os símbolos em ramificações em transformação um mais preocupado em modelar a variação e o outro em libertar as tensões de controle. - Os anos 80 e 90 produziram formas revistas da análise cultural seguida de transformação de infraestrutura nos meios de comunicação, meio ambiente, bioTecnologia e a violência que impactaram o senso de cultura. A internet, web e vídeo ao ajudarem expandir o alcance da propaganda e acabam reformatando a mesma. A crise financeira de 90 e o aquecimento climático fizeram a noções culturais de modernidades alternativas dos anos 80 antiquadas e mais relacionais, conectadas. O fluxo em tempo real e a repetição do curso da informação estão reposicionando e encapsulando, isto é, envolvendo os meios culturais mais antigos como a oralidade e escrita reconfigurando a esfera pública pela mudança das relações de poder na produção de linguagens dinâmicas (fusão da Tecnologia com a cultura). “São nossas próprias ‘autocaracterizações culturais’ de formas emergentes de vida turbulentas, contestadas, subdeterminadas” (FISCHER, 2011, p.63). O estudo empreendido aqui se aproxima da ideia pós-estruturalista mencionado por Fischer porque ao retornar aos primórdios do advento do modelo computacional e como a Comunicação Social é impactada por esse contexto assim como a busca de elos conceituais entre áreas de certa forma é uma busca liberar as tensões de controle, isto é, ao se decompor as linguagens que participam do jogo comunicacional dentro deste conjunto a Comunicação Social pode observar as propriedades culturais que interagem nos modelos de informação. Para Fischer o conceito de Cultura é vista com variações como representação, um Ethos social, mediação entre a natureza e o indivíduo, um sistema simbólico. A recursividade é uma característica linguística humana de dimensionalizar lógicas pelos discursos assim como matematicamente via sistema simbólico matemático. A tecnologia é um artefato que carrega o sistema simbólico e que representa intervenções de ordem científica e social. De acordo com a visão do pesquisador Stuart Hall, que Fischer retoma nas suas análises, de forma resumida a representação possui suas particularidades: 23.

(24) “At the heart of the meaning process in culture, then, are two related systems of representations. The first enable us to give meaning to the world by constructing a set of correspondences or a chain of equivalences between things-people, objects, events, abstracts ideas, etc. – and our systems of concepts, our conceptual maps. The second depends on constructing a set of correspondences between our conceptual map and a set of signs, arranged or organized into various languages which stand for or represent those concepts. The relation between things, concepts and signs lies at the heart of the production of meaning in language. The process which links these three elements together is what we call ‘representation18’. ” ( HALL, 1997, p.19). Nesse ponto concorda-se com Fischer de que a tecnologia carrega um sistema simbólico, aliás, é o que humaniza a tecnologia. A linguagem, nas relações de sentido que se resulta a representação, possui um papel fundamental. O pesquisador reflete que as intervenções da Tecnologia sugerem não observar o objeto de estudo com um olhar purista, mas “dialógico” onde as perspectivas se encontram e mostram novos rumos de entendimento das dinâmicas culturais a exemplo de regiões que eram desconsideradas como produtoras de conhecimento pelas instituições euro-americanas agora integram pensamento multidisciplinar como a Índia que possui um respeitável campo tecnológico e é o sexto país19 (o Brasil está em décimo oitavo na data de pesquisa deste trabalho) que mais tem satélites no espaço. O autor mostra que a linguagem (2011, p.98) de programação orientada a objeto promoveu a rápida aplicação (implementação em um sentido mais tecnológico) de pesquisas e permite os testes de haplótipos, conceito que delimita um ambiente de testes na articulação de fenômenos emergentes que surgem das redes e que impactam rapidamente a sociedade pelo poder proprietário e de fácil acesso da Tecnologia pela interação social. Aqui há um ponto importante nesta passagem, em paralelo com as ideias dos Paradigmas Comunicacionais já refletidos e também dos novos caminhos sobre o objeto comunicacional que é a recursividade embutida na tecnologia, pelos casos analisados sobre o. 18. Tradução do autor: “No centro do processo de significação na cultura estão relacionados dois sistemas de representações. O primeiro nos permite dar sentido ao mundo através da construção de um conjunto de correspondências ou uma cadeia de equivalências para as pessoas entre as coisas, objetos, eventos, ideias abstratas, etc - e os nossos sistemas de conceitos, os nossos mapas conceituais. O segundo depende da construção de um conjunto de correspondências entre o nosso mapa conceitual e um conjunto de sinais, agrupados ou organizados em várias linguagens que indicam ou representam esses conceitos. A relação entre as coisas, conceitos e sinais está no cerne da produção de sentido na linguagem. O processo que liga esses três elementos juntos é o que chamamos de 'representação'”. 19 Fonte: http://www.ucsusa.org/nuclear_weapons_and_global_security/solutions/space-weapons/ucs-satellitedatabase.html. Acessado em: 21 de Dez. de 2013. 24.

(25) olhar Antropológico que busca observar a representação do processo de significação tecnológico. Outro ponto importante discutido pelo pesquisador e que merece uma reflexão, sobre as análises históricas da Antropologia e Filosofia, é um conceito que permeia as temáticas da interpretação da cultura: a desambiguação. De acordo com o autor. “Assim, a Antropologia de Kant abre com uma diérese (ou o que a Wikipedia, hoje, chama de ‘desambiguação’) entre a antropologia e a pragmática: o que a natureza faz do ser humano versus o que o ser humano como um ator livre faz de si mesmo(a), ou pode e deveria fazer.” (FISCHER, 2011, p.153).. O intento de pensar modelos de análise para abordagens e mensurações que compartilham a questão da desambiguação é oportuno porque o estudo de caso a ser explanado adiante, sobre o software Wikipédia Miner, aborda essa questão, não no sentido da Filosofia Kantiana, mas na recursividade que participa da modelagem da informação. É sobre este ponto de vista que se observa o fato de que a Linguagem ganha, dentro do poder recursivo, a representação de que a Tecnologia, assim como a Antropologia, são próximas em suas concepções ontológicas. São essas proximidades que fazem os estudos da Cognição um elo importante quando revela que é através da Linguagem que o avanço tecnológico, conforme será analisado adiante no contexto do Data Scientist na internet, observa o procedimento semântico humano e o seu modo de visualizar o mundo.. 25.

(26) 3. FILOSOFIA DA LINGUAGEM 3.1.. Ludwig Wittgenstein, John Von Neumann, Heinz von Föerster e os estudos cognitivos: linguagem da cognição ou cognição da linguagem?. A história é linear, mas os conceitos não. A fragmentação que se assistiu na evolução científica criando especificidades teóricas especializadas, agora se encontra em sentido contrário: a lógica matemática pela Biologia (padrões da engenharia genética), Antropologia (STS – ciência, Tecnologia e sociedade) e Ciências da Computação (essa área permeia todas). Em especial a Comunicação Social se vê rodeada de conceitos que tentam explicar os fenômenos sociais atuais, mas se esbarra inevitavelmente no jardim ao lado, ou seja, os conceitos de áreas que compartilham algo em comum. Mas isso não é uma coisa nova. Antes de clarear a reflexão sugerida no título deste capítulo se entende necessário contextualizar alguns temas: Filosofia da Linguagem, o Círculo de Viena e o Círculo Cibernético em observação do procedimento semântico humano e o seu modo de visualizar o mundo. Por que fazer tal digressão histórica e conceitual? Porque, como será observado, o Paradigma Comunicacional em análise participa deste contexto e de certa forma foi impactado por ele nos “jogos de linguagem”. O Círculo de Viena20 constituiu uma associação de filósofos que se uniram em 1922 na Universidade de Viena, na Áustria, para conversas informais sobre a ciência, mas com o intuito de unificar a mesma. Neste grupo continham grandes pensadores sobre lógica matemática, sociologia e economia. Albert Einstein, Ludwig Wittgenstein, e Bertrand Russell (foi mentor de Wittgenstein) foram os pais intelectuais do grupo. Cultuavam que o conhecimento só poderia existir com a experiência em uma primeira fase e conseguinte por análises lógicas, dessa forma o meio científico os aproximaram dos positivistas. O método de “clarear o pensamento”21 consistia em um afastamento do pensamento metafísico e das ambiguidades da linguagem natural. Um dos pontos centrais do Círculo de Viena foi ser influenciado pelo filósofo da linguagem Ludwig Wittgenstein pela sua lógica de esclarecer ideias. O filósofo reflete em Investigações Filosóficas (1999), obra posterior de outra que iniciou influência de seus. 20. Vienna Circle. Disponível em: http://plato.stanford.edu/entries/vienna-circle/ . Acessado em 22 de Fev. de 2014. 21 The Scientific Conception of the World: The Vienna Circle. Disponível em: https://sites.google.com/site/gnadav/TheScientificConceptionoftheWorldeng.doc?attredirects=0. Acessado em: Acessado em 22 de Fev. de 2014. 26.

(27) pensamentos (Tractatus), sobre as limitações perante a linguagem e a realidade humana. O mundo é representado por um pensamento, que por sua vez é um significado, um recorte da realidade uma vez que o mundo, o pensamento e a verdade compartilham da mesma lógica. Desta forma o pensamento e a verdade (tautologias) podem ser imagem dos fatos. Os limites do significado são explicados pelas “fórmulas”, os aforismos linguísticos, que davam valor lógico na sua metodologia. O filósofo não compartilhava da ideia de ser chamado de positivista mesmo porque respeitava a metafísica, porém a separava das sentenças (proposições factuais, tautologias e contradições) que realizara em sua primeira obra, o Tractatus LogicoPhilosophicus (SCHLICK, 1983). O silêncio é uma forma de verdade, pois não gera ruídos, portanto a intuição não pode, nesse caso, ser expressada. Já na introdução de sua obra, Investigações Filosóficas o filósofo Wittgenstein expõe:. “Assim, aprendi pouco a pouco a compreender quais coisas eram designadas pelas palavras eu ouvia pronunciar repetidamente nos seus lugares determinados em frases diferentes. E quando habituara minha boca a esses signos, dava expressão aos meus desejos” (WITTGENSTEIN, 1999, p.27).. Aqui o pensador traz uma percepção profunda sobre as psicologias do pensamento quando as representações modelam os pensamentos pela interação de seus desejos. Não será empreendido aqui o aprofundamento do conceito de desejo, mas se assumirá que esse fator engendra as significações e limitam de certa forma o entendimento da linguagem, pois é um assunto que a área cognitiva ainda não conseguiu desvendar, por enquanto. Entretanto, o filósofo acreditava que o mais importante era o que o falante fazia com a expressão e não o que antecede psiquicamente tal ação. Dessa forma o filósofo diverge das ideias tradicionais da linguagem onde o significado de um termo é dado por um objeto, na dinâmica que cabe nos períodos gramaticais em paralelo à importância das faculdades psicológicas do indivíduo impregnada nos sotaques ou na forma como a pessoa “escuta” a declaração na linguagem pelos significados. De forma crítica e cautelosa, com uma lógica matemática acentuada, o filósofo encara a linguagem como método. O sentido da “linguagem ordinária” possui uma complexidade lógica que não se revela na estrutura gramatical. A análise lógica é um remédio para esse fato. As idealizações que 27.

(28) se resultam dos jogos de linguagem supõem o conhecimento do significado. O conhecimento do uso da linguagem pode trazer luz de suas ramificações lógicas. Portanto, a filosofia da linguagem impulsionada pelo filósofo, no exercício do jogo das linguagens, ecoou um modo de descrever as propriedades desse jogo e despontou qual é o papel exercido pelo termo no contexto e que a linguagem é uma configuração da vida22, assim, enraizada na sociedade. Mas, há um cuidado ao se “figurar” uma sentença linguística e o fato linguístico porque não são totalizados pelas palavras e não se pode pensar no fato sem antes na sentença que figura o sentido. Aqui reside um conceito em paralelo importante refletido nesse trabalho que é a recursividade. Adiante será abordado seu significado, mas vale lembrar que a análise empreendida busca a profundidade que figura a relação entre separação da estrutura da linguagem dos processos semânticos. A filosofia de Wittgenstein foi precursora do que se chama pelos historiadores da “virada linguística” (MARCANTONIO, 2007), onde se idealizava que a linguagem é uma forma de limitação humana no que tange o pensamento, tudo passa pelo crivo da linguagem quando nomeado pela própria linguagem inseparável da realidade que a condiciona. As derivações fundamentais do filósofo, que são pensadas no Círculo de Viena, não se findam neste grupo. O Círculo Cibernético (MARCONDES FILHO, 2007) nasceu na revolução tecnológica da microeletrônica. Entre a década de quarenta e cinquenta os estudos transdisciplinares promovidos pelo norte americano Norbert Wiener e o neurofisiólogo Warren McCulloch vingaram pesquisas que integraram a Física, Biologia, Sistemas Sociais e as Ciências Cognitivas. Cibernética tem várias definições, mas de acordo com Wiener se resume cibernética como o estudo científico do controle e comunicação dos animais e da máquina. Etimologicamente o termo deriva do grego com o sentido de governar. Um dos integrantes do Círculo Cibernético era o biólogo, físico e matemático austríaco Heinz von Föerster, parente do filósofo do Círculo de Viena refletido anteriormente. Influenciado pela obra de Wittgenstein, Föerster tenta harmonizar o pragmatismo lógico dos jogos da linguagem, mas na preocupação da pesquisa do cérebro e dos processos perceptivos. Aqui o Paradigma Comunicacional Matemático-Informacional integrado com a filosofia da linguagem gera novas perspectivas de pesquisa.. 22. Wittgenstein. Disponível em http://www.cfh.ufsc.br/~mafkfil/scruton.htm . Acessado em: 13 de Abr. de 2014. 28.

(29) A matemática e a biologia participavam de uma matriz em comum, mas o pesquisador não seguiu com uma linha matemática da Cibernética que é Inteligência Artificial que tinha como um dos precursores John von Neumann. Dessa forma Föerster. “[...] afastou-se da linha de von Neumann, que buscava desenvolver a chamada ‘inteligência artificial’. Para ele, seria ilusão os engenheiros dessa tendência quererem explicar nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossa consciência. [...] von Föerster acredita que todos esses fatos – pensar, sentir, consciência – são, antes, ‘princípios explicativos’ que são usados para explicar mas que não podem, eles próprios, ser explicados. [...] Não existe de fato o aprender, o pensar, o ter memória, a máquina não faz nada disso, não há nenhuma identidade com as funções humanas, pois nós efetivamente não sabemos como aprendemos, como nos lembramos, como pensamos, etc. Neste aspecto, Heinz von Föerster é enfático: não se trata do ‘ainda não sabemos’ mas do não podemos saber isso, trata-se de algo efetivamente insondável. A ciência, assim, tem que sair disso e voltar-se às questões que não têm resposta, que escapam às rotinas das ‘máquinas triviais’”. (MARCONDES FILHO, 2007, [s.p]). O fato de não se saber como o cérebro aprende ou se isso é cientificamente plausível incomodava Föerster. Concorda-se aqui com as teses do pesquisador quando diz que os indivíduos percebem o mundo à sua volta à sua maneira, de que a realidade ou o ambiente que percebemos é nossa invenção trazendo subjetividade, que todo sistema é fechado e recursivo, isto é, só se entende aquilo que se possa “pegar” (círculo criativo) (MARCONDES FILHO, 2007). Föerster estende o conceito de informação na Teoria da Comunicação Social pendendo mais para forma das relações entre os significados a ponto de negar a informação. Contrapõe a comunicação dentro da linguagem conotativa, inclinando a comunicação à Biologia de modo que a recursividade dota o organismo de valores próprios e estes geram informação quando dentro do que se pode perceber da realidade23. Por outro lado, apesar de seu pensamento estar alinhado com o conceito de figuração de Wittgenstein, Föerster, ao alegar a seguinte análise. “[...] Pode-se virar uma biblioteca de ponta-cabeça que não irá cair nenhuma informação, diz ele. Só vamos encontrá-la se lermos os livros, se assistirmos aos filmes, se consultarmos as fichas. E o mesmo se passa com uma conversa entre 23. Grifo meu 29.

(30) duas pessoas, ela nunca é uma ‘troca’, troca de idéias, de pensamentos, de opiniões, de sentimentos. Não dá para trocar nada.[...]” (MARCONDES FILHO, 2007, [s.p]). pode estar radicalizando em relação ao desenvolvimento tecnológico. Em respeito ao embasamento científico do círculo criativo, sua terceira tese, evidentemente a tecnologia não esgota as complexidades dos sistemas recursivos da linguagem, mas ajuda a ao menos “clarear” os significados em um primeiro momento. O exemplo dessa argumentação foi empreendido atualmente com o programa Ngram Viewer24. Tal programa computacional é uma coleção de textos digitalizados, convertidos em fonte digital, que se permite observar em um modelo de linguagem probabilístico por Inferência Bayesiana25 e também baseado na Teoria da Informação de Shannon onde uma fonte de textos é codificada em blocos de significados indexados binariamente. Dessa forma encontra padrões de similaridades entre as fontes digitalizadas a ponto de mostrar historicamente comparações de autores que mais aparecem nesse contexto26 sem necessidade de se ler todos os 5.2 milhões de livros que se comporta a base. Até aqui se observa que na digressão histórica empreendida os conceitos codificação, conversão, interação, imediatismo, modelagem de informação participam das figurações dos jogos de linguagem entre as teorias e nos recortes das pesquisas em questão e suas lógicas recursivas. Para Föerster a interpretação determina a informação e para Neumann a recursividade binária da informação pelas semânticas (pode-se resumir por interpretação indexada por humanos e organizada por máquinas) que retroalimenta a interpretação27. Por outro lado, um dos legados deixado por John von Neumann, entre eles a concepção do primeiro computador com programa armazenado na memória da máquina o EDVAC e o conceito de autômatos (fundamentalmente base do conceito de recursividade de auto regulação na computação), ampliou juntamente com o economista Oskar Morgenstern o conceito de Teoria dos Jogos. Essa teoria se aproxima da filosofia da linguagem de Wittgenstein. Tal teoria obteve considerável impacto na área da economia, “‘American’ individualism”. (GASCA; ISRAEL, 2009, p.130). Mesmo que dentro do grupo cibernético haja aqueles que acreditam que a informação seja refém da conotação dentro do contexto da comunicação é válido notar que a teoria de Neumann pondera a informação como o Ngram15 24. Para maiores informações ver https://books.google.com/ngrams. Os criadores dessa ferramenta foram Jon Orwant and Will Brockman do Google. 25 Teorema de Bayes é uma teoria da probabilidade do matemático inglês Thomas Bayes onde mostra a relação entre uma probabilidade condicional e a sua inversa para testar uma hipótese. 27. Grifo meu. 30.

Referências

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