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Respostas do milho à adubação com fósforo e zinco

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RESPOSTAS DO MILHO À ADUBAÇÃO COM FÓSFORO E ZINCO'

EUCLIDES CAXAMBU A. DE SOUZA, EDSON LUIZ MENDES COUTINHO 2,

W!LLIAM NATALE' e JOSÊ CARLOS BARBOSA'

RESUMO - Com o objetivo de verificar os efeitos isolados e combinados da adubação com fósforo (0, 50, 100, 150 e 200 kg ha' de P20,) e zinco (0, 5,10, 15 e 20kg ha 4 de Zn) na cultura do milho, conduziu-se um experimento num Latossolo Vermelho-Escuro textura média, com 5 mg dm' de P e 0,39 mg dar' de Za (DTPA). Pelos resultados obtidos, vê-se que a adição de P e Zn aumentou signi-ficativamente a produção de grãos de milho. O efeito da adubação fosfatada foi mais pronunciado que o da adubação com Za. Pôde-se obter produções de até 6.000 kg ha 1 utilizando-se somente o macronutriente; para produções acima deste valor, é necessário, além do P, a inclusão do Zn na aduba-ção. A máxima produção de grãos esteve associada a uma concentração de P no solo de 30 mg dm -'. A adubação fosfatada não alterou significativamente as concentrações de Zn nas folhas.

Termos para indexação: Zea mays, interação fósforo-zinco.

RESPONSE OF CORN TO PHOSPIIORUS AND ZINC FERTILIZATION

ABSTRACT - With lhe objective of evaluating the effects of phosphorus (0, 50, 100, 150 and 200kg ha' ofP,O,) and zinc (0, 5, 10, 15 and 20kg ha 1 ofzn) fertilization in lhe maize crop, a field experiment was conducted on al-Iaplustox soU with 5 mg dm' ofP and 0.39 mg dar' ofZn (DTPA). From lhe results, it was observed that lhe fertilization with P and Zn resulted in significant increments of com grain yield. The effect of 1' fertilization was higher than lhe fertilization with Zn. II was possible to obtain a production of grain up lo 6,000 kg ha' with P alone; higher yield than it was achieved only with both 1' and Zn fertilization. The maximum com grain yield was associated with 1' contents in soil about 30 mg dar'. Phosphorus did not alter lhe contents ofzn in lhe leaves. Index terms: Zea mays, P-Zn interaction

INTRODUÇÃO

No Brasil, como em diversos outros países, a necessidade de produção de alimentos para uma população crescente coexiste com a geração de ex-cedentes exportáveis. Este desafio será vencido com a exploração de novas áreas e com o aumento da produtividade em áreasjá plantadas. Nas duas situ-ações é fundamental a utilização racional dos diver-sos insumos agrícolas, entre os quais, os corretivos e fertilizantes.

Para a cultura do milho, dentro dos dois enfoques, a importância da adubação fosfatada, como um fa-

'Aceito para publicação em 29 de outubro de 1997.

2Eng. Agr., Prof. Titular, Dep. de Solos e Adubos,

UNESP/Câmpus dc Jaboticabal, CEP 14870-000 Jaboticabal, SP.

E-mail: [email protected]

3 Eng. Agr., Dr., Dep. de Solos e Adubos, IJNESP.

4Eng. Agr., Prof. Adjunto, Dep. de Ciências Exatas, UNESP.

tor de incremento na produção, é sobejamente co-nhecida (Yost etal., 1979; Raij etal., 1981; Souza et al., 1985; Coutinho etal., 1991).

Com relação ao Zn, os problemas têm surgido mais recentemente, em face da incorporação ao pro-cesso produtivo de áreas de fertilidade marginal, e, ainda, em decorrência do esgotamento gradativo de alguns solos em áreas de cultivo tradicional, onde não existia a reposição desse micronutriente. Dessa maneira, vários trabalhos conduzidos em casa de vegetação e campo, têm demonstrado que a adição desse micronutriente promoveu incrementos signi-ficativos na produção de milho (Galrão & Mesquita Filho, 1981a, 1981b; Souza et al., 1985; Ritchey et al., 1986; Coutinho et ai., 1987; Coutinho et ai.,

1992a, 1992b; Galrão, 1995).

A disponibilidade de Zn para as plantas pode ser afetada por várias características do solo, tais como opil, teor de matéria orgânica, textura, conteúdo de óxidos, mineralogia da fração argila. Também a li-

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teratura tem documentado sintomas de carência de Zn induzidos pela adição de P em doses elevadas.

A interação P-Zn é bastante estudada, porém é um fenômeno complexo e pouco entendido, visto que existem resultados mostrando que: o? não exer-ce influência sobre a absorção de Zn (Bingham, 1963); o P pode aumentar a absorção de Zu (Pauli et ai., 1968); o P pode diminuir a absorção de Zn (Adriano et ai., 1971; Olsen, 1972); pode existir um antagonismo mútuo entre oP e Zn, particularmente quando um dos elementos excede o nível critico (Boawn & Legget, 1963); o P pode diminuir o trans-porte do Zn da raiz para a parte aérea (Olsen, 1972); a adição de P em solo deficiente nesse micronutriente poderá estimular o crescimento das plantas, e com isso, diluir a concentração de Zuno tecido da planta (Olsen, 1972). Mais recentemente, uma hipótese al-ternativa sobre a deficiência de Zn induzida pelo P foi sugerida: um alto teor de P na solução pode au-mentar a acumulação desse macronutriente nas fo-lhas vefo-lhas, em concentrações que causem toxicidade, sendo estes sintomas de toxicidade er-roneamente identificados como carência de Zn (Loneragan et aI., 1982; Webb & Loneragan, 1988). Em condições de campo, Corrêa (1987) e Coutinho et ai. (1987) verificaram que a aplicação de doses elevadas de P reduzem as concentrações de Zn nas folhas de sorgo, sendo esse resultado atri-buído ao "efeito de diluição" . Em ambos os traba-lhos, a produção não foi afetada pela redução nos teores do micronutriente. Na cultura do milho, Sou-zaet ai. (1985) e Coutinho etal. (1991), empregan-do empregan-doses até 200 kg ha1 de p205; não observaram

alterações significativas nos teores de Zn nas folhas, se comparadas as doses mais elevadas de Pc ateste-munha (sem 1').

Este trabalho, conduzido em condições de cain-po, teve o objetivo de verificar os efeitos isolados e combinados da adubação com o P e Zn na produção de grãos de milho, concentrações de P no solo e te-ores de P e Zn nas folhas; procurou-se, ainda, esta-belecer relação entre a produção de grãos e as variáveis independentes: doses de P e de Zn.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi instaiado em condições de campo, em um Latossolo Vermelho-Escuro textura média, locali-

zado no município de jaboticabal, 5?. A análise química para fins de fertilidade do solo, na camada de 0-20 cm, foi a seguinte: pH (CaCl2) = 5,6; matériaorgânica 12,4 g P (resina) = 5 mg dm 3; K, Ca, Mg e 1-I+Al = 2,9, 24, 12, e 23 mmol0 dm-3 respectivamente; V = 63%. O teor de Zn extraido com DTPA-TEA p11 7,3, conforme Lindsay & Norveli (1978) foi de 0,39 mg dm 3.

O experimento foi realizado de acordo com um esque-ma fatorial 52 (cinco doses de P combinadas com cinco • doses de Zn), no delineamento em blocos casualizados, com duas repetições. As doses utilizadas de P e Zn, apli-• cadas no sulco de semeadura, foram, respectivamente, 0, 50, 100, 150 e 200 kg lia 1 de P205 e 0, 5, 10, 15 e 20 kg hwl de Zn, tendo-se como fontes o superfosfato triplo e o sulfato de zinco heptahidratado. Todas as parce-las receberam na semeadura uma adubação constante de 15 kg lia1 de N, como uréia, e 30kg ha4 de K20, como cloreto de potássio. Aplicou-se em cobertura, aos 35 dias após a emergência das plantas, 40 kg ha' de N na forma de nitrato de amônio. A cultura anterior foi soja.

A semeadura do milho híbrido duplo Braskalb XL 678 foi realizada em 1411 0/93, visando uma população final de 55.500 plantas. As parcelas eram constituídas de seis linhas de 7 tu de comprimento, a espaços de 0,9 m, correspondendo a uma área total de 37,8 m 2 e uma área útil de 25,2 m 2.

Para avaliar o estado nutricional das plantas, nove se-manas após a emergência das mesmas, foram coietadas em dez plantas a quarta folha, a partir do ápice, cuja inser-ção da bainha com o colmo era visível (folha +4), de acordo com o recomendado por Trani etal. (1983).

A produção de grãos foi avaliada pela colheita das duas linhas centrais de cada parcela. A amostragem de solo foi realizada nessa mesma época.

Para a determinação de P e Zn nas folhas, foram utili-zados métodos descritos por Bataglia et ai. (1983). As concentrações de 1' no solo foram determinadas segundo Ferreira etal. (1990).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A adubação fosfatada aumentou significativa-mente a produção de grãos e os teores de P no solo e nas folhas (Tabela 1). Esse incremento na produção era esperado, por serem, as plantas de milho, sensí-veis a baixos teores desse nutriente no solo, o que corrobora os resultados obtidos por Coutinho et al. (1991), Raij et ai. (1981), Souza etal. (1985), Yost et ai. (1979). A máxima produção de milho esteve

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RESPOSTAS DO MILHO À ADUBAÇÃO 1033

associada a concentrações de P no solo ao redor de 30 mg dm 3 (Fig. 1).

Com relação aos teores foliares de P, somente houve diferença entre o tratamento sem P e os que receberam esse nutriente. Essas concentrações, in-dependentemente do trataniento considerado, esta-vam abaixo dos teores mínimos sugeridos por Trani et ai. (1983) e dos obtidos por Coutinho et ai. (1991) nesse mesmo tipo de solo, utilizando o milho híbri-do AO-403-B. Acredita-se que o resultahíbri-do obtihíbri-do possa ser atribuído à variabilidade genética, uma vez que têm sido verificadas variações na utilização e nas concentrações de P entre diferentes híbridos (Bruetsch & Estes, 1976; Eliiot& Lauchli, 1985).

Observa-se, ainda, na Tabela 1, que as doses de P não alteraram significativamente os teores de Zn nas folhas. Este resultado reforça as controvérsias sobre a interação P-Zn. Recentemente, num amplo estudo crítico sobre o assunto, Loneragan & Webb (1993) relataram que altas concentrações de Passo-ciadas à deficiência de Zn são raramente encontra-das em plantas cultivaencontra-das. Esta questão é um artifi-

cio de procàdimentos experimentais em casa de ve-getação, e tem pouca importância para a produção das culturas. -

A adição de Zn promoveu incrementos signifi-cativos na produção de grãos de milho e nas con-centrações desse micronutriente nas folhas (Tabela 1), mas não houve vantagens em empregar doses superiores a 5 kg ha' de Zn. Esses resultados confirmam os obtidos por Ritchey et ai. (1986), Coutinho et ai. (1992; 1992b) e Gairão (1995), onde solos com teores de Zn menores que 0,73 mg dm 4 (DTPA-TEA pH 7,3) apresentaram alta probabili-dade de resposta a esse micronutriente. Por outro lado, apesar desse baixo teor no solo, e, ainda, pelo fato de as plantas do tratamento sem Zn apresenta-rem teores foliares ao redor de 16 mg kg-', próxi-mos, portanto, aos observados pelos autores acima citados, em condições de deficiência de Zn, não se verificaram os sintomas de carência desse micronutriente. Deve-se mencionar, ainda, que a utilização das doses mais elevadas de Zn não pro-vocaram nenhuma anomalia visível nas plantas e nem prejudicaram a produção de grãos.

TABELA 1. Efeitos principais das doses (kg lia 4) de P e Zn na produção de grãos, teor de P no solo e teores foliares de Pc Zn.

Doses de Produção de grãos P no solo P nas folhas Zn nas folhas

fósforo (kg ha4) (mg dm') (g kg') (mg kg')

• O 2.862,8a 6,8a l,Ib 30,ia

• 50 5.007,8b 10,6b 1,6a 32,2a

100 5.944,6c 18,1c 1,6a 32,7a

150 6.875,7d 21,7d 1,6a 31,3a

200 7.750,7e 26,1e •1,6a 33,Oa

Teste F 707,68 92,52 31,38 1,85NS

• dms (50%) 295,1 3,4 0,1 3,6

Zinco

0 5.143,5a 16,6a 1,5a 16,la

5 5.955,91b 16,5a 1,5a 35,01,

10 5.592,5c 16,9a 1,5a 34,2b

IS 5.808,6bc • 17,ia 1,5a 34,Sb

20 5.941,11, 16,2a l,Sa • 39,2c

Teste F 22,76" 0,I8NS 0,3INS 109,03'

dms (5 0/o) 295,1 3,4 0,1 3,6

Teste E (P x Zn) 5,66 2,01)45 0,93)45 0,88)45

CV (%) 3,9 15,6 8,3 • 8,6

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A análise de variância da produção de grãos re-velou, ainda, significância no tocante à interação 1' e Zn, o que indica que o comportamento das doses de P foi diferente em função da dose de Zn conside-rada (Fig. 2).

A resposta do milho à adubação com 1' e Zn (Fig. 3) foi detenninada por meio de uma superficie de resposta de segunda ordem, considerando-se como variável dependente a produção de grãos, e,

como variáveis independentes, as doses de P e as doses de Zn. A equação obtida: Y = 2918,45 + + 34,60 P + 41,19 Zn - 0,07 P 2 - 2,23 Zn 2

-1-+ 0,32 P Zn (R2 = 0,95**) foi utilizada para estimar

a produção de grãos de milho (Y). A Fig. 4 apresen-ta as combinações de 1' e Zn, que induzem a uma mesma produtividade (isolinhas), e representa cor-

8800 8.000- • 1, r1800 4; Z 6800

1

E

1

K

y.

o

200 FÕ.forO(kgh('diP,O.) O 5 10 IS 20 25 30 35

Fósforo no solo (nig dm4) FIG. 3. Produção de grãos de milho (kg/ha) em fun-

ção da dose de P e Zn.

FIG. 1. Produção de grãos de milho em função dos teores de P no solo. $ - - 20[o00 ...:.

-'TI

--Pd.ZnO •Yt72+fl,l215XIJt'.5.Itl Pd. ZnS .Yt551.IO+aalOeXu,'. "ei _*Pd. Zn io.Y-tm2a+aXt'.0,..l - -.-Pd.ZnIS.Y:tl*o5+ahemhiR'.e,flI - P d. Zn 20' Y - 5,4W47 + X P1 0W "e o lq O ' 50 100 150 200 - - O 40 50 120 160 200

F&foro (kg he" de P20,1 -. Fósforo (kg há4 de P,0,)

FIG. 2. Produção de grãos de milho em função de do- FIG. 4. Isolinhas da produção de grãosde milho, em

ses de P. - - -. função de doses de P e Zn.

8.5 7,5 e 5.5 1 5.5

1

3.5 - 2,5

(5)

RESPOSTAS DO MILHO À ADUBAÇÃO 1035 tes realizados na Fig. 3 nas produtividades

apresen-tadas.

Nota-se, nessas Figuras, que o efeito da ção fosfatada é mais pronunciado que o da aduba-ção com Zn. Assim, podem ser atingidas produçôes de grãos de até 6.000 kg ha', utilizando-se somente P; para produções superiores a este valor, é necessário, além do P, a inclusão do Zn na aduba-ção.

CONCLUSÓES

1. A adição de P aumenta significativamente a produção de grãos de milho; esse efeito é mais ex-pressivo na presença de Zn.

2. A adubação fosfatada não altera significativa-mente as concentrações de Zn nas folhas.

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