UMA VIRGEM PARA O SHEIK
UM ROMANCE SHEIK
SOPHIA LYNN ELLA BROOKE
Todos os direitos reservados. Copyright © 2020 by Sophia Lynn& Ella Brooke Esta história é uma obra de ficção e qualquer semelhança com qualquer pessoa viva ou
morta é pura coincidência e não intencional.
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CONTENTS 1. Capítulo Um
2. Capítulo Dois 3. Capítulo Três 4. Capítulo Quatro 5. Capítulo Cinco 6. Capítulo Seis 7. Capítulo Sete 8. Capítulo Oito 9. Capítulo Nove 10. Capítulo Dez 11. Capítulo Onze 12. Capítulo Doze 13. Capítulo Treze 14. Capítulo Quatorze 15. Capítulo Quinze 16. Capítulo Dezesseis 17. Capítulo Dezessete 18. Capítulo Dezoito 19. Capítulo Dezenove Epilogue
Capítulo Um
Laurel
O
mercado noturno de Alwadi foi feito para ser um dos lugares mais populares da cidade depois do pôr do sol. Permanecia no mesmo lugar por quase duzentos anos e todas as noites lotava de pessoas procurando o estranho, o belo, o bizarro e o inesperado.Diziam que o mercado tinha alguma coisa que favorecia todos os gostos, e Laurel Phillips sabia que ficaria encantada com as luzes brilhantes e cantos escuros se não tivesse acabado de perder seu trabalho naquela tarde.
Não, ela pensou de forma sombria. Assim fica parecendo que fui eu que errei. Faz parecer que eu estava... sei lá, ensinando xingamentos às crianças ou saindo antes do horário todas as noites, ou algo assim.
Infelizmente, não havia uma palavra certa para descrever o que é voar meio mundo e, ao retornar, descobrir que a fundação que havia prometido alojamento, alimentação e emprego por dois anos tinha sido substituída por um lugar que vendia bebidas sofisticadas de melão.
Ok, se existisse uma palavra para isso, provavelmente seria uma palavra muito legal...
Laurel achava que deveria estar se familiarizando com as coisas, já que estava começando a achar graça. Certamente, não havia graça quando tentava descobrir o que havia acontecido com a oportunidade de lecionar e com a linda garota com roupas da moda e que cuidava da loja de bebidas de melão lhe dizendo para comprar uma bebida ou dar o fora.
Conforme descobriu, ela ainda não tinha ideia de onde a escola de inglês tinha ido parar, ainda tinha menos de cem dólares em sua conta bancária e não tinha onde dormir.
Decidiu, então, que era melhor achar isso engraçado, porque se Laurel se desse tempo para pensar sobre isso, sentaria no meio-fio e começaria a chorar.
E eu não posso começar a chorar. Eu preciso vender todas as minhas coisas.
Depois de chamar a atenção em dois pontos do mercado noturno, um dos vendedores de sorvete frito sentiu pena Laurel e direcionou-a a uma das zonas livres, cujos vendedores sem licença poderiam vender sem incômodos. Foi assim que ela se viu imprensada entre um homem alegre, que vendia o que com certeza eram bolsas falsificadas, e uma mulher que vendia o que parecia ser sabonete esculpido.
Para começar, Laurel colocou suas coisas por cima de uma toalha, esperando que alguém fizesse uma oferta em seus fones de ouvido, um velho MP3 player, talvez as cópias surradas de seus romances favoritos ou as poucas joias que mantinha em sua única bolsa.
Depois de duas horas de pessoas passando sem fazer contato visual, no entanto, ela passou a acenar e esperançosamente falar sobre as coisas. A maioria das pessoas a olhava com irritação, mas uma senhora de idade deu uma única nota, com um olhar de pena e sem levar nada.
Quer saber? Eu vou aceitar. Essa foi a melhor coisa que já me aconteceu hoje.
Laurel pesquisou a taxa de conversão do rial para o dólar americano. Era o suficiente para, talvez, comprar uma bebida pequena ou um sanduíche bem simples.
Ainda é mais do que eu tinha há alguns minutos!
Não era um passo tão grande em direção a um voo para casa ou mesmo para passar a noite em algum lugar, mas pelo menos era alguma coisa.
Pouco tempo depois, alguém lhe deu dinheiro pela cópia maltratada de Nicholas Nickleby (“Tão vintage!”), estava começando a ficar mais otimista, quando um grito brotou.
De repente, todos os vendedores começaram a se mover, levando rapidamente seus carrinhos com rodas para longe, e Laurel olhou em volta, chocada.
"O que está acontecendo?", ela perguntou, e felizmente a vendedora de sabonetes do lado olhou em sua direção.
“Alguém está começando uma briga e isso significa que a polícia vai descer. Hora de encontrar um novo lugar!”
Laurel começou a agradecer, mas a vendedora correu com o carrinho sobre a borda da toalha em que estavam todos os utensílios dela. A toalha foi arrastada por alguns metros, jogando todas as coisas no chão, e Laurel teve que mergulhar na direção delas, trazendo-as de volta de uma vez só. Ela havia acabado de se levantar quando alguém, empurrando uma prateleira de laptops, quase a atropelou, então, estava no meio da confusão.
A multidão estava acelerando e os gritos haviam se transformado em algo quase ensurdecedor. Laurel não tinha outra saída senão acompanhá-los ou ser atropelada.
Vários quarteirões devem ter passado até que ela conseguisse abrir caminho para fora da multidão e chegar a uma área mais tranquila de lojas em uma rua estreita. Percebeu que essa área era deserta devido a alguma obra e deu um suspiro de alívio.
Sabia que, quando estivesse em um país estranho, deveria sempre procurar ficar em áreas com bastante gente, mas o mercado noturno de Alwadi era um dos lugares mais populosos e movimentados do país. Se não ficasse por algum momento sozinha, sentia que teria um ataque de gritos.
Laurel enfiou-se na calçada da porta de um dos restaurantes fechados, saboreando o frio da pedra em que estava sentada, o súbito silêncio e o abrigo que a escondia das ruas mais populosas.
Era um alívio, mas também a fazia pensar no tipo de situação em que estava.
Estou com sérios problemas, pensou, consternada.
Ela estava em um país estrangeiro, sem dinheiro, sem lugar para ficar e com seus únicos pertences enrolados em uma toalha.
Pensava na ânsia da empresa em trazê-la, sobre como eles haviam dito que os documentos estavam, claro, em dia. Ela tinha
passaporte, mas estava começando a suspeitar de que o visto de trabalho que haviam conseguido para ela não era o que deveria ser.
Oh, Deus, será que ao menos posso trabalhar aqui por tempo suficiente para conseguir uma passagem de avião para casa?
Não que sua casa fosse uma ideia tão melhor, mas pelo menos era o lugar onde ela conhecia pessoas que poderiam deixá-la ficar no sofá até se reerguer.
Se Laurel fosse uma outra pessoa, teria começado a chorar naquele momento. Em vez disso, percebeu duas coisas.
A primeira era o homem passando pela frente da porta com roupas que certamente pareciam bonitas demais para essa parte da cidade. Sua cabeça estava inclinada para trás e ele parecia estar no próprio mundo.
A segunda era o homem que se esgueirava por trás dele, com roupas muito menos agradáveis, um passo muito mais furtivo e com uma faca na mão.
Ah, não, Laurel pensou. E percebeu que sua noite provavelmente ficaria um pouco pior.
Capítulo Dois
Kazim
K
azim Rahal estava aproveitando-se do fato de que ele realmente não tinha nada com o que se preocupar pelo resto da noite.Era meio que um evento raro ultimamente, em tempos em que ele passava a maior parte dos seus dias supervisionando a governança de seu país e a maior parte de suas noites interagindo com pessoas que verdadeiramente poderiam transformar Alwadi na estrela moderna que ele sabia que poderia ser. Em uma noite, era visto com investidores da China ou da Índia; em outras, estava em algum dos numerosos centros culturais da cidade, procurando artistas e músicos que inflamariam a imaginação do país.
Muito de seu trabalho lhe convinha e muito desse trabalho era agradável e até mesmo prazeroso, mas a verdade era que fazia tempo desde que estivera completamente sozinho.
É estranho, ele pensou, caminhando pelo mercado noturno. Eu não sabia que sentia falta de ficar sozinho.
Assim que o pensamento passasse pela cabeça, percebia que nada havia perdido. Notava que aquilo que crescera odiando estava em tantas pessoas, as quais escondiam seus rostos dele, sorriam, cortejavam e adulavam, tudo em nome do interesse de atingir os respectivos objetivos. Kazim sabia que era simplesmente parte da forma como o mundo funcionava. Seu pai, que havia sido sheik antes dele, dizia muitas vezes que ser um governante era uma posição solitária. Só agora, anos depois de o homem ter morrido, que Kazim percebia como tais palavras eram verdadeiras.
Kazim dizia a si mesmo que o que o conduzia pela rua deserta não era nada fora do comum. Ele era dono de dois dos restaurantes que estavam sendo reformados e dizia a si mesmo que queria ver como estavam ficando.
Se, no entanto, fosse para ser mais honesto, teria que admitir que algo nele ansiava pelo silêncio. Ele queria ficar longe de tudo, cuja escuridão da rua era mais acolhedora do que ele poderia crer.
Kazim estava tão envolvido em seus pensamentos que não percebeu o homem que vinha atrás dele, até que ouviu alguns passos pesados correndo e um flash prateado em meio às luzes irregulares.
"Seu dinheiro", veio a voz rouca. "Passa tudo."
A ordem foi acompanhada por um golpe de algo afiado nas costelas de Kazim. Para a maioria das outras pessoas, a dureza da ordem e a ameaça física iminente bastariam para paralisá-las e torná-las complacentes.
Porém, Kazim foi treinado por alguns dos melhores instrutores de artes marciais do país e, embora um assalto e um assassinato político não fossem a mesma coisa, certamente não eram tão diferentes assim.
Kazim afastou-se da lâmina, para os lados e não para a frente, e, no mesmo movimento, pegou o punho segurando a faca, forçando-o para cima. Isso o trazia mais próximo do homem do que ele teria preferido estar, mas também permitia que ele colocasse o pé em torno do tornozelo dele.
Se tudo tivesse saído de acordo com o plano, teria estatelado o homem ao chão e encerrado o assunto rapidamente. Em vez disso, o homem recuou, colocando os pés debaixo dele e os braços longe de Kazim.
Ele recuou alguns metros, grunhindo e, em vez de fugir, lançou- se novamente a Kazim, que estava preparado, para não dizer totalmente satisfeito com o que estava acontecendo. Ele sabia muito bem quea melhor chance de parar o homem era no momento do ataque. Agora, era um homem com uma faca contra um homem sem uma faca, o que deixava as coisas bem arriscadas.
Pelo menos, teria sido se o atacante não tivesse parado subitamente. Kazim encarava chocado, então, os olhos do homem
se reviraram e ele caiu em uma chuva de flores brancas.
Espere, flores?
O homem estava inconsciente no chão e, atrás dele, o pesado vaso de cerâmica, ainda nas mãos dela, uma bela jovem com uma expressão bem selvagem nos olhos.
"Você está bem?", Kazim perguntou, surpreso.
Capítulo Três
Laurel
A
primeira coisa que Laurel queria dizer era: Não, é claro que não estou bem!Como ela poderia estar? Estava presa em um condado estrangeiro, acabara de ser expulsa do mercado noturno e agora havia ultrapassado todos os limites ao cometer uma agressão. Bem, a agressão foi para proteger alguém de ser apunhalado, mas ela havia tido problemas suficientes com a lei para saber que, às vezes, dependendo de quem tinha o dinheiro, ainda poderia ser considerada uma agressão.
Aí, ela largou o pote de cerâmica, que felizmente estava intacto (pelo menos não seria adicionado vandalismo à sua lista de acusações do dia), e olhou para o homem que havia resgatado.
“Hum... não era eu quem devia estar perguntando isso? Era você que ele tentava esfaquear.”
O homem, vestido com roupas bonitas, sorriu levemente.
"Ameaçar, não esfaquear", disse ele. "Se eu tivesse dado a minha carteira, provavelmente não correria nenhum perigo."
Laurel olhou para o homem que ainda estava caído no chão. Ele estava respirando, e ela felizmente não era uma assassina.
Cautelosamente, chutou a faca da mão dele, porque a última coisa que queria era que alguém tivesse que lidar com isso novamente.
Ela olhou de volta bem a tempo para ver que o homem resgatado falava ao telefone. Laurel não conhecia muito a língua árabe, mas sabia que ele estava dando coordenadas a alguém.
Ficou aliviada por um momento e por ele estar chamando a polícia, que teoricamente saberia como lidar com isso, então, lembrou-se de quão precária era a sua posição.
Oh, não... sem polícia...
Ela tentou fugir de uma maneira astuta e silenciosa. Poderia ser a mulher misteriosa que o havia ajudado e depois se desintegrado de volta às sombras, como uma super-heroína. E, claro, foi aí que o pé dela foi de encontro ao pote, chutando-o e quebrando-o bem ao meio.
Eu me segurei tanto para isso não virar vandalismo, pensou retraída, mas foi o que também fez o cara estranho olhá-la.
Refletindo sobre o momento tempos depois, Laurel preferia pensar que estava tomando a decisão correta. No entanto, do que ela mais se lembrava era a onda de pânico e a forma com a qual ela reagia a isso.
Correu de volta para a iluminação forte e para as grandes multidões do mercado noturno e, atrás dela, ouvia o homem gritar com surpresa, enquanto a perseguia.
A barulheira do mercado noturno, a música e a atmosfera clara deveriam ter dado toda a cobertura de que precisava para fazer o truque do desaparecimento, mas o homem que a perseguia era tenaz. Laurel se esquivava de um grupo de mulheres discutindo em torno de uma prateleira de vestidos, perto de um homem que estava fritando algo com um cheiro incrível e havia acabado de olhar para trás para ver se tinha despistado o perseguidor, quando se deparou com um homem empurrando um carrinho cheio de macaquinhos de brinquedo.
Laurel correu em direção a ele com um baque de doer os ossos e o homem ficou gritando, havia macacos por toda a parte, e ela estava com as costas no chão. Tinha uma leve sensação de que tudo havia terminado.
Como logo se revelou, ela não havia despistado o estranho. Ele apareceu, deu dinheiro ao vendedor de macacos de brinquedo para atrair o olhar dele e, depois, virou-se para Laurel, estendendo a mão. Ela pegou automaticamente, deixando-o ajudá-la a se levantar, e quando ele sorriu, ela sentiu o coração bater mais rápido.
“Eu só queria agradecer você. Venha comigo?"
Laurel sabia qual era a resposta certa. O mais inteligente – e seguro – seria aceitar o agradecimento e desaparecer, voltando à multidão. No entanto... havia algo nela que dizia para não fazer isso.
"Eu nem sei o seu nome", disse ela, apoiando-se, e ele sorriu pacientemente.
“O meu nome é Kazim. E qual é o seu nome?"
"Laurel."
“Pronto, viu? Já nos conhecemos. Praticamente amigos. E amigos levam um ao outro para jantar em agradecimento, não é?”
O homem que segurava a mão dela era ridiculamente bonito, com cabelos pretos grossos e um rosto que fora resgatado da masculinidade total por uma boca que a fazia corar. Ele era alto e magro, bonito o suficiente para ser ator, mas não era isso que a fazia ficar paralisada. Em vez disso, era um sentimento que parecia emanar dele, de bondade, que parecia assegurá-la de que tudo ficaria bem.
No fim das contas, ela relaxou o bastante para não ter um ataque de gritos noite afora.
“Uhm, tá bom. Aonde você quer ir?"
*
A resposta veio em forma de uma sala reservada nos fundos de um restaurante. O homem que se apresentava como Kazim conduziu-a por uma curta distância até uma rua mais tranquila e a um restaurante que produzia os cheiros mais divinos.
"Minha família come aqui desde que foi inaugurado, em 1856, e existe uma razão para isso", disse Kazim com um sorriso. "Eu acho que nós dois podemos recuperar um pouco da nossa compostura com alguns dos excelentes alimentos."
O primeiro instinto de Laurel foi recusar, mas sentiu o cheiro dos espetinhos de carneiro e percebeu que não comia desde aquela manhã. Ela tentou ser sutil quanto à quantidade de comida que estava comendo, mas com o jeito divertido que Kazim a olhava imaginou que não estivesse conseguindo.
"Obviamente, não estão alimentando você o suficiente onde quer que esteja", comentou. E, quando ela se encolheu, ele pareceu preocupado. "Eu disse algo errado?"
"Não. É que eu sou meio idiota.”
"Eu sinceramente duvido de que..."
“Bem, uma das maneiras pelas quais me convenceram a assinar o contrato foi oferecendo hospedagem e alimentação gratuitas, incluindo três refeições ao dia. Eu não tenho ficado bem o bastante para deixar isso passar tão facilmente. Mesmo que eu tivesse.”
Kazim franziu o cenho. "Com quem você assinou um contrato?"
Por um breve momento, ela se perguntava se deveria contar tudo isso. No entanto, naquele momento, sentia-se tão satisfeita e aliviada por ter baixado a guarda que suspirou um pouco. “Perdida por cem, perdida por mil”, ela pensou.
“Era uma empresa internacional de instrução de inglês chamada Wings for English. Eles recrutam e preparam você para falar inglês em países estrangeiros. Prometem um salário decente, alojamento e alimentação, muitas coisas que parecem muito boas. Nem sequer exigem um diploma universitário.”
Kazim franziu o cenho. "Isso... parece excessivamente bom para ser verdade!"
"Então, eu paguei a eles minha taxa de registro..."
"Oh."
“Sim, essa foi uma péssima ideia, pensando agora. Paguei uma taxa de registro para que eles pudessem cuidar do meu visto e da documentação, e então lá estava eu, em um avião para ensinar inglês a adoráveis crianças em idade escolar.”
"O inglês é obrigatório em todas as escolas de Alwadi há quase cinquenta anos", destacou Kazim, e ela se encolheu.
"Pois é, todo mundo fala inglês muito bem por aqui."
"É o que acontece quando a Inglaterra tenta nos dominar a cada cem anos ou menos."
Algo sobre isso parecia engraçado para Laurel e ela não parava de rir, recostando-se na cadeira acolchoada e cobrindo um pouco o rosto.
Kazim olhou-a com surpresa. "Eu não achei engraçado."
"Bem, de fato foi, e depois do dia de hoje, percebi que é melhor aproveitar toda a diversão que eu puder."
"Então, você correu porque estava preocupada que a polícia viesse?"
"Sim. Eu provavelmente não estava pensando muito bem depois de ter, uhm... agredido um homem.”
"Estou feliz que você o tenha feito e prometo que não sofrerá dano algum por me ajudar."
Ela sorriu um pouco. "Você parece muito certo sobre isso."
Kazim tomou um gole de água, sorrindo enquanto o fazia. "Sim, de fato estou. Você tem algum lugar para ficar esta noite?”
Laurel conteve a pequena (ok, não tão pequena) voz lá dentro da cabeça que dizia para que ela respondesse. "Esperançosamente, com você?".
"Não tenho. Achei que poderia... não sei, vagar em torno do mercado noturno e, em seguida, tentar cochilar na estação de ônibus ou na biblioteca, ou algo assim.”
Kazim olhou para ela, que deu de ombros em defensiva.
“É mais seguro ficar acordada durante a noite e dormir durante o dia. Preciso descobrir como ir para casa e, então, para qual lugar do mundo irei quando eu... não posso me dar ao luxo de ser exigente.”
"Não. Você não vai vagar por aí como um gato de rua. Você pode ficar no apartamento comigo.”
Ela o olhou de cima a baixo com cautela. "Olha, você é bonito, de verdade, mas eu não sou o tipo de pessoa que faz sexo casual..."
Ele a olhou, impaciente. "Nem eu. Mas você acabou de me ajudar e isso significa que eu não posso, em sã consciência, deixar que vá por aí na esperança de encontrar um lugar confortável na estação de ônibus.”
"A maioria das pessoas deixaria." Era a verdade. Ela poderia ter apenas vinte e dois anos, mas estava sozinha por mais tempo do que gostava de pensar. A maioria das pessoas se comoveria simbolicamente e ficaria mais do que feliz em deixá-la dormindo na estação de ônibus.
"Eu não. E meu apartamento é bem perto daqui. Será muito mais seguro e prometo a você que não tentarei fazer qualquer coisa...
inconveniente ou repugnante.”
Que vergonha, aquela pequena voz ecoou novamente, que ela ignorou com um suspiro.
"E você promete que eu não vou me arrepender, de verdade, de fazer essa escolha?"
Kazim sorriu e Laurel não conseguia deixar de sorrir de volta.
Não havia razão alguma no mundo inteiro para que ela confiasse nele... mas, por algum motivo, confiava.
Ele pagou pela comida e, para surpresa dela, ofereceu-lhe o braço. Deveria soar totalmente descarado, algo completamente embaraçoso, mas ele o fazia com total sinceridade. Ela pegou no braço dele e passaram a andar pelas ainda animadas ruas.
Capítulo Quatro
Kazim
E
m algum momento, na caminhada de volta para o pequeno apartamento que Kazim possuía no mercado noturno, ele percebeu que Laurel não tinha ideia de que ele era o sheik de Alwadi. Isso não era um erro que muitas pessoas no país cometeriam, nem mesmo os turistas, e ele se sentia levemente satisfeito pelo andar dos acontecimentos.Poderia ter sido porque ela estava exausta depois de um dia angustiante, mas não havia pretensão nela. Laurel não estava interessada em pedir um favor ou no cachê social por ser vista andando com ele. Ela parecia querer uma boa refeição e uma soneca, e isso era algo que ele podia dar.
Ele poderia, também, certificar-se de que a empresa de ensino de inglês que a havia enganado fosse punida em toda a extensão da lei, mas isso poderia ser feito depois.
O apartamento no quarto andar de um dos edifícios mais antigos no mercado tinha sido comprado por um capricho. Não tinha nada a ver com o palácio ou com a cobertura em que ele passava a maior parte do tempo. Em vez disso, era uma arquitetura que remetia a uma era elegante mais decorativa, com armários de madeira esculpida, quartos altos pintados de azul-claro e telas de latão que davam, à luz e às sombras, formas estranhas.
Kazim observava enquanto Laurel percorria a sala como uma gata de rua curiosa, movendo-se cautelosamente, como se cada passo pudesse desencadear uma armadilha, porém muito curiosa para ficar parada.
Agora que podia vê-la sob uma luz melhor, ficou surpreso com quão adorável ela era. Em sua perseguição pela velha cidade e pelo tempo que passaram no restaurante, Kazim tinha uma leve impressão de ela ter cabelos esvoaçantes e grandes olhos verdes.
Chegando um pouco mais perto, ele podia ver que ela era mais do tipo cheia de curvas, com uma pequena cintura e quadris que se curvavam mesmo sob a saia ampla. Os cabelos castanhos tinham reflexos dourados e iam quase até a cintura. A blusa, que certamente já tinha visto dias melhores, traçavam uma figura que chamaria sua atenção uma segunda e terceira vez se ele estivesse saindo em busca de diversão.
Então, Kazim riu um pouco de si mesmo. Achava que ela tinha uns vinte e poucos anos. Ele tinha pelo menos cinco anos a mais que ela, talvez mais, e o tempo para esse tipo de diversão já passou bastante para ele. Afinal, tinha dito que não dificultaria as coisas.
Admito, fiz essa promessa antes de ver como ela era, pensou, achando graça. Mas ainda assim era uma promessa.
“Uhm. Você tem certeza de que eu posso ficar aqui?”, ela perguntou, e Kazim inclinou a cabeça, curioso.
"Por que não teria?"
“Porque... bem. Você tem dinheiro. Esse lugar é muito legal.”
Alguma coisa na maneira desanimada com que ela falava, no nível de nervosismo dela, tocou o coração dele. Kazim andou até Laurel e, impulsivamente, pegou em sua mão.
"Isso não importa."
"Geralmente importa", ela contestou, e ele riu.
“Bem, você está certa, mas não importa nesta noite. Hoje à noite, tudo que você precisa fazer é descansar, recuperar-se um pouco da sua provação e dormir. De manhã, conversamos mais.
Parece bom para você?”
"Parece incrível", disse ela com um suspiro, e algo naquele pequeno som sensual o atingia em cheio. Tão perto assim era possível ver as sardas levemente dispersas pelo nariz, quão cheios eram seus lábios, quão bem ela preenchia aquela blusa.
Felizmente, ela não parecia notar, dando um passo em direção ao banheiro.
“Você se importa se eu tomar banho? Quero dizer, tomei um hoje de manhã, mas parece que foi há tanto tempo...”
"Claro. Você pode fazer o que quiser.”
Ela sorriu para ele e, por algum motivo, Kazim percebeu que seu coração batia um pouco mais rápido. Laurel era mais do que bonita quando um pouco daquele medo sumia do seu olhar.
Um pouco de tempo, um pouco de trabalho e ela poderia se tornar uma verdadeira beldade.
Kazim teve que rir um pouco de si mesmo. Fazia mesmo muito tempo desde a última vez que passou alguns momentos com uma mulher bonita? As coisas o mantinham ocupado já há tempos e era verdade que seus conselheiros e compatriotas no governo começavam a sugerir que talvez fosse hora de ele se estabelecer com uma esposa adequada.
Decidiu que a probabilidade maior era de que ele estivesse apenas cansado, descartando o resto dos pensamentos com um aceno de cabeça. Ele ouviu a água cair no banheiro e sentiu um arrepio peculiar ao saber que ela estava nua a apenas uma porta de distância, com água deslizando pelas suas curvas.
Eu preciso de uma folga, ele pensou decisivamente, e se afastou.
Ocupou-se com algum trabalho em seu tablet por um curto período e ficou compenetrado o bastante para não perceber que a água tinha parado de cair ou que a porta havia sido aberta.
“Uhm, eu encontrei um roupão na parte de trás da porta. Espero que você não se importe.”
Ele olhou na direção dela e tudo o que havia pensado sobre Laurel ser bonita – e possivelmente linda se ela se dedicasse um pouco – foi jogado pela janela.
Ela apareceu ao lado do sofá como uma espécie de miragem, os cabelos despenteados e ainda úmidos, a pele brilhando com água e sabão. Em vez de roupas baratas, ela usava o próprio roupão dele, de seda verde, uma cor que, por poucos tons, não era a mesma dos seus lindos olhos. Ela amarrou o roupão na cintura, que era grande demais. O roupão chegou a se abrir um pouco para revelar a pele cremosa que Kazim, subitamente, queria muito tocar. Sabia quão
escorregadia a seda era, quão facilmente podia ser deslizada em direção ao chão.
"Kazim?"
“Uhm? Oh, desculpe-me. Claro, eu deveria ter pensado nisso.
Pode usar o roupão, se quiser.”
Laurel sorriu, renovada depois de ter feito uma refeição completa e depois de algum tempo para descansar do trauma da manhã. Eu tenho minhas roupas. Quero dizer, aquelas que não consegui vender. Mas eu as deixei na minha bolsa ali e me esqueci de levá- las ao banheiro.”
Você poderia ter apenas saído nua, Kazim se pegou pensando.
"Tudo bem", disse ele. “A porta à direita do banheiro é sua. Você precisa de mais alguma coisa antes de eu me retirar?”
Ele estava cansado, mas não tinha certeza de que estava com tanta vontade de dormir. Na verdade, ele conseguia pensar em uma dúzia de coisas as quais preferiria ficar acordado e fazer. No entanto, havia decidido que, pelo menos nesse caso, a discrição era a melhor parte do valor e isso significava que ele precisava colocar alguma distância entre ele e a infeliz americana.
"Não. Você já fez muito. Obrigada."
Kazim sorriu e levantou-se para ir para a própria cama, mas de alguma maneira conseguiu andar em direção a Laurel. Subitamente, eles estavam a centímetros de distância; Kazim olhando para o rosto virado para cima, incapaz de desviar os olhos dos lábios rosados e ligeiramente entreabertos.
Ela fez um barulho suave de surpresa e, pela primeira vez no que parecia um tempo demasiadamente longo, o autocontrole de Kazim se quebrou.
Naquele momento, não havia nada no mundo que pudesse impedi-lo de tomá-la em seus braços, arrastá-la para perto e beijar aqueles belos e perfeitos lábios.
Ele teve mulheres por todo o mundo, lindas, aclamadas pela beleza e talento. Mas nada o havia preparado para esse beijo.
Um simples toque de seus lábios foi suficiente para enviar um calor profundo pelo seu corpo e, quando ela abriu a boca surpresa, ele pôde prová-la. Ela era deliciosa, como algo feito perfeitamente para e somente para ele. Ele bebeu do suave gemido de prazer,
segurando-a ainda mais apertado enquanto ela se agarrava a ele.
Viu-se incapaz de resistir em explorar a boca dela com a língua. Ele queria aprender tudo sobre Laurel, queria saber como seria quando a tocasse, como soaria quando ele a deitasse em sua enorme cama, como sua pele pálida quase brilharia contra os lençóis pretos...
De repente, ela o afastou com os olhos arregalados. A gola da túnica se abriu, revelando-a ainda mais, mas a única coisa que Kazim podia ver eram os olhos, escuros e arregalados, e o fato de que ela parecia estar prestes a tropeçar. Ele se amaldiçoou.
"Laurel, desculpe-me."
"Você... você disse que não haveria um preço por isso..."
“E não há. Eu sinto muito. Isso não vai acontecer novamente.”
Parecia que ela ainda não acreditava nele, e ele sabia que não podia culpá-la por isso. Ele suspirou, balançando a cabeça contra a própria falta de controle.
"Eu sinto muito. Fique. Há uma fechadura na sua porta para o caso dela lhe trazer mais conforto. Por favor."
Ela assentiu e, sem palavras, recuou para o quarto.
Kazim ficou onde estava por vários longos momentos, finalmente suspirando e balançando a cabeça.
Ela teve, de todas as formas, um dia terrível. E eu tinha que piorar tudo.
Ele foi para o quarto e resolveu parar de pensar nela, em como ela havia se sentido em seus braços, em como só de beijá-la havia sido suficiente para chamuscar todo o corpo dele.
Capítulo Cinco
Laurel
N
a segurança de um quarto só seu, Laurel trancou a porta. A trava girou com um clique gratificante e ela não conseguia parar de tremer um pouco.Sabia, no entanto, que não era medo que a estava fazendo tremer; pelo contrário, era excitação e ela não tinha noção do que fazer com isso.
Não tem como, de maneira alguma, eu querer... querer fazer isso depois do dia que tive.
Porém, havia outra parte que a desmentia. Depois de uma refeição e um banho, sentia-se imensamente melhor e isso já ocorria antes de Kazim beijá-la. Ou ela beijá-lo. Tudo estava bem borrado nesse momento.
Tudo que Laurel sabia era que, em um momento ela estava tentando se conter dentro do roupão imensamente grosso e luxuoso que estava usando, em outro momento ela estava olhando dentro dos olhos, escuros como a noite, sentindo de alguma forma a fome que crescia dentro dele. Ela teria se assustado bastante se não estivesse sentindo o mesmo.
Ela não era tão inocente assim. Havia se deitado com homens antes e se descobriu... bem indiferente à sensação. Estava tudo bem, ela supunha, mas no fim das contas não conseguia enxergar o motivo de toda a excitação ou por que as namoradas ficavam tão apaixonadas por um cara depois de vinte minutos de uma pegação desajeitada no banco de trás do carro.
Laurel se perguntava se ela era ligeiramente frígida, mas agora parecia que não era o caso. Agora, parecia que era exatamente o oposto.
Ugh, eu preciso parar de pensar nisso! Acabou e tenho que manter a cabeça no lugar, porque preciso voltar para casa. Não vou mais pensar nisso.
Estava decidida a não pensar em nada além de dormir, enquanto se arrastava pela enorme cama. Era provavelmente a coisa mais confortável em que ela já havia dormido e fechou os olhos...
Só para abri-los de novo alguns momentos depois.
De alguma maneira, apesar de tudo que havia acontecido, apesar de ter saído de um voo transatlântico naquela manhã, apesar de ter tido seu mundo inteiro virado de ponta cabeça, ela não conseguia dormir.
Faria mais sentido se ela fosse incapaz de parar de pensar em sua situação ou sobre como tinha sido nocautear um cara ou qualquer coisa do tipo. Em vez disso, tudo em que ela conseguia pensar era na boca de Kazim na dela, como deve ser o corpo dele pressionado o dela, como deve ser o gosto dele.
E tudo que ela conseguia pensar era em querer mais.
Bem... e se ele me disse para trancar a porta... mas não trancou a dele...
Era, tinha que admitir, uma lógica frágil, mas Laurel levantou-se da cama, deslizando a túnica luxuosa em volta dos ombros novamente. O corredor estava silencioso e o chão de azulejos estava gelado contra os pés descalços. Ainda assim, hesitou em frente à porta que sabia ser a dele.
Vamos lá. Você foi corajosa o bastante para atravessar o oceano na esperança de encontrar um emprego que pudesse alimentá-la.
Você é corajosa o suficiente para isso, não é?
A resposta acabou sendo sim e a maçaneta em sua mão girou silenciosamente. Ainda havia uma luz acesa, uma lâmpada pequena e adorável ao lado de uma cama enorme, que deve ser clássica.
Uma coluna esculpida de forma entrelaçada se erguia de cada um dos cantos, e Laurel podia ver Kazim no centro, ao seu lado, afastando-se dela.
Algo sobre a cena tocava um acorde profundo dentro dela.
Sentia como se fosse uma espiã entrando furtivamente nos aposentos de um príncipe, vendo algo que certamente não era para os olhos dela. Um misto de curiosidade e nervosismo fluía. Ela poderia ter se retirado, mas Kazim se sentou na cama.
Havia algo diferente sobre ele quando estava recém-acordando, algo vulnerável em sua boca linda, algo juvenil na maneira como os cabelos estavam amassados do travesseiro. Ele piscou para ela por um momento e, depois, estendeu a mão em sua direção.
"Laurel", disse ele, com a voz rouca. "Venha aqui."
Não havia nada nela que desejava recusar. Com mais confiança do que acreditava ser possível, ela atravessou o chão até a lateral da cama, mas lá os seus nervos tomaram conta.
"Eu... eu não sei..."
Laurel gaguejou as palavras por alguns momentos. Ela estava nervosa porque poderia irritar Kazim ou talvez fazê-lo rir dela, mas quando ela olhou na direção dele, a única coisa em seu rosto era um foco concentrado nela, na sua forma, nas suas palavras, em todo o seu ser.
"Você não sabe se quer estar aqui?", ele perguntou, suavemente. Havia algo aveludado em suas palavras que ela nunca ouvira antes. Suas palavras eram gentis, mas foi o tom dele que a envolveu, despertando um calor profundo dentro de seu núcleo.
"Eu quero estar aqui", disse ela, baixando o olhar. "Eu quero estar com você. É só o resto...”
Kazim fez um barulho baixo em compreensão e deslizou para a beira da cama, sentando para que ela ficasse entre os joelhos dele.
Laurel perdeu o ritmo da respiração quando percebeu que ele dormia nu, mas Kazim estava tão incomodado com sua nudez quanto com a tinta nas paredes.
Você é muito bonita, Laurel. Você é uma bruxa que me enfeitiçou? Cada vez que a vejo, parece mais bonita...”
"Eu acho que você está exagerando um pouco", disse ela com uma risada nervosa, mas ele balançou a cabeça.
"Não. E cada vez que a vejo, fica um pouco mais difícil resistir...”
Ela ia começar a perguntar o que ele queria dizer, mas Kazim se debruçou, abrindo o roupão e descobrindo a faixa de pele que corria
entre os seios até a barriga.
"Oh!"
Kazim riu. "Ah, eu pretendo ir bem mais longe se você deixar, linda."
Ela pensou que ele tiraria o resto do roupão, mas, em vez disso, ele esfregava a faixa de pele nua revelada. Havia um tipo estranho de prazer em olhar para baixo e ver a cabeça escura dele pressionada tão perto dela, e ela sentiu calafrios quando os lábios dele se moveram da garganta para baixo entre os seios e depois para a parte de cima da barriga.
Uma dúzia de coisas surgiam em sua mente: todas as vezes que Laurel queria desviar a atenção de suas curvas, essa vergonha peculiar a acompanhava pelo fato de ser mais desenvolvida do que as outras meninas quando criança, um nervosismo que ninguém jamais desejaria passar. Os pensamentos a esmagavam por um momento e, em seguida, em um gesto tão simples como a queda de uma folha em um córrego, ela os deixou ir. Deixou tudo correr, com exceção da sensação doce, agradável e levemente delicada do que ele fazia com ela. Ele descia até o nó na cintura dela e, então, voltava, dessa vez subindo enquanto alcançava sua garganta e a lateral do pescoço.
Ela emitiu um som suave e choroso ao sentir os dentes dele naquela parte sensível. Laurel sabia que ele não era uma ameaça, mas não podia deixar de ficar ofegante quando sentia os dentes afiados contra o ponto do seu punho. Ele parou ali, como se estivesse encantado com a sensação da sua pulsação contra os lábios dele, e endireitou-se para olhá-la.
- Você é tão perfeita, Laurel, ele murmurou. Ela pensou em argumentar, apontar as miríades de imperfeições que lhe eram ditas desde a juventude. No entanto, antes que ela pudesse abrir a boca para fazê-lo, ele a beijou.
O beijo, assim como o de antes, deixava-a em chamas. Ela havia notado um calorzinho no fundo da barriga, mas, mais do que isso, era como se fogos estivessem se acendendo pelo corpo todo. Era como se ela fosse uma paisagem seca e murcha por toda a vida e agora um fogo estivesse inesperadamente rugindo por dentro. Nada
seria a mesma coisa e Laurel não tinha ideia do que poderia acontecer ou como a paisagem poderia ficar no fim de tudo.
"Kazim ...", ela murmurou contra os lábios dele, e ele passou a língua sobre o lábio inferior, quase provocando, antes de recuar.
"Ah, eu vou fazer você se sentir muito bem esta noite, pequena americana", ele sussurrou. "Você me permite? Só diga sim...”
Laurel assentiu, mas Kazim pegou o queixo na mão, fazendo-a olhar para ele.
"Diga." Sua voz ainda era suave, mas desta vez havia um ar de comando inconfundível. "Diga para mim."
Ela precisou de alguns instantes e algumas tentativas para encontrar a voz, mas finalmente olhou para ele e falou, com voz fina, porém verdadeira.
"Sim. Sim, eu quero você..."
Ele sorriu, com os dentes brancos brilhando, e antes que ela percebesse o que estava acontecendo, Kazim levantou-a em seus braços, virando-a. Laurel gritou enquanto ele a pressionava de volta para a cama, espalhada por aquela superfície enorme, como se ela fosse algum prêmio que ele ganhou.
Ele recuou um momento como se quisesse admirá-la e pegou o nó que mantinha o roupão preso. Laurel percebeu que o amarrou de forma descuidada, porque ele se abriu como água. Os lados da veste se abriram, deixando-a totalmente nua aos olhos de Kazim.
Seu olhar sombrio era quase excessivo. Sem pensar, Laurel levantou as mãos para se proteger do olhar, mas Kazim as puxou de volta para os lados.
"Não", ele disse, em um tom irresistível. "Eu quero olhar para você, e você não tem permissão para ficar nervosa ou envergonhada na minha cama."
Ela poderia ter dito que era fácil dizer isso, mas percebeu que ele estava dando permissão. Não havia convenção social para obedecer aqui. Kazim certamente não estava pedindo desculpas.
De repente, Laurel sentia-se como uma cinza soprada do fogo, queimando e subindo cada vez mais alto no ar.
Ela choramingou quando Kazim plantou o joelho entre as pernas dela, erguendo-se para que pudesse beijá-la novamente. Ele a aninhou gentilmente e, dessa vez, não se limitou a uma faixa nua de
pele pelo torso dela. As mãos de Laurel subiram para percorrer os cabelos escuros e, quando sentiu os lábios dele se moverem sobre os seios cheios, ela reflexivamente apertou os dedos.
Ela quase se desculpou, porque certamente isso deve ter doído, mas ele só lambeu com mais força os seios em resposta, encontrando lugares sensíveis nas laterais e por baixo que ela nem sabia que existiam. Como diabos ele estava encontrando tantos lugares estranhos e secretos no corpo dela?
Quando ele finalmente se moveu um pouco mais para baixo, Laurel já estava tremendo. Parecia que as sensações que ele nutrira nela eram muito fortes para o corpo dela, simplesmente muito fortes para ela se conter. Sentia como se estivesse tremendo à beira de algo que não entendia e seu corpo começava a se apertar para lidar com isso.
Laurel ficou ofegante quando Kazim foi mais para baixo na cama, deitado entre as pernas abertas. Ela se sentia muito vulnerável e quase se cobriu novamente, mas lembrou-se do que ele havia dito. Em vez disso, ela engoliu em seco quando Kazim abriu suas pernas. Já que ela não ofereceu resistência, ele a beijou em volta das coxas como uma recompensa.
Era tão bom, mas ainda assim ela estava despreparada quando ele abriu ainda mais as pernas e abocanhou a carne sensível e íntima ali. Ela gritou de surpresa, tentando fechar as pernas, mas ele não permitia. Em vez disso, inclinou-se e abocanhou novamente, agora com os lábios e a língua. Laurel podia sentir quão surpreendentemente molhada ela ficava e quase podia sentir quanto Kazim gostava. Ele estava provando-a como se fosse algo requintado, e ela estremecia, necessitada dele.
Quando ele encontrou o clitóris, ela gritou, com a mão pousando no cabelo dele. Dessa vez, não conseguia parar de torcer os fios escuros, mais por autodefesa do que por qualquer outra coisa. Ela precisava de controle, precisava de algo para se agarrar, mas ao mesmo tempo que ele permitia que ela puxasse os cabelos dele e gritasse, ele também não parava.
Ele não vai parar a menos que eu diga para ele parar.
O pensamento foi um momento de clareza no meio de tudo o que eles estavam fazendo e a fez recuperar o fôlego, maravilhada.
Ela arqueou-se contra ele, torceu os quadris, mas não, ele não se mexia.
Liberdade, isso é liberdade, ela pensou, e deixou-se levar pelo que Kazim estava oferecendo.
Como se fosse para recompensá-la por se entregar, Kazim se enterrou mais fundo entre as pernas, lambendo com força o ápice de sua fenda, em que algo muito mais sensível esperava. A cada movimento colocando a língua em contato com o clitóris era como se o corpo dela se apertasse cada vez mais. Laurel cravou as unhas nos ombros dele porque não tinha outra escolha. Precisava se agarrar a algo ou acabaria se perdendo no espaço, girando para sempre.
Laurel ofegou com o prazer de sua boca e, então, os dedos dele encontraram sua abertura escorregadia. A princípio, era estranho sentir os dedos dele lá, mas logo seus gentis toques de reconhecimento fizeram com que ela o desejasse ainda mais.
“Oh, oh, eu preciso de você, Kazim”, ela suspirou, e mais da metade de seu riso era um doloroso gemido de desejo.
"Você não terá que esperar mais, minha querida..."
Sem mais delongas, ele trocou de posição para se apoiar em cima dela, sobre ela, inclinando-se para beijá-la. Ela estava cercada por seu próprio perfume e pelo aroma único da própria excitação.
Laurel nunca tinha dado a mínima para tal coisa, mas agora percebia quão sexy ele era, quanto ele poderia excitá-la.
Ele transformou o corpo dela com prazer, e ela sentia como se fosse um campo em chamas, iluminada por desejos mútuos.
"Você me quer, linda pequena?" ele perguntou, apertando os quadris contra os dela. Laurel se engasgou quando sentiu sua virilidade pressionar contra sua carne macia. Parecia muito grande para o que ela sabia que viria a seguir. Parecia demais e, ao mesmo tempo, nada disso importava, porque era tudo o que ela queria.
"Sim, sim", ela murmurou, deixando os olhos se fecharem.
"Toque-me, por favor, Kazim!"
“Quando você pede assim, não acho que exista um homem em todo o mundo que poderia resistir.”
Ela começou a rir disso, porque era claramente mentira. Então, ele se abaixou para guiar sua masculinidade em sua abertura. Ela
choramingou um pouco ao sentir a ponta brusca contra ela, e, quase surpreendendo-a, ele a penetrou.
Eu nunca achei que seria assim, Laurel pensou maravilhada. Ela sabia o que era sexo, claro, mas a realidade disso, a intimidade de estar tão perto de outro ser humano, de tê-lo realmente entrando nela, era fascinante.
Ela podia sentir o corpo se esticando para acomodar a circunferência dele, uma esticada que não era dolorosa, mas um prazer único.
Daí, era como se o controle de Kazim tivesse escorregado, porque ele recuou quase todo o caminho e mergulhou fundo, deslizando-se até a base em um único movimento.
Laurel abriu a boca para gritar, mas Kazim estava lá, selando a boca dela com a sua, absorvendo o prazer e a dor. Laurel se contorcia embaixo dele, chocada com a dor e como era vívida. Ela não se lembrava de alguma vez que havia sentido algo assim, mas, mesmo quando começava a absorver, a sensação começava a desaparecer.
Quando Kazim voltou a se mover um momento depois, a dor diminuiu e, em pouco tempo, desapareceu completamente, deixando-a com uma sensação de plenitude e prazer crescentes.
Era capaz de abraçá-lo e saborear quão bom era tê-lo do seu lado.
Os tons mais fracos da dor somavam algo agudo e perfeito ao prazer, algo que a deixava sem fôlego.
Era assim que os povos antigos das planícies faziam amor, pensou ela, maravilhada. Isso é o que toda mulher que veio antes de mim na minha família deve ter feito e todo homem também.
Estamos aqui por causa desse ato e, independentemente da forma que é feito hoje, ainda é perfeito.
Então, o corpo de Kazim se virou, inclinou-se para cima e de alguma forma isso mudou tudo. O prazer dentro dela, que vinha crescendo lentamente, disparou e ela agarrou-se a Kazim porque não sabia mais o que fazer. Era maravilhoso, era simplesmente maravilhoso. Era o corpo dele unido ao dela e o prazer fluindo, aquecendo-a até que ela certamente queimasse em cinzas, era quase aterrorizante.
Não há nada que eu possa fazer para impedir isso, Laurel pensou, com admiração. Este é o meu corpo, esta é a parte elementar de mim.
No momento em que pensava nisso, Kazim virou a cabeça para sussurrar em seu ouvido. “Goze para mim, querida. Eu me recuso a ficar sozinho nesse prazer.”
Era como se o corpo estivesse simplesmente à espera de permissão. Em um momento ela estava lutando por um objetivo desconhecido, no momento seguinte ela estava gritando, com toda essa necessidade e desejo queimando até a pressão acabar e, então, o alívio a inundou.
Laurel nunca havia se sentido tão plena no próprio corpo. Era esse o prazer que ela sentia falta esse tempo todo? Era por isso que outras mulheres estavam correndo atrás, lutando?
Quando o prazer diminuiu, ela sentiu o corpo de Kazim começar a acelerar. Seus impulsos tornaram-se menos constantes e ele a pressionava com mais necessidade. Por alguma razão, Laurel se chocava ao ver como podia deixá-lo tão desesperado, por ela ter algo que ele queria tão ferozmente. Ele se agarrou a ela, com seu corpo pesado por cima e os lábios ao lado de sua orelha.
Laurel percebia de uma forma vaga que ele estava falando com ela, cantando palavras suaves em inglês e árabe, sussurrando. Ela não conseguia entender a maior parte do que ele dizia, mas o significado era claro. Era um cuidado, paixão e necessidade. Então, ele empurrou uma última vez, o rosnado se encadeava pelo corpo, quase como se estivesse se imprimindo no núcleo dela.
Não existiam palavras nos momentos que se seguiram, nem faladas nem sequer na mente de Laurel. Havia apenas um tipo de paz esplêndida, um lugar no qual ela não precisava se preocupar com nada, não tinha nada a temer. Havia um mundo inteiro lá fora, mas ele poderia esperar. Naquele momento, havia apenas ela e Kazim.
A liberação física soltou algo nela, embora não pudesse dizer com certeza o que isso significava. Era parte alegria e parte dor, e Laurel sentia lágrimas escorrendo pelo rosto, sem nenhuma tristeza como responsável. Era simplesmente uma parte do que havia acontecido, sinalizando uma espécie de mudança. Ela ainda não
entendia. Talvez levasse anos para entender. Talvez nunca entendesse e, ainda assim, estaria tudo bem.
Kazim afastou-se dela lenta e gentilmente, mas a perda de sua presença e daquela conexão física íntima a fez ficar ofegante. Ela o ouviu fazer um som inquisitivo, e ele ligou uma segunda luz.
"Você está chorando", ele murmurou, e, envergonhada, Laurel derreteu-se em lágrimas.
Capítulo Seis
Kazim
Q
uando era mais jovem e menos exigente do que deveria ter sido sobre com quem passava o tempo, Kazim ouviu, certa vez, algo sobre as lágrimas de uma mulher. Um amigo disse, em uma noite escura, que, por conta de a tolerância à dor de uma mulher ser muito maior que a de um homem, não havia motivo para que uma mulher chorasse.“Confie em mim, meu amigo, quando uma mulher chora, ela está apenas tentando manipular você. Ela quer parecer boa ou quer fazer com que a outra pessoa pareça ruim, ou quer ter certeza de que você entende quanto a ofendeu. Não existem outras razões.”
Algum momento depois disso, Kazim viu o que esse amigo era de verdade – um oportunista e alpinista social – e quebrou todos os laços entre eles. Ele nunca se arrependeu de ter abandonado todas as 'lições' daquele homem em particular, mas agora ele tinha certeza de que eram todas bobagens.
Laurel estava chorando e ela parecia horrível. Continuava esfregando os olhos como se estivesse tentando apagar a existência das lágrimas, soluçava continuamente que estava bem, mas não conseguia parar.
Após o pânico inicial, quando ele certificou-se de que não a havia machucado, Kazim esfregou suas costas suavemente, sentindo-se um pouco mais do que impotente e cada vez mais preocupado com o que havia acontecido entre eles.
Finalmente, as lágrimas de Laurel diminuíram e ela conseguia respirar com facilidade novamente.
"Uhm... eu vou lavar meu rosto para que eu pareça um pouco menos com um tomate", disse ela. "Pode... você pode trazer algo para eu beber?"
"É claro."
Enquanto preparava um copo de água fria, Kazim se perguntava se ele havia feito algo errado. Existia uma atração natural profunda entre eles, sabia disso, mas eles sabiam muito pouco um do outro.
Tinha que admitir que isso fazia parte da atração, seja lá como isso soasse. Ela o conhecia como um homem a quem ajudara, não como sheik. O desejo dela era honesto e a resposta também. Ele podia sentir isso.
Vou levá-la de volta para os Estados Unidos. Vou devolvê-la ao caminho dela. Isso deve compensar qualquer dano que eu possa ter causado.
Ou...
Caminhando de volta para o quarto, ele não conseguia parar de pensar em como seria se ela quisesse ficar. Como seria acessar essa paixão sempre que quisesse? Como seria tê-la por perto?
O arrepio de prazer que tomou conta desceu até o coração e ele ignorou os pensamentos. Isso poderia esperar pelo menos até que ela bebesse a água.
Laurel ainda estava no banheiro da suíte quando ele voltou com o copo, e foi aí que Kazim deu uma olhada clara na cama. Ele olhou e, quando sua mão começou a tremer, colocou o copo no chão.
Sentiu como se pudesse estar doente e teve que sacudir a cabeça para passar os pensamentos sombrios e autorrecriminatórios que lhe invadiam a mente.
Laurel voltou para o quarto, novamente dentro do roupão, parecendo tão tímida e tenra quanto uma corça.
“Oh, essa é a minha água? Obrigada..."
Ele a deixou tomar vários goles longos e profundos da água gelada, mas depois colocou a mão no ombro dela.
“Tem sangue nos lençóis. Você é virgem?
"Oh... Oh, Deus, eu vou limpar, desculpe-me..."
Houve um momento absurdo em que parecia que ela realmente tentaria, mas Kazim pegou-a pelos ombros trazendo-a para sua visão novamente.
“Eu não me importo com os malditos lençóis, Laurel! O que eu preciso saber é se você era virgem antes de nos deitarmos juntos.”
Para sua surpresa, em vez de se encolher ou responder, ela levantou o queixo e o olhou nos olhos. Os olhos dela eram de um verde esplêndido, que parecia olhar para o coração dele, e aparentemente ela não gostava do que via.
"O que isso importa? Teria feito você parar?”
Kazim, que havia sido criado com uma ideia muito clara do que deveria ser um cavalheiro e um bom homem, sabia qual seria a resposta. A resposta deveria ter sido sim. Se ela era virgem, não era o momento de ele mudar isso. A primeira vez de uma virgem era algo sagrado, mesmo que isso significasse algo diferente nos dias de hoje do que antigamente. A resposta deveria ter sido sim, claro que teria feito Kazim parar.
No entanto, ele também era um homem honesto.
Lentamente, balançou a cabeça.
"Não. Eu queria muito você.”
“Então, isso não importa. Veja. Aquele choro... eu não sei por que aconteceu, certo? O que eu sei é que gostei do que fizemos juntos. Sei que queria isso e, se voltasse ao tempo até antes de começarmos, não teria parado a mim mesma. Isso é tudo."
"Não é", Kazim rosnou, mas sabia que não teria um avanço nesse ponto agora. Em vez disso, tentou uma linha diferente.
"Venha aqui."
"Ir aonde – oh!"
Ela fez um som de surpresa quando Kazim a levantou e levou-a de volta ao banheiro. As luzes foram reduzidas a um tom suave e dourado, nada muito brilhante ou severo. Laurel era um peso doce em seus braços e ele teve tempo para pensar sobre quanto a queria lá antes de colocá-la na beira do balcão. Ele não sentiu a leve beliscada quando a carne dela fez contato com o mármore, e cerrou os dentes.
"O que você está fazendo?" ela perguntou, e ele lançou um olhar irônico.
"Ajudando da melhor maneira que posso, do meu jeito limitado."
Ela poderia ter perguntado mais, mas, em vez disso, observou enquanto ele molhava uma toalha pequena, encharcando-a em
água quente e deixando esfriar um pouco.
“Abra as pernas para mim e incline-se para trás."
Sua boca se abriu e havia uma cor em suas bochechas que não existia antes. Ainda assim, ela fez o que ele disse, e Kazim guardou isso para uso posterior. Havia algo intensamente atraente nela sentada no balcão, inclinando-se para trás como se estivesse pronta para que ele a possuísse, com o próprio roupão caindo dos ombros de uma forma lindamente pervertida.
Kazim encontrou leves traços de sangue em suas coxas, limpando-os delicadamente com a toalha e separou um pouco da carne dela para que pudesse ver mais.
"Kazim, isso não é necessário."
"Silêncio."
Ela ficou em silêncio e ele continuou o exame. O sangramento havia parado e não havia nada de errado com ela que ele pudesse ver. Ela tinha um desenho perfeito, e ele não pôde deixar de lembrar quão intimamente a tocara, como ela a provara.
Kazim estava prestes a ignorar tais pensamentos sem pensar duas vezes, mas, de alguma forma, a mão de Laurel surgiu. Ela segurou suavemente o lado do rosto dele e, para sua surpresa, traçou algumas marcas avermelhadas nos braços e nos ombros.
"Parece que eu também tirei um pouco de sangue", disse ela, com uma pitada de culpa em sua voz.
Ela estava certa. Havia vergões em seus ombros causados pelas unhas dela e um dos mais fortes se abrira um pouco, derramando uma fina gota de sangue em seu bíceps. Sem pensar, ele virou a cabeça e lambeu o sangue, e apenas quando Laurel emitiu um som suave foi que lembrou que ela estava assistindo a tudo.
"Hum", ela disse suavemente, e ele podia não saber nada sobre virgens, mas sabia muito sobre aquele olhar que via nos olhos dela.
Ele hesitou e depois deu de ombros, por dentro. Amanhã haveria tempo suficiente para conversar sobre o que eles precisavam conversar.
"Tudo bem, linda", ele disse suavemente. Ele se aproximou um pouco mais e estendeu a mão livre para afastar o cabelo dela do rosto. Era realmente magnífico, com tantos tons de marrom, dourado e castanho entrelaçados. Ele ficava encantado quando ela
esfregava a mão dele, ainda mais com o pequeno suspiro que deu quando ele deslizou os dedos, enrolados na toalha úmida, contra seu corpo.
"Tudo certo?", ele perguntou, e ela assentiu. Laurel ainda estava tímida, mas era nítido que já tinha um apetite pelo que estavam fazendo. E sua necessidade provocava algo profundo dentro dele, o desejo de agradá-la, o desejo de encontrar um preenchimento com ela.
Ela ficou ofegante e arqueou as costas quando ele a tocou, o tecido macio da toalha deslizando contra a carne macia. Observou atentamente qualquer sinal de que aquilo fosse em excesso, qualquer indicação de que a estivesse machucando, mas toda a tensão em seu corpo parecia ser de prazer e não de dor.
Encorajado, ele a acariciou gentilmente e depois, com mais pressão, observou fascinado enquanto ela se contorcia no balcão.
Era diferente do que havia sido na cama. Agora, ele podia ver cada centímetro de sua resposta, observar os músculos de seu corpo se apertarem e se soltarem. Ela era adorável o suficiente, mas desse jeito havia algo quase primitivo em Laurel, algo que o atraía de uma maneira que não entendia direito.
Sua resposta crescia e crescia, e Kazim continuava, extasiado.
Justamente quando parecia que iria quebrar se forçasse um pouco mais, ela suspirou, e ele assistia com admiração como seu clímax reivindicava seu corpo, fazendo-a ficar desmontada por um momento. Ele colocou a toalha de lado e a pegou antes que ela pudesse deslizar demais, e riu da expressão aturdida.
"Sem lágrimas dessa vez", ele notou, e suas bochechas ficaram coradas.
"Não sei por que chorei antes..."
"Tudo bem. Você não precisa pedir desculpas, principalmente se estiver simplesmente expressando algo que está sentindo. Vamos.
Já é hora de nós dois estarmos dormindo.”
Pensou por um momento que ela poderia protestar, mas em vez disso, ela sorriu. Ele a levantou em seus braços novamente, e ela inclinou-se contra ele, como se isso fosse algo que ele sempre fizesse.
"Você vai me estragar assim, sabia", disse ela, já sonolenta, e ele riu um pouco.
"Nada seria melhor que isso", ele sussurrou, deitando-a nos lençóis amarrotados.
Amanhã haveria tempo suficiente para conversar sobre as coisas. Até lá, eles podiam dormir.
Capítulo Sete
Laurel
L
aurel acordou sentindo-se desorientada e, ao mesmo tempo, muito, muito bem. Por que diabos ela deveria se sentir tão bem?Ainda era ela mesma, ainda estava falida, ainda estava sem emprego... e, então, sentiu Kazim puxá-la para perto enquanto dormia, murmurando algo que não conseguia entender, quando a ficha caiu.
Oh... oh aquilo aconteceu mesmo...
Ela balançou a cabeça em descrença. Parecia estranho demais esta manhã, forasteiro demais. Era difícil imaginá-la acertando um homem com um vaso ou... ou indo para a cama com um homem como Kazim.
O corpo de Laurel ficou um pouco quente com a lembrança do que eles haviam feito juntos. Ao mesmo tempo, ela percebia o peso dele por trás dela, quão bom, quente e sólido parecia. Contra sua coxa, ela podia sentir...
Oh, eu preciso sair dessa cama...
O protesto que sentiu por essa declaração era intenso. Não era mais nada necessário para ficar, mas já havia se comportado de uma maneira tão diferente com a qual estava acostumada.
Precisava de tempo para pensar.
Com cuidado, como se estivesse cuidadosamente caminhando na beira de um penhasco estreito ou desarmando uma bomba, ela se desembaraçou do braço de Kazim, deixando-o em um sono profundo antes de ir ao banheiro. Um banho rápido não trazia respostas, embora agora se sentisse mais ela, e depois vestiu o
roupão novamente, porque não havia outras roupas no quarto e andar nua parecia uma ideia realmente terrível.
Laurel rastejou até a sala principal. Levou apenas alguns momentos até perceber que não estava realmente mais lúcida do que antes, apenas mais limpa. Procurando uma distração, pegou o controle remoto da televisão no sofá, sentando-se para assistir a qualquer coisa irracional que pudesse encontrar.
A TV ligou no que parecia ser um canal de notícias e ela se concentrava em entender o árabe que estava sendo falado.
Aparentemente, o sheik de Alwadi havia sido atacado na noite anterior, mas felizmente ele havia conseguido desacordar o atacante, deixando-o de presente para a polícia. Ela achou engraçado ouvir um apresentador fazer uma piada típica do Batman, quando eles exibiram uma foto do sheik.
Uma foto... do... sheik.
O homem na tela era muito familiar. Ela tinha passado uma boa parte da noite antes de perceber que ele era muito bonito, que havia terminado a noitada gemendo com o prazer que ele havia proporcionado só com os dedos. Ela pescou o nome, sheik Kazim Rahal, e a chance de ser algum tipo de coincidência estranha desapareceu.
Tinha acabado de dormir com o sheik de Alwadi, o Kazim Rahal.
Não, corrigindo, ela havia perdido a virgindade com o sheik Kazim Rahal.
"Isso, ah... eles poderiam ter usado uma foto melhor."
Ela virou-se e encontrou Kazim na porta atrás dela. Por um momento, achou que ele estava completamente nu e, para seu alívio, viu que estava usando uma boxer de seda preta. Não ajudava muita coisa. Aquilo grudava no corpo dele, deixando pouco a ser imaginado, e ela desviou o olhar de volta para o rosto dele.
Claro que ele estava sorrindo, sabendo exatamente o que ela estava pensando e isso não ajudava.
"Oh, Deus."
“Você está bem agora pela manhã? Você teve... umas últimas vinte e quatro horas bem impressionantes.”
"Sim, por um minuto inteiro, ontem eu achava que a coisa mais emocionante tinha sido descobrir que o meu trabalho não existia."
"A vida é cheia de surpresas. Você gosta de fruta?"
"Hum... sim?"
"Bom."
Para surpresa de Laurel, Kazim remexeu na cozinha e pegou uma linda tigela de frutas cortadas, algumas as quais conhecia, outras que não reconhecia.
"Tome. Não é um café da manhã de verdade, mas nos manteremos de pé até que possamos descobrir algumas coisas.”
Ela começava a se perguntar o que diabos ele queria dizer com isso, mas havia frutas frescas na sua frente e não tinha interesse em desperdiçar isso.
Estava se sentindo um pouco mais saciada, quando Kazim sentou-se e olhou para ela com cuidado.
“Então... você é o sheik de Alwadi. Por quê?"
Ele pareceu um pouco assustado. "Você está pedindo uma explicação da minha linhagem ou?"
“Quero dizer, por que eu. Por que a noite passada? Por que tudo isso aconteceu?”
Ele a olhou com alegria nos olhos. Ela queria simplesmente que vê-lo sorrir não fizesse seu coração bater um pouco mais rápido.
Parecia uma vantagem injusta para um homem que já era inimaginavelmente rico e incrivelmente bonito.
“Eu acho que essa é uma pergunta muito fácil. Eu a vi, achei-a linda, queria fazer amor com você, que concordou. Ou não foi assim que aconteceu sob o seu ponto de vista?”
"Você... realmente me acha linda?"
"Eu não disse isso várias vezes?"
"Mas... você já deve ter ficado com algumas das mulheres mais lindas do mundo."
"Sim. E você é uma delas.”
Ele pegou a mão de Laurel, virando-a para poder beijar a palma.
Havia algo estranhamente humilde naquele gesto, algo que a atingia diretamente no coração. Ela não suportava pensar nisso naquele momento e puxou a mão de volta para si. Kazim pareceu surpreendentemente triste com o gesto, mas suavizou.
“Nós não temos que discutir sua beleza hoje, embora em qualquer outro momento eu ficaria feliz em continuar o assunto.