AULA 7. Fundamentos para
efetivação de direitos universais ou direitos diferenciados
O gestor deve se preocupar com os
diferentes conceitos de justiça quando verifica a possiblidade de
implementação das políticas públicas?
O remédio para isso é a igualdade democrática (princípio da diferença).
Os talentos não podem ser fonte de distribuição dos quinhões distributivos Não basta uma meritocracia eqüitativa para uma sociedade democrática Dissocia quinhões distributivos desiguais das loterias genéticas
Talento (fortuna genética)
Igualdade eqüitativa (ou positiva) de oportunidades – neutraliza a fortuna social que interfere no exercício de talentos e capacidades de cada um (aqui caberia pensar em A.A)
Só escolas públicas, só hospitais públicos Classe (fortuna social ) fatores
ambientais
Igualdade formal (negativa) de oportunidades – não deve haver barreiras diferenciadas para as oportunidades – barreiras legais não devem existir Discriminação
fatores adscritivos (cor /sexo)
Remédios propostos pelo liberalismo igualitário Fatores geradores de desigualdade
Formas de desigualdade moralmente arbitrárias
Igualdade de oportunidades
Recuperar Rawls
existem três tipos de bens que são relevantes para uma teoria de justiça distributiva:
bens que são passíveis de distribuição (renda, riqueza, acesso a oportunidades educacionais)
bens que não podem ser distribuídos diretamente, mas que são afetados pela distribuição dos primeiros (conhecimento e auto- respeito)
bens que não podem ser afetados pela distribuição de outros bens (capacidades físicas e mentais...)
A teoria de Rawls tem implicações para os dois primeiros tipos de bens (bens primários)
Deve-se garantir a justa distribuição e igualdade de oportunidades.
Os mais qualificados devem ter o acesso às oportunidades mais relevantes.
Se isso é satisfeito, então, as questões da representação de grupos tornam-se irrelevantes simplesmente porque tudo irá
refletir as escolhas de quem tem os talentos mais relevantes para aquela posição
Nancy Fraser: Abnormal Justice
Justiça
O que?
O que deve ser comparado, quais
parâmetros
Quem?
Os interesses de quem deve ser
considerado
Como?
Quais critérios adotar sobre o que e
o quem, quais procedimentos
Justiça normal
Há concordancia em torno de:
alguns pressupostos ontológicos sobre quais atores podem conduzir os clamores por justiça (indivíduos)
sobre o tipo de agencia para a qual dirigir seus clamores (um estado territorial).
Fixam o círculo de interlocutores aos quais os pedidos por justica devem ser dirigidos: (geralmente, o cidadãos de uma delimitada comunidade política)
delimitam o universo daqueles cujos interesses e preocupações merecem consideração.
partilham algumas concepçoes teoricas e sociais acerca dos espaço em que as questoes de justiça podem surgir ou serem compreendidas (muitas vezes, o espaço econômico de distribuição)
sobre algumas clivagens sociais que podem abrigar as injustiças (tipicamente de classe, etnia).
Ha uma gramatica que permite a compreensão de todos, as exceções são tratadas como anomalias etc..
Justiça anormal
Hoje não se tem clareza sobre como devem ser os autores das reivindicações por justiça.
Se são estados ou comunidades
se são somente individuos.
Alguns aceitam somente estados ou comunidades e outros somente individuos.
A quem se deve dirigir os clamores por justiça:
instituicoes transnacionais ou cosmopolitas
para estados territoriais.
Da mesma forma, hoje em dia discordam sobre quem tem direito a consideração em assuntos da justiça:
todos os seres humanos
outros restringem preocupação para seus concidadãos.
Além disso, discordam sobre o espaço conceitual no qual os pedidos de justiça podem surgir:
apenas (econômico) pedidos de redistribuição, enquanto outros
também admitem (cultural) pedidos de reconhecimento e (política) afirma para a representação.
Finalmente, os disputantes de hoje, muitas vezes discordam quanto as clivagens sociais;
apenas a nacionalidade
classe; gênero e sexualidade, raça etnia
Justiça anormal
O que?
Os parâmetros não são somente distributivos
Quem?
O modelo de justiça praticado dentro e pelos estados estão em questão.
Os Estados não são as únicas fontes de justiça
Como?
A gramática do pós-guerra e do modelo do estado
nacional está em
questão
O que?
Redistribuição
reconhecimento
Representação
O que na justiça anormal
A justiça teria uma perspectiva multidimensional em 3 dimensões
Redistribuição (economica)
Reconhecimento (cultural)
Representação (política)
Os tres tipos de injustiça associados a
essas dimensões devem ser sanadas por meio do critério da paridade participativa
Haveria um monismo normativo conciliado com a dimensão multidimensional da
ontologia social
O quem na justiça anormal
A própria norma ou definição de justiça deve ser refletida (fruto de reflexão)
Haveria uma definição (enquadramento) erronea na perspectiva westfaliana.
Exemplo: críticas feitas pelo Forum Social Mundial
Há pobres no mundo todo gerados por diferentes políticas
Haveria uma injustiça meta política que
ocorreria quando os limites políticos vigentes negariam a alguns povos a chance de
participarem nos debates e acesso a justiça
All subjected principle
(Tb Joseph Schumpeter)
São sujeitos de direitos aqueles que criam uma estrutura de governo conjunta que estabelece as regras básicas que
governam sua interação (são o povo, se define quem é o demos).
Assume-se o Estado como um limite primário ou limite para inclusão e exclusão e, em seguida, argumenta que todos aqueles submetidos à dominação política dentro de seus
limites devem ter uma palavra a dizer sobre o modos como as coisas sao feitas.
Mas, somos sujeitos a várias espécies de estruturas de
governo: locais, nacionais, regionais, globais, transnacionais. É preciso ter várias formas de enquadramento para lidar com todas estas formas.
Exemplo: FMI, Interpool, Organizações Mundiais de Comércio, Kyoto Protocols, Internacional Atomic Energy Agency, World Health Organization, International Criminal Court etc...
Como existem várias esferas da justiça (vários who), então, o modelo all subjected principle resolveria a questão da paridade participativa nestes casos