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J. Bras. Patol. Med. Lab. vol.48 número1

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J Bras Patol Med Lab • Volume 48 • Número 1 • fevereiro 2012 ISSN 1676-2444

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Albert Schweitzer nasceu na Alemanha em 1875. Duran-te sua longa e produtiva vida, foi notável nas mais diversas áreas, firmando-se como teólogo, músico de reconhecimento internacional, filósofo e médico. Destacou-se, no entanto, como grande inspirador de movimentos humanitários, já que, aos 30 anos, apesar da confortável posição que ocupa-va em uma tradicional faculdade europeia e de seu prestígio como músico e pastor, voltou sua atenção para os africanos das colônias francesas que viviam esquecidos sem cuidados ou assistência médica. Ao ler uma publicação da Sociedade Missionária de Paris sobre a necessidade desesperadora de médicos na África, largou tudo o que fazia para se dedicar à medicina.

Em 1905, iniciou seus estudos e, seis anos mais tarde, formado e recém-casado com uma enfermeira, mudou-se para Lambaréné, no Gabão. Ao chegar lá, deparou-se com a total falta de recursos, mas não se abateu. Montou seu con-sultório em um antigo galinheiro e começou a atender seus pacientes ignorando obstáculos como clima hostil, falta de higiene, idioma e carência de medicamentos.

A vida e a dedicação desse grande médico foi exemplo para muitos. Dedicou-se ao sublime sacerdócio de ajudar os doentes e carentes de um dos mais pobres países africanos. Ficou famoso por seu trabalho com os hansenianos. Sua for-mação em religião e filosofia o levou, em 1915, ao princí-pio que denominou de reverência pela vida, uma base ética universal para aquilo que procurava quando ainda estava no auge da fama e da juventude.

Com a I Guerra Mundial, foi levado para a França como prisioneiro. Passou praticamente todo o período de batalhas confinado em um campo de concentração. Nesse tempo, es-creveu sobre a decadência das civilizações. Com o final da

guerra, retomou seus trabalhos e, ante a visão de um mundo desmoronado, declarou que era hora de recomeçar e que os olhares, naquele momento, deveriam estar voltados para a humanidade. Realizou uma série de conferências com o in-tuito de colher fundos para reconstruir sua obra na África.

Após sete anos de permanência na Europa, partiu nova-mente para Lambaréné, onde expandiu o hospital e, com o auxílio de uma equipe de profissionais, pôde dedicar algu-mas horas de seu dia a escrever livros, cuja renda contribuía para manter os pavilhões hospitalares.

Em 1952, ao receber o prêmio Nobel da Paz do Comitê Nobel Norueguês, Schweitzer, que há muito tempo estava preocupado com os problemas que a Guerra Fria e as armas atômicas poderiam trazer para o mundo, fez um discurso a favor da paz e chamou a atenção para a corrida nuclear. O dinheiro do prêmio foi doado para o hospital de Lambaréné para construir um lazareto para os hansenianos. Em 1957, publicou um apelo mundial intitulado “Uma declaração de consciência”, que se tornou uma verdadeira bíblia para o mo-vimento antinuclear, inclusive para Lord Bertrand Russell e a Organização Pugwash, fundada por cientistas.

Schweitzer foi um pensador profundo que, além de sua obra emocionante e inspiradora, deixou muitos pensamentos para a posteridade. Sobre a filantropia, disse que “cada um precisa achar seu próprio Lambaréné. Não existem heróis de ação, apenas heróis da renúncia e do sofrimento”. Com o princípio de reverência pela vida, foi precursor dos atuais movimentos em defesa do ambiente e dos direitos humanos ao escrever que “a ética do homem não deve terminar no homem, mas se estender a todo o universo. Ele precisa se tornar consciente novamente sobre a grande cadeia da vida, da qual ele não pode ser separado. Ele precisa entender que todas as criações têm o seu valor. O resultado para nós é não somente um aprofundar dos relacionamentos, mas uma maior amplidão dos mesmos”.

Schweitzer tratava mais de 40 doentes por dia e, parale-lamente ao serviço médico, ensinava o Evangelho com uma linguagem apropriada, dando exemplos tirados da natureza sobre a necessidade de se agir em beneficio do próximo.

Tornou-se muito conhecido em todos os círculos intelec-tuais do continente e faleceu aos 90 anos, em 1965, na África.

Albert Schweitzer

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