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Direito Notarial e Registral

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Academic year: 2022

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Texto

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Ellen Thaynná Mara Delgado Brandão Milena Barbosa de Melo

Direito Notarial e Registral

Unidade 1

Notarial e

Registral

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(3)

Diretora Editorial

CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico

TIAGO DA ROCHA Autoras

ELLEN THAYNNÁ MARA DELGADO BRANDÃO MILENA BARBOSA DE MELO

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Ellen Thaynná Mara Delgado Brandão

Eu, Ellen, possuo graduação em Direito pela Unifacisa – Universidade de Ciências Sociais Aplicadas e pós-graduanda em Docência do Ensino Superior. Atualmente sou professora conteudista e elaboradora de cadernos de questões. Como jurista atuo nas áreas de Direito Penal, Direito do Trabalho e Direito do Consumidor.

Milena Barbosa de Melo

Eu, Milena, possuo graduação em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba (2004). Doutora em Direito Internacional pela Universidade de Coimbra. Mestre e Especialista em Direito Comunitário pela Universidade de Coimbra. Atualmente sou Professora Universitária e Conteudista. Como jurista atuo principalmente nas seguintes áreas: Direito à Saúde, Direito Internacional público e privado, Jurisdição Internacional, Direito Empresarial, Direito do Desenvolvimento, Direito da Propriedade Intelectual e Direito Digital.

Desse modo, fomos convidadas pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estamos muito felizes em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte conosco!

AS AUTORAS

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Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que:

ICONOGRÁFICOS

INTRODUÇÃO:

para o início do desenvolvimento de uma nova com- petência;

DEFINIÇÃO:

houver necessidade de se apresentar um novo conceito;

NOTA:

quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento;

IMPORTANTE:

as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você;

EXPLICANDO MELHOR:

algo precisa ser melhor explicado ou detalhado;

VOCÊ SABIA?

curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias;

SAIBA MAIS:

textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento;

REFLITA:

se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre;

ACESSE:

se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast;

RESUMINDO:

quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens;

ATIVIDADES:

quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada;

TESTANDO:

quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas;

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SUMÁRIO

Direito notarial e registral: conceito e características ... 10

Conceito ...11

Características ... 13

Direito notarial e registral: princípios. ... 21

Princípios ...21

Princípios do direito notarial ... 26

Princípios do direito registral ...29

Atividades notariais e registrais ... 33

Titulares dos serviços notarial e registral ...33

Ingresso na atividade notarial e registral ... 38

Competência territorial do notário de do registrador ... 40

Incompatibilidade, impedimentos e extinção dos serviços notariais e registrais ... 43

Responsabilidade dos serviços notariais e registrais ...43

Responsabilidade administrativa ...43

Responsabilidade civil ...45

Responsabilidade penal ... 46

Direitos dos notários e dos registradores ...47

Incompatibilidades e impedimentos ... 49

Extinção da delegação e a seguridade social ... 50

(7)

NOTARIAL E REGISTRAL

UNIDADE

01

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O Direito é um ramo que possui uma extensão de disciplinas, todas possuindo fundamentação importância. Estudaremos nesta unidade uma duas dessas disciplinas que são interligadas: o Direito Notarial e o Direito Registral.

Iniciaremos nossos estudos conceituando o que vem a ser esse ramo do direito e apresentando a sua finalidade e principais características.

Sabendo que o ramo do direito é regido por princípios, dedicaremos um capítulo para tratar dos princípios que são aplicados ao direito notarial e registral de forma conjunta, vendo também, quais princípios são aplicáveis de forma individual a cada uma dessas disciplinas.

Estudaremos sobre a competência e quem pode ingressar na atividade notarial e registral, vendo a suas responsabilidades, seus direitos, deveres e as causas de impedimento, incompatibilidade e extinção dessa atividade.

Vamos juntos embarcar nesse conhecimento!

INTRODUÇÃO

(9)

Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1 – Notarial e Registral. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos:

1. Compreender as características do Direito Notarial e do Direito Registral;

2. Conhecer os princípios do Direito Notarial e do Direito Registral;

3. Descrever a responsabilidade e as competências da atividade notarial e registral;

4. Identificar a incompatibilidade e extinção da delegação na seguridade social.

Então? Preparado para adquirir conhecimento sobre um assunto fascinante e inovador como esse? Vamos lá!

OBJETIVOS

(10)

Direito notarial e registral: conceito e características

OBJETIVOS:

Você sabe o que vem a ser o direito notarial e registral, muito utilizado no dia a dia? Se não, iremos tratar te explicar o que vem a ser e as suas características. Caso você já saiba, iremos explorar de uma forma mais didática para trazer maiores conhecimentos. Prontos? Vamos lá!!

Figura 1: Registral

Fonte: Pixabay

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Conceito

Com a advento da Constituição Federal de 1988, surgiu uma nova etapa no exercício da atividade notarial e registral, trazendo no art. 236 as funções dessas atividades, vejamos:

Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público.

§ 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário.

§ 2º Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro.

§ 3º O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia fique vaga, sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de seis meses. (BRASIL, 1988)

Desta forma, podemos ver nesse artigo supracitado que apesar dos serviços notariais e registrais serem públicos, eles possuem um caráter privado, pois são delegados pelo Poder Público. Assim, os notários e os registradores agem em nome próprio, no entanto, são submetidos à fiscalização do Poder Público, que também pode lhes atribuir funções, responsabilidades e punições.

O art. 236 da Constituição Federal instituiu duas leis federais, sendo elas a Lei nº8935/1994 e a Lei nº10169/2000.

Vendo que os direitos notariais e registrais são garantidos pela Constituição Federal, agora nos resta saber, o que vem a ser esse direito?

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De acordo com Loureiro (2017), o direito notarial é definido como o conjunto de normas e princípios que tem como função regular a função do notário, a organização do notariado e os documentos ou instrumentos que são redigidos por este profissional do direito que exerce a função pública por meio da delegação.

No que se refere ao direito registral, Loureiro (2017) aponta que possui uma definição similar ao do direito notarial, onde constitui um conjunto de normas e princípios que regulam a atividade do registrador, o órgão do Registro, os procedimentos registrais e os efeitos da publicidade registral, assim como o estatuto jurídico aplicável a este profissional do direito.

NOTA:

De forma sucinta podemos trazer que esses profissionais tratam-se de agente públicos que são especializados na área do direito privado, sendo eles encarregados pela segurança preventiva dos atos e dos negócios jurídicos.

Os profissionais do direito notarial e do direito registral são considerados profissionais de direito, e de acordo com Loureiro (2017) por eles serem considerados assim, eles possuem a missão de assessorar a todos que vierem a reclamar seu ministério a fim de constituir ou transferir direito, torná-los eficazes perante os demais membros da comunidade e evitar vícios que possam por alguma ocasião afetar as relações jurídicas e a segurança do tráfico.

Após vermos os conceitos das atividades notariais e registrais, podemos então dizer que a sua natureza jurídica é de caráter privado, exercida por meio de delegação. Como já vimos, mas o que isso quer dizer?

Padoin (2011) traz que isso significa que o Estado ao delegar a um particular o exercício da atividade notarial e da registral, ele transfere a esse particular a responsabilidade de receber, conferir e transpor para seus livros declarações orais e escritas com relação a fatos jurídicos e negócios jurídicos.

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Esta delegação é de natureza administrativa e é atribuída pelo Poder Executivo ao particular, embora a fiscalização da atividade seja competência do Poder Judiciário. A delegação é irrevogável, ou seja, somente pode ser cassada nas estritas hipóteses legais. (PADOIN, 2011, p. 15)

Assim, os notários e os registradores são considerados prestadoras de serviço público e não servidor público.

Características

A Lei nº8935/1994 em seu art. 1º traz que os serviços notariais e registrais são aquelas de organização técnica e administrativa que são destinados a garantir a publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos.

IMPORTANTE:

O art. 3º da Lei nº8935/1994 deixa claro que os profissionais notariais e registrais devem ser profissionais do direito, dotados de fé pública.

Desta forma, iniciaremos nossos estudos descrevendo o que vem a ser essas garantias que são elencadas no art. 1º da referida lei:

• Publicidade – a publicidade garantida no art. 1º dessa lei é materializada por meio da expedição de certidões.

Mas você deve se perguntar em que consiste a publicidade?

De acordo com Padoin (2011) a publicidade consiste na permissão legal para que qualquer pessoa tenha acesso às informações que constam nos livros das serventias, não havendo necessidade de a pessoa justificar o porquê de querer a informação.

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No entanto, você sabe em que consiste o objetivo dessa publicidade que é garantida a todos?

O objetivo dessa publicidade é de atribuir segurança às relações jurídicas, na medida em que permite que qualquer interessado conheça o teor dos atos praticados pelos notários e pelos registradores. (PADOIN, 2011)

A regra geral é que todos os atos que estejam no livro de registros possam ser acessados por todas as pessoas que solicitarem, no entanto, existem casos que ocorre limitação legal.

Como exemplo de caso de limitação à publicidade podemos trazer que não é permitido que no Registro Civil de Pessoas Naturais o oficial certifique a existência de adoção, assim como os vínculos de parentescos anteriores à adoção, isto porque o parágrafo único do art.

95 da Lei nº6015/73 traz a proibição do oficial de fornecer certidão com estas informações, com a exceção de haver determinação judicial nesse sentido.

Podemos então concluir que a publicidade aqui tratada se refere normalmente a expedição de certidão. Como estudaremos mais a fundo o que vem a ser certidão posteriormente, nos cabe de início só ressaltar que pela definição de Padoin (2011) a certidão é um documento público que produz os mesmos efeitos do original de onde tenha sido extraído.

• Autenticidade – a autenticidade também é uma das finalidades elencadas pelo art. 1º da referida lei. Mas você sabe em que consiste a autenticidade?

Como estudamos a publicidade de acordo com Padoin (2011), vamos ver o que ele diz a respeito da autenticidade. Esse autor diz que ela consiste na qualidade do que é confirmado pelo ato de autoridade, seja uma coisa, um documento ou uma declaração de vontade.

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IMPORTANTE:

Padoin (2011) destaca que o registro cria a presunção relativa de verdade.

O que significa essa presunção relativa de verdade?

Ela significa que os documentos que foram originados dos tabelionatos e dos cartórios de registro, são considerados de forma igual aos documentos que são originados das repartições públicas, sendo assim considerados como documentos públicos, possuindo autenticidade.

Ceneviva (2010, p. 55) diz que

O registro cria presunção relativa de verdade. É retificável, modificável e, por ser o oficial um receptor da declaração de terceiros, que examina segundo critérios predominantemente formais, não alcança o registro o fim que lhe é determinado pela definição legal: não dá autenticidade ao negócio causal ao fato ou ato jurídico de que se origina. Só o próprio registro tem autenticidade.

Assim, é preciso frisar que essa autenticidade é considerada apenas formal com relação ao ato praticado, não conseguindo atingir o conteúdo material do documento, com a exceção de se ter sido atestado pelo próprio notário ou registrador.

• Segurança – a terceira garantia que os servidores notariais e registrais devem assegurar é a da segurança. Assim como estudamos nas duas posteriormente citadas, devemos trazer em que consiste essa garantia de acordo com Padoin (2011).

Esse autor diz que a segurança consiste na proteção, estabilidade e garantia dos atos praticados no exercício da atividade notarial e registral.

Como seria isso?

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Simples, “além da parte interessada conseguir constituir e formalizar o seu direito por meio do registro ou do ato notarial, consegue também a análise imparcial relativa à regularidade do seu ato.” (PADOIN, 2011, p. 17)

Os servidores notarial e registral devem ter em mente que existem pessoas que possuem um baixo grau de instrução, desta forma, não compreendem direito o ato que está sendo realizado e das consequências que esse ato pode trazer. Caso os servidores percebam isso, eles têm a obrigação de explicar a situação do ato realizado a pessoa que não está entendendo, com a finalidade de proteger o seu interesse.

Devemos ressaltar que essa finalidade possui um caráter preventivo, pois ela tem como objetivo salvaguardar os interesses de todas as pessoas, não se delimitando somente aos interesses das partes, isso acontece para que haja uma diminuição dos riscos nos negócios jurídicos.

• Eficácia – a quarta e última garantia que os servidores notariais e registrais devem assegurar é a eficácia.

Primeiramente você sabe o que é eficácia? O dicionário (2020) traz que eficácia é qualidade daquilo que alcança os resultados planejados, é a capacidade de desenvolver tarefas ou objetivos de modo competente, a produtividade.

Nesse caso, a eficácia na palavra de Padoin (2011) consiste na capacidade de um ato produzir efeitos jurídicos, tendo como base a segurança dos assentos, na autenticidade dos negócios e declarações por eles transpostos.

DEFINIÇÃO:

Assentos de acordo com Fuente (2013) é a constatação por escrito de dados ou fatos, que se realiza nos respectivos Livros de Registro Civil, para que surtam os efeitos jurídicos respectivos.

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Alguns atos para que possam produzir efeitos jurídicos necessitam da realização do ato notarial ou registral, assim, este é seu pressuposto.

Podemos trazer como exemplo o Registro de Imóveis, como assim?

Quando feito uma compra e venda, embora a escritura possua efeito em relação ao comprador e ao vendedor, enquanto ela não for registrada junto à matrícula do imóvel, o direito do adquirente não possuirá qualquer efeito com relação a terceiros. Isto acontece porque o art. 1227 do Código Civil dispõem que “Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos ( arts. 1.245 a 1.247 ), salvo os casos expressos neste Código.” (BRASIL, 2002)

IMPORTANTE:

De acordo com Padoin (2011) a publicidade, a autenticidade, a segurança e a eficácia são finalidades que se entrelaçam e são interdependentes, uma completando a outra.

Além dessas finalidades trazidas pelo art. 1º da Lei nº8935/1994, podemos também trazer outras características que diferenciam o notário e o registrador dos outros profissionais do direito, sendo elas:

• Função delegada pelo Estado – como vimos, a atividade notarial e registral é uma atividade que deve ser delegada pelo Poder Público, e estes profissionais possuem fé pública. O que viria a ser essa fé pública?

De acordo com Loureiro (2017) a fé pública é o poder de autenticar e certificar fatos e atos jurídicos, que devem ser acreditados e considerados verdadeiros por todas as demais pessoas jurídicas de direito público e privado.

Essa função ao ser delegada pelo Estado, é uma função em que é transferido de forma definitiva ao particular por norma constitucional a competência exclusiva para que assim possa dar forma jurídica à vontade

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das partes e autenticar fatos. Assim, as funções a princípio do Estado e este transfere todas as atribuições e os poderes a pessoa natural.

É importante destacar que essa delegação são é transitória, desta forma, ela é perene, perpétua. Além disso, ela tem objetivos específicos.

• Controle de legalidade – Loureiro (2017) aponta que o controle de legalidade dos atos e negócios jurídicos exige um amplo conhecimento jurídico, não se delimitando as áreas do direito privado, que são o direito das obrigações e contratos, o direito de família e sucessões, e o direito empresarial; deve também ter conhecimento do direito público, como os direitos urbanísticos, o direito tributário e o direito agrário e ambiental.

Ao contrário do que acontece nos atos administrativos, que os atos dos servidores representam a vontade do Estado, os atos notariais e registrais expressam a vontade das partes e não do Estado. Nas palavras de Loureira (2017, p. 60) “No ato notarial ou de registro as partes permanecem em situação de igualdade e tal sinalagma deve ser obrigatoriamente garantido pelo notário, um terceiro imparcial em relação aos interesses que deve harmonizar.”

• Intervenção nos negócios jurídicos particulares – a intervenção nos negócios jurídicos diz respeito às garantias que estudamos anteriormente, ou seja, a obrigação dos servidores notariais e registrais de velar pela autenticidade, publicidade, eficácia e pela segurança dos atos e negócios jurídicos dos particulares.

• Função de assessoramento e mediação – tanto o notarial quanto o servidor registral tem como características a imparcialidade e a neutralidade, devendo prestar assessoramento e mediação. De acordo com Loureiro (2017) o notário aconselha e aproxima as partes por ocasião de sua intervenção nos atos e negócios jurídicos, no que diz respeito aos registradores, eles também orientam o interessado para que o fato ou o título possa ter acesso à publicidade jurídica e o registrador de imóveis, de

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forma particular, exerce relevante papel de mediação em procedimentos como os de retificação de registro e regularização fundiária.

• Imparcialidade – uma característica muito importante desses servidores que merece destaque é a imparcialidade, isso porque, esses profissionais têm o dever de defender de forma igual os interesses de ambas as partes, não devendo privilegiar qualquer uma delas, independentemente de pressões ou influências de qualquer natureza. (LOUREIRO, 2017)

IMPORTANTE:

Essa imparcialidade não protege somente as pessoas interessadas no ato notarial e registral, mas também os terceiros.

• Independência versus controle da função – como vimos, os profissionais notariais e registrais são funcionários públicos e juristas privados. A independência corresponde a uma forma de proteger esses agentes de que as pessoas exerçam qualquer tipo de pressão para que eles atuem de forma parcial e arbitrária. Buscando também que seja evitado o tratamento preferencial e injustificado a qualquer uma das partes.

Assim, a atividade notarial e registral é considerada uma atividade independente, até mesmo em relação ao Estado, pois os agentes não mantêm qualquer vínculo de hierarquia com esse ente, devendo, entretanto, respeitar a ordem legal e agir de forma leal e fiel em relação ao usuário.

• Imediação – a característica da imediação diz respeito ao fato de que os servidores notariais e registrais devem de forma pessoal e efetiva os atos de seu ofício.

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• Funções endógenas e não superpostas – de acordo com Loureiro (2017) os notários e registradores, nos atos de seus ofícios, criam situações jurídicas que não são meramente em cumprimento da lei, segunda a vontade unilateral da Administração e o interesse superior do poder público, tal como se dá nos atos administrativos, mas sim, segundo a vontade dos particulares, legitimadas pela ordem jurídica, onde prevalece o legítimo interesse do indivíduo.

Desta forma, estudamos as principais características do notarial e dos registradores.

RESUMINDO:

Estudamos neste capítulo que o direito notarial e registral veio previsto na Constituição Federal de 1988 em seu art. 236. Vimos que os notários e os registradores agem em nome próprio, no entanto, são submetidos à fiscalização do Poder Público, que também pode lhes atribuir funções, responsabilidades e punições. Estudamos que o direito notarial é o conjunto de normas e princípios que tem como função regular a função do notário, a organização do notariado e os documentos ou instrumentos que são redigidos por este profissional do direito que exerce a função pública por meio da delegação.

E o registral constitui um conjunto de normas e princípios que regulam a atividade do registrador, o órgão do registro, os procedimentos registrais e os efeitos da publicidade registral, assim como o estatuto jurídico aplicável a este profissional do direito. Em seguida estudamos as características desses ramos do direito, começando com as finalidades trazidas no art. 1º da Lei nº8935/1994: publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos, vendo em que consiste cada um deles. Em seguida, estudamos outras características que diferenciam o notário e o registrador dos outros profissionais do direito, sendo elas: função delegada pelo Estado, controle de legalidade, intervenção nos negócios jurídicos particulares, função de assessoramento e mediação, imparcialidade, independência versus controle da função, imediação e funções endógenas e não superpostas.

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Direito notarial e registral: princípios.

OBJETIVOS:

Como todo instituto do direito, o direito notarial e o registral também possui princípios. Esses princípios trazem garantias para as pessoas, sendo essenciais para aplicação do direito.

Vamos embarcar esse conhecimento?

Figura 2: Justiça

Fonte: Pixabay

Princípios

Primeiramente devemos tratar dos princípios constitucionais, sendo esses princípios referentes à Administração Pública, mas que também regem o direito notarial e registral. Assim temos os seguintes princípios:

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• Legalidade – o princípio da legalidade determina que a Administração Pública está sujeita às determinações legais, sendo sua principal finalidade impedir que os administradores se aproveitem da sua função para aproveitamentos pessoais ou para perseguir pessoas que não gostem.

O art. 236, §1º da Constituição Federal traz em seu texto que “Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário.” (BRASIL, 1988) Corroborando com esse artigo, o art. 31 da Lei nº8935/1994 (Lei que dispõe sobre os serviços notariais e de registro, como já vimos) dispõe que “São infrações disciplinares que sujeitam os notários e os oficiais de registro às penalidades previstas nesta lei: I - a inobservância das prescrições legais ou normativas.” (BRASIL, 1994)

Desta forma, podemos concluir que é de responsabilidade dos profissionais notariais e de registro, de acordo com o princípio da legalidade, seguir a regulamentação legal sobre a sua função, sob pena de que seu ato seja considerado inválido, além disso, poderá ser responsabilizado de forma disciplinar, civil e criminal.

O Registrador deverá examinar o título apresentado e fazer uma apreciação quanto à forma, validade e conformidade com a lei.

Ao receber o título para registro, antes mesmo de examiná-lo sob a luz dos princípios da disponibilidade, especialidade e continuidade, mister que o analise, primeiramente, sob o aspecto legal, e isto deverá ser feito tomando-se em conta: a) se o imóvel objeto da relação jurídica que lhe é apresentado está situado em sua circunscrição imobiliária; b) se o título que lhe é apresentado se reveste das formalidades legais exigidas por lei; c) se os impostos devidos foram recolhidos; d) se as partes constantes do título estão devidamente qualificadas e representadas quando necessário, como no caso de pessoa jurídica ou dos relativamente ou absolutamente incapazes. (GALIANI, 1995, p. 47)

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Podemos então concluir que é de responsabilidade do notário e do registrador observar todos os ditames legais no exercício de sua profissão.

• Igualdade - o princípio da igualdade garante que os servidores notariais e registrais devem atender ao interesse de todas as pessoas de forma indistinta, devendo assim, prestar os serviços a todas as pessoas sem que haja preferência ou discriminação.

Um exemplo que demonstra a aplicação desse princípio, é disposto no art. 31, III da Lei nº8935/1994, que traz em seu texto: “ São infrações disciplinares que sujeitam os notários e os oficiais de registro às penalidades previstas nesta lei: III - a cobrança indevida ou excessiva de emolumentos, ainda que sob a alegação de urgência.” (BRASIL, 1994)

• Moralidade – de acordo com Souza (2009) o princípio da moralidade impõe que o administrador tenha uma conduta que seja embasada em preceitos éticos, devendo observar os critérios de conveniência, oportunidade, justiça e honestidade.

IMPORTANTE:

Você deve lembrar que, de acordo com os significados (2020) moral é o conjunto de regras, de costumes e de diferentes formas de pensar, que definem o que devemos ou não devemos fazer em sociedade. Desta forma, sempre que pensarmos em moral, devemos pensar na coletividade.

Assim, as atividades dos notários e dos registradores devem seguir a ética administrativa, onde a sociedade deve ser protegida por meio da lealdade e boa-fé, sabendo disso, é nítido que esse princípio segue em conjunto com o princípio da legalidade.

O princípio da moralidade impõe a ética na conduta do administrador público, sabendo distinguir o que é honesto do que é desonesto além

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de explorar em suas ações os critérios de justiça, conveniência e oportunidade.

Efeito desse princípio no serviço notarial e de registro está no art 30 da Lei nº8935/94, que traz em seu texto que é dever dos notários e oficiais de registro guardar sigilo sobre a documentação e os assuntos de natureza reservada de que tenham conhecimento em razão do exercício de sua profissão.

De acordo com o inciso II, do art. 31 da Lei nº8935/1994 “ Art. 31. São infrações disciplinares que sujeitam os notários e os oficiais de registro às penalidades previstas nesta lei: II - a conduta atentatória às instituições notariais e de registro.” (BRASIL, 1994) Desta forma, não é permitido na atividade notarial e registral, qualquer atividade que resulte em lesão moral provocada por atos desprovidos de probidade e honradez.

• Eficiência – o princípio da eficiência garante que os servidores devem aperfeiçoar os seus serviços e as suas atividades, de modo a que possa otimizar os resultados e ainda, possa atender o melhor interesse público.

IMPORTANTE:

O princípio da eficiência contrapõe a lentidão, a omissão e a negligência. Esse princípio determina que os notários e os registrados devem agir de modo rápido, eficiente e adequado.

Souza (2009) dispõe que esse princípio estabelece que toda ação administrativa deve ser orientada de forma a concretização material e efetiva da finalidade posta pela lei. Assim, o art. 4º da Lei nº8935/1994 dispõe:

Art. 4º Os serviços notariais e de registro serão prestados, de modo eficiente e adequado, em dias e horários estabelecidos pelo juízo competente, atendidas as peculiaridades locais, em local de fácil acesso ao público e que ofereça segurança para o arquivamento de livros e documentos.

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§ 1º O serviço de registro civil das pessoas naturais será prestado, também, nos sábados, domingos e feriados pelo sistema de plantão.

§ 2º O atendimento ao público será, no mínimo, de seis horas diárias. (BRASIL, 1994)

Esse artigo garante a eficiência do serviço notarial e registral, e, além disso, o art. 38 da referida lei dispõe que o juiz que for competente deverá zelar para que os serviços notariais e de registros sejam prestados com rapidez, qualidade satisfatória e de modo eficiente.

• Publicidade – vimos a publicidade como uma das caraterísticas do direito notarial e registral, garantida pelo art. 1º da Lei nº8935/1994. O princípio da publicidade garante o dever da divulgação oficial de todos os atos administrativos. Essa divulgação assegura a eficácia do ato, além disso, garante ao administrador a oportunidade de verificar se o ato se contém os requisitos exigidos legalmente, podendo pedir sua anulação caso existam vícios que o torne ilegal.

Além do art. 1º citada anteriormente, o art. 16 da Lei nº6015/1973 (lei que dispõe sobre os registros públicos) diz que os oficiais e os encarregados das repartições, são obrigados a fornecer às partes as informações solicitadas.

Como vimos, esse princípio tem as suas exceções, o que não tratamos quando falamos da publicidade nas características é de que a Constituição Federal em seu art. 5º, incisos XIV e XXXIII traz exceção a esse princípio, sendo: XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;

XXXIII – todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações

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NOTA:

Este princípio está mais ligado a produção de segurança jurídica no que diz respeito aos serviços notariais e registrais, do que a obtenção de eficácia do ato.

Para que se possa consultar os arquivos da serventia, o interessado deve-se fazer por meio do sistema de obtenção de certidões e fornecimento de informações.

Após terminarmos os estudos dos princípios constitucionais, vamos estudar os princípios referentes a cada um dos direitos ora estudamos, pois por mínimas que sejam, o direito notarial e o direito registral possuem diferenças, possuindo cada um, seus princípios específicos.

Princípios do direito notarial

Começaremos então estudando quais são os princípios específicos do direito notarial, sendo eles:

• Fé pública notarial – começamos com o princípio da fé pública, que não é um princípio meramente notarial, pois, como já vimos, os atos dos notários e dos registradores possuem fé pública, como garantido pelo art. 3º da Lei nº8935/1994, que dispõe “Notário, ou tabelião, e oficial de registro, ou registrador, são profissionais do direito, dotados de fé pública, a quem é delegado o exercício da atividade notarial e de registro.” (BRASIL, 1994)

Com relação a fé pública, CENEVIVA (2010) aponta que ela corresponde à uma confiança especial que é atribuída por lei para que os atos praticados pelo oficial, no exercício de sua função, possuam presunção de veracidade e, além disso, a fé pública afirma a eficácia de negócio jurídico ajustado com base no que foi declarado ou praticado pelo registrador e pelo notário.

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IMPORTANTE:

A fé pública reconhece a certeza e a veracidade dos atos notariais e registrais praticados.

Desta forma, podemos concluir que a fé pública é uma das principais características do direito notarial e registral, isto porque, ela proporciona que o notário e o registrador, ao documentar os atos jurídicos entre as pessoas, o faça em favor da justiça, assegurando às partes uma segurança jurídica.

• Forma pública – o princípio da forma pública diz respeito a maneira adequada de formalização do instrumento que irá conter a vontade das partes, para que possa surtir os efeitos jurídicos que ambas desejam. Ceneviva (2010) diz que os atos notariais devem ser praticados por profissionais habilitados, que devem ter livros próprios, de modo a preservar a intenção e a verdade da manifestação que contém nelas.

A forma também garante segurança jurídica, pois elas são documentais e permanece no tempo. No nosso ordenamento jurídico, existem alguns atos que necessitam de certa solenidade, que, se não forem observadas, ocasionará a invalidade do ato notarial.

Assim, o documento público, ao ser formalizado pelo notário, irá colocá-lo no mundo jurídico. O que isso quer dizer?

Isso quer dizer que esse documento possuirá eficácia, terá força executiva e constituirá prova incontestável contra um terceiro, o que o constitui como documento principal.

• Autenticação – o princípio da autenticação diz respeito a certeza da existência de um ato ou de um fato jurídico, que é atestado pelo notário em um instrumento solene.

(MATOSO, 2015)

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Além disso, Ceneviva (2010) diz que a autenticação é a confirmação, pela autoridade da qual o notário é investido, da existência e das circunstâncias que caracterizam o fato, enquanto acontecimento juridicamente relevante.

De acordo com Kollet (2003) a autenticação pode:

• Ter relação de proximidade entre as diferentes partes que intervém na função notarial, chamada de imediação, que nada mais é do que o vínculo entre os interessados e o notário, assim como o do notário com o documento público;

• Pelo requerimento da parte para que o notário atue, chamado rogação;

• Apresentar o documento público unidade formal e substancial, chamado de unidade de ato;

• Guardar em seus arquivos os documentos necessários para a lavratura do ato, preservar sua integridade, chamada de protocolo; assim como, estampar as primeiras e originais manifestações de vontade.

Desse modo, podemos concluir que todos os atos do notário que tragam a vontade das partes, possui presunção de verdade, constituindo assim uma prova plena.

• Princípio da juridicidade da função notarial – esse princípio corresponde a função que o notário possui de zelar pela livre e correta vontade e manifestação das partes.

• Princípio da cautelaridade – primeiramente, nos cabe relembrar você que cautelaridade vem de cautelar, assim, esse princípio trata de uma preservação, conservação, uma proteção.

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Assim, o princípio da cautelaridade traz que o notário deve zelar pelo correto cumprimento do direito, devendo prevenir e precaver os riscos que o ato pode gerar aos seus clientes. Esse princípio tem por fundamento a atuação do notário fora da lide, já que sua atividade possui traços da consensualidade.

Princípios do direito registral

Após estudarmos os princípios exclusivos do direito notarial, com exceção do princípio da fé pública que também é aplicável ao direito registral, vamos estudar agora quais são os princípios eminentemente registral.

• Princípio de inscrição – esse princípio diz respeito ao fato de que, o registrador, ao lançar em seus livros próprios, registros ou averbações, ao atribuir a devida eficácia ao ato, dará assim segurança e oponibilidade perante os terceiros. (MATOSO, 2015)

Nas palavras de Carvalho (2011, p. 137)

O princípio de inscrição significa que a constituição, transmissão, modificação ou extinção dos direitos reais sobre imóveis só se operam entre vivos, mediante sua inscrição no registro. Ainda que uma transmissão ou oneração de imóveis haja sido estipulada negocialmente entre particulares, na verdade só se consumará para produzir o deslocamento da propriedade ou de direito real do transferente ao adquirente pela inscrição.

Assim, esse princípio garante a inscrição dos registros e averbações, assegurando uma maior seguridade jurídica.

• Princípio da publicidade registral – já estudamos o que vem a ser o princípio da publicidade. De acordo com Loureiro (2017) a publicidade pode ser de dois tipos,

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necessária, quando é elemento componente do processo de constituição do direito, ou pode ser declaratória, quando dá publicidade de um direito preexistente.

No que se refere a essa publicidade, Ceneviva (2010) aponta que ela possui três funções especiais, sendo elas:

• Transmitir às pessoas interessadas ou até mesmo não interessadas, o conteúdo do registro;

• Sacrificar embora que parcialmente, a privacidade e a intimidade das pessoas, fornecendo informações sobre bens e direitos seus ou que sejam referentes, a benefício das garantias oriundas do registro;

• Serve para fins estatísticos, de interesse nacional ou de fiscalização pública.

Desta forma, o princípio da publicidade é visto de forma especial no direito registral, para garantir os direitos relacionados aos titulares dos registros, sua validade e os efeitos produzidos perante os terceiros.

• Princípio da qualificação, da legalidade ou da legitimidade – seguindo o princípio da legitimidade, é dever do registrador de examinar o título que lhe é apresentado, devendo ainda, verificar a forma, a validade e a conformidade legal.

Essa função do registrador é denominada qualificação do título. (MAROSO, 2015)

Assim, desse exame feito pelo registrador poderá ser verificada a irregularidade do registro, onde o profissional poderá exigir que o interessado cumpra a irregularidade em um determinado prazo. Podemos então concluir, que esse princípio garante que os registro não ingressem no cartório de forma imperfeita ou inválida.

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• Princípio da continuidade – esse princípio sugere uma conexão entre os assentamentos registrais pertinentes aos direitos e sujeitos. Um exemplo da aplicação desse princípio é se ao receber uma escritura pública de compra e venda para ser registrada, o oficial constate em sede de qualificação do título, que o imóvel que está sendo objeto do negócio jurídico não havia sido registrado no nome do vendedor, que possuía apenas o título aquisitivo sem registro. Com amparo no princípio da continuidade, o oficial do registro de imóveis deve qualificar negativamente o título e exigir que o imóvel seja registrado primeiro em nome do vendedor para, posteriormente, realizar o registro do imóvel em nome do apresentante adquirente.

• Princípio da concentração – todos os fatos e atos jurídicos que acontecem com o imóvel ou com às pessoas com eles envolvidas deve ser registrado no sistema, até mesmo se for para somente dar publicidade ao referido fato ou ato.

(MATOSO, 2015)

• Princípio da prioridade – esse princípio dispõe a outorgar ao primeiro que apresentar o título, a prevalência de seus direitos sobre o que apresenta posteriormente, quando referentes ao mesmo imóvel e contraditório.

Esse princípio também garante que o número de ordem determinará a prioridade do título, e está a preferência dos direitos reais, ainda que apresentados pela mesma pessoa mais de um título simultaneamente.

• Princípio da unitariedade da Matrícula – assegura que cada imóvel será objeto de uma matrícula e cada matrícula descrever apenas um imóvel. Não se pode uma matrícula descrever mais de um imóvel.

Desta forma, terminamos nosso estudo sobre os princípios que julgamos importantes para o estudo dessa disciplina.

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RESUMINDO:

Estudamos neste capítulo sobre os princípios do direito notarial e registral. Iniciamos estudando sobre os princípios constitucionais que são aplicáveis a todos os servidores públicos, sendo eles: legalidade, igualdade, moralidade, eficiência e publicidade. Posteriormente, ingressamos no estudo sobre alguns princípios aplicáveis a cada um desses direitos, começando com os princípios do direito notarial, estudamos entre eles: fé pública notarial, forma pública, autenticação, princípio da juridicidade da função notarial, cautelaridade. Em seguida, estudamos os do direito registral, sendo eles: princípio de inscrição, princípio da publicidade registral, da qualificação, da legalidade ou da legitimidade, continuidade, concentração, prioridade e unitariedade da matrícula.

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Atividades notariais e registrais

OBJETIVOS:

Seguindo o estudo do direito notarial e registral, neste capítulo apresentaremos quem são os titulares das atividades notariais e registrais, vindo a esclarecer que atividades eles exercem e como podem ingressar nessas atividades. Empolgados para esclarecer as dúvidas sobre essas matérias? Vamos lá!

Titulares dos serviços notarial e registral

Muitos falamos nessa unidade em notário e registrador. Podemos dizer nas palavras de Tibães (2015) que os notários são as pessoas que utilizam da ata notarial para narrar os fatos e transcrevê-los para o livro próprio que será lavrado, já os registradores ou oficiais de registro são os profissionais que possuem a função de constituir e declarar atos jurídicos tidos como verídicos por meio de escrituras públicas ou instrumentos particulares.

Assim, sabendo a definição, o que eles fazem e seus princípios, devemos então perguntar: quem são os titulares dessas funções?

A resposta para essa pergunta está contida no art. 5º da Lei nº8935/94, que traz que os titulares dos serviços notariais e de registro são:

• Tabeliães de notas;

• Tabeliães e oficiais de registro de contratos marítimos;

• Tabeliães de protesto de títulos;

• Oficiais de registro de imóveis;

• Oficiais de registro de títulos e documento civil das pessoas jurídicas;

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• Oficiais de registro civil das pessoas naturais e de interdições e tutelas;

• Oficiais de registro de distribuição.

Mas no que se refere às atribuições de cada um desses profissionais, quais são elas?

Figura 3 – Registro

Fonte: Freepik Registration Registration

A resposta está contida nas duas leis federais que foram promulgadas com relação a esses serviços, sendo elas, como já vimos a Lei nº6015/73 e a Lei nº8935/94, essas leis estabelecem que é competência:

• Do tabelião de notas, de acordo com os arts. 6º e 7º da Lei nº8935/94 - formalizar juridicamente a vontade das partes;

intervir nos atos e negócios jurídicos a que as partes devam ou queiram dar forma legal ou autenticidade, autorizando a redação ou redigindo os instrumentos adequados, conservando os originais e expedindo cópias fidedignas de seu conteúdo; autenticar fatos; lavrar escrituras e procurações públicas; lavrar testamentos públicos e aprovar os cerrados; lavrar atas notariais; reconhecer firmas e autenticar cópias;

• Do tabelião e oficial de registro de contratos marítimos, de acordo com o art. 10 da Lei nº8935/94 - lavrar os

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atos, contratos e instrumentos relativos a transações de embarcações a que as partes devam ou queiram dar forma legal de escritura pública; registrar os documentos da mesma natureza; reconhecer firmas em documentos destinados a fins de direito marítimo; expedir traslados e certidões;

• Do tabelião de protesto de títulos, de acordo com o art. 11 da Lei nº8935/94 - protocolar os documentos de dívida, para prova do descumprimento da obrigação; intimar os devedores dos títulos para aceitá-los, devolvê-los ou pagá-los, sob pena de protesto; receber o pagamento dos títulos protocolados, dando quitação; lavrar o protesto, registrando o ato em livro próprio, em microfilme ou sob outra forma de documentação; acatar o pedido de desistência do protesto formulado pelo apresentante;

averbar o cancelamento do protesto, as alterações necessárias para atualização dos registros efetuados e expedir certidões de atos e documentos que constem de seus registros e papéis;

• Do oficial de registro de imóveis – é feito as matrículas dos imóveis, além disso, o art. 167 da Lei nº6015/73 traz um rol extenso de suas competências, onde podemos trazer por exemplo, o registro da instituição de bem de família;

o registros das hipotecas legais; o registro dos contratos de locação de prédios, nos quais tenha sido consignada cláusula de vigência no caso de alienação da coisa locada; averbação por cancelamento, da extinção dos ônus e direitos reais; averbação das cédulas hipotecárias;

averbação do restabelecimento da sociedade conjugal, entre outras.

SAIBA MAIS:

Leia o art. 167 da nº6015/73 na integra, acessando http://

www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6015consolidado.

htm, para que possa ter conhecimento de todas as competências do oficial de registro de imóveis.

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• Do oficial de registro de títulos e documentos civil das pessoas jurídicas – suas competências são várias elencadas na Lei nº6015/73, no que se refere ao registro de títulos e documentos, as competências estão contidas nos 127 e 129, que dispõe itens como por exemplo: a transcrição dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; as transcrições do penhor comum sobre coisas móveis; a transcrição do contrato de parceria agrícola, entre outros.

No que se refere ao registro civil das pessoas jurídicas, a competência se encontra nos art. 114 e 122 da referida lei, podendo citar que devem ser matriculados no registro civil das pessoas jurídicas: os jornais e demais publicações periódicas, as oficinas impressoras de qualquer natureza, pertencentes a pessoas naturais ou jurídicas; as empresas que tenham por objeto o agenciamento de notícias.

SAIBA MAIS:

Leia os arts. 114, 122, 127 e 129 da Lei nº6015/73, na íntegra acessando http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/

L6015consolidado.htm, para saber todas as competências do oficial de registro de títulos e documentos civil das pessoas jurídicas.

• Do oficial de registro civil de pessoas naturais e de interdições e tutelas – sua competência encontra-se prevista no Título II da Lei nº6015/73, podendo citar entre elas: o registro de nascimento, de casamento, os óbitos, as emancipações, as interdições, as sentenças declaratórias de ausência, as opções de nacionalidade, as sentenças que deferirem a legitimidade adotiva; devem ser averbados as sentenças que decidirem a nulidade ou anulação do casamento, o desquite e o restabelecimento da sociedade conjugal; os casamento de que resultar a legitimação de filhos havidos ou concebidos anteriormente, entre outros.

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SAIBA MAIS:

Como nos demais itens em que as competências possuem um rol mais extenso, para que você saiba mais é viável ler o Título II da nº6015/73, referente ao registro de pessoas naturais.

• Do oficial de registro de distribuição – suas competências estão dispostas no art. 13 da Lei nº8935/94, em que consta: proceder à distribuição equitativa pelos serviços de mesma natureza, registrando os atos praticados, ou registrar as comunicações recebidas dos órgãos e serviços competentes; efetuar as averbações e os cancelamentos de sua competência e expedir certidões de atos e documentos que constem de seus registros e papéis.

Sabendo quem são os titulares dessas atividades e qual a competência de cada um, devemos ressaltar que essas funções não são cumulativas, havendo somente a exceção trazida pelo parágrafo único do art. 26 da Lei nº8935/94, em que consta que esses serviços podem ser cumulados nos Municípios que não comportarem, devido ao volume dos serviços ou da receita, a instalação de mais de um dos serviços.

IMPORTANTE:

O único registro que é obrigatório ter em todos os municípios do país é o registro civil de pessoas naturais.

Além disso, podem os notários e os registradores, contratarem escreventes para o desempenho de suas funções, como também auxiliares, que deverão praticar os atos autorizados pelos notários e pelos registradores, não podendo, todavia, lavrar testamentos.

No entanto, de acordo com o art. 21 da Lei nº8935/94

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Art. 21. O gerenciamento administrativo e financeiro dos serviços notariais e de registro é da responsabilidade exclusiva do respectivo titular, inclusive no que diz respeito às despesas de custeio, investimento e pessoal, cabendo-lhe estabelecer normas, condições e obrigações relativas à atribuição de funções e de remuneração de seus prepostos de modo a obter a melhor qualidade na prestação dos serviços. (BRASIL, 1994)

Assim, essas funções não podem ser concedidas a prepostos.

Visto quem são os titulares dos serviços notariais e registrais, nos cabe agora estudarmos como se dá o ingresso nessa atividade.

Ingresso na atividade notarial e registral

Como já vimos, o art. 236, §3º da Constituição Federal, dispõe que para o ingresso no serviço notarial e de registro é necessário a aprovação em concurso público.

Como órgão fiscalizador dessas atividades, é o poder Judiciário o órgão incumbido de realização do concurso, no entanto, deve a Ordem dos Advogados, o Ministério Público, um notário e um registrador, estarem presentes em todas as fases do concurso. Pode o concurso ser ou de ingresso na carreira, que é o caso de haver provas e títulos, ou concurso de remoção, que haverá provas e títulos, no entanto, o concurso de remoção ocorre no caso dos profissionais que já se encontram na atividade, mas desejam apenas mudar de serventia.

NOTA:

Até 2009 o concurso de remoção ocorria apenas com os títulos, no entanto, a Resolução 81/2009 do Conselho Nacional de Justiça, trouxe a exigência de que o concurso para remoção tivesse também a prova.

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NOTA:

Padoin (2011) aponta que o titular pode pedir remoção para atividade diferente da que estava exercendo, ou seja, um tabelião pode habilitar-se para a atividade de registrador e vice-versa. Assim, ele assumirá nova serventia em razão de remoção, ficando aquela em que ele era titular com vaga disponível, e então para que seja preenchida novo concurso público deverá ser realizado.

O art. 16 da Lei nº8935/94 dispõe que

Art. 16. As vagas serão preenchidas alternadamente, duas terças partes por concurso público de provas e títulos e uma terça parte por meio de remoção, mediante concurso de títulos, não se permitindo que qualquer serventia notarial ou de registro fique vaga, sem abertura de concurso de provimento inicial ou de remoção, por mais de seis meses.

Parágrafo único. Para estabelecer o critério do preenchimento, tomar-se-á por base a data de vacância da titularidade ou, quando vagas na mesma data, aquela da criação do serviço.

Assim, as vagas do concurso devem ser preenchidas de forma alternadamente, devendo ser dois terços por concurso público de ingresso na carreira e um terço por meio de remoção. Devendo lembrar o fato de que para remoção também deve haver prova, como já mencionamos.

Vimos que o concurso de remoção ocorre no caso dos profissionais que já se encontram na atividade, mas desejam apenas mudar de serventia. Mas existe algum requisito especial, ou qualquer pessoa que seja profissional na atividade já pode pedir a remoção?

De acordo com o art. 17 da Lei nº8935/94, para que possa prestar o concurso de remoção, só é admitido os profissionais que estejam exercendo a atividade por mais de dois anos, esse prazo começa a ser contado a partir do ato de outorga da delegação.

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Sabendo as formas de ingresso na atividade notarial e registral, é importante então estudarmos quais são os requisitos necessário para o exercício dessas atividades. Esses requisitos estão contidos no art. 14 da Lei nº8935/94, sendo eles:

• Habilitação em concurso público de provas e títulos;

• Nacionalidade brasileira;

• Capacidade civil;

• Quitação com as obrigações eleitorais e militares;

• Diploma de bacharel em direito;

• Verificação de conduta condigna para o exercício da profissão.

Com relação ao requisito de diploma em bacharel em direito, o §2º do art. 15 da referida lei, diz que poderão concorrer ao cargo também pessoas que não sejam bacharéis em direito, no entanto, deverão ter completado, até a data da primeira publicação do edital do concurso de provas e títulos, dez anos de exercício em serviço notarial ou de registro.

Competência territorial do notário de do registrador

Estudamos nesta unidade quem são os titulares do serviço notarial e do registral, quais as suas competências e como elas podem ingressar na atividade. O que não falamos foi da sua competência territorial. O que vem a ser isso?

Em relação ao notário e ao registrador, a competência territorial diz respeito ao local onde eles possuem competência para exercer o seu trabalho.

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Tratando primeiramente da competência do notário, Loureiro (2017) apontam que esses profissionais são de escolha livre, ou seja, as partes podem escolher o notário seja no domicílio das partes, seja no lugar de situação dos bens que são objeto do ato ou do negócio jurídico.

IMPORTANTE:

Apesar da escolha no notário seja livre, este só poderá praticar atos dentro do Município para o qual ele receber delegação.

Assim, mesmo o notário podendo realizar atos em que os bens estejam situados em outra cidade ou que as partes residem em cidade diversa, esse profissional só pode praticar no ato no munícipio para o qual foi delegado a sua função, devendo as partes se locomoverem até o cartório para que sejam outorgados os fatos.

No que se refere à competência territorial dos registradores, o art. 12 da Lei nº8935/94 dispõe que

Aos oficiais de registro de imóveis, de títulos e documentos e civis das pessoas jurídicas, civis das pessoas naturais e de interdições e tutelas compete a prática dos atos relacionados na legislação pertinente aos registros públicos, de que são incumbidos, independentemente de prévia distribuição, mas sujeitos os oficiais de registro de imóveis e civis das pessoas naturais às normas que definirem as circunscrições geográficas. (BRASIL, 1994)

De acordo com esse artigo, só se levava em consideração a territorialidade o registro de imóveis e o de pessoas naturais. No entanto, o Conselho Nacional de Justiça, estabeleceu o entendimento de que a territorialidade deve ser observada também no registro de títulos e documentos.

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Muito falamos em territorialidade, mas o que isso quer dizer?

De acordo com Loureiro (2017) a territorialidade dos registros supracitados diz respeito ao fato de que os registradores devem realizar os atos de seu ofício nos territórios definidos em lei, assim, ao contrário dos notários que possuem uma liberdade na hora de atuar, os registradores devem seguir o que a lei determina.

É importante ressaltar que isso não delimita a publicação do ato, no que diz respeito ao registro de títulos e documentos, e o de pessoas jurídicas, o art. 130 da Lei nº6015 estabelece que no prazo de vinte dias da data da sua assinatura pelas partes, todos os atos desses registros devem ser registrados no domicílio das partes contratantes e, quando essas pessoas residem em cidades diferentes, deve o registro ser feito em todas elas.

RESUMINDO:

Estudamos neste capítulo que os titulares dos serviços notariais e de registro são: tabeliães de notas, tabeliães e oficiais de registro de contratos marítimos, tabeliães de protesto de títulos, oficiais de registro de imóveis, oficiais de registro de títulos e documento civil das pessoas jurídicas, oficiais de registro civil das pessoas naturais e de interdições e tutelas e oficiais de registro de distribuição. Vimos então quais são as competências de cada um desses titulares. Em seguida, estudamos os requisitos para o ingresso nessas atividades, sendo elas: habilitação em concurso público de provas e títulos, nacionalidade brasileira, capacidade civil, quitação com as obrigações eleitorais e militares, diploma de bacharel em direito, verificação de conduta condigna para o exercício da profissão. No entanto, vimos que existem casos que a pessoa não necessita ter o diploma de bacharel em direito, que é no caso de um funcionário ter completado, até a data da primeira publicação do edital do concurso de provas e títulos, dez anos de exercício em serviço notarial ou de registro. Por fim, vimos a competência territorial de ambas as funções, vendo que o notário pode atuar livremente, mas só pode praticar atos dentro do Município para o qual foi delegado e que os registradores devem realizar os atos de seu ofício nos territórios definidos em lei.

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Incompatibilidade, impedimentos e extinção dos serviços notariais e registrais

OBJETIVOS:

Esse capítulo se dedicará a explicar sobre a incompatibilidade, impedimento e extinção dos serviços notariais e registrais, mas, antes disso, explicaremos a responsabilidade desses servidores e os seus direitos.

Sendo essas matérias importantes na prática para que não ocorra injustiça com relação a esses serventuários.

Antes de tratarmos da incompatibilidade, dos impedimentos e da extinção dos serviços notariais e registrais, devemos tratar da responsabilidade desses servidores.

Responsabilidade dos serviços notariais e registrais

Os notariais e registrais, no exercício de suas funções, podem cometer infrações de natureza administrativa, civil e penal, onde deverão ser penalizados na esfera competente. Vamos estudar cada uma delas.

Responsabilidade administrativa

A responsabilidade administrativa diz respeito às infrações disciplinares que estão contidas no art. 31 da Lei nº 8935/94, essas infrações são:

• Inobservância das prescrições legais ou normativas;

• Conduta atentatória às instituições notariais e de registro;

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• Cobrança indevida ou excessiva de emolumentos, ainda que sob a alegação de urgência;

• Violação do sigilo profissional;

• Descumprimento de quaisquer dos seus deveres.

SAIBA MAIS:

Para saber quais são os deveres dos notariais e dos registradores, leia no art. 30 da Lei nº 8935/94, disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8935.htm.

Podemos citar como exemplo desses deveres, podemos trazer: manter em ordem os livros, papéis e documentos de sua serventia, guardando-os em locais seguros; atender as partes com eficiência, urbanidade e presteza; atender prioritariamente as requisições de papéis, documentos, informações ou providências que lhes forem solicitadas pelas autoridades judiciárias ou administrativas para a defesa das pessoas jurídicas de direito público em juízo; Lei os demais acessando o link.

As penalidades por esses atos, estão dispostas no art. 32 da lei em comento, que diz que poderá ser de: repressão, no caso de falta leve;

multa, no caso de reincidência ou de infração que não configure uma falta mais grave; e suspensão, no caso de reiterado descumprimento dos deveres ou de falta grave.

Como a lei não trata o que vem a ser pena leve, média ou grave, é de competência do juiz independentemente da ordem de gradação, decidir de acordo com o caso concreto.

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NOTA:

A Lei também não estabelece como vem a ser a aplicação da pena de multa, não indicando como devem ser elaborados os cálculos do montante que deve ser pago. Desta forma, deve o juiz aplicar a multa de acordo com o caso concreto, devendo observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade para não cobrar valores excessivos nem irrisórios.

Além disso, esses servidores poderão perder a sua delegação, mas isso dependerá de uma sentença judicial transitada em julgado ou de uma decisão decorrente de processo administrativo instaurado pelo juízo competente, devendo ser assegurado o amplo direito de defesa.

É importante ressaltarmos que no caso de a infração constituir em perda da delegação, deverá o juízo que for competente suspender o notário ou registrador, até que seja deferida a decisão final, devendo designar um interventor.

Responsabilidade civil

De acordo com o art. 927 do Código Civil, toda pessoa que causa dano a outrem tem a obrigação legal de repará-lo. Assim, esse artigo também se aplica aos notários e aos registradores, prevendo o art. 22 da Lei nº8935/94 que “os notários e oficiais de registro são civilmente responsáveis por todos os prejuízos que causarem a terceiros, por culpa ou dolo, pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que autorizarem, assegurado o direito de regresso” (BRASIL, 1994)

Desta forma, caso o notário ou registrador, de forma direta ou por meio de seus prepostos, pratiquem ato ilícito, têm o dever de reparar o dano, devendo ser feita sempre que possível pela restituição do que foi perdido com o ato ilícito, no caso de não ser possível a restituição do que foi perdido é que poderá ser aplicada a reparação pecuniária.

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Você deve então se perguntar quais são os atos ilícitos na esfera civil que os notários e os registradores podem praticar?

Padoin (2011) traz como exemplo o tabelião ao reconhecer uma assinatura grosseiramente falsificada em determinado documento, supondo ser a mesma verdadeira; o tabelião lavrar uma escritura de compra e venda ou de doação em desacordo com os ditames legais; o registrador de imóveis abrir uma segunda matrícula para o mesmo imóvel, atribuindo a propriedade do bem a terceiro; o tabelião de protesto levar a protesto título diverso do apresentado, e assim por diante.

A jurisprudência ainda é controvertida no que se refere a se essa responsabilidade é objetiva ou subjetiva, mas grande parte entende ser ela objetiva, devendo então eles responderem pelos danos causados, independentemente de culpa ou dolo.

Responsabilidade penal

Por fim, existe a hipótese da responsabilidade penal desses profissionais. Primeiramente, devemos dizer que a responsabilidade civil independe da criminal, nos termos do art. 23 da Lei nº8935/94. Além disso, o art. 24 da referida lei dispõe que a responsabilidade penal deverá ser aplicada de forma individual, devendo ser aplicado no que couber a legislação relativa aos crimes contra a administração pública.

Assim, Padoin (2011, p. 26) aponta

a apuração de um ilícito, que ao mesmo tempo é ilícito civil e penal, é independente nas duas esferas judiciais, e, como regra, a decisão de uma não interfere na decisão da outra. Significa dizer: o notário ou registrador pode ser responsabilizado civilmente pelo dano decorrente do ato ilícito praticado, mas ser absolvido na esfera penal.

Como exemplo de crime cometido por esse servidor, podemos trazer o reconhecimento falso de letra ou de firma, em que a pena é de reclusão de um a cinco anos e multa, caso o documento seja particular.

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Tratamos da responsabilidade dos notários e dos registradores, e citamos em uma das iconografias a importância dos seus deveres. No entanto, é importante também mostrarmos quais são os seus direitos antes de tratarmos da incompatibilidade, impedimentos e extinção.

Direitos dos notários e dos registradores

Os direitos dos notários e dos oficiais de registro estão contidos nos arts. 28 e 29 da Lei nº8935/94.

O art. 28 dispõe que esses profissionais possuem independência no exercício de suas atribuições, possuindo o direito de percepção dos emolumentos integrais pelos atos praticados na serventia e só poderão perder a delegação nas hipóteses contidas na lei.

IMPORTANTE:

A independência tratada acima, de acordo com Padoin (2011) consiste na autonomia no que se refere à gestão da serventia, e não em relação às atribuições inerentes ao exercício da função, pois estas estão todas definidas em lei.

Você sabe o que são os emolumentos citados mais acima?

Esses emolumentos consistem na remuneração que esses profissionais têm direito pelos serviços que são prestados aos particulares.

Podemos citar como exemplo: Ao comparecermos ao tabelionato para que ele reconheça firma, pagamos um valor pela prestação de serviço, esse valor corresponde aos emolumentos.

Além do art. 29, o art. 30 da Lei nº8935/94, traz que constitui direito do notário e do registrador:

• Exercer a opção, nos casos de desmembramento ou desdobramento de sua serventia.

O que esse item quer dizer?

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Nas palavras de Padoin (2011) o desmembramento se refere ao território, importando assim, na criação de nova serventia em razão da divisão do território, isto é, existia apenas uma circunscrição, e, devido ao desmembramento, houve a criação de uma nova. Já no que diz respeito ao desdobramento a própria atividade é separado, ou seja, o oficial respondia pelo Registro de Títulos e Documentos e pelo de Registro de Imóveis, acontecendo à separação destes registros, ele passa a responder por apenas um deles.

Deste modo, esse item quer dizer que o notarial ou o registrador acontecendo cada um desses casos poderá escolher em qual serventia desejará exercer as suas atividades.

• Organizar associações ou sindicatos de classe e deles participar.

Esse não é só um direito garantido por a lei em comento, esse é um direito garantido pela própria Constituição Federal, sendo considerado um direito fundamental.

Nas palavras de Padoin (2011, p.29)

São inúmeras as associações e sindicatos atualmente existentes no Brasil. As mais conhecidas são a Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg/BR), o Instituto dos Registradores Imobiliários do Brasil (Irib), a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen- Brasil), o Colégio Notarial do Brasil, e, no âmbito do nosso Estado, o Colégio Registral do Estado do Rio Grande do Sul.

Assim, é assegurado a todos os notários e registradores se associarem a sindicatos e a associações, e ainda, deles participar.

Após vermos em que consiste a responsabilidade desses servidores, vendo que eles possuem deveres, mas também estudarmos quais são os seus direitos, vamos ingressar no estudo das incompatibilidades, impedimentos e da extinção dos serviços notariais e registrais.

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Incompatibilidades e impedimentos

Loureiro (2017) traz que se entende por incompatibilidade o impedimento ou a vedação legal para exercer duas funções de forma simultânea; no que se refere ao impedimento, ele consiste no defeito ou proibição para exercer ou obter um emprego, ofício ou função, devido a prática de algum ilícito ou da falta de algum requisito.

Consequentemente, a incompatibilidade se assenta em razões éticas ou morais e inclusive à possibilidade física de dar o devido cumprimento às funções ou tarefas que a lei incumbe determinado agente, que não poderiam ser realizadas de maneira simultânea. Já o impedimento diz respeito à pessoa que vai ocupar um cargo ou exercer uma função e se refere a seus conhecimentos específicos, a sua idoneidade, à sua formação teórica na disciplina em que atuará, em suma, à sua aptidão técnica. (LOUREIRO, 2017, p. 92 e 93)

Mesmo a gente mostrando que existe diferença entre incompatibilidade e impedimento, a lei nº8935/94 que dispõe sobre os serviços notariais e de registro, não traz distinção entre esses dois termos, trazendo em seu art. 25 que o exercício da atividade notarial e de registro é incompatível com o da advocacia, o da intermediação de seus serviços ou o de qualquer cargo, emprego ou função pública, ainda que seja cargo em comissão. No entanto, pelo nosso conhecimento, podemos dizer que essas se tratam de hipóteses de incompatibilidade.

O §2º do art. 25 supramencionado, diz que na hipótese de mandato eletivo, a diplomação ocasionará o afastamento da atividade, e nos demais casos, esse afastamento ocorrerá com a posse.

Referências

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