Muitos falamos nessa unidade em notário e registrador. Podemos dizer nas palavras de Tibães (2015) que os notários são as pessoas que utilizam da ata notarial para narrar os fatos e transcrevê-los para o livro próprio que será lavrado, já os registradores ou oficiais de registro são os profissionais que possuem a função de constituir e declarar atos jurídicos tidos como verídicos por meio de escrituras públicas ou instrumentos particulares.
Assim, sabendo a definição, o que eles fazem e seus princípios, devemos então perguntar: quem são os titulares dessas funções?
A resposta para essa pergunta está contida no art. 5º da Lei nº8935/94, que traz que os titulares dos serviços notariais e de registro são:
• Tabeliães de notas;
• Tabeliães e oficiais de registro de contratos marítimos;
• Tabeliães de protesto de títulos;
• Oficiais de registro de imóveis;
• Oficiais de registro de títulos e documento civil das pessoas jurídicas;
• Oficiais de registro civil das pessoas naturais e de interdições e tutelas;
• Oficiais de registro de distribuição.
Mas no que se refere às atribuições de cada um desses profissionais, quais são elas?
Figura 3 – Registro
Fonte: Freepik Registration Registration
A resposta está contida nas duas leis federais que foram promulgadas com relação a esses serviços, sendo elas, como já vimos a Lei nº6015/73 e a Lei nº8935/94, essas leis estabelecem que é competência:
• Do tabelião de notas, de acordo com os arts. 6º e 7º da Lei nº8935/94 - formalizar juridicamente a vontade das partes;
intervir nos atos e negócios jurídicos a que as partes devam ou queiram dar forma legal ou autenticidade, autorizando a redação ou redigindo os instrumentos adequados, conservando os originais e expedindo cópias fidedignas de seu conteúdo; autenticar fatos; lavrar escrituras e procurações públicas; lavrar testamentos públicos e aprovar os cerrados; lavrar atas notariais; reconhecer firmas e autenticar cópias;
• Do tabelião e oficial de registro de contratos marítimos, de acordo com o art. 10 da Lei nº8935/94 - lavrar os
atos, contratos e instrumentos relativos a transações de embarcações a que as partes devam ou queiram dar forma legal de escritura pública; registrar os documentos da mesma natureza; reconhecer firmas em documentos destinados a fins de direito marítimo; expedir traslados e certidões;
• Do tabelião de protesto de títulos, de acordo com o art. 11 da Lei nº8935/94 - protocolar os documentos de dívida, para prova do descumprimento da obrigação; intimar os devedores dos títulos para aceitá-los, devolvê-los ou pagá-los, sob pena de protesto; receber o pagamento dos títulos protocolados, dando quitação; lavrar o protesto, registrando o ato em livro próprio, em microfilme ou sob outra forma de documentação; acatar o pedido de desistência do protesto formulado pelo apresentante;
averbar o cancelamento do protesto, as alterações necessárias para atualização dos registros efetuados e expedir certidões de atos e documentos que constem de seus registros e papéis;
• Do oficial de registro de imóveis – é feito as matrículas dos imóveis, além disso, o art. 167 da Lei nº6015/73 traz um rol extenso de suas competências, onde podemos trazer por exemplo, o registro da instituição de bem de família;
o registros das hipotecas legais; o registro dos contratos de locação de prédios, nos quais tenha sido consignada cláusula de vigência no caso de alienação da coisa locada; averbação por cancelamento, da extinção dos ônus e direitos reais; averbação das cédulas hipotecárias;
averbação do restabelecimento da sociedade conjugal, entre outras.
SAIBA MAIS:
Leia o art. 167 da nº6015/73 na integra, acessando http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6015consolidado.
htm, para que possa ter conhecimento de todas as competências do oficial de registro de imóveis.
• Do oficial de registro de títulos e documentos civil das pessoas jurídicas – suas competências são várias elencadas na Lei nº6015/73, no que se refere ao registro de títulos e documentos, as competências estão contidas nos 127 e 129, que dispõe itens como por exemplo: a transcrição dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; as transcrições do penhor comum sobre coisas móveis; a transcrição do contrato de parceria agrícola, entre outros.
No que se refere ao registro civil das pessoas jurídicas, a competência se encontra nos art. 114 e 122 da referida lei, podendo citar que devem ser matriculados no registro civil das pessoas jurídicas: os jornais e demais publicações periódicas, as oficinas impressoras de qualquer natureza, pertencentes a pessoas naturais ou jurídicas; as empresas que tenham por objeto o agenciamento de notícias.
SAIBA MAIS:
Leia os arts. 114, 122, 127 e 129 da Lei nº6015/73, na íntegra acessando http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/
L6015consolidado.htm, para saber todas as competências do oficial de registro de títulos e documentos civil das pessoas jurídicas.
• Do oficial de registro civil de pessoas naturais e de interdições e tutelas – sua competência encontra-se prevista no Título II da Lei nº6015/73, podendo citar entre elas: o registro de nascimento, de casamento, os óbitos, as emancipações, as interdições, as sentenças declaratórias de ausência, as opções de nacionalidade, as sentenças que deferirem a legitimidade adotiva; devem ser averbados as sentenças que decidirem a nulidade ou anulação do casamento, o desquite e o restabelecimento da sociedade conjugal; os casamento de que resultar a legitimação de filhos havidos ou concebidos anteriormente, entre outros.
SAIBA MAIS:
Como nos demais itens em que as competências possuem um rol mais extenso, para que você saiba mais é viável ler o Título II da nº6015/73, referente ao registro de pessoas naturais.
• Do oficial de registro de distribuição – suas competências estão dispostas no art. 13 da Lei nº8935/94, em que consta: proceder à distribuição equitativa pelos serviços de mesma natureza, registrando os atos praticados, ou registrar as comunicações recebidas dos órgãos e serviços competentes; efetuar as averbações e os cancelamentos de sua competência e expedir certidões de atos e documentos que constem de seus registros e papéis.
Sabendo quem são os titulares dessas atividades e qual a competência de cada um, devemos ressaltar que essas funções não são cumulativas, havendo somente a exceção trazida pelo parágrafo único do art. 26 da Lei nº8935/94, em que consta que esses serviços podem ser cumulados nos Municípios que não comportarem, devido ao volume dos serviços ou da receita, a instalação de mais de um dos serviços.
IMPORTANTE:
O único registro que é obrigatório ter em todos os municípios do país é o registro civil de pessoas naturais.
Além disso, podem os notários e os registradores, contratarem escreventes para o desempenho de suas funções, como também auxiliares, que deverão praticar os atos autorizados pelos notários e pelos registradores, não podendo, todavia, lavrar testamentos.
No entanto, de acordo com o art. 21 da Lei nº8935/94
Art. 21. O gerenciamento administrativo e financeiro dos serviços notariais e de registro é da responsabilidade exclusiva do respectivo titular, inclusive no que diz respeito às despesas de custeio, investimento e pessoal, cabendo-lhe estabelecer normas, condições e obrigações relativas à atribuição de funções e de remuneração de seus prepostos de modo a obter a melhor qualidade na prestação dos serviços. (BRASIL, 1994)
Assim, essas funções não podem ser concedidas a prepostos.
Visto quem são os titulares dos serviços notariais e registrais, nos cabe agora estudarmos como se dá o ingresso nessa atividade.
Ingresso na atividade notarial e registral
Como já vimos, o art. 236, §3º da Constituição Federal, dispõe que para o ingresso no serviço notarial e de registro é necessário a aprovação em concurso público.
Como órgão fiscalizador dessas atividades, é o poder Judiciário o órgão incumbido de realização do concurso, no entanto, deve a Ordem dos Advogados, o Ministério Público, um notário e um registrador, estarem presentes em todas as fases do concurso. Pode o concurso ser ou de ingresso na carreira, que é o caso de haver provas e títulos, ou concurso de remoção, que haverá provas e títulos, no entanto, o concurso de remoção ocorre no caso dos profissionais que já se encontram na atividade, mas desejam apenas mudar de serventia.
NOTA:
Até 2009 o concurso de remoção ocorria apenas com os títulos, no entanto, a Resolução 81/2009 do Conselho Nacional de Justiça, trouxe a exigência de que o concurso para remoção tivesse também a prova.
NOTA:
Padoin (2011) aponta que o titular pode pedir remoção para atividade diferente da que estava exercendo, ou seja, um tabelião pode habilitar-se para a atividade de registrador e vice-versa. Assim, ele assumirá nova serventia em razão de remoção, ficando aquela em que ele era titular com vaga disponível, e então para que seja preenchida novo concurso público deverá ser realizado.
O art. 16 da Lei nº8935/94 dispõe que
Art. 16. As vagas serão preenchidas alternadamente, duas terças partes por concurso público de provas e títulos e uma terça parte por meio de remoção, mediante concurso de títulos, não se permitindo que qualquer serventia notarial ou de registro fique vaga, sem abertura de concurso de provimento inicial ou de remoção, por mais de seis meses.
Parágrafo único. Para estabelecer o critério do preenchimento, tomar-se-á por base a data de vacância da titularidade ou, quando vagas na mesma data, aquela da criação do serviço.
Assim, as vagas do concurso devem ser preenchidas de forma alternadamente, devendo ser dois terços por concurso público de ingresso na carreira e um terço por meio de remoção. Devendo lembrar o fato de que para remoção também deve haver prova, como já mencionamos.
Vimos que o concurso de remoção ocorre no caso dos profissionais que já se encontram na atividade, mas desejam apenas mudar de serventia. Mas existe algum requisito especial, ou qualquer pessoa que seja profissional na atividade já pode pedir a remoção?
De acordo com o art. 17 da Lei nº8935/94, para que possa prestar o concurso de remoção, só é admitido os profissionais que estejam exercendo a atividade por mais de dois anos, esse prazo começa a ser contado a partir do ato de outorga da delegação.
Sabendo as formas de ingresso na atividade notarial e registral, é importante então estudarmos quais são os requisitos necessário para o exercício dessas atividades. Esses requisitos estão contidos no art. 14 da Lei nº8935/94, sendo eles:
• Habilitação em concurso público de provas e títulos;
• Nacionalidade brasileira;
• Capacidade civil;
• Quitação com as obrigações eleitorais e militares;
• Diploma de bacharel em direito;
• Verificação de conduta condigna para o exercício da profissão.
Com relação ao requisito de diploma em bacharel em direito, o §2º do art. 15 da referida lei, diz que poderão concorrer ao cargo também pessoas que não sejam bacharéis em direito, no entanto, deverão ter completado, até a data da primeira publicação do edital do concurso de provas e títulos, dez anos de exercício em serviço notarial ou de registro.