Primeiramente devemos tratar dos princípios constitucionais, sendo esses princípios referentes à Administração Pública, mas que também regem o direito notarial e registral. Assim temos os seguintes princípios:
• Legalidade – o princípio da legalidade determina que a Administração Pública está sujeita às determinações legais, sendo sua principal finalidade impedir que os administradores se aproveitem da sua função para aproveitamentos pessoais ou para perseguir pessoas que não gostem.
O art. 236, §1º da Constituição Federal traz em seu texto que “Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário.” (BRASIL, 1988) Corroborando com esse artigo, o art. 31 da Lei nº8935/1994 (Lei que dispõe sobre os serviços notariais e de registro, como já vimos) dispõe que “São infrações disciplinares que sujeitam os notários e os oficiais de registro às penalidades previstas nesta lei: I - a inobservância das prescrições legais ou normativas.” (BRASIL, 1994)
Desta forma, podemos concluir que é de responsabilidade dos profissionais notariais e de registro, de acordo com o princípio da legalidade, seguir a regulamentação legal sobre a sua função, sob pena de que seu ato seja considerado inválido, além disso, poderá ser responsabilizado de forma disciplinar, civil e criminal.
O Registrador deverá examinar o título apresentado e fazer uma apreciação quanto à forma, validade e conformidade com a lei.
Ao receber o título para registro, antes mesmo de examiná-lo sob a luz dos princípios da disponibilidade, especialidade e continuidade, mister que o analise, primeiramente, sob o aspecto legal, e isto deverá ser feito tomando-se em conta: a) se o imóvel objeto da relação jurídica que lhe é apresentado está situado em sua circunscrição imobiliária; b) se o título que lhe é apresentado se reveste das formalidades legais exigidas por lei; c) se os impostos devidos foram recolhidos; d) se as partes constantes do título estão devidamente qualificadas e representadas quando necessário, como no caso de pessoa jurídica ou dos relativamente ou absolutamente incapazes. (GALIANI, 1995, p. 47)
Podemos então concluir que é de responsabilidade do notário e do registrador observar todos os ditames legais no exercício de sua profissão.
• Igualdade - o princípio da igualdade garante que os servidores notariais e registrais devem atender ao interesse de todas as pessoas de forma indistinta, devendo assim, prestar os serviços a todas as pessoas sem que haja preferência ou discriminação.
Um exemplo que demonstra a aplicação desse princípio, é disposto no art. 31, III da Lei nº8935/1994, que traz em seu texto: “ São infrações disciplinares que sujeitam os notários e os oficiais de registro às penalidades previstas nesta lei: III - a cobrança indevida ou excessiva de emolumentos, ainda que sob a alegação de urgência.” (BRASIL, 1994)
• Moralidade – de acordo com Souza (2009) o princípio da moralidade impõe que o administrador tenha uma conduta que seja embasada em preceitos éticos, devendo observar os critérios de conveniência, oportunidade, justiça e honestidade.
IMPORTANTE:
Você deve lembrar que, de acordo com os significados (2020) moral é o conjunto de regras, de costumes e de diferentes formas de pensar, que definem o que devemos ou não devemos fazer em sociedade. Desta forma, sempre que pensarmos em moral, devemos pensar na coletividade.
Assim, as atividades dos notários e dos registradores devem seguir a ética administrativa, onde a sociedade deve ser protegida por meio da lealdade e boa-fé, sabendo disso, é nítido que esse princípio segue em conjunto com o princípio da legalidade.
O princípio da moralidade impõe a ética na conduta do administrador público, sabendo distinguir o que é honesto do que é desonesto além
de explorar em suas ações os critérios de justiça, conveniência e oportunidade.
Efeito desse princípio no serviço notarial e de registro está no art 30 da Lei nº8935/94, que traz em seu texto que é dever dos notários e oficiais de registro guardar sigilo sobre a documentação e os assuntos de natureza reservada de que tenham conhecimento em razão do exercício de sua profissão.
De acordo com o inciso II, do art. 31 da Lei nº8935/1994 “ Art. 31. São infrações disciplinares que sujeitam os notários e os oficiais de registro às penalidades previstas nesta lei: II - a conduta atentatória às instituições notariais e de registro.” (BRASIL, 1994) Desta forma, não é permitido na atividade notarial e registral, qualquer atividade que resulte em lesão moral provocada por atos desprovidos de probidade e honradez.
• Eficiência – o princípio da eficiência garante que os servidores devem aperfeiçoar os seus serviços e as suas atividades, de modo a que possa otimizar os resultados e ainda, possa atender o melhor interesse público.
IMPORTANTE:
O princípio da eficiência contrapõe a lentidão, a omissão e a negligência. Esse princípio determina que os notários e os registrados devem agir de modo rápido, eficiente e adequado.
Souza (2009) dispõe que esse princípio estabelece que toda ação administrativa deve ser orientada de forma a concretização material e efetiva da finalidade posta pela lei. Assim, o art. 4º da Lei nº8935/1994 dispõe:
Art. 4º Os serviços notariais e de registro serão prestados, de modo eficiente e adequado, em dias e horários estabelecidos pelo juízo competente, atendidas as peculiaridades locais, em local de fácil acesso ao público e que ofereça segurança para o arquivamento de livros e documentos.
§ 1º O serviço de registro civil das pessoas naturais será prestado, também, nos sábados, domingos e feriados pelo sistema de plantão.
§ 2º O atendimento ao público será, no mínimo, de seis horas diárias. (BRASIL, 1994)
Esse artigo garante a eficiência do serviço notarial e registral, e, além disso, o art. 38 da referida lei dispõe que o juiz que for competente deverá zelar para que os serviços notariais e de registros sejam prestados com rapidez, qualidade satisfatória e de modo eficiente.
• Publicidade – vimos a publicidade como uma das caraterísticas do direito notarial e registral, garantida pelo art. 1º da Lei nº8935/1994. O princípio da publicidade garante o dever da divulgação oficial de todos os atos administrativos. Essa divulgação assegura a eficácia do ato, além disso, garante ao administrador a oportunidade de verificar se o ato se contém os requisitos exigidos legalmente, podendo pedir sua anulação caso existam vícios que o torne ilegal.
Além do art. 1º citada anteriormente, o art. 16 da Lei nº6015/1973 (lei que dispõe sobre os registros públicos) diz que os oficiais e os encarregados das repartições, são obrigados a fornecer às partes as informações solicitadas.
Como vimos, esse princípio tem as suas exceções, o que não tratamos quando falamos da publicidade nas características é de que a Constituição Federal em seu art. 5º, incisos XIV e XXXIII traz exceção a esse princípio, sendo: XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;
XXXIII – todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações
NOTA:
Este princípio está mais ligado a produção de segurança jurídica no que diz respeito aos serviços notariais e registrais, do que a obtenção de eficácia do ato.
Para que se possa consultar os arquivos da serventia, o interessado deve-se fazer por meio do sistema de obtenção de certidões e fornecimento de informações.
Após terminarmos os estudos dos princípios constitucionais, vamos estudar os princípios referentes a cada um dos direitos ora estudamos, pois por mínimas que sejam, o direito notarial e o direito registral possuem diferenças, possuindo cada um, seus princípios específicos.