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trajetória de um compromisso :: Brapci ::

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(1)

U F P R -

seIs

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

.'- ,",:,'iTECA

C U R R IC U L O : T R A J E T Ó R IA D E U M C O M P R O M IS S O

Entretanto, pode-se verificar que esta

situação é um reflexo da situação

glo-bal dos Planos Educacionais Brasileiros,

nos quais, em muitos momentos,

perce-be-se claramente expresso o sentido

de currículo que acima enfocamos.

Não se tem a preocupação de verificar ou

de justificar para que, ou para quem deve-rá servir a nova proposta de reformulação.

O fundamento fi losófico do currículo

nem de longe transparece nessa sugestão.

Com isto, estamos dizendo que, para

repensar o currículo, há que se buscar

a sua fundamentação na filosofia, na

sociologia e na psicologia. Que homem

queremos formar? Que ser é este de que

a sociedade necessita? Quais seus fins,

direitos e perspectivas? Para isto, os fins

da educação devem ser buscados e

traba-lhados. Esse homem vive em grupo, é um ser social e, portanto, deve refletir sobre

seu papel na sociedade. Quais as

expecta-tivas, ansiedades, motivação e percepções

que este homem tem? São estas

indaga-ções que devem estar na mente daqueles

que se preocupam em pensar o currículo.

Por que a concepção de currículo

ficou tão marcada como sinônimo de

"grade curricular"? As propostas

conti-das nas legislações não dão a entender

isto? Quando se fala em currículo do

curso de Biblioteconomia, Currículo de

Direito, Currículo de Pedagogia etc.,

pensa-se primeiro no perfil do profisslonal

aliado a um posicionamento da grade

curricular, que venha corresponder a esse

perfil, cuja preocupação é formar um

profissional de acordo com as

necessida-SUMMARY

ONMLKJIHGFEDCBA

J t t e l l s a b o u t t h e d i s t o r t i o n s o n

c u r r i c u l u m r e fo r m u l a t i o n a n d a b o u t t h e

c a r e l e s s n e s s t o

find

o u t o r t o g i v e r e a s o n

fo r " w h a t " a n d " w h o m " i t w i l l s e r v e .

I t a n a l y s e s s i t u a t i o n s l i k e " c o n c e m i n g

b a n k s o r o f s o c i a l p r e s e r v a t i o n a n d p r o

-b l e m i z e r " o r o f s o c i a l

modification,

a i m i n g a i o p e r a t i o n a l proposals. C u r r i

-c u l a s h o u l d n o t m e a n a l i s t o f d i s c i p l i n e s

a n d t h e i r r e s p e c t i v e t i m e t a b l e . B u t

p r o p o s a l s t o b e l i v e d b y t h e s t u d e n t s

a n d t e a c h e r s w h i c h w i l l s e r v e a s a s u p

-p o r t fo r t h e fu t u r e professional, e n g a g e d

w i t h t h e r e a l i t y i n w h i c h t h e i n d i v i d u a l

l i v e s ,

fighting

fo r i t s

modification.

CURRICULO:

TRAJETORIA

DE UM COMPROMISSO

Sonia Giubilei"

REFLEXÕES INICIAIS

RESUMO

T r a t a d a s d i s t o r ç õ e s s o b r e r e fo r m u l a ç ã o c u r r i c u l a r e d a n ã o p r e o c u p a ç ã o d e v e r i fi

-c a r o u d e j u s t i fi c a r p a r a q u e , p a r a q u e m

e l e d e v e r á s e r v i r . A n a l i s a enfoques d e n o

-m i n a d o s " b a n c á r i o o u d e c o n s e r v a ç ã o

s o c i a l e p r o b l e m a t i z a d o r " o u d e t r a n s fo r

-m a ç ã o s o c i a l , fo c a l i z a n d o a i n d a p r o p o s

-t a s o p e r a c i o n a i s . C u r r i c u l o s n ã o d e v e m

s e r r e l a ç õ e s d e d i s c i p l i n a s c o m a r e s p e c t i

-v a c a r g a h o r á r i a . M a s p r o p o s t a s q u e d e

-v e r ã o s e r v i v i d a s p e l o s a l u n o s e p r o fe s s o

-r e s p a -r a s e r v i r e m d e s u p o r t e s p a r a o fu t u

-r o p r o fi s s i o n a l , compromissado c o m a

r e a l i d a d e e m q u e v i v e , l u t a n d o p a r a q u e

e l a s e m o d i fi q u e .

Muitas vezes, o termo currrculo é

interpretado de maneira tão simplista que

ficamos perplexos; e isto acontece num

momento em que é palavra de ordem

reformular os currículos para acompanhar

as transformações por que passa o mundo.

Assim, é comum ouvir-se falar em

pro-posta de reformulação curricular quando

nada mais se está fazendo do que

intro-duzir ou retirar disciplinas de um curso,

ou deslocar disciplinas pelas diferentes

sé-ries. Para aqueles que começam hoje a

verificar sobre o verdadeiro sentido de

Currrculo, ouvir tais afirmações e

perce-ber tais posturas s6 traz grandes

preocu-pações.

Keyword, - C u r r i c u l u m : c o n c e p t s .

Palavra chave - C u r r t e u10: C o n c e i t o s

* P ro fe s s o ra d a F a c u ld a d e d e E d u c a ç ã o d a P U C C A M P e d a U N IC A M P , S ã o P a u lo .

Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação 18(1/2):12-19, jun. 1985 13

(2)

S o n ia G iu b ile i

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

des da comunidade.

Etimologicamente a palavra currículo

implica num sentido de caminhada,

percurso, corrida, trajetória, jornada etc.,

conotando continuidade, seqüência, m o

-vimento. Este sentido dinâmico

desapare-ce na conceituação tradicional, para a

qual "currículo" surge sob forma

estáti-ca, acabada, legal. Esta concepção ca ra

c-teriza um ensino burocrático,

preocupa-do em atender apenas às normas legais,

esquecendo-se de trabalhar, o "para que",

o "como", o "quando" e o "onde"

verdadeiras preocupações de um c u rr"

culo dinâmico.

Para maior entendi mento verificaremos

como se trabalha o cu rr i'cu lo a partir

de enfoques que lhe dão roupagens

específicas.

ENFOQUES CURRICULARES E

PROPOST AS OPERACIONAIS

Chamaremos enfoques curriculares d

i-ferentes pontos de vista que permitem

identificar os elementos conceituais que

guiam o processo de tomada de decisões

curriculares. Assim, consideramos dois os

enfoques que norteiam as atividades c u

rri-culares e que englobam várias propostas

operacionais para sua viabilização em

cada um. Q..p~!I!ei!:9 enfoque 95!nomina·

ITlOs "bancário" 01} de conservação social e o segundo "problematizador" ou de

transformação social, ambos embasados

em aspectos filo só fico s, psicológicos e

sociológicos.

Esses enfoques referem-se a distintas

dimensões e bases conceituais do processo

de delinear o cu rrrcu lo . O primeiro e n fo

-que identifica-se mais com o processo

ensino-aprendizagem, com o dominio

de conteúdo, enquanto que o segundo

refere· se ao processo de estruturar, o rq a

-nizar e conceber o currícu 10 dentro de

um contexto mais amplo do sistema

educativo. Além disso, esse enfoque

caracteriza-se por sua orientação vai

ora-tiva e por esperar compromissos éticos,

morais e sociais dos educadores, e dos

educandos, enquanto que o primeiro

enfoque, isto ~ "bancário" ou de

conser-vacão social, é mais funcional e procura

ser neutro em questões de valores.

Para um melhor entendimento,

passe-mos a uma análise mais aprofundada de

cada um, tentando focalizar suas d ife

-rentes propostas não de uma forma

excludente mas até corporativa, pois as

propostas podem. aparecer, todas, em um

mesmo enfoque.

ENFOQUE "BANCÁRIO" OU

CONSERV AÇÃO SOCIAL

O enfoque "bancário" ou de

conserva-ção social tem como premissa básica d o

-tar o indiv rd u o de destrezas e habil idades

para sobreviver no presente e alcançar

o máximo desenvolvimento pessoal.

lden-tifica-se com verdades consagradas pela

ciência as quais deve cada aluno dominar,

memorizar e aceitar como prontas,

acaba-das não questionáveis. A característica

marcante desse enfoque que se

desen-volve nas relações dorninador-dorninado,

é o reflexo do que aconteceu na

socieda-de global, incentivando o dominado a

14 R e v is ta B ra s ile ira d e B ib lio te c o n o m ia e D o c u m e n ta ç ã o 1 8 (1 /2 ):1 2 · 1 9 , ju n . 1 9 8 5

C U R R IC U L O : T R A J E T Ó R IA D E U M C O M P R O M IS S O

assimilar os mitos culturais do d o m in a

-dor. Este, por sua vez, como detém o

poder, envolve o dominado, im p e d in d o -o de distanciar· se para analisar criticamente

a realidade que o circunda.

Nesse enfoque, o professor é o dono

do saber, é a autoridade que detém o

conhecimento que deve ser passado ao

aluno: proposta que se justifica pelo

rno-nólogo. Trata-se do uso do saber para

exercício do poder, reduzindo o

aducan-do à condição de coisa, ro u b a n d o -lh e o

direito de ser sujeito de sua própria

história. Trabalha-se a obediência, a

subor-dinação, a humildade do nada saber,

e que deve estar presente em todas as

atitudes dos alunos. Transfere-se ao

pro-fessor a responsabilidade de dominar o

individuo, torná-to dócil, pacato,

desce-nhecedor de sua própria história.

Ouais seriam as propostas

operacio-nais que viabilizam esse enfoque? A p

ri-meira, seria

ONMLKJIHGFEDCBA

a t e c n o l o g i a , dando ênfase mais ao como se estrutura e se organiza

o ambiente de ensino-aprendizaqern, do

que ao que se deve ensinar, isto é,

concei-tualiza-se a função do curr ículo

essencial-mente como processo de encontrar meios

eficientes para alcançar fins desejáveis

e pré-determinados. Essa proposta parece

envolver a idéia de que uma vez

domina-das as tendêncais para organizar e planejar

a instrução, a problemática curricular

estará essencialmente resolvida. Verifica-se

aqui que o aluno fica reduzido á posição

de mero consumidor dos conteúdos

trabalhados, facilitados por uma

parafer-nália tecnológica, tornando o mundo do

conhecimento divertido, desaparecendo,

é óbvio, o trabalho criador como

traba-lho efetivo.

O trabalho educacional é apoiado por

uma gama imensa de equipamentos que

dão a entender aos menos avisados que o

professor está atualizado nas propostas

renovadoras de trabalhar a educação.

Não se quer aqui dizer que toda

tecnolo-gia educacional, já por si só, é falha.

O que se deve levar em consideração é

que essa tecnologia deverá vir

acornpa-nhada de uma problematização, que seja

um meio não um fim.

A segunda proposta operacional diz

respeito ao processo de e l a b o r a ç ã o d e

o b j e t i v o s . Nessa proposta a idéia é a de que o elemento chave é o funcionamento

adequado da organização educacional,

elaborando objetivos claros que venham

a permitir um plano racional de atividades.

Um professor que elabora corretamente

objetivos, principalmente os operacionais,

já teria um triunfo para o sucesso de seu

trabalho pedagógico. Aqui não há p re o

-cupação na elaboração de objetivos mais

amplos com apoio nos fins da educação,

e em relação com a realidade só cio cu ltu

-ral onde essa mesma educação está

inse-rida.

'Avterceira proposta operacional

funda-manta-se no i n s t r u m e n t o l e g a l a d m i n i s t r a

-t i v o . Essa proposta procura criar rneca-nismos legais e administrativos que venham

a dar subsídios às mudanças curriculares

propostas. Em toda situação a lei rege os

encaminhamentos das decisões. Nada se

faz que não esteja definido na legislação.

Apóia-se num trabalho burocrático,

tecni-cista. Esta proposta trabalha o

(3)

mento oficial representativo de

configu-rações ideológicas dos interesses da

clas-se heqernônica. A própria escolha do

conhecimento escolar, freqüentemente

se baseia em pressuposições ideológicas

que fornecem as regras para o

pensamen-to e a ação dos educadores.

Os conteúdos trabalhados estão de

for-ma sutrl na legislação e servem aos

inte-resses dos opressores, provocando

adapta-ção à situação de opressão. Condiciona

à conformidade com convenções, praxis

sem sentido, domesticação das

consciên-cias, do comportamento dos indiv rduos

e dos grupos.

ENFOQUE PROBLEMATIZADOR

O segundo enfoque, "problematizador" nu.de transíorlnacão social, está

embasa-do na preocupação e no respeito do

edu-cando como sujeito de sua própria

história, culminando na visualização de

uma sociedade em que os individuos

assumam o compromisso

gfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

p ro fissio n a l.co m essa mesma sociedade.

O clima que se envidencia nesse

enfoque permite um ambiente de

traba-lho de confiança, de ajuda e de respeito

às condições reais dos que estão

envolvi-dos, Esse clima também propicia um

pensamento crítico que representa a mola

propulsora que leva o educando a pensar

e repensar a realidade, favorecendo o

aparecimento de opiniões discordantes,

que geram um processo de debate,

culmi-nando na elucidação de caminhos e

tra-jetórias a serem percorridas como uma

tarefa global para o e q u ilrb rio próprio da

16

S o n ia G iu b ile i

sociedade.

A reflexão crrtica direciona, pois,

para um conhecimento que não é

li-vresco, formal ou dissociado da

realida-de, mas sobretudo para um ato criativo

libertador e solidário. Há uma nítida

preocupação com o conteúdo próprio do

C u rrrc u lo qual seja: a realidade social,

pol ítica e econômica da sociedade em

que vive.

Constituem preocupação dos

educado-res e uma reflexão constante as

seguin-tes indaqações: a quem deve servir a

edu-cação, quais seus objetivos: com que

re-cursos poderão contar? Nesse sentido, a

visão de homem compromissado com a

sociedade estará presente nos atos

educa-tivos, demonstrando a formação do

indivrduo de acordo com a dada

filoso-fia. É, portanto, essa filosofia adotada que dará direção ao c u rrrc u to , à

caminha-da que, tanto educadores quanto

edu-candos farão de modo integrado, coeso,

interligado.

A busca constante desse enfoque é a

existência. de uma sociedade aberta

is-to é, democrática, participativa,

críti-ca, permitindo aos indivrduos que nela

convivem a procura permanente de

sua mútua humanização.

As propostas operacionais que

viabili-zam este enfoque são: \

O

ONMLKJIHGFEDCBA

c u r r t c u l o c o m o b a s e p a r a r e c o n s t r u -ç ã o s o c i a l . Nessa proposta, procura-se identificar o papel da educação no

con-texto sócio-cultural. Os fins da educação

são aqui considerados em termos de

expe-riências globais. O educando

identifica-se como um agente de transformação

R e v is ta B ra s ile ira d e B ib lio te c o n o m ia e D o c u m e n ta ç ã o 1 8 (1 /2 ):1 2 -1 9 , ju n . 1 9 8 5

C U R R IC U L O :T R A J E T Ó R IA D E U M C O M P R O M IS S O

social.

O currículo se organiza e se

desenvol-ve com base nos prindpios que orientam

e promovem a transformação social de

manei ra evolutiva e ao mesmo tempo

servem de base para a difusão de

inova-ções.

A segunda proposta de viabilização

refere-se ao c u r r i c u l o c o m o i n s t r u m e n t o

p o l i t i c o , Aquí o c u rrrculo serve de vei-culo para implementar reformas que

res-pondam aos problemas sociais e

educa-cionais. Indica a função p o lrtica que

podem assumir as decisões curriculares

dentro do contexto nacional. O c u rr

i'-culo pode ser trabalhado como um

ins-trumento libertador, com o qual se

esti-mula os educandos a utilizar de uma

me-neira critica e criativa sua realidade' e a

descobrir a maneira de participar na

transformação de seu meio.

O c u rrrc u lo pode oferecer uma

opor-tunidade para que cada pessoa ou grupo

de pessoas exerça um papel mais decisivo

na configuração e determinação de seu

próprio futuro e tenha maior controle

das variáveis que afetam sua vida.

Para que possamos compreender como

um enfoque curricular está presente nas

diferentes concepções passaremos a

análi-se de alguns autores que tratam do

assunto:

Maria Irma Sarubbi I , anal isando uma

série de definições de c u rrrc u lo , cita

Gagné, identificando o c u rrrc u lo como

(l)S A R U B B I, M a ria Irm a R o s a . C u r r i c u l u m . B u e n o s A i r e s ,s ie u « , 1 9 7 0 .

"uma série de unidades de conteúdo"

correspondendo ao conceito mais

tradi-ciona~. No Brasil, durante quase todo o

p e riodo imperial e a primeira República,

o Colégio Pedro II serviu de marco na

definição de conteúdos que deveriam ser

seguidos pelas demais escolas que

desejas-sem ser equiparadas a ele. Uma concepção

um pouco mais ampla que a tradicional

é a de Calixto Suárez Gomes, também

citado por Sarubbi, "conjunto de

ativi-dades de aprendizagem realizadas pelos

alunos na escola sob a di reção do

profes-sor levando em consideração o fim da

educação".

Uma concepção que identifica o

enfo-que "bancário" ou de conservação

social, é citada por Albert Victor Kelly2:

"O currículo é o oferecimento de

conhe-cimentos, habilidades e atitudes

social-mente valorizados e postos à disposição

dos estudantes através de uma variedade

de arranjos, durante o tempo em que

eles estão na escola, na Faculdade ou

Universidade". Verifica-se, nesse conceito,

que o conhecimento está pronto,

identi-ficadas as atitudes que serão valorizadas,

estando tudo à disposição do aluno,

bastando a ele somente ir buscar, ou

soli-citar durante o tempo em que estiver

na escola.

(2 ) K E L L Y , A lb e rt V ic to r, O curriculo; te o ria e p rá tic a . S ã o P a u lo , H a rb ra , 1 9 8 1 .

(4)

S o n ia G iu b ile i

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Charles R. Christine & Dorothy V.

Christine ' - definem currículo como:

"Plano detalhado para obter mudanças

desejáveis na conduta do aluno". Vejam a

que corresponde essa concepção, levando

em consideração que o currículo deve

trabalhar "mudanças desejáveis" na

con-duta do aluno. Perguntamos a quem essas

mudanças são consideradas desejáveis? Ao

aluno? A concepção fala em "conduta",

portanto, toma o ponto de vista co m p o

r-tamental. O currículo vai ser b o m se

efetivamente mudar a conduta esperada

do aluno. Não se coqita O' trabalhar a

reflexão cO'm O' aluno, corno uma

propos-ta de desenvolvimento da consciência

crítica.

Um conceito mais abrangente e que

vem aO' encontro ao que aqora estarnos

tentando trabalhar é O' apresentado pela

Professora Maria Nilde Mascelani"

esta-belecendo que curr(culo é O' "conjunto

organizado de experiências, de vivências

e de situações estirnuladoras do

desenvol-virnento humano". Percebe-se, aqui,

CO'-mo o enfoque pr oblernatizador ou de

tansformação social está presente,

objeti-vando trabalhar todo O' ser humano, em

sua qlobalidade. Vive-se aquilo que se

diz, pratica-se aquilo que se prega. ~,

portanto, estimulador, rico, d in â m ico e

(3 ) C H R IS T IN E , C h a rle s T . & C H R IS T IN E , D o ro th y V .

ONMLKJIHGFEDCBA

G u i a p r a c t i c a p a r a e l c u r r i c u l o y I a i m s t r u c c i à n . B u e n o s A ire s , G u a d a lu p e ,

1 9 7 3 .

(4 ) M A S C E L A N I, M a ria N ild e . Curriculo: a d is -to rç ã o d e u m c o n c e ito . (T e x to m im e o -q ra fa d o ).

gerador de atividades educacionais

signifi-cativas para o ser e para a co m u n id a d e

em que vive.

CONCLUSÃO

Diante do exposto, é sem sombra de

dúvida a execução do curr rculo um

grande compromisso que deve ser

assu-m id o p o r p ro fe sso re s. fu n cio n á rio s e

alu-nos de instituições educacionais.

Execu-cã o essa que se fará sempre em q ru p o e

jamais individualmente.

Situações aparecerão em que todos

deverão analisar O'Stextos legais e deles

retirar as interpretações necessárias que

subsidiarão as propostas de reforrnulação

curricular. Necessário se torna captar as

mensagens desses textos e enxergar até

onde querem ir e, a partir daí, propor

alternativas de solucões para O'S

proble-mas existentes.

É necessário que O'Scu rrrcu lo s, refleti-dos e trabalhados nos cursos, não sejam

relações de disciplinas cO'm a respectiva

carga hor ária, mas sobretudo propostas

que deverão ser vividas pelos alunos e

professores durante o curso e que venham

servir de suporte para O' profissional do

futuro.

Esse suporte não será exclusivamente

fundamentado em um tecnicismo. que

implicaria numa concepção de "indiv

i-duo adestrado"; ao contrario, visa a um

tipo de profissional cornprornissado com

a realidade em que vive, lutando para

que ela se modifique.

Um currrculo que busque vivências

18 R e v is ta B ra s ile ira d e B ib lio te c o n o m ia e D o c u m e n ta ç ã o 1 8 (1 /2 ):1 2 -1 9 , ju n . 1 9 8 5

C U R R IC U L O : T R A J E T Ó R IA D E U M C O M P R O M IS S O

canstantes, deve conseqüentemente

traba-lhar O'S problemas que afligem a

comuni-dade e transfarmá-Ios em temas em

tor-no dos quais encontre uma configuração

dinâmica e estimulante de reflexões

cO'nstantes. Nesse ambiente, a aluna

não cultivará um clima de passividade,

mas sim O'c o n fro n to de idéias e a

deba-tes cada vez mais enriquecedores, não só

para um futuro p ro fissio n a l, apenas, mas

acima de tudo, corno ser h u m a n o a u to

-determinado. Os processos de estimulação

d o p e n s a m e n to crítica, da p o n to de

vista d o cu rrrcu lo aqui e n fo ca d o , visam

formar n a fu tu ro p ro fis s io n a l um forte senso de responsabilidade quanta ao

futu-ro da sociedade, situando-O' na esfera de

liberdade, que permite rejeitar condições

rnutiladoras e que através do papel

crrtico da consciência do homem,

permi-te que ele consiga agir corno serhumano

. livre, fazendo a sua história.

AO' Bibliatecária não fica apenas a

desempenha de funções técnicas, de

efi-ciência e rapidez, mas acima de tudo um

papel educativo visualizando dias melhores

para um pOVO' tão sofrida e distante das

possibilidades de contato com os vários

meios de comunicação. Mas não se deve

esquecer que O' cidadão, que não tem

essas condiçôes, é um ser humilde que

também faz cultura, assim corno

contri-bui para a riqueza da perpetuação da

história de seu pO'vO':..É ~ que ab ib lio te

-cário tem um grande co m p ro m isso co m

esse humilde cidadão, c a m a sociedade que lhe deu a oportunidade de

profissio-nalizar-se e, acima de tudo, consiqo

mesmo como um ser de raciocfnio

ló q ico , crítica e libertador.

Referências

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